Gary Moore
' O Blues com sotaque Irlandês '
Robert William "Gary" Moore (Belfast, 4 de abril de 1952 — Estepona, 6 de fevereiro de 2011), mais conhecido pelo nome artístico de Gary Moore, foi um conceituado guitarrista e compositor de hard rock, blues e rock progressivo. Considerado um dos maiores guitarristas da história, seu trabalho nos anos 70 e início dos anos 80 influenciou muitos grandes nomes da guitarra.
"Gary Moore dominava qualquer tipo e modelo de guitarra"
![]() |
| Com a banda Skid Row, 1969. |
A vida de quem cresceu em meio às bombas do Exército Republicano Irlandês (IRA) e às brigas religiosas do pós-guerra refletia-se em seu som de guitarra: extremamente triste e sofrido, mas também visceral e técnico quando solicitado. Gary Moore é considerado um dos guitarristas mais completos da História do Rock, indo nos seus primeiros anos do Jazz Rock ao Hard Rock, passando por Baladas e o Blues.
Moore decidi fazer um álbum solo com uma banda própria. A banda é batizada de The Gary Moore Band, e mesmo com sua base rítmica sendo o blues, o jazz também fazia sua cabeça, e o estilo percursor chamado "jazz-fusion", foi bastante explorado em seu primeiro álbum.

Embora compartilhasse do respeito por Eric Clapton e pelos músicos de blues americanos, o garoto Peter Green, de 21 anos, tinha sua própria interpretação do timbre de Les Paul.
A sua Les Paul 1959 tinha um vibrato rápido e incisivo, sua predileção por timbres limpos e cortantes, frequentemente repletos de reverberação, seu apurado senso de dinâmica, e sua incomparável sutileza melódica o diferenciam de todos os outros músicos de blues ingleses, antes ou depois dele.
Green vendeu sua guitarra mágica com seu som e captadores misteriosamente conectados para Gary, que a usou para gravar o álbum de 1995 chamado "Blues for Greeny", um repertório de onze composições originais de Peter Green, interpretadas com muito feeling, timbre e sensibilidade.
Ele iniciou a trajetória profissional aos 16 anos de idade numa banda de blues rock irlandesa chamada Skid Row, sediada em Dublin e liderada pelo baixista Brendan "Brush" Shiels. Foi a primeira banda em que Phil Lynott e Gary Moore tocaram profissionalmente antes de alcançarem maior fama com o Thin Lizzy.
Sempre disse que suas maiores influências foram Jeff Beck, Eric Clapton, Peter Green e Jimi Hendrix, porém mais tarde mergulharia de cabeça nos trabalhos dos grandes mestres guitarristas de blues como Otis Rush, Albert Collins e Freddie King.
Participou das gravações de um álbum da banda folk Dr. Strangely Stranger. Pouco depois, Gary Moore estava planejando entrar na formação do Thin Lizzy, banda irlandesa ramanescente do Skid Row, com seu parceiro baixista/vocalista Phil Lynott e o baterista Brian Downey. Mas os planos, pelo menos naquele momento, seriam adiados.
Moore decidi fazer um álbum solo com uma banda própria. A banda é batizada de The Gary Moore Band, e mesmo com sua base rítmica sendo o blues, o jazz também fazia sua cabeça, e o estilo percursor chamado "jazz-fusion", foi bastante explorado em seu primeiro álbum.
Grinding Stone foi lançado no ano de 1973 com muitas experimentações sonoras, e a banda contava com John Curtis no baixo e Pearse Kelly na bateria. O álbum foi produzido por Martin Birch.
Como o álbum não obteve o sucesso esperado, Gary investe em suas habilidades técnicas e começa a focar como guitarrista em outras bandas. Participa do Thin Lizzy em vários shows e grava o álbum Black Rose no ano de 1979. Participa também da segunda encarnação da banda de rock progressivo Colosseum, batizada de Colosseum II.
Porém, no mesmo ano de 1979, o guitarrista decidi investir em sua carreira solo para nunca mais parar. Com destaque para duas fases distintas: primeiro o hard rock e depois o blues. Álbuns como "Corridors Of Power", "Victims Of Future", "Wild Frontier" e "After The War", gravados todos na década de 80, influenciaram muitos guitarristas de estilo mais pesado e virtuoso.

Entrando na década de noventa, Gary Moore inicia sua jornada mais blueseira, até então. Com o álbum e o grande sucesso da música Still Got the Blues de 1990, o guitarrista se torna gigantesco se consagrando para sempre. Todos os seus álbuns de blues desse período são sensacionais.
Álbuns do final dos anos noventa como "Dark Days in Paradise" e "A Difefferente Beat", trouxeram uma sonoridade mais pop e até com elementos eletrônicos. Já no excelente álbum "Scars" gravado em 2002, Gary Moore volta com tudo no hard rock!
Mas sua carreira e paixão nunca saíram do blues, e falaram mais alto. Os trabalhos de sua última década foram álbuns maravilhosos inteiramente dedicados a esse estilo. Sempre se atualizando para um blues moderno e vigoroso, sua marca ficou registrada em álbuns como: Back To The Blues (2001), Power of The Blues (2004), Old News Ballads Blues (2006), Close as You Get (2007), Bad For You Baby (2008), além do póstumo How Blue Can You Get lançado só em 2021.
![]() |
| Gibson Les Paul Standard 1959. |
A história da guitarra Gibson Les Paul (1959), que era de Peter Green.
Embora compartilhasse do respeito por Eric Clapton e pelos músicos de blues americanos, o garoto Peter Green, de 21 anos, tinha sua própria interpretação do timbre de Les Paul.
A sua Les Paul 1959 tinha um vibrato rápido e incisivo, sua predileção por timbres limpos e cortantes, frequentemente repletos de reverberação, seu apurado senso de dinâmica, e sua incomparável sutileza melódica o diferenciam de todos os outros músicos de blues ingleses, antes ou depois dele.
Green vendeu sua guitarra mágica com seu som e captadores misteriosamente conectados para Gary, que a usou para gravar o álbum de 1995 chamado "Blues for Greeny", um repertório de onze composições originais de Peter Green, interpretadas com muito feeling, timbre e sensibilidade.
Uma homenagem a Jimi Hendrix.
Gary era muito reconhecido por suas apresentações e performances no palco, tendo realizado inúmeras delas no festival de Montreux. E outro momento muito especial do guitarrista foi o show no London Hippodrome, em 2007, em homenagem ao ídolo Jimi Hendrix, com a participação especial dos próprios integrantes do Hendrix, Billy Cox no baixo e do lendário baterista Mitch Mitchell.
Eles entraram no palco para tocar as músicas "Red House", "Stone Free" e "Hey Joe". Sensacional e histórico! A banda que acompanhou Gary Moore nessa noite foi formada em modelo "power trio", com Dave Bronze no baixo e Darrin Mooney na bateria. Eles apresentaram várias músicas da carreira de Jimi Hendrix, o que rendeu um álbum ao vivo chamado "Blues for Jimi", lançado em 2007.
Infelizmente, há poucas horas de ter dado entrada no hotel Estepona na Espanha, Gary Moore sofreu um ataque cardíaco enquanto dormia, e faleceu no dia 6 de fevereiro de 2011. Ele passava férias após uma jornada de shows apresentando músicas do seu último álbum em vida, "Bad For You Baby".
Um ano antes ele havia gravado um show no festival de Montreux, sua "casa" favorita. Um box de discos com suas apresentações no festival já tinha sido lançado em 2009.
As músicas mais conhecidos de Gary Moore são Parisienne Walkways, Still Got the Blues, Over The Hills and Far Away, End of the World, Murder in the Skies, The Loner e Out in the Fields em parceria com Phil Lynott e Empty Rooms.
Moore influenciou inúmeros guitarristas como Vivian Campbell, John Norum, Paul Gilbert, Jake E. Lee, Slash, Orianthi, Joe Bonamassa, Adrian Smith, Doug Aldrich, George Lynch, Zakk Wylde, Randy Rhoads, John Sykes, Phil Collen, Janick Gers, Mikael Åkerfeldt, Kirk Hammett, entre outros.
Para alegria dos fãs, um últmo álbum foi lançado postumamente, em 2021, chamado "How Blue Can You Get". Esse álbum vem direto dos arquivos de Gary Moore e reúne quatro faixas covers e quatro canções próprias.
Ouvir esse disco após tanto tempo de sua morte traz uma carga extra de emoção e sentimentos, principalmente quando fica clara a qualidade do material e da sua voz bluesy tocando profundamente nosso coração.
O resultado de toda sua carreira foi de dimensão única, de um guitarrista único !!
































