Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
Mostrando postagens com marcador livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador livro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Ideias Anti-Racismo: Lília Guerra

Literatura Anti-Racismo

Texto de Eliana Alves Cruz: É guerra o tempo todo.


A escritora Lília Guerra e o racismo nosso de cada dia.

O líder, intelectual e imortal indígena da Academia Brasileira de Letras Aílton Krenak, há alguns anos, no primeiro episódio do ótimo documentário Guerras do Brasil, dirigido por Luiz Bolognesi, falou algo perturbador e antológico: “Nós estamos em guerra. Eu não sei por que você está me olhando com essa cara tão simpática. O seu mundo e o meu mundo estão em guerra. Os nossos mundos estão todos em guerra. A falsificação ideológica que sugere que nós temos paz, é pra gente continuar mantendo a coisa funcionando. Não tem paz em lugar nenhum. É guerra, em todos os lugares, o tempo todo”.

Como esse “tempo todo” é algo que não passa no Brasil e os fatos parecem se entrelaçar de maneira irônica, uma escritora que tem “guerra” no sobrenome, participante da programação principal da Flip em 2025, foi a prova da verdade proferida por Krenak.

Lília Guerra, autora dos excelentes livros “O céu para os bastardos” e “Perifobia” subiu no palco principal da Festa Literária de Paraty, a FLIP, a mais famosa do país, aquela que deu origem a todas as outras neste formato. Finalizado o evento, já em casa, ela recebe um contato da organização, informando que pousada deu falta de um lençol e uma manta no quarto em que ela estivera.

Lília estava sendo alvo da suspeita de um furto.

Em suas palavras, no texto que escreveu para desaguar todo o caos interior que se instala quando algo assim acontece: “Pelo que entendi, a pousada solicitava reembolso do valor correspondente aos itens apontados como ausentes no quarto onde estive, após a checagem padrão. A produção da Festa foi contatada porque era responsável pela minha estadia e me colocou a par da situação. Me disseram que duvidavam muito que isso houvesse realmente ocorrido. Porém, que se tivesse sido assim, eu só precisava confirmar e eles providenciariam o ressarcimento”.

São tantas camadas de erro que é até difícil começar a enumerar, mas vamos aprofundar aqui na conjunção adversativa “porém”. A dúvida é um tapa na cara. Não apenas de Lília, mas de todos e todas nós que crescemos apontados como possíveis cometedores de delitos, contravenções, atos fora da lei, violências. A dúvida é a certeza da dureza que é escapar da lógica colonial que fixou cada pedra do chão da cidade de Paraty, parte do Caminho do Ouro e um dos epicentros da riqueza colonial brasileira.

Lília entrou pela porta da frente, como resultado da projeção que conquistou com sua escrita importante, necessária, bonita. Sentou-se na cadeira do centro do palco com a imagem de Carolina Maria de Jesus, uma inspiração e um incentivo, estampada no peito. Realizou um desejo de muitos escritores e escritoras em todo o país, para alegria de quem a ama, considera e admira. Para contentamento de todos nós, escritores e escritoras negros e negras, que por décadas sem conta estivemos alijados destes espaços dados à intelectualidade brasileira. Um evento que nos últimos nove anos vêm buscando dar voz e espelhar a produção literária tão diversa do país. Aí, como diz o pema do Drummond, no “meio do caminho tinha uma pedra”, no meio da fala tinha um “porém”.

Lília prosseguiu em seu desabafo.

“(…) Suponho que deva ser uma ocorrência corriqueira, dada a naturalidade com que me foi comunicada. Para mim? Um piano de cauda descendo uma ladeira de patins. Inacreditável.

(…) Recebi pedidos de desculpas, sim. Pelo equívoco, pela condução desacertada, pelo incômodo, pela comunicação falha. Pela falta de assertividade, pelo desencontro de informações, pela demora no retorno. Pelo desconforto, pela gravidade. Acreditei na sinceridade de todos esses pedidos e os aceitei. Tanto que, em determinado momento, me flagrei elaborando como agir, de modo a não parecer julgadora, intolerante, injusta, transgressora do Pai Nosso, inflexível ou incompreensiva. Não deixei de pensar que somos todos passíveis de erros e procurei administrar o tempo para ouvir quem achou por bem se manifestar. Eu mesma não tenho muito mais a dizer.

Livro: O Céu para os Bastardos, Lília Guerra.

Decidi compartilhar a experiência porque as Festas e Festivais, Feiras e acontecimentos literários seguirão ocorrendo e isso é muito bom! Desejo que se expandam! Que se realizem em todos os cantos do Brasil. Que alcancem o povo! E acredito que haverá mais pessoas como eu transitando por esses eventos. Nas curadorias, mediações. Nas mesas e, sobretudo, nas plateias. (…) É preciso aprender a conviver com a gente nesses meios. Estamos aí!”

Sim, querida Lília, estamos aí, mas é bom nunca esquecer aquelas pedras que pavimentam Paraty e todos os espaços neste país. Ouçamos Drumond:

“Nunca me esquecerei desse acontecimento

Na vida de minhas retinas tão fatigadas

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

Tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra”

E levemos a sério o alerta de Krenak: “É guerra, em todo lugar, o tempo todo”.

Eliana Alves Cruz é carioca, escritora, roteirista e jornalista. Foi a ganhadora do Prêmio Jabuti 2022 na categoria Contos, pelo livro “A vestida”. É autora dos também premiados romances Água de barrela, O crime do cais do Valongo; Nada digo de ti, que em ti não veja; e Solitária. Tem ainda dois livros infantis e está em cerca de 20 antologias. Foi colunista do The Intercept Brasil, UOL e atuou como chefe de imprensa da Confederação Brasileira de Natação.

Plataforma ICL de Comunicação.
https://iclnoticias.com.br/e-guerra-o-tempo-todo-lilia/


quinta-feira, 14 de agosto de 2025

O Livro

 O Livro

"o Livro é um lugar de encontro, onde as pessoas se reconhecem"

"o sagrado é quem lê"

"o Livro nos deixa à salvo do alienador"

"o Livro deve estar ao centro da política"

"todos devemos fazer a defesa do Livro e da leitura"


Se quisermos mesmo sair de uma mentalidade tacana de que pessoas não gostam de ler livros, é necessário entender que o livro não é um objeto para comécio ou algum item para enfeitar prateleiras. Livro é a solução de todas as questões humanas, pois ele é o maior poder em nossas mãos para o conhecimento, criação e emancipação individual e coletiva de todas as pessoas. Só o livro nos liberta!

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Livro: Bell Hooks

Bell Hooks

Tudo sobre o Amor:
novas perspectivas

Gloria Jean Watkins, mais conhecida pelo pseudônimo bell hooks, foi uma autora, professora, teórica feminista, artista e ativista antirracista estadunidense. Hooks publicou mais de trinta livros e numerosos artigos acadêmicos, apareceu em vários filmes e documentários, e participou de várias palestras públicas. 
Na infância, estudou em escolas públicas para negros, pois nos Estados Unidos ainda havia escolas que praticavam segregação racial. Na adolescência, quando passou para uma escola integrada, viveu a discriminação de ser minoria numa instituição onde tanto os professores quanto os alunos eram majoritariamente brancos.

“Muitas vezes, as feministas brancas agem como se as mulheres negras não soubessem que houve opressão sexista até que elas expressassem o sentimento feminista. Eles acreditam que forneceram às mulheres negras ‘análise’ e ‘o’ programa de liberação”, escreveu Bell Hooks. “Eles não entendem, nem imaginam, que as mulheres negras, bem como outros grupos de mulheres que vivem diariamente em situações opressivas, muitas vezes se tornam conscientes da política patriarcal de sua experiência vivida à medida que desenvolvem estratégias de resistência — mesmo que isso não seja feito de forma sustentada ou organizada.”

Bell Hooks foi premiada com um The American Book Award, um dos prêmios literários de maior prestígio dos Estados Unidos. Entre suas maiores influências, além de Martin Luther King, Malcom X e Eric Fromm, estão as teorias de educação defendidas pelo professor filósofo brasileiro Paulo Freire.

Pela Editora Elefante ela publicou “Tudo sobre o amor: novas perspectivas”, que de maneira tocante e profunda, a teórica feminista nos apresenta novas perspectivas a respeito do amor, esse sentimento que se faz presente nos encontros afetivos-sexuais, mas que também está nas relações familiares, nas amizades, nas lutas cotidianas. Para ela, amar é um ato político, que, dentre outras coisas, tem o poder de curar. Bell Hooks, ex-professora da Universidade de Yale diz nesse seu livro: “Todos ansiamos por amor – todos o buscamos – mesmo quando não temos esperança de que ele possa ser de fato encontrado”

Editora: Elefante 
Ano de publicação: 2021
Artes fotográfias da exposição do livro: Gabriel Mesquita


quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Editora - Autonomia Literária

https://autonomialiteraria.com.br/


Em tempos nos quais buscamos reinventar a política, por que não começar inventando uma editora?

A editora Autonomia Literária é uma iniciativa editorial fundada em 2015, idealizada e tocadas pelos sócios e coordenadores editoriais Manuela Beloni, Hugo Albuquerque & Cauê Seignemartin Ameni. Sua ação está centrada na organização de publicações em rede junto aos movimentos sociais, intelectuais, coletivos e novos portais de mídia independente.

Também é um projeto político, sem fins lucrativos e sem chefes, ensaiando alternativas para superar e desafiar as relações mercadológicas. Por isso, nossa parceria editorial junto a ativistas, intelectuais e movimentos sociais, tem como objetivo não só municiar e difundir o pensamento critico transformador, mas também de constituir novas formas de ação e produção em comum — rompendo a velha hierarquia entre editora e editados.


A iniciativa vem na esteira do deserto do debate nacional, incapaz de compreender os conflitos políticos e publicar, com coerência e cuidado, os principais títulos de autores e temas polêmicos.


CONSELHO EDITORIAL:
Carlos Sávio Gomes (UFF-RJ), Edemilson Paraná (UFC/UNB), Esther Dweck (UFRJ), Jean Tible (USP), Leda Paulani (USP), Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo (Unicamp-Facamp), Michel Lowy (CNRS, França), Pedro Rossi (Unicamp) e Victor Marques (UFABC).


FLIPEI: Feira de Livros

FLIPEI

Autonomia Literária




Feira Literária

Espaço Cultural Elza Soares

06 a 10 de agosto/2025

VAI TER cultura, debates, pensamento crítico, acessibilidade, criançada no pique antirracista, performances artísticas, poesia e muita festa numa programação extensa.
TOTALMENTE GRATUITA 💅🏾



🏴‍☠️📚 Festa Literáriar Pirata das Editoras Independentes 🔥 Livros, cultura e resistência 📍 6 a 10 de agosto | Galpão Elza Soares


Confira a Programação: