Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

domingo, 27 de julho de 2025

Black Sabbath: A melancolia dos oprimidos ...

A melancolia dos oprimidos: 
Uma elegia para Ozzy Osbourne

Porque a dor que Ozzy expressava – a dor da exploração, da alienação, da desumanização – continua atual. O capitalismo mudou de forma, mas não de essência. Continua mutilando corpos e almas, continua transformando seres humanos em máquinas, continua produzindo a mesma dor que Ozzy soube traduzir em arte


Hoje a leitora, o leitor, vai ter que me perdoar, pois vou vestir a roupa preta do roqueiro que um dia fui, das canções que embalaram a minha revolta num mundo de miséria e invariavelmente cheio de guerras. Pois é. Há mortes que nos atravessam feito faca, cortando de dor algo que nem sabíamos que existia em nós. A notícia da morte de Ozzy Osbourne – o Príncipe das Trevas, o homem que mordeu a cabeça de um morcego e transformou o desespero em arte – chegou como um assombro para uma geração inteira que cresceu embalada pelos acordes distorcidos do Black Sabbath e pelos gritos guturais que ecoavam das periferias industriais do mundo. Mas por que a morte de um homem que jamais conhecemos pessoalmente nos afeta de forma tão visceral? Por que sentimos como se perdêssemos um irmão, um companheiro de trincheira numa guerra que nem sempre conseguimos nomear?

A resposta, creio eu, reside na natureza mesma da arte como expressão coletiva da dor. Ozzy não era apenas um músico, ele era a voz rouca e desesperada de milhões de jovens operários, filhos da classe trabalhadora que encontraram no heavy metal não apenas entretenimento, mas uma linguagem para expressar aquilo que a sociedade burguesa insistia em silenciar: a revolta contra a exploração, a angústia existencial diante de um futuro incerto, a raiva contra um sistema que os condenava às fábricas antes mesmo que pudessem sonhar com algo diferente.

Quando Ozzy berrava “Iron Man” ou “Paranoid”, não estava apenas cantando – estava canalizando o grito abafado de uma geração inteira de jovens que acordavam às cinco da manhã para enfrentar mais um dia nas linhas de produção, que viam seus corpos sendo consumidos pelas máquinas, que sentiam suas almas sendo trituradas pela engrenagem implacável do capitalismo industrial. O heavy metal, nesse sentido, nunca foi apenas música, foi sempre um manifesto, uma declaração de guerra contra a normalização da miséria.

É impossível falar do impacto de Ozzy Osbourne sem compreender a gênese histórica e social que deu origem ao Black Sabbath. Birmingham, cidade industrial inglesa dos anos 1960, era o epicentro de uma transformação brutal: a desindustrialização acelerada, o desemprego em massa e a degradação urbana. Era ali, entre as chaminés fumegantes e os operários desesperançados, que quatro jovens da classe trabalhadora – Tony Iommi, Geezer Butler, Bill Ward e John “Ozzy” Osbourne – forjaram um som que seria a trilha sonora da desesperança proletária.

O som pesado, distorcido, quase industrial do Black Sabbath não era acidental. Era o reflexo sonoro de uma realidade social específica: a do proletariado urbano em decomposição. Quando Tony Iommi perdeu as pontas dos dedos num acidente de trabalho aos 17 anos – ironia cruel do destino que o forçou a desenvolver um estilo único de tocar guitarra – estava sendo forjado não apenas um músico, mas um símbolo. Suas mãos mutiladas pelas máquinas da indústria se transformariam nas mesmas mãos que criariam os riffs mais pesados e desesperados da história do rock.

E aqui me permito – pra variar – uma digressão pessoal, porque a música de Ozzy e do Black Sabbath não é apenas uma questão estética ou cultural – é uma questão profundamente política e existencial. Cresci entre o Sul de Minas e o ABC paulista nas décadas de 1980 e 1990, filho da classe trabalhadora, numa época em que o neoliberalismo se consolidava como projeto hegemônico e as fábricas da região começavam a sentir os primeiros impactos da reestruturação produtiva. Aos 14 anos, eu mesmo trabalhava numa dessas fábricas, junto com centenas de outros meninos menores de idade, numa realidade brutal que hoje – mesmo com outras roupagens – ainda existe.

Era 1998, e o Brasil vivia os “anos dourados” do Plano Real, quando a estabilidade monetária mascarava – como sempre – as contradições sociais mais profundas. Nas fábricas do ABC, a modernização tecnológica caminhava lado a lado com a precarização do trabalho. Meninos como eu, de 14, 15 anos, trabalhavam feito adultos, operando máquinas perigosas, cumprindo jornadas extenuantes, respirando gases tóxicos e esquentando seus míseros pães de café da manhã nos mesmos fornos onde eram feitas as pequenas peças de carro. Era o neoliberalismo como ele realmente é: a exploração do trabalho infantil vendida como suposta oportunidade.

Foi nesse contexto que descobri o Black Sabbath e o heavy metal, ouvindo de tabela junto com minha prima mais velha, uma verdadeira e clássica roqueira do ABC. Meus cabelos compridos não eram apenas uma questão estética adolescente. Eram uma declaração de guerra contra um mundo que queria me transformar numa peça da engrenagem, que queria que eu aceitasse passivamente meu destino de operário explorado. Quando eu ligava meu som analógico e comprado à prestação, (sim, ainda na era pré-digital) e ouvia “War Pigs” ou “Children of the Grave”, sentia que havia outros como eu, que havia uma linguagem comum para expressar nossa revolta.

O heavy metal, naqueles anos, era nossa forma de resistência cultural. Não tínhamos consciência política organizada – éramos jovens demais, cansados demais, alienados demais para isso. Mas tínhamos a música. E a música de Ozzy, com sua melancolia agressiva, com seus gritos de dor e raiva, era nossa forma de dizer “não” a um sistema que nos queria dóceis e submissos.

Lembro-me de um episódio específico e doloroso que ilustra perfeitamente essa dinâmica. Meu irmão, dois anos mais velho que eu, trabalhava na mesma fábrica, operando uma prensa hidráulica. Aos 16 anos, numa manhã qualquer de segunda-feira, a máquina esmagou os dedos de sua mão esquerda. O acidente foi tratado pela empresa como “fatalidade”, como se fosse algo inevitável, natural. Meu irmão recebeu uma indenização patética e um afastamento, um tipo de exílio. Voltou para casa com a mão mutilada e uma raiva surda que até hoje ele não sabe bem como expressar.

Foi nessa época que comecei a ouvir Black Sabbath obsessivamente. “Iron Man” se tornou minha música favorita – e hoje entendo por quê. A letra fala de um homem transformado em ferro, desumanizado, que se torna uma máquina de destruição. Era a metáfora perfeita para o que o capitalismo industrial fazia conosco: nos transformava em ferro (ou melhor, em ferro-velho) em máquinas, nos desumanizava. E quando a máquina nos rejeitava – quando nos mutilava, quando nos descartava – sobrava apenas a raiva. E dá muita raiva também saber que a indústria cultural transformou “Iron Man” num hino de um playboy da indústria das armas, o tal Tony Stark.

O som do Black Sabbath – aqueles riffs pesados, distorcidos, industriais – não era apenas música, era a sonorização da dor proletária. Quando Tony Iommi tocava aqueles acordes sombrios com seus dedos mutilados, quando Ozzy gritava com aquela voz rouca e desesperada, eles estavam traduzindo em linguagem musical algo que nós, jovens operários, sentíamos na pele mas não conseguíamos verbalizar: a sensação de estar sendo triturado por um sistema implacável.

A guitarra distorcida do Black Sabbath era o som das máquinas que nos exploravam. O baixo pesado de Geezer Butler era o ruído surdo das prensas que mutilavam nossos corpos. A bateria frenética de Bill Ward era o ritmo alucinante das linhas de produção que consumiam nossa juventude. E a voz de Ozzy – ah, aquela voz! – era nosso próprio grito de dor e revolta, amplificado e devolvido para nós como arte.

Não é coincidência que o heavy metal tenha nascido nas regiões industriais da Inglaterra e tenha encontrado eco imediato nas periferias operárias do mundo inteiro. Não é coincidência que bandas como Black Sabbath, Judas Priest, Iron Maiden tenham surgido de cidades como Birmingham, Sheffield, Londres – centros industriais em crise. O heavy metal é, fundamentalmente, a música da classe trabalhadora em decomposição, a trilha sonora do proletariado urbano abandonado pelo capital.

E aqui reside uma das grandes ironias da história cultural contemporânea: o mesmo sistema que nos explorava, que mutilava nossos corpos e nossas almas, acabou transformando nossa dor em mercadoria. O heavy metal se tornou um produto cultural global, vendido para milhões de jovens que encontravam nele uma forma de canalizar suas frustrações. Ozzy Osbourne, o jovem operário de Birmingham que gritava sua dor nos bares da periferia, se transformou numa estrela mundial, num ícone pop.

Mas isso não diminui a autenticidade de sua arte nem o impacto que ela teve em nossas vidas. Pelo contrário: o fato de que a dor de Ozzy tenha encontrado eco em milhões de jovens ao redor do mundo apenas confirma o caráter universal da exploração capitalista. Sua música se tornou global porque a dor que ela expressava também era global.

Ozzy Osbourne e os roqueiros de sua geração – os roqueiros “raiz”, como bem observou um leitor, não os reacionários nutellas de hoje – eram, fundamentalmente, românticos. Românticos no sentido mais profundo e político do termo: eram artistas que compreendiam a gênese social de sua tristeza, que sabiam que sua melancolia não era apenas individual, mas coletiva, estrutural.

Quando Ozzy cantava “Paranoid”, não estava apenas expressando uma angústia pessoal – estava dando voz à paranoia coletiva de uma geração que cresceu sob a ameaça da guerra nuclear, da crise econômica e da degradação ambiental. Quando cantava “Children of the Grave”, não estava apenas fazendo uma música de protesto – estava criando um hino para todos os jovens que se sentiam enterrados vivos pelo sistema.

O romantismo revoltado dos roqueiros dos anos 1970 e 1980 era um romantismo de classe, um romantismo que compreendia que a beleza e a arte podiam nascer da dor e da exploração, mas que essa dor tinha causas concretas, materiais, históricas. Eles não romantizavam a pobreza – eles a denunciavam. Não glorificavam a violência – eles a explicavam. Não celebravam a alienação – eles a combatiam.

É isso que diferencia os roqueiros daquela geração dos pseudo-rebeldes de hoje, que transformaram o rock em veículo de conservadorismo e reação. Ozzy e seus contemporâneos sabiam que sua revolta tinha um alvo específico: o sistema capitalista que os explorava. Sabiam que sua música era uma arma na luta de classes, mesmo que não usassem essa linguagem explicitamente.

Por isso a morte de Ozzy nos afeta tanto (pelo menos os bons roqueiros). Porque com ele se vai não apenas um músico, mas um símbolo de resistência. Se vai uma época em que o rock ainda podia ser revolucionário, em que a música popular ainda podia ser um veículo de consciência crítica. Se vai um tempo em que os artistas ainda sabiam de onde vinha sua dor e para onde direcioná-la.

Hoje, quando olho para trás e penso naqueles anos de fábrica, naqueles cabelos compridos que defendia como bandeira de guerra, naquelas tardes ouvindo Black Sabbath no meu quarto pequeno de casa operária, compreendo que Ozzy Osbourne foi muito mais que um músico para a minha e para outras gerações. Ele foi um professor de resistência, um mestre da melancolia revolucionária, um poeta da dor proletária.

Sua morte marca o fim de uma era – não apenas musical, mas política e cultural. Com Ozzy se vai um dos últimos grandes representantes de um rock que ainda sabia ser rebelde, que ainda compreendia sua função social, que ainda podia ser instrumento de conscientização e luta. O rock de hoje, domesticado pelo mercado e cooptado pela direita, perdeu essa dimensão crítica. Transformou-se em entretenimento vazio, em produto cultural despolitizado.

Mas a lição de Ozzy permanece. Sua música continua ecoando nas periferias do mundo, nas fábricas onde jovens operários ainda lutam contra a exploração, nos quartos de adolescentes que descobrem no heavy metal uma linguagem para sua revolta. Porque a dor que Ozzy expressava – a dor da exploração, da alienação, da desumanização – continua atual. O capitalismo mudou de forma, mas não de essência. Continua mutilando corpos e almas, continua transformando seres humanos em máquinas, continua produzindo a mesma dor que Ozzy soube traduzir em arte.

E talvez seja essa a maior lição que podemos tirar da vida e da obra do Príncipe das Trevas: que a arte verdadeira nasce sempre da dor, mas que essa dor pode ser transformada em consciência, em resistência, em luta. Que a melancolia pode ser revolucionária quando se compreende suas causas. Que o romantismo pode ser subversivo quando se recusa a aceitar o mundo como ele é.

Ozzy Osbourne morreu, mas sua música permanece como testemunho de uma época em que ainda era possível acreditar que o rock podia mudar o mundo. Como hino de uma geração que soube transformar sua dor em arte, sua revolta em música, sua melancolia em resistência. Como lembrança de que os verdadeiros roqueiros – os roqueiros raiz, os românticos das trevas – sempre souberam que sua tristeza tinha nome e endereço: chamava-se exploração, morava no coração do sistema capitalista.

Descanse em paz, Príncipe das Trevas. Sua voz continuará ecoando enquanto houver jovens operários que precisem gritar sua dor, enquanto houver máquinas que mutilem corpos, enquanto houver um sistema que transforme seres humanos em miséria. Porque você nos ensinou que mesmo nas trevas mais profundas, mesmo na dor mais lancinante, ainda é possível encontrar beleza. Ainda é possível fazer arte. Ainda é possível resistir. Que pieguice a minha, não? Pois deixem minha elegia em paz.

E resistir é a forma mais romântica de amar. Por isso, sempre passo por “changes” e também por isso, numa espécie de casa eterna, sempre estaremos cantando com você: “Mama, I’m coming home.”

Matéria: 
27/07/2025 | 13h03

Professor e Historiador. Mestre e Doutor pela USP. Curador Acadêmico no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Apresentador do “Provocação Histórica", programa semanal de divulgação de História, Cultura e Arte nos canais do ICL. Especialista em desmascarar narrativas históricas convenientes e incomodar quem prefere a versão açucarada e falaciosa dos fatos.

DiScOs InCrÍvEiS: Eric Clapton

Eric Clapton

Nothing But the Blues 
Live at the Filmore 
San Francisco, CA 
8 e 9 Novembro de 1994

Em novembro do mesmo ano, a subsequente turnê "Nothing But the Blues", levou Eric Clapton ao lendário Fillmore, em São Francisco. Após muitos anos arquivado, finalmente o show dessa noite veio a luz.

As noites foram filmadas sob a direção de Martin Scorsese e transmitidas na televisão apenas uma vez em 1995, o que lhe rendeu uma indicação ao Grammy.

Eric Patrick Clapton (Surrey, 30 de março de 1945) é um guitarrista, cantor e compositor de rock e blues britânico. É considerado um dos guitarristas mais influentes e bem-sucedidos da história do rock. Clapton ficou em segundo lugar na lista de " 100 maiores guitarristas de todos os tempos" da revista Rolling Stones e em quarto lugar no "Top 50 guitarristas de todos os tempos" da Gibson. Também foi nomeado o número cinco na lista da revista Time dos "10 melhores guitarristas elétricos" em 2009.

Depois de tocar em várias bandas locais diferentes, Clapton se juntou aos The Yardbirds em 1963, substituindo o guitarrista fundador Top Topham. Insatisfeito com a mudança do som dos Yardbirds de blues/rock para um som mais de rádio, Clapton saiu em 1965 para tocar com John Mayall & The Bluesbreakers. Ao deixar Mayall em 1966, após um álbum, ele formou o power trio Cream, com o baterista Ginger Baker e o baixista e vocalista Jack Bruce, no qual Clapton tocou improvisações de blues sustentadas e "pop psicodélico artístico baseado no blues". Depois que o Cream se separou em novembro de 1968, formou a banda Blind Faith com Ginger Baker, Steve Winwood e Ric Grech, gravando um álbum e se apresentando em uma turnê antes de se separarem. Clapton embarcou em uma carreira solo em 1970.

Ao lado de sua carreira solo, ele também se apresentou com Delaney & Bonnie e Derek and the Dominos, com quem gravou o álbum conhecido por "Layla" (1971), uma de suas canções de assinatura. Continuou a gravar vários álbuns solo e canções de sucesso nas décadas seguintes, incluindo a canção reggae "I Shot the Sheriff" (1974), de Bob Marley, o country infundido álbum Slowhand (1977) e August (1986). 

Após a morte de seu filho Conor em 1991, a dor de Clapton foi expressa na música "Tears In Heaven", que apareceu em seu álbum acústico Unplugged (1992) e, em 1996, lançou o hit "Change the World". Em 1998, ele lançou o premiado Grammy "My Fathers Eyes" (1998). Desde 1999, gravou uma série de álbuns tradicionais de blues e blues rock e apresentou o periódico Crossroads Guitar Festival. 

Clapton & Winwood - 2009.
Clapton recebeu 18 prêmios Grammy, bem como o Brit Awards por excelente contribuição para a música. Em 2004, ele foi premiado com um CBE por serviços prestados à música. Recebeu quatro Prêmios Ivor Novello da Academia Britânica de Compositores, Compositores e Autores, incluindo o Lifetime Achievement Award. É o único indicado três vezes ao Rock and Roll Hall of Fame: uma vez como artista solo e separadamente como membro dos Yardbirds e do Cream. Em sua carreira solo, Clapton já vendeu mais de 280 milhões de discos em todo o mundo, tornando-o um dos músicos recordistas de todos os tempos. Em 1998, Clapton fundou o Crossroads Center em Antígua, um centro médico para aqueles que se recuperam do abuso de substâncias. Seu álbum de estúdio mais recente é Meanwhile (2024).

Nothing But the Blues 
Live at the Filmore - 1994

O bootleg da mesa de som dessas noites circulava entre os fãs de Clapton há anos, e o pedido por um lançamento oficial era um tópico frequente de conversa. Agora, quase 26 anos depois, o documentário finalmente está sendo lançado, e o bootleg da mesa de som dessas noites pode ser guardado com segurança.


O lançamento correspondeu às expectativas.

O amor de Eric pelo blues e pelos antigos heróis do blues corre em suas veias, e seu entusiasmo explode nos alto-falantes e na tela. Clapton toca slide, toca outras guitarras além da Strat e se sente completamente em casa. Comparado aos últimos anos, você poderia até chamá-lo de falante.

De Blues All Day Long em diante, é simplesmente um prazer curtir uma banda excelente, que entende perfeitamente que precisa deixar Eric ir quando a inspiração o leva a um solo mais longo do que eles poderiam ter imaginado inicialmente.

Durante os ensaios para a turnê, Clapton comentou com seus companheiros de banda após um solo brilhante: "Se é tão bom assim, não desvalorizem, continuem olhando para mim". Uma mensagem que claramente não caiu em ouvidos moucos, já que os solos passam voando e a adição dos Kickhorns ocasionalmente faz as coisas balançarem descontroladamente.

Esperemos que o lançamento dessas excelentes gravações marque o início de mais preciosidades ao vivo dos arquivos... no entanto, há um ditado que diz que crianças que pedem são ignoradas. Então, silenciosamente, torcemos por mais dessas delícias, e talvez... Algum dia, depois de um tempo.

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Ficha Técnica

Estilo Referência: Blues

Músicos:
Eric Clapton: Guitarra e Voz
Andy Fairweather Low: Guitarra
Dave Bronze: Baixo
Chris Stainton: Piano
Jerry Portnoy: Harmonica
Andy Newmark: Bateria
The Kick Horns: Seção de metais

Faixas:
01. Blues All Day Long
02. Standin’ Round Crying
03. Forty-Four
04. It Hurts Me Too
05. Early In The Morning
06. Five Long Years
07. Crossroads
08. Malted Milk Blues
09. Motherless Child
10. How Long Blues
11. Reconsider Baby
12. Sinner’s Prayer
13. Every Day I Have The Blues
14. Crosscut Saw
15. Someday After A While
16. Have You Ever Loved A Woman
17. I’m Tore Down
18. Groaning The Blues
19. T’ Ain’t Nobody’s Bizness
20. Driftin (Bonus Track)

Lançamento 2022 – Reprise Records
Produção – Martin Scorsese
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sábado, 26 de julho de 2025

Shows: Marcus Miller

Marcus Miller

Live at TSF Jazz Chantilly Festival 2025
– ARTE Concert –


Filmado em 5 de julho de 2025, no Festival TSF Jazz Chantilly.

O renomado baixista nova-iorquino Marcus Miller, imerso em jazz e soul, entrega uma apresentação generosa ao público no TSF Jazz Chantilly Festival. Um multi-instrumentista excepcional, Marcus Miller já colaborou com os maiores nomes do jazz e do R&B: Miles Davis, é claro, mas também Aretha Franklin, Bill Withers e Luther Vandross.

Vencedor de dois prêmios Grammy, além de uma Vitória do Jazz em 2010, foi nomeado Artista pela Paz pela UNESCO em 2013 e tornou-se porta-voz do projeto Rota da Escravatura. Seus compromissos humanitários inspiraram Afrodeezia, um álbum lançado em 2015, profundamente enraizado na história da escravidão e inspirado em suas viagens pela África.

Nosso último encontro com Marcus Miller foi em 2019, no Festival Jazz des Cinq Continents de Marselha. Na época, o gênio do baixo nos apresentou Laid Back — uma deliciosa fusão musical que mistura trap, hip-hop, R&B e gospel. Seis anos depois, nos surpreendemos novamente com o espírito rebelde de Marcus Miller, com o mesmo entusiasmo.



CiNeMa: Anauê!

Anauê!

O Integralismo e o nazismo na região de Blumenau

Anauê! O Integralismo e o nazismo na região de Blumenau Anauê! é resultado de vários anos de viagens e pesquisas em acervos de cidades do Vale do Itajaí e Vale do Itapocu, região de forte colonização alemã. 

O tema central são os movimentos Integralista e Nazista em Santa Catarina antes, durante e pós Segunda Guerra Mundial. Um dos destaques do filme são as entrevistas com acadêmicos, protagonistas, moradores da região e militares, que falam sobre o que de fato aconteceu em Blumenau. É um retrato que contribui para se compreender o cenário dos dias atuais. “Com o filme, quero estimular a discussão sobre a importância do diálogo num momento em que a intolerância cresce em todo o mundo”, afirma Zeca Pires. 

Direção ZECA NUNES PIRES 
Produção Executiva MARIA EMILIA DE AZEVEDO 
Fotografia: ADENOR GOUVEA FILHO 
Montagem: GIBA ASSIS BRASIL e JONATAS RUBERT 
Trilha Musical JORGE CANTO 
Edição de Som e Mixagem LEANDRO CORDEIRO 
Animação e Créditos ÉRICO MONTEIRO

" À Professora Doutora Neide de Almeida Fiori (in memorian) "

REALIZAÇÃO MUNDO IMAGINÁRIO PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS Copyright Mundo Imaginário Produções Cinematográficas Ltda ME Florianópolis 2017


quinta-feira, 24 de julho de 2025

Black Sabbath: Despedida Poética

Black Sabbath 1969 - 2025
Black Sabbath

| 1969 - 2025 |

...e assim se fez noite.

Black Sabbath foi uma banda de rock inglesa formada em Birmingham em 1968, composta por Tony Iommi (guitarra), Bill Ward (bateria), Geezer Butler (baixo) e Ozzy Osbourne (vocal). 
Amplamente considerados pioneiros do heavy metal, eles definiram o gênero com álbuns como Black Sabbath (1970), Paranoid (1970),  Master of Reality (1971) e Volume 4 (1972). 

Após e🕂ncarnações anteriores como Polka Tulk Blues Band e Earth, eles adotaram o nome Black Sabbath em 1969, distinguindo-se por temas ocultistas, letras inspiradas no terror e guitarras fortemente afinadas. Seu álbum de estreia de 1970 foi um sucesso comercial, apesar das críticas negativas, com Paranoid sendo lançado mais tarde naquele ano.

A volta do Sabbath em 2013
O encerramento de um ciclo...
Ozzy Osbourne deixa a banda em 1979 e é substituído por Ronnie James Dio. A banda passou por inúmeras mudanças de formação ao longo das décadas de 1980 e 1990, com Tony Iommi permanecendo como o único membro constante em todos os álbuns. 

...de volta às trevas.
A formação original se reuniu em 1997, gravando duas músicas inéditas e lançadas no álbum duplo ao vivo chamado: "Reunion". 

Por volta de 2011 eles retornam porém sem o baterista original Bill Ward, e lançam seu último álbum de estúdio chamado "13", em 2013, com Brad Wilk (Rage Against the Machine) na bateria. Esse álbum rendeu uma turnê com inúmeros shows pelo mundo todo e a expectativa de que a banda fizesse mais um álbum, porém, infelizmente, os planos foram frustados. 

Em 2016 a banda retorna para uma turnê de despedida chamada "The End Tour", sendo que em Birmingham no dia 4 de fevereiro de 2017 foi realizado o último show da turnê. Tudo foi filmado e gravado com o nome de "The End". 

Os Construtores do Heavy Metal
A grande despedida do Sabbath e de Ozzy...
Em 2025, eles finalmente conseguiram reunir a banda com todos os integrentes originais e fizeram um mega show de despedida em sua cidade natal, Birmingham. Inúmeros artistas e bandas participaram do evento tocando músicas do Black Sabbath e do Ozzy Osbourne carreira solo. 

Uma despedida genial !!

Infelizmente Ozzy Osbourne faleceu duas semanas após o evento, no dia 22 de julho de 2025. 

O Black Sabbath vendeu mais de 70 milhões de discos em todo o mundo, foi introduzido no Hall da Fama do Rock and Roll em 2006 e recebeu um Grammy pelo conjunto da obra em 2019.

| Beat Club - 1970 |

Homenagem especial ao membro mais carismático da Banda.

Valeu Ozzy Osbourne !!


quarta-feira, 23 de julho de 2025

Histórias do Blues: West Coast Blues

Charles Brown–
Blues Profundo
( A história do West Coast Blues )

Charles Brown
(Texas 1922 – Califórnia 
1999)

Brown foi um dos grandes inovadores do blues urbano do pós-guerra e um dos criadores do blues da costa oeste. Com uma voz sensual e elegante, entre 1945 e 1954 esteve permanentemente nas paradas e, de certa forma, foi o porta-voz da comunidade negra que queria prosperar e se afirmar socialmente.

Como cantor de baladas de blues, saiu de moda no final dos anos 50 e tornou-se pianista de pequenos clubes elegantes. Seu estilo não atraía mais o novo público internacional de White Blues. Ele decidiu se aposentar em uma casa de repouso, até que o guitarrista Dany Caron veio procurá-lo. Juntos gravaram excelentes discos, um deles: All My Life.
Big Mama se aventurando na bateria.

Big Mama Thornton
(Alabama 1926 – Califórnia 1984)

Grande cantora e uma das poucas mulheres do blues nas décadas de 50 e 60. Estreou ainda criança, em corais religiosos. Gravou entre 1951 e 1954 muitos temas brilhantes com a orquestra de Johnny Otis. Destaque para o sucesso de 1952 Hound Dog, posteriormente popularizado por Elvis Presley. A partir de 1957 ela caiu em desgraça e sobreviveu tocando em pequenos clubes da costa oeste.

O renascimento do blues dos anos 1960 com um público branco entusiasmado, a trouxe de volta aos palcos e ela participou do American Folk Blues Festival em 1965. Gravou com Muddy Waters, James Cotton, Luther Allison e Lightinin' Hopkins.

Quando Big Mama estava viajanda pala Europa, Janis Joplin toca Ball and Chain num show em sua homenagem. Ela retorna aos EUA e volta a gravar e fazer shows, conquista o sucesso novamente, porém o abuso de álcool e drogas cobra seu preço.

O BLUES MODERNO DA CALIFÓRNIA

Ao longo dos anos, o blues californiano continuou a ser alimentado por músicos do Texas, por grupos de rock com muitas influências do blues como Creedence Clearwater Revival, Canned Heat ou Hot Tuna durante os anos 60, e por músicos já conhecidos em outros estados que se estabeleceram na costa oeste, como George 'Harmonica' Smith, John Lee Hooker ou Charlie Musselwhite.

Artistas de destaque: George Smith, Charlie Musselwhite, Rod Piazza, William Clarke, James Harman, Mark Hummel, Gary Primich, Rick Estrin, Curtis Salgado, Mark Dufresne e Gary Smith.

George Smith

George Smith
(West Helena 1924 - Los Angeles 1983)

George Smith, especialista em gaita cromática superamplificada, que havia trabalhado em Kansas City tocando jazz, e depois em Chicago com Muddy Waters, chegou a Los Angeles em 1970. Impressionante com seu virtuosismo, criou uma escola entre jovens músicos brancos que começavam jogar naquele momento. 

Muitos ainda seguem seu estilo de salto de gaita, desenvolvendo a técnica da terceira posição.



Charlie Musselwhite



CHARLIE MUSSELWHITE

(Mississippi - 1944)

De cor branca, foi um dos melhores bluesmen na gaita. Ele teve problemas no início dos anos 80 devido a problemas com álcool e um grave acidente de carro, mas se recuperou. Continua aperfeiçoando seu estilo de tocar gaita elegante, refinado e conciso. Ele gravou álbuns de muito boa qualidade. Transmite o sentimento dos grandes músicos que conheceu.

Em Memphis conheceu Big Walter Horton e graças a ele se apresentou com Robert Nighthawk e Jhonny Young nos clubes do South Side de Chicago. Lá ele conheceu Little Walter, Rice Miller e, acima de tudo, Muddy Waters, que era seu apadrinhador. 

Ele fez amizade com outros jovens brancos que frequentavam o gueto para aprender o verdadeiro blues, entre eles: Mike Bloomfield e Paul Butterfield. Na Califórnia, ele se liberta da influência dos dois Walters, Little e Big Horton, continua a aperfeiçoar a técnica e até cria uma escola de gaita que acabará por treinar a maioria dos novos gaitistas da Costa Oeste.

Charlie Musselwhite e George Smith, ambos chegados de Chicago em 1970, foram os pilares desta escola de gaita da Costa Oeste.

WEST COAST BLUES: OS ÚLTIMOS ANOS.

Em outras áreas o blues californiano das últimas décadas produziu grandes artistas, criadores de sonoridades com o calibre de Robert Cray e Joe Louis Walker, mas não havia um estilo tão autêntico da Costa Oeste como o de Albert Collins.

Artistas de destaque: Albert Collins, Omar Shariff, Johnny Heartsman, Hollywood Fats, Frankie Lee, JJ Malone, Guitar Shorty, Hi Tide Harris, Sonny Rhodes, Smokey Wilson, Robert Cray, Joe Louis Walker, Little Charlie Baty, Craig Horton, Sherman Robertson, Ron Thompson, Theodis Ealey, Finis Tasby, Steve Samuels, Isaac Scott, Freddie Robinson, Tommy Castro, Dough McLeod, Coco Montoya, Kenny Blue Ray, Ike Cosse, Brenda Boykin, Elmer Lee Thomas, Rick Holmstrong, Debbie Davies, Jimmy Morello, South Side Slim, Rusty Zinn e Kirk Eli Fletcher.

T-BONE WALKER

T-Bone Walker
(Texas 1910 – Califórnia 1975)

Um dos grandes criadores do blues californiano, do rhythm & blues e um dos grandes inovadores no jeito de tocar guitarra no blues. Quando jovem ele foi assistente do grande bluesman do Texas, Blind Lemon Jefferson. Mais tarde, ele descobriria o mundo do jazz e a partir de 1934 começou a tocar em orquestras de swing em Los Angeles. Ele foi um dos primeiros a usar a guitarra elétrica.

A partir de 1942 ele grava com os novos selos californianos Capitol e Black & White e se tornará uma das estrelas do novo blues urbano da costa oeste. Andamentos lentos, temas sentimentais e atmosfera etérea. Voz velada e cálida com violão claro e fluído, e modais diferenciados, foi influência principal para os futuros guitarristas performáticos. Na década de 1950 gravou uma longa lista de faixas magistrais. 

Nos anos 60 foram mais difíceis. O renascimento do blues americano não estava procurando por músicos de jazz de aparência impecável como ele. John Lee Hooker então o levou para uma turnê pela Europa, e foi um sucesso, graças ao seu extraordinário som de guitarra e sua  performance de palco impactantes. De volta adaptou-se ao som mais funkeado do final dos anos 60 e manteve gravações de discos e apresentações pelo país. Fatalmente, devido ao abuso de álcool, faleceu na califórnia em meados de 1975. 

DE LOUISIANA (OKLAHOMA E TEXAS) PARA LOS ANGELES

O blues texano já foi fortemente influenciado pelas bandas de New Orleans, de western swing ou as de Kansas City; seu encontro com o sol e a doçura da vida californiana o levará a um blues descontraído, urbano e jazzístico que reflete as miragens da costa do Pacífico, os bares de Hollywood, os de Oakland e os subúrbios negros de San Francisco.

Do Delta a Chicago, de Baton Rouge a Hollywood, o blues do pós-guerra constitui um caleidoscópio vivo e colorido de uma riqueza impressionante. Praticamente todas as correntes musicais futuras iriam brotar em seus galhos a ponto da árvore do Blues quase desabar.

O blues da costa oeste é, antes de tudo, a imagem do triunfo dos negros na Califórnia.

T-Bone Walker, Amos Milburn, Charles Brown e muitos outros músicos e cantores alcançaram enorme sucesso entre os negros em toda a América. Este blues-jazz, que dá uma certa "classe" aos seus ouvintes, é menos étnico e bruto que o blues do Delta de Chicago, por isso foi ignorado por muito tempo pelos fãs brancos americanos e europeus. Mas os negros do pós-guerra, aspiravam se ver refletidos nos músicos profissionais dessa época. Impecáveis ​​e de aparência brilhante que, com seus cabelos empoderados, anéis nos dedos e ternos de ouro, personificavam a própria imagem de sucesso.

 







O West Coast Blues estava centrado no estado da Califórnia, nas áreas de Los Angeles e da baía de São Francisco. A atmosfera dos clubes de jazz e blues esquentou na década de 1940 graças à migração oriental - dos estados de Louisiana, Oklahoma e Texas - alimentada pela necessidade de mão de obra na indústria de defesa americana durante a Segunda Guerra Mundial.

A maioria dos músicos de blues mais populares estabelecidos na Califórnia eram originalmente do Texas. O musicólogo francês Gérard Herzhaft e sua enciclopédia de blues estão por trás das histórias dos músicos das páginas anteriores.



HeAvY MeTaL: OZZY OSBOURNE

O Príncipe das Trevas
Ozzy Osbourne

Changes
(Live From Villa Park / Back To The Beginning)

Extraído do próximo longa-metragem sobre o show, Back To The Beginning: Ozzy's Final Bow, que será lançado no início de 2026.

YUNGBLUD apresenta "Changes", do Black Sabbath, (ao vivo no Villa Park) Back to the Beginning com Nuno Bettencourt, Frank Bello, do Anthrax, Adam Wakeman, e II, do Sleep Token. Toda a renda arrecadada com este single será doada às mesmas instituições de caridade do show beneficente Back to the Beginning: Cure Parkinson's, Birmingham Children's Hospital e Acorn Children's Hospice.

Obrigado Ozzy !!


terça-feira, 22 de julho de 2025

DiScOs InCrÍvEiS: Maria Rita - Samba Meu

Capa do álbum
Maria Rita

| Samba Meu |

| 2007 | 

"Samba Meu" é o terceiro álbum da intérprete e vocalista brasileira Maria Rita, lançado em 2007 e distribuído internacionalmente pela Warner Music Brasil. Foi o primeiro álbum inteiramente de Samba de Maria Rita . Nele ela transitou com imensa desenvoltura que a colocou entre os grandes artitas desse universo. 

Ganhou um Grammy Latino de 2008 na categoria Melhor Álbum de Samba e recebeu disco de platina no Brasil.

"Não sei ao certo como fazer os agradecimentos por este disco, uma vez que a minha história com o samba vem acontecendo há algum tempo, e muita gente passou por ela adicionando seus batuques todos" M. Rita.

O álbum inicia com a voz limpa de Maria Rita acompanhada de uma Cuíca chorosa proclamando o samba. "Meu Samba" abre o disco numa esfera sentimental, e sem deixar perder o sentido da música, violão, baixo acústico e percussão se apresentam trazendo o samba como um refúgio de todas as dores. Ótima escolha!

Na faixa seguinte "O Homem Falou", clássico de Gonzaguinha, na introdução um Cavaquinho e Pandeiro acompanhados dos vocais da velha guarda da mangueira, fazem o clima subir, assim, outros instrumentos entram com a voz de Rita e o samba abraça à todos.

Arlindo Cruz é o maior parceiro de Maria Rita para as  composições desse álbum, faixa como "Maltratar, não é direito", traz uma sonoridade clássica do samba de roda, porém em outras faixas do mestre como "Num Corpo Só", "Tá Perdoado", "O que é o Amor" e "Tragetória", trazem arranjos de sambas mais rebuscados, meio samba/jazz com lindos Pianos e Baixo acústico.

"Pra Declarar Minha Saudade" é uma faixa curtinha, com menos de dois minutos, mas que traz uma nostalgia excelente de bossa nova. 

A MPB como nós conhecemos, transita em várias vertentes, e no samba não é diferente, na faixa "Mente ao Meu Coração" de Malfitano, o estilo chorinho se apresenta, e muito bem executado. Ótima faixa.

Representando a nova geração de compositores da MPB, temos o talentoso Edu Krieger com as canções "Novo Amor" e "Maria do Socorro", excelente interpretação de Maria Rita. 

Na faixa "Corpicho" fica impossível não lembrar do timbre inesquecível de sua mãe Elis Regina, lindo samba. E falando em mãe, a música "Cria" de Meriti e Belieny, Maria Rita faz homenagem ao seu primeiro filho com dois anos na época. E o álbum se encerra numa energia e clima ótimos na faixa "Casa de Noca", um samba virtuoso, quase um free jazz no final da música, maravilhoso.

Após esse álbum Maria Rita entraria de vez na vertente do samba, lançaria o "Samba Meu Ao Vivo" em 2008, e depois outros ótimos álbuns como o "Coração a Batucar". 

Ficha Técnica

Estilo Referência:
Samba/MPB

Músicos:
Maria Rita - Voz
Tiago Costa - Piano
Marcos Arcanjo - Violão
Sylvinho Mazzucca - Baixo acústico
Layse Sapucahy - Percussão, Tamborim e Congas
Cuca Teixeira e Camilo Mariano - Bateria
Gordinho - Surdo
Leandro Sapucahy - Ganzá e Pandeiro
Márcio Hulk - Cavaquinho
Afonso Machado - Bandolim
Ovídio Brito - Cuíca
Maninho - Cowbell
João A. Schelder - Pandeiro
Dalua - Efeitos

Participação especial a "Velha Guarda da Mangueira"
na música - O Homem Falou:
Alarico, Arizinho, Erivá, Siqueira do Cavaquinho, Sapati, 
Genuíno, Rod, Soninha da Pedra e Tia Zélia

Faixas:
1.  Samba Meu (Rodrigo Bittencourt)
2.  O Homem Falou (Gonzaguinha)
3.  Maltratar, Não é Direito (Arlindo Cruz, Franco)
4.  Num Corpo Só (Arlindo Cruz, Picolé)
5. Cria (Serginho Meriti, César Belieny)
6.  Tá Perdoado (Franco, Arlindo Cruz)
7.  Pra Declarar Minha Saudade (Jr. Dom, Arlindo Cruz)
8.  O Que é o Amor (Arlindo Cruz, Maurição, Fred Camacho)
9.  Trajetória (Arlindo Cruz, Serginho Meriti, Franco)
10. Mente ao Meu Coração (F. Malfitano)
11. Novo Amor (Edu Krieger)
12. Maria do Socorro (Edu Krieger)
13. Corpitcho (Ronaldo Barcellos, Picolé)
14. Casa de Noca (Serginho Meriti, Nei Jota Carlos, Elson Do Pagode)

Lançamento 2007 – Warner Music Brasil
Produção – Leandro Sapucahy
Co-produção – Maria Rita

segunda-feira, 21 de julho de 2025

História do Samba: Luciana S. Worms


Histórias do Samba 

' Desde Que o Samba é Samba, é Assim! '
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Curso de história do Samba

Projeto em séries: DESDE QUE O SAMBA É SAMBA É ASSIM - 100 ANOS DE SAMBA; é, de certa forma, um desdobramento do livro “BRASIL SÉCULO XX, AO PÉ DA LETRA DA CANÇÃO POPULAR” – autoria de Luciana Salles Worms e Wellington Borges Costa – vencedor dos Prêmios Jabuti de literatura/2003 e Clio de melhor livro de história/2003).

Samba de rua
Luciana buscou mostrar a cronologia do samba, uma das maiores expressões da cultura brasileira. Em cada vídeo da série haverá a contextualização da canção. A escolha do repertório, formado por 20 obras, baseou-se na memória afetiva, na pesquisa que desenvolvo constantemente e na representatividade da música escolhida dentro da história do Brasil.

O trabalho só foi possível graças aos recursos do Mecenato Subsidiado da Prefeitura Municipal (Lei de incentivo à cultura de Curitiba por meio da Fundação Cultural de Curitiba - FCC/PAIC), aos importantes incentivos do Ebanx e do Instituto Joanir Zonta (Grupo Condor).

O projeto contou também com apoio do Sesc Paço da Liberdade, Celise Helena Niero. Direção Musical: João Egashira. Produção Musical: Alvaro Ramos. Direção de imagem: Antonio Spina Filho. Designer gráfico: José Carlos Branco. Preparadora vocal: Ana Cascardo.
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Banda:

Luciana Worms: Voz e pesquisadora
João Egashira: Violão 6 cordas 
Vinicius Chamorro: Violão 7 cordas 
Julião Boêmio: Cavaquinho 
Gabriel Castro: Saxofone, Flauta e Clarineta 
Luiz Rolim: Percuteria 

Captação e Finalização de imagens: Spin Filmes Captação e finalização de áudio: Gramofone+ Mixagem e masterização: Vitor Pinheiro e Alvaro Ramos Coordenação do projeto: Sarah Roeder Drechsel Direção Geral: Alvaro Ramos Marketing Cultural: Gramofone Produtora Cultural.

Primeiro episódio:

Pelo Telefone
(Donga e Almeida - 1917)


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Episódios completos da série:




 














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