Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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sábado, 29 de agosto de 2026

Ronnie James Dio


Ronnie James Dio
' O baixinho gigante do rock'n roll '

Dio foi um cantor, compositor e músico estadunidense, mais conhecido por liderar diversas bandas lendárias ao longo dos anos, incluindo Elf, Rainbow, Black Sabbath, Heaven and Hell e sua própria banda, DIO.
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Trajetória e carreira artística.

Embora seus pais fossem de Cortland, Nova York, Ronald James Padavona nasceu em Portsmouth, New Hampshire, onde sua família residiu devido ao serviço de seu pai no Exército dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Logo retornaram a Cortland. A carreira musical de Ronnie começou em 1957 como parte da banda Vegas Kings (mais tarde Ronnie and The Rumblers). Em 1967, ele formou a banda Elf, que se tornou uma presença constante como banda de abertura do Deep Purple. 

Em 1975, o guitarrista do Deep Purple, Ritchie Blackmore, fundou a banda Rainbow e convidou Ronnie como vocalista. Durante sua passagem pela banda, foram lançados três álbuns de estúdio que se tornaram lendários. Dio rapidamente se consolidou como um dos vocalistas mais importantes do heavy rock. Em 1979, Dio substituiu Ozzy Osbourne como vocalista do Black Sabbath e participou de três álbuns de estúdio de sucesso. Em 1982, Ronnie deixou o Black Sabbath para formar sua própria banda, Dio, que vendeu mais de 20 milhões de discos em todo o mundo.

Ronnie é considerado um dos maiores e mais influentes artistas de heavy metal de todos os tempos, e é conhecido por popularizar o gesto de mão "Chifres do Metal", usado mundialmente na cultura do metal e do rock. Ronnie disse que adotou o gesto de sua avó italiana, que frequentemente o usava para afastar o mau-olhado (conhecido na Itália como Maloik).


Em 1985, Ronnie organizou o projeto Hear 'n Aid, a resposta do mundo do metal a outras iniciativas de caridade, como o Band Aid e o USA for Africa. O projeto Hear 'n Aid e o álbum beneficente arrecadaram mais de 2 milhões de dólares em um ano para o combate à fome na África.

A carreira de Ronnie abrangeu mais de 50 anos, com mais de 50 milhões de discos vendidos. Durante esse período, ele recebeu inúmeras distinções e prêmios. Foi incluído no Hall da Fama da cidade de Cortland em 2004 e uma rua foi nomeada em sua homenagem, chamada "Dio Way". A revista Classic Rock concedeu a Ronnie o "Prêmio Guru do Metal" em sua cerimônia anual de premiação Roll of Honour em 2006. 

Em 2007, Ronnie foi incluído na Calçada da Fama do Rock de Hollywood, onde suas impressões digitais foram imortalizadas no cimento em frente à Guitar Center na Sunset Boulevard, em Hollywood, Califórnia. Ronnie foi nomeado o "Melhor Vocalista de Metal" no Revolver Golden Gods Awards de 2010 por seu trabalho no álbum The Devil You Know, da banda Heaven and Hell. Ronnie aceitou o prêmio pessoalmente naquela que seria sua última aparição pública, apenas um mês antes de seu falecimento.


Após a banda Heaven and Hell ter que cancelar sua apresentação no Bloodstock Open Air Festival, no Reino Unido, devido à morte de Ronnie, o festival decidiu homenageá-lo nomeando seu palco principal. O Masters of Rock Festival também leva o nome de Ronnie desde 2010.

Em 23 de outubro de 2010, a cidade de Kavarna, na Bulgária, inaugurou uma enorme estátua de bronze de Ronnie no coração do parque central. Construída em bronze e pedra, a estátua serve como ponto de encontro para muitos fãs, que se reúnem no local no aniversário de Ronnie para celebrar sua música e seu legado.

Em 2010, a Câmara Municipal declarou o dia 30 de maio como o “Dia de Ronnie James Dio” em Los Angeles.

Duas semanas após a morte de Ronnie, uma cerimônia pública em sua memória foi realizada no Hall da Liberdade, em Forest Lawn Hollywood Hills, Los Angeles. O salão estava lotado, com muitos outros fãs assistindo à homenagem do lado de fora, em vários telões instalados nas laterais leste e oeste.

Quando a voz de Ronnie foi silenciada em 2010, vítima de câncer gástrico, seus inúmeros fãs ao redor do mundo canalizaram sua dor em milhares de dólares em doações em sua memória. O resultado foi a criação do Fundo de Combate ao Câncer Ronnie James Dio Stand Up and Shout. Até o momento, o fundo arrecadou mais de US$ 2.000.000 e destinou recursos para pesquisas sobre câncer realizadas pela Fundação TJ Martell e pelo MD Anderson Cancer Center em Houston, Texas, onde Ronnie foi tratado durante os últimos seis meses de sua vida. Mais recentemente, o Fundo de Combate ao Câncer Dio destinou verbas para um projeto de pesquisa na Faculdade de Odontologia da UCLA, com o objetivo de desenvolver um teste de saliva inovador e não invasivo para a detecção precoce do câncer, e continuará apoiando organizações comprometidas com a pesquisa e a educação sobre o câncer.

A autobiografia, 2021.
O Dio Cancer Fund continua a organizar eventos de caridade anuais para angariar fundos para a pesquisa do câncer, como um torneio de boliche com celebridades chamado Bowl for Ronnie e o Ride For Ronnie, onde centenas de motociclistas percorrem Los Angeles em prol da caridade até um parque onde milhares de fãs se reúnem para uma tarde de música ao vivo para celebrar o legado de Ronnie.

A autobiografia de Ronnie James Dio se chama: Rainbow in the Dark: A Autobiografia. O vocalista começou a escrever a obra antes de falecer em 2010, porém o escritor musical Mick Wall finalizou o projeto. A viúva e empresária Wendy Dio ajudou com memórias e escreveu o prefácio. O livro conta a infância de Ronnie em Nova York. Mostra o início tocando baixo e a mudança para o microfone. Detalha passagens por bandas famosas como Rainbow, Black Sabbath e a banda solo Dio.

“Não foram apenas suas vozes poderosas que o tornaram Ronnie James Dio – foi seu fervor moral... o que sempre se destacou foi a profunda compaixão de Dio pelas crianças perdidas do rock and roll em sua plateia. Dio nunca fingiu ser uma dessas crianças – ele cantava como um adulto, assegurando-nos que não estávamos sozinhos em nosso sofrimento e que um dia poderíamos até nos orgulhar de superá-lo”.

Eu poderia ter sido um sonhador,

Eu poderia ter sido aquele que voou.

Eu poderia ter sido um sonhador,

Porque os sonhadores nunca morrem.

– Ronnie James Dio


quarta-feira, 24 de setembro de 2025

DiScOs InCrÍvEiS: Ritchie Blackmore's Rainbow


Ritchie Blackmore's 
Rainbow - 1975

Ritchie Blackmore's Rainbow é o álbum de estreia da banda britânica chamada Rainbow. Seu lançamento oficial se deu em 4 de agosto de 1975, através dos selos Oyster (Reino Unido) e Polydor Records (Internacional). As gravações ocorreram entre 20 de fevereiro e 14 de março daquele mesmo ano, no Musicland Studios, em Munique, na Alemanha. A produção ficou por conta de Martin Birch, Ronnie James Dio e de Ritchie Blackmore.

"O Rainbow é uma das mais fantásticas bandas da história do Rock"

Stormbringer, o nono álbum de estúdio do Deep Purple, foi lançado em novembro de 1974. Neste trabalho, os elementos de soul e funk que foram apenas pincelados no disco antecessor, Burn (1974), são muito mais proeminentes. Além da faixa-título, o álbum Stormbringer teve um bom número de canções que receberam bastante circulação nas rádios, como "Lady Double Dealer", "The Gypsy" e "Soldier Of Fortune". Desta forma, Stormbringer chegou ao 6º lugar da principal parada de sucessos no Reino Unido, conquistando a 20ª posição na correspondente norte-americana.

No entanto, o guitarrista da banda, Ritchie Blackmore, não gostou nenhum pouco do álbum, especialmente dos elementos de soul e funk, execrando-o publicamente como "música de engraxate". Além disso, outro fator que desagradou profundamente Blackmore foi que seu desejo em regravar “Black Sheep of the Family”, da banda Quatermass, juntamente com a autoral “Sixteenth Century Greensleeves”, ambas prontamente rejeitadas pelo resto do Deep Purple.

Simultaneamente, Ronnie James Dio estava tocando em um grupo chamado Elf, o qual foi formado por ele mesmo em 1967, com o nome de The Electric Elves. Em 1975, a banda Elf estava trabalhando em seu terceiro (e que seria o último) álbum de estúdio, Trying to Burn the Sun (1975). O grupo havia lançado seu álbum de estreia, autointitulado, em 1972, apresentando uma sonoridade que encontrava o Hard Rock e o Blues Rock.

Rainbow: Formação do Álbum
O Elf conseguiu um moderado sucesso comercial, especialmente por ser constantemente a banda de abertura para o Deep Purple. Ali nascia o início de envolvimento entre Ritchie Blackmore e Ronnie James Dio.Com  a negativa do Deep Purple em regravar “Black Sheep of the Family”, Ritchie Blackmore decidiu, ainda em 1974, gravar a faixa sozinho.

Assim, Ronnie James Dio e o baterista Gary Driscoll, também do Elf, foram convidados a se juntarem a Blackmore nos Estados Unidos e gravarem com o guitarrista. O resultado das gravações, em conjunto com o ótimo ambiente, encantaram Ritchie Blackmore, que ao final do trabalho, deixou o local com a ideia de gravar um trabalho solo.

Ainda em 1974, Blackmore tomou aulas de violoncelo com Hugh McDowell, do ELO. Mais tarde, o guitarrista afirmou que quando se toca um instrumento musical diferente, há um sentimento refrescante, pois existe um senso de aventura em não saber exatamente o acorde que se está tocando. Estando satisfeito com os resultados das canções gravadas em Tampa, Blackmore decidiu recrutar os demais músicos da Elf e formar sua própria banda, ao invés de entrar em uma carreira-solo. Inicialmente, a banda foi nomeada como Ritchie Blackmore's Rainbow, para depois ser encurtado para apenas Rainbow.

Assim, em sua primeira versão, o grupo era formado pelo guitarrista Ritchie Blackmore e os demais músicos que compunham o Elf: Ronnie James Dio nos vocais, Micky Lee Soule no piano/teclado, Craig Gruber no baixo e Gary Driscoll na bateria. Desta forma, o Elf interrompeu as gravações de seu terceiro disco, Trying to Burn the Sun (1975), para gravar o primeiro trabalho do Rainbow.

A música do Rainbow foi parcialmente inspirada por música clássica (desde que Blackmore começou a tocar violoncelo para ajudá-lo a construir progressões de acordes interessantes), e Dio escreveu letras sobre temas medievais. Além disso, Dio possuía um alcance vocal versátil capaz de cantar tanto Hard Rock quanto baladas mais leves, e, de acordo com Blackmore, ao ouvir o vocalista: "eu senti arrepios na espinha."

As gravações foram feitas em Munique, na Alemanha, no Musicland Studios e duraram três semanas, entre fevereiro e março de 1975. Como o trabalho fluiu de maneira orgânica, Blackmore sentiu que deveria deixar o Deep Purple para se dedicar de forma integral ao seu novo projeto. Segundo o guitarrista: “Eu deixei o Deep Purple porque eu me encontrei com Ronnie Dio, e era tão fácil de trabalhar com ele. Ele foi originalmente só para fazer uma faixa de um LP solo, mas acabamos fazendo todo o LP em três semanas, e eu fiquei muito animado com tudo”.

Ronnie James Dio e Ritchie Blackmore
Curiosidades: 

Pela primeira vez, em 21 de junho de 1975, Ritchie Blackmore deixava o Deep Purple.

A arte da capa, obra de David Willardson, contém um clima de magia com castelo e arco-íris, influência direta da música lírica do período medieval.

Embora os singles não tenham feito mais barulho, o álbum foi bem em termo de paradas de sucesso. O disco acabou atingindo a muito boa 11ª posição da principal parada britânica de sucessos, conquistando a 30ª colocação na correspondente norte-americana. Ainda ficou com os 10º e 24º lugares nas paradas de Noruega e Suécia, respectivamente. O lançamento do vinil original possuía uma capa bem caprichada, embora reedições posteriores sob orçamento reduzido saíram com uma capa simples.

Muitas canções do álbum eram tocadas por line-ups posteriores do Rainbow. O álbum foi amplamente elogiado por seu conteúdo lírico de fantasia e pelo estilo de rock inovador. O vocalista Ronnie James Dio considerou seu álbum favorito do Rainbow.

Apesar do título, implicando o disco ser um lançamento solo de Ritchie Blackmore, em anos posteriores, Blackmore tem brincado declarando que as contribuições de Dio garantiriam um rebatismo do trabalho como "Ritchie Blackmore and Ronnie James Dio' Rainbow".

Após as gravações do álbum, o restante da banda que era o Elf retornou para finalizar seu terceiro disco de estúdio, Trying to Burn the Sun, que foi lançado em junho de 1975. Ronnie James Dio continuaria com o Rainbow e o Elf encerrava suas atividades por ali. A primeira formação do Rainbow, a qual gravou seu primeiro álbum, nunca fez um show juntos. A intensa troca de integrantes seria uma constante nos anos subsequentes do Rainbow.

Dio e Blackmore fizeram a promoção do álbum. Logo depois de seu lançamento, Blackmore não ficou feliz em transportar todo o line-up do Elf junto para as performances ao vivo. Assim, o guitarrista demitiu todo mundo do grupo, exceto Dio. Entre suas razões, Driscoll teria sido demitido por seu estilo R&B de tocar bateria e Gruber, devido ao seu jeito exagerado de 'funkeado' no baixo.

Para a primeira turnê mundial, que se iniciou em 10 de novembro de 1975, Blackmore recrutou o baixista Jimmy Bain, o tecladista Tony Carey e o baterista Cozy Powell, o qual já havia trabalhado com Jeff Beck. Esta também seria a formação que gravaria o segundo álbum da banda, o igualmente espetacular: Rising (1976).

Formação:
Ronnie James Dio - Vocal
Ritchie Blackmore - Guitarra
Micky Lee Soule - Piano, Mellotron, Órgão
Craig Gruber - Baixo
Gary Driscoll - Bateria

Músico Adicional:
Shoshana - Backing Vocals

Faixas:
01. Man on the Silver Mountain (Blackmore/Dio) - 4:42
02. Self Portrait (Blackmore/Dio) - 3:17
03. Black Sheep of the Family (Hammond) - 3:22
04. Catch the Rainbow (Blackmore/Dio) - 6:27
05. Snake Charmer (Blackmore/Dio) - 4:33
06. Temple of the King (Blackmore/Dio) - 4:45
07. If You Don't Like Rock n' Roll (Blackmore/Dio) - 2:38
08. Sixteenth Century Greensleeves (Blackmore/Dio) - 3:31
09. Still I'm Sad (Samwell-Smith/McCarty) - 3:51