TERRENO BALDIO
breve, mas intenso!
Banda que nos traz as inspirações e influências de bandas inglesas do rock progressivo como Genesis, Van Der Graaf Generator e Gentle Giant. Banda de extrema personalidade e sonoridade própria trazendo as características da música brasileira.
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Breve mas intenso...
Em 1973, João Carlos "Fusa" Kurk (vocais e flauta), Roberto Lazzarini (teclados) e Joaquim Correia (bateria), ex-companheiros da banda de baile Islanders, convidam Mozart Mello (guitarras) e João Ascenção (baixo) para formarem o Terreno Baldio.
O trio conheceu Mello e Ascenção durante uma turnê e gravações para o álbum do cantor e compositor, Pete Dunaway. Todos vinham de experiências com o rock progressivo, e assim surgiu a ideia de montar um grupo voltado para o estilo.
A primeira apresentação ocorreu em 1974, num palco metálico montado no Parque do Ibirapuera, especialmente para o evento "Festival do Cometa", que reuniu várias bandas de rock da época. O nome da banda veio de uma lenda de um ser místico chamado Aqueloo, que limpa o terreno dos rios e mares durante as noites com rituais de danças mágicas e que todos nós teríamos nossos próprios terrenos baldios, local de auto depuração.
Em 1975, o grupo entrou em estúdio para gravar o álbum de estreia, Terreno Baldio, lançado pelo selo Pirata Gravações Musicais Ltda., com prensagem de apenas 3 mil unidades. A produção ficou a cargo de Cesare Benvenuti, um nome muito ligado ao repertório internacional para gravadoras e rádios nacionais. A arte da capa foi feita pelo artista Beny Tchaicovsky, traduzindo toda a essência e loucura do disco. O álbum se tornaria lendário, uma referência no estilo prog-rock.
Tomando influências de Camel e Genesis no lado melódico, de Gentle Giant no uso de contrapontos estilosos e até o jazz-fusion num viés mais jazzístico, o Terreno Baldio criou algo diferenciado intimamente relacionado às raízes do nosso folclore. Havia a típica exibição de virtuosismo técnico, e as ideias musicais eram inteligentes e criativas, em arranjos sofisticados e complexos, toques sonhadores, grande intensidade, sem permitir que as influências transformem-se em meras imitação.
A banda realmente tinha uma qualidade técnica e sonora à cima da média, e o resultado do álbum foi excelente. Músicas tecnicamente desafiadoras, ritmos inquietos, vocais poéticos e letras que alternavam reflexões conceituais sobre um pássaro azul e um homem em busca de algo na vida, onde ambos encontravam um terreno baldio ao final - claro que todos estes elementos poéticos remetiam à falta de liberdade e à oposição ao regime militar que assombrava a arte/cultura e os artistas brasileiros. Um trabalho imprevisível, eclético, com elementos bem peculiares, direções engenhosas e de alta qualidade.
Ainda em 75, a banda participou do Festival Banana Progressiva, ocorrido no Teatro da FGV, em São Paulo. O evento apresentou parte do que havia de Prog-Rock na música brasileira como os grupos Vímana, A Bolha, Som Nosso de Cada Dia e A Barca do Sol entremeados de outros grupos instrumentais e de vanguarda como Hermeto Paschoal e Jazco, e inclusive contando com a presença de Erasmo Carlos & Cia. Paulista de Rock.
O ecletismo sonoro da banda funde elementos eruditos aos jazzísticos e a ritmos e harmonias extraídos da música popular e regionais brasileira; tais como o Xaxado e o Baião, incluindo instrumentos de percussão típicos do nosso folclore. Os elementos poéticos remetem-se a temas daquele período e citam a liberdade, em oposição à ditadura, a solidão e o meio ambiente citando a poluição em alusão à vida em grandes cidades, como São Paulo.
No próximo registro, Além das Lendas Brasileiras - 1978, o tema conceitual do álbum foi encomendado pela gravadora (Continental/Warner) ao fechar contrato com o grupo. Naquele momento, Ascenção já havia sido substituído po Rodolfo Braga (ex-Joelho de Porco) no contrabaixo (início de 76). O novo repertório incluiu, além de temas do folclore nacional, a canção Passaredo, de Francis Hime e Chico Buarque, num arranjo original - temas que ficavam cada vez mais vinculados à preservação da natureza. Ao final de 1979, o grupo dissolve-se em função do declínio do progressivo junto às mídias e em função de um novo panorâma que se delineava junto ao universo pop.
Em 1993, o grupo reuniria-se parcialmente (Kurk, Lazzarini, Mello) - incluindo Renato Muniz no baixo e Ricardo Brasa na bateria - para um novo registro do álbum de 76, versão em inglês junto ao selo Progressive Rock Worldwide, visando o mercado europeu. O álbum inclui faixas extras e constutiu-se, portanto, no terceiro trabalho a ser gravado. Logo em seguida, a gravadora Rock Synphony, sediada em Niteroi, após longa pesquisa e sofisticada produção, relança o primeiro trabalho em versão cd, remasterizado na Itália pelo seu produtor original - Cesare Benvenuti.
No corrente ano de 2008, o grupo reuniu-se novamente para participar da VIrada Cultural, em São Paulo. Apresentou-se na Praça da República com a seguinte formação: Mozart Mello (guitarra), Lazzarini (teclados), Kurk (vocal), Cassio Poleto (violino) Renato Muniz (baixo) e Edson Guilard (bateria) - basicacemente, executou o repertório do primeiro LP - destacando-se “Este é o Lugar” e “Grite”. Com novas apresentações marcadas, essa nova formação seguiu carreira lastreada nos trabalhos da década de 70, de forma esporádica e sazonal.
A Banda ficou em 1° lugar em Melhor Relançamento, do site Rock Progressivo Brasil.
Uma banda histórica !!
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