Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Gary Moore

Gary Moore

' O Blues com sotaque Irlandês '

Robert William "Gary" Moore (Belfast, 4 de abril de 1952 — Estepona, 6 de fevereiro de 2011), mais conhecido pelo nome artístico de Gary Moore, foi um conceituado guitarrista e compositor de hard rock, blues e rock progressivo. Considerado um dos maiores guitarristas da história, seu trabalho nos anos 70 e início dos anos 80 influenciou muitos grandes nomes da guitarra.

"Gary Moore dominava qualquer tipo e modelo de guitarra"

Com a banda Skid Row, 1969.
A vida de quem cresceu em meio às bombas do Exército Republicano Irlandês (IRA) e às brigas religiosas do pós-guerra refletia-se em seu som de guitarra: extremamente triste e sofrido, mas também visceral e técnico quando solicitado. Gary Moore é considerado um dos guitarristas mais  completos da História do Rock, indo nos seus primeiros anos do Jazz Rock ao Hard Rock, passando por Baladas e o Blues.

Ele iniciou a trajetória profissional aos 16 anos de idade numa banda de blues rock irlandesa chamada Skid Row, sediada em Dublin e liderada pelo baixista Brendan "Brush" Shiels. Foi a primeira banda em que Phil Lynott e Gary Moore tocaram profissionalmente antes de alcançarem maior fama com o Thin Lizzy.

B. Downey, Phil Lynott e Gary Moore.
Sempre disse que suas maiores influências foram Jeff Beck, Eric Clapton, Peter Green e Jimi Hendrix, porém mais tarde mergulharia de cabeça nos trabalhos dos grandes mestres guitarristas de blues como Otis Rush, Albert Collins e Freddie King. 

Participou das gravações de um álbum da banda folk Dr. Strangely Stranger. Pouco depois, Gary Moore estava planejando entrar na formação do Thin Lizzy, banda irlandesa ramanescente do Skid Row, com seu parceiro baixista/vocalista Phil Lynott e o baterista Brian Downey. Mas os planos, pelo menos naquele momento, seriam adiados.

Moore decidi fazer um álbum solo com uma banda própria. A banda é batizada de The Gary Moore Band, e mesmo com sua base rítmica sendo o blues, o jazz também fazia sua cabeça, e o estilo percursor chamado "jazz-fusion", foi bastante explorado em seu primeiro álbum. 

Grinding Stone foi lançado no ano de 1973 com muitas experimentações sonoras, e a banda contava com John Curtis no baixo e Pearse Kelly na bateria. O álbum foi produzido por Martin Birch. 

Como o álbum não obteve o sucesso esperado, Gary investe em suas habilidades técnicas e começa a focar como guitarrista em outras bandas. Participa do Thin Lizzy em vários shows e grava o álbum Black Rose no ano de 1979. Participa também da segunda encarnação da banda de rock progressivo Colosseum, batizada de Colosseum II.

Porém, no mesmo ano de 1979, o guitarrista decidi investir em sua carreira solo para nunca mais parar. Com destaque para duas fases distintas: primeiro o hard rock e depois o blues. Álbuns como "Corridors Of Power", "Victims Of Future", "Wild Frontier" e "After The War", gravados todos na década de 80, influenciaram muitos guitarristas de estilo mais pesado e virtuoso.

Entrando na década de noventa, Gary Moore inicia sua jornada mais blueseira, até então. Com o álbum e o grande sucesso da música Still Got the Blues de 1990, o guitarrista se torna gigantesco se consagrando para sempre. Todos os seus álbuns de blues desse período são sensacionais.

Álbuns do final dos anos noventa como "Dark Days in Paradise" e "A Difefferente Beat", trouxeram uma sonoridade mais pop e até com elementos eletrônicos. Já no excelente álbum "Scars" gravado em 2002, Gary Moore volta com tudo no hard rock! 

Mas sua carreira e paixão nunca saíram do blues, e falaram mais alto. Os trabalhos de sua última década foram álbuns maravilhosos inteiramente dedicados a esse estilo. Sempre se atualizando para um blues moderno e vigoroso, sua marca ficou registrada em álbuns como: Back To The Blues (2001), Power of The Blues (2004), Old News Ballads Blues (2006), Close as You Get (2007), Bad For You Baby (2008), além do póstumo How Blue Can You Get lançado só em 2021.

Gibson Les Paul Standard 1959.
A história da guitarra Gibson Les Paul (1959), que era de Peter Green. 

Embora compartilhasse do respeito por Eric Clapton e pelos músicos de blues americanos, o garoto Peter Green, de 21 anos, tinha sua própria interpretação do timbre de Les Paul.

A sua Les Paul 1959 tinha um vibrato rápido e incisivo, sua predileção por timbres limpos e cortantes, frequentemente repletos de reverberação, seu apurado senso de dinâmica, e sua incomparável sutileza melódica o diferenciam de todos os outros músicos de blues ingleses, antes ou depois dele.

Green vendeu sua guitarra mágica com seu som e captadores misteriosamente conectados para Gary, que a usou para gravar o álbum de 1995 chamado "Blues for Greeny", um repertório de onze composições originais de Peter Green, interpretadas com muito feeling, timbre e sensibilidade.

Uma homenagem a Jimi Hendrix.

Gary era muito reconhecido por suas apresentações e performances no palco, tendo realizado inúmeras delas no festival de Montreux. E outro momento muito especial do guitarrista foi o show no London Hippodrome, em 2007, em homenagem ao ídolo Jimi Hendrix, com a participação especial dos próprios integrantes do Hendrix, Billy Cox no baixo e do lendário baterista Mitch Mitchell. 

Eles entraram no palco para tocar as músicas "Red House", "Stone Free" e "Hey Joe". Sensacional e histórico! A banda que acompanhou Gary Moore nessa noite foi formada em modelo "power trio", com Dave Bronze no baixo e Darrin Mooney na bateria. Eles apresentaram várias músicas da carreira de Jimi Hendrix, o que rendeu um álbum ao vivo chamado "Blues for Jimi", lançado em 2007.

Infelizmente, há poucas horas de ter dado entrada no hotel Estepona na Espanha, Gary Moore sofreu um ataque cardíaco enquanto dormia, e faleceu no dia 6 de fevereiro de 2011. Ele passava férias após uma jornada de shows apresentando músicas do seu último álbum em vida, "Bad For You Baby". 

Um ano antes ele havia gravado um show no festival de Montreux, sua "casa" favorita. Um box de discos com suas apresentações no festival já tinha sido lançado em 2009. 

As músicas mais conhecidos de Gary Moore são Parisienne Walkways, Still Got the Blues, Over The Hills and Far Away, End of the World, Murder in the Skies, The Loner e Out in the Fields em parceria com Phil Lynott e Empty Rooms. 

Moore influenciou inúmeros guitarristas como Vivian Campbell, John Norum, Paul Gilbert, Jake E. Lee, Slash, Orianthi, Joe Bonamassa, Adrian Smith, Doug Aldrich, George Lynch, Zakk Wylde, Randy Rhoads, John Sykes, Phil Collen, Janick Gers, Mikael Åkerfeldt, Kirk Hammett, entre outros.

Para alegria dos fãs, um últmo álbum foi lançado postumamente, em 2021, chamado "How Blue Can You Get". Esse álbum vem direto dos arquivos de Gary Moore e reúne quatro faixas covers e quatro canções próprias. 

Ouvir esse disco após tanto tempo de sua morte traz uma carga extra de emoção e sentimentos, principalmente quando fica clara a qualidade do material e da sua voz bluesy tocando profundamente nosso coração. 

O resultado de toda sua carreira foi de dimensão única, de um guitarrista único !!


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

WAR

 WAR

' O blues-funk contestador da 

Banda War '


Uma banda contra a guerra: "Faça amor, não faça guerra".

Breve biografia:

A criação da Banda War, em 1969, foi ideia do produtor de discos Jerry Goldstein e do roqueiro Eric Burdon, ex- integrante do conjunto The Animals. Tudo começou quando Goldstein encontrou com os futuros componentes do grupo, tomando cerveja num bar do Vale de San Fernando, periferia de Los Angeles. Burdon estava desanimado em continuar tocando rock, procurava novas sonoridades.

O final da década de 1960 era época do slogan "Faça Amor, Não Faça Guerra". E Goldstein, de sacanagem, resolveu batizar o conjunto de War. Segundo o tecladista e vocalista Lonnie Jordan, a proposta era espalhar, por meio de suas músicas, paz e harmonia. As vozes eram as armas e as canções as munições contra o sistema, comandado pelo governo truculento de Lyndon Johnson. O público logo percebeu que a Funk Music da Banda War criticava o racismo, as injustiças sociais e os crimes de guerra.

Desde o início, o grupo transformou-se num laboratório musical, misturando diversos estilos e influências. A proposta de Goldstein já rendeu à banda 17 discos de ouro, triplo platina pelo álbum The World is a Ghetto, platina duplo no disco Why Can´t We Be Friends? (sucesso no Brasil, lançado pela rádio Difusora Jet Music), e platina no álbum Deliver the Word.

War & Eric Burdon
O primeiro show ao vivo de Eric Burdon e a Banda War, em 1969, ocorreu no Sul da Califórnia, com ingressos esgotados. Em seguida gravaram o disco: Eric Burdon Declares War. O primeiro sucesso do grupo foi " Spill The Wine".

Fizeram diversas turnês pelos Estados Unidos e Europa. No show em Londres, o guitarrista Jimi Hendrix não resistiu ao som da rapaziada e subiu ao palco para tocar junto no Ronnie Scott Club. A apresentação entrou para história, pois naquela noite Hendrix morreria por colápso de substâncias com álcool.

Primeiros álbuns: Ao término do giro pelo Europa, Eric Burdon deixa a banda. Coube a Goldstein manter o restante do grupo unidos. E no final de 1971, lançam o disco Slippin 'Into Darkness e vendem 1 milhão de cópias. Em 1972, o álbum The World is a Ghetto, gravado em 29 dias, vira o disco do ano pela lista da Billboard. No ano seguinte repetem a dose com Deliver The Word e explodem nas paradas os hits "Gypsy Man", "Me And My Brother Baby" e a regravação de "All Music Day". Foram vendidos quase 2 milhões de discos.

Capa do Lp, 1977.
Em 1975, o álbum Why Can´t We Be Friends ficou 31 semanas nas paradas, rendendo um disco de platina duplo. Dois anos depois, o lançamento de um álbum em estilo Jazz rendeu outro disco de platina. Nessa primeira década, a banda colocou várias canções nas paradas das rádios: " Outlaw", "You Got The Power" e "Cinco de Mayo".

Nas décadas seguintes, eles se dedicaram às turnês. Fazendo cerca de 150 shows por ano por todo o mundo. 

A banda continua na ativa e produzindo álbuns conquistando uma nova geração de fãs, cujos pais conheceram a Banda War no início da caminhada. A cidade de Los Angeles já homenageou o conjunto por duas vezes, pelas causas na luta por melhorias nas comunidades carentes. 

Na opinião de Lonnie Jordan, o mundo ainda é um gueto e as guerras prosseguem, como ocorria no final da década de 1960.


Snafu, histórias do rock!

Snafu
' Uma banda de r&b com muito 
funk e bluegrass '

Em ação na lendária casa de shows de Londres, Marquee Club.

História

Formação (1972).

Após a dissolução da banda de blues-rock Freedom em 1972, o vocalista e baterista Bobby Harrison, que havia sido o baterista original e vocalista ocasional do Procol Harum durante seus primeiros anos, começou a gravar seu álbum solo de estreia, Funkist, em estúdios de Londres. Essas sessões marcaram uma mudança em direção a influências de funk e R&B, inspiradas pelas experiências de Harrison em grupos de grande destaque, e contaram com a participação do guitarrista Micky Moody, com quem Harrison havia feito amizade por meio de participações especiais com Juicy Lucy no início daquele ano. 

Durante o processo de gravação, Harrison e Moody compuseram juntos e reconheceram sua sinergia criativa, o que os levou a transformar o projeto solo em uma banda completa no final de 1972. Moody, um guitarrista de slide que ascendeu na cena londrina do final dos anos 1960 com o Tramline — onde gravou dois álbuns para a Island Records — e posteriormente com o Mike Cotton Sound e o Juicy Lucy, assumiu um papel de liderança na formação da banda. Ele primeiro recrutou o baterista Terry Popple, seu ex-companheiro de banda do Tramline, e o baixista Colin Gibson, que ganhou destaque como membro do Ginger Baker's Air Force de 1970 a 1971. O tecladista Pete Solley (1948–2023), vindo da banda de rock progressivo Paladin (1970–1973), completou o quinteto inicial. 

O trabalho de Solley no órgão Hammond e no violino adicionou um toque distinto ao som do grupo. Esta reunião ocorreu em Londres no final de 1972, com Harrison nos vocais principais e a banda decidindo coletivamente pelo nome Snafu, inspirado no acrônimo militar para "situação normal: tudo ferrado". 

O grupo rapidamente garantiu um contrato com a WWA Records, uma gravadora de curta duração fundada pelo empresário do Black Sabbath, Patrick Meehan, em 1973, que se alinhava com uma mistura de R&B e rock. Os primeiros ensaios começaram no início de 1973, enfatizando covers de clássicos do R&B americano, juntamente com composições originais desenvolvidas a partir das sessões solo de Harrison, preparando o terreno para suas gravações de estreia.

Bobby Harrison
Álbum de estreia e primeiras turnês (1973).

Em meados de 1973, o Snafu gravou seu álbum de estreia homônimo no The Manor Studio em Oxfordshire, Inglaterra, um estúdio de propriedade de Richard Branson e notável por ter sido o local de gravação de Tubular Bells, de Mike Oldfield, pouco antes. As sessões foram coproduzidas pela banda e pelo engenheiro Vic Smith, resultando em uma coleção de oito faixas que misturava composições originais com covers comoventes, enfatizando as raízes blues-rock do grupo. Lançado em janeiro de 1974 pelo selo de curta duração WWA Records, fundado pelo empresário do Black Sabbath, Patrick Meehan, o LP ostentava uma capa marcante criada pelo artista Roger Dean.

Após o lançamento, Snafu recebeu críticas positivas por seu som energético de rock com influências de blues e fusão de influências de R&B, com a Melody Maker saudando a banda como "verdadeiras concorrentes" e publicações como Sounds e Record Mirror elogiando seu ritmo e autenticidade. Os esforços promocionais incluíram aparições no programa The Old Grey Whistle Test da BBC, sessões de rádio e até mesmo no Top of the Pops, ajudando a criar impulso apesar das modestas vendas comerciais no Reino Unido. O álbum cultivou um público fiel no cenário underground de R&B e rock, preparando o terreno para apresentações ao vivo. Abriram shows para bandas consagradas como o Status Quo, Eagles e The Doobie Brothers em suas datas europeias.

Micky Moody
Situation Normal e mudança de formação (1974).

No início de 1974, o Snafu gravou seu segundo álbum, Situation Normal, em estúdios como o Advision em Londres, onde as contribuições do tecladista Pete Solley com o violino introduziram influências notáveis ​​de country e bluegrass, juntamente com a base de blues-rock já estabelecida pela banda. As sessões aproveitaram o impulso de sua estreia em 1973, enfatizando um toque rústico que misturava grooves emotivos com arranjos acústicos.

O álbum foi lançado em outubro de 1974 pela WWA Records, apresentando faixas de destaque como "Dr. Robert" e "Country John", que evidenciaram a evolução sonora do grupo. Impulsionado pela recepção do álbum de estreia, o Snafu garantiu um papel de destaque como banda de apoio na turnê europeia do Status Quo no final de 1974. Em meio a essas atividades, surgiram atritos internos sobre a direção musical da banda, particularmente à medida que os membros pressionavam por um estilo mais funk que definiria seus trabalhos posteriores. Essa tensão culminou após o lançamento de Situation Normal, quando Solley saiu no final de 1974 para seguir projetos solo, incluindo futuras colaborações com artistas como Procol Harum e Eric Clapton, marcando a primeira mudança significativa na formação do grupo.

All Funked Up e dissolução (1975).

Após o lançamento do segundo álbum, o Snafu enfrentou problemas com sua distribuidora anterior, o que levou a uma mudança para a Capitol Records para seu terceiro trabalho. A banda gravou All Funked Up no final de 1974 e início de 1975, com as sessões ocorrendo no Manor Studios em novamente. Essa transição marcou uma mudança de sonoridade mais funk na banda, refletindo a evolução do cenário musical de meados da década de 1970.

A produção do álbum incorporou o recente ajuste na formação, com o tecladista Peter Solley tendo saído no ano anterior, Brian Chatton, ex-integrante do Jackson Heights, juntou-se como o novo tecladista e contribuiu significativamente para as sessões, trazendo energia renovada aos arranjos ao lado dos membros principais Bobby Harrison nos vocais e percussão, Micky Moody na guitarra, Colin Gibson no baixo e Terry Popple na bateria.

Lançado em novembro de 1975, All Funked Up representou a última gravação de estúdio da banda, embora tenha recebido promoção limitada da Capitol. Apesar das ambições criativas por trás do álbum, o Snafu enfrentou um declínio no desempenho comercial e apoio insuficiente da gravadora em 1975, o que acabou se provando insustentável. Essas pressões levaram à dissolução da banda no início de 1976. O grupo fez algumas apresentações finais no Reino Unido naquele ano.

Estilo e influências musicais.

Os principais gêneros do Snafu misturavam rhythm and blues com rock, fundindo o blues impulsionado pela guitarra slide e ritmos funky para criar um som distinto enraizado em influências americanas adaptadas ao cenário do rock britânico. Essa fusão se baseava fortemente em elementos do southern rock e do funk, enfatizando composições orientadas para o groove que destacavam a interação instrumental em vez de arranjos polidos.

As principais influências da banda incluíam The Allman Brothers Band, pela sua expansividade do southern rock, e o Little Feat, pelos seus grooves intrincados e funkeados, que moldaram a base rítmica e a pegada blues do Snafu. Essas inspirações deram forma a um estilo que incorporava elementos com toque country, juntamente com tradições do R&B, evidente no uso de violino e bandolim pela banda, além da instrumentação padrão do rock.

Os elementos característicos definiram a identidade sonora do Snafu, com Bobby Harrison fornecendo vocais ásperos e cheios de alma, complementados por suas contribuições percussivas, adicionando energia bruta às faixas. Os solos de slide guitar de Micky Moody forneciam leads expressivos e blueseiros que se destacavam na mixagem, enquanto os crescendos de órgão e o trabalho de teclado de Pete Solley — frequentemente no Hammond ou Wurlitzer — construíam camadas atmosféricas e bases funky.

A abordagem de composição do Snafu centrava-se numa mistura de originais, principalmente escritos por Harrison e Moody, juntamente com covers selecionados, privilegiando estruturas de jam band que permitiam improvisações prolongadas e espontaneidade semelhante à de uma apresentação ao vivo. O seu estilo de produção enfatizava gravações cruas e com sensação de ao vivo que capturavam a energia bruta da cena rock britânica do início dos anos 1970, priorizando a dinâmica instrumental e a aspereza vocal em detrimento do brilho de estúdio.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Sona Jobarteh

Sona Jobarteh

' Das dinastias de Griôs '

Artista

Sona Jobarteh é a primeira virtuosa profissional da kora proveniente de qualquer uma das dinastias de griôs da África Ocidental. Sua linhagem carrega uma reputação formidável de renomados mestres da kora, entre os quais se destacam seu avô, Amadu Bansang Jobarteh, e seu primo, o lendário Toumani Diabaté.

Sona é reconhecida por sua habilidade como instrumentista, sua voz singular, melodias contagiantes e sua elegância no palco, tendo alcançado rapidamente sucesso internacional como uma artista de primeira linha.

A procura pelas apresentações ao vivo de Sona Jobarteh disparou nos últimos anos, e em 2019 ela se apresentou em alguns dos festivais e espaços mais renomados do mundo, como o Hollywood Bowl em Los Angeles, o WOMAD na Austrália e Nova Zelândia e o Symphony Space na cidade de Nova York, além de se apresentar por toda a Europa, China, África e Canadá.

Sona possui a capacidade única de emocionar o público do mundo todo, de todas as origens e culturas, além de cativar a atenção de presidentes e membros da realeza. Seu espetáculo envolvente tem se mostrado popular em todos os lugares, e com um repertório que exala sofisticação acessível, seu público está em constante expansão.

Como vocalista, Sona participou de filmes premiados como o longa de Hollywood Mandela: Long Walk to Freedom e The First Grader – este último vencedor do prêmio de “Revelação do Ano” no Hollywood World Soundtrack Awards em 2012.



Palestrante e Ativista

A dedicação de Sona em disseminar mensagens humanitárias impactantes por meio de suas canções e performances no palco a torna muito mais do que uma musicista comum; ela é, na verdade, uma ativista social inspiradora, palestrante e agente de transformação que acredita em liderar pelo exemplo. Suas conquistas na criação de uma academia pioneira na Gâmbia, juntamente com sua dedicação à mudança social, lhe renderam convites para discursar em eventos de grande repercussão ao redor do mundo, incluindo cúpulas da ONU e da Organização Mundial do Comércio.

A Academia da Gâmbia

Sona Jobarteh fundou a Academia da Gâmbia em 2015. Trata-se de uma instituição pioneira dedicada a concretizar sua missão de reforma educacional em todo o continente africano. Segundo Sona, a África enfrenta o desafio crucial e urgente de reformular seus sistemas educacionais. As crianças que têm a sorte de frequentar a escola passam a maior parte do tempo em que estão acordadas na escola; no entanto, na maioria dos casos, o ambiente, a cultura, a abordagem e o conteúdo curricular dessas escolas são invariavelmente orientados por um sistema de valores pós-colonial e, consequentemente, por uma perspectiva estrangeira.

Para a Sona, é prejudicial para as futuras gerações do continente, cujos valores e conceitos são moldados durante os anos escolares, continuarem a ser educadas num sistema onde a cultura africana, a história africana, as tradições africanas e os seus valores intrínsecos são inexistentes ou, na melhor das hipóteses, relegados à posição de "atividades" extracurriculares. Esta Academia é, portanto, a primeira do seu género na Gâmbia a ministrar um currículo académico convencional de alto nível, colocando simultaneamente a cultura, as tradições e a história que pertencem aos alunos no centro da sua educação diária.

Conferencista

Sona também é uma acadêmica singular no campo da música, história e antropologia social mande. Ela ministra palestras únicas e envolventes que incorporam performances demonstrativas, bem como suas percepções em primeira mão sobre a tradição, baseando-se em narrativas intrigantes sobre modernidade e gênero. Suas palestras são fundamentadas em uma abordagem crítica que desafia perspectivas aceitas sobre estudos africanos. Ela já ministrou palestras e realizou residências em universidades e faculdades na África, Ásia, Estados Unidos e Europa.

Compositora

A experiência musical de Sona Jobarteh é alicerçada em suas habilidades como compositora. Durante a adolescência, ela se formou em composição clássica ocidental na Purcell School of Music, no Reino Unido, além de estudar violoncelo, piano e cravo no Royal College of Music. Em 2010, recebeu sua primeira encomenda para compor a trilha sonora do filme "Motherland". Nesse trabalho, ela desenvolveu um novo universo sonoro na música cinematográfica africana. O filme conquistou diversos prêmios ao redor do mundo.

Mais recentemente, ela foi contratada pela PRS para compor uma peça para instrumentos ocidentais e africanos, explorando os pontos de encontro entre esses dois mundos por meio de uma jornada musical dinâmica. Em 2019, sua composição, intitulada " Innovation Through Preservation " (Inovação Através da Preservação), estreou no renomado Purcell Room do South Bank, em Londres, e foi transmitida pela BBC. A peça foi elogiada pelo jornal The Observer por unir sons da África Ocidental e da música clássica ocidental "...com um efeito exuberante e poético".



Edgar Winter

Edgar Winter
Winter por ele mesmo...

' Jazzin' The Blues '

Lá nos primórdios do inverno (antes da tempestade), quando me perguntavam sobre minha música, minha resposta era sempre curta e simples: "Deixarei que minha música fale por si só". Mas, neste caso, acho que algumas palavras de explicação se fazem necessárias.

Comecei a tocar música por um único motivo. Não era para ficar famoso, para conquistar garotas ou para ganhar dinheiro. Era por amor: o puro amor pela música! As coisas deram muito certo. Fiquei um tanto famoso (o que, na verdade, acabou sendo bem divertido), conquistei uma garota (minha esposa Monique, que é absolutamente perfeita) e ganhei dinheiro (o suficiente para aproveitar a vida, mas não tanto a ponto de me preocupar). Os anos trouxeram muitas reviravoltas inesperadas, mas uma coisa na minha vida nunca mudou. Eu ainda amo música com a mesma intensidade e paixão que ela sempre teve para mim!

Quando digo que amo música, quero dizer todos os tipos de música. Isso fica evidente pela multiplicidade de estilos e influências presentes na música que produzi ao longo dos anos – para grande desgosto e confusão daqueles que tentam categorizar o que eu faço (e igualmente para minha própria satisfação e diversão discreta).

Não posso dizer que esse efeito tenha sido totalmente não intencional, já que parte do que tentei fazer ao longo da minha carreira foi ampliar os gostos musicais, libertando as pessoas de algumas de suas preferências e preconceitos musicais rígidos, na esperança de que isso lhes permitisse experimentar e apreciar mais plenamente tudo o que existe por aí. (Os Beatles foram maravilhosos nesse aspecto e, portanto, estão no topo da minha lista como os indiscutíveis heróis de todos os tempos da música pop.)

Dito isto, o jazz sempre foi meu primeiro amor; e, no entanto, nunca fiz um projeto inteiramente dedicado ao jazz. Por quê? – Não sei. Então, decidi fazer um, e aqui está ele. é isto! Para todos vocês, amantes da música, que preferem minhas aventuras mais ecléticas pelo desconhecido, aqui vamos nós! E para aqueles que já se perguntaram ou refletiram sobre a questão musical: quem é Edgar Winter? aqui está resposta! Acredito que o jazz e o blues são as duas formas de arte exclusivamente americanas que se manterão e perdurarão como contribuições verdadeiramente grandiosas para o mundo da música.


Para mim, o Blues é como o velho avô, com toda aquela sabedoria e experiência que já viu e fez de tudo; enquanto o Jazz é como o garoto rebelde que aprendeu alguns truques novos e acha que pode ensinar uma coisa ou duas ao velho.

Outra analogia possível seria a Árvore da Música, com o Blues como as raízes (o alicerce), penetrando fundo e extraindo da essência e energia primitivas da própria Terra; enquanto o Jazz, o bebop, o rock e a fusion seriam como os galhos e as folhas (enraizados, alimentados e nutridos pelas raízes), mas alcançando o céu e além, até os limites da imaginação: respirando o ar da vida, absorvendo a luz universal do sol e buscando, através da luta pela sobrevivência, descobrir a natureza da existência e a fonte de sua origem.

O jazz evoluiu e nasceu literalmente do blues. Ambos são formas de arte espontâneas, baseadas mais na criatividade individual do que na composição; e para mim, são inseparáveis. Se existe um fio condutor que percorre toda a minha música, é o blues. Isso vale não só para a MINHA música, mas para toda a música contemporânea atual.

Foi essa ideia que me inspirou a gravar meu último álbum, “Winter Blues”, que preciso mencionar brevemente aqui para explicar adequadamente “Jazzin' The Blues”.

O conceito de “Winter Blues”, em vez da habitual coletânea de canções tradicionais de blues, visava incluir exemplos da crescente variedade de estilos e formas que evoluíram e se desenvolveram dentro do próprio blues; e, dessa forma, demonstrar a profunda influência e o impacto que o blues continua a exercer sobre todo o espectro da cena musical atual. Explora as inter-relações entre o blues e outros estilos contemporâneos, como R&B, gospel, soul, jazz, rock, pop e country.

“Jazzin' The Blues” é o próximo passo em uma progressão lógica, e eu o considero uma sequência, já que parte do mesmo conceito e o expande para o universo do jazz; traçando suas raízes até o blues de 12 compassos e continuando através do swing, bebop, funk e fusion. 

Toco minha gama habitual de instrumentos: vários teclados sintetizados, pianos, órgãos, baixos e meu instrumento principal (saxofone alto, com ocasionais saxofones tenor). Também canto, então quis encontrar um equilíbrio entre os solos estendidos para os verdadeiros fãs de jazz e os vocais, para manter o interesse do público em geral.

As letras são essenciais e, portanto, estão incluídas. São canções reais com uma mensagem, caráter, personalidade e ponto de vista muito próprios. Elas também são generosamente permeadas pelo meu próprio senso de humor (às vezes sutil, às vezes bizarro). Me diverti muito com elas e acho que vão arrancar algumas risadas (na verdade, elas contam toda a história por si só, então não deixe de conferir).

Há uma lista de convidados de peso (assim como em “Winter Blues”), que até agora inclui Steve Lukather, Robben Ford e Hiram Bullock (guitarras); Will Lee (baixo), Gregg Bissonette (bateria) e Lee Thornburg (trompete).

Foi verdadeiramente maravilhoso e emocionante encontrar todos esses grandes músicos tão interessados ​​e até mesmo entusiasmados em participar deste projeto, e agradeço a todos eles profundamente, do fundo do meu coração. Gostaria também de aproveitar esta oportunidade para expressar minha sincera gratidão e prestar homenagem aos heróis musicais que inspiraram e moldaram minha própria música, e cujas influências são mais evidentes nesta obra: Mose Allison, Jimmy Smith, Ray Charles e Cannonball Adderley (talvez eu devesse ter convidado o Mose para tocar).


Há mais uma coisa que gostaria de mencionar antes de encerrar. Também iniciei e estou trabalhando simultaneamente em mais um projeto, que formará a terceira e última parte do que pode ser considerado uma "Trilogia Musical". Vou chamar o próximo de "Rockin' The Blues", e será pesado! Imagino vocais estridentes estratosféricos, guitarras incendiárias, bateria impactante, graves estrondosos (com sintetizadores subgraves reforçados) e um verdadeiro hospício de sintetizadores e teclados de cientista maluco.

Peço desculpas pelo desvio; se me afastei muito do assunto em questão, peço desculpas. Mas eu nem tinha me dado conta de que estava escrevendo uma trilogia até começar a escrever isso (ideia legal!), e eu precisava contar para alguém! Parece um conceito interessante que pode ser tanto divertido quanto educativo. A cronologia do Blues-Jazz-Rock não só tem importância histórica, como também coincide com a minha própria
evolução musical (bem interessante).

Bem, acho que é tudo por agora; mas o melhor ainda está por vir! Normalmente encerro com "Keep On Rockin'", mas como neste caso não parece muito apropriado, direi apenas continue – "Jazzin' The Blues".

Créditos de Jazzin' The Blues

Meus sinceros agradecimentos e profunda gratidão a todos que me ajudaram a fazer esta gravação. Seja jazz, blues ou simplesmente música, foi uma alegria fazer algo apenas por diversão! Vocês tornaram isso possível.

Obrigado a todos pela apresentação inspiradora!



terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Mountain

                             Mountain
                                                     ' O peso da montanha '


Mountain foi uma banda americana de blues rock formada em Long Island, Nova York, em 1969. Originalmente composta pelo vocalista e guitarrista Leslie West, o baixista e vocalista Felix Pappalardi, o tecladista Steve Knight e o baterista N.D. Smart. 

Estourou nas paradas através de sua canção "Mississippi Queen", bem como pelo seu desempenho no famoso Festival de Woodstock em 1969, é uma das muitas bandas a serem comumente creditadas na influência e desenvolvimento da música hard rock na década de 1970.

No início de 1969, Leslie West (anteriormente membro do grupo de R&B, The Vagrants) formou uma banda: Leslie West Mountain, ao lado de Norman Landsberg (teclados e baixo) e Ken Janick (bateria), começando, em seguida, a tocar ao vivo. 

O músico e produtor nova-iorquino Felix Pappalardi ao vê-los tocar, manifestou interesse em produzir um disco, algo que finalmente veio à tona como Leslie West Mountain, com o mesmo Pappalardi no baixo, N. Landsberg nos teclados e o baterista N.D Smart, no lugar de Janick.

Após esta gravação, West sugeriu a Pappalardi continuar com o projeto, especialmente baseando-se no sucesso das apresentações ao vivo. A banda foi fortemente influenciada pelo Cream, banda na qual Pappalardi trabalhou como produtor nos discos Disraeli Gears, Goodbye e Wheels of Fire. O tecladista Steve Knight se juntou ao grupo substituindo Landsberg, que decidiu seguir outro projeto musical ao lado de Ken Janick.

Já com o nome de Mountain, a banda percorre a costa oeste dos estados unidos, depois de serem convidados para tocar no lendário "Woodstock Festival", realizado na cidade de Bethel, em Nova York, em 1969. Mountain foi recebido com entusiasmo pela multidão, e duas de suas canções, “Blood Of The Sun” e “Theme For An Imaginary West” foram incluídas na trilha sonora de "Woodstock”.

Imediatamente após Woodstock, Smart foi substituído pelo baterista canadense Laurence "Corky" Laing, que contribuiu no álbum de estreia, "Climbing", lançado em março de 1970. O álbum continha a canção "Mississippi Queen", que alcançou a posição nº 21 na Billboard Hot 100 e apareceu no cult movie “The Vanishing Point” de 1971, tornando-se a canção mais emblemática da história da banda, enquanto que o álbum alcançou o nº 17 na Billboard Top 200.

"Theme for an Imaginary Western" recebe uma interpretação emocionada de Pappalardi. A composição de Jack Bruce e Pete Brown se tornou um marco na carreira do grupo, pois era uma espécie de apadrinhamento do Cream, uma carta branca aprovando o Mountain para beber à vontade
nas influências do grupo inglês. Era a retribuição de Bruce e Brown ao amigo Pappalardi, que tanto tinha trabalhado pelo Cream. Falando neles, "The Laird" é claramente influência direta do trio inglês.

Após o sucesso do álbum a banda grava dois álbuns em 1971, "Nantucket Sleighride" e "Flowers Of Evil", este último incluindo um lado ao vivo, gravado no Fillmore East em Nova York.

Vindo no mesmo pique de "Climbing", Nantucket Sleighride contou com Gail Collins, esposa de Felix Pappalardi, e surge como figura de suma importância para a banda, cuidando de toda a parte gráfica e também das letras.

Novamente o Mountain desfila com categoria temas pesados como "Don't Look Around", "You Can't Get Away", "The Animal Trainer and the Toad", "Travellin' in the Dark", e impressiona também nas nuances mais sutis, como em "Tired Angels", uma homenagem a Jimi Hendrix, falecido meses antes, e "My Lady", faixa mostrando reminescências do período folk de Pappalardi no Village de NY. Um dos melhores momentos do grupo está na dobradinha "Taunta (Sammy's Tune)"/ "Nantucket Sleighride", um épico contando um pouco da história da América que mostra toda a genialidade da dupla Pappalardi e West.

Flowers of Evil marca o final do período mais criativo da banda em estúdio, mostrando que dali pra frente as apresentações ao vivo seriam prioridade e as improvisações no palco seriam as mais malucas possíveis. O lado de estúdio traz temas como o rock empolgante da faixa título, a tristeza e melancolia instrumental de "King's Chorale", a levada irresistivelmente pesada de "Crossroader" e o clima erudito de "Pride and Passion". Na parte ao vivo o destaque é o "Dream Sequence", um medley de 25 minutos com muitos improvisos e uma versão matadora de "Mississipi Queen". Tudo devidamente registrado no fechamento do lendário Fillmore East.

Em meados de 1973 Pappalardi e West decidiram reativar a banda, desta vez com o baterista Allan Schwartzberg e o tecladista e guitarrista Bob Mann. Esta formação excursionou e gravou um álbum duplo ao vivo, "Twin Peaks" em 1974, enquanto o LP "Avalanche", lançado no mesmo ano de 1974, foi o último trabalho de Pappalardi no baixo, coma banda voltando a se dissolver depois de um concerto em Nova Iorque, em 31 de dezembro de 1974.

Mountain Live registrou a volta da banda em 1973. A tour japonesa merecia um lançamento à altura e então foi lançado esse álbum gravado no Koseinenkin Hall em Osaka. O vinil duplo trazia versões interessantes para clássicos como "Never in My Life", "Mississipi Queen", "Silver Paper" e "Theme for an Imaginary Western". Nos improvisos o Mountain se supera e registra uma versão de 32 minutos (!) para a épica "Nantucket Sleighride". No vinil a faixa era dividida em duas partes, que tomavam os dois lados de um disco. Infelizmente têm a ausência significativa do baterista Corky Laing, que não pôde fazer essa tour pelo Japão devido a problemas de saúde.

Depois do álbum ao vivo o Mountain estava louco para voltar às gravações em estúdio. "Avalanche" é uma tentativa de retorno aos dias inspirados de "Climbing". Mais voltado para a guitarra de Leslie West, o rock rola solto com as versões de "Whole Lotta Shakin' Goig On" e "Satisfaction". Pappalardi voltava afiado e compondo muito, como em "Sister Justice", "Swamp Boy", "Thumbsucker" e "Last of the Sunshine Days". "Alisan" era mais uma bela faixa instrumental de West, nos moldes de "To My Friend" que aparecia em "Climbing". "You Better Believe It" mostra o quanto faz diferença ter Corky Laing de novo na bateria e "I Love to See You Fly" tem algo de Led Zeppelin.

Infelizmente Felix Pappalardi foi assassinado em 17 de abril de 1983 por sua esposa, em um episódio confuso. Gail Collins Pappalardi, parceira nas letras da banda, em sua época e designer de várias das capas da banda, baleou Felix no pescoço enquanto eles estavam em seu apartamento em Nova Iorque. Collins foi acusado de assassinato em segundo grau, mas a acusação foi posteriormente alterada para "homicídio negligente".

Um renovado Mountain lançou o LP "Go For Your Life!" em 1985, com Leslie West e Corky Laing, álbum por sinal dedicado à memória de Felix Pappalardi, mas novamente cessaram as atividades até os anos 90s, quando a banda, impulsionada mais uma vez por West e Laing produziu um novo trabalho, "Man’s World", em 1996. 

No esquema de trabalho com agenda bem espaçada da banda, "Man’s World” foi seguido de "Mystic Fire" apenas em 2002, quando também foi publicado um álbum com material previamente não lançado, da época de Felix Pappalardi: "What We Like".

Um novo álbum intitulado "Masters of War" finalmente foi lançado em 2007, composto por 12 covers de Bob Dylan, incluindo Ozzy Osbourne como convidado na faixa título que abre o álbum.

Como um dos primeiros expoentes do hard rock no final dos anos 60 e 70, foi uma banda decisiva no desenvolvimento do hard rock, sendo uma importante influência sobre grupos posteriores que foram responsáveis ​​pelo aperfeiçoamento do gênero como Deep Purple e Black Sabbath. 

A canção Mississippi Queen, além de ser o carro-chefe que os levou a fama, pelo uso enfático de acordes em seu riff, também foi tocada por grupos e artistas do heavy metal como Ozzy Osbourne, Ministry, WASP, Zakk Wylde, entre outros. A canção tornou-se parte da cultura popular, sendo o seu maior destaque a aparição na serie de televisão “A Show More” do Cartoon Network no episódio "Um fim de semana picante”.

Em sua carreira, Leslie West tem contado com a participação de vários músicos convidados em vários de seus álbuns como Jack Bruce, Ozzy Osbourne, Dee Snider, Johnny Winter, Slash, Zakk Wylde, entre outros.
West sofreu uma parada cardíaca e faleceu em 21 de dezembro de 2020.


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