Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

70's (de)Novo: Terreno Baldio


TERRENO BALDIO
breve, mas intenso!

Banda que nos traz as inspirações e influências de bandas inglesas do rock progressivo como Genesis, Van Der Graaf Generator e Gentle Giant. Banda de extrema personalidade e sonoridade própria trazendo as características da música brasileira.
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Breve mas intenso...

Em 1973, João Carlos "Fusa" Kurk (vocais e flauta), Roberto Lazzarini (teclados) e Joaquim Correia (bateria), ex-companheiros da banda de baile Islanders, convidam Mozart Mello (guitarras) e João Ascenção (baixo) para formarem o Terreno Baldio. 

O trio conheceu Mello e Ascenção durante uma turnê e gravações para o álbum do cantor e compositor, Pete Dunaway. Todos vinham de experiências com o rock progressivo, e assim surgiu a ideia de montar um grupo voltado para o estilo.

A primeira apresentação ocorreu em 1974, num palco metálico montado no Parque do Ibirapuera, especialmente para o evento "Festival do Cometa", que reuniu várias bandas de rock da época. O nome da banda veio de uma lenda de um ser místico chamado Aqueloo, que limpa o terreno dos rios e mares durante as noites com rituais de danças mágicas e que todos nós teríamos nossos próprios terrenos baldios, local de auto depuração.

Em 1975, o grupo entrou em estúdio para gravar o álbum de estreia, Terreno Baldio, lançado pelo selo Pirata Gravações Musicais Ltda., com prensagem de apenas 3 mil unidades. A produção ficou a cargo de Cesare Benvenuti, um nome muito ligado ao repertório internacional para gravadoras e rádios nacionais. 
A arte da capa foi feita pelo artista Beny Tchaicovsky, traduzindo toda a essência e loucura do disco. O álbum se tornaria lendário, uma referência no estilo prog-rock. 

Tomando influências de Camel e Genesis no lado melódico, de Gentle Giant no uso de contrapontos estilosos e até o jazz-fusion num viés mais jazzístico, o Terreno Baldio criou algo diferenciado intimamente relacionado às raízes do nosso folclore. Havia a típica exibição de virtuosismo técnico, e as ideias musicais eram inteligentes e criativas, em arranjos sofisticados e complexos, toques sonhadores, grande intensidade, sem permitir que as influências transformem-se em meras imitação.

A banda realmente tinha uma qualidade técnica e sonora à cima da média, e o resultado do álbum foi excelente. Músicas tecnicamente desafiadoras, ritmos inquietos, vocais poéticos e letras que alternavam reflexões conceituais sobre um pássaro azul e um homem em busca de algo na vida, onde ambos encontravam um terreno baldio ao final - claro que todos estes elementos poéticos remetiam à falta de liberdade e à oposição ao regime militar que assombrava a arte/cultura e os artistas brasileiros. Um trabalho imprevisível, eclético, com elementos bem peculiares, direções engenhosas e de alta qualidade.

Ainda em 75, a banda participou do Festival Banana Progressiva, ocorrido no Teatro da FGV, em São Paulo. O evento apresentou parte do que havia de Prog-Rock na música brasileira como os grupos Vímana, A Bolha, Som Nosso de Cada Dia e A Barca do Sol entremeados de outros grupos instrumentais e de vanguarda como Hermeto Paschoal e Jazco, e inclusive contando com a presença de Erasmo Carlos & Cia. Paulista de Rock. 

O ecletismo sonoro da banda funde elementos eruditos aos jazzísticos e a ritmos e harmonias extraídos da música popular e regionais brasileira; tais como o Xaxado e o Baião, incluindo instrumentos de percussão típicos do nosso folclore. Os elementos poéticos remetem-se a temas daquele período e citam a liberdade, em oposição à ditadura, a solidão e o meio ambiente citando a poluição em alusão à vida em grandes cidades, como São Paulo. 

No próximo registro, Além das Lendas Brasileiras - 1978, o tema conceitual do álbum foi encomendado pela gravadora (Continental/Warner) ao fechar contrato com o grupo. Naquele momento, Ascenção já havia sido substituído po Rodolfo Braga (ex-Joelho de Porco) no contrabaixo (início de 76). O novo repertório incluiu, além de temas do folclore nacional, a canção Passaredo, de Francis Hime e Chico Buarque, num arranjo original - temas que ficavam cada vez mais vinculados à preservação da natureza. Ao final de 1979, o grupo dissolve-se em função do declínio do progressivo junto às mídias e em função de um novo panorâma que se delineava junto ao universo pop.


Em 1993, o grupo reuniria-se parcialmente (Kurk, Lazzarini, Mello) - incluindo Renato Muniz no baixo e Ricardo Brasa na bateria - para um novo registro do álbum de 76, versão em inglês junto ao selo Progressive Rock Worldwide, visando o mercado europeu. O álbum inclui faixas extras e constutiu-se, portanto, no terceiro trabalho a ser gravado. Logo em seguida, a gravadora Rock Synphony, sediada em Niteroi, após longa pesquisa e sofisticada produção, relança o primeiro trabalho em versão cd, remasterizado na Itália pelo seu produtor original - Cesare Benvenuti. 

No corrente ano de 2008, o grupo reuniu-se novamente para participar da VIrada Cultural, em São Paulo. Apresentou-se na Praça da República com a seguinte formação: Mozart Mello (guitarra), Lazzarini (teclados), Kurk (vocal), Cassio Poleto (violino) Renato Muniz (baixo) e Edson Guilard (bateria) - basicacemente, executou o repertório do primeiro LP - destacando-se “Este é o Lugar” e “Grite”. Com novas apresentações marcadas, essa nova formação seguiu carreira lastreada nos trabalhos da década de 70, de forma esporádica e sazonal.

A Banda ficou em 1° lugar em Melhor Relançamento, do site Rock Progressivo Brasil.
 
Uma banda histórica !!
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Artes visuais: Roger Dean

 A Fantasia e o Imaginário no 

Rock Progressivo


Com a chegada do chamado "rock progressivo" as capas começaram a ter conteúdos reflexivos e imaginários, dado que sua música expressava esse ambiente. Artistas como, Roger Dean, foram revolucionários para essa criação. Capas como Dark Side Of The Moon do Pink Floyd, o prisma atingido pelo feixe de luz reproduzindo uma aparência física e resultando nas cores do arco-íris, se tornou um sinônimo de inovação. Albúns como Fragile da banda Yes, Brain Salad Surgery do Emerson, Lake and Palmer e Demons & Wizards do Uriah Heep, definem bem essa ideia.
O resto é história!

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Roger Dean

'O artista e designer que expandiu as mentes humanas'


Roger Dean, traços e estilo próprio.

Conhecido por seu estilo único de pinturas de capas de álbuns, logotipos, fontes e designs arquitetônicos orgânicos. Ele nasceu em Kent, Inglaterra, e se formou no Royal College of Art com medalha de prata. 
Sua carreira começou quando ele ainda era estudante, projetando a cadeira Sea Urchin e os assentos Landscape para o Ronnie Scott's Jazz Club, em Londres. Enquanto trabalhava com a equipe de Ronnie Scott, Roger foi convidado a projetar e produzir uma capa de álbum para uma banda de rock que eles haviam contratado, chamada “Gun”.

Foi em 1971 que o primeiro álbum de Osibisa foi lançado, com a inesquecível imagem de um elefante alado pousando em um céu laranja e magenta, acima do qual o nome da banda era anunciado no que se tornaria a tipografia desenhada à mão, marca registrada de Rogers. A imagem fez enorme sucesso tanto como capa do álbum quanto como pôster.

Na época, ele também foi questionado se aceitaria outra encomenda, e o nome da banda era YES. Essa encomenda se tornou a capa do álbum 'Fragile' e foi o início de uma longa e frutífera colaboração entre a família do YES e Roger Dean.

As qualidades surreais e oníricas das pinturas de Rogers, combinadas com as aventuras musicais às vezes assombrosas, ocasionalmente triunfantes, mas sempre expansivas da música do YES, tornaram-se uma experiência única apreciada por milhões.

Além de seu trabalho como artista e designer, Roger Dean também foi cofundador das editoras Dragons' Dream e, cerca de um ano depois, Paper Tiger. Publicou mais de cem livros ilustrados com obras de artistas como Syd Mead, Alan Lee e Michael Kaluta.

Virgin Records, Psygnosis e Tetris exibiram orgulhosamente suas identidades visuais como logotipos de empresas, criados por Roger Dean.
O trabalho de Rogers é instantaneamente reconhecível e influenciou a cultura popular em todo o mundo. Estima-se que mais de cem milhões de pessoas já possuíram uma obra de Dean em algum momento, seja como capa de álbum ou pôster. Seus designs também foram imitados em grafites e grandes filmes.

Uma seleção do trabalho de Roger está em várias coleções particulares e museus, incluindo o Museu V&A em Londres e o Museu MAK em Viena.


quarta-feira, 12 de novembro de 2025

EMERSON, LAKE & PALMER

Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer
Emerson, Lake & Palmer

História:
Banda
 britânica pioneira e conhecida por seu papel no desenvolvimento do chamado "rock progressivo", no início da década de setenta.

Os membros eram: 

Keith Emerson (nascido em 2 de novembro de 1944, Todmorden, Lancashire, atualmente West Yorkshire, Inglaterra — falecido em 10/11 de março de 2016, Santa Mônica, Califórnia, EUA). 

Greg Lake (nascido em 10 de novembro de 1947, Poole, Dorset, Inglaterra — falecido em 7 de dezembro de 2016). 

Carl Palmer (nascido em 20 de março de 1950, Birmingham, Inglaterra).

Antes da estreia do grupo em 1970, os três membros já eram conhecidos na cena "art rock britânica". O tecladista Emerson havia liderado anteriormente a banda The Nice (de 1967 à 1970); o baixista, guitarrista e vocalista Greg Lake havia sido baixista e vocalista principal do King Crimson (de 1968 à 1969); e Carl Palmer que havia co-fundado o Atomic Rooster ao lado do virtuoso tecladista Vince Crane em 1969. 

A banda se apresentava com a sigla ELP.

Os teclados e sintetizadores eram a peça central do seu som, desenvolveram um estilo eclético e inovador que misturava música erudita, jazz, blues e elementos eletrônicos. Traziam também em sua sonoridade referências do chamado "tin pan alley" (construção cultural em nova york, séc. XIX - XX). Seus álbuns traziam composiçóes complexas, longas e elaboradas como nas faixas "Tarkus" do álbum homônimo (de 1971) ou "Karn Evil 9", faixa composta em suítes ao longo de vinte e nove minutos presente no álbum Brain Salad Surgery (de 1973). Os shows eram um perfeito espetáculo, energia intensa nas performances individuais com muita iluminação e efeitos especiais.

Além disso, a banda apresenta versões criativas de composições eruditas da música clássica europeia — O álbum Pictures At an Exhibition traz interpretações das obras do compositor russo Modest Mussorgsky. A faixa do álbum Works, Fanfare for the Common Man, traz o compositor Aaron Copland, e a hilária versão blues da Suíte Quebra-Nozes de Pyotr Tchaikovsky — ocasionalmente algumas baladas e hinos conhecidos também são referenciados. Tudo executado com extremo virtuosismo técnico.

Em 1979, após a turnê do álbum Love Beach, a banda se separou, mas, 
como aconteceu com outras bandas de "prog rock" dos anos setenta, se reuniram novamente no início dos anos noventa trazendo toda magia e novas gravações. Muitos fãs puderam ver o trio recapturar a paixão de seus trabalhos anteriores e explorarem novas direções musicais.

SENSAÇÃO NO FESTIVAL DA ILHA DE WIGHT.

A cronologia

1970
ISLE OF WIGHT
A banda ganhou destaque após sua apresentação no Festival da Ilha de Wight em agosto de 1970. Em seu primeiro ano, o grupo assinou com a EG Records (que distribuía os discos da banda através da Island Records no Reino Unido e da Atlantic Records na América do Norte).

1970
EMERSON, LAKE & PALMER – O ÁLBUM DE ESTREIA
Nos meses que antecederam e sucederam seus shows de estreia, a banda gravou seu primeiro álbum, Emerson Lake & Palmer, no Advision Studios. Greg Lake assumiu o papel de produtor, função que também desempenhava no King Crimson, com Eddy Offord como engenheiro de som.

1971
TARKUS
Durante uma pausa em sua primeira turnê, em janeiro de 1971, Emerson, Lake & Palmer retornaram ao Advision Studios com Eddy Offord para gravar seu segundo álbum, Tarkus. O álbum foi um sucesso comercial, alcançando o 1º lugar no Reino Unido e o 9º lugar nos Estados Unidos.

1971
PICTURES AT AN EXHIBITION
Gravada ao vivo no Newcastle City Hall em 26 de março de 1971, esta adaptação rock de "Quadros de uma Exposição", a suíte para piano de Modest Mussorgsky, estreou em 3º lugar na parada de álbuns do Reino Unido e em 10º lugar na Billboard 200 dos EUA. Um exemplo perfeito do som de inspiração clássica pelo qual a banda ficaria conhecida.

1972
GRAMMY AWARDS
A banda ELP recebeu uma indicação ao GRAMMY na categoria Melhor Artista Revelação na 14ª edição anual do GRAMMY Awards.

1972
TRILOGY
O terceiro álbum de estúdio da banda foi gravado novamente no Advision Studios com Eddy Offord e lançado em 23 de junho de 1972. A arte da capa foi criada por Storm Thorgerson e Aubrey Powell, da Hipgnosis. Alcançando o 2º lugar na parada de álbuns do Reino Unido e o 5º lugar na Billboard 200 dos EUA, o single "From The Beginning" tornou-se o single de maior sucesso da banda nos EUA.

1973
MANTICORE RECORDS
A banda ELP criou sua própria gravadora, a Manticore Records. Além do ELP, a gravadora lançou singles e álbuns de uma gama diversificada de artistas, incluindo Little Richard, Peter Banks, Pete Sinfield, John Greaves, Premiata Forneria Marconi entre outros.

1974
BRAIN SALAD SURGERY
Expandindo profundamente o som que aprimoraram em seus primeiros discos, Brain Salad Surgery inclui a composição de quase 30 minutos "Karn Evil 9" e sua icônica frase de abertura "Welcome back my friends to the show that never ends" (Bem-vindos de volta, meus amigos, ao show que nunca termina). O álbum também marca a estreia do Moog Apollo, o primeiro sintetizador polifônico do gênero. A arte da capa e o agora icônico logotipo do ELP foram criados por H.R. Geiger.

1974
CALIFORNIA JAM

A banda tocou para uma multidão de 250.000 pessoas (na época, um recorde de público pagante para um evento desse tipo), dividindo o palco principal do festival California Jam com o Deep Purple. O show de encerramento da banda, com duração de duas horas e meia, foi filmado e transmitido pela ABC.

1974
WELCOME BACK MY FRIENDS TO THE SHOW THAT NEVER ENDS
Gravado durante a famosa turnê de 1973-1974, este álbum triplo ao vivo foi gravado no Anaheim Convention Center, em Anaheim, Califórnia. Recebeu o certificado de Ouro pela RIAA e foi o álbum de maior sucesso da banda nos Estados Unidos, alcançando o 4º lugar na Billboard Top 200.

1977
WORKS VOLUME 1
Após um longo hiato, a banda se reagrupou para gravar seu sexto álbum, Works Volume 1. O álbum duplo apresentava um lado dedicado a cada membro compor e arranjar suas próprias faixas, enquanto o quarto lado apresentava canções interpretadas coletivamente. O álbum conquistou Disco de Ouro tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos. Works Volume 1 inclui a canção "Fanfare for the Common Man", adaptação de Emerson da composição de 1942 de Aaron Copland, que se tornou o single de maior sucesso da banda no Reino Unido, alcançando a 2ª posição.


1977
WORKS VOLUME 2
Diferentemente do volume anterior, Works Volume 2 foi uma compilação de material inédito de sessões anteriores. Também incluiu a versão completa do ELP para o sucesso anterior de Lake, “I Believe In Father Christmas”.

1977
WORKS LIVE

A banda embarca em uma enorme turnê norte-americana com mais de 120 datas, algumas delas com uma orquestra e coral de 64 músicos. Durante essa turnê, a banda se apresenta para 76.000 fãs no Estádio Olímpico de Montreal, o show de maior público da banda em sua carreira solo. Uma versão reduzida da apresentação é lançada posteriormente como "Emerson, Lake & Palmer In Concert" em 1978.

1977
Uma música de Works Live, tema de Peter Gunn, é indicada ao Grammy de Melhor Performance Instrumental, a terceira indicação do ELP ao prêmio.

1978
LOVE BEACH
A banda se muda para Nassau, Bahamas, para gravar seu sétimo álbum de estúdio, Love Beach, com o colaborador de longa data Peter Sinfield. Logo após o lançamento do álbum, a banda decide fazer uma pausa por tempo indeterminado.

1992
BLACK MOON
O ELP se reuniu para seu primeiro álbum de estúdio em quase quatorze anos, promovendo-o com uma turnê mundial entre 1992 e 1993. Seus shows com ingressos esgotados no Royal Albert Hall de Londres foram transmitidos pela rádio BBC e lançados como um álbum ao vivo em 1993, intitulado Live at the Royal Albert Hall.

1994-1998
IN THE HOT SEAT
A banda se reuniu em Los Angeles para gravar seu último álbum, In The Hot Seat, lançado em 1994. O ELP continuou em turnê mundial pelos quatro anos seguintes, antes de se separar definitivamente em 1998.


2010
SHOW FINAL
Os três se reuniram para um concerto único em comemoração ao seu 40º aniversário, sendo a atração principal do High Voltage Festival no Victoria Park, em Londres, no dia 25 de julho de 2010.

Bem-vindos de volta meus amigos, 
o show não pode parar !!


quinta-feira, 28 de agosto de 2025

SHOW: Guru Guru - Live At Rockpalast

Guru Guru 
Live At Rockpalast
Cologne, Germany, 1976.


Verão de 1976. A jovem esquerda alemã se encontrava em estado de choque: Ulrike Meinhof, cofundadora da gangue Baader-Meinhof, enforcou-se em sua cela na prisão de Stuttgart-Stammheim em 9 de maio. Um ponto baixo temporário em um drama político que governou a Alemanha na década de 1970 e também deixou sua marca na cultura e no rock. 

O Guru Guru, fundado em agosto de 1968, originalmente se via como parte do movimento estudantil, cutucando os conceitos morais da classe média conservadora com manifestações públicas de filosofias como "Um cigarro por dia mantém o médico longe" e desfrutava de uma reputação duvidosa como fumantes de maconha. Ou, como o guitarrista Roland Schaeffer disse durante uma apresentação no Rockpalast em 6 de junho de 1976: "Um pouco de maconha é tudo que você precisa".

O Guru Guru, apresentado pelo líder da banda, Mani Neumeier, como "o grupo de rock mais prático da Alemanha" no início do show no Studio L de Colônia, foi o primeiro artista alemão a ser convidado pelo canal de TV WDR para se apresentar em um show do Rockpalast. "Quero que as pessoas joguem seus sapatos e cuecas para o alto por pura diversão, para perderem completamente as inibições", explicou Neumeier por ocasião do lançamento do álbum de estúdio do Guru Guru, Tango Fango, em uma entrevista à revista Sounds, acrescentando: "Seria ideal se as pessoas realmente enlouquecessem. Eu costumava querer ser um revolucionário ou algo assim, agora meu único objetivo é ser um bom artista."

Tango Fango foi o primeiro álbum do Guru Guru em que Mani Neumeier deixou de se basear em seu conceito anterior de trio. Já no final de 1974, ele admitiu, com autocrítica, que o Guru Guru havia — provavelmente por hábito — permanecido por muito tempo com sua formação de três integrantes. Após o lançamento de Dance Of The Flames e divergências internas, ele separou o trio em 1974, lançando inicialmente com alguns amigos musicais a gravação solo Mani und seine Freunde e montando uma nova formação do Guru Guru em maio de 1975 com o ex-multi-instrumentista do Brainstorm, Roland Schaeffer, o guitarrista Sepp Jandrisits e o antigo baixista do Kollektiv, Jogi Karpenkiel. 

A visão de Neumeier: "A unilateralidade do trio é coisa do passado; nossa gama agora inclui tudo, do calipso ao iodelei." Como resultado, a gravação do Rockpalast consiste em uma mistura colorida de rock, jazz e pastelão, apresentando ritmos diversos, como bossa nova, tango e muito mais.

Banda: 
Roland Schaeffer - saxofone, vocal e guitarra. 
Josef Jandrisits - guitarra e vocal. 
Jogi Karpenkiel - baixo
Mani Neumeier - bateria e vocal.

Repertório: 
1. Einmarsch
2. Salto Mortadella
3. Banana Flip 
4. L. Torro
5. Rattenfänger
6. Ooga Booga Spezial
7. Bossa Nova
8. Night Bear
9. Tomorrow
10. Medley
11. Elektrolurch-Mutation
12. Tango Fango
13. Medley: Woman Drum/All You Want