Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Arrigo Barnabé | Programa Instrumental Sesc Brasil

Arrigo Barnabé

Programa Instrumental Sesc Brasil

O compositor apresenta os novos arranjos para o clássico "Clara Crocodilo", álbum de 1980, do brasileiro que melhor fundiu as invenções formais da vanguarda erudita e os códigos diretos da cultura pop. 

Ficha técnica do show: 

MARIÁ PORTUGAL - bateria 
MARIA BERALDO BASTOS -  clarinete
 JOANA QUEIROZ - clarone e sax
 ANA KARINA SEBASTIÃO - baixo
 MÁRIO MANGA - guitarra
 PAULO BRAGA - piano
 ARRIGO BARNABÉ - teclado


O Universo de Arrigo Barnabé

Arrigo Barnabé estudou Composição na Universidade de São Paulo (USP), onde se tornou um dos líderes da Vanguarda Paulista. Seu trabalho experimental sofreu influência da música erudita contemporânea misturada ao rock. Tem vários álbuns e DVDs lançados e uma vasta obra, com canções, música de câmara, ópera de bolso, missas e obras multimídias. Também compôs para cinema e teatro, tendo recebido diversos prêmios, além de ter atuado em alguns desses filmes. Entre os músicos e compositores clássicos suas maiores influências são Béla Bartók (1881-1945) e Igor Stravinsky (1882-1971), além das ideias sobre composição de Arnold Schöenberg. No contexto do pop e do rock, talvez o seu maior diálogo criativo, ou mesmo influência, tenha sido com o músico norte-americano Frank Zappa (1940-1993).

Em 1980, a cena musical brasileira seria invadida por um ser estranho que já havia tornado a pauliceia ainda mais desvairada. Após apresentações no Teatro Lira Paulistana, ao lado de Itamar Assumpção, Premeditando o Breque, Grupo Rumo e outros artistas que logo se tornariam conhecidos no Brasil, chegava às lojas o primeiro álbum do músico, compositor e intérprete paranaense, radicado em São Paulo, Arrigo Barnabé. Imediatamente, Clara Crocodilo chamaria a atenção pela estranheza que causaria no meio musical e junto ao público interessado na MPB e afins, sendo considerado pela imprensa a maior novidade na música brasileira desde a Tropicália.

Capa do Álbum de 1980
Na esteira de Clara Crocodilo, quatro anos mais tarde, Arrigo Barnabé lançaria outro álbum importante e inovador. Assim como o seu disco de estreia, Tubarões Voadores apresenta frases rítmicas repetidas, diálogos falados e estrutura narrativa linear e recursos próprios da dodecafonia. Além disso, de forma quase inédita, ou mesmo inédita no Brasil, traz um encarte com uma história em quadrinho desenhada pelo artista visual Luiz Gê. O enredo é a própria letra da música que dá título ao álbum, que tem ainda as participações da roqueira paulista Rita Lee e do sambista carioca Paulinho da Viola. 

Estava pavimentada uma das carreiras mais originais da música brasileira, a história e a importância da Vanguarda Paulista para a cena musical brasileira e a trajetória e a obra desse músico e compositor único, estão gravados para sempre na memória da música brasileira!

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Meio Ambiente: Ailton Krenak em conversa com Sidarta Ribeiro

Não temos um Planeta B (reserva)
Alerta de Ailton Krenak em conversa com Sidarta Ribeiro

O líder indígena e Imortal da Academia Brasileira de Letras Ailton Krenak encerrou o Encontro Futuro Vivo em uma conversa inspiradora com o neurologista Sidarta Ribeiro. A dupla debateu sobre as relações do seu humano com a Terra, os desafios da ciência e a urgência do reconhecimento da gravidade da situação do planeta. “‘Não temos planeta B’. É engracadinho, mas parece que não está comovendo ninguém. [...] Por mais que eu seja capaz de imaginar um paraíso incrível trabalhado pela tecnologia, precisa ter rios, oxigênio, montanhas. E só a Terra produz isso. Tem que vir de dentro”, afirmou Krenak. 

Com curadoria da consultoria Mandalah

Canal Terra Brasil:


domingo, 28 de setembro de 2025

THIN LIZZY

Lynott, Gorham, Robertson e Downey

Thin Lizzy

Discografia & História

O Thin Lizzy foi formado em dezembro de 1969, seu primeiro concerto foi no dia 13 de fevereiro de 1970. O primeiro single surgiu em julho do mesmo ano. Foram formados por colegas de banda no colégio Cloghran School Hall, em Dublin. A formação original da banda contava com Phil Lynott baixista e vocalista, os guitarristas Eric Bell e Eric Wrixon com Brian Downey na bateria.

Antes mesmo de terem gravado já eram encarados com muito respeito, pois Phil Lynott foi o frontman da banda de blues-rock Skid Row, junto de outro guitarrista muito conhecido na região chamado Gary Moore, que mais tarde gravaria também com o Thin Lizzy. Eric Bell e Eric Wrixon haviam tocado com Van Morrison na banda Them, e o baterista Brian Downey tinha feito parte dos Sugarshack, uma banda com menos projeção, mas muito respeitada na comunidade de blues local.

Os ensaios ocorriam no The Countdown Club, na Mary’s Street, em Dublin. Nessa sessões foi decidido mudar o nome. Originalmente, a banda chamava-se Tin Lizzie, nome inspirado na personagem da banda-desenhada Dandy. Phil Lynott considerava que os irlandeses teriam dificuldade em pronunciar o nome e então a banda acrescentou o “H” a Tin. Foi antes da edição do seu primeiro single, “The Farmer”, que a banda se decidiu pela forma final do nome Thin Lizzy.

Nos dois primeiros álbuns "Thin Lizzy" de 1971 e "Shades of A Blue Orphanage" de 1972, eles tinham uma sonoridade mais focada no folk e blues. Eric Wrixon abandona a banda mas eles gravam o álbum "Vagabonds of the Western World", uma disco mais pesado. O 
guitarrista Gary Moore substitui Eric e torna-se um colaborador esporádico da banda em turnês. Com Gary Moore eles gravam em 1973 o single de uma versão da canção tradicional irlandesa “Whisky In The Jar”, aparecendo nas paradas de sucesso. 

Uma mudança de sonoridade ocorre na banda com a chegada da dupla de guitarristas composta por Scott Gorham e Brian Robertson. Phil Lynott apura a identidade do Thin Lizzy e a banda vira uma referência para bandas que buscavam duas guitarras frenéticas trocando riffs e solos. Surge o período de maior aclamação com os extraordinários álbuns “Nightlife” de 1974 e "Fighting" de 1975. Mas o grande reconhecimento internacional veio com as gravações de dois álbuns lançados no mesmo ano, "Jailbreak " e "Johnny the Fox", ambos de 1976. Esses discos trazem alguns hits e singles importantes da discografia da banda como “The Boys Are Back In Town”, por exemplo.

Com o lançamento de um álbum ao vivo chamado de “Live And Dangerous”, se estabelece a consagração definitiva. Esse disco é considerado por muitos como o melhor álbum ao vivo de todos os tempos. A partir daí, sucederam-se outros álbuns e reformulações de line-up da banda, sempre com grandes músicos. O Thin Lizzy esteve ativo e gravou até 1983, o último álbum foi "Thunder and Lighting", porém Phil Lynott inicia uma carreira solo e dá uma parada na banda. Infelizmente Lynott veio a falecer em 04 de janeiro de 1986 e o Thin Lizzy aterrisa sua nave para sempre.

Todas as capas dos álbuns de estúdio:






quarta-feira, 24 de setembro de 2025

DiScOs InCrÍvEiS: Ritchie Blackmore's Rainbow


Ritchie Blackmore's 
Rainbow - 1975

Ritchie Blackmore's Rainbow é o álbum de estreia da banda britânica chamada Rainbow. Seu lançamento oficial se deu em 4 de agosto de 1975, através dos selos Oyster (Reino Unido) e Polydor Records (Internacional). As gravações ocorreram entre 20 de fevereiro e 14 de março daquele mesmo ano, no Musicland Studios, em Munique, na Alemanha. A produção ficou por conta de Martin Birch, Ronnie James Dio e de Ritchie Blackmore.

"O Rainbow é uma das mais fantásticas bandas da história do Rock"

Stormbringer, o nono álbum de estúdio do Deep Purple, foi lançado em novembro de 1974. Neste trabalho, os elementos de soul e funk que foram apenas pincelados no disco antecessor, Burn (1974), são muito mais proeminentes. Além da faixa-título, o álbum Stormbringer teve um bom número de canções que receberam bastante circulação nas rádios, como "Lady Double Dealer", "The Gypsy" e "Soldier Of Fortune". Desta forma, Stormbringer chegou ao 6º lugar da principal parada de sucessos no Reino Unido, conquistando a 20ª posição na correspondente norte-americana.

No entanto, o guitarrista da banda, Ritchie Blackmore, não gostou nenhum pouco do álbum, especialmente dos elementos de soul e funk, execrando-o publicamente como "música de engraxate". Além disso, outro fator que desagradou profundamente Blackmore foi que seu desejo em regravar “Black Sheep of the Family”, da banda Quatermass, juntamente com a autoral “Sixteenth Century Greensleeves”, ambas prontamente rejeitadas pelo resto do Deep Purple.

Simultaneamente, Ronnie James Dio estava tocando em um grupo chamado Elf, o qual foi formado por ele mesmo em 1967, com o nome de The Electric Elves. Em 1975, a banda Elf estava trabalhando em seu terceiro (e que seria o último) álbum de estúdio, Trying to Burn the Sun (1975). O grupo havia lançado seu álbum de estreia, autointitulado, em 1972, apresentando uma sonoridade que encontrava o Hard Rock e o Blues Rock.

Rainbow: Formação do Álbum
O Elf conseguiu um moderado sucesso comercial, especialmente por ser constantemente a banda de abertura para o Deep Purple. Ali nascia o início de envolvimento entre Ritchie Blackmore e Ronnie James Dio.Com  a negativa do Deep Purple em regravar “Black Sheep of the Family”, Ritchie Blackmore decidiu, ainda em 1974, gravar a faixa sozinho.

Assim, Ronnie James Dio e o baterista Gary Driscoll, também do Elf, foram convidados a se juntarem a Blackmore nos Estados Unidos e gravarem com o guitarrista. O resultado das gravações, em conjunto com o ótimo ambiente, encantaram Ritchie Blackmore, que ao final do trabalho, deixou o local com a ideia de gravar um trabalho solo.

Ainda em 1974, Blackmore tomou aulas de violoncelo com Hugh McDowell, do ELO. Mais tarde, o guitarrista afirmou que quando se toca um instrumento musical diferente, há um sentimento refrescante, pois existe um senso de aventura em não saber exatamente o acorde que se está tocando. Estando satisfeito com os resultados das canções gravadas em Tampa, Blackmore decidiu recrutar os demais músicos da Elf e formar sua própria banda, ao invés de entrar em uma carreira-solo. Inicialmente, a banda foi nomeada como Ritchie Blackmore's Rainbow, para depois ser encurtado para apenas Rainbow.

Assim, em sua primeira versão, o grupo era formado pelo guitarrista Ritchie Blackmore e os demais músicos que compunham o Elf: Ronnie James Dio nos vocais, Micky Lee Soule no piano/teclado, Craig Gruber no baixo e Gary Driscoll na bateria. Desta forma, o Elf interrompeu as gravações de seu terceiro disco, Trying to Burn the Sun (1975), para gravar o primeiro trabalho do Rainbow.

A música do Rainbow foi parcialmente inspirada por música clássica (desde que Blackmore começou a tocar violoncelo para ajudá-lo a construir progressões de acordes interessantes), e Dio escreveu letras sobre temas medievais. Além disso, Dio possuía um alcance vocal versátil capaz de cantar tanto Hard Rock quanto baladas mais leves, e, de acordo com Blackmore, ao ouvir o vocalista: "eu senti arrepios na espinha."

As gravações foram feitas em Munique, na Alemanha, no Musicland Studios e duraram três semanas, entre fevereiro e março de 1975. Como o trabalho fluiu de maneira orgânica, Blackmore sentiu que deveria deixar o Deep Purple para se dedicar de forma integral ao seu novo projeto. Segundo o guitarrista: “Eu deixei o Deep Purple porque eu me encontrei com Ronnie Dio, e era tão fácil de trabalhar com ele. Ele foi originalmente só para fazer uma faixa de um LP solo, mas acabamos fazendo todo o LP em três semanas, e eu fiquei muito animado com tudo”.

Ronnie James Dio e Ritchie Blackmore
Curiosidades: 

Pela primeira vez, em 21 de junho de 1975, Ritchie Blackmore deixava o Deep Purple.

A arte da capa, obra de David Willardson, contém um clima de magia com castelo e arco-íris, influência direta da música lírica do período medieval.

Embora os singles não tenham feito mais barulho, o álbum foi bem em termo de paradas de sucesso. O disco acabou atingindo a muito boa 11ª posição da principal parada britânica de sucessos, conquistando a 30ª colocação na correspondente norte-americana. Ainda ficou com os 10º e 24º lugares nas paradas de Noruega e Suécia, respectivamente. O lançamento do vinil original possuía uma capa bem caprichada, embora reedições posteriores sob orçamento reduzido saíram com uma capa simples.

Muitas canções do álbum eram tocadas por line-ups posteriores do Rainbow. O álbum foi amplamente elogiado por seu conteúdo lírico de fantasia e pelo estilo de rock inovador. O vocalista Ronnie James Dio considerou seu álbum favorito do Rainbow.

Apesar do título, implicando o disco ser um lançamento solo de Ritchie Blackmore, em anos posteriores, Blackmore tem brincado declarando que as contribuições de Dio garantiriam um rebatismo do trabalho como "Ritchie Blackmore and Ronnie James Dio' Rainbow".

Após as gravações do álbum, o restante da banda que era o Elf retornou para finalizar seu terceiro disco de estúdio, Trying to Burn the Sun, que foi lançado em junho de 1975. Ronnie James Dio continuaria com o Rainbow e o Elf encerrava suas atividades por ali. A primeira formação do Rainbow, a qual gravou seu primeiro álbum, nunca fez um show juntos. A intensa troca de integrantes seria uma constante nos anos subsequentes do Rainbow.

Dio e Blackmore fizeram a promoção do álbum. Logo depois de seu lançamento, Blackmore não ficou feliz em transportar todo o line-up do Elf junto para as performances ao vivo. Assim, o guitarrista demitiu todo mundo do grupo, exceto Dio. Entre suas razões, Driscoll teria sido demitido por seu estilo R&B de tocar bateria e Gruber, devido ao seu jeito exagerado de 'funkeado' no baixo.

Para a primeira turnê mundial, que se iniciou em 10 de novembro de 1975, Blackmore recrutou o baixista Jimmy Bain, o tecladista Tony Carey e o baterista Cozy Powell, o qual já havia trabalhado com Jeff Beck. Esta também seria a formação que gravaria o segundo álbum da banda, o igualmente espetacular: Rising (1976).

Formação:
Ronnie James Dio - Vocal
Ritchie Blackmore - Guitarra
Micky Lee Soule - Piano, Mellotron, Órgão
Craig Gruber - Baixo
Gary Driscoll - Bateria

Músico Adicional:
Shoshana - Backing Vocals

Faixas:
01. Man on the Silver Mountain (Blackmore/Dio) - 4:42
02. Self Portrait (Blackmore/Dio) - 3:17
03. Black Sheep of the Family (Hammond) - 3:22
04. Catch the Rainbow (Blackmore/Dio) - 6:27
05. Snake Charmer (Blackmore/Dio) - 4:33
06. Temple of the King (Blackmore/Dio) - 4:45
07. If You Don't Like Rock n' Roll (Blackmore/Dio) - 2:38
08. Sixteenth Century Greensleeves (Blackmore/Dio) - 3:31
09. Still I'm Sad (Samwell-Smith/McCarty) - 3:51


Feminismo: Aplicativo de Salvamento

Serenas
Treinamentos sobre Salvaguarda e Prevenção de Violência de Gênero 
Parceria com a Hivos


Contexto

Organizações da sociedade civil que atuam com juventudes e justiça climática desempenham um papel fundamental na promoção de direitos, especialmente em contextos de alta vulnerabilidade. No entanto, esse campo de atuação também pode estar atravessado por dinâmicas de poder desiguais, que colocam meninas, mulheres e demais pessoas em situação de risco, inclusive dentro de ambientes comprometidos com os direitos humanos. Diante disso, é essencial que essas organizações estejam preparadas para prevenir e responder a situações de abuso, exploração e assédio, adotando políticas de salvaguarda eficazes.

Foi com esse entendimento que, em 2024, a Hivos buscou a Serenas para apoiar sua rede de organizações parceiras, no Brasil e globalmente, na construção e implementação de políticas de salvaguarda e na formação sobre violências baseadas em gênero.

Nossa atuação

A Serenas realizou dois treinamentos online voltados às organizações parceiras da rede: 

1 - Treinamento sobre a Política Global de Salvaguarda da Hivos 
2 - Treinamento sobre Violência Baseada no Gênero. 

Ambos os encontros foram conduzidos com linguagem acessível e foco prático, buscando promover o entendimento sobre os conceitos de abuso, exploração e assédio sexual, bem como estratégias institucionais de prevenção e resposta. para engajar e informar. Além disso, desenvolvemos seis videoaulas, abordando desde as raízes da violência até o autocuidado dos profissionais na linha de frente. Cada entrega foi pensada para oferecer ferramentas práticas e sensibilização, garantindo um acolhimento mais humano e eficiente às sobreviventes de violências.

O Construindo Ambientes seguros - Guia para Construção e Implementação de Políticas de Salvaguarda para Meninas e Mulheres foi elaborado para trazer informações e dicas de como criar ferramentas institucionais para o que chamamos de salvaguarda.

Ações deste tipo visam proteger a saúde e o bem-estar 
físico e mental de crianças e adultos em situação de vulnerabilidade, sem que nenhum dano seja provocado, por ação ou omissão, pelas organizações que realizam trabalhos humanitários e de desenvolvimento social.

Serenas - Cadastramento para uso do Aplicativo 

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Meio Ambiente: Wangari Maathai

Wangari Muta Maathai 
Pimeira mulher africana a receber o Nobel da Paz

A ambientalista liderou uma campanha para plantar mais de 50 milhões de árvores no Quênia.

A ambientalista queniana Wangari Maathai é um dos maiores nomes da conservação ambiental do mundo e a primeira mulher africana a receber o prêmio Nobel da Paz, em 2004. Nascida em abril de 1940, ela viveu até os 71 anos e morreu na cidade de Nairobi, capital queniana, em 2011.


Inspiração na infância

Em seu discurso durante o recebimento do Prêmio Nobel, em 2004, ela lembrou da infância nas florestas do centro do Quênia: ela buscava água em um córrego próximo de casa, observando sapos e girinos escaparem do balde. Quando cresceu, viu que o desafio era restaurar o habitat dos girinos e dar de volta às crianças a beleza do mundo.

Carreira

Maathai ganhou uma bolsa de estudos para estudar nos Estados Unidos, onde obteve um mestrado em biologia na Universidade de Pittsburgh. Lá, ficou impressionada com os esforços da cidade para restaurar a qualidade do ar. Ao voltar para o Quênia, obteve um doutorado em anatomia veterinária, a primeira mulher no leste e centro da África com tal título e a primeira a ocupar a diretoria do departamento de veterinária da Universidade de Nairobi. Em viagens a trabalho, percebeu a relação entre desflorestamento e pobreza.

Ativismo

A solução que ela encontrou para o problema ambiental foi muito prática: plantar muitas árvores. O Green Belt Movement fundado por ela pagava mulheres trabalhadoras rurais um pequeno salário para plantar árvores. O ato é pequeno, mas revolucionário, visto que as árvores preservam a água da chuva, fornecem comida e combustível. Quase 1 milhão de pessoas participaram do movimento e mais de 50 milhões de árvores foram plantadas até o momento.

Repressão

Além de ter tido problemas com o ex-marido, Maathai foi fortemente reprimida pelo presidente do Quênia, Daniel arap Moi. Quando ela criticou os planos do governo de construir arranha-céus em um parque de Nairobi, seu nome foi parar em uma lista de "inimigos" do governo, e ela foi presa sob acusações de traição. Chegou a apanhar de policiais, mas não parou de criticar os mandatários quenianos

Vida política

Nos anos 1990, Maathai oficialmente entrou para a política e fundou o Mazingira, um partido político ambientalista, e conseguiu um lugar no Parlamento do Quênia em 2002. Foi ministra do meio ambiente e, em 2004, venceu o Nobel da Paz por “sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, democracia e paz.” Se hoje plantar uma árvore virou quase sinônimo de fazer algo pelo meio-ambiente, é graças a ela: o movimento tem representações em outros 30 países. 

Canal Tempero Drag:

ELA REFLORESTOU UM PAÍS!!! 
Wangari Muta Maathai 
Programa - Mulheres Soda #17

domingo, 21 de setembro de 2025

HiStÓrIaS Do JaZz: Max Roach

Max Roach

The Drum Also Waltzes 

| Full Documentary | 
| American Masters | 
| (2023) |

O documentário Max Roach The Drum Also Waltzes, explora a vida e a música do lendário baterista de Jazz, Max Roach. Tornando-se líder de banda, sua trajetória se constrói através da luta contra o racismo e ativismo social.

Uma série notável de ápices criativos, lutas pessoais, reinvenções e movimentos sociais — da época das leis segregacionistas de "Jim Crow" aos anos dos Direitos Civis, dos dias inebriantes do jazz moderno do pós-guerra ao hip hop e além.


Breve Biografia

Max Roach (nascido em 10 de janeiro de 1924, Newland, Carolina do Norte, EUA — falecido em 16 de agosto de 2007, Nova York) foi um baterista e compositor de Jazz, um dos percussionistas modernos mais influentes e amplamente gravados.

Roach cresceu na cidade de nava york e, quando criança, tocava bateria em bandas gospel. No início da década de 1940, começou a se apresentar com um grupo de músicos inovadores, incluindo Charlie Parker e Dizzy Gillespie — em casas noturnas famosas como Monroe's Uptown House e Minton's Playhouse. 

Suas jam sessions deram origem ao Bebop, um estilo de jazz que transferiu a pulsação fixa do bumbo para o prato de condução e criou uma textura polirrítmica e percussiva explorando a flexibilidade do conjunto de bateria trap. Ao desenvolver cuidadosamente ideias temáticas em sua bateria, Roach elevou o percussionista ao nível de improvisadores melódicos.

Roach participou de gravações do quinteto de Parker em 1947-48 e no "Miles Davis Sessions" que mais tarde foram reunidas no álbum Birth of the Cool de 1957. Em 1954 tornou-se co-líder de um quinteto com o trompetista Clifford Brown. O grupo produziu uma série de gravações influentes e revolucionárias antes de um acidente de carro vitimar em 1956 Clifford Brown e outro membro da banda. 

Posteriormente, Roach formou outros conjuntos, muitos dos quais não incluíam um pianista. Em 1960, compôs com o letrista Oscar Brown Jr. "We Insist! Freedom Now Suite" para sua futura esposa, a vocalista Abbey Lincoln, com grupo vocal gospel, solistas instrumentais e uma banda. O tema da obra, igualdade racial, refletia o ativismo político de Max Roach. 

No início da década de 1970, ele fundou um conjunto de percussão, o M'Boom, com experimentações percussivas, e em 1972 começou a lecionar na Universidade de Massachusetts. Em 1980, embarcou em uma série de duetos com improvisadores de vanguarda como o pianista Cecil Taylor e o saxofonista Anthony Braxton.

Frequentemente envolvido em projetos inusitados, Roach se apresentou com um rapper e acompanhou leituras de poetas em saraus. Sua banda "Max Roach Double Quartet" foi única pela inclusão de músicos de cordas improvisadores. Roach continuou a fazer turnês no início do século XXI. Entre suas numerosas composições estavam obras para peças de teatro, filmes e peças de dança. 

Max Roach recebeu muitas honrarias, incluindo uma bolsa da Fundação MacArthur em 1988, fundação privada e independente criada em 1970 pelos filantropos John e Catherine MacArthur. A missão da Fundação MacArthur é “apoiar pessoas criativas e instituições eficazes comprometidas com a construção de um mundo mais justo, verdejante e pacífico”. Com sede em Chicago, a fundação também possui escritórios na Índia, México, Nigéria e Rússia.

sábado, 20 de setembro de 2025

BiOgRaFiA: Big Mama Thornton

Big Mama Thornton

Willie Mae Thornton (nascida em 11 de dezembro de 1926, Ariton, Alabama, EUA — falecida em 25 de julho de 1984, Los Angeles, Califórnia) foi uma influente cantora e compositora americana cujos vocais corajosos e estilo instrumental tiveram tremenda influência no Blues, R&B e Rock and Roll. 

Ignorada pelo público branco durante maior parte de sua vida, por conta de preconceitos e o  racismo, o trabalho de Big Mama Thornton inspirou diversos  artistas à cantar o Blues. Elvis Presley gravou uma versão arrasadora de "Hound Dog" e Janis Joplin explodiu comercialmente cantando "Ball and Chain". Essas gravações foram fundamentais para apresentar o Blues ao mundo e corroer a segregação racial.

Início da vida e música

Filha de um pastor, Thornton foi apresentada à música sacra ainda jovem. Inspirou-se em cantores clássicos do blues, como Bessie Smith e Memphis Minnie. Cantora e dançarina talentosa, gaitista autodidata, excursionou pelo sul dos Estados Unidos e pelo Circuito Chitli'n como integrante da Hot Harlem Revue de Sammy Green durante a década de 1940. Estabelecendo-se em Houston em 1948, foi influenciada por grandes nomes do blues como Lightnin' Hopkins, Lowell Fulson, Junior Parker e Clarence (“Gatemouth”) Brown.

A década de 1950 e “Hound Dog”

No início da década de 1950, Thornton começou a se apresentar com o líder da banda Johnny Otis, com quem gravou muitas canções para a Peacock Records. Entre elas, a composição de Jerrry Leiber e Mike Stoller " Hound Dog", um sucesso de R&B, número um nas paradas das rádios negras para Thornton em 1953 e um sucesso pop ainda maior em 1956 para Presley, cuja versão rock and roll deveu muito à versão original de Thornton. Alegadamente, Thornton recebeu apenas um cachê pela gravação, enquanto a versão de Presley lhe rendeu imensa fama e recompensas financeiras muito maiores.

A década de 1960 e “Ball and Chain”

À medida que o interesse pelo blues declinava, Thornton parou de gravar, mas continuou a se apresentar na área da Baía de São Francisco, onde chamou a atenção de Joplin, cuja versão do final dos anos 1960 da música escrita por Thornton “"Ball and Chain" reacendeu o interesse pela cantora de blues chamada "Big Mama" devido à sua envergadura, voz imponente e presença de palco. Embora se ressentisse do sucesso de outros artistas com suas canções, Thornton tinha muito mais respeito por Joplin, talvez porque Joplin fosse mulher e  mais explícita em reconhecer a admiração artística por Thornton.

Legado

As contribuições de Thornton para o desenvolvimento do rock and roll e da  música americana em geral encontraram seu caminho em outras formas de arte e cultura. Em 1981, Alice Walker publicou o conto "1955", que oferece uma narrativa ficcional de um jovem personagem, semelhante a Presley, que conhece um cantor de blues negro, claramente inspirado em Thornton. A cinebiografia de baz Luhrmann Elvis (2022) inclui uma cena memorável em que Thornton (interpretada por Shonka Dukureh) canta sua canção característica em um café na lendária Beale Street, em Memphis. 

Em 2024, Thornton foi introduzida no Hall da Fama do Rock and Roll , uma honra que muitos fãs de música consideravam já merecida há muito tempo.

Big Mama Thornton & Buddy Guy • Hound Dog • 1970 • RITY Archive


quarta-feira, 17 de setembro de 2025

HiStÓrIaS Do BrAsIl: Paulo Freire

Paulo Freire
| Documentário: Paulo Freire 100 Anos |

Paulo Freire foi professor das universidades de Harvard, nos Estados Unidos, e Cambridge, na Inglaterra, e teve mais de 40 títulos de doutor honoris causa em universidades como Oxford, na Inglaterra, e Coimbra, em Portugal. "Paulo Freire, 100 Anos" traz os principais estudiosos da obra do educador para explicar a sua importância e, ao mesmo tempo, os motivos dele estar sendo vítima de tantos ataques extremistas.

"Não me imitem, me refaçam"
(Paulo Freire)

Na semana em que se comemorou os cem anos de nascimento do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, a TV Cultura exibe um documentário inédito sobre o educador, produzido pelo departamento de jornalismo da emissora. 
Apresentada pelo jornalista e diretor Leão Serva. O livro Pedagogia do Oprimido é um marco na obra de Paulo Freire, um grande pensador brasileiro das ciências humanas e um dos mais reconhecidos em todo o planeta. 


segunda-feira, 15 de setembro de 2025

FEMINISMO: 🔥Marisa Monte

Marisa Monte
Discurso emocionante de respeito e empoderamento das Mulheres.


Biografia e página da Artista 

Marisa Monte,
Nascida no Rio de Janeiro, no dia 1º de julho de 1967, Marisa Monte desde cedo demonstrou interesse por música e, ainda criança, fez aulas de piano e bateria. Amava Maria Callas e Billie Holiday assim como Carmen Miranda e a música brasileira.

Com 18 anos, foi morar em Roma disposta a aprofundar os estudos de canto lírico. Antes de voltar para o Brasil, fez um show em Veneza, onde se reencontrou com o produtor Nelson Motta, que dirigiu seus primeiros shows profissionais no seu retorno, produzidos por Lula Buarque de Hollanda.

Logo na sua primeira apresentação no Jazzmania, no Rio de Janeiro, em setembro de 1987, a repercussão foi enorme: a nova sensação na cena musical brasileira. Rapidamente se tornou conhecida tanto pelo público jovem de rock como pelo público mais adulto de jazz e de MPB.

Marisa se apresentava no Teatro Villa Lobos e gravava ao vivo um especial de TV, exibido pela TV Manchete no final do ano, antes mesmo de seu primeiro disco ser lançado. “MM” (1989) trazia samba, jazz, black music, blues, soul, bossa nova e rock. Na turnê nacional e internacional emplacou seu primeiro grande sucesso, “Bem Que Se Quis” (“E Po’ Che Fa’”), versão de Nelson Motta para a canção do italiano Pino Daniele.

O lançamento de seu segundo disco “Mais” (1991) – com as primeiras parcerias com Nando Reis e Arnaldo Antunes – revelou Marisa Monte como compositora e com um estilo próprio, que refletia suas múltiplas influências musicais. Marisa emplacou outro grande sucesso popular com “Beija Eu”, parceria com Arnaldo Antunes e Arto Lindsay, e mais uma turnê consagradora.

O terceiro álbum “Verde, Anil, Amarelo, Cor de Rosa e Carvão” (1994) foi gravado em Nova York e no Rio de Janeiro e produzido por Marisa e Arto Lindsay. Com participações especiais de Gilberto Gil, Laurie Anderson, Philip Glass, Velha Guarda da Portela e conjunto Época de Ouro, marcou o início de sua parceria com Carlinhos Brown.


“Barulhinho Bom, Uma Viagem Musical” (1996) foi produzido por Marisa e Arto Lindsay e com capa do quadrinista Carlos Zéfiro, pseudônimo de Alcides Caminha. É um álbum híbrido, parte ao vivo com registros do show “Verde, Anil, Amarelo, Cor de Rosa e Carvão”, no Rio de Janeiro, e parte em estúdio, com sete canções inéditas na voz de Marisa, como “Magamalabares” de Carlinhos Brown e “Tempos Modernos” de Lulu Santos.

Marisa Monte se consolidou como produtora com os elogiados “Omelete Man” de Carlinhos Brown e, no ano seguinte, “Tudo Azul” da Velha Guarda da Portela.

O disco “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor” (2000), foi lançado pelo Phonomotor, o próprio Selo Musical da cantora. Apresentou ao público grandes sucessos como “Amor I Love You”, “Não Vá Embora” e “Não É Fácil”.

Marisa, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes lançaram o disco Tribalistas (2002) após inúmeras parcerias. O sucesso do CD foi nacional e internacional com uma coleção de hits, “Já Sei Namorar”, “Velha Infância” e “Passe em Casa”. Nesse mesmo ano, a paixão pela Portela, Escola de Samba do coração da cantora, resultou em mais dois discos produzidos por ela no Phonomotor: “Argemiro Patrocínio” e “Seu Jair do Cavaquinho

Marisa produziu e lançou dois projetos simultâneos e muito diferentes: “Universo Ao Meu Redor” que trazia uma profunda pesquisa do samba carioca e “Infinito Particular“ com músicas com Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Nando Reis, Adriana Calcanhotto, Marcelo Yuka e Seu Jorge, que resultou na sua volta aos palcos após o nascimento do primeiro filho.

“O Que Você Quer Saber de Verdade” foi produzido por Marisa e co-produzido pelo grande amigo e instrumentista Dadi. O disco aprofundou a relação de criação de Marisa com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Trouxe novidades como a primeira parceria com Rodrigo Amarante na canção “O Que Se Quer” e convidados como o produtor e multi instrumentista Gustavo Santaolalla, do grupo Café de Los Maestros e Miguel Atwood-Ferguson nos arranjos.

15 anos após o sucesso mundial do primeiro álbum, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown voltaram a se reunir em um disco autoral dos Tribalistas, lançado com uma transmissão ao vivo de grande impacto no Facebook dos artistas. A live foi vista simultaneamente, durante uma hora, por 6 milhões de fãs em 52 países. No repertório, mais sucessos, como “Aliança”, “Fora da Memória” e “Diáspora”. O grupo realizou uma turnê nacional e internacional no ano seguinte, lançando também o álbum “Tribalistas Ao Vivo” em 2018.

Durante mais de 30 anos, Marisa produziu e acumulou uma grande quantidade de arquivos de áudio, audiovisual, fotografias, partituras, áudios de canções sendo compostas, dentre outros, o que foi fundamental para dar vida ao projeto Cinephonia. São 30 canções que fizeram parte de trilhas sonoras dos registros audiovisuais de Marisa, mas que não estavam disponíveis em áudio streaming até junho de 2020.

“Portas” é o mais recente álbum solo de Marisa Monte, gravado durante a pandemia, com bases feitas em estúdio no Rio de Janeiro. Posteriormente, aconteceram sessões remotas em Lisboa, Los Angeles, Madri, Barcelona e Nova York. O trabalho conta ainda com arranjos de Arthur Verocai, Antonio Neves e Marcelo Camelo e participações especiais de Seu Jorge e Flor. O disco foi mixado entre Rio de Janeiro, Los Angeles e Nova York e a masterização também foi feita à distancia em Nova York.

domingo, 14 de setembro de 2025

HERMETO PASCOAL: O Bruxo da Música

O Bruxo da Música 

Nasce o Feiticeiro

A saga de um menino albino e estrábico, com problemas de visão e autodidata em música, que nasceu em 1936, em Olho D’Água, pequeno povoado de Lagoa da Canoa, na região de Arapiraca, em Alagoas, para ganhar o mundo com sua música livre e genial.

Célebre por usar, além de instrumentos tradicionais como teclado, flauta e violão, itens inusitados como água, xícaras, sua própria barba e outras bugigangas que inventa e improvisa, Hermeto se comunicava desde criança com o mundo natural, tendo pássaros, peixes e sapos como o primeiro público.

Lugar isolado

“Fui para lá, ainda é um lugar muito ermo”, diz o autor. “Conversei com parentes e pessoas que conheceram Hermeto e a família dele, e as histórias são incríveis. O pai de Hermeto tocava sanfona, mas o menino basicamente aprendeu tudo sozinho. E se Olho D’Água ainda é um lugar isolado hoje em dia, imagina em 1936?”

Nuzzi conta que o sobrenome da família era Da Costa, mas o menino ganhou, no cartório, o nome de Hermeto Pascoal porque o pai se chamava Pascoal da Costa. “Não sei se foi um erro do cartório ou uma confusão com os nomes”, diz Nuzzi, “mas o fato é que o cartório registrou o nome dele como Hermeto Pascoal. O irmão mais velho de Hermeto, Zé Neto, tem o sobrenome Da Costa”.

Aos 14 anos, Hermeto e Zé Neto, também albino, foram tentar a sorte como músicos em Recife e logo atraíram a atenção de outro gênio musical – e também albino –, Sivuca, que disse sobre Hermeto: “Assim que o vi, percebi que ele tinha dentro dele o fogo sagrado da música”.

Do Recife, Hermeto foi para o Sudeste, onde tocou em muitas boates e gravou discos no Rio e em São Paulo. Formou vários grupos, sendo um dos mais famosos o Quarteto Novo, ao lado de Airto Moreira, Heraldo do Monte e Theo de Barros.

“Antes desse período nos Estados Unidos, Hermeto usava cabelo curto, parecia tímido. Lá, ele mergulha no jazz, grava com Miles Davis e outros músicos geniais e retorna transformado. Tanto que, em 1973, de volta ao Brasil, grava um disco absolutamente fundamental, ‘A música livre de Hermeto Pascoal’. Ali o Hermeto se encontra”

Experimentação sonora

No Rio de Janeiro, a família se instalou numa casa no então remoto bairro Jabour, na Grande Bangu, Zona Oeste do Rio. A casa logo se tornou um ponto de encontro para músicos e local de experimentação sonora para Hermeto.

Nuzzi acredita que o grande salto criativo na carreira de Hermeto ocorre na virada dos anos 1960 para os 1970, quando ele passa dois ou três anos nos Estados Unidos, a convite do casal Airto Moreira e Flora Purim e volta com a ideia de libertar cada vez mais a sua música das amarras do comercialismo. “A mudança é nítida”, diz Nuzzi.

“Antes desse período nos Estados Unidos, Hermeto usava cabelo curto, parecia tímido. Lá, ele mergulha no jazz, grava com Miles Davis e outros músicos geniais e retorna transformado. Tanto que, em 1973, de volta ao Brasil, grava um disco absolutamente fundamental, ‘A música livre de Hermeto Pascoal’. Ali o Hermeto se encontra”.

Outros momentos marcantes da carreira do músico no período são, segundo o biógrafo, o show no Festival Internacional de Jazz realizado em 1978, em São Paulo, quando Chick Corea, John McLaughlin e Stan Getz fizeram questão de dar uma “canja”, e o concerto em 1979 no Festival de Montreux, na Suíça, que resultou não só no álbum “Hermeto Pascoal Montreux Ao Vivo”, como numa participação improvisada e antológica com Elis Regina.
Acompanhada apenas por Hermeto ao piano, Elis interpretou três canções clássicas da música brasileira – “Asa Branca”, “Corcovado” e “Garota de Ipanema” – que depois foram incluídas no álbum “Elis Regina: Montreux Jazz Festival”, lançado em março de 1982, logo após a morte da cantora.

“Essa noite com a Elis foi um presente que ganhei da vida”, diz Hermeto. Nuzzi conta que Hermeto foi literalmente empurrado ao palco por Claude Nobs, organizador do Festival de Montreux.

Além de um relato fascinante sobre a criação do universo musical de Hermeto Pascoal, que resultou em seus memoráveis shows e gravações com sons de animais e da natureza, “Quebra tudo!” conta a história de vida de um artista que batalhou muito para poder chegar ao estágio de ter total liberdade criativa sobre sua arte.

O voô do Mestre

Hermeto Pascoal morreu no sábado 13 de setembro de 2025, aos 89 anos. A informação foi divulgada pela família em nota oficial: "Com serenidade e amor, comunicamos que Hermeto Pascoal fez sua passagem para o plano espiritual, cercado pela família e por companheiros de música". O comunicado também destacou que, no instante da morte, o grupo de Hermeto se apresentava no palco, "como ele gostaria: fazendo som e música".

Em 2010 o músico recebeu do governo brasileiro a condecoração à Ordem do Mérito Cultural. 

"Hermeto Pascoal foi um dos maiores expoentes da música nacional, com uma trajetória marcada pela inovação e pelo diálogo com diferentes estilos. A música e a cultura brasileira devem muito a Hermeto Pascoal, que nos deixou neste sábado, dia 13, aos 89 anos. O talento e a incansável criatividade deste alagoano de Arapiraca o consagraram internacionalmente, e influenciaram gerações de músicos de todo o mundo”. 

A trajetória do artista foi marcada por sua capacidade de transformar a vida em música, fosse com instrumentos clássicos ou objetos improvisados do cotidiano. “Hermeto sempre nos ensinou a não deixar a tristeza dominar. Por isso, convido os brasileiros a celebrarem sua história e sua música. Minha solidariedade à família, aos amigos e a todos que foram inspirados por sua arte. O Brasil se despede com gratidão deste grande artista”, concluiu Luiz Inácio Lula da Silva (Presidente do Brasil).

Hermeto Pascoal

Jazz Fusion Brasileiro

Flora Purim/Hermeto Pascoal 

Open Your Eyes, You Can Fly 

(The Midnight Special, 1976)

Janis Ian introduz uma rara apresentação de Flora Purim no programa "The Midnight Special", exibido em 23 de abril de 1976 pela NBC. 

Banda:
Vocalista: Flora Purim
Flauta: Hermeto Pascoal 
Percussão: Airto Moreira 
Guitarra: David Amaro 
Teclados: Hugo Fattoruso 
Bateria: Jorge Fattoruso 
Baixo: Ringo Thielmann 
Vocais: Bonnie Bowden


sábado, 13 de setembro de 2025

Histórias do Blues: Buddy Guy | Documentário |

Buddy Guy 
The Blues Chase The Blues Away 
| Documentário |

Buddy Guy supera suas origens humildes como meeiro na década de 1940 para se tornar um lendário guitarrista de Blues que influenciaria inúmeros músicos, incluindo Jimi Hendrix e Eric Clapton.

Front Row Music: Construída em torno de artistas lendários e filmagens exclusivas que você não encontrará em nenhum outro lugar, a Front Row Music é o seu destino único para todas as apresentações de música ao vivo. Solos de guitarra de tirar o fôlego que fazem a casa cair? Nós temos tudo o que você precisa! Harmonias em oitavas agudas que fazem a plateia pular? Você encontrará aqui! Somos apaixonados por apresentações ao vivo e pela arte que une fãs do mundo todo por meio de música atemporal e universal.


quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Beth Hart and Jeff Beck

Beth Hart

Beth Hart and Jeff Beck

I’d Rather Go Blind (Buddy Guy Tribute) 
Kennedy Center Honors - 2012 -



Se você já viu Beth Hart ao vivo ou se aprofundou em sua música, sabe que ela coloca cada grama do seu ser em suas canções. Além de todos esses superpoderes de empatia, ela também precisa de alguém para segurá-la quando cai. Incendiários inspiram; é o que atrai as pessoas. No entanto, parte da constituição dessas personalidades é que elas não usam cintos de segurança. Elas prosperam na liberdade e no espaço ao seu redor. Mas, com isso, vem o perigo; você precisa de um tapete de choque emocional, e eles salvam vidas. É algo que todos nós precisamos em algum momento da vida.

Beth diz sobre a faixa-título: “Esta é uma história real. Tive um momento em que não estava de bom humor, e estava no sofá, chorando muito, e o Scott disse: 'Ei, você precisa de um abraço?'. Eu disse: 'Não tenho mais nada dentro de mim para amar', e ele disse: 'Você ainda me tem'. Eu disse: 'Espere um minuto; já volto'. Desci as escadas e usei essas palavras e como ele as disse. Você diz algo assim, e alguém que você ama responde, mas você ainda me tem. É verdade. Se eu ainda o tenho, ainda tenho tudo.”

Você pode ver isso no vídeo de "You Still Got Me", que apresenta de forma comovente seu amado marido, Scott. Junto com a equipe ao seu redor, eles fornecem essa superfície para ela se apoiar quando precisa. Seus fãs a adoram, e o sentimento é replicado. Você pode ver isso noite após noite em turnê; a adulação que ela recebe e que também retribui, e é por isso que existe um vínculo como poucos outros artistas têm. Essa conexão foi forjada ao longo dos últimos 28 anos lançando músicas nas quais ela carrega seu coração sem remorso – como uma guerreira. Que é exatamente o que ela é.

Não tem problema não estar bem. Não tem problema lutar às vezes, e é preciso uma força enorme para se abrir e ajudar. Estender a mão para alguém segurá-la é força. Isso é algo que todos nós podemos aprender.

Beth diz sobre seu processo de composição: “Eu nunca escrevo pensando que vai virar um álbum ou que vai chegar às pessoas. Quando escrevo, é sempre pela alegria de escrever ou pelo desafio de escrever, para buscar o que está acontecendo. Às vezes, eu vou justamente quando estou triste ou com medo. Se eu dou uma olhada no piano, às vezes ele se revela. Às vezes uma música surge, às vezes não. De qualquer forma, há conforto nisso.”

Beth explica a mensagem contida nas músicas: “Deixo isso para o ouvinte decidir. Pessoalmente, eu sei para que serve agora. Uma das coisas bonitas que adoro em músicas e álbuns é que, com o tempo, esse significado muda. Gosto de manter isso em aberto porque posso aprender muito com isso. Muitas vezes, quando componho uma música, acho que sei o que ela significa para mim naquele momento. Mas um ano se passa, e ela significa algo totalmente diferente.”

Não é preciso procurar muito para encontrar momentos de luz do dia ao longo do álbum. Você pode vê-la na música "Little Heartbreak Girl", que atravessa as nuvens como lanças de esperança e poder. "Little Heartbreak Girl, you're on your own", ela anseia, mas prossegue com "Little heartbreak girl, stronger than stone". Ainda assim, é a letra "You're gonna conquer the world" (Você vai conquistar o mundo), espalhada por toda a música, que se destaca no topo da montanha, fincando uma bandeira na pedra.

O funk decadente e carregado de groove de "Suga N My Bowl" conta com os dedos de fogo e destreza do mago canhoto e amigo de longa data Eric Gales. Gales diz: "É realmente uma honra fazer parte de algo que tenha a ver com a nossa amiga Beth Hart. Ela entrou em contato conosco, nos contando sobre essa música poderosa que ela estava escrevendo e trabalhando, e ela sentiu que era perfeita para mim. É claro que, quando a ouvi, eu disse: COM CERTEZA!!! Beth, LaDonna e eu somos boas amigas há algum tempo. E nós a amamos. Estou muito honrada por ela ter pensado em mim para participar. É uma música muito poderosa!"

“O Eric Gales é foda, e eu fui muito abençoada”, diz Hart. “Eu não estava lá, pois a música foi enviada para outro estúdio. Ouvi isso da esposa dele, a linda, talentosa e foda, LaDonna. Ele chegou, eles tocaram os primeiros compassos da música, e ele disse, tudo bem, eu entendi, e fez uma tomada, e ele disse, terminei, te vejo mais tarde”, ela ri. “É assim que o Eric Gales é fenomenal. Eu o amo. Eu o adoro e o respeito loucamente.”

"You Still Got Me" é o décimo primeiro álbum de estúdio de Hart, e aqui e agora, ele a encontra trilhando uma trajetória de carreira que já vem caminhando para as estrelas há vários anos e continua decolando. Seus álbuns mais recentes, "A Tribute To Led Zeppelin" (2022) e "War In My Mind" (2019), tornaram-se seus lançamentos de maior sucesso nas paradas do Reino Unido e dos EUA até hoje, além de entrarem no Top 10 na Alemanha e França, Suécia, Bélgica, Suíça, Polônia, Áustria e Holanda.

O álbum explode com o rock eletrizante "Savior With A Razor", com Slash, do Guns n' Roses. Ela rosna a letra: "Desenterre meus ossos ruins do lixo, venda minha alma doente, fique com o dinheiro, beije o pregador, beije minha bunda, eu sou uma fúria, como um salvador, com uma navalha, estou derrubando o diabo." O hino épico, ao estilo de James Bond, troveja com um desafio niilista enquanto os vocais de Beth conduzem o ouvinte através das sombras e atravessam o teto enquanto a guitarra de Slash envolve a história de forma eletrizante.

Falando sobre trabalhar com Beth, Slash diz: “Beth Hart é uma das minhas artistas favoritas para trabalhar. Ela é uma cantora/letrista incrível em muitos aspectos. Mas Beth também é uma amiga sincera e genuína. Ela é incrível.”

“O Slash é um verdadeiro jogador de equipe”, Beth elogia. “Conheci pessoas incríveis neste ramo, que são figurões, e esse cara é o melhor jogador de equipe que já conheci. Ele é simplesmente um cara durão, sem ego nenhum, e entende muito de assuntos delicados. Eu tive muita sorte. Entrei em contato e perguntei: 'Ei, cara, você tem algum interesse?', e ele topou. Ele estava totalmente envolvido, e eu fiquei chocada.”

A bela balada de piano 'Wonderful World' transborda otimismo. "Essa música foi escrita para e sobre minha linda sobrinha", diz ela. "No entanto, com o passar do tempo, percebo que, na verdade, foi escrita para a linhagem das mulheres da minha família. Em toda a linhagem: minha bisavó, minha avó, minha mãe, minhas irmãs, minha sobrinha e sua filha. Então, é a linhagem e como é imperativo para mim ver isso, e que presente finalmente ver isso."

Ela oferece um conto de advertência em "Never Underestimate a Gal", enquanto "Drunk on Valentine", ao estilo de Tom's Waits, é uma balada de bar suave, jazzística e esfumaçada. Sua "música mais pessoal e poderosa do álbum" é a assombrosa obra sociopolítica "Don't Call The Police", uma observação incrivelmente crua, perturbadora, mas essencial, sobre o assassinato de George Floyd – "Fiquei com o coração partido. Como você pode assistir a isso e não ficar com o coração partido por ele, sua família e todos os outros em campo?", explica ela.

Movendo corações e almas em todo o mundo, suas turnês a levaram por todo o mundo, lotando salas em locais icônicos como o Ryman Auditorium de Nashville, o Ziggo Dome de Amsterdã e o Royal Albert Hall de Londres. Com shows esgotados no mundo todo, suas viagens recentes a levaram pelos EUA, Europa e Índia, Marrocos, Austrália e Canadá.

"You Still Got Me" foi gravado em 2023 e produzido por Kevin Shirley no Ocean Way Studios em Nashville, Tennessee – instalado em uma igreja centenária de pedra cinza, em estilo gótico revival, no coração da Music Row. A relação de trabalho de Beth com Kevin Shirley remonta aos seus três álbuns em colaboração com Joe Bonamassa (Don't Explain, Seesaw e Black Coffee) e ao seu álbum de estúdio de 2012, Bang Bang, Boom Boom.

Shirley a chama de "Diamante. Uma contradição viva". Ele continua: "Ela é áspera e dura no fundo – brilhante, sofisticada e polida na apresentação. Beth é uma das musicistas mais formidáveis ​​com quem já trabalhei. Imensamente talentosa e talentosa. Acho que este álbum mostra todas as facetas da joia gigante que é Beth Hart. Faixas afiadas como a lâmina de uma espada de samurai, baladas suaves e sensuais e mensagens emocionais tocantes tornaram a gravação deste álbum uma das mais especiais que já fiz. Você tem que amá-la. Não há ninguém como ela, e ela é a melhor."

“Sou sempre muito controladora e protetora com as músicas”, diz Beth. “Uma das coisas que o Kevin me disse foi: ‘Você precisa ter certeza de que isso vai ser muito divertido. Divirta-se. Deixe rolar. Não seja tão protetora com essas músicas, como uma mãe urso.’ Eu realmente tive que refletir sobre isso, mas deixei rolar e, graças a Deus, consegui. O Kevin é foda. Ele também tinha uma banda ótima. Fenomenal.”

Existe uma conexão eletrizante entre Beth e seus fãs, quase incomparável. Sua capacidade de tocar as pessoas com sua música e palavras que tocam direto no coração significa que ela vive cada palavra que canta, e os fãs se apegam a cada palavra, vivendo-a com ela. "You Still Got Me" oferece aos fãs a chance de abraçá-la e confortá-la enquanto ela continua a navegar em sua jornada com graça e coragem.

Todos nós temos o nosso "Eu" quando ela canta "You still got me" – um ente querido, um amigo, um animal de estimação, um lugar, uma memória, uma música... mesmo em seus momentos de fragilidade, Beth Hart continua a inspirar. Ela enterra a mão fundo e expõe suas emoções para que todos possamos nos ver como um espelho, lembrando-nos de que você pode se sentir mal, mas sua força interior é muito mais poderosa.

Hart, multipremiada e indicada ao Grammy, é reconhecida como uma das vozes mais talentosas de sua geração; ela tocou de acordo com suas próprias regras. Ela colaborou com lendas e ícones, viajou o mundo, liderou as paradas de blues da Billboard seis vezes, conquistou disco de platina duplo e teve uma série de álbuns no Top 10 das paradas em toda a Europa, no Top 30 das paradas oficiais da Billboard nos EUA, ultrapassando 600 milhões de streamings, número que continua crescendo.

Beth Hart é uma potência em todos os sentidos da palavra, e... ela é uma BADASS gigantesca!

https://www.bethhart.com/