Jimmy Burns
' sotaque do Mississippi com o pulso de Chicago '
Burns é um guitarrista, cantor e compositor estadunidense de R&B e blues elétrico. Embora tenha nascido no Delta do Mississippi, Burns passou quase toda a sua vida em Chicago. Ele é irmão mais novo de Eddie "Guitar" Burns, outro músico de blues de Detroit.
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Biografia
James Olin Burns nasceu em 27 de fevereiro de 1943, em Dublin, Mississippi, e cresceu na plantação de algodão Hilliard, onde aprendeu a tocar violão de uma e doze cordas. Ele era o caçula de onze irmãos. Cantava no coral da igreja quando ainda morava no Delta e foi influenciado pelo blues que ouvia nas ruas. Seu músico de blues favorito era Lightnin' Hopkins. O pai de Burns era meeiro e se apresentava como cantor em shows itinerantes.
Ainda criança, Jimmy começou a aprender guitarra. A mudança da família para Chicago, em meados dos anos 1950, colocou o jovem músico diante de um universo sonoro diferente. Na cidade, entrou em contato com grupos vocais e participou dos Medallionaires, que gravou algumas faixas de doo-wop, enquanto o soul e o R&B ganhavam cada vez mais espaço entre os jovens artistas negros de Chicago.
Essa passagem pelo soul é fundamental para compreender o estilo de Burns. Embora seja frequentemente identificado como um bluesman de Chicago, sua música nunca ficou limitada a uma única escola. O Delta que conheceu no Mississippi encontrou em Chicago o peso da guitarra elétrica, enquanto o soul e o R&B acrescentaram ao seu canto uma dimensão mais melódica e sofisticada.
Gravando principalmente solo na década de 1960, Burns lançou singles pelos selos USA, Minit, Tip Top e Erica. Ele fez turnês pelo Meio-Oeste com seu grupo de apoio, o Fantastic Epics, e com outro grupo chamado Jimmy Burns and the Gas Company até o início da década de 1970. O single de Burns de 1972, "I Really Love You", foi nomeado entre os 500 melhores singles de Northern Soul em 2000, e é procurado por colecionadores. Burns fez uma longa pausa na indústria musical após o início dos anos 1970 para criar sua família e administrar uma churrascaria.
Ele se apresentou esporadicamente até o início da década de 1990, quando iniciou uma longa residência no Smokedaddy Club de Chicago. Foi lá que o chefe da Delmark Records, Bob Koester, ouviu Burns se apresentar pela primeira vez e concordou em gravá-lo depois de ouvir apenas uma apresentação.
Leaving Here Walking: o reencontro com o mundo.
O retorno ganhou uma dimensão definitiva em 1996, quando a Delmark Records lançou Leaving Here Walking. Aos 53 anos, Burns finalmente apresentava um álbum completo que reunia sua identidade como cantor, guitarrista e compositor.
O disco é importante não apenas por marcar sua estreia em longa duração, mas porque sintetiza a amplitude de seu universo musical. A faixa-título convive com canções como “Twelve Year Old Boy”, “Miss Annie Lou”, “Whiskey Headed Woman”, “One Room Country Shack”, “Rollin’ and Tumblin’” e “Catfish Blues”.
O resultado é um blues que não tenta escolher entre Mississippi e Chicago. Burns faz justamente o contrário: aproxima as duas tradições. Seu canto tem a força narrativa do Delta, enquanto sua guitarra e seus arranjos revelam a experiência adquirida durante décadas de convivência com o soul e o R&B.
Leaving Here Walking tornou-se, assim, a porta de entrada para uma nova fase de sua carreira. O álbum foi seguido por trabalhos como Night Time Again, Back to the Delta, Live at B.L.U.E.S., Stuck in the Middle e, mais tarde, The Chicago Sessions.
Jimmy Burns tocou guitarra no álbum Snake Eyes de seu irmão Eddie, lançado em 2002. A esposa de Burns, Dorothy, morreu em 12 de fevereiro de 2010. Eles tiveram seis filhos.
A relação de Jimmy Burns com o Brasil é de muita proximidade. O bluesman já esteve se apresentado no país participando do Dipanas Blues em 2015 e retornou ao festival para sua 14ª edição, realizada em 15 de agosto de 2026, em Pará de Minas (MG), novamente acompanhado pela Bruno Marques Band. A conexão com Bruno Marques é parte importante dessa história. Guitarrista, produtor cultural e responsável pelo projeto Rota do Blues, Marques vem trabalhando há anos na aproximação entre músicos norte-americanos e a cena brasileira.
A força de Jimmy Burns está justamente nessa capacidade de transitar entre diferentes territórios do blues. Sua música carrega o sotaque do Mississippi, mas também o pulso urbano de Chicago. O soul aparece no fraseado vocal; o R&B surge na construção das canções; e a guitarra mantém viva a tradição dos bluesmen que vieram antes dele.
Álbuns de estúdio:
- Leaving Here Walking (1996) – Delmark / P-Vine
- Night Time Again (1999) – Delmark
- Back to the Delta (2003) – Delmark
- Stuck In The Middle (2011) – Velrone
- It Ain't Right (2015) – Delmark
- Full Circle (2025) – Delmark
Álbum ao vivo:
- Live at B.L.U.E.S. (2007) – Delmark
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