KING CRIMSON
progressivo com atmosfera e colorido instrumental
O Crimson King não inventou o rock progressivo de uma só vez, mas somou às várias ideias emergentes uma forma comum de força incomum. Abrasão derivada do jazz, sutileza folk, construção de estúdio, dissonância modernista e gosto pela escala orquestral já haviam aparecido em outros lugares. O King Crimson fez esses elementos parecerem partes da mesma linguagem.
O King Crimson é mais bem compreendido como uma sequência de conjuntos do que como uma banda estável. Robert Fripp foi o único integrante contínuo, mas instrumentos, compositores e métodos de trabalho mudaram: os sopros e o Mellotron de Ian McDonald moldaram o grupo de 1969; a improvisação em concerto tornou-se central à formação de 1972–74; Adrian Belew e Tony Levin ajudaram a definir o quarteto de guitarras interligadas dos anos 1980; e a configuração final de turnê colocou três bateristas na frente do palco.
In the Court of the Crimson King foi uma estreia excepcionalmente concentrada, mas não inventou sozinho o rock progressivo. Suas cinco faixas reúnem ataque distorcido do conjunto, canção acústica, escrita para mellotron, execução informada pelo jazz e improvisação aberta num só programa. Períodos posteriores do Crimson não se limitaram a reproduzir essa combinação; reconstruíram o contexto musical com materiais diferentes.
Formação e história da banda.
A primeira formação do King Crimson começou a ensaiar em Londres em janeiro de 1969. Robert Fripp e o baterista Michael Giles vieram do Giles, Giles and Fripp. Ian McDonald trouxe instrumentos de sopros, teclados e mellotron. Greg Lake tornou-se o baixista e vocalista principal, sendo Peter Sinfield, o responsável por escrever as letras e desenvolver a apresentação visual propondo o nome da banda.
Quando eles abriram para os Rolling Stones no Hyde Park em 5 de julho, também já haviam formado público com apresentações em clubes londrinos. A estreia autoproduzida foi gravada durante julho e agosto e lançada em outubro.
McDonald e Giles anunciaram a saída durante a primeira turnê norte americana, e Lake logo também partiu. Fripp e Sinfield continuaram produzindo pelos álbuns In the Wake of Poseidon, Lizard e Islands com mudanças de músicos em estúdio e turnê, incluindo Mel Collins, Gordon Haskell, Boz Burrell e Ian Wallace. Sinfield deixou a banda no fim de 1971, e o grupo de turnê formado por Burrell–Collins–Wallace saíram após a excursão norte americana de abril de 1972.
Robert Fripp reformulou a banda em julho de 1972 convidando o baixista e vocalista do Family, John Wetton, o baterista recém saído do Yes, Bill Bruford, o violinista e instrumentos de sopro, David Cross, e o percussionista Jamie Muir. Após o lançamento do respeitado e aclamado disco Starless, de 1974, Muir sai da banda no início do mesmo ano. Nessa época, o quarteto incorporou amplo modo de improvisação no palco, incorporando muito do estilo jazz fusion e colocando isso em prática nos shows.
David Cross partiu antes mesmo de terminarem as sessões de estúdio do álbum Red, que seria o maior sucesso da banda nos anos setenta. Deixando Fripp, Wetton e Bruford somente como um trio, a banda anunciou o fim do grupo pouco antes de o álbum surgir em 1974. Todos os membros realizaram projetos paralelos ou se integraram às bandas mais comerciais.
Retorno e a trilogia dos anos 80.
No ano de 1981, Robert Fripp e Bill Bruford reformulam o King Crimson chamando os virtuosos músicos Adrian Belew na guitarra e voz, e o baixista Tony Levin. Eles agregam ao estilo influências da música africana, gamelão, pós-punk e minimalismo nova-iorquino.
Com os lançamentos dos álbuns: Discipline (1981), Beat (1982) e Three of a Perfect Pair (1984), essa época fica reconhecida como a trilogia dos anos oitenta. Infelizmente essa formação só duraria até o final de 1984.

Após um hiato de uma década, Fripp reviveu o grupo como um sexteto que ele chamou de "trio duplo" em 1994, adicionando Pat Mastelotto e Trey Gunn. Este grupo participou de outro ciclo de atividade de três anos que incluiu o lançamento de Thrak (1995) e várias gravações de shows. Houve um hiato entre 1997 e 2000.
Quatro membros do sexteto anterior se reuniram em 2000 como um King Crimson de orientação mais industrial, chamado de "dupla dupla", lançando The Construkction of Light (2000) e The Power to Believe (2003). Após um hiato de cinco anos, o grupo se expandiu (na pessoa do novo segundo baterista Gavin Harrison) para uma turnê de 2008 comemorando o 40º aniversário de sua formação em 1968.
Após outro hiato (2009–2012), durante o qual Fripp foi considerado aposentado, King Crimson se reuniu novamente em 2013; desta vez como um septeto (e, mais tarde, octeto) com uma linha de frente incomum de três baterias e o novo segundo guitarrista e cantor Jakko Jakszyk. Esta versão do King Crimson continuou a turnê de 2014 a 2021 e lançou vários álbuns ao vivo, reorganizando e reinterpretando músicas de toda a carreira de 50 anos da banda pela primeira vez. A banda anunciou que retornaria às atividades no ano de 2025.
Sonoridade e estilo da banda.
A banda de 1969 usa contrastes extremos: "21st Century Schizoid Man" prende guitarra, sopros, baixo e bateria numa escrita distorcida em uníssono, enquanto "I Talk to the Wind" e "Epitaph" dão a flauta, texturas acústicas e Mellotron papéis estruturais diferentes. O grupo de 1972–74 é mais enxuto e volátil. O baixo de Wetton e a bateria de Bruford podem impulsionar material escrito como "Larks' Tongues in Aspic, Part Two", mas peças de concerto como "Trio", "The Mincer" e "Starless and Bible Black" cresceram pela improvisação coletiva.

O quarteto de 1981 muda novamente a gramática instrumental. Robert Fripp e Adrian Belew tocam ciclos repetitivos e interligados de guitarra, o Chapman Stick de Tony Levin divide funções de baixo e registro agudo, e Bill Bruford combina percussão acústica com eletrônica. Outro detalhe importante, as canções de Belew inserem formas vocais concisas no sistema rítmico.
O Double Trio duplica papéis de guitarra, cordas graves e percussão, enquanto o conjunto de 2013–21 inverte a disposição convencional do palco ao colocar seus três bateristas à frente e os instrumentos melódicos atrás. A continuidade reside menos num timbre do que na tensão entre estrutura exata e decisão em tempo real.
O catálogo do King Crimson ainda é extremamente relevante para as novas bandas e músicos da atualidade, pois cada álbum traz uma relação diferente entre composição e interpretação. O grupo de 1969 criou escala orquestral com instrumentação de rock e sobreposições de estúdio, a formação Wetton–Bruford permitiu que improvisações de concerto virassem material de álbum, o quarteto "Discipline" integrou ciclos minimalistas, novos instrumentos eletrônicos e canções, e o Double Trio tratou papéis duplicados como problema tanto de arranjo quanto de improvisação. São mudanças documentadas de método, não simples trocas de músicos ao redor de um estilo fixo.
O grupo de 2013–21 tornou o arquivo parte de sua prática presente, tocando material de várias formações anteriores e acrescentando novas peças e arranjos conduzidos pela bateria. O amplo arquivo de concertos da DGM também permite comparar como seções escritas e improvisações mudavam noite após noite.
Todos as formações da banda.
Robert Fripp é o único integrante presente em todos os períodos. O grupo de 1969 reunia Fripp, Ian McDonald, Greg Lake, Michael Giles e Peter Sinfield. O conjunto de 1972–74 se centrava em Fripp, John Wetton, Bill Bruford e David Cross, inicialmente com Jamie Muir. O quarteto de 1981–84 era Fripp, Adrian Belew, Tony Levin e Bill Bruford. O Double Trio acrescentou Trey Gunn e Pat Mastelotto; o grupo final de turnê, com sete integrantes, era Fripp, Jakko Jakszyk, Mel Collins, Tony Levin, Pat Mastelotto, Gavin Harrison e Jeremy Stacey.
Essa arquitetura tornou a banda numa referência duradoura. Mostrou que um álbum de rock podia usar contraste, atmosfera recorrente e colorido instrumental como recursos estruturais sem abandonar o impacto físico. O resultado não é pastiche clássico nem disco de improvisações arrastadas. É um mundo cuidadosamente cadenciado, com clima próprio.




























