Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Exposição: HÊMBA!

Edgar Kanaykõ Xakriabá
Mostra individual do fotógrafo e antropólogo Indígena.


Venho aqui convidar a todes vocês para este momento especial. A partir do dia 26 de outubro, vai acontecer em São Paulo a minha primeira exposição fotográfica individual (a partir de muita coletividade).


Denominada “Hêmba” - termo da língua Akwē Xakriabá que significa “alma, espírito e imagem” —, a exposição ocupa três espaços no Solar Fábio Prado com um acervo que abrange mais de dez anos de produção.

As imagens estabelecem conexões entre o humano e o não humano, o visível e o invisível, a política e a poética. A curadoria da mostra é conduzida por Fabiana Bruno e Eder Chiodetto.

Hêmba - Edgar Kanaykõ Xakriabá
Data: abertura ao público geral, 26 de outubro a 14 de dezembro de 2025
De terça a domingo, das 10h às 18h
Entrada gratuita.


Local: Solar Fábio Prado - Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano - São Paulo, SP.

Venha, vai ser uma alegria poder compartilhar esse momento especial com vocês.

Ariãtã! 🌿😻
—
HÊMBA
Edgar Kanaykõ Xakriabá
Curadoria
@ederchiodetto e @brunofaby


Cultura Indígena: Edgar Xakriabá

Edgar Kanaykõ Xakriabá

Redes sociais do artista: https://www.instagram.com/edgarkanayko/

Nascimento: Nasceu em 1990 em São João das Missões-MG.

Etnia: Xakriabá.

Formação: Possui mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (2019) e graduação em Formação Intercultural Para Educadores Indígenas pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (2013).

Área de atuação: Linguística, Letras, Artes/Fotografia e Ciências Humanas. Com especialidade em Etnofotografia/Audiovisual/Cinema, Antropologia/Sociologia, Etnografia Indígena.

Prêmios e títulos:

Exposição do ensaio fotográfico Aikute: o território nas crianças Xakriabá, premiação atribuída pelo Júri Especial e de melhor ensaio ou sequência fotográfica. Segundo Festival e Mostra de Audiovisual do NUPEPA/ImaRgens, USP (2019).

Prêmio Concurso Curta Ecofalante: "ATL: Acampamento Terra Livre 2017", 8ª Mostra Ecofalante de Cinema (2019).

Concurso de fotos do calendário 2020, Survival Internacional (2019).

Prêmio de melhor fotografia Jornalística/Documental. "Entardecer do Kuarup", Festival Internacional Brasília Photo Show (2018).

Menção Honrosa - trabalho de extensão "Casa de Cultura Xakriabá", Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (2011).

Biografia

O antropólogo Edgar Corrêa Kanaykõ é oriundo da terra indígena Xakriabá, ele nasceu e vive na Terra Indígena Xakriabá no município de São João das Missões, no Norte de Minas. O interesse pelo audiovisual foi motivado pela demanda da própria comunidade, teve o primeiro contato com as câmeras no começo dos anos 2000, quando chegou também na aldeia a rede elétrica e outras tecnologias. Quando entrou na faculdade para cursar Formação Intercultural para Educadores Indígenas em 2009, Edgar já sabia que queria estudar as imagens, mas mergulhou mesmo neste universo quando, no mestrado, recebeu apoio da Associação Indígena Xakriabá para que desenvolvesse uma reflexão sobre essa importante tecnologia. A vivência na universidade ampliou ainda mais o seu olhar. Ali ele conheceu a etnografia (estudo sobre a cultura de grupos sociais) e deu-se então seu encontro com a Etnofotografia, que, além de ser uma forma de falar de sua cultura, também era uma poderosa ferramenta de luta.

Na juventude ele já se interessava pelas imagens como forma de simples registro mas nem sempre a fotografia foi bem vinda entre o seu povo. Por muito tempo as câmeras ficaram associadas apenas àqueles que vinham de fora, turistas ou invasores que fotografavam as aldeias mas nem sempre contavam a sua história como deviam, sem a ética necessária em contextualizar o objeto fotografado; sem respeito pelo que poderia ou não ser “revelado”. Edgar Kanaykõ faz parte de uma nova geração de indígenas, que diferente daquela de seus pais, se graduou na universidade e adquiriu uma familiaridade singular com as novas mídias, em especial o vídeo e a fotografia, utilizando as redes sociais como plataforma de divulgação. Edgar se movimenta com grande maestria entre o território de cerrado de seu povo Xakriabá no norte de Minas Gerais e o território majoritariamente “branco” das universidades brasileiras. Como boa parte dos indígenas gostam de dizer, tem um pé na aldeia e outro no mundo.

Obras

Artes Visuais:

Aikute - O território nas crianças Xakriabá

Textos em jornais/revistas:

CORRÊA KANAYKÕ, Edgar . Entre brincadeiras e olhos atentos as crianças aprendem a ?ler? o mundo em que vivem. 

Dossiê: Crianças e Infâncias Indígenas, p. 425 - 435, 09 out. 2019.

MEIO AMBIENTE: Urgência do Ecoceno

Do Antropoceno ao Ecoceno
Como nunca antes na história, o destino comum está em nossas mãos.


Matéria exclusiva da Revista Liberta

Sempre que uma cultura entra em crise, como a nossa, projetam-se narrativas de fim do mundo e de destruição da espécie. Irrompem verdadeiros mitos. Usa-se, então, recurso literário conhecido: relatos patéticos de visões e de intervenções de anjos, que se comunicam para anunciar mudanças iminentes e preparar a humanidade. No Novo Testamento, esse gênero ganhou corpo no livro do Apocalipse e em alguns trechos dos Evangelhos, que colocam na boca de Jesus predições de fim do mundo.

Hoje, prolifera uma vasta literatura esotérica, que usa códigos diferentes, como passagem a outro nível de vibração ou a um mundo paralelo, além de comunicação com extraterrestres. A linguagem é diferente, mas a mensagem é idêntica: a viragem é iminente e há que estar preparado.

Importante é não deixar-se iludir por esse gênero de expressão. É linguagem típica de tempos de crise, e não uma reportagem antecipada do que vai ocorrer. Mas há uma diferença entre nós e os antigos.
Satã da Terra

Para os antigos, o fim do mundo estava no imaginário deles e não no processo realmente existente. Para nós, não está no imaginário, mas no processo real, pois criamos, de fato, o princípio de autodestruição com armas químicas, biológicas e nucleares. E, se isso ocorrer, cabe perguntarmo-nos, seriamente: será que não temos o destino das demais espécies, que, depois de milhões de anos sobre o nosso planeta, chegaram ao seu clímax e acabaram desparecendo naturalmente? Por que seríamos diferentes?

O fato é que, nos últimos trezentos anos, o homo sapiens/demens, que somos nós, humanos, montou uma investida poderosíssima sobre todas as comunidades ecossistêmicas do planeta, explorando-as e canalizando grande parte do produto terrestre bruto para os sistemas humanos de um consumo sem medida. O biólogo E. Wilson fala que a “humanidade é a primeira espécie na história da vida na Terra a se tornar numa força geofísica destruidora” (A Criação: Como Salvar a Vida no Planeta, São Paulo, 2008, pg. 37).

O Prêmio Nobel de Química de 1995, o holandês Paul J. Crutzen, aterrorizado pela magnitude do atual ecocídio, afirmou que inauguramos uma nova era geológica: o antropoceno. É a idade das grandes dizimações perpetradas pela agressividade e a irracionalidade do ser humano(em grego, ántropos é homem).

Ao antropoceno, seguiu-se o necroceno (necro, em grego, é morte), vale dizer, a devastação brutal da biodiversidade. No testemunho do citado E. Wilson, desparecem, anualmente, dada a nossa virulência industrialista e consumista, entre 70-100 mil espécies de organismos vivos, sendo que um milhão está sob risco de também desaparecer. Efetivamente, nos tornamos o Satã da Terra.

Como se isso não bastasse, nos anos recentes, criou-se outro termo, o piroceno (piros, em grego, é fogo). Por todas as partes do planeta, irromperam grandes queimadas, como as mais conhecidas na Califórnia (EUA) e na Amazônia e no Pantanal, no Brasil, bem como em outros lugares, até úmidos, como na Sibéria. Em parte, é consequência da irresponsabilidade humana, mas também porque, devido ao aquecimento global dos solos e da crise hídrica mundial, pedras se aquecem e folhas secas e gravetos se incendeiam e fazem alastrar o fogo, queimando milhares de hectares.

Armagedom ecológico

O planeta Terra, superorganismo vivo, funciona dentro de certos limites, os quais não podem ser ultrapassados. Caso contrário, o futuro da vida estaria em risco. Nosso eminente cientista Carlos Nobre nos enumerou e explicou quais são estes limites (Planetary Boundaries) estabelecidos por grandes cientistas.

1. Mudanças climáticas: refere-se ao aumento da temperatura média global devido às emissões de gases de efeito estufa;

2. Acidificação dos oceanos: resulta da absorção de CO2 pelos oceanos, causando a diminuição do pH da água, o que prejudica a vida marinha, especialmente de recifes de corais;

3. Mudanças no uso da terra: desmatamento e expansão urbana descontrolada alteram os ecossistemas e a capacidade de absorção de CO2 da Terra; inclui a conversão de florestas e outros ecossistemas naturais em áreas agrícolas ou urbanas;

4. Perda de biodiversidade: avalia a perda de biodiversidade e as taxas de extinção de espécies;

5. Fluxos biogeoquímicos: monitora desequilíbrios nos ciclos de nitrogênio e fósforo provocados, principalmente, pela agricultura intensiva e pela indústria, que poluem e degradam ecossistemas;

6. Uso da água doce: considera a quantidade de água doce utilizada pela humanidade, incluindo água para agricultura, indústria e consumo humano, e a gestão inadequada do recurso, com extração excessiva e poluição;

7. Camada de ozônio: refere-se à redução da camada estratosférica que protege a Terra da radiação ultravioleta prejudicial;

8. Aerossóis: monitora a concentração de partículas finas na atmosfera, que podem afetar o clima e a saúde humana;

9. Introdução de novas entidades: é a poluição química, que inclui a liberação de substâncias químicas sintéticas no ambiente, como plásticos e produtos químicos tóxicos.

Carlos Nobre ainda anota: 
”Atualmente, seis limites foram ultrapassados são: mudanças climáticas, acidificação dos oceanos, mudanças no uso da terra, perda de biodiversidade, fluxos biogeoquímicos e uso da água doce”.

Como tudo está relacionado com tudo, há o risco do efeito dominó: se caírem os últimos três, a civilização pode entrar em colapso. Seria o fim do experimento humano sobre este planeta.

Como nunca antes na história, o destino comum está em nossas mãos. Ou mudamos (e sabemos como o sistema capitalista imperante resiste em mudar) ou vamos ao encontro de um Armagedom ecológico.

Talvez o velho Martin Heidegger tenha, por fim, razão: “Só um Deus nos poderá salvar”(Nur noch ein Gott kann uns retten). Mas, se mudarmos mentes e corações, poderá ser inaugurada uma benéfica era geológica:o ecoceno, no qual a ecologia organizará nossas sociedades. E todos sobreviveremos.

Leonardo Boff
Leonardo Boff escreveu: A Busca da Justa Medida (I e II), Vozes 2023; A Oração de São Francisco: Uma Mensagem de Paz para o Mundo Atual, Vozes 2014; Fundamentalismo, Terrorismo, Religião e Paz, Vozes 2009.



Ópera do Malandro: O Paradoxo Brasil

O paradoxo Brasil – II

O eterno retorno de uma simetria perversa.


Capa do disco "Ópera do Malandro", de Chico Buarque, 1979.

Estatísticas como sintoma


Bem-sucedido e desterrado: eis onde paramos na coluna anterior. Como entender esse aparente paradoxo? Como preservar sua tensão constitutiva e transformar o impasse em reflexão renovada sobre as origens da formação histórica brasileira? A tarefa não é fácil. O próprio Sérgio Buarque de Holanda preferiu diluir o dilema na edição definitiva de Raízes do Brasil. Como vimos na semana passada, o historiador ficou apenas com o desterro, apagando o aparente êxito na “transplantação da cultura europeia para uma zona de clima tropical e subtropical”.

O ensaio ficou assim mais endomingado, mais coerente em sua linha argumentativa, pronto para ser canonizado. Mas, infelizmente, desse modo, perdeu-se o que, de fato, importava, qual seja, assinalar a contradição que ainda hoje assombra o Brasil.

Uma estatística-sintoma esclarece meu ponto.

País bem-sucedido: no primeiro trimestre de 2024, o Brasil voltou à posição de oitava economia do mundo, superando a Itália. O Produto Interno Bruto (PIB) do país chegou a US$ 2,333 trilhões e, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional, pelo menos até 2029 deve permanecer nessa posição. Recorde-se que, até 1930, era essencialmente um país exportador, sobretudo de café, e possuía uma base industrial precária e incipiente. O salto só não foi quântico porque não foi acompanhado de um correspondente crescimento de bem-estar social.

Nação de desterrados na própria terra: o Brasil ocupa a oitava posição no elenco das economias mais desiguais do planeta. O resultado foi divulgado no Relatório Global de Riqueza 2025. A vergonhosa permanência da desigualdade social desde a implantação da República, em 15 de novembro de 1889, continua sendo o maior obstáculo para uma melhora significativa dos indicadores que determinam o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

A simetria perversa dessas estatísticas, como se compusesse um inesperado desenho de M. C. Escher, é o nó górdio para que o paradoxo identificado por Sérgio Buarque seja enfrentado com coragem, em lugar de negligenciado. Até lá, o título da inquietante distopia de Ignácio de Loyola Brandão valerá como um retrato acabado de nossa encruzilhada: Não verás país nenhum.

(Não pode haver nação sem povo.)

Congresso e Nação

Nosso Congresso é muito bem-sucedido – ninguém há de negar. Conseguiu a proeza que nenhum Parlamento, no mundo todo, nos últimos dois séculos, sequer ousou: sequestrar o orçamento do Executivo e realizar o maior ato de pilhagem dos cofres públicos dos cinco séculos da história do Brasil. Mais: os artífices e continuadores desse assalto não somente escaparam, por enquanto, de qualquer responsabilização criminal, como ainda se dão ao luxo de chantagear o governo democraticamente eleito.

(Agora já não é normal

O que dá de malandro regular, profissional

Malandro com aparato de malandro oficial

Malandro candidato a malandro federal

Malandro com retrato na coluna social

Malandro com contrato, com gravata e capital

Que nunca se dá mal)

Pois bem: prova dos nove. O errático presidente Donald Trump anunciou um tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros com a vã esperança de intimidar o Supremo Tribunal Federal, a fim de libertar o ex-presidente golpista Jair Messias Bolsonaro. Deu com os burros n’água. Em boa parte, porque, para colocar o burro na sombra, o governo brasileiro foi ágil e propôs uma medida emergencial: o BNDES disponibilizaria até R$ 40 bilhões para auxiliar os exportadores dos produtos que, porventura, tivessem sido afetados pelo capricho do projeto de ditador gringo.

O Congresso aprovou a inciativa em tempo ímpar: de imediato, por assim dizer. Claro, tudo para beneficiar os pares.

Recentemente, o mesmo governo enviou ao mesmo Congresso uma Medida Provisória (MP) que visava aumentar a tributação dos super-ricos e começar a cobrar impostos da indústria das bets. Em comparação com o projeto do BNDES para os exportadores, essa MP planejava obter “somente” algo em torno de R$ 17 bilhões, que seriam prioritariamente empregados para programas sociais, isto é, para o povo. Os nobres e honrados deputados da oposição derrubaram a MP e festejaram como se não houvesse amanhã.

(Ou eleições em 2026.)

Eterno retorno da simetria perversa?

Concessão de R$ 40 bilhões para exportadores de grande porte: país muito bem-sucedido.

Veto de R$ 17 bilhões para o povo: desterrados na própria terra.

O que fazer?

Precisamos resgatar o paradoxo que atemorizou Sérgio Buarque de Holanda. Caso contrário, o país será cada vez mais bem-sucedido e, por isso mesmo, continuaremos uma nação de exilados no interior da pátria.

Quem sabe tudo já não tenha sido dito por Aldir Blanc e Maurício Tapajós na canção-pensamento Querelas do Brasil:

O Brazil não conhece o Brasil

O Brasil nunca foi ao Brazil

(…)

O Brazil não merece o Brasil

O Brazil tá matando o Brasil

Contudo, se tornarmos o paradoxo tema de debate público, talvez um dia possamos construir uma alternativa, o desenho de uma realidade outra, na qual o Brazil se reencontre como Brasil.

Mais ou menos assim:

Do Brasil, s.o.s ao Brasil

Do Brasil, s.o.s ao Brasil

Do Brasil, s.o.s ao Brasil


___________________________________________________

Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1936, p. 3, destaques meus.

João Cezar de Castro Rocha
Professor Titular de Literatura Comparada (UERJ) e Cientista do Nosso Estado (FAPERJ). Autor de 14 livros; seu trabalho já foi traduzido para o espanhol, mandarim, italiano, francês, alemão e inglês.



quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Histórias do BRASIL: A Longa Noite dos Corpos

Brasil: 
| A longa noite dos corpos |

A brutalidade que se viu nas vielas do Complexo da Penha não é um espasmo de violência, um desvio na rota da civilização. Ela é a própria rota. É a violência fundadora, o DNA de um país erguido sobre o açoite e a pólvora.

30/10/2025 | 12h06

Canudos - 1897 (Flávio de Barros)

29 de outubro de 2025. O dia ainda não rompera sobre a Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, mas a noite já se eternizava em centenas de corpos. Estendidos sobre o asfalto, cobertos por lonas plásticas e lençois florais manchados de sangue, eles eram a crônica de uma guerra que não ousa dizer seu nome. Foram mais de 130 vidas ceifadas, arrastadas da mata por moradores que, em meio ao luto, se tornaram coveiros improvisados. “Isso foi um massacre, não uma operação”, ecoava a voz de uma comunidade acostumada à brutalidade, mas ainda capaz de se horrorizar com a escala da carnificina. O governador do Estado, Cláudio Castro, em contraste, celebrava o “sucesso” da ação, um eco sombrio da lógica que há muito rege esta nação chamada Brasil.

A brutalidade que se viu nas vielas do Complexo da Penha não é um espasmo de violência, um desvio na rota da civilização. Ela é a própria rota. É a violência fundadora, o DNA de um país erguido sobre o açoite e a pólvora. É a mesma violência que abarrotava os porões dos navios negreiros, onde corpos negros eram empilhados como mercadoria, inaugurando a contabilidade macabra que até hoje define quem pode viver e quem deve morrer. A cena dos corpos na praça, aguardando a chegada tardia do Estado que os executou, é um retrato contemporâneo do convés do navio tumbeiro, a mesma desumanização, a mesma exposição pública do poder sobre a vida e, principalmente, sobre a morte.

Essa violência é a dos bandeirantes, figuras romantizadas em monumentos que, na verdade, foram os senhores da guerra contra os povos originários e os quilombos. A caça a Zumbi dos Palmares, a aniquilação de aldeias inteiras, o degolar de indígenas: tudo isso faz parte da mesma gramática de extermínio que hoje se aplica nas favelas. O Estado brasileiro, desde sua concepção, aprendeu que a resposta a qualquer forma de organização social deve ser o massacre. Foi assim contra as rebeliões de escravizados, que ousaram sonhar com a liberdade; foi assim em Canudos, onde um arraial de miseráveis foi afogado em sangue em nome da República; foi assim na Revolta da Vacina, quando o povo se insurgiu contra o autoritarismo sanitário; e foi assim na Revolta da Chibata, quando marinheiros negros exigiram o fim da tortura e receberam a morte como resposta.

O tempo passou, mas a lógica permaneceu. Vigário Geral, Candelária, Carandiru. Nomes que se tornaram sinônimos de chacinas, capítulos mais recentes de uma mesma história. A operação no Rio de Janeiro, a mais letal da história da cidade, não é um ponto fora da curva; é a reafirmação da curva. É a violência cotidiana que se abate sobre os povos da Amazônia, cujas terras são invadidas e cujos líderes são assassinados, e sobre os povos afrodescendentes das comunidades e morros, tratados como inimigos em seu próprio território. “Da favela para dentro, tiro, porrada, bomba, invasão, desrespeito, chacina, massacre. Em outros endereços, o tratamento é quase vip”, resumiu o ativista Raull Santiago, um dos que transmitiu o horror ao vivo.

O Brasil, mais uma vez, ensina ao mundo o seu pior. Antes que o conceito fosse nomeado pelo filósofo Achille Mbembe, o país já havia inventado a necropolítica. Essa é a política que se baseia no poder de ditar quem é descartável, uma gestão da morte que se torna a principal ferramenta de controle sobre populações inteiras. Hoje, essa política é aplaudida pelos asseclas de Cláudio Castro e pelos viúvos de Jair Bolsonaro, para quem a frase “bandido bom é bandido morto” não é apenas um slogan, mas um projeto de poder, a licença para matar que ecoa desde os capitães do mato.

A longa noite dos corpos de outubro de 2025 é apenas mais uma página no diário de uma nação que nunca acertou as contas com suas assombrações autoritárias. O horror que choca o mundo é, para nós, a confirmação de uma estrutura. É o navio negreiro que ainda ancora em nossas praias, o bandeirante que ainda marcha sobre nossas terras, o pelourinho que ainda se ergue em nossas praças. A barbárie não é a exceção; é a regra que se reafirma a cada corpo preto, pardo e pobre tombado no chão de uma favela.

Lindener Pareto
Professor e Historiador. Mestre e Doutor pela USP. Curador Acadêmico no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Apresentador do “Provocação Histórica", programa semanal de divulgação de História, Cultura e Arte nos canais do ICL. Especialista em desmascarar narrativas históricas convenientes e incomodar quem prefere a versão falaciosa dos fatos.


terça-feira, 28 de outubro de 2025

SHOW: SEU JORGE

Seu Jorge

Festival - João Rock
2025

Mega show do mega Seu Jorge, entregando tudo no Palco Brasil!


Músicas: 00:00 Mina do Condomínio 05:29 Sim Mais 10:00 Sábado À Noite 14:00 Batuque 16:50 Gente Boa Se Atrai 20:54 Carolina 27:09 Pessoal Particular 31:35 Shock 35:44 Quem Não Quer Sou Eu 41:09 Amiga da Minha Mulher 45:09 Alma de Guerreiro 49:18 Burguesinha.


Show: Vanessa Da Mata

Vanessa Da Mata 
Festival - João Rock 
2025

Vanessa serviu brasilidade, carisma e muita música!


Músicas

Intro. 
Eu Te Apoio em Sua Fé 
Não Me Deixe Só 
Segue o Som 
Você Vai Me Destruir 
Só Você e Eu 
Sorriso Aberto 
Gostava Tanto De Você 
Ainda Bem 
Amado 
Você Vai Ver 
Vá Pro Inferno Com Seu Amor 
Maria Sem Vergonha 
Boa Sorte (Good Luck) 
Gente Feliz 
Ai, Ai, Ai...


segunda-feira, 27 de outubro de 2025

LED ZEPPELIN

Pesado e impactante como um Zeppelin de Chumbo!

Led Zeppelin

Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra

Falar do Led Zeppelin é como falar da minha própria história na música.


" O Álbum achado"

Lp descoberto na coleção.
As influências musicais na minha infância foram alguns Lp's e fitas cassetes dos meus pais que tinham música popular brasileira, Beatles, Simon & Garfunkel, Procol Harum, Creedence Clearwater Revival e muito RAUL SEIXAS! Porém, em meados da década de oitenta, fuçando na coleção de lp's do meu avô, sendo que a maior parte era de moda de viola, me deparei com um álbum que me chamou muito a atenção. Mesmo que num primeiro momento tenha ficado somente uma vaga lembrança, anos mais tarde tudo faria sentido, e os momentos ouvindo música na vitrola nunca mais seriam os mesmos. Contudo, o álbum "achado" na coleção contrastava completamente dos outros. Pois trazia o nome da banda bem apagado, não continha o encarte e a contra-capa estava totalmente destruída. Visivelmente eram quatro "malucos" estampados na capa. Tive a sensação de se tratar de algo interessante, e despertou a curiosidade. O lp físico estava completamente danificado, mas, diante da curiosidade, coloquei-o para rodar na vitrola. Não era muito possível identificar que tipo de música estava tocando diante de tantos ruídos, mas foi impossível não me impactar com o poderoso grito que surgiu das caixas de som e estremeceu o ambiente logo na primeira faixa - pesado e empolgante.  Aquilo ficaria gravado na minha memória para sempre, e mesmo sem saber o que tinha acabado de escutar, o momento foi mágico! A faixa era: Immigrant Song !!

"O riff de Immigrant Song ficaria registrado em meu subconsciente"

O reencontro com a banda viria anos mais tarde. Passado aquele momento impactante e momentâneamente esquecido daquela música, meu interesse musical estava em torno das bandas contemporâneas de rock do momento. Influenciado pelas rádios e a Mtv, ouvia bandas nacionais como Legião Urbana e Barão Vermelho, além das gringas como Aerosmith, Iron Maiden, Metallica e as bandas do movimento "grunge", como Pearl Jam e Nirvana. Porém, em certo momento e por influência de amigos, comecei a me interessar por bandas do chamado "classic rock". 

Em 1994, os Rolling Stones vieram fazer alguns shows no Brasil na turnê do álbum recém lançado: Voodoo Lounge. O estilo dos integrantes somado à sonoridade crua e visceral, só fez crescer ainda mais o interesse por bandas clássicas de rock 'n' roll.

Os Rolling Stones tiveram forte influência musical para que eu chegasse ao Blues.

Na empreitada de desbravar bandas pioneiras do classic rock, me deparei com um vídeo em fita cassete de um filme-show chamado: "The Song Remains the Same". A princípio, uma banda inglesa de blues/rock chamada Led Zeppelin. Novamente um som alucinante, performance de palco impactante, arranjos de guitarra extremamente criativos com riffs marcantes, um vocalista sensual com voz potente e rasgada com uma "cozinha" de baixo e bateria conduzindo tudo com muita porrada e swing.

O primeiro álbum que consegui adquirir para conhecer mellhor a banda foi o 
Led Zeppelin III, terceiro lançamento de estúdio. Atraído principalmente pela capa chamativa, diferente da versão nacional, era cheia de imagens e desenhos coloridos e aleatórios com o nome da banda também desenhado entre as figuras. Ao ouvir a primeira faixa do disco só Freud poderia explicar a mente tentando buscar aquela lembrança sonora da infância, tentando a qualquer custo fazer a conexão daquela mesma sensação. Aquela sonoridade incrível novamente! O grito arrepiante do vocalista com todos os instrumentos entrando juntos, bateria amassando os pratos com uma marcação potente de bumbo/chimbal e o baixo cavalgando ao lado do pessadíssimo riff de guitarra. Naquele momento tudo fez sentido, e foi o resgate daquilo que estava guardado há muito tempo no meu inconsciente, o som incrível de Immigrant Song !! 

Os Primórdios: The Yardbirds.

Os tesouros buscados por Jimmy Page eram artistas cujo talento e carisma iriam "reluzir como ouro" aos olhos de quem lhes assistisse. Ele queria os melhores músicos possíveis para realizar o sonho de formar a superbada definitiva.

Precisamos mencionar uma banda antes de qualquer coisa. Formada em 1962, a banda The Yardbirds dos músicos - Keith Relf nos vocais, Chris Dreja na guitarra, Paul Samwell-Smith no baixo e Jim McCarty na bateria - ficou famosa na cena de R&B britânica, assumindo o posto de atração principal que pertencia aos The Rolling Stones na conhecida casa noturna Crawdaddy, em Richmond. Eles imprimiam sua marca de grande energia nos blues elétricos de Chicago de músicos consagradados como Howlin' Wolf e Muddy Waters. 

O grande trunfo da banda era um novo integrante e jovem guitarrista obcecado por blues chamado Eric Clapton, que já estava tendo destaque na cena  britânica como  instrumentista. Com essa formação, em 1964 lançam o primeiro álbum da banda e de Eric Clapton: "Five Live Yardbirds". Porém, por conta dos rumos mais pop e menos blues do grupo, Eric Clapton deixa a banda em 1965 para se juntar aos puristas de blues John Mayall & The Bluesbreakers. 

Clapton recomenda aos integrantes um guitarrista de estúdio chamado Jimmy Page, que já era respeitado entre os músicos. Nesse momento Page abdica do convite, pois tinha salário fixo e estava mais interessado nos trabalhos de gravação, mas indica outro guitarrista, o amigo Jeff Beck. Beck aceita o convite e entram numa fase talvez de maior sucesso da banda, e gravam dois álbuns excelentes: "For Your Love" e "Having A Have Up", ambos lançados em 1965.

Em 1966, o baixista Paul Samwell-Smith sai da banda e novamente eles convidam Jimmy Page, que, dessa vez, muito interessado em formar um grupo, aceita.  Primeiramente ele preenche a banda como baixista, porém logo troca de instrumento com o guitarrista Chris Dreja. Assim, a banda vira uma das primeiras superbandas com dois guitarristas virtuosos tocando juntos. Isso rendeu um vídeo e participação do grupo para um filme adolescente, e lançam o álbum "Roger Engineer" com essa formação. Porém o peso das turnês e a pressão em cima de Jeff Beck fez com que ele abandonasse o grupo e arruinasse os planos audaciosos de uma superbanda.

Jimmy Page não desistiria de formar um super grupo, mas os The Yardbirds começam a perder o fôlego na disputa com novas bandas que apareciam com sonoridade mais pesada. Bandas como Cream, Free e The Jimi Hendrix Experience estavam direcionando os caminhos do blues rock. Page, sentindo essa nova direção, lança com os Yardbirds um álbum experimental chamado "Little Games". Não tendo muito sucesso nas rádios, os integrantes já desgastados começam a sair e realizar novos projetos. Mas Page continua buscando novas formações já com o apoio do empresário Peter Grant para formar uma superbanda.

JIMMY PAGE

Em uma participação com o velho amigo Jeff Beck na gravação de uma música chamada "Beck's Bolero", com Nick Hopkins nos teclados, John Paul Jones no baixo e o virtuoso baterista Keith Moon do The Who, Jimmy Page começa a amadurecer a ideia de formar sua banda de peso. O problema era que esses músicos estavam  tocando com outras bandas, exceto, o multi-instrumentista John Paul Jones, que estava trabalhando em estúdio de gravação.

Enquanto os Yardbirds se esforçavam para cumprir shows e compromissos, Page grava um blues-rock lento e pesado chamado "Dazed and Confused", no qual tocaria guitarra com arco de violino para produzir um efeito espacial e dramático. Ao longo do ano de 1968, Page faria algumas experiências sonoras no palco até o limite em que os Yardbirds pudessem apoiar.

Enquanto isso, na região central dea Inglaterra, a Band of Joy tentava se estabelecer. Com um cantor de blues chamado Robert Plant e um baterista chamado John Bonham, a banda já havia conquistado uma reputação local nos shows com luzes psicodélicas e som poderoso, mas, sem contratos de gravação à vista, lutavam para sobreviver.

JOHN BONHAM, JOHN PAUL JONES e ROBERT PLANT

O vocalista Keith Relf e o baterista Jim MacCarty estavam esgotados com a falta de reconhecimento da banda e queriam trilhar outras direções musicais, porém, com muito esforço, terminaram a turnê americana. De volta à Inglaterra no verão de 1968 e após uma apresentação final no Luton Technical College, a banda se desintegrou de vez. 

Com alguns compromissos agendados pela Escandinávia, Jimmy Page precisou correr atrás de músicos para concluir a agenda dos Yardbirds. Convidou o  amigo de estúdio John Paul Jones para assumir o baixo e tentou contato com alguns vocalistas de peso da época como Steve Marriot do The Small Faces e Steve Winwood do Traffic, mas, infelizmente, ambos tinham suas bandas bem sucedidas naquele momento.

O empresário Peter Grant tinha tentado o vocalista solo, Terry Reid, que, desinteressado, indicou que eles fossem à Birmingham assitir à uma banda, "Band of Joy", de um vocalista que vinha se destacando na cena cantando um blues-rock potente e rasgado, seu nome, Robert Plant. Jimmy Page e Peter Grant foram vê-lo cantar e ficaram imediatamente impressionados. Page explicou o projeto e convidou o vocalista para um ensaio em sua casa em Pangbourne, Berkshire, e logo perceberam que tinha algo fantástico acontecendo. Com toda essa potência e qualidade dos músicos, não daria para contratar um baterista qualquer, de mão leve. Jimmy Page já tinha tentado trazer anteriormente Keith Moon do The Who e também B. J. Wilson do Procol Harum, mas ambos seria impossível mediante aos contratos que tinham com suas poderosas bandas. Diante do curto tempo para contratar um baterista, fez o destino que o próprio Robert Plant indicasse seu parceiro de Band of Joy, o conhecido por "Bonzo", de nome John Henry Bonham. Apesar  de naquela época John Bonham ter um salário constante acompanhando o cantor americano Tim Rose, com a promessa de ganhar mais grana e fama ele decide fazer os testes para entrar na superbanda. O primeiro ensaio da banda foi em setembro de 1968, no Soho. Page declarou mais tarde: "Nós quatro nos juntamos numa sala e começamos a tocar. Então percebemos uma química incrível e começamos a rir, talvez por alívio ou por perceber que a banda poderia dar muito certo!" 

E assim, sob o nome de The New Yardbirds, cumprem todos os shows agendados no norte europeu. Após o término da agenda, eles sentem a necessidade de um novo nome para a superbanda. Foi quando lembraram de um episódio ocorrido na gravação de "Beck's Bolero", que, em relação ao nome da banda, seriam chamados de "Lead  Zepelin", uma forma de provocação feita por Keith Moon e John Entwistle com ar sarcástico de brincadeira sugerindo que o projeto de superbanda de Jimmy Page com Jeff Beck afundaria como um zepelin de chumbo em chamas. Dessa forma, modificaram algumas letras e o nome estava posto: LED ZEPPELIN.

Em 1969 , com o lançamento de seus dois primeiros álbuns de estúdio, o Led Zeppelin mudou os rumos do rock'n roll para sempre, foi revolucionário! E, à exemplo de poucos artistas como Mozart, Miles Davis, The Beatles ou Jimi Hendrix, poucos puderam influenciar tanto nos caminhos da música.


domingo, 26 de outubro de 2025

Rap & Hip Hop: SABOTAGE

Sabotage Nós - Documentário

'Sabotage Nós' é um documentário que retrata a caminhada do 'Maestro do Canão' em direção ao seu disco de estreia, 'Rap É Compromisso', apresentando a perspectiva dos produtores, amigos e colaboradores que participaram ativamente do trabalho. Em paralelo, é contada a história da 'Família RZO' e do momento áureo do rap nacional ao final dos anos 90. 

O documentário é intercalado por cenas dos filhos de Mauro Mateus dos Santos, Wanderson Sabotinha e Tamires, mostrando o cotidiano da Favela do Boqueirão, onde moram e onde viveu Sabotage após a saída do Canão. Os herdeiros do rapper ainda levam a reportagem para uma visita ao que restou da Favela do Canão, à beira da Avenida Prof. Roberto Marinho, antiga 'Av. Espraiada'. 

A direção é assinada por Guilherme Xavier Ribeiro, em uma coprodução da GuardaChuva com a MTV Brasil, que exibiu um trecho do material durante o 'Último Yo! MTV Raps', em setembro de 2013.


MPB: NEGRA Li

Negra Li

| Programa Ensaio |

Neste programa Fernando Faro recebe a cantora Negra Li. Ela fala das músicas que ouvia quando criança e que cantava na Igreja - lembra trecho. O início da sua carreira foi em 1996 em um grupo de Rap e logo depois passou a fazer parte de RZO (Rapaziada Zona Oeste). 

Li fala da regravação da música de Marisa Monte, das influências de Tim Maia, Cassiano e Sandra de Sá, música black americana. Em 2004 participou do filme Antonia, ela comenta a paixão em ser atriz e qua atualmente está fazendo teatro infantil. Ela ainda fala das composições de Sergio Brito, da música que gravou em formato de Jazz, fala de Walter Alfaiate e de quando cantou 'Jura' com ele.


quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Literatura: Extracampo, na ótica do cárcere

Livro

Extracampo, na ótica do cárcere.

A história do empresário Angelo Canuto

O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e China. O cotidiano do cárcere é uma realidade de quase um milhão de brasileiros e pouco sabemos a respeito desses excluídos do Brasil. Homens e mulheres que carregam o estigma de presidiário e, mesmo após o cumprimento da pena, irão conviver com uma marca daqueles que não acreditam na recuperação do ser humano.

Extracampo: na ótica do cárcere é um livro que revela, a partir da trajetória de Angelo Canuto, os caminhos da ressocialização, os passos do ser humano que errou, pagou, mas não desiste de lutar por aqueles que precisam de uma chance para voltar à sociedade.

Em cada uma de suas reflexões é possível projetar perspectivas em situações tão complexas, superar os desafios em momentos tão conturbados e seguir adiante.

Seu livro é uma parada obrigatória para conhecer uma face do Brasil ainda desconhecida, mas cheia de sonhos, guerreiros e possibilidades.

Vagner Aparecido Marques, Doutor em História Social pela PUC-SP e autor do livro Fé & Crime: Evangélicos e PCC nas periferias de São Paulo.

Políticas Públicas: História de Angelo Canuto

ELE ERA DO CRIME E DA PM AO MESMO TEMPO 
- Angelo Canuto - 

O racismo e as injustiças sociais criaram um Brasil carcerário, e o Estado criou as facções e crime organizado!

"dentro dos presídios existem milhares de jovens empreendedores, músicos, jornalistas, atletas, advogados e médicos"


Canal Flow Podcast:



Literatura: Arte Moderna

O paradoxo Brasil

Como é possível que ainda não se tenha discutido a fundo divergência tão flagrante?

(Conteúdo da Revista Liberta)

REVISTA LIBERTA

Abaporu, Tarsila do Amaral (1928)

As edições de Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, apresentam mudanças intrigantes. Na primeira edição, publicada em 1936, o livro principia com um otimismo que, certamente, surpreenderá o leitor contemporâneo:

Todo estudo compreensivo da sociedade brasileira há de destacar o fato verdadeiramente fundamental de constituirmos o único esforço bem-sucedido em larga escala de transplantação da cultura europeia para uma zona de clima tropical e subtropical. Sobre território que, povoado com a mesma densidade da Bélgica, chegaria a comportar um número de habitantes igual ao da população atual do globo, vivemos uma experiência sem símile.

A experiência histórica brasileira é sem igual porque exitosa: não pode haver dúvidas na leitura da passagem. E o sucesso parece necessariamente sugerir que a aclimatação da cultura europeia ocorreu da melhor maneira possível. O parágrafo de abertura da primeira edição pareceria a própria metonímia do título. O intérprete poderia encontrar os fundamentos da formação social, já que, desde seus primórdios, o processo civilizatório brasileiro exemplificaria uma feliz e rara coincidência entre intenção e gesto. As raízes do Brasil poderiam ser reveladas, inclusive vistas a olhos, pois constituímos o único esforço bem-sucedido de transplantação cultural; afinal, falamos de raízes.

Não é verdade que se escuta no trecho de 1936 um tom vizinho ao do parágrafo de abertura de Casa-Grande & Senzala?

Quando em 1532 se organizou econômica e civilmente a sociedade brasileira, já foi depois de um século inteiro de contatos dos portugueses com os trópicos; de demonstrada na Índia e na África sua aptidão para a vida tropical. Mudado em São Vicente e em Pernambuco o rumo da colonização portuguesa do fácil, mercantil, para o agrícola: organizada a sociedade colonial sobre base mais sólida e em condições mais estáveis que na Índia ou nas feitorias africanas, no Brasil é que se realizaria a prova definitiva daquela aptidão.

As duas passagens celebram a vocação colonizadora portuguesa. No vocabulário de Gilberto Freyre, a plasticidade do português favoreceu o contato produtivo entre culturas, assim como sua assimilação num composto híbrido. A abertura da primeira edição de Raízes do Brasil corroborava o otimismo do sociólogo pernambucano: dicções diferentes, porém afinadas no mesmo tom fundamentalmente positivo. Entretanto, na edição definitiva, enriquecida com importante introdução de Antonio Candido, “O significado de Raízes do Brasil”, o parágrafo de abertura sofreu uma mudança radical:

A tentativa de implantação da cultura europeia em extenso território, dotado de condições naturais, se não adversas, largamente estranhas à sua tradição milenar, é, nas origens da sociedade brasileira, o fato dominante e mais rico em consequências.

A modificação não poderia ser maior: agora, a experiência histórica brasileira parece condenada ao descompasso entre as ideias e seu lugar. Destaque-se o fator decisivo: não se trata de correção estilística, que vise aprimorar a expressão ou torná-la mais clara, tampouco do acréscimo de novos dados, que aprimorem o argumento, mas da supressão completa de ideia-chave, simplesmente substituída pelo seu contrário.

Os fatores da formação social brasileira que surgiam caracterizados como o único esforço bem-sucedido de transplantação cultural em larga escala surgem como definitivamente estrangeiros às condições tropicais. O trânsito do próprio ao alheio realiza-se sem mediações, como se entre as duas passagens não residisse um paradoxo de difícil entendimento. Contudo, apesar da notável mudança, tanto nas primeiras edições quanto na definitiva, segue o célebre trecho (com pequenas modificações):

Trazendo de países distantes nossas formas de vida, nossas instituições, nossa visão de mundo, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda uns desterrados em nossa terra.

Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições, nossas ideias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra.


Nas primeiras duas edições, somente faltava o “hoje”, o resto da frase é praticamente o mesmo – destaque-se ainda a sutil mudança conceitual de “formas de vida” para “formas de convívio” e de “visão de mundo” para “ideias”. De imediato, porém, quero propor uma pergunta: como é possível que ainda não se tenha discutido a fundo divergência tão flagrante? Os brasileiros tiveram uma experiência única porque bem-sucedida, mas, ao mesmo tempo, como resultado, vivem desenraizados em seu próprio país. Esse paradoxo não tem sido devidamente avaliado. Como ser ao mesmo tempo bem-sucedido e desterrado?

Pergunta-chave que condensa o dilema Brasil.

Conto com a sua leitura na próxima semana?

[1] Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1936, p. 3, destaques meus.
[2] Gilberto Freyre. Casa-Grande & Senzala. Formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943 [1933]. p. 77.
[3] Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989 [1967], p. 3, destaques meus.
[4] Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948 [1936], p. 15, destaques meus.
[5] Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967 [1936], p. 3, destaques meus.

João Cezar de Castro Rocha
Professor Titular de Literatura Comparada (UERJ) e Cientista do Nosso Estado (FAPERJ). Autor de 14 livros; seu trabalho já foi traduzido para o espanhol, mandarim, italiano, francês, alemão e inglês.


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

MPB: Jadsa

Jadsa
Olho de Vidro - 2021

Jadsa Castro, conhecida apenas como Jadsa, é uma cantora, compositora, produtora musical e guitarrista brasileira. 

Em 2015 lançou seu primeiro trabalho de estúdio, "Godê", seguido por outro EP, "TAXIDERMIA vol.1", em 2020.

Olho de Vidro (2021). “A primeira vez que eu escutei essa faixa eu falei […] ‘eu tenho uma voz minha, mas eu tenho uma voz da minha consciência também’. Eu acho que Itamar brincava muito com essa coisa dele e com o que está sendo dito e o que não é dito”, analisa.

A artista explica que conheceu o trabalho de Itamar Assumpção em 2015, quando ainda vivia em Salvador e tocava na Banda Monstra. “Minha mãe que me indicou. Falou: ‘Estou entendendo que você está com um movimento ‘meio assim’, acho que você vai gostar de ouvir Itamar Assumpção. Já escutou?’ Eu falei ‘não, minha mãe’. Ela: ‘Pesquisa’. Aí eu pesquisei Itamar, entrei nessa viagem”, lembra.


Radicada em São Paulo desde 2018, Jadsa diz que o contato com o universo de Itamar foi porta de entrada para outras referências da vanguarda paulistana. “Eu acho que é isso mesmo da identificação, da homenagem que eu precisava fazer para Itamar por ter me mostrado esse caminho e por ter me dado força pra correr atrás do meu disco e por ter me dado uma assinatura ali, do tipo ‘tem isso aqui, tem esse modo de fazer’. Me ensinou, me professou assim”, reflete.


Para ela, o impacto do artista vai além das questões técnicas. “Falar de Itamar é muito do meu sentimento, eu não tenho o que ficar falando dele tecnicamente e coisas assim. É surreal, mas eu acho que ele mexeu comigo no meu sentimento, na minha composição e na minha cabeça. Ele virou uma chave na minha cabeça que é isso: começar a enxergar de outro jeito, começar a fazer de outra forma e estar incomodado para fazer”.


Zélia Duncan: Marina Sena & Mari Jasca

Marina Sena & Mari Jasca

O futuro promissor da música brasileira, 
com a benção de Zélia Duncan!

Programa Por Acaso: 
Vozes que Transformam a Música Brasileira

Marina Sena e Mari Jasca se encontram pela primeira vez para compartilhar histórias, inspirações e trajetórias únicas. Entre conversas sobre arte, mercado musical e empreendedorismo, as artistas apresentam versões exclusivas de seus sucessos, como Por supuesto e Ladeira do Castro. Um encontro musical inesquecível, gravado na Pinacoteca de São Paulo, que celebra a força, a autenticidade e a diversidade da música brasileira.


Mari Jasca
Mari Jasca

Com raízes argentinas, vivência nas ruas e nas noites cariocas, Mari Jasca é uma das vozes mais singulares da nova cena independente brasileira. Cantora, compositora, atriz, artista circense e produtora, ela constrói sua trajetória a partir da mistura — entre gêneros musicais, linguagens artísticas e territórios afetivos.

Seu primeiro disco solo, Disparada, lançado no final de 2024, passou por palcos como o Sesc Belenzinho (SP), Teatro Ipanema (RJ) e a feira gastronômica de Búzios (RJ), ultrapassando os 210 mil plays nas primeiras semanas no Spotify. No trabalho, ela une forró, pop, milonga, flamenco, jazz e ritmos latinos com beats modernos, sintetizadores e grooves dançantes — tudo isso atravessado por letras que falam de coragem, desejo e liberdade.

Marina Sena
Marina Sena

É uma cantora e compositora brasileira nascida em Taiobeiras, Minas Gerais. Com sua mistura única de MPB, pop e influências regionais, ganhou destaque nacional após o sucesso de “Por Supuesto”, que viralizou nas plataformas digitais. 

Seu primeiro álbum a revelou no cenário musical, e o Vício Inerente, segundo álbum da carreira, reafirmou seu talento com hits carregados de personalidade, acompanhado por uma turnê de diversos shows lotados por todo o Brasil.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Shemekia Copeland



Shemekia Copeland

“Shemekia Copeland é a maior cantora de blues de sua geração.”
 – The Washington Post
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História e trajetória artística.

Shemekia Copeland possui uma das vozes de música roots mais instantaneamente reconhecíveis e profundamente comoventes do nosso tempo. A multi-indicada ao GRAMMY é amada e homenageada mundialmente pela coragem, honestidade e humor de suas canções reveladoras, bem como por sua personalidade cativante e vencedora. O Chicago Tribune diz: "Copeland é a maior vocalista feminina de blues em atividade hoje. Não há como confundir a majestade de seu instrumento, nem a ferocidade de sua entrega."

No novo álbum de Copeland, o indicado ao GRAMMY Blame It On Eve , todas as músicas atingem o alvo, com performances de cair o queixo que instantaneamente conquistam e exigem audições repetidas. “Há negócios sérios no novo álbum”, diz Copeland, “mas também há muitos sorrisos, muitos momentos de alegria. É o meu blues, com certeza, mas é o lado bom. Problemas são sempre importantes para mim, mas também é importante curtir rock, dançar e simplesmente me divertir. E isso é algo com que todos concordamos.”

O álbum se tornou um favorito dos fãs e da mídia, ganhando uma série de prêmios de “Álbum do Ano”, incluindo o DownBeat Critics Award; o Living Blues Readers' and Critics' Awards e o Álbum do Ano de Blues Music Award. Além disso, Copeland ganhou o Living Blues and Blues Music Awards de Artista do Ano.

“Shemekia Copeland fornece uma trilha sonora para a América contemporânea... poderosa, feroz, perspicaz e esperançosa... Ela tem tanto controle da voz que consegue gritar injustiças antes de acalmá-las com uma esperança amorosa. É de arrepiar.” - Living Blues

Blame It On Eve foi gravado em Nashville e produzido pelo instrumentista/compositor Will Kimbrough (que também produziu seus três álbuns anteriores). Apresenta 12 novas músicas que abordam temas tão importantes quanto o direito de escolha da mulher e as mudanças climáticas, mas também deixa espaço para Copeland se divertir e relaxar. Do boogie blues autobiográfico e rockeiro Tough Mother ao foco bem-humorado, porém sério, da faixa-título antológica na autodeterminação reprodutiva, passando pelo happy hour de Wine O'Clock, Copeland se inspira do começo ao fim.

O famoso multi-instrumentista Jerry Douglas acrescenta seu dobro à fascinante e real história de Tee Tot Payne, o obscuro músico do Alabama do início do século XX que ensinou blues a Hank Williams, e o tocador de sacred steel DaShawn Hickman traz sua magia para o animado e inspirador Tell The Devil. O amigo de Shemekia, o roqueiro roots Alejandro Escovedo, junta-se à angustiada e celestial pergunta "Is There Anybody Up There?". No triste conto de amor Belle Sorciere, Copeland canta o refrão em francês, com a melodia assombrosa composta por Pascal Danae, da banda parisiense Delgres (que recentemente apareceu na capa da Rolling Stone França). 

A interpretação de blues profundo e fulminante de Copeland em Down On Bended Knee — por seu falecido pai, o grande bluesman Johnny Copeland — prepara o instigante encerramento Heaven Help Us All, uma canção que se tornou famosa primeiro por Stevie Wonder e depois por Ray Charles. No geral, o apaixonado, carismático, alegre e às vezes conflituoso Blame It On Eve está fadado a se tornar um dos lançamentos mais celebrados da impressionante e ainda em desenvolvimento carreira de Copeland.

Nascida e criada no Harlem em 1979, Shemekia Copeland subiu ao palco com seu famoso pai no Cotton Club de Nova York aos oito anos. Após o lançamento de seu álbum de estreia, Turn The Heat Up, pela Alligator Records, em 1998, quando tinha apenas 18 anos, Copeland instantaneamente se tornou uma força do blues e do R&B a ser reconhecida. O New York Times e a CNN, entre muitos outros, elogiaram seu talento, sua personalidade marcante, sua voz dinâmica e autoritária e seu verdadeiro poder de estrela. A cada lançamento subsequente, a música de Copeland continuou a evoluir.

De sua estreia até The Soul Truth, de 2005, Shemekia ganhou oito prêmios Blues Music Awards e vários prêmios Living Blues. Wicked, de 2000, recebeu a primeira de suas cinco indicações ao GRAMMY. Após dois lançamentos de sucesso pela Telarc (incluindo 33 1/3, indicado ao GRAMMY em 2012), Copeland retornou à Alligator Records em 2015 com Outskirts Of Love, indicado ao GRAMMY e vencedor do Blues Music Award, misturando blues com sons mais enraizados e norte americanos

Com America's Child , de 2018 , Copeland lançou o primeiro de sua celebrada trilogia de álbuns sobre o estado do mundo, cantado de sua perspectiva como uma jovem mulher negra e mãe de primeira viagem. A revista MOJO nomeou America's Child o lançamento de blues nº 1 de 2018. Ganhou o Blues Music Award e o Living Blues Award de Álbum do Ano. Além de ganhar uma indicação ao GRAMMY Award, o inovador sucessor de Copeland em 2020, Uncivil War , foi nomeado Álbum de Blues do Ano de 2020 pelas revistas DownBeat, MOJO e Living Blues. "Shemekia Copeland é uma potência", disse a Rolling Stone. "Ela não pode errar." Ela recebeu sua quinta indicação ao GRAMMY por Done Come Too Far , que fechou a trilogia com um conjunto escaldante de canções de verdade, rock e blues de Hill Country. “Shemekia Copeland é um antídoto contra o artifício”, disse o The Philadelphia Inquirer . “Ela é uma presença imponente, uma vocalista poderosa que transmite a verdade.”


Copeland realizou milhares de shows em clubes, festivais e salas de concerto em todo o mundo, e apareceu em filmes, na televisão nacional, NPR, e foi assunto de grandes reportagens em centenas de revistas, jornais e publicações na internet. Ela cantou com Bonnie Raitt, Keith Richards, Carlos Santana, Dr. John, James Cotton e muitos outros, e dividiu o palco com os Rolling Stones. Ela entreteve tropas americanas no Iraque e no Kuwait em 2008, uma viagem que ela diz, "que abriu meus olhos para o mundo maior ao meu redor e meu lugar nele." Em 2012, ela se apresentou com BB King, Mick Jagger, Buddy Guy, Trombone Shorty, Gary Clark, Jr. e outros na Casa Branca para o presidente e a Sra. Obama. 

Ela se apresentou no Austin City Limits da PBS , foi destaque em uma história de seis minutos no PBS News Hour e foi assunto de uma importante matéria da revista Washington Post Sunday. Em abril de 2022, ela se apresentou no Salão da Assembleia Geral das Nações Unidas para um público mundial de milhões de pessoas, como parte das comemorações do Dia Internacional do Jazz. Em 2023, Copeland participou da coletânea vencedora do GRAMMY, Basie Swings The Blues , pelo selo Candid. Ela continua a ser tocada regularmente em rádios de todo o mundo. Além disso, Copeland apresenta seu próprio programa de rádio diário de blues, o Bluesville, da SiriusXM .

A Forbes declarou: "Shemekia é destemida, honesta e esperançosa... ela não se contém em nada ao transmitir verdades musicais contundentes". O falecido John Prine a elogiou enormemente ao dizer: "Ela simplesmente não se parece com ninguém". E ninguém menos que a amiga de Copeland, a lendária Mavis Staples, anunciou: "Estou muito feliz que Shemekia esteja apresentando essas músicas que o mundo precisa ouvir. Sua voz é forte e cheia de alma, e sua mensagem vem do coração".

Com Blame It On Eve, Copeland embarca no que ela chama de "férias de todo o peso". Blame It On Eve contém muitas das canções ousadas e corajosas que são a marca registrada de Copeland, mas aqui Copeland também busca se desligar do peso do mundo. "Meus últimos três discos abordaram notícias de última hora", diz ela. "Este disco é para pessoas como eu, que querem uma pausa das notícias."

Alligator Records, LLC.

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