O arcabouço do Rock Progressivo!
' A história da fase mais criativa da banda (1968 - 1975) '
Yes foi a banda de Rock Progressivo do começo dos anos setenta mais duradouro e também mais bem sucedido, o Yes ainda tem muitas histórias pra contar. Formado em 1968, superou muitas trocas de formações com a partida de membros-chaves, mas nunca perdeu a qualidade técnica da sua música tornando-se a banda precurssora do chamado: Prog Rock.
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Eles conseguiram manter enorme base de fãs por causa de sua mistura de assustador virtuosismo, letras místicas, complexos temas musicais e belos e delicados vocais. O vocalista, Jon Anderson, iniciou na música como membro dos Warriors (que chegaram a gravar um single para o selo Decca em 1964), passou por outra banda, a Gun, antes de tentar carreira solo em 1967 (e lançar 2 singles pelo selo Parlophone). Ele estava fazendo uma curta temporada no clube londrino "La Chasse", em jun/68, quando numa noite no bar conheceu o baixista/vocalista Chris Squire, da banda Syn (que tinha contrato com o selo Deram, uma divisão da Decca). Os dois logo descobriram interesses musicais em comum (que incluíam gosto pelas harmonias vocais de Paul Simon e Art Garfunkel) e, nos dias seguintes, passaram a compor juntos.
Foi o início de um tipo de som, que incorporava belas harmonias e sólida base roqueira com ênfase no instrumental. A dupla via as demais bandas ao seu redor como tendo às vezes ótimos vocais, mas fraco instrumental, ou outras vezes o contrário, ótimos instrumentais e fracos vocais. Resolveram então combinar o melhor desses dois elementos (a inspiração inicial foi o grupo de Soul Pop Fifth Dimension). Eles recrutaram Tony Kaye para os teclados, Peter Banks (também do Syn) para as guitarras e Bill Bruford (que havia recém entrado no Savoy Brown) para a bateria.
O nome Yes foi escolhido por ser algo curto e direto, mensagem rápida. A estreia ocorreu em out/68 no clube Speakeasy, de Londres (conseguido através de Tony Stratton-Smith, empresário do Nice e, mais tarde, fundador do selo Charisma). Conseguiram ser selecionados para abrir o famoso show de despedida do Cream, em 26/nov/68, no Royal Albert Hall, o que os levou a uma temporada no clube Marquee e aparição no programa de rádio Top Gear, comandado por John Peel. Abriram para Janis Joplin (um show também no Royal Albert Hall, em abr/69) e assinaram com a Atlantic Records.
O single de estreia do primeiro álbum autointitulado YES, trouxe "Sweetness", uma canção de Anderson e Squire, e o álbum, simplesmente intitulado "Yes", saiu em nov/69. Nestas gravações já havia o som básico que caracterizaria o trabalho subsequente: harmonias vocais impecáveis, instrumental arrasador e um enfoque derivado do Folk e do erudito (diferenciando-os da onda R&B/psicodelia que dominava a cena musical da época). Também presente estava um contexto Pop (havia covers dos Beatles e dos Byrds) e elementos de Space Rock (na faixa "Beyond and Before") no que, mais tarde, eles se tornariam especialistas. Os vocais de Anderson davam à música um ar "etéreo" e a guitarra de Banks ia do Folk ao Skiffle.
O baixo de Chris Squire tinha um som enorme (proeminente feito um trovão) devido sua forma personalíssima de tocar, a bateria de Bill Bruford era complexa e os teclados de John Kaye eram ricos e melódicos. O disco era surpreendentemente coeso (dada a relativa inexperiência de todos), focado e já indicava o som multi estruturado (introduções, mudanças de texturas, timbres e volume etc.) com suítes cheias de partes que fariam mais à frente o sucesso da banda. "Every Little Thing" talvez seja o mais ousado cover dos Beatles já feito.
Em fev/70, o Yes abriu para o Nice no Royal Albert Hall já preparando o segundo álbum, "Time and a Word". Lançado em jun/70, ele trouxe a primeira mudança no line-up da banda: Peter Banks havia deixado o grupo para ser substituído pelo guitarrista Steve Howe. Howe já aparece na capa do disco (fez o primeiro show com a banda em 21/mar/70, no Queen Elizabeth Hall), mas quem realmente toca no disco ainda é Peter Banks.
Bem mais sofisticado que seu antecessor, o segundo álbum Time and a Word, incluia uma orquestra (na verdade, um overdub) em algumas faixas, o álbum evidenciou ainda mais elementos cósmicos e místicos nas composições. Mais bem produzido, com performances excelentes de Bruford-Squire-Kaye, tensão e excitação, volume amplificado, passagens trabalhadas e estendidas, o grupo ia solidificando seu som, embora eles ainda não tivessem desenvolvido a destreza para disparar mudanças de tempo. Os destaques eram "No Opportunity Necessary, No Experience Needed", um cover de Richie Havens, "Then", "Everydays", "The Prophet" e "Astral Traveller". A fama da banda continuou a crescer na Inglaterra tornando seus shows bem populares, onde foram a banda de abertura da turnê do Iron Butterfly.
Mas no terceiro álbun, The Yes Album, lançado em abr/71, a banda conseguiu capturar todo o potencial do grupo. Feito por inteiro com composições próprias, ele veio recheado de harmonias complexas e deslumbrantes, partes de guitarra/baixo com volume no talo, distorcidas e em várias camadas, bateria virtuosa e melódica, órgão Hammond com passagens rebuscadas com muitos arranjos de piano, tudo num nível bem mais expandido. A faixa "Your Move" seria a primeira canção deles a entrar no Top 40 norte-americano, "Starship Trooper" e "All Good People" davam a Howe-Squire-Bruford oportunidade de ampliar passagens instrumentais com tremenda pungência.
Algumas composições pareciam pinturas sonoras e os assombrosos vocais de Anderson remetiam a paisagens tocantes que despertavam a imaginação dos ouvintes. Enquanto, nos 2 primeiros álbuns, o Yes procurou um som próprio, em "The Yes Album" estreou-o com força total. A banda agora trabalhava em material próprio, e as estruturas já se mostraram complexas. A guitarra de Steve Howe preenchida, deixava o baixista Chris Squire e o baterista Bill Bruford livres para improvisarem. As composições ficavam extremamente complexas. Sobre tudo isso, plainava a alta e suave voz de Jon Anderson, lindas harmonias apoiadas por Squire e Howe, com as letras derivadas da ficção científica.
Entretanto, o tecladista Tony Kaye não estava muito satisfeito: seu órgão/piano buscava lugar no novo som do Yes, e a relutância em adotar um sintetizador Moog, instrumento que era novidade na época, acabaria por determinar sua saída.
No início de 1971, o Yes fez sua primeira turnê pelos EUA, abrindo para o Jethro Tull e voltaram no final daquele ano abrindo para o Ten Years After e a J. Geils Band. Com a saída de Tony Kaye em ago/71, Rick Wakeman (ex-Strawbs e David Bowie) assumiu os teclados. Wakeman era um músico bem mais extravagante que Tony Kaye, não só pelo seu jeito de tocar, mas também no número de instrumentos que usava. No lugar dos três teclados de Kaye, Wakeman utilizava vários, um arsenal que incluía Mellotron, vários sintetizadores, órgão, diversos pianos, um cravo elétrico, entre outros.
Esta formação (Anderson, Squire, Howe, Wakeman e Bruford) durou apenas 1 ano (de ago/71 a ago/72), mas é frequentemente considerada a configuração mais rebuscada do grupo. Eles compuseram o próximo álbum, Fragile, que trouxe só 4 faixas feitas por todo o grupo ("Roundabout", "The South Side Of The Sky", "Heart Of The Sunrise" e "Long Distance Runaround", todas faixas enormes com cerca de 7 e 13 minutos). O disco foi lançado em dez/71 e era centrado em 5 faixas, cada uma apresentando a individualidade de cada músico. O álbum foi um sucesso (alcançou nº. 7 na Inglaterra e nº. 4 nos EUA), impulsionado pelo single "Roundabout", primeiro grande sucesso da banda.
Vívidas texturas, inacreditáveis passagens de violão e guitarra, vocais celestiais, teclados inebriantes, baixo e baterias contagiantes, o Yes alcançava o auge de seu som, causando um impacto imenso entre a juventude. A capa do álbum foi a estréia de um estilo de artes plásticas, desenhada pelo artista gráfico Roger Dean, viraria outra marca registrada da banda, seus desenhos de paisagens surreais que evocavam imagens relacionadas com a música, estas artes se tornariam parte integrante da experiência musical do Yes. Roger Dean passaria no futuro a projetar até palco das turnês.
Instantaneamente, o Yes migrou de banda cult para fenômeno internacional. "Fragile" foi o ponto onde todos os elementos se encaixaram. A ficção científica e os elementos de fantasia que já haviam feito o sucesso no "Yes Album", voltaram com força total, fascinando toda uma geração de roqueiros, foi algo inovador. Com o baixo de Chris Squire estalando nos amplificadores, as múltiplas guitarras e violões de Steve Howe surpreendendo pelos acordes e soluções inusitadas, a montanha de teclados de Rick Wakeman criando uma sonoridade espacial e a bateria sofisticada de técnicas de Bill Bruford, parecia que o Yes flutuava do solo, tamanha era a inventividade e ambição da banda.
Embora o Yes tenha continuado a lançar compactos 45 RPM periodicamente incluindo um cover de "America", de Paul Simon, o futuro da banda claramente estava em seus álbuns. Close To The Edge, gravado na primavera de 1972 e lançado em setembro daquele ano, trouxe um álbum com apenas três longas faixas, três clássicos sonoros. As texturas musicais importavam mais do que as letras ou qualquer melodia específica, harmonização ou solo. O álbum alcançou o nº. 4 das paradas na Inglaterra. Close To The Edge disparou a mais longa turnê da carreira da banda até então.

Em retrospectiva, a banda entrou numa espiral de desintegração que só uma grande mudança de direção poderia segurar os egos da banda, depois de um disco que foi uma verdadeira obra-prima. Na época de seu lançamento (jul/72), entretanto, Bill Bruford anunciou sua saída para se juntar a outra influente banda do Prog Rock, o King Crimson, e foi substituído por Alan White, um baterista que tinha participado das sessões de gravação da famosa banda "Plastic Ono Band", álbum de John Lennon e Yoko Ono. AlanWhite já era um ótimo baterista, porém com técnicas melódicas bem diferentes das de Bill Bruford, e assim a banda entrou na turnê do novo disco diante de enorme resposta de público e retumbante aclamação da imprensa especializada.
Grande parte da turnê "Close To The Edge", assim como da turnê anterior ainda com Bruford na bateria, foram gravadas e o LP triplo chamado Yessongs foi lançado em mai/73, compilou o melhor destas gravações. "Yessongs" acabou tornando-se modelo para todos os álbuns ao vivo de Rock Progressivo: mais de 2 horas de todo o repertório de show, tudo sem cortes e extremamente bem tocado diante de tanta complexidade sonora.
O Yes tinha uma missão muito dificíl para o ano de 1973 que era produzir o sucessor de 4 álbuns clássicos. O resultado foi um LP duplo chamado Tales From Topographic Oceans, lançado em jan/74, sob enormes expectativas ele foi "disco de ouro" na pré-venda. O disco quebrou todos paradigmas artísticos anteriores, consistindo em quatro longas faixas, cada uma tomando todo um lado dos LPs. Se podemos dizer que os álbuns anteriores eram compostos de pinturas sonoras, então "Topographic Oceans" era uma série de murais sonoros pintados em vastos espaços numa escala gigante não recomendada para audições fáceis.
Em seu lançamento, críticos o classificaram como "excessivo, representando o píncaro da natureza auto-indulgente do Rock Progressivo". Originalmente inspirado pela reação de Jon Anderson a um conjunto de escritos sagrados do hinduísmo, o álbum apresentou beleza sublime em muitas partes e imensos trechos de virtuosismo hipnotizante de alta octanagem.
Ainda assim, Topographic Oceans possuía algumas das passagens mais bonitas feitas pelo Yes e entregava música profunda e maravilhosa. Decididamente, uma viagem estranha e gloriosa, porém não indicada para todos. A banda entrou em turnê no início de 1974 tocando a maior parte do álbum no palco. Na sequência, foram revelados planos individuais de cada membro lançar um álbum solo, e vários álbuns foram lançados.
Após a saída de Rick Wakeman, em ago/74, foi anunciado que Patrick Moraz, regresso o Prog Rock trio "Refugee", substituiria Wakeman. Três meses depois, um novo álbum, Relayer foi lançado e alcançando o nº. 4 nas paradas britânicas e o nº. 5 nos EUA. Moraz acabou provando ser o substituto adequado. "Relayer" manteve as ambições musicais da banda, com suítes organizadas em seções musicais abrasivas, ritmicamente densas, rico instrumental cheio de solos e delicados vocais com letras poéticas cheias de imagens espirituais. Tudo com o objetivo de criar paisagens sonoras nas quais o ouvinte pudesse viajar.
Apesar de Patrick Moraz fazer a lição de casa, a qualidade e maestria de Rick Wakeman era imcomparável, e assim o mago retorna à banda em 1976. A banda se reuniu no Mountain Studios, na Suíça, para iniciar a gravação de Going For The One e, para tornar ainda mais evidente o clima de motivação, Rick Wakeman estava de volta, empolgado após ter ouvido algumas versões iniciais das novas músicas. O Yes estava de volta com aquela que seria mais uma de suas formações clássicas, trazendo um álbum espetacular.

Com muita movimentação entre seus integrantes, o Yes ainda registraria uma extensa discografia, repleta de bons discos, mas “Going For The One” nunca viria a ser superado. São inúmeros discos lançados passando por todas as mudanças do mundo da música e tendências radiofônicas. Essa, porém, é a beleza da coisa. “Wonderous Stories” foi inspirada na vivência de um dia para ser lembrado. E são raros os dias especiais assim.
Veja a Discografia Completa no Site da Banda:
Todos os membros que passaram pelo YES
Atuais: Jon Davison (vocal e violão), Steve Howe (guitarras e instrumentos de cordas), Jay Schellen (bateria), Geoff Downes (teclados em geral) e Billy Sherwood (baixo e vocais).
Ex-membros: Jon Anderson (vocal, violão ...), Chris Squire (baixo e vocais), Alan White (bateria), Rick Wakeman (teclados em geral), Bill Bruford (bateria), Trevor Horn (vocais e guitarra), Trevor Rabin (guitarra), Tony Kaye (teclados), Peter Banks (guitarra), Patrick Moraz (teclados em geral), Benoit David (vocais), Oliver Wakeman ((teclados em geral), Igor Khoroshev and Tom Brislin (teclados em geral).
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