Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

MPB: Bossa Nova

A história da Bossa Nova

A Bossa Nova é um gênero musical que surgiu no Brasil no contexto da industrialização vivida no governo de Juscelino Kubitschek.

A Bossa Nova é um gênero musical brasileiro que surgiu no final da década de 1950 e que possui influências do samba e do jazz estadunidense. 

Criada por João Gilberto, a Bossa Nova marca uma ruptura com o estilo, som e atitude da música brasileira tocada nas rádios até aquele momento.


Origem da Bossa Nova

A Bossa Nova surgiu em 1958, no Rio de Janeiro, sob liderança de João Gilberto, um músico nascido na Bahia, mas que durante toda a década de 1950 buscou novas experiências musicais no Rio de Janeiro.

Até o início da Bossa Nova, a música brasileira dos anos de 1930 era caracterizada pelos excessos. Grandes arranjos instrumentais acompanhavam grandes interpretações vocais, obedecendo um estilo operístico.

A persona dos cantores dessa época também era uma forte característica. Os cantores possuíam uma imagem exuberante, com trajes glamourosos e postura teatral em cima e fora dos palcos. Todo esse glamour criava um afastamento simbólico e físico entre os artistas e o público.

João Gilberto considerava esse contexto musical melodramático e inadequado para os novos tempos do país e do mundo. Dessa forma, começou uma busca experimental por um estilo que fosse adequado para o Brasil e o mundo daquela época.

Sobre o contexto, é importante ressaltar o momento político-econômico em que o Brasil estava inserido na década de 1950. Enquanto nação, vivenciavam-se os processos de urbanização e industrialização do governo de Juscelino Kubitchek, e sendo a arte uma representação e expressão de sua época, a Bossa Nova estava atrelada a aquele momento.

Se até então o exagero era o padrão, a Bossa Nova propôs o contrário: a simplicidade. Nesse movimento, João Gilberto se uniu a Tom Jobim, Newton Mendonça, Carlos Lyra, Vinicius de Moraes e Nara Leão na criação da Bossa Nova.

Características da Bossa Nova

A principal característica da Bossa Nova era a simplicidade. Com uma releitura do samba tradicional, a Bossa Nova proposta por João Gilberto trouxe uma forma mais intimista de fazer música.

Fazendo substituição das grandes orquestras por violão, piano, percussão e baixo, agora a voz se coloca de maneira pequena, sem grandes exibições de potência vocal e mantendo um diálogo com os instrumentos da música.

As músicas inaugurais da Bossa Nova são Desafinado, de 1958, e Samba de uma nota só, de 1960. Ambas são de Tom Jobim e Newton Mendonça. As canções ganharam novo tom quando interpretadas por João Gilberto, que deu então forma para a Bossa Nova.

Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, é outra música que quando interpretada por João Gilberto ganhou um novo tom de estilo, substituindo orquestra por voz e violão.

Tom Jobim e Bossa Nova

Apesar de ter tido uma formação erudita, foi na música popular onde Tom Jobim se encontrou artisticamente. Cantor, compositor, pianista, violonista e maestro, Tom Jobim teve um importante papel na ascensão da Bossa Nova no Brasil e no mundo.

Enquanto João Gilberto trouxe o ritmo e a batida, Tom Jobim trouxe uma harmonia um pouco mais requintada ao movimento. Sua participação na Bossa Nova foi imortalizada em composições como Garota de Ipanema (1962), Eu sei que vou te amar (1958), Águas de março (1972), Pela luz dos olhos teus (1977), entre outras.

Por que a Bossa Nova acabou?

Com o Golpe Militar de 1964, a música brasileira passou por mais uma transformação. Novamente refletindo seu tempo, a arte saiu das composições leves e arranjos simples da Bossa Nova para trazer temas sociais para suas letras e performances artísticas.

Nesse sentido, marca-se o “fim cronológico” da Bossa Nova em 1966 e o surgimento da MPB (Música Popular Brasileira).

Entretanto, o fim do movimento não significou o fim da produção artística e musical da Bossa Nova. Águas de março, de Tom Jobim, surgiu quase uma década depois da ditadura musical, por exemplo.

Bossa Nova x MPB

Entender a diferença entre os movimentos musicais é entender a necessidade política e artística em que ambos estavam inseridos. Se a Bossa Nova surgiu na zona sul do Rio de Janeiro em um momento de industrialização do Brasil, a MPB emergiu como uma resposta inteligente, irônica e de resistência ao golpe militar.

A música que marcou a transição foi Arrastão, composta por Vinícius de Moraes e Edu Lobo. A canção foi cantada por Elis Regina em 1965, no Festival de Música Popular Brasileira. A Banda, de Chico Buarque, e Disparada, de Geraldo Vandré, foram canções apresentadas na edição seguinte do festival e também marcaram o movimento de transição.

A partir de então, surgiram diversos nomes da MPB em todo o Brasil. Na Bahia, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gal Costa; no Pará, Fafá de Belém; de Minas Gerais, Clara Nunes; e assim por diante.

Influência internacional da Bossa Nova

A Bossa Nova extrapolou as fronteiras geográficas do Brasil. Talvez pela influência do jazz estadunidense, o gênero brasileiro foi reconhecido e bem-aceito por parte da comunidade artística internacional.

Garota de Ipanema, por exemplo, é a canção brasileira mais famosa no mundo inteiro. Em 2005, a composição de Tom Jobim e Vinicius de Moraes foi considerada pela Biblioteca do Congresso norte-americano uma das 50 grandes obras musicais da humanidade.

A canção foi regravada por diversos nomes da música internacional, como Frank Sinatra, que fez a versão em inglês, The Girl from Ipanema, do clássico brasileiro. Anos depois, a canção ganhou um cover da cantora britânica Amy Winehouse, sendo colocada como parte de seu álbum póstumo.

Apesar dos exemplos acima serem voltados para artistas do jazz, a influência da Bossa Nova também rompeu a barreira dos gêneros. Em 2021, a cantora Anitta utilizou sample de Garota de Ipanema para criar a música Girl from Rio, de seu projeto internacional.

Outra referência à Bossa Nova está na música Billie Bossa Nova, de Billie Eilish, uma cantora estadunidense. A canção em inglês traz em sua construção harmônica apenas voz e violão, com batidas em homenagem ao gênero brasileiro acompanhadas por uma interpretação vocal simples e concisa. O nome da canção deixa clara a alusão ao gênero em que foi baseada.


Alguns artistas

João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Nara Leão, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Baden Powell, Maysa, Edu Lobo, Johnny Alf, João Donato e Chico Buarque.


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Zélia Duncan: Marina Sena & Mari Jasca

Marina Sena & Mari Jasca

O futuro promissor da música brasileira, 
com a benção de Zélia Duncan!

Programa Por Acaso: 
Vozes que Transformam a Música Brasileira

Marina Sena e Mari Jasca se encontram pela primeira vez para compartilhar histórias, inspirações e trajetórias únicas. Entre conversas sobre arte, mercado musical e empreendedorismo, as artistas apresentam versões exclusivas de seus sucessos, como Por supuesto e Ladeira do Castro. Um encontro musical inesquecível, gravado na Pinacoteca de São Paulo, que celebra a força, a autenticidade e a diversidade da música brasileira.


Mari Jasca
Mari Jasca

Com raízes argentinas, vivência nas ruas e nas noites cariocas, Mari Jasca é uma das vozes mais singulares da nova cena independente brasileira. Cantora, compositora, atriz, artista circense e produtora, ela constrói sua trajetória a partir da mistura — entre gêneros musicais, linguagens artísticas e territórios afetivos.

Seu primeiro disco solo, Disparada, lançado no final de 2024, passou por palcos como o Sesc Belenzinho (SP), Teatro Ipanema (RJ) e a feira gastronômica de Búzios (RJ), ultrapassando os 210 mil plays nas primeiras semanas no Spotify. No trabalho, ela une forró, pop, milonga, flamenco, jazz e ritmos latinos com beats modernos, sintetizadores e grooves dançantes — tudo isso atravessado por letras que falam de coragem, desejo e liberdade.

Marina Sena
Marina Sena

É uma cantora e compositora brasileira nascida em Taiobeiras, Minas Gerais. Com sua mistura única de MPB, pop e influências regionais, ganhou destaque nacional após o sucesso de “Por Supuesto”, que viralizou nas plataformas digitais. 

Seu primeiro álbum a revelou no cenário musical, e o Vício Inerente, segundo álbum da carreira, reafirmou seu talento com hits carregados de personalidade, acompanhado por uma turnê de diversos shows lotados por todo o Brasil.

sábado, 23 de agosto de 2025

Mpb - Instrumental Sesc Brasil

 A Pluralidade 
da 
Música Brasileira

Instrumental Sesc Brasil

DescriçãoO Instrumental Sesc Brasil, projeto pioneiro de música Instrumental do Sesc, foi adaptado para TV em 1990, mas já existia nos palcos da unidade provisória do Sesc Avenida Paulista desde o início da década de 80. Atualmente, os shows acontecem semanalmente no Teatro Anchieta, na unidade Sesc Consolação. O projeto é um espaço de encontro entre músicos novos e consagrados de diversas vertentes que contabiliza mais de 700 shows assistidos presencialmente por mais de 200 mil pessoas.

Links

Instrumental Sesc Brasil:

Toninho Horta

Toninho Horta e sua banda oficial realizam um show imperdível. Com repertório de várias décadas, o concerto apresenta clássicos originais desde a época do Clube da Esquina - do disco "BELO" - junto aos temas instrumentais inéditos de Toninho, Yuri Popoff e André Dequech, do disco "HORIZONTE".