Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Richie Havens

Richie Havens 
- Freedom -
Woodstock 1969

O violão e um grito de liberdade...

A história e a música em Woodstock. Concerto em nome da paz, liberdade e o movimento hippie. Apresentação de Richie Havens sentado diante de mais de 400 mil pessoas, cantando no microfone em uma só voz: "YEAH! FREEDOM! FREEDOM!". Simplesmente maravilhoso!



Richie Havens (Brooklyn, 21 de janeiro de 1941 – Jersey City, 22 de abril de 2013) foi um cantor e compositor norte americano de música folk.

Havens começou a ficar famoso com o surgimento do movimento folk de Greenwich Village (que também catapultou as carreiras de Joan Baez e Bob Dylan). Em 1969, Havens abriu o Festival de Woodstock; foi aclamado pela multidão e foi tocando até ficar sem músicas, decidindo improvisar uma versão de "Motherless Child", à qual acrescentou um verso com a palavra "freedom" repetida várias vezes. Esta versão transformaria-se em um sucesso internacional com o lançamento do documentário Woodstock em 1970.





Richie Havens disse certa vez à NPR que acreditava que toda música é música folclórica. Ouça Havens falar sobre Woodstock, Greenwich Village e por que ele adorava se apresentar na homenagem a Neda Ulaby, transmitida no programa Morning Edition, no link de áudio desta página.

Richie Havens, cantor nascido no Brooklyn que cantava gospel na adolescência, começou a tocar música folk em clubes de Greenwich Village na década de 1960 e foi a atração de abertura do Festival de Música e Arte de Woodstock em 1969. 

Havens tinha uma técnica peculiar para tocar o violão que lhe dá um estilo único. Usava uma afinação em 'ré' que permitia que fizesse muitos acordes usando principalmente o dedo polegar, ao contrário das técnicas mais comuns de violão que priorizam o uso dos outros dedos sem usar o polegar.

Havens tocou na cerimônia de posse do presidente americano Bill Clinton em 1993. Continuou gravando e viajando em turnês, embora raramente escrevesse suas próprias músicas, preferindo interpretar trabalhos de artistas como Dylan e Beatles.

Morreu no dia 22 de abril de 2013 em sua casa em Jersey City, Nova Jersey, vítima de um ataque cardíaco aos 72 anos.


Série Heroínas do Brasil: CAROLINA MARIA DE JESUS

Carolina Maria de Jesus

' Escritora Brasileira '

Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, no município de Sacramento, no interior de Minas Gerais. Em sua cidade natal, estudou até o segundo ano primário, no Colégio Allan Kardec, o primeiro colégio Espírita do Brasil. Ela se via obrigada a trabalhar desde criança, e se dizia descendente de pessoas escravizadas.


Na adolescência, Carolina acompanhou a mãe nas mudanças que a família precisou realizar, passando por diferentes cidades do interior de São Paulo, nas quais ganhou seu sustento trabalhando em casas de família. Em 1947, ela foi viver em São Paulo, trabalhando como empregada doméstica, auxiliar de enfermagem e como artista de circo.

Foi na casa do médico Euríclides Zerbini que teve acesso, pela primeira vez, a uma biblioteca. No entanto, engravidou em 1948 e perdeu o emprego – foi, então, morar na favela do Canindé, onde nasceu João José –. Dois anos depois, teve José Carlos e, logo a seguir, Vera Eunice. Sozinha e com três filhos para criar, suas dificuldades aumentaram. No dia 15 de julho de 1955, Carolina Maria de Jesus começou a escrever um diário, no qual anotava suas reflexões e pensamentos. Costumava dizer que foi o lixo que lhe trouxe o sustento da família e, também, uma caderneta.

Carolina Maria de Jesus e Ruth de Souza na Favela do Canindé.
São Paulo, 1961. Foto: Acervo Ruth de Souza.
Somente em abril de 1958, – designado pelo jornal Folha da Noite a fazer uma reportagem sobre a realidade da favela do Canindé – , o jornalista Audálio Dantas conheceu Carolina e tomou conhecimento de seus escritos.

Em meio à múltipla produção literária, de diferentes gêneros, o jornalista se interessou apenas pelos diários. Entusiasmado com a riqueza dos detalhes narrados nesses diários, Audálio Dantas prometeu a Carolina que viabilizaria a publicação de um livro.

Em 1960, Carolina Maria de Jesus experimentou a fama instantânea com a publicação de seu primeiro livro "Quarto de Despejo – o diário de uma favelada". Tal repercussão ocorreu, principalmente, pelos retratos das condições de vida dos menos favorecidos.

A questão do relato testemunhal foi fundamental para o sucesso da obra. Nessa época, Carolina recebia o equivalente a 10% do valor de capa, e Audálio Dantas, 5%, acordo esse que anos depois foi contestado pela família.

Capa lançada na Alemanha, 1963.
Carolina também é autora de "Casa de Alvenaria: diário de uma ex-favelada" (1961), "Pedaços da Fome e Provérbios" (1963) e "Journal de Bitita", livro de memória póstuma, publicado na França em 1982, e lançado no Brasil pela Editora Nova Fronteira, em 1986, sob o título "Diário de Bitita". Esse livro resulta da divulgação de dois cadernos de manuscritos autobiográficos entregues por Carolina, em 1975, às jornalistas francesas Clélia Pisa e Maryvonne Lapouge, que vieram ao Brasil para entrevistar mulheres de destaque.

Em um grupo de 26 mulheres selecionadas pelas jornalistas, Carolina era a única negra. Além dos livros publicados, ela também lançou um disco, em 1961, em que interpreta suas composições.

Carolina Maria de Jesus morreu em 13 de fevereiro de 1977, no seu sítio em Parelheiros, São Paulo/SP.

A autora teria novo reconhecimento no Brasil apenas postumamente, com a reedição de sua obra e exposições, revelando imagens de Carolina e originais, ainda, inéditos.


Canal de Reggae: REGGAEVILLE

Reggaeville





Histórias do Reggae: Tiken Jah Fakoly


Tiken Jah Fakoly 

Muçulmano adepto do estilo rastafari, compõe nas línguas 'dioula' e em 'francês'. Ele têm sido uma grande referência do reggae na Costa do Marfim e outros países da África. Prega a justiça social, o combate ao racismo e o fim das guerras no continente africano.

Uma voz vinda da Costa do Marfim e denuncia, com sua arte e música, todas as formas de exploração e tirania de lideranças políticas locais, das empresas exploradoras de recursos minerais e da interferência política de potências estrangeiras.

Suas denúncias acabaram por levá-lo ao exílio e por torná-lo persona non grata em países que não cultivam a democracia.
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Ativismo e trajetória artística

Mais de um quarto de século dedicado à música e à política, com seus triunfos e dificuldades. Tiken Jah Fakoly nunca desistiu. Ele continua indignado, porém veemente generoso liderando a luta que sua vida simboliza: a África. Luta por sua unidade, pelo direito de se libertar da pobreza e da política que a mantém nessa condição. 

Empunhando a mesma espada poderosa, sua música reggae transmite uma mensagem intransigente com um ímpeto imparável, repleta de inclusão e festividade. A ponto de percebermos que essa luta é tanto dele quanto nossa. De “Mangercratie”, seu primeiro álbum lançado em 1997, a “Dernier Appel”, em 2014, o cantor marfinense se dedicou de corpo e alma a inúmeras causas. Desprezando os poderosos, zombando implacavelmente de seus excessos e instigando a boa vontade apática, ele personifica até hoje o último herói musical de um longo legado de reis consagrados, como Fela Kuti e Bob Marley.

Com “Le Monde est chaud”, seu décimo álbum de estúdio, Tiken se ergue como um guerreiro ecológico, abordando a questão mais premente: o aquecimento global. Um fenômeno que representa a situação crítica das populações do hemisfério sul, mas também a crise que afeta todos os outros hemisférios, a suprema injustiça que gera secas, inundações, fome, guerras e migrações. Uma reação em cadeia insuportável, colocada em perspectiva pela mensagem política deste álbum. Da primeira faixa, “Le Monde est chaud”, um single em dueto com a rapper Soprano, até “Ecologie”, que encerra o álbum, ele enumera os males contra os quais luta, como o atirador de elite inabalável que sempre foi.

Pronto para denunciar a pilhagem orquestrada pelos ricos e o neocolonialismo em “Ça vole”, a escravidão moderna em “Libya”, descrevendo como o continente atraiu todo tipo de ganância e se tornou palco das piores extorsões em “No No No”, ele também exorta seus irmãos africanos a assumirem o controle de seu destino e enfrentarem suas responsabilidades, condenando a fuga de cérebros em “Pourquoi nous fuyons?”, o ciúme em “Ngomi”, a calúnia em “Kodjougou” ou a postura de esperar para ver em “Dieu nous attend”. Como um sábio – respeitosamente chamado de “dakoro” em sua terra natal – ele usa o privilégio de sua posição para lançar luz com lucidez sobre os governos e os povos sob seu domínio. Graças à aura de alguém que realizou tanto ao longo de sua vida, ele revela neste disco os passos a serem seguidos e serve de inspiração para as gerações mais jovens.

Sua última conquista até o momento: um estúdio novinho em folha em Abidjan, onde “Le Monde est chaud” foi gravado. A estrela do reggae africano não gravava na Costa do Marfim há 20 anos. Forçado ao exílio no Mali em 2003, após receber ameaças de morte, ele decidiu retornar ao seu país natal, voltando às suas raízes musicais, algo que também lhe parece um novo começo. Uma escolha que só o bairro de Yopougon, no norte de Abidjan, simboliza: o bairro de sua estreia nos anos 90, sede da emissora livre Radio Libre Fakoly, em um polo com diversos estúdios para gravação, ensaios e transmissões de rádio. 

O Reino de Jah: a luta ecológica.
Foi lá que ele buscou descobrir meia dúzia de bandas locais, sendo suas favoritas Simon Roots e R Ligh, jovens promessas do reggae marfinense que mesclam tradição e modernidade. Para um álbum com tanto foco no ambiente, parecia natural que ele precisasse de uma energia renovada para impulsioná-lo. Com a mesma intenção, Tiken Jah Fakoly convidou o talentoso produtor, músico e beatmaker Koffi Beneth Séraphin, também conhecido como Akatché, um prodígio de 27 anos que demonstra todo o potencial da nova cena musical urbana africana.

Com “African Revolution” em 2010, o reggae de Tiken tornou-se mais “afrocêntrico”, adicionando sons tradicionais à sua gama musical. No entanto, nunca os instrumentos kora, ngoni, sokou, kamele ngoni, balafon ou djembê soaram tão modernos como em “Le Monde est chaud”. Nunca essa herança ancestral carregou tantas histórias e promessas para o futuro. 

Mantendo-se fiel ao estilo do reggae mandinga, que ele próprio liderou, com suas harmonias vocais em grupo e seções de metais se misturando com cordofones e idiofones tradicionais, Tiken buscou se expressar como um artista conquistador e dar uma dimensão multigeneracional à sua música, graças aos convidados vocais, incluindo Soprano (doze anos depois de colaborarem em “Ouvrez les frontières”), além de Gaël Faye, R.Wan, Kerredine Soltani e o confiável Mike d'Inca (Sinsemilia), que contribuiu com as letras.

Cantada em francês e dioula, a letra de “Le Monde est chaud” é fiel à missão eterna do reggae original: uma ferramenta de autodefesa cujas arestas ásperas acolhem como nenhuma outra, exultantes e cheias de esperança. Uma música que acalma os ouvidos, que nos enfeitiça ou nos abre os olhos. Uma música que nos força a contemplar desastres, ao mesmo tempo que nos convida a nunca desistir. E Tiken Jah Fakoly permanece, até hoje, uma das vozes e símbolos mais poderosos da música reggae.
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DoCuMeNtÁrIo: Ratos de Porão 40 anos

Ratos de Porão 40 anos 
- Episódio 1 -
Crucificados Pelo Sistema

40 anos de estrada de uma banda como Ratos de Porão precisam ser celebrados à altura! Por isso foi comemorando juntos que esse documentário em shows mais do que especiais foram realizados ao final de 2021. 

A primeira data, e também o nosso primeiro registro, celebra o álbum Crucificados Pelo Sistema - um marco na história da banda, dos integrantes e dos fãs. Os shows celebram cada um dos 5 primeiros álbuns, e acontecem na Iglesia, recém-inaugurada casa de shows do Jão (guitarrista da banda), na capital paulista.

Todos os episódios da série:

Ep. 2 --- Ep. 3 --- Ep. 4 --- Ep. 5


Ratos de Porão: João Gordo - vocalista Jão Carlos - guitarra Juninho Sangiorgio - baixo Mauricio Boka - bateria.


domingo, 28 de dezembro de 2025

Série Heroínas do Brasil: LÉLIA GONZALEZ

Lélia Gonzalez

Nasceu em Belo Horizonte em 1935, filha de Acácio Joaquim de Almeida, ferroviário, e Urcinda Serafina Almeida, empregada doméstica. A família se transferiu para o Rio de Janeiro quando Lélia tinha sete anos, instalando-se na favela do Pinto, no Leblon, bem perto do Clube de Regatas Flamengo, onde seu irmão, Jaime de Almeida, seria jogador de futebol e depois técnico.

Uma referência para entendermos a história do Brasil.   

Em sua formação escolar, Lélia investiu numa formação acadêmica humanista, fazendo graduação em história, geografia e também filosofia na UEG (antiga Universidade do Estado da Guanabara do Estado do Rio de Janeiro). Iniciou os estudos de pós-graduação atuando como docente no Instituto de Educação no Colégio de Aplicação (UERJ), na Universidade Gama Filho e no IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais) da UFRJ. Mas sua participação acadêmica mais destacada foi como professora na PUC-RJ, chegando a chefiar o Departamento de Sociologia.

Depois de seu matrimônio com Luís Carlos Gonzalez - quando tinha 28 anos -, assumiu o sobrenome Gonzalez. Já nos anos 1970, manteve uma intensa participação nos debates políticos e públicos sobre gênero, lutas feministas e organizações antirracistas. Filiou-se a várias organizações negras, como IPCN (Instituto de Pesquisas das Culturas Negras), MNUCDR (Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial) e Coletivo de Mulheres Negras N´Zinga, entre outras. Atuaria também em partidos políticos, sendo candidata a deputada federal (pelo PT, em 1982) e deputada estadual (pelo PDT, em 1986), ficando como suplente. Sua presença foi fundamental na ampliação dos debates sobre a questão racial no período da redemocratização.

​Entre seus vários textos, destacam-se “Racismo e sexismo na cultura brasileira” (1983) e “A categoria político-cultural de amefricanidade” (1988). Com Carlos Hasenbalg - sociólogo argentino, estudioso das desigualdades raciais no Brasil - publicou ainda Lugar de negro (1982).

No início dos anos 1990, Lélia se transformou numa referência incontornável na organização de mulheres negras e também na formação acadêmica feminista negra. Depois da sua morte, em 1994, sua presença crítica, antirracista, não cessou de aumentar, com seus textos sendo publicados e ganhando grande alcance, e seu nome batizando uma escola pública estadual do subúrbio carioca, coletivos negros universitários, blocos afros, peças teatrais e prêmios literários.

Reunião do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN), 1986.
Foto: Januário Garcia.

“Estamos cansados de saber que nem na escola nem nos livros onde mandam a gente estudar se fala da efetiva contribuição das classes populares, da mulher, do negro e do índio na nossa formação histórica e cultural. Na verdade, o que se faz é folclorizar todos eles. E o que é que fica? A impressão de que só os homens, os homens brancos, social e economicamente privilegiados, foram os únicos a construir este país. A essa mentira tripla se dá o nome de: sexismo, racismo e elitismo.”— Lélia Gonzalez

“Mas o ponto mesmo emblemático para mim, na trajetória que fiz como militante, foi quando eu vi pela primeira vez a Lélia Gonzalez numa palestra na Biblioteca Municipal de São Paulo. Porque a Lélia veio resolver o pedaço que faltava em toda efervescência desse debate, e que era fundamental para a minha experiência pessoal, para minhas inquietações: como pensar a questão de gênero, a questão específica da mulher negra no contexto da luta racial? E quando eu ouvi a Lélia, parecia que ela estava dentro do meu cérebro organizando tudo o que me inquietava, tudo o que eu sentia, que eu não conseguia formular. Parece que ela botou ordem na casa. E a partir daquele dia eu sabia perfeitamente o que eu iria fazer: construir a minha militância articulando as duas questões, de gênero e raça.”— Sueli Carneiro, no livro "Histórias do movimento negro no Brasil, Depoimentos ao CPDOC."

Sueli Carneiro: Filósofa, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo; coordenadora executiva de Geledés Instituto da mulher Negra; coordenadora da área de Direitos Humanos de Geledés; editora do Portal Geledés e coordenadora do Projeto PLP 2.0 aplicativo de combate a violência contra a mulher vencedor do Desafio de Impacto Social Google.

É também diretora vice-presidente do Fundo Brasil de Direitos Humanos. É ativista do Movimento Feminista e do Movimento Negro do Brasil; autora de artigos sobre gênero, raça e direitos humanos em diversas publicações nacionais e internacionais.


Heavy Metal: SAXON

Capa do ábum, 2024

Saxon

O Saxon foi um dos líderes da nova onda do heavy metal britânico (NWOBHM), com oito álbuns no Top 40 do Reino Unido na década de 1980, incluindo quatro no Top 10 e dois no Top 5. A banda teve inúmeros singles nas paradas britânicas e alcançou sucesso em toda a Europa e Japão, além dos Estados Unidos. Durante a década de 1980, o Saxon se consolidou como uma das bandas de metal mais bem-sucedidas da Europa. A banda faz turnês regularmente e já vendeu mais de 13 milhões de álbuns em todo o mundo.

A banda foi formada em Barnsley em 1977 por Peter “Biff” Byford nos vocais, Paul Quinn e Graham Oliver nas guitarras, Steve “Dobby” Dawson no baixo e Pete Gill na bateria, e originalmente se chamava “Son of a Bitch”. Em 1979, a banda mudou seu nome para Saxon e assinou com a gravadora francesa Carrere, que lançou seu álbum de estreia homônimo, "Saxon".

Lançado em 1980, "Wheels of Steel" alcançou o 5º lugar nas paradas do Reino Unido e permaneceu nelas por seis meses. O álbum gerou dois sucessos: a faixa-título e a favorita do público, "747 (Strangers in the Night)". Como resultado, o Saxon iniciou uma série de longas turnês pelo Reino Unido. Em 16 de agosto, a banda foi muito bem recebida no primeiro festival Monsters of Rock, evento que foi comemorado no ano seguinte com o show "And the Bands Played On". A apresentação foi gravada, mas só foi lançada oficialmente em 2000. Em abril daquele ano, o Saxon fez a primeira de muitas aparições no programa Top of the Pops, apresentando o sucesso "Wheels of Steel".

Os primórdios da banda.

"Strong Arm of the Law" foi lançado ainda naquele ano, alcançando a 11ª posição no Reino Unido. Dois singles foram lançados: a faixa-título e "Dallas 1PM", esta última sobre o assassinato do presidente americano John F. Kennedy.

Em 1981, a banda lançou seu quarto álbum, "Denim and Leather", cuja faixa-título é considerada um hino do metal. O álbum também incluía sucessos favoritos dos fãs, como "Princess of the Night", "Never Surrender" e "And the Bands Played On" – todos hits no Top 20 do Reino Unido.

Quando a banda estava prestes a embarcar em uma longa turnê para dar sequência ao sucesso de 'Denim And Leather', o baterista Pete Gill saiu após machucar a mão. A banda rapidamente o substituiu por Nigel Glockler, ex-integrante do Toyah, que teve que aprender todo o repertório em um dia e meio. Glockler permanece na banda até hoje.

Em 1982, o Saxon lançou o álbum ao vivo "The Eagle Has Landed", que alcançou o 5º lugar nas paradas do Reino Unido. O Saxon também tocou novamente no festival Monsters Of Rock em 1982, tornando-se a primeira banda a se apresentar lá duas vezes.

O álbum "Power & the Glory", de 1983, tornou-se o mais vendido da banda em todo o mundo até hoje, com a arte da capa criada pelo diretor de cinema de Hollywood, Ridley Scott.

Em 1984, a banda lançou seu sexto álbum de estúdio, "Crusader", seguido de uma bem-sucedida turnê mundial intitulada "The World Crusade".

A banda assinou então com a EMI Records e, em 1985, lançou o álbum "Innocence Is No Excuse". Após outra turnê mundial, o baixista Steve Dawson deixou a banda. Para a gravação do oitavo álbum de estúdio, "Rock The Nations", as partes de baixo foram tocadas por Biff Byford, com Elton John fazendo participações especiais como pianista em duas faixas. No verão de 1986, o Saxon foi a atração principal do Reading Festival e fez uma turnê pelos Estados Unidos.

Em 1988, foi lançado o álbum "Destiny", com a entrada de Tim "Nibbs" Carter no baixo. Em 1989, foi lançado "Rock n Roll Gypsies", um álbum ao vivo gravado durante uma turnê em arenas do leste europeu em 1988. Porém, em 1989, os shows nos grandes estádios e arenas da Europa e dos EUA tornaram-se raros e, sem contrato com uma gravadora, o futuro do Saxon era incerto.

A banda decidiu embarcar numa turnê europeia intitulada "10 Years Of Denim And Leather", que se provou um sucesso, e em 1990 assinaram com a Virgin Records e começaram a trabalhar em seu novo álbum, "Solid Ball of Rock", lançado em 1991. Em 1992, o Saxon consolidou esse sucesso com o lançamento de "Forever Free". Em 1994, a banda se separou de Graham Oliver, e Doug Scarratt entrou para o grupo. Em 1996, lançaram outro álbum ao vivo, "The Eagle Has Landed Pt II".

A velha guarda do Heavy Metal Britânico.

Em 1997, o Saxon lançou "Unleash the Beast". Em setembro de 1999, lançaram "Metalhead". Em 2002, o Saxon lançou "Heavy Metal Thunder", uma coletânea com versões regravadas de músicas dos álbuns mais vendidos da banda. Em 2004, lançaram "Lionheart", seu 16º álbum de estúdio, com Jörg Michael na bateria. Nigel Glockler retornou à banda em 2005. Em 2006, a banda lançou o álbum ao vivo "The Eagle Has Landed – part 3".

O aclamado álbum "The Inner Sanctum" do Saxon foi lançado em 2007. Em 2009, a banda lançou "Into the Labyrinth" e foi a atração principal do Wacken Open Air Festival, na Alemanha. Dando continuidade ao sucesso no Reino Unido, o Saxon se apresentou no Download Festival de 2010. A banda tocou o álbum "Wheels of Steel" na íntegra para comemorar o 30º aniversário de seu lançamento.

O Saxon lançou seu décimo nono álbum de estúdio, "Call to Arms", em 3 de junho de 2011, e seu vigésimo álbum de estúdio, "Sacrifice", em fevereiro de 2013. Em 
2 de fevereiro de 2018 foi lançado o álbum "Thunderbolt".

Em 2019, a banda comemorou seu 40º aniversário e lançou o quarto álbum ao vivo da série The Eagle Has Landed – apropriadamente intitulado "The Eagle Has Landed 40" –, que incluiu apresentações como atração principal em festivais com o enorme palco "Castles & Eagles".

Em 2020, a banda começou os trabalhos de um novo álbum de estúdio chamado "Carpe Diem", e também em um álbum especial de covers intitulado "Inspirations", que é exatamente isso – músicas que influenciaram a banda em seus primeiros trabalhos.

No dia 15 de janeiro de 2023 foi lançado "More Inspirations", uma segunda coletânea de covers de músicas que influenciaram a banda.

"Hell, Fire and Damnation" é o vigésimo quarto álbum de estúdio da banda inglesa de heavy metal Saxon, lançado em 19 de janeiro de 2024 pela Silver Lining Music. Ele alcançou sucesso internacional em toda a Europa, alcançando o top 20 da UK Albums Chart.



Tedeschi Trucks Band

Tedeschi Trucks Band & Leon Russell
– “The Letter” –
[Feat. Susan Tedeschi]

Apresentação ao vivo de "The Letter" da Tedeschi Trucks Band, diretamente do álbum Mad Dogs & Englishmen Revisited (LIVE AT LOCKN’) com Leon Russell, gravado em 2015. O primeiro single do novo álbum, Mad Dogs & Englishmen Revisited.


A Banda:

A Tedeschi Trucks Band é uma banda americana de blues e blues rock de Jacksonville, Flórida. Formada em 2010, a banda é liderada pelo casal Susan Tedeschi e Derek Trucks. Seu álbum de estreia, Revelator (2011), ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Blues em 2012. A banda lançou cinco álbuns de estúdio e três álbuns ao vivo.

Depois de muitos anos na estrada tocando acompanhados por suas bandas individuais e construindo carreiras solo de sucesso, Derek Trucks e Susan Tedeschi uniram todos os músicos para formar uma só banda.

Bem conhecida por suas excelentes performances ao vivo, o excelente casal explorou novas idéias em conjunto com os formidáveis músicos que os acompanham, explorando as raízes do blues e fundindo tudo com uma mistura única de soul e muito groove. Autêntica música de raiz americana com o rock'n'roll. Estas idéias se uniram em um álbum, "Revelador", que foi lançado em Masterworks Sony em 07 de junho de 2011. A banda nunca deixou de explorar outras sonoridades e participar de projetos mantendo a altíssima qualidade de sua música.


Todo o poder de uma grande banda ao vivo.

Membros da banda: 

Susan Tedeschi – vocal principal, guitarra rítmica, guitarra solo.
Derek Trucks – guitarra slide/guitarra solo.
Tyler Greenwell – bateria, percussão.
Mike Mattison – vocais de apoio, violão.
Mark Rivers – vocais de apoio.
Kebbi Williams – saxofone.
Ephraim Owens – trompete.
Elizabeth Lea – trombone.
Alecia Chakour – vocais de apoio.
Brandon Boone – baixo.
Gabe Dixon – teclados, vocais.
Isaac Eady – bateria, percussão.


ReGgAe: DEZARIE

Imperatriz do Reggae.
Dezarie

' Reggae Roots '

Desiree é um nome feminino com uma essência de desejo e paixão. Originado do francês, Desiree significa "desejada" ou "amada". É um nome que evoca uma imagem de alguém querida. Pessoas chamadas Desiree são frequentemente descritas como apaixonadas, cativantes e de personalidade envolvente.

Dezarie uma cantora de Reggae Roots nascida nas Ilhas Virgens (EUA), começou fazer músicas aos 10 anos, na escola e na Igreja. Com o passar do tempo, foi apresentada à DJ’s que a ajudaram a começar as suas gravações.

Viveu um tempo em Atlanta. Tempo suficiente para ser reconhecida como Melhor Revelação Feminina do Reggae e em 2001, retornou a Ilha de St. Croix, onde vive até hoje. A talentosa cantora divide as dependências do estúdio Afrikan Roots Lab com os conterrâneos da banda Midnite.

Seu primeiro trabalho, intitulado Fya, foi lançado em 2001 pela I Grade Records. Em 2003, Dezarie nos contemplou com o trabalho Gracious Mama Africa, um de seus melhores álbuns. Passaram-se 5 anos até que o terceiro trabalho de Dezarie pudesse ser lançado. Eaze The Pain saiu em 2008 e surpreendeu a massa reggaera, pois Dezarie surpreendeu adicionando uma nova sonoridade ao seu estilo, e vem cada vez mais agradando o público. Seu quarto, e último, trabalho chama-se The Fourth Book e conta com 10 pedradas, entre elas Jah Know Better, um dos maiores sucessos de Dezarie.

Capa do álbum, 2025
A imperatriz do Reggae está de volta! Dezarie retorna triunfante com Guardian, seu novo álbum poderoso de resistência e espiritualidade...
A icônica voz do Reggae raiz está de volta! Dezarie, a talentosa artista das Ilhas Virgens Americanas, anuncia o lançamento de seu mais novo álbum, “Guardian”, produzido por Kardelle President. Este aguardado projeto marca o retorno triunfante da cantora, trazendo dez faixas que reafirmam sua posição como uma das vozes mais autênticas e espirituais do Reggae contemporâneo.

As dez faixas de Guardian exploram temáticas de resistência, consciência social e força interior, refletindo o compromisso de Dezarie com a verdade e a liberdade. Entre os destaques do álbum estão "Back To The Future", "Criminal" e "Lion Is Lion", que reforçam sua postura inabalável e sua entrega emocional singular.

Dezarie faz inúmeras turnês pelo mundo e três vezes no Brasil. Em sua segunda passagem nas terras tupiniquins, se envolveu em algumas polêmicas depois que teve que cancelar um show por motivos de saúde de um dos integrantes da banda. Na terceira passagem, todos estavam muito ansiosos para ver um verdadeiro espetáculo dessa grande artista.


sábado, 27 de dezembro de 2025

Meio Ambiente: Leonardo Boff

O Natal e a ecologia profunda.
A tradição cristã viu o nascimento do Filho de Deus cercado de elementos ecológicos.


27 dez 2025

A ecologia é mais do que uma técnica de gerenciamento de bens e serviços naturais cada vez mais escassos. Tão escassos que a Mãe Terra se sente extenuada, pois o consumo humano mais aquele da natureza estão exigindo uma Terra e meia para atender a todas as demandas. Por isso, nós, humanos, devemos nos preparar para reinventar um outro caminho, se quisermos garantir um futuro para o nosso tipo de civilização.

Nem por isso deixaremos de fazer uma referência entre o Natal e a ecologia. Esta é mais do que o meio ambiente a ser urgentemente preservado. Ela possui uma dimensão do Profundo em nós.

A tradição cristã viu o nascimento do Filho de Deus, Jesus de Nazaré, cercado de elementos ecológicos: nasceu numa estrebaria, colocado sobre palhinhas e junto a um boi e um jumento (que, segundo certos relatos, aqueciam o Menino com seu bafo), com ovelhas distribuídas no campo. Há ainda uma estrela que iluminou a noite dos pastores e guiou os sábios vindos do Oriente.

Há um texto de grande beleza, que é cantado na liturgia de Natal, o qual mostra uma comoção cósmica, significando a entrada do Filho de Deus em nosso mundo. Quando tudo estava em profundo silêncio e a noite no meio de seu curso, eis o que aconteceu:

Então, as folhas que farfalhavam pararam como mortas.

Então, o vento que sussurrava ficou parado no ar.

Então, o galo que cantava parou no meio de seu canto.

Então, as águas do riacho que corriam se estancaram.

Então, as ovelhas que pastavam ficaram imóveis.

Então, o pastor que erguia o cajado ficou petrificado.

Então, nesse momento, tudo parou, tudo silenciou, tudo se suspendeu:

Nasceu Jesus, o salvador do mundo e do universo.

Como se depreende, as coisas não ficaram indiferentes à inserção do Divino em nossa história. Elas se prepararam, silentes, para recebê-lo.

Flor de Natal

Contam-se também histórias comoventes, como esta que surgiu entre os cristãos do México, pois lá existe uma flor chamada de Bico de Papagaio ou Espírito Santo. Ela possui folhas menores verdes e outras maiores vermelhas. Ela é associada ao Natal por causa da história que contarei a seguir, que possui seu lado ecológico.

Uma senhora pobre queria dar um presente ao Menino Jesus. Mas era tão pobre que não tinha nada para oferecer. Em sua simplicidade, colheu uma plantinha junto à estrada e levou-a até ele. Colheu a plantinha e foi, alegre, oferecê-la ao Menino Jesus no presépio. As pessoas que estavam perto começaram a rir da pobre senhora. Ela ficou tão envergonhada que começou a chorar.

As lágrimas cairam sobre as folhas verdes, que se transformaram em vermelhas. Por isso, esta planta é chamada Flor de Natal. E, de fato, assim é: quando exposta ao sol, fica verde; na sombra, torna-se vermelha, de um vermelho irradiante, que, em muitos lugares, cerca todo o presépio.

É comum que o grande aeroporto da cidade do México, na época de Natal, seja totalmente ornamentado com esta flor vermelha.

O Menino Jesus no presépio nos recorda ainda que todos nós, um dia, fomos crianças e que carregamos esta criança dentro de nós pela vida afora. A criança simboliza a vida nova, a inocência, a transparência, um novo começo. Sempre estamos às voltas com essas coisas: queremos ter uma vida saudável, podermos sempre de novo recomeçar e viver criativos e livres, como livres e criativas são as crianças. Não esqueçamos esta criança (dives puer) que ainda vive dentro de nós.

O Poeta Fernando Pessoa (Foto: Reprodução)

Mas a verdade mais profunda que o Natal nos quer transmitir, talvez, seja esta: Deus não veio para divinizar o ser humano, mas veio para humanizar o Deus que ninguém jamais viu, como atestam todas as Escrituras. Agora, Ele se manifestou em nossa carne frágil, mortal e quente. Se Jesus é o Deus que se humanizou, isto significa que há uma porção de Deus dentro de cada um de nós. Jesus é nosso irmão. E, como irmãos, somos também filhos e filhas de Deus. Poderia haver dignidade maior do que ser filho e filha de Deus e pertencer à família divina?

Neste contexto, cabe citar um tópico do poeta português Fernando Pessoa, que escreveu, talvez, um dos mais belos poemas sobre o Natal na literatura universal:

Ele é a Eterna Criança, o Deus que faltava.

Ele é o humano que é natural,

Ele é o divino que sorri e que brinca.

É por isso que eu sei com toda a certeza

Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

É a criança tão humana que é divina.

……..

Quando eu morrer, filhinho,

Seja eu a criança, o mais pequeno.

Pega-me tu ao colo

E leva-me para dentro de tua casa.

Despe meu ser cansado e humano

E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias caso eu acorde,

Para eu tornar a adormecer.

E dá-me sonhos teus para eu brincar

Até que nasça qualquer dia

Que tu sabes qual é.

Depois destes tocantes versos, não cabem mais palavras. Apenas reafirmarmos que, depois que Deus se fez um de nós, não temos mais motivos de viver tristes. Não estamos mais sós. Ele caminha conosco em nosso próprio caminhar.

Leonardo Boff
Leonardo Boff escreveu: A Busca da Justa Medida (I e II), Vozes 2023; A Oração de São Francisco: Uma Mensagem de Paz para o Mundo Atual, Vozes 2014; Fundamentalismo, Terrorismo, Religião e Paz, Vozes 2009.



domingo, 21 de dezembro de 2025

ROBIN TROWER

Robin Trower

' A Guitarra Blues-Rock ' 

Robin Leonard Trower nascido em 9 de março de 1945 é um guitarrista de rock inglês que alcançou sucesso com o Procol Harum entre 1967 e 1971, e posteriormente como líder de seu próprio power trio, a Robin Trower Band.

Robin Trower gastando sua ' Fender Stratocaster Red '.

The Paramounts
Tudo começa com a banda The Paramounts, e o cenário estava no palco do Shades, um café com um porão onde a banda se apresentava. Foi o pai de Robin que teve a ideia de criar um lugar onde os adolescentes pudessem se encontrar para tocar e se divertir. A formação original era Robin Trower na guitarra, Chris Copping no baixo, Mick Brownlee na bateria e Gary Brooker nas teclas.

Os Paramounts não duraram muito, porém realizaram alguns concertos importantes como:

- 26/01/1964 - Croner Ballroom, Crosby, Inglaterra.
- 03/12/1965 - Turnê pelo Reino Unido com os Beatles.
- 12/12/1965 - Odeon, Glasgow, Escócia.

Procol Harum
Em 1967, Gary Brooker, um dos membros originais dos The Paramounts, precisava de uma banda para se apresentar e fazer turnês para divulgar algumas músicas que havia coescrito e gravado. Trower e BJ Wilson, também dos Paramounts, juntaram-se a Brooker, juntamente com Matthew Fisher no órgão e David Knights no baixo, para formar o Procol Harum. Trower tocou com o Procol Harum por alguns anos, mas saiu em 1971 para seguir carreira solo. 

Ele explicou o motivo de sua saída do Procol Harum a Alan Sculley, do St. Louis Post-Dispatch : "Eu estava começando a compor cada vez mais material... que obviamente era todo para guitarra. Simplesmente não havia espaço para isso no Procol Harum." Trower passou da uma sonoridade pré-progressivo, psicodélico e excêntrico do Procol Harum para desenvolver seu próprio estilo de tocar guitarra, influenciado pelo blues e com uma pegada mais incisiva.

Em 1971, Trower tentou formar outra banda chamada Jude, mas ela não durou muito e o formato simplesmente não funcionou para ele. Foi então que ele decidiu seguir carreira solo. Ele organizou um grupo de apoio composto por músicos talentosos e dedicados, muitos dos quais se tornaram membros fixos de sua banda. Entre eles estavam o vocalista e baixista James Dewar e Bill Lordan na bateria.

Robin Trower Band
Em 1973, algumas apresentações de Robin Trower antes da formação original do seu novo power trio, a Robin Trower Band, contaram com Robin Trower na guitarra, Diz Derrick no baixo, BJ Wilson bateria e Gary Brooker no piano e vocais.

James Dewar, Trower e Reg Isidore.
O excelente guitarrista decidiu trilhar sua carreira solo transitando para uma sonoridade mais pesada de blues-rock. A nova banda contava com James Dewar nos vocais e baixo, e Reg Isidore na bateria. O novo power trio definiu o tom para o álbum de estreia  da Trower Band, "Twice Removed From Yesterday" de 1973, mas foi o sucessor, "Bridge of Sighs" de 1974, que catapultou Trower ao status de herói internacional da guitarra.

Bridge of Sighs é um álbum de rock com uma sonoridade titânica, apresentando solos de guitarra verdadeiramente hipnotizantes de Trower. A faixa-título e pérolas como "Day of the Eagle", "Too Rolling Stoned", "In This Place" e "Little Bit of Sympathy", além da primorosa "Lady Love", são números excepcionais, com a performance de Trower na guitarra equiparando-se à dos mais celebrados deuses da guitarra da época.

Steve Lukather, do Toto, observa: “Em 1974, comprei o álbum Bridge of Sighs e fiquei impressionado. Eu estava absorvendo tudo relacionado à guitarra, pois era um músico promissor, e o som da guitarra de Robin tocou minha alma. O timbre, o toque e a sensação eram incríveis.”

Nas cinco décadas que se seguiram a este álbum milionário, a carreira de Robin Trower tem sido um ato de rebeldia silenciosa. Retrocedendo um pouco na história do guitarrista britânico, encontramos um artista que sempre preferiu arriscar em vez de seguir o caminho mais fácil. Uma vida inteira desde que surgiu no circuito de blues britânico como um jovem guitarrista promissor, o lendário talento de Trower não mostra sinais de esgotamento. Aliás, a ascensão meteórica do icônico guitarrista em sua fase final é algo impressionante, conquistando novos fãs e mantendo os fiéis seguidores que acompanham cada passo seu. 

Durante esse período, ele transitou entre projetos solo e colaborações com artistas como Jack Bruce, Brian Ferry e Maxi Priest, lançando mais de 30 álbuns.

Avançando para 2023, o novo álbum de estúdio de Trower, Joyful Sky, com a cantora de blues nova-iorquina Sari Schorr, demonstra maravilhosamente seu mais recente lampejo de instinto artístico. Sempre receptivo a cantoras que conseguem elevar seu toque emotivo na guitarra, Robin ouviu na voz rouca e poderosa da aclamada nova-iorquina Sari Schorr uma qualidade que o fez querer desconstruir e reconstruir sua composição em torno dela.

​O álbum de Robin Trower – 'No More Worlds To Conquer' – resume bem a marca que ele deixou no universo musical. Mas, como ele mesmo nos lembra, isso não deve ser interpretado como se sua missão estivesse cumprida. "Definitivamente sinto que ainda estou me aprofundando", reflete ele, "com a guitarra, as músicas e tudo mais."

Por mais de seis décadas, a carreira de Robin Trower não conheceu limites. Aos 76 anos, o guitarrista britânico pode refletir sobre uma jornada na qual deixou sua marca em diversos gêneros musicais e desempenhou todos os papéis imagináveis. Ele foi a força motriz por trás de ícones dos anos 60, como o Procol Harum. O astro solo transatlântico que lotou estádios americanos com o álbum "Bridge of Sighs" em 1974. O colaborador e ocasional membro de supergrupos. O compositor veterano cuja fase final ainda vibra com inventividade.

Com vocais e baixo do falecido Jim Dewar – além do trabalho de guitarra impressionante de Trower, que influenciou artistas como Steve Lukather e Opeth – o álbum "Bridge Of Sighs", que recebeu disco de ouro nos EUA, é talvez o seu trabalho mais emblemático.

“Com cada álbum, eu dou o meu melhor naquele momento. Acho que é disso que se trata. Eu estabeleço metas para mim mesmo e cada música tem que estar à altura delas”, reflete ele.

“O que geralmente acontece é que estou tocando violão por diversão e, de repente, surge uma ideia”, continua ele. “Então, você procura uma letra que se desenvolva a partir da música e intensifique o clima. É maravilhoso quando você percorre todo o caminho desde o início, desde aquela pequena ideia inicial no violão até se transformar em uma canção, e finalmente você consegue gravar e finalizar uma faixa – e ela fica mais ou menos como você a imaginou.”

Recorrendo mais uma vez ao seu fiel arsenal de Fender Stratocaster e amplificador Marshall, o trabalho de guitarra de Trower é atemporal, seja no riff pesado de “Ball Of Fire”, “Losing You” e “Cloud Across The Sun”, ou nos efeitos wah-wah mais lentos da faixa-título e de “Deadly Kiss”. “Cada faixa precisa funcionar como um todo”, diz ele, “além da música e de tudo o mais. Sou muito exigente com os timbres de guitarra. Eu deixo as pessoas loucas, mas no final, vale a pena todo o incômodo.”

Em “Waiting For The Rain To Fall”, a performance de Trower é cristalina como uma gota de orvalho, enquanto o final comovente, “I Will Always Be Your Shelter”, oferece um solo cujo toque magistral é tão cativante quanto qualquer outro em seu catálogo. “Esse é um ponto alto da minha performance”, ele concorda com a cabeça. “E ‘Waiting For The Rain To Fall’, eu acho, tem influência da Tamla Motown. É um pouco fora do meu padrão fazer uma música assim. Mas acho que é algo poderoso. Espero que este álbum surpreenda as pessoas.”

Mais uma vez, Trower também assume o baixo, mas, como um eterno servo da música acima do próprio ego, ele não hesitou em recrutar outros músicos. “Livingstone Brown tocou baixo em três faixas, e Chris Taggart está na bateria”, explica. “Ele é um baterista maravilhoso e participou dos últimos três ou quatro álbuns. E eu comecei a perceber, depois de tentar cantar essas músicas sozinho, que minha voz não estava à altura. Richard Watts fez um ótimo trabalho nos vocais. Ele tem uma voz fantástica – um cantor com muita alma – e está disposto a captar exatamente como eu imagino. Outra grande vantagem de ter o Richard é que há várias músicas neste álbum que eu não conseguiria tocar e cantar ao vivo ao mesmo tempo.”

“Foi difícil, mas estou feliz por ter feito isso”, reflete ele. “Este álbum é uma evolução. Espero que seja sempre assim com a minha música. Há um grande salto entre Bridge Of Sighs e agora. É como tudo na vida. Quanto mais você trabalha em algo, em teoria, melhor você deveria ficar. E definitivamente sinto que este álbum é uma das melhores coisas que já fiz.”


sábado, 20 de dezembro de 2025

JOE COCKER

Joe Cocker


Joe Cocker foi um artista único no século – o sonho de qualquer compositor. Quando Joe Cocker encontrava uma ótima melodia e uma letra inspiradora, tudo podia acontecer. Ele não apenas interpretava a melodia, como a REVELAVA . Ideias e nuances que um compositor nem sequer havia considerado enquanto se dedicava à sua música ganhavam vida assim que jorravam dos pulmões de Joe Cocker. Essa é a diferença entre ser um cantor e ser um artista. Cocker mudou o ar.

Ao longo de sua carreira, Joe Cocker conseguiu pegar peças icônicas dos maiores compositores de sua geração e reinventá-las em algo único e muitas vezes mais poderoso que as originais: The Beatles – juntos e separados (“With A Little Help From My Friends”, “She Came In Through The Bathroom Window”, “Give Peace A Chance” e muitas outras). Todas essas versões têm uma camada extra de paixão e emoção que impulsiona a narrativa da música de uma forma que as originais simplesmente não conseguiam.

Além de toda essa música incrível, Joe Cocker se destacou como um artista completo, com seu trabalho incomparável com o grande Leon Russell em “Delta Lady”, “Cry Me A River”, “The Letter” e na turnê e filme de Mad Dogs And Englishman. Ele criou sucessos seminais como “Feelin' Alright”, “Let's Go Get Stoned”, “The Jealous Kind”, “You Are So Beautiful”, “Up Where We Belong”, “When The Night Comes”, “Unchain My Heart” e a inesquecível “High Time We Went”, que foi coescrita pelo próprio Cocker.

Joe Cocker provou ser um homem para todas as ocasiões e uma voz para todas as emoções. É um legado que ele carregou com orgulho e uma obra que sobreviverá a todos nós.

Ao vivo em Woodstock, 1969.
O sucesso da versão dele para "With a Little Help From my Friends", dos Beatles, chegou ao topo das paradas no Reino Unido em 1968 e rendeu-lhe um telegrama de parabéns assinado pelo quarteto de Liverpool. Anos mais tarde, Cocker contou que Paul McCartney lhe disse que sua gravação era "claramente a versão definitiva da canção".

Comenta-se que a lenda do R&B Ray Charles teria descrito o roqueiro, junto a Aretha Franklin e Marvin Gaye, como um dos três maiores cantores de blues do mundo. Elogios como estes ilustram o respeito que Cocker despertava por seu talento vocal.

Uma de suas performances mais memoráveis aconteceu no festival de Woodstock, em 1969. Com "A Little Help From My Friends", ele mostrou ao mundo como era capaz de dar novo fôlego a velhas composições - a canção original havia aparecido em 1967, no disco "Sergeant Pepper", numa versão animada cantada por Ringo Starr.

Mas, depois de Cocker colocar as mãos nela, a música virou um hino. Sua performance, com os cachos encharcados de suor enquanto ia e vinha pelo palco, fizeram dele uma estrela nos Estados Unidos.

O músico começou a carreira trabalhando como instalador de aquecedores de gás durante o dia e tocando em bandas de rock na cidade inglesa de Sheffield durante a noite. Usando o nome artístico Vance Arnold, ele chegou a abrir shows de bandas como The Rolling Stones e The Hollies na cidade.

Anos depois, ele disse ter aprendido o estilo com Ray Charles, por quem tinha "absoluta admiração".

O primeiro single, uma versão de "I'll Cry Instead", dos Beatles, não o levou a lugar nenhum - ele perdeu o contrato com uma gravadora e voltou a instalar aquecedores.

Cocker continuou se apresentando ao vivo, até que conseguiu um novo contrato. Dessa vez escolheu gravar "With A Little Help From My Friends" - com uma pequena ajuda do guitarrista Jimmy Page.

Após se tornar uma estrela no Reino Unido, foi para os Estados Unidos e ganhou fãs ao aparecer no famoso programa de TV "The Ed Sullivan Show" - mesmo com os produtores aparentemente tentando esconder seus movimentos atrás de um grupo de dançarinas.

Capa do álbum, 1970
Em 1970, junto a 34 outros músicos, Cocker protagonizou a épica turnê "Mad Dogs and Englishmen", cujos frutos renderam um disco ao vivo e um filme.

A turnê, entretanto, significou um enorme obstáculo pessoal. Ao longo dos anos 1970, ele ficou conhecido pelos abusos com álcool e drogas e por suas apresentações confusas, que às vezes o levavam a vomitar em pleno palco.

"As pessoas me diziam que eu tinha feito shows terríveis e eu me recusava a acreditar", disse o astro mais tarde.

"Então alguém colocava uma gravação minha e eu dizia: 'você só pode ter alterado esta música para me fazer soar dessa maneira. Eu não canto mal assim'. Depois, então, percebi que aquilo era eu mesmo."

Em outra entrevista, ele explicou: "Se eu tivesse sido mais forte mentalmente, não teria caído na tentação".

"Mas não havia clínicas de reabilitação naquela época. Drogas eram superdisponíveis e eu mergulhei de cabeça."

O fundo do poço veio quando ele foi deportado das Austrália durante uma turnê, em 1972. Cocker havia sido preso por porte de drogas e por envolvimento em uma briga no hotel em que se hospedava na cidade de Adelaide.

Comenta-se que quando a polícia entrou em seu quarto e perguntou se ele tinha maconha, ele educadamente respondeu: "Tem um pouco em algum lugar por aqui".

As coisas mudaram quando ele conheceu a esposa, a norte-americana Pam, em 1978.

"No começo dos anos 1980, eu reencontrei o foco - ou era isso ou eu ia acabar me matando com tantas drogas", disse.

O retorno às paradas musicais veio graças a seu dueto com Jennifer Warnes, que virou um hit por todo o mundo entre 1982 e 1983.

Ele continuou gravando e fazendo shows, lançando um total de 40 álbuns. Sua última aparição entre as 40 músicas mais tocadas do Reino Unido aconteceu há 20 anos, com "Let The Healing Begin".

Fora dos palcos, Cocker vivia num rancho no Colorado, onde ele e Pam tinham uma lanchonete com o nome de um de seus principais sucessos - "Mad Dog Cafe".

Cocker deixa Pam, o irmão Victor, uma enteada e dois netos.

Site oficial do artista.


LEON RUSSELL

Leon Russel 

História da música e biografia de Leon Russell

Primeiros Anos
Claude Russell Bridges nasceu em Lawton, Oklahoma, em 2 de abril de 1942. Conhecido como Russell por sua família, ele demonstrou afinidade pela música desde cedo, sendo atraído pelo piano já aos 4 anos de idade. Como sua mãe, Hester, disse: "Um dia, ele simplesmente sentou e começou a tocar de ouvido". Ele tirou de ouvido o hino religioso "Trust and Obey" com sua mão esquerda, a mais forte, e o transpôs para a direita. Devido a uma lesão na coluna vertebral sofrida durante o parto, Russell ficou parcialmente paralisado do lado direito, principalmente em três dedos da mão direita. Essa condição o ajudou a desenvolver seu estilo característico de tocar piano, com predominância da mão esquerda.

Leon Russell ao vivo, 1972.
Em 1953, a família mudou-se para Tulsa, e Russell passou a frequentar a Will Rogers High School, onde teve como colegas Anita Bryant, Elvin Bishop e David Gates, com quem Russell formaria a banda "The Fencemen" depois de se mudar para Los Angeles.

Ainda no ensino médio, Leon se apresentava em casas noturnas locais com seu grupo The Starlighters (Russell, JJ Cale, Leo Feathers, Johnny Williams e Chuck Blackwell). Como Oklahoma era um estado onde a venda de bebidas alcoólicas era proibida, o grupo de adolescentes conseguia tocar em locais que normalmente seriam reservados para maiores de 21 anos. Depois de construir uma reputação como um dos grupos jovens mais talentosos de Tulsa, eles chamaram a atenção de Jerry Lee Lewis, que os convidou para acompanhá-lo em turnê. "Pensei que essa era minha chance de comer em muitos restaurantes", comentou Russell em uma entrevista à Rolling Stone em 1970, explicando por que aceitou o trabalho com Lewis.

​Em 1958, Russell mudou-se para Los Angeles para dar continuidade à sua carreira musical, passando a usar o nome artístico "Leon Russell".

A equipe de demolição
Em Los Angeles, Leon tornou-se um dos músicos de estúdio mais requisitados, atuando como pianista, tecladista e guitarrista. Ele fazia parte de um grupo seleto de músicos que ficou conhecido como "The Wrecking Crew". Outros integrantes desse grupo incluíam Glen Campbell, Hal Blaine, Carol Kaye, Tommy Tedesco, Earl Palmer, Joe Osbourne, Joe Porcaro, Bill Pittman, Billy Strange, Larry Knechtel, Steve Douglas, Jim Horn e Dr. John.
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Originalmente formada como a banda fixa dos discos do produtor Phil Spector no início dos anos 1960, essa coleção de músicos continuaria a se apresentar nos discos de Spector ao longo da década, acompanhando artistas como Frank Sinatra, os Beach Boys e Bob Dylan.

Juntamente com muitos outros músicos do Wrecking Crew, Leon tocou na banda da casa do "TAMI Show" em 1964, um evento musical de dois dias que foi filmado e distribuído para cinemas em todos os Estados Unidos. O evento contou com a participação de muitos dos maiores músicos da época, incluindo Chuck Berry, The Beach Boys, James Brown, Marvin Gaye, Smokey Robinson, The Supremes e The Rolling Stones.

Leon e Snuff
Em meados da década de 1960, Leon começou a trabalhar como arranjador, desenvolvedor criativo e assistente do produtor e proprietário da Viva Records, Snuff Garrett. Nessa função, Leon aprimorou suas habilidades como compositor, escrevendo sucessos para Gary Lewis & The Playboys, como "Everybody Loves A Clown", "She's Just My Style" e "This Diamond Ring".

​Durante esse período, Leon também atuou como arranjador e maestro do álbum de estreia do Midnight String Quartet, Rhapsodies For Young Lovers , que consistia em standards instrumentais de música pop interpretados por um quarteto de câmara e seção rítmica. O disco permaneceu 17 semanas nas paradas da Billboard, alcançando o 17º lugar em novembro de 1966. Originalmente, este seria um disco solo de Leon Russell, com ele mesmo nos teclados acompanhado pela orquestra, mas Garrett decidiu lançá-lo como The Midnight String Quartet.

Coral do Asilo
No final da década de 1960, Leon uniu-se ao guitarrista Marc Benno para formar o The Asylum Choir. Os dois gravaram dois álbuns que, embora nunca tenham sido sucessos comerciais, tornaram-se aclamados pela crítica e serviram de modelo para o tipo de pioneiro musical que Leon se tornaria ao longo de sua carreira. A revista Rolling Stone descreveu o álbum de estreia da dupla como "Vital, Freaky, and Exciting" (Vital, Excêntrico e Emocionante).​

Após o lançamento inicial em 1968 pela Smash Records, os dois seguiram caminhos separados. Leon continuou sua carreira solo, enquanto Benno aprimorou seu currículo como guitarrista de estúdio, participando do álbum "L.A. Woman" do The Doors. O segundo álbum da dupla foi lançado em 1972, alguns anos após a separação. Leon o lançou por sua própria gravadora, a Shelter Records, e alcançou a 70ª posição na Billboard 200, em grande parte devido ao sucesso de sua carreira solo.

Shelter Records
Em 1969, Leon estava pronto para dar o salto para uma carreira solo. Ele havia consolidado sua habilidade como compositor e como um dos músicos de estúdio mais requisitados, e construído um repertório de músicas que estava pronto para gravar. Ele acabou tocando algumas de suas novas canções para o ex-produtor da Island Records, Denny Cordell, que havia obtido sucesso produzindo discos para o The Moody Blues (The Magnificent Moodies), bem como singles de sucesso como "A Whiter Shade of Pale" para o Procol Harum e "A Little Help From My Friends" para Joe Cocker. Cordell ficou encantado com Leon e seu novo material, mas ainda mais com a personalidade que Leon exalava, tão escondida quando ele estava em segundo plano.

Os dois decidiram fundar sua própria gravadora, que batizaram de Shelter Records, sendo seu primeiro lançamento o álbum homônimo de Leon, em 1970. O álbum alcançou a 60ª posição na Billboard 200 e incluía alguns clássicos como "A Song for You", "Delta Lady", "Hummingbird" e "Roll Away the Stone". A Shelter Records lançaria os oito álbuns seguintes de Leon, todos coproduzidos por Leon e Cordell.

​A sede da Shelter ficava dividida entre Los Angeles e Tulsa, e suas gravações eram realizadas em dois estúdios históricos: o Sound City, na área de Van Nuys, em Los Angeles, e o The Church Studio, no Pearl District de Tulsa, um antigo prédio da igreja episcopal, agora um Marco Histórico Nacional, que foi comprado e convertido em estúdio de gravação por Leon em 1972.

A Shelter não era apenas um veículo pelo qual Leon lançava suas próprias gravações, mas também funcionava como uma oficina para o desenvolvimento de artistas e se tornou uma plataforma de lançamento para alguns dos jovens talentos mais promissores da música. A Shelter lançou discos de JJ Cale, Etta James, Freddie King, Phoebe Snow, Dwight Twilley e muitos outros. Também foi a primeira casa de dois dos artistas mais influentes do século XX. Tom Petty and the Heartbreakers lançaram seus dois primeiros álbuns pelo selo Shelter Records, e a gravadora também lançou o primeiro single de Bob Marley, "Duppy Conquerer".

​Após um desentendimento com Cordell, Leon deixou a Shelter em 1976 para se dedicar a outros projetos. Denny Cordell continuou a administrar a Shelter Records por mais 5 anos, até que a gravadora finalmente encerrou suas atividades ao término do contrato de distribuição com a Arista Records em 1981.

Joe Cocker e Leon Russel
Mad Dogs And Englishmen
No final da década de 1960, poucos astros do rock eram maiores que Joe Cocker. Após o enorme sucesso com a The Grease Band e hits como "Marjorine" e um cover de "With A Little Help From My Friends" dos Beatles, culminando com uma apresentação lendária em Woodstock, a carreira de Cocker estava pronta para decolar. Sua equipe havia organizado uma turnê pelos Estados Unidos, e dias antes, ele se viu sem banda. Seu produtor na A&M Records era Denny Cordell, que por acaso estava lançando seu próprio selo com Leon Russell. Cordell e Cocker procuraram Leon para pedir ajuda na formação da banda para a turnê, e Leon concordou apenas se eles pudessem fazer algo inédito.

​Graças à sua extensa rede de contatos com músicos através do The Wrecking Crew, Leon conseguiu rapidamente reunir um conjunto de mais de 20 músicos, incluindo três bateristas, um coral de apoio e ele próprio como guitarrista principal, pianista e diretor musical. Leon também insistiu que uma equipe de filmagem acompanhasse a turnê, resultando no documentário Mad Dogs and Englishmen, que se tornaria um dos filmes essenciais do rock and roll, retratando como era realmente aquela época da música.

​A turnê se tornaria lendária, e o álbum ao vivo resultante alcançaria o 2º lugar na parada Billboard Top 200 dos EUA. Apresentações de "The Weight", do The Band, "Feelin' Alright", do Traffic, e "The Letter", do The Box Tops, foram os destaques do repertório, que culminou com uma interpretação vibrante e empolgante de "Delta Lady", do próprio Leon. Rita Coolidge subiu ao palco e cantou "Superstar", de Leon e Bonnie Bramlett, e Leon e Joe fizeram um dueto em sua versão de "Girl from the North Country", de Bob Dylan.

A turnê serviu como uma oportunidade para Leon apresentar seu próprio material, já que ele teria tempo no palco para apresentar "Hummingbird" e "Dixie Lullaby", que seriam lançadas em seu álbum de estreia.

O álbum Mad Dogs and Englishmen apresentou Leon ao mundo e provou que ele era uma força musical a ser reconhecida.
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Embora a turnê tenha catapultado Leon e Cocker ao ápice do rock and roll, sua magnitude criou uma ruptura entre os dois, que optaram por seguir carreiras separadas dali em diante. Até hoje, no entanto, os dois serão para sempre ligados por terem orquestrado um dos maiores acontecimentos da história da música rock.

Concert For Bangladesh
O ano de 1971 testemunhou uma das atrocidades mais horríveis de toda a história da humanidade, com até 3 milhões de mortos e 400 mil mulheres estupradas por membros das forças armadas paquistanesas e milícias islâmicas que as apoiavam, numa tentativa de reprimir o movimento separatista dos bengalis do Paquistão Oriental (que se tornou a República Popular de Bangladesh em 17 de abril de 1971). Em resposta às atrocidades, cerca de 10 milhões de paquistaneses, em sua maioria hindus, fugiram do país em busca de refúgio na Índia. Como forma de conscientizar e arrecadar fundos para esses refugiados, George Harrison e Ravi Shankar organizaram dois concertos com grandes estrelas, que aconteceram no Madison Square Garden, em Nova York, no dia 1º de agosto de 1971. A programação incluiu Ringo Starr, Bob Dylan, Eric Clapton, Badfinger e Leon Russell.

O evento tornou-se o primeiro concerto beneficente desta magnitude e arrecadou mais de 240 mil dólares, que foram integralmente doados à UNICEF. O adiantamento das vendas do álbum ao vivo gerou mais 3,75 milhões de dólares em auxílio.

Leon se apresentou durante o show da tarde, juntando-se a Harrison em uma performance de "Beware Of Darkness", e proporcionou o que muitos consideram o ponto alto do evento com seu medley de "Jumpin' Jack Flash" dos Rolling Stones e "Youngblood" dos Coasters.

O concerto como um todo foi considerado um grande sucesso, o álbum ao vivo alcançou o 2º lugar na parada Billboard Top LP's e ganhou o Grammy de Álbum do Ano em 1973, e o filme do concerto se tornou um dos maiores filmes musicais de todos os tempos, quebrando o recorde de bilheteria em um único dia de exibição em Londres.

Hank Wilson
No auge do seu sucesso no rock 'n' roll, Leon fez o que só ele poderia imaginar: mudar de nome e lançar um álbum de covers de música country! Em 1973, Leon adotou o nome Hank Wilson, como homenagem aos outros grandes Hanks da música country (Snow, Thompson e Williams), e lançou "Hank Wilson's Back". O disco foi gravado no lendário estúdio Bradley's Barn, em Nashville, de propriedade da lenda da música country Owen Bradley, e contou com a participação de um verdadeiro time de estrelas dos grandes músicos de estúdio de Nashville da época, incluindo Harold Bradley no baixo, David Briggs no piano, Billy Bird na guitarra, Charlie McCoy na gaita e Pete Drake no pedal steel, entre muitos outros.

O álbum foi coproduzido por JJ Cale, outro ícone da música de Tulsa, e apresentou clássicos da música country como "I'm So Lonesome I Could Cry", de Hank Williams, "In The Jailhouse Now", de Jimmie Rogers, e o single de destaque do álbum, "Roll In My Sweet Baby's Arms", de Lester Flatt e Earl Scruggs, que alcançou a 57ª posição na parada Billboard Hot Country Singles e a 78ª na Hot 100.

Onze anos depois, Leon lançaria o álbum seguinte, "Hank Wilson Vol. II", que incluiria o single principal "Wabash Cannonball", um dueto com Willie Nelson do clássico folk americano do século XIX. Leon lançaria mais dois álbuns de Hank Wilson em 1998 e 2001, e encerraria a série com "The Best of Hank Wilson" em 2009.

A música country desempenhou um papel fundamental na formação dos interesses musicais de Leon e na influência de seu som. Embora fosse mais conhecido por suas incursões no rock e no blues, ele marcou presença na música country através de Hank Wilson, trazendo a pegada rock dos cabeludos para o som tradicional do country.

Álbum 'The Union' em parceria com Elton John.

Paradise Records
Após o desentendimento com Denny Cordell, Leon mudou-se para Los Angeles e fundou sua segunda gravadora, a Paradise Records. A gravadora distribuiu os discos de Leon de 1976 a 1984, incluindo dois com sua então esposa Mary McCreary, o segundo volume da série de música country de Hank Wilson e o álbum ao vivo com o The New Grass Revival. A gravadora também lançou discos de Gary Ogan, Wornell Jones e Billy Chinnock.

Após o lançamento de Solid State em 1984, Leon fez uma pausa nas gravações, concentrando-se em turnês como artista solo em 1985 e com Edgar Winter em 1988 e 1989.

Leon Russell Records
Ao longo do final da década de 80, Leon fez uma pausa nas gravações e deixou seu cargo na Paradise Records. Ele retornou ao estúdio em 1991 para lançar Anything Can Happen, produzido por Bruce Hornsby e lançado pela Virgin Records. Após esse lançamento, Leon decidiu abrir seu terceiro selo, Leon Russell Records, anunciado com o lançamento de seu álbum de estreia, Hymns of Christmas, um álbum orquestral conduzido e com Leon ao piano, composto por peças natalinas clássicas executadas inteiramente por instrumentos. Este projeto foi o primeiro de uma série de trabalhos específicos por gênero que permitiram a Leon explorar mais profundamente os gêneros que mais o inspiravam; desde seu álbum de standards com a Orquestra Sinfônica de Nashville, intitulado Moonlight & Love Songs, até o gospel A Mighty Flood e o som honky-tonk de Bad Country.

​A gravadora Leon Russell Records lançou mais álbuns de Leon (12) do que qualquer outra. A última gravação de Leon, On A Distant Shore, no entanto, foi lançada postumamente pela Palmetto Records em 22 de setembro de 2017.

The Union
Ao iniciar sua carreira musical no Reino Unido, Elton John descobriu o talento de Leon ao piano em gravações feitas por Leon com o The Wrecking Crew e tornou-se fã instantaneamente. Leon e Elton se tornaram amigos quando Leon assistiu à primeira apresentação de Elton nos Estados Unidos, no Troubadour, em Los Angeles, em 25 de agosto de 1970. Quase 40 anos depois, Elton se deparou novamente com a música de Leon e se emocionou ao se lembrar do impacto que ela havia tido sobre ele anos antes, e da amizade que haviam cultivado. Elton imediatamente entrou em contato com Leon, querendo colaborar em um projeto especial.

Os dois embarcariam na criação de The Union, uma aventura de 16 faixas que alcançou o 3º lugar tanto na Billboard 200 quanto na lista dos 30 Melhores Álbuns de 2010 da Rolling Stone, tornando-se o álbum de Leon com a melhor posição nas paradas desde Carney , de 1972 .

A composição de Leon, "If It Wasn't For Bad", recebeu uma indicação para Melhor Colaboração Pop com Vocais na 53ª edição do Grammy Awards, a primeira desde 2002.

O álbum foi produzido por T-Bone Burnett e contou com participações de Booker T. Jones, Robert Randolph, Neil Young e Brian Wilson. A colaboração foi filmada pelo diretor Cameron Crowe, e o documentário The Union estreou no Festival de Cinema de Tribeca de 2011 antes de ser adquirido pela HBO, onde foi ao ar a partir de janeiro de 2012.

A colaboração levaria a um renovado interesse na carreira de Leon, incluindo sua indicação ao Hall da Fama do Rock and Roll, onde Elton o apresentaria.

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