Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

domingo, 31 de agosto de 2025

SHOW: THE WAILERS – Natural Mystic

THE WAILERS 
– Natural Mystic –
30th Anniversary Live


Comemoração dos 30 anos de Natural Mystic com The Wailers ao vivo no Rototom Sunsplash 2025! 

No Palco Principal, a banda dá vida à mensagem atemporal de Bob Marley & The Wailers — unindo gerações com o reggae que continua a inspirar liberdade, amor e união.

sábado, 30 de agosto de 2025

BiOgRaFiA: Otis Rush


Otis Rush
 '  O blues elétrico sem exageros, na medida certa ' 

Rush foi uma força pioneira na cena do Blues de Chicago, conhecido por suas performances carregadas de emoção com solos e arranjos magistrais de guitarra.

Guitarrista canhoto, Otis Rush desenvolveu um estilo único que ajudou a moldar o som do chamado: "Blues Elétrico".

Sua intensidade silenciosa e presença comovente em cima do palco, reflete a profunda emoção e paixão que definiam tanto sua música quanto sua personalidade reservada, porém poderosa.

Além de lendário guitarrista, foi um puro vocalista do Chicago Blues, revolucionou o gênero com suas performances apaixonadas, sendo pioneiro no "West Side Sound" e inspirando gerações de músicos, incluindo Eric Clapton e Stevie Ray Vaughan.

"Meu estilo vem de muito sentimento. Se não sinto, não toco."
-Otis Rush

Reverenciado por músicos de blues e rock, o lendário guitarrista/vocalista Otis Rush é talvez o bluesman mais intenso e comovente de sua época. Desde a década de 1950, quando lançou seu primeiro hit nas paradas pela Cobra Records, "I Can't Quit You Baby", Rush influenciou músicos como Eric Clapton, Carlos Santana, Peter Green, Stevie Ray Vaughan, Luther Allison e Michael Bloomfield. 

Rush, juntamente com Buddy Guy e Magic Sam, foi pioneiro do "West Side Sound", um som em tom menor caracterizado por vocais apaixonados com toques gospel e explosões de riffs de guitarra com arpejos. Sua abordagem única é compensada por sua técnica para canhotos – tocar a guitarra de cabeça para baixo e ao contrário: Rush curva as cordas para baixo para um efeito dramático.

Nascido na Filadélfia, Mississippi, em 1934, Rush é um músico autodidata que começou a tocar violão aos oito anos de idade. Mudando-se para Chicago em 1949, foi apresentado aos sons mais urbanos do blues. Ele tomou a decisão de se tornar um artista depois de ver Muddy Waters pela primeira vez. O impacto de Rush na cena local foi imediato. Sua abordagem sofisticada ao blues conquistou a admiração de seus colegas, que buscavam imitá-lo. O próprio Waters se tornou um devoto. Citando Otis como um dos mais profundos bluesmen, ele comentou com Robert Palmer em Deep Blues : "Ele é tão bom, cara".

Otis gravou outros clássicos para a Cobra durante a breve história da gravadora. De 1956 a 1958, ele compôs e gravou a obra-prima em tom menor "Double Trouble", a devastadora "My Love Will Never Die", a perspicaz "Three Times A Fool", a apaixonante "Keep On Loving Me Baby" e a inspirada "All Your Love (I Miss Loving)", de Earl Hooker. Produzido por Willie Dixon, o Rush gravou na zona oeste de Chicago com um grupo formado por Ike Turner na guitarra, Big Walter Horton e Little Walter na gaita e Little Brother Montgomery no piano. Eli Toscano, coproprietário da Cobra, era um jogador e perdeu a gravadora em 1959.

Otis passou a gravar para a Chess e a Duke. Além de lançar o clássico "So Many Roads, So Many Trains" para a Chess e "Homework" para a Duke, as gravadoras optaram por não explorar seu enorme talento. Mantiveram sua carreira em suspenso até meados dos anos 60, quando participou de sessões para a Vanguard Records na popular antologia "Chicago – The Blues Today!". 

Sob os auspícios de Michael Bloomfield e Nick Gravenites, Otis gravou o subestimado álbum "Mourning In The Morning" em 1969 com a seção rítmica da Muscle Shoals. A faixa "Weep What You Sow", com sua intensidade emocional de arrepiar os cabelos, é um marco do blues moderno de Chicago.

Enquanto o rock derivado do blues dominava as paradas ao longo dos anos 70 e 80, o Rush excursionou pelo mundo e em casa, mas teve uma vergonhosa falta de gravações. Em 1971, ele gravou a joia "Right Place, Wrong Time" pela Capitol Records. Inexplicavelmente, o álbum permaneceu guardado até ser adquirido cinco anos depois pela pequena gravadora Bullfrog.

Em 1994, Otis retornou ao estúdio com tudo. Gravou o álbum aclamado pela crítica "Ain't Enough Comin' In" com o produtor John Porter para a Mercury Records. Em 1998, gravou o premiado "Any Place I'm Going", produzido pelo lendário produtor de Memphis, Willie Mitchell.

Otis participou de álbuns de Peter Green e John Mayall e contribuiu com músicas para álbuns tributo a Eric Clapton, Bo Diddley e Led Zeppelin. Dois lançamentos extremamente populares, "All Your Love (I Miss Loving): Live At the Wise Fools Pub", gravado em 1976, e o conjunto de CDs/DVDs "Otis Rush And Friends: Live At Montreux 1986", com Eric Clapton e Luther Allison revisitando momentos impressionantes da história do blues.

Ao longo de uma carreira de seis décadas, Otis Rush continua sendo o bluesman por excelência.

Escrito por Beverly Zeldin-Palmer
*O ano exato do nascimento de Rush foi citado de forma diferente, às vezes tão cedo quanto 1932 e tão tarde quanto 1935. Devido à falta de registros públicos adequados de afro-americanos nascidos no sul, nenhuma certidão de nascimento real foi localizada. Seu passaporte e outros documentos atuais listam seu ano de nascimento como 1934, e esse ano é usado como referência aqui.


quinta-feira, 28 de agosto de 2025

SHOW: Steve Hillage - Live At Rockpalast

Steve Hillage 
Live At Rockpalast 
Bensberg, Germany, 1977.


Em 20 de março de 1977, Hillage deu um concerto como parte da turnê "L" na Escola Otto Hahn em Bensberg (perto de Bergisch Gladbach), Alemanha, que foi gravado pela WDR e transmitido pela televisão alemã com um pequeno atraso. Steve Hillage estava na estrada com uma banda que ele havia formado especialmente para a turnê. 

Além de sua parceira Miquette Giraudy, nenhum dos músicos envolvidos havia trabalhado nos álbuns de estúdio. Clive Bunker, do Jethro Tull, toca bateria, e o baixista do Camel, Colin Bass, completam a seção rítmica. Phil Hodge e Basil Brooks (Gong, Zorch) apoiam Miquette Giraudy nos instrumentos de teclado.

A banda ao vivo da nova vida aos clássicos de Hillage, como "Fish Rising" e "L", com bastante pressão e energia, baixos guturais, percussão virtuosa e sensacionais solos de Minimoog. "Not Fade Away (Glid Forever)", no final do repertório, oferece uma perspectiva musical do álbum "Motivation Radio", que só seria lançado em setembro de 1977. Não há melhor maneira de tocar e vivenciar o Spacerock ao vivo à la Steve Hillage.

Banda: 
Steve Hillage - guitar 
Miquette Giraudy - synth/vocals 
Clive Bunker - drums 
Phil Hodge - keys 
Basil Brook - synth/fl 
Christian Boulé - guitar 
Colin Bass - bass/vocals

Setlist: 
1. Salomon Song
2. Hurdy Gurdy Glissando
3. Hurdy Gurdy Man
4. Solar Musick Suite
5. Lunar Musick Suite
6. It's All Too Much
7. Afterglid Pt. 1
8. Electrick Gypsies
9. Not Fade Away (Glid Forever)


SHOW: Guru Guru - Live At Rockpalast

Guru Guru 
Live At Rockpalast
Cologne, Germany, 1976.


Verão de 1976. A jovem esquerda alemã se encontrava em estado de choque: Ulrike Meinhof, cofundadora da gangue Baader-Meinhof, enforcou-se em sua cela na prisão de Stuttgart-Stammheim em 9 de maio. Um ponto baixo temporário em um drama político que governou a Alemanha na década de 1970 e também deixou sua marca na cultura e no rock. 

O Guru Guru, fundado em agosto de 1968, originalmente se via como parte do movimento estudantil, cutucando os conceitos morais da classe média conservadora com manifestações públicas de filosofias como "Um cigarro por dia mantém o médico longe" e desfrutava de uma reputação duvidosa como fumantes de maconha. Ou, como o guitarrista Roland Schaeffer disse durante uma apresentação no Rockpalast em 6 de junho de 1976: "Um pouco de maconha é tudo que você precisa".

O Guru Guru, apresentado pelo líder da banda, Mani Neumeier, como "o grupo de rock mais prático da Alemanha" no início do show no Studio L de Colônia, foi o primeiro artista alemão a ser convidado pelo canal de TV WDR para se apresentar em um show do Rockpalast. "Quero que as pessoas joguem seus sapatos e cuecas para o alto por pura diversão, para perderem completamente as inibições", explicou Neumeier por ocasião do lançamento do álbum de estúdio do Guru Guru, Tango Fango, em uma entrevista à revista Sounds, acrescentando: "Seria ideal se as pessoas realmente enlouquecessem. Eu costumava querer ser um revolucionário ou algo assim, agora meu único objetivo é ser um bom artista."

Tango Fango foi o primeiro álbum do Guru Guru em que Mani Neumeier deixou de se basear em seu conceito anterior de trio. Já no final de 1974, ele admitiu, com autocrítica, que o Guru Guru havia — provavelmente por hábito — permanecido por muito tempo com sua formação de três integrantes. Após o lançamento de Dance Of The Flames e divergências internas, ele separou o trio em 1974, lançando inicialmente com alguns amigos musicais a gravação solo Mani und seine Freunde e montando uma nova formação do Guru Guru em maio de 1975 com o ex-multi-instrumentista do Brainstorm, Roland Schaeffer, o guitarrista Sepp Jandrisits e o antigo baixista do Kollektiv, Jogi Karpenkiel. 

A visão de Neumeier: "A unilateralidade do trio é coisa do passado; nossa gama agora inclui tudo, do calipso ao iodelei." Como resultado, a gravação do Rockpalast consiste em uma mistura colorida de rock, jazz e pastelão, apresentando ritmos diversos, como bossa nova, tango e muito mais.

Banda: 
Roland Schaeffer - saxofone, vocal e guitarra. 
Josef Jandrisits - guitarra e vocal. 
Jogi Karpenkiel - baixo
Mani Neumeier - bateria e vocal.

Repertório: 
1. Einmarsch
2. Salto Mortadella
3. Banana Flip 
4. L. Torro
5. Rattenfänger
6. Ooga Booga Spezial
7. Bossa Nova
8. Night Bear
9. Tomorrow
10. Medley
11. Elektrolurch-Mutation
12. Tango Fango
13. Medley: Woman Drum/All You Want


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

PoLíTiCa: Aula - "Desenvolvimento, política agrária e agricultura familiar"

Reforma Agrária e
Agricultura Sustentável Familiar.
( João Pedro Stédile )

Aula aberta "Desenvolvimento, política agrária e agricultura familiar", com João Pedro Stédile, economista e membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). A aula é parte do curso de extensão "Desenvolvimento, trabalho e políticas públicas", fruto de uma parceria entre Fundação Perseu Abramo e Unicamp.

Fundação Perseu Abramo


terça-feira, 26 de agosto de 2025

MuSeU: DELTA BLUES

Área externa do Delta Blues
Museu 
Delta Blues
( Clarksdale )

O museu "Delta Blues", localizado em Clarksdale, Mississippi
, é um museu dedicado a coletar, preservar e fornecer acesso público e conscientização sobre o gênero musical conhecido como "Blues". Além de possuir importantes itens relacionados ao blues, o museu também exibe e coleciona arte que retrata a tradição do blues, incluindo obras do escultor Floyd Shaman e do fotógrafo Birney Imes.

O museu está localizado na Estação de Passageiros de Yazoo e Vale do Mississippi, também conhecida como Estação Central de Passageiros de Illinois ou Estação de Passageiros de Clarksdale, que foi construída em 1926 e listada no Registro Nacional de Lugares Históricos em 1995.



Museu

O museu abriga muitos artefatos relacionados ao blues, notadamente o casebre onde a lenda do blues, Muddy Waters, supostamente vivera em sua juventude, na plantação Stovall, perto de Clarksdale. O casebre foi restaurado para fins de estabilidade estrutural, com o apoio de Isaac Tigrett, proprietário da "House of Blues" (Casa do Blues), e transportada da plantação Stovall, em uma turnê, pelos locais da "House of Blues", antes de ser devolvida ao Mississippi, para o museu, e reconstruída por dentro.

Há um documentário de 30 minutos, de 2003, com o mesmo nome.


Vestimentas de alguns artistas 
Em 2013, uma placa foi colocada do lado de fora do museu, indicando ser olocal parte da Mississippi Blues Trail (Rota do Mississipi Blues).

O museu foi visitado por muitas celebridades, como Eric Clapton e Paul Simon. A banda de rock texana ZZ Top, especialmente o vocalista Billy Gibbons, fizeram deste museu seu projeto piloto e arrecadaram milhares de dólares em apoio.

O museu também tem como foco a formação de jovens interessados em aprender a tocar instrumentos musicais.

Estação ferroviária

O edifício foi incluído no Registro Nacional de Locais Históricos em 1995. O museu, depois, mudou-se para a antiga estação ferroviária, em 1999. O edifício de tijolos, de cerca de 1918, serviu como estação ferroviária de passageiros da Estação de Yazoo e Vale do Mississippi e, posteriormente, como depósito de carga da Estação Central de Passageiros de Illinois.

Seção exclusiva à Muddy Waters 
Bem-vindo à terra onde o blues começou!

Desde a sua criação, o Museu Delta Blues preservou, interpretou e incentivou um profundo interesse pela história do blues. Fundado em 1979 pelo Conselho de Curadores da Biblioteca Carnegie e reorganizado como museu independente em 1999, o Museu Delta Blues é o museu de música mais antigo do estado. O museu é administrado por um conselho de cinco membros, nomeados pelo Prefeito e pelo Conselho de Comissários de Clarksdale. Por meio de financiamento da Prefeitura de Clarksdale, admissões, mensalidades, receita da loja de presentes, agências financiadoras e doações, o museu utiliza esses fundos públicos e privados para cumprir sua missão de preservar e ensinar o blues.

O Delta Blues Museum celebra seu 46º aniversário em 30 de janeiro e, ao longo de 2025, você descobrirá as últimas novidades em exposições e eventos emocionantes para participar, abrangendo os mais de 45 anos de experiência do museu explorando o novo e preservando o blues do passado. 

Estamos muito felizes em recebê-lo e explorar o Blues!


BiOgRaFiA: Mississippi Fred McDowell

"Mississippi" Fred McDowell

Fred McDowell, figura seminal do blues das colinas do Mississippi, foi um dos artistas mais vibrantes do revival do blues na década de 1960. McDowell (1906 - 1972) era meeiro e artista local em 1959, quando fez suas primeiras gravações em sua casa, em uma fazenda ao norte de Como, para o renomado folclorista Alan Lomax. A profundidade e a originalidade da música de McDowell lhe renderam tamanha aclamação mundial que ele pôde gravar e fazer turnês prolíficas durante seus últimos anos.

"Mississippi" Fred McDowell, como era comumente chamado, nasceu e foi criado em Rossville, Tennessee. Ele nunca soube sua data de nascimento – 12 de janeiro de 1904 é frequentemente citado, embora documentos do censo e da Previdência Social apontem para 1906 ou 1907. Sua música mesclava os sons que ouvia de guitarristas locais no Tennessee com o ritmo pulsante das juke joints das colinas do norte do Mississippi e o blues pesado que ele aprendeu durante os vários anos que passou no Delta. Músicas espirituais eram uma parte importante de seu repertório, e uma delas, "You Got to Move", gravada por McDowell em 1965, ganhou grande notoriedade quando a banda The Rolling Stones gravou em seu álbum de 1971, Sticky Fingers.

McDowell, que aprendeu a dedilhar as cordas da guitarra com um gargalo ou uma corrediça de metal depois de ver o primo do pai tocar com um osso de bife, aprimorou suas habilidades sob a tutela do amigo e vizinho de longa data Eli Green, que diziam possuir poderes mágicos. A canção de Green, "Write Me a Few Lines", tornou-se uma peça de assinatura de McDowell e foi posteriormente gravada por uma de suas maiores admiradoras, Bonnie Raitt. 

McDowell também era tão conhecido pela rítmica tour-de-force "Shake 'Em On Down" que ganhou o apelido de "Shake 'Em". Sua música lançou as bases para gerações de músicos de hill country que viriam a seguir, mais notavelmente RL Burnside, que começou tocando a guitarra de McDowell em uma festa em casa. Alan Lomax descreveu McDowell como "um bluesman bastante igual a Son House e Muddy Waters, mas, musicalmente falando, seria o  avô".


Os álbuns aclamados que McDowell lançou durante sua tardia carreira fonográfica (1959-1971) provaram que algumas das maiores músicas country blues haviam passado despercebidas pelas gravadoras que vasculhavam o Sul em busca de talentos nas décadas de 1920 e 1930. McDowell se viu requisitado em clubes e festivais de folk e blues, mas manteve um emprego como abastecedor na loja de doces e posto de gasolina Stuckey's na I-55 durante seus últimos anos, mesmo quando finalmente conseguiu se sustentar como músico. 

O Stuckey's tornou-se seu ponto de encontro e seu escritório, onde recebia ligações de agentes de reservas e produtores musicais. Nos primeiros anos, McDowell teve uma variedade de empregos, incluindo colheita de algodão, direção de trator e trabalho para uma usina de óleo, uma indústria de laticínios e uma madeireira. Em 1940, quando solicitou um cartão de Seguro Social, foi contratado pelo Hotel Peabody em Memphis. Cinquenta e um anos depois, o Peabody foi o local da entrada póstuma de McDowell no Hall da Fama do Blues. McDowell faleceu no Hospital Batista de Memphis em 3 de julho de 1972. Ele está enterrado no cemitério da Igreja MB de Hammond Hill, ao norte de Como.

Conteúdo © Comissão de Blues do Mississippi.


domingo, 24 de agosto de 2025

DiScOs InCrÍvEiS Freddie King

Freddie King 'Texas Cannonball' 
- 1972 -

Texas Cannonball continua sendo uma das obras mais celebradas de King e é frequentemente citado como uma influência fundamental nas gerações subsequentes de músicos de blues e rock.

A interpretação dos padrões de blues por King , juntamente com sua performance poderosa, contribuiu para a aclamação da crítica do álbum e solidificou seu papel no renascimento do blues no início dos anos 1970. Texas Cannonball inclui contribuições de Don Preston na guitarra, Carl Radle no baixo e Jim Gordon na bateria, cozinha da banda The Dominoes.

Após o sucesso de seu álbum de 1971, Getting Ready, Freddie King continuou sua colaboração com Leon Russell e Denny Cordell na Shelter Records para produzir Texas Cannonball. O álbum apresenta uma mistura de covers e composições originais, incluindo canções de John Fogerty, Lowell Fulson, Leon Russel, Bill Withers e "You Was Wrong", do próprio King.

A capa do álbum Texas Cannonball foi criada pelo artista americano Jim Franklin, uma figura proeminente no movimento de contracultura do Texas nas décadas de 1960 e 1970. Conhecido por suas ilustrações surreais com tatus, a capa apresenta uma representação dramática de Freddie King emergindo de um campo de bluebonnets com tatus saltando de sua guitarra - um motivo recorrente na obra de Franklin.


Contra capa do álbum.
Formação da banda:
Lado A
Freddie King - (guitar/vocals)
Don Preston - (guitar)
Leon Russell - (piano)
John Gallie - (organ)
Carl Radle - (bass)
Chuck Blackwell - (drums)
Jim Gordon - (drums)

Formação da banda:
Lado B
Freddie King - (guitar/vocals)
Don Preston - (guitar)
Leon Russell - (piano/organ/slide guitar)
Duck Dunn - (bass)
Al Jackson - (drums)

Lado A
1. LOWDOWN IN LODI
2. RECONSIDER BABY
3. BIG LEGGED WOMAN
4. ME AND MY GUITAR
5. I’D RATHER BE BLINDSIDE B

Lado B
1. CAN’T TRUST YOUR NEIGHBOR
2. YOU WAS WRONG
3. HOW MANY MORE YEARS
4. AIN’T NO SUNSHINE
5. THE SKY IS CRYING


sábado, 23 de agosto de 2025

Mpb - Instrumental Sesc Brasil

 A Pluralidade 
da 
Música Brasileira

Instrumental Sesc Brasil

DescriçãoO Instrumental Sesc Brasil, projeto pioneiro de música Instrumental do Sesc, foi adaptado para TV em 1990, mas já existia nos palcos da unidade provisória do Sesc Avenida Paulista desde o início da década de 80. Atualmente, os shows acontecem semanalmente no Teatro Anchieta, na unidade Sesc Consolação. O projeto é um espaço de encontro entre músicos novos e consagrados de diversas vertentes que contabiliza mais de 700 shows assistidos presencialmente por mais de 200 mil pessoas.

Links

Instrumental Sesc Brasil:

Toninho Horta

Toninho Horta e sua banda oficial realizam um show imperdível. Com repertório de várias décadas, o concerto apresenta clássicos originais desde a época do Clube da Esquina - do disco "BELO" - junto aos temas instrumentais inéditos de Toninho, Yuri Popoff e André Dequech, do disco "HORIZONTE".


SHOW: Pepeu Gomes

Pepeu Gomes

| Programa Instrumental Sesc Brasil |

O guitarrista, cantor, compositor, produtor e arranjador musical, apresenta seu show instrumental eletro acústico. O show, que já vem sendo mostrado pelo Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa, possui repertorio eclético e universal. 

Influenciado por João Gilberto, Dorival Caymmi e Paco de Lucia, Pepeu apresenta músicas de sua autoria, e faz homenagem aos grandes mestres da música instrumental do Brasil, como Valdir Azevedo, Jacob do bandolim, Pixinguinha e Ary Barroso. 

Ficha técnica:

PEPEU GOMES guitarra 
RICARDO GUERRA percussão 
MARCELO MENDES percussão 
DIDI GOMES contrabaixo 
JORGE GOMES bateria 
FILIPE PASCUAL guitarra 
EDUARDO VIANA teclados 
DANIEL IMENES guitarra 

Produção: SIMONE SOBRINHO 

Repertório:

DINAMITE (Pepeu Gomes e Jorginho Gomes) 
XULIPE NO REGGAE (Pepeu Gomes) 
ISABELLA "EU TIVE UMA IDÉIA" (Pepeu Gomes) 
NA QUEBRADA DO GARCIA (Pepeu Gomes) 
PARA PACO DE LUCIA (Pepeu Gomes) 
ÍNDIO DO ALTO DA SILVEIRA (Pepeu Gomes) 
FIM DA FESTA (Pepeu Gomes) 
ROCK NO CARNAVAL (Pepeu Gomes).

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Ideias Anti-Racismo: Lília Guerra

Literatura Anti-Racismo

Texto de Eliana Alves Cruz: É guerra o tempo todo.


A escritora Lília Guerra e o racismo nosso de cada dia.

O líder, intelectual e imortal indígena da Academia Brasileira de Letras Aílton Krenak, há alguns anos, no primeiro episódio do ótimo documentário Guerras do Brasil, dirigido por Luiz Bolognesi, falou algo perturbador e antológico: “Nós estamos em guerra. Eu não sei por que você está me olhando com essa cara tão simpática. O seu mundo e o meu mundo estão em guerra. Os nossos mundos estão todos em guerra. A falsificação ideológica que sugere que nós temos paz, é pra gente continuar mantendo a coisa funcionando. Não tem paz em lugar nenhum. É guerra, em todos os lugares, o tempo todo”.

Como esse “tempo todo” é algo que não passa no Brasil e os fatos parecem se entrelaçar de maneira irônica, uma escritora que tem “guerra” no sobrenome, participante da programação principal da Flip em 2025, foi a prova da verdade proferida por Krenak.

Lília Guerra, autora dos excelentes livros “O céu para os bastardos” e “Perifobia” subiu no palco principal da Festa Literária de Paraty, a FLIP, a mais famosa do país, aquela que deu origem a todas as outras neste formato. Finalizado o evento, já em casa, ela recebe um contato da organização, informando que pousada deu falta de um lençol e uma manta no quarto em que ela estivera.

Lília estava sendo alvo da suspeita de um furto.

Em suas palavras, no texto que escreveu para desaguar todo o caos interior que se instala quando algo assim acontece: “Pelo que entendi, a pousada solicitava reembolso do valor correspondente aos itens apontados como ausentes no quarto onde estive, após a checagem padrão. A produção da Festa foi contatada porque era responsável pela minha estadia e me colocou a par da situação. Me disseram que duvidavam muito que isso houvesse realmente ocorrido. Porém, que se tivesse sido assim, eu só precisava confirmar e eles providenciariam o ressarcimento”.

São tantas camadas de erro que é até difícil começar a enumerar, mas vamos aprofundar aqui na conjunção adversativa “porém”. A dúvida é um tapa na cara. Não apenas de Lília, mas de todos e todas nós que crescemos apontados como possíveis cometedores de delitos, contravenções, atos fora da lei, violências. A dúvida é a certeza da dureza que é escapar da lógica colonial que fixou cada pedra do chão da cidade de Paraty, parte do Caminho do Ouro e um dos epicentros da riqueza colonial brasileira.

Lília entrou pela porta da frente, como resultado da projeção que conquistou com sua escrita importante, necessária, bonita. Sentou-se na cadeira do centro do palco com a imagem de Carolina Maria de Jesus, uma inspiração e um incentivo, estampada no peito. Realizou um desejo de muitos escritores e escritoras em todo o país, para alegria de quem a ama, considera e admira. Para contentamento de todos nós, escritores e escritoras negros e negras, que por décadas sem conta estivemos alijados destes espaços dados à intelectualidade brasileira. Um evento que nos últimos nove anos vêm buscando dar voz e espelhar a produção literária tão diversa do país. Aí, como diz o pema do Drummond, no “meio do caminho tinha uma pedra”, no meio da fala tinha um “porém”.

Lília prosseguiu em seu desabafo.

“(…) Suponho que deva ser uma ocorrência corriqueira, dada a naturalidade com que me foi comunicada. Para mim? Um piano de cauda descendo uma ladeira de patins. Inacreditável.

(…) Recebi pedidos de desculpas, sim. Pelo equívoco, pela condução desacertada, pelo incômodo, pela comunicação falha. Pela falta de assertividade, pelo desencontro de informações, pela demora no retorno. Pelo desconforto, pela gravidade. Acreditei na sinceridade de todos esses pedidos e os aceitei. Tanto que, em determinado momento, me flagrei elaborando como agir, de modo a não parecer julgadora, intolerante, injusta, transgressora do Pai Nosso, inflexível ou incompreensiva. Não deixei de pensar que somos todos passíveis de erros e procurei administrar o tempo para ouvir quem achou por bem se manifestar. Eu mesma não tenho muito mais a dizer.

Livro: O Céu para os Bastardos, Lília Guerra.

Decidi compartilhar a experiência porque as Festas e Festivais, Feiras e acontecimentos literários seguirão ocorrendo e isso é muito bom! Desejo que se expandam! Que se realizem em todos os cantos do Brasil. Que alcancem o povo! E acredito que haverá mais pessoas como eu transitando por esses eventos. Nas curadorias, mediações. Nas mesas e, sobretudo, nas plateias. (…) É preciso aprender a conviver com a gente nesses meios. Estamos aí!”

Sim, querida Lília, estamos aí, mas é bom nunca esquecer aquelas pedras que pavimentam Paraty e todos os espaços neste país. Ouçamos Drumond:

“Nunca me esquecerei desse acontecimento

Na vida de minhas retinas tão fatigadas

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

Tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra”

E levemos a sério o alerta de Krenak: “É guerra, em todo lugar, o tempo todo”.

Eliana Alves Cruz é carioca, escritora, roteirista e jornalista. Foi a ganhadora do Prêmio Jabuti 2022 na categoria Contos, pelo livro “A vestida”. É autora dos também premiados romances Água de barrela, O crime do cais do Valongo; Nada digo de ti, que em ti não veja; e Solitária. Tem ainda dois livros infantis e está em cerca de 20 antologias. Foi colunista do The Intercept Brasil, UOL e atuou como chefe de imprensa da Confederação Brasileira de Natação.

Plataforma ICL de Comunicação.
https://iclnoticias.com.br/e-guerra-o-tempo-todo-lilia/


quarta-feira, 20 de agosto de 2025

AfRoBeAt: Femi Kuti - Live at North Sea Jazz Festival

Femi Kuti 
| Full Concert |
| Live at North Sea Jazz Festival | 
| 1999 |

Uma breve biografia da família Kuti.

Fela Kuti

Músico mundialmente famoso, Fela Kuti (1938-1997) foi preso por usar a música para criticar o governo militar da Nigéria nas décadas de 1970 e 1980. No dia 15 de outubro, data de seu nascimento, celebra-se o Fela Day, dia de homenagens ao criador do afrobeat.


Desde 1976 ele foi detido pelo menos cinco vezes. Em 1977, sua casa foi incendiada e membros de sua família ficaram gravemente feridos quando centenas de soldados o prenderam. Em setembro de 1984, Fela foi preso novamente, desta vez sob a alegação de ter tentado exportar ilegalmente moeda estrangeira. Ele foi condenado a cinco anos de prisão em novembro de 1984.

A Anistia Internacional começou a fazer campanha pela libertação de Fela, considerando que seu julgamento foi injusto e que ele foi preso apenas por seu ativismo político. Cartas de apoio para a campanha começaram a chegar em 1985.

Após meses de pressão de nossos ativistas e simpatizantes do músico, ele foi libertado da prisão em 24 de abril de 1986. Dois meses depois, ele foi um dos destaque no nosso show “Conspiracy of Hope” – turnê pelos EUA com U2, Sting, Peter Gabriel, Lou Reed e Joan Baez.

Em 2010, o show Fela! estreou em Londres, trazendo a história e música de Fela Kuti para uma nova geração. Seu filho, Femi, enviou a seguinte mensagem para o público do show:

“Meu pai, Fela Kuti, foi libertado da prisão em 1986, depois que a Anistia Internacional passou a considerá-lo um prisioneiro de consciência. Eu sou uma das milhares de pessoas cuja vida tem sido diretamente afetada pelo trabalho da Anistia Internacional.”

Femi Kuti

Olufela Olufemi Anikulapo Kuti mais conhecido por Femi Kuti, é um músico nigeriano nascido em Londres e criado em Lagos. Ele é o filho mais velho do pioneiro do afrobeat, Fela Kuti e neto de Funmilayo Ransome Kuti, um militante político, ativista dos direitos das mulheres e tradicional aristocrata.

A carreira musical de Femi começou quando ele começou a tocar na banda de seu pai, o Egypt 80. Em 1986, Femi começou sua própria banda, Positive Force, e começou a se estabelecer como um artista independente do enorme legado de seu pai.

O primeiro disco de Kuti leva seu próprio nome e foi lançado em 1995 pela gravadora Tabu/Motown, seguido três anos mais tarde pelo álbum Shoki Shoki, que foi bastante aclamado pela crítica. Em 2001, ele teve a colaboração de Common, Mos Def e Jaguar Wright no álbum Fight to Win, um esforço para sua música chegar a um público mais amplo, e começou uma turnê dos Estados Unidos com Jane's Addiction. Em 2004, ele abriu o The Shrine, seu próprio clube, onde gravou o álbum Live at the Shrine.

North Sea Jazz Festival
9 DE JULHO DE 1999
 • TUINPAVILJOEN • Haia, Holanda.

Olufela Olufemi Anikulapo Kuti (nascido em 16 de junho de 1962), popularmente conhecido como Femi Kuti, é um musicista nigeriano nascido em Londres e criado em Lagos. Ele é o filho mais velho do pioneiro do Afrobeat Fela Kuti e neto do ativista político, ativista dos direitos das mulheres e aristocrata tradicional Funmilayo Ransome-Kuti.

Setlist: 
1 Truth don die 
2 Beng beng beng 
3 What will tomorrow bring 
4 Victim of life
5 Blackman know yourself
6 Look around
7 Sorry Sorry
8 Eregele
9 Scatta head


SaMbA: Martinho da Vila

Angola do Samba

A incrível história de Gonçalves, o menino de Angola que atravessou o oceano atlântico para o Brasil, sozinho, só para encontrar Martinho da Vila. 

O menino de Angola
Fã do sambista, garoto cruzou o oceano escondido em avião da TAP aos 10 anos de idade, e emocionou o país com sua história.

Uma história digna de cinema marcou a trajetória de Martinho da Vila com Angola: na década de 1980, um menino angolano viajou clandestinamente para o Brasil apenas para tentar morar com o sambista. O pequeno Gonçalves Antônio Sobrinho, de apenas 10 anos, embarcou sozinho em um voo da TAP em Luanda e desembarcou no Rio de Janeiro determinado a encontrar seu ídolo.

A ligação de Martinho com Angola é antiga e profunda. O cantor visitou o país pela primeira vez em 1969, ainda sob domínio colonial, e participou de diversas turnês culturais nos anos seguintes. Em 1980, durante uma excursão ao lado de nomes como Chico Buarque, Clara Nunes e Dorival Caymmi, o sambista conheceu Gonçalves, um garoto esperto e encantado por sua música, que passou a segui-lo durante toda a viagem.

— Ele sempre pedia para ir junto, e eu deixava. No fim, ele disse que queria me visitar no Brasil. Falei brincando que era só perguntar por mim em Vila Isabel — relembra Martinho.

A brincadeira virou realidade. Pouco depois da turnê, Martinho precisou ser internado no Rio por recomendação médica. E, enquanto se recuperava, um episódio inusitado surpreendeu o país: Gonçalves chegou ao Brasil escondido em um avião, enganou a imigração dizendo que a mãe vinha logo atrás e ainda pegou um táxi no aeroporto, pedindo para ir até a casa de Martinho da Vila — com apenas uma palavra anotada na mão: “Grajaú”.

Sem saber o endereço exato, o taxista levou o garoto até a Rádio Globo, onde o locutor Haroldo de Andrade fez um apelo público. A então companheira do cantor, Lícia Caniné, a Ruça, foi até a emissora e reconheceu o menino, que havia convivido com o grupo durante a turnê.

Com autorização judicial, Gonçalves passou um fim de semana com Martinho em Duas Barras, interior do Rio, antes de ser encaminhado de volta a Angola pelo Juizado de Menores. No breve período em que esteve com a família do cantor, passeou pela cidade, conheceu o Pão de Açúcar e se divertiu com os instrumentos musicais da casa.

— Era preciso ficar de olho o tempo todo. Ele saía andando, curioso com tudo — conta Martinho.

Após o retorno do menino ao seu país de origem, os dois perderam o contato. Mas o episódio reforçou ainda mais a relação de Martinho da Vila com Angola. O sambista seguiu sendo um elo entre os mundos cultural e musical dos dois países, gravando álbuns como Canto Livre de Angola (1982), participando de festivais internacionais e lançando livros como Kizombas, andanças e festanças (1992).

Mais recentemente, entre abril e maio deste ano, Martinho voltou ao país africano com o show Canto Livre de Angola, em celebração aos 50 anos da independência. A turnê agora chega ao Rio de Janeiro, com apresentação marcada no Circo Voador, reunindo sucessos do artista e homenagens à música africana.

— Vai ser um show alegre, pra todo mundo cantar e dançar junto — afirma Martinho.

Canal Negritude em Letras

terça-feira, 19 de agosto de 2025

HiStÓrIaS Do ReGgAe: Ritmos de Jah

A história do
 Reggae

Vamos contar um pouco da velha história do reggae ou do ritmo de Jah e saber como ele saiu de uma ilha de proporções medianas e ganhou tamanha importância na cultura mundial. O reggae é visto  como uma forma musical que surgiu juntamente com a Jamaica independente e emancipada da Inglaterra. Por isso o idioma falado na ilha é o britânico. A famosa ilha caribenha de população nativa composta pelos índios arawak, que a chamavam ilha de Xaymaca – Terra das Primaveras –, e tal denominação foi a única herança que deles restou, transformada na então Jamaica.

A ilha foi “descoberta” por Colombo em 1494 e ficou sob domínio espanhol até 1660, quando foi tomada por piratas ingleses como Harry Morgan, mais tarde feito governador da nova colônia. Relegada a ser mais um fornecedor de cana-de-açúcar e outras matérias-primas, a ilha foi, por 250 anos, um dos muitos destinos dos africanos tirados à força de suas terras para trabalhar nas plantações do Novo Mundo. A grande maioria veio da costa ocidental do continente africano, de etnias como a dos Ibos, Coromantee, Hausa, Mandingo, Nagô e Yorubá. As tradições destes povos foram preservadas na Jamaica que se dedicam a práticas religiosas chamadas por lá de kumina ou pocomania, parecidas com as que temos nas crenças afro-brasileiras, como o candomblé. 

Ska

A música que vinha de seus tambores teve uma influência direta sobre o reggae, como pode ser ouvido em canções como “Rastafari is”, de Peter Tosh, ou no canto tradicional “Rastaman Chant”, gravado pelos Wailers no álbum “Burning”. As canções tradicionais têm o formato de chamado-e-resposta, base de todos os estilos da música africana. A música popular européia, na forma das quadrilhas e canções trazidas pelos ingleses e os intrumentos trazidos por estes, como a rabeca, também teve o seu papel na evolução musical jamaicana.

A fusão desses estilos e sua forma musical aparentada com o calipso que usa uma grande variedade de instrumentos, como o banjo, flautins e o violão, muitos deles artesanais como flautas e “saxofones” de bambu. Ainda hoje existem bandas de mento na ilha, a mais famosa delas é a Jolly Boys, que chegou inclusive a gravar um reggae com Lee Perry, a bela “Concious Man”.

Em Kingston ou Spanish Town o som que mais agradava no final dos anos 50 era o rhythm & blues americano, que reverberava nas ruas através dos sound-systems, então um simples toca-discos ligado a uma ou duas caixas de som, mas que tinha potência suficiente para colocar todos para dançar. As músicas gravadas então nos precários estúdios disponíveis tentavam imitar o estilo americano. 

Isso mudou em 1961 com o lançamento de “Oh Carolina”, uma tentativa do produtor e dj Prince Buster de misturar os sons com que havia tomado contato nos rituais rastafari com o vocal do Blues, algo totalmente diferente do que se ouvira até então. O sucesso foi enorme e pela primeira vez na Jamaica os tambores afro ganharam o rádio. Era o início de um movimento de revalorização da identidade cultural da ilha batizado de Ska.

Steve Barrow chamou o ska de “declaração de independência musical jamaicana” , um estilo que nasceu ligado ao período de grande entusiasmo e afirmação dos valores culturais locais. Ao mesmo tempo que os discos de rhythm & blues ficavam cada vez mais difíceis de se achar, a Jamaica fervilhava de talentos musicais. O novo ritmo começou a surgir espontaneamente e apesar de muitos disputarem o título de “pai” do ska, como Prince Buster, Clue J, Coxsonne Dodd e outros, ele foi na verdade uma criação coletiva, como costuma acontecer nesses casos. O ska se impôs como um estilo tocado por grandes conjuntos, com destaque para o naipe de sopros.

Os Skatalites eram a banda principal, composta pelos saxofonistas Tommy McCook  e Roland Alphonso, o trombonista Don Drummond e outros instrumentistas, era a banda de estúdio mais rodada de Kingston. Eles tocaram com os maiores talentos que emergiam na cena jamaicana, como Bob Marley, Peter Tosh, Lee Perry, Jimmy Cliff, Toots Hiberts and The Maytals e muitos outros.

A Jamaica se transformou em um laboratório sociocultural vivo e dinâmico, tocado, entre outros fatores, pelo ritmo da música. Por tudo isso, no verão de 1966, o ska seria substituído no coração do público da ilha por uma nova batida, o rocksteady!

Rocksteady 

Nome dado ao ritmo que dominou as paradas jamaicanas entre o ska e o surgimento do reggae, mais exatamente entre o fim de 66 e a metade de 68. No entanto pode-se dizer que, na verdade, trata-se do primeiro formato do estilo reggae.

É geralmente aceito que teria sido justamente um cantor, Hopeton Lewis, o primeiro a pedir aos músicos para desacelerar o ritmo do ska para que fosse possível encaixar a letra de uma canção. Nesta gravação histórica, que resultaria no sucesso ‘Take it Easy’, o pianista Gladstone Anderson teria comentado que aquele era um balanço mais regular, mais firme (rock steady), batizando o novo ritmo. No final de 66, outras canções apareceram retomando o andamento do rhythm & blues de Fats Domino, tão popular na ilha nos anos 50 e aproveitando a batida persistente em que o ska se baseava, criando um som diferente de tudo o que havia sido ouvido antes e que seria a base para tudo o que se faria depois.

A introdução da guitarra e do baixo elétricos em meados dos anos 60 pode ser considerada como um evento fundamental que tornou possível esta mudança no cenário musical jamaicano. Eles permitiram que os músicos criassem linhas de baixo mais ágeis, que serviriam como base para o rocksteady e também para o reggae. 

Bob Marley chegou a comentar que os instrumentistas ligados ao ska, que tinham como referência musical o jazz e rhythm & blues, abriram caminho para novos músicos, mais influenciados pela soul music e pelo rock n’roll. Assim, os metais (saxofone, trombone, trumpete etc), que eram a base do ska, foram para o segundo plano, dando espaço para que os outros instrumentos e a voz dos cantores sobressaíssem. Seja como for, logo o rocksteady caiu nas graças dos novos frequentadores dos dancehalls, um público mais jovem e ansioso por um música que cantasse a vida urbana de uma Jamaica que se modernizava rapidamente.

Na época em que o rocksteady começou, Bob Marley estava nos Estados Unidos tentando juntar dinheiro para fundar seu próprio selo de gravação. Logo que ele voltou, no mesmo ano de 1966, juntou-se novamente aos Wailers e gravou alguns rocksteady para Coxsonne Dodd, como “Rocking Steady”, mas foi com “Nice Time” e “Put it on”, de Marley, que o grupo se manteria no topo e se incluiria na galeria dos grandes grupos harmônicos que começaram naquele tempo. 

Peter Tosh também adicionaria boas canções à fase rocksteady dos Wailers como a primeira versão de “I’m the toughest” (outra ‘rudie song’) e suas primeiras louvações rastafari, como “Rasta shook them up” (sobre a visita do imperador da Etiópia, Haile Selassie I, também em 1966).

Algumas das principais características associadas ao reggae começaram com o rocksteady. Musicalmente as bases foram estabelecidas por instrumentistas como Lynn Taitt e Leroy Sibbles, criando os ‘riddims’ (bases instrumentais) que seriam continuamente reutilizados, desde o roots até a atual era digital. 

Os temas que o reggae exploraria em suas letras, como as mensagens de cunho social, as referências à Bíblia, as louvações a Jah (como “The Israelites”, um dos primeiros grandes sucessos internacionais da música jamaicana, que era um típico rocksteady) também se estabeleceram naquele período. Até mesmo as letras que exploram o tema sexual chamadas de ‘slackness’ tiveram sua origem naquela época, em canções como “Fatty Fatty”, dos Heptones ou na série de compactos “Censored”, creditada a um certo Lloydie and The Lowbites.

Fontes para este artigo: Steve Barrow – Rough Guide to Reggae, K. Chang e W. Chen – Reggae Routes, Jammin Reggae Archives (fotos), Dance Crasher (fotos).

Reggae

Considerado por muitos como a era de ouro da música jamaicana, o período correspondente ao Roots Reggae (1968-1985), marcou a diversificação e a expansão do ritmo de Jah para novas fronteiras musicais e geográficas.

O reggae propriamente dito foi batizado em 1968, com a canção “Do the Reggay”, de Toots Hibberts e os Maytals. Atualmente, esse período inicial do ritmo de Jah é chamado de roots reggae. Existem muitas versões para a origem do nome reggae, entretanto a mais aceita é a que este seria uma adaptação da palavra “ragged”, que indica uma roupa suja e rasgada ou a pessoa que a usa. O nome é uma indicação clara das origens do reggae, que nasceu nos barracões de zinco das favelas jamaicanas, em um período de intensa experimentação musical, absorvendo as contribuições do ska e do rocksteady e canalizando tudo em um novo gênero musical.

O disco da gravadora anglo-jamaicana Pama Records, de 1969, foi um dos primeiros a usar a palavra Reggae na capa.

Artistas como Aston “Familyman” Barret, Leroy “Horsemouth” Wallace, Earl “Chinna” Smith, Max Romeo, entre outros, buscaram marcar presença alterando a interpretação do ritmo. O que eles fizeram foi dar mais importância à bateria e à guitarra na mixagem, elaborar linhas de baixo mais pulsantes e menos melódicas e cantar de forma mais áspera. Mais uma vez a situação econômica, social e cultural da ilha teve influência marcante, pois a principal mudança ocorreu nas letras, que estavam mais impacientes, menos inocentes e mais contundentes que as do rocksteady.

As expectativas por uma vida melhor, alimentadas no calor da independência da Jamaica, não estavam se cumprindo, o êxodo rural se intensificava, o desemprego aumentava e as condições de trabalho não melhoravam. Os artistas se tornavam porta-vozes da desilusão e da raiva do povo e influíam no direcionamento destes sentimentos. O movimento religioso conhecido como rastafari também alcançou grande repercussão entre a população carente e os artistas do reggae. O forte comprometimento com a denúncia e com a transformação social, juntamente com a mensagem religiosa, se tornaram os fundamentos do reggae.

Em termos musicais, as primeiras canções que anunciaram a nova tendência foram clássicos como “People Funny Boy”, de Lee Perry, “Nanny Goat”, de Larry Marshall e “No More Heartaches”, dos Beltones, que aceleravam um pouco a batida do rocksteady sem chegar ao andamento frenético do ska. A canção de Perry usava efeitos sonoros como choro de bebê e garrafas se quebrando, deixando claro que os técnicos de som e produtores iriam interferir mais no resultado final do que antes. 

Muitas comunidades com forte influência da cultura rural, que ainda ouviam bastante o "mento", diretamente ligado à matriz africana, reforçaram o ritmo. Cantores como Eric Donaldson e Justin Hinds faziam parte desta leva, com fortes laços com o interior da ilha. Ao mesmo tempo, estava em gestação entre outros músicos e produtores um novo estilo, mais cosmopolita, que iria fazer com que o reggae alcançasse finalmente o público fora da Jamaica.

Até o início dos anos 1970, o ritmo de Jah estava restrito à sua terra natal e às comunidades jamaicanas encravadas nas grandes cidades inglesas, americanas e canadenses. Na mesma época em que o reggae nascia na Jamaica, os artistas exilados também começaram a produzir música, principalmente na Inglaterra, onde uma forte cena foi construída desde o final dos anos 1960 por nomes como Dandy Livingstone, Laurel Aitken e Winston Groovy. 

Esta conexão inglesa se tornou uma ponte para o mercado internacional, que seria finalmente atingido com a ascensão do grupo conhecido como Bob Marley and The Wailers. Em 1971, depois de sete anos de carreira na Jamaica e sem conseguir com a música mais do que o minimamente necessário para a sobrevivência, os Wailers (Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer) juntaram algum dinheiro e fizeram apresentações pela Inglaterra, onde seu trabalho era razoavelmente conhecido. Lá foram abandonados pelos organizadores da excursão, mas conseguiram se salvar graças a um contato com o anglo-jamaicano Chris Blackwell, dono da gravadora Island.

O grupo assinou um rápido contrato com a gravadora Island e gravou na Jamaica as bases de um disco que foi trabalhado desde a concepção visando uma audiência específica: o público de rock. Para tanto foram realizadas várias adaptações no reggae roots. “Catch a Fire”, foi gravado como uma unidade, enquanto que os álbuns de muitas faixas lançados na Jamaica eram na verdade compilações de compactos. 
Canções antigas como “Stir it Up”, de Marley e “Stop that Train” , de Peter Tosh, foram regravadas e outras foram compostas especialmente para o disco. 

O álbum se tornou a gênese de um novo estilo do reggae. Porém o processo de adaptação do ritmo jamaicano ao gosto da audiência roqueira acabou também por influir na relação de Marley com Peter Tosh e Bunny Wailer. Blackwell queria promover o primeiro como a cara do grupo, pois queria divulgá-lo à maneira das bandas de rock (que sempre tinham um vocalista principal) e também porque achava o formato do trio vocal ultrapassado. A mudança de nome para Bob Marley and The Wailers foi o sinal de que o produtor conseguiu o seu intento. Os dois companheiros se sentiram deixados de lado e logo sairiam dos Wailers, deixando Marley livre para se tornar o primeiro superstar da Jamaica. 

O lado bom do rompimento deles foi que Tosh e Bunny também ganharam condições de desenvolver um trabalho solo excepcional, embora não tenham alcançado o sucesso comercial do antigo parceiro.

O primeiro álbum de Bob Marley and The Wailers por uma grande gravadora estabeleceu novos padrões para o reggae. Ele praticamente criou um novo estilo, que o dub poet Linton Kwesi Johnson chamou de “reggae internacional” . É o modelo adotado por artistas oriundos dos Wailers como Peter Tosh, alguns dos herdeiros diretos de Marley, como os filhos Ziggy, Julian e Demian, além de artistas e grupos que estão na ativa hoje, como Burning Spear, Culture, Black Uhuru, Third World, Aswad e Steel Pulse.

Na segunda metade dos anos de 1970 apareceram os “Rockers”, novos artistas como o instrumentista Augustus Pablo, o baterista Sly Dunbar e os cantores Johnny Clarke e Hugh Mundell. Eles tentaram responder à internacionalização do reggae radicalizando a forma de tocar e os temas abordados nas letras, desacelerando o ritmo musical (aproximando-se do rocksteady) e afiando ainda mais as palavras. Curiosamente a maioria não esteve presente no filme “Rockers”, lançado em 1978. 

Como este filme mostrou, a filosofia rasta estava no auge, fazendo com que muitos artistas se convertessem à causa. Inspirados por ela, grupos como Ras Michael and the Sons of Negus e o de Count Ossie faziam dos tambores nyabinghi, tocados nas celebrações rasta, a base do seu som. O rastafarianismo também influenciou as letras de músicas de praticamente todos os artistas do roots e suas cores (vermelho, dourado e verde) e seus símbolos, como o leão de Judah e a estrela de David, adornavam as capas dos discos e compactos que saíam na época.

A década de 1970 foi a época de maior investimento externo na indústria musical jamaicana, fazendo com que esta repercutisse ainda na cena mundial, tornando o reggae uma força inspiradora para a combalida música popular ocidental. Nesta época o reggae começou a ser ouvido em discos de mega-grupos de rock como os Rolling Stones e Led Zeppelin, passando pelos iconoclastas do punk, como The Clash e The Slits. Artistas como Gilberto Gil no Brasil, Sonny Okusun na Nigéria e Alpha Blondy na Costa do Marfim, se renderam 
ao ritmo.

Em 1985, os primeiros reggaes eletrônicos ganharam definitivamente a simpatia do público jamaicano, fazendo com que muitos artistas reggae se adaptassem à nova música moderna como, o Culture, Ethiopians, Melodians e Cables. A partir de então qualquer reggae que não usasse sintetizadores como base principal passou a ser conhecido como roots, colocando sob a mesma denominação tanto o reggae internacional, quanto o roots original.

O valor cultural, a força musical e a mensagem do roots reggae jamais serão esquecidos e representam hoje muito do que o ritmo de Jah pode oferecer ao mundo, mas não tudo. Transformar tão bela manifestação em um dogma cultural é negar a sua essência e enfraquecer o seu impacto nas gerações vindouras. Viva o roots ! Longa vida ao reggae!

Fontes para este artigo: Steve Barrow – Rough Guide to Reggae, K. Chang e W. Chen – Reggae Routes, Davis e Simon -Reggae Bloodlines, David Katz – People Funny Boy, Virgin Encyclopedia of Reggae.

(Matéria retirada do Portal Geledés: https://www.geledes.org.br/)

Alguns artistas de Reggae:
BUNNY WAILER
PETER TOSH
GREGORY ISAACS
JIMMY CLIFF
DENNIS BROWN
JUDY MOWATT
MARCIA GRIFFITHS
JOE HIGGS
JOHN HOLT
JUSTIN HINDS
JACOB MILLER
BURNING SPEAR
BERES HAMMOND
MAX ROMEO
SUGAR MINOTT
HUGH MUNDELL
JUNIOR MURVIN
IJAHMAN
ERIC DONALDSON
OWEN GRAY
JACKIE EDWARDS

Algumas bandas de Reggae:
BOB MARLEY AND THE WAILERS
TOOTS AND THE MAYTALS
STANLEY BECKFORD AND STARLIGHTS
BLACK UHURU
THE HEPTONES
THE PIONEERS
THE CONGOS
THE MEDITATIONS
THE MELODIANS
THE ABYSSINIANS
THE GLADIATORS
THE ITALS
THE ETHIOPIANS
ISRAEL VIBRATION
CULTURE
WAILING SOULS
MIGHTY DIAMONDS