A história das capas de discos
O disco de vinil surgiu no final da década de 1940 como uma mídia de reprodução musical através de agulha da vitrola. Mas, a primeira capa de disco surgiu antes mesmo do próprio vinil, não existia o conceito de uma imagem como capa dos discos, apenas vinham informações sobre os artistas e as músicas, ou simplesmente as capas eram feitas de papel-cartão.
Mas, tudo isso mudou no ano de 1940 graças a Alex Steinweiss , designer gráfico norte americano, então diretor de arte da Columbia Records. Steinsweiss teve o insight de colorir e desenhar as capas de disco para torná-las mais atrativas, e por consequência, chamando a atenção do comprador. Apesar da ideia ter subido até a mesma “revolucionária” para a época, Steinweiss foi surpreendido pelo aval dos donos da gravadora para pô-la na prática. Então assim, Steinweiss pode criar o que é considerado a primeira arte de capa de disco da história.
A capa impressionou. Alex Steinweiss não foi só o primeiro a criar uma capa de disco, mas também por causa dessa e tantas outras posteriores, ele é tratado até hoje como um ícone do gênero. Pela primeira vez se via em uma capa de disco um gráfico bem trabalhado, cores vivas e uma bela tipografia. E depois disso o modo como os discos eram comercializados mudou completamente, como bem disse Steinnweiss.
Apesar da capacidade de ter recebido elogios, Steinweiss teve que fazer outros trabalhos para realmente mostrar que as artes nas capacidades impactavam positivamente nas vendas dos discos. Mas o reconhecimento já veio nos anos seguintes, ainda nos seus primeiros trabalhos, como aponta uma reportagem da Newsweek, ao afirmar que as vendas do disco Beethoven Eroica Symphony de Bruno Walter tiveram um aumento de 895% depois que as discos passaram a ser vendidas com a capa.
Depois que os indicadores de vendas e os jornais conseguiram confirmar que as capas influenciava positivamente no desempenho de venda dos discos, imediatamente as grandes gravadoras começaram investir no design gráfico. Além de Steinweiss, muitos designers começaram a pipocar na cena, vários deles também muito respeitados até os dias de hoje como Jim Flora , Jim Amos e Rudolph de Harak .
Depois do pontapé inicial de Steinweiss, as inovações começaram a acontecer. As fotografias do artista/banda que antes ocupavam as capas dos discos, vieram a se unir às artes gráficas e coloridas criando, literalmente, uma capa mais bonita que a outra.
A Primeira Capa de Disco do Brasil
Os primeiros designers de capas de disco no Brasil só apareceram mais de dez anos depois da primeira criação de Alex Steinweiss. Em 1951, Paulo Brèves, o artista gráfico pioneiro do nosso país, desenhava a primeira capa de disco do Brasil para a Sinter, distribuidora da Capitol na época. A capa foi para a coletânea Carnaval em Long Playing, uma compilação de marchinhas feitas pelo estúdio para o carnaval daquele ano.

As Capas no Surgimento do Rock 'n' Roll
Com o aperfeiçoamento contínuo das capas de disco, a arte nas capas começava cada vez mais a expandir seus limites. Os artistas apareciam empunhando suas guitarras através de faixas coloridas, letras grafadas e outros tantos efeitos gráficos que podiam ser explorados.
Na década de 1950, com a chegada do estilo rock and roll, os jovens já eram considerados os maiores consumidores de discos. As capas dos discos então começaram a ser aperfeiçoadas para atingir tal público, quando buscavam ser “descoladas” e “estilosas” para seduzir os ouvidos da juventude.
Com o rock n' roll , os fãs passaram a querer comprar mais que a música. Os fãs queriam comprar o artista. A pose e a atitude do músico/banda passaram a ser mais atraentes que recortes coloridos. Os primeiros discos de rock n' roll passaram a vender a rebeldia do estilo musical em suas capas. As capas de disco evoluíram não apenas para vender o artista, mas também para vender a sua música.
A Liberdade dos Anos 60
A década de 1960 foi por si só revolucionária. E não poderia ter sido diferente para as capas dos discos lançados nessa mesma década. As capas de disco, mais do que nunca, passaram a ser tratadas como obras de arte. Formas abstratas, cartoons e fotografias de alta qualidade passaram a ser usadas para dar um ar mais moderno e bem trabalhado aos discos, além de artistas renomados passamem a ser convidados para criar capas de grandes lançamentos da época.
Mas, as capas dos discos tinham a missão de ilustrar algo que não podia ser visto, só sentido, que era a música . Então uma tendência que começou na década anterior, se firmou de vez nos anos 60, onde as artes passaram a focar não só no visual, mas na mensagem que a música passava. Se os anos 50 foi a década da rebeldia nas músicas, os anos 60 foi a década do psicodelismo e experimentações. E isso, é claro, se espelhou nas capas de discoteca.
O final dos anos 60 foi um momento muito importante para a consolidação das artes doa discos nos anos 70. O ano de 1967 foi um ano fantástico musicalmente falando. Discos icônicos e lendários foram lançados nesse ano em que muitas bandas imortais foram lançadas no seu auge. Rubber Soul e Sargent Peppers dos Beatles, Velvet Underground & Nico com a arte plástica da capa da "banana" de Andy Warhol, Stick Fingers dos Rolling Stones com a capa que vinha com zíper, as capas de Jimi Hendrix Experince, Bitches Brew de Miles Davis, entre tantas outras.
Além da ascensão de uma liberdade artística e criativa, houve muitos avanços técnicos nesta década. Muitas agências de criação apareceram com novas tecnologias, e muitos artistas tiveram infinitas opções de efeitos e estilos que não puderam nem mesmo ser pensadas nas décadas anteriores.
Mensagens também começaram a ser exploradas nas artes, a capa de Bitches Brew, por exemplo, de Miles Davis, foi um marco não só no jazz, mas na música. Considerado um dos artistas mais revolucionários do jazz e o precursor do jazz fusion, em virtude da veia política e crítica contida em seu som. Mati Klarwein foi o criador da icônica capa de Bitches Brew, ao fazer um retrato de uma dicotomia profunda e surrealista. A capa retrata a ideia de dia vs noite e luz vs escuridão em vários elementos como as diferenças nas expressões das personagens opostas, mas que mantém seus dedos entrelaçados uns nos da outra. Na capa, Klarwein queria sintetizar a vastidão do ser humano e o dualismo que mora em cada um de nós.
Mensagens também começaram a ser exploradas nas artes, a capa de Bitches Brew, por exemplo, de Miles Davis, foi um marco não só no jazz, mas na música. Considerado um dos artistas mais revolucionários do jazz e o precursor do jazz fusion, em virtude da veia política e crítica contida em seu som. Mati Klarwein foi o criador da icônica capa de Bitches Brew, ao fazer um retrato de uma dicotomia profunda e surrealista. A capa retrata a ideia de dia vs noite e luz vs escuridão em vários elementos como as diferenças nas expressões das personagens opostas, mas que mantém seus dedos entrelaçados uns nos da outra. Na capa, Klarwein queria sintetizar a vastidão do ser humano e o dualismo que mora em cada um de nós.
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A Fantasia e o Imaginário no Rock Progressivo
Com a chegada do chamado "rock progressivo" as capas começaram a ter conteúdos reflexivos e imaginários, dado que sua música expressava esse ambiente. Artistas como: Mati Klarwein, artista responsável por capas psicodélicas e marcantes do jazz-fusion e rock, como Bitches Brew de Miles Davis e Abraxas de Santana. Agência Hipgnosis, liderada por Storm Thorgerson e Aubrey Powell, que criaram capas surreais e icônicas como o prisma de The Dark Side of the Moon do Pink Floyd. O prisma atingido pelo feixe de luz reproduzindo uma aparência física e resultando nas cores do arco-íris, se tornou um sinônimo de inovação. O artista plástico Roger Dean que criou artes para albúns icônicos como Fragile da banda Yes, Brain Salad Surgery do Emerson, Lake and Palmer e Demons & Wizards do Uriah Heep, entre outros. No Brasil se destacam artistas como: Aldo Luiz, designer gráfico que assinou capas marcantes da MPB nos anos 70, incluindo trabalhos históricos para Tim Maia e Jorge Ben Jor; e Januário Garcia e Antonio Guerreiro, fotógrafos que consolidaram a estética visual e os retratos icônicos nos LPs da época de ouro da música brasileira.
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Roger Dean
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| 'traço e estilo próprio' |
Conhecido por seu estilo único de pinturas de capas de álbuns, logotipos, fontes e designs arquitetônicos orgânicos. Ele nasceu em Kent, Inglaterra, e se formou no Royal College of Art com medalha de prata.
Sua carreira começou quando ele ainda era estudante, projetando a cadeira Sea Urchin e os assentos Landscape para o Ronnie Scott's Jazz Club, em Londres. Enquanto trabalhava com a equipe de Ronnie Scott, Roger foi convidado a projetar e produzir uma capa de álbum para uma banda de rock que eles haviam contratado, chamada “Gun”.Foi em 1971 que o primeiro álbum de Osibisa foi lançado, com a inesquecível imagem de um elefante alado pousando em um céu laranja e magenta, acima do qual o nome da banda era anunciado no que se tornaria a tipografia desenhada à mão, marca registrada de Rogers. A imagem fez enorme sucesso tanto como capa do álbum quanto como pôster.
Na época, ele também foi questionado se aceitaria outra encomenda, e o nome da banda era YES. Essa encomenda se tornou a capa do álbum 'Fragile' e foi o início de uma longa e frutífera colaboração entre a família do YES e Roger Dean.
As qualidades surreais e oníricas das pinturas de Rogers, combinadas com as aventuras musicais às vezes assombrosas, ocasionalmente triunfantes, mas sempre expansivas da música do YES, tornaram-se uma experiência única apreciada por milhões.
Além de seu trabalho como artista e designer, Roger Dean também foi cofundador das editoras Dragons' Dream e, cerca de um ano depois, Paper Tiger. Publicou mais de cem livros ilustrados com obras de artistas como Syd Mead, Alan Lee e Michael Kaluta.
Virgin Records, Psygnosis e Tetris exibiram orgulhosamente suas identidades visuais como logotipos de empresas, criados por Roger Dean. O trabalho de Rogers é instantaneamente reconhecível e influenciou a cultura popular em todo o mundo. Estima-se que mais de cem milhões de pessoas já possuíram uma obra de Dean em algum momento, seja como capa de álbum ou pôster. Seus designs também foram imitados em grafites e grandes filmes.
Uma seleção do trabalho de Roger está em várias coleções particulares e museus, incluindo o Museu V&A em Londres e o Museu MAK em Viena.
Uma seleção do trabalho de Roger está em várias coleções particulares e museus, incluindo o Museu V&A em Londres e o Museu MAK em Viena.
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