Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Arte Conceitual

Arte Conceitual e o Movimento Fluxus

O que é a arte conceitual e como ela surgiu?

Ceiling Painting de Yoko Ono, 1966.

A arte conceitual é um tipo de produção artística que muitas vezes intriga o público. Mesmo que tenha surgido por volta dos anos 60, ainda hoje confunde e atordoa parte das pessoas que se depara com ela.


Isso acontece pois essa é uma vertente da criação que privilegia a ideia e não a forma. Ou seja, os artistas procuram expressar conceitos e concepções acerca de um assunto, não se preocupando se a estética irá agradar visualmente ou não. Para eles, o que importa é a linguagem, a comunicação, produzindo obras que instiguem questionamentos e reflexões.

O termo “arte conceitual” surgiu oficialmente durante as práticas do Grupo Fluxus, sendo criado em 1961 por Henry Flynt, artista e filósofo norte-americano.

Fluxus foi um grupo de artistas de diversos países que atuou a partir dos anos 60 e tinha como objetivo questionar o mercado da arte, trazendo muitas influências do movimento de vanguarda dadaísta.

Além da crítica ao mercado artístico, eles propunham ainda uma “anti-arte” ou “arte-ideia” e uma ruptura com o formalismo e tradição.

Participaram desse movimento artistas consagrados como Yoko Ono, Joseph Beuys, George Maciunas, John Cage, dentre outros.

Uma das obras conceituais famosas de Yoko Ono, por exemplo, é Ceiling Painting, uma instalação em que ela apresenta uma escada, uma lupa, e no teto a palavra “sim”.

Antropometrias de Yves Klein, 1960.

Mas podemos dizer que os primeiros trabalhos conceituais surgiram com os chamados “ready mades”, aquelas peças artísticas que nada mais são do que objetos industrializados que, tirados de seu contexto original e colocados como obras de arte, ganham novos significados e valores.

Referência de vanguarda

O urinol de Marcel Duchamp é considerado por muitos críticos como o protótipo das obras conceituais. Ele teria sido o pontapé inicial das peças ready made, isto é, objetos cotidianos que foram transformados em materiais artísticos num movimento que se consagrou a partir de 1913.

Em termos sociais, a arte conceitual nasceu num período de questionamento em vários âmbitos: tanto sociais, quanto ideológicos e também artísticos.

Revolucionária a sua maneira, compreendemos a radicalidade da arte conceitual se olharmos para trás fazendo um panorama da história da arte. Basta observar que até o século XIX era impensável falar sobre artes sem se pensar em um objeto (uma tela, uma escultura), era inconcebível existir uma obra de arte sem um suporte físico.

Nesse gênero de criação a ideia (o conceito) é mais importante do que a aparência da obra.
O que é arte conceitual?

Na arte conceitual a ideia (ou, como o próprio nome diz, o conceito) é o aspecto mais importante da obra. Nesse gênero de arte, a ideia prevalece sobre a forma e, a execução e a beleza, são tidas como elementos secundários.

"arte não é sobre beleza"
Joseph Kosuth

Existem diferentes manifestações de arte conceitual. A arte conceitual pode ser, por exemplo, uma performance (mais ligada ao teatro), onde o próprio corpo do artista pode ser o lido como o suporte. Esse é o mesmo movimento que acontece com a body art.

Quais são as principais características da arte conceitual?

A recusa do objetualismo

De modo geral, é possível afirmar que os artistas conceituais recusam a ideia do objetualismo.

"Se queremos que a obra seja importante para nosso tempo, não podemos fazer arte decorativa ou simplesmente entretenimento visual."
Joseph Kosuth

Nesse tipo específico de arte não importa a técnica, a execução, o objeto palpável, tangível, o importante aqui é promover a reflexão, estimular o público a questionar.
Questionar o sistema

Os artistas que praticam a arte conceitual são contra uma apreciação puramente contemplativa tradicional da arte, o que eles pretendem é levantar uma discussão de ideias, debater a questão sobre o que é arte e, sobretudo, questionar o sistema, subvertê-lo.

Há um movimento no sentido de questionar o papel das instituições: qual é a função do espaço da galeria, do museu? Qual é a função do mercado? Da crítica?
A importância de um público participativo

Muitas vezes a arte conceitual é produzida a partir de metáforas que, apenas olhando, o espectador não irá ser capaz de decodificar. A obra convoca então o público a acionar outros dispositivos levantando a necessidade da interatividade, da experiência tátil, da reflexão, instigando a um olhar prolongado.

Nesse sentido a aura da obra de arte perde o seu valor, dando lugar a um espaço de ponderação, demandando uma postura ativa daquele que se coloca diante da criação.

Belief System, de John Latham

Criada em 1959, pelo artista nascido no Zâmbia, John Latham, a obra Belief System trabalha com a ideia da construção e da destruição do livro físico.

Assim como numa série de outras criações, Latham coloca os livros em espaços inesperados, inutilizando-os com tinta ou mesmo os deformando.

Simbolicamente os livros são vistos pelo artista não só como fonte de conhecimento e um repositório de informações como também como fonte de erros e testemunho do passado. Os livros são tidos igualmente como metáfora do conhecimento ocidental.


Artistas Brasileiros:
- Helio Oiticica (1937-1980) (precursor do movimento na década de 60)
- Lygia Clark (1920-1988)
- Cildo Meireles (1948)
- Anna Maria Maiolino (1942)

Artistas Estrangeiros:
- Yoko Ono
- Joseph Kosuth (1945)
- Joseph Beuys (1921-1986)
- Lawrence Weiner (1942)
- Piero Manzoni (1933-1963)
- Eva Hesse (1936-1970)


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Artes visuais: Roger Dean

 A Fantasia e o Imaginário no 

Rock Progressivo


Com a chegada do chamado "rock progressivo" as capas começaram a ter conteúdos reflexivos e imaginários, dado que sua música expressava esse ambiente. Artistas como, Roger Dean, foram revolucionários para essa criação. Capas como Dark Side Of The Moon do Pink Floyd, o prisma atingido pelo feixe de luz reproduzindo uma aparência física e resultando nas cores do arco-íris, se tornou um sinônimo de inovação. Albúns como Fragile da banda Yes, Brain Salad Surgery do Emerson, Lake and Palmer e Demons & Wizards do Uriah Heep, definem bem essa ideia.
O resto é história!

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Roger Dean

'O artista e designer que expandiu as mentes humanas'


Roger Dean, traços e estilo próprio.

Conhecido por seu estilo único de pinturas de capas de álbuns, logotipos, fontes e designs arquitetônicos orgânicos. Ele nasceu em Kent, Inglaterra, e se formou no Royal College of Art com medalha de prata. 
Sua carreira começou quando ele ainda era estudante, projetando a cadeira Sea Urchin e os assentos Landscape para o Ronnie Scott's Jazz Club, em Londres. Enquanto trabalhava com a equipe de Ronnie Scott, Roger foi convidado a projetar e produzir uma capa de álbum para uma banda de rock que eles haviam contratado, chamada “Gun”.

Foi em 1971 que o primeiro álbum de Osibisa foi lançado, com a inesquecível imagem de um elefante alado pousando em um céu laranja e magenta, acima do qual o nome da banda era anunciado no que se tornaria a tipografia desenhada à mão, marca registrada de Rogers. A imagem fez enorme sucesso tanto como capa do álbum quanto como pôster.

Na época, ele também foi questionado se aceitaria outra encomenda, e o nome da banda era YES. Essa encomenda se tornou a capa do álbum 'Fragile' e foi o início de uma longa e frutífera colaboração entre a família do YES e Roger Dean.

As qualidades surreais e oníricas das pinturas de Rogers, combinadas com as aventuras musicais às vezes assombrosas, ocasionalmente triunfantes, mas sempre expansivas da música do YES, tornaram-se uma experiência única apreciada por milhões.

Além de seu trabalho como artista e designer, Roger Dean também foi cofundador das editoras Dragons' Dream e, cerca de um ano depois, Paper Tiger. Publicou mais de cem livros ilustrados com obras de artistas como Syd Mead, Alan Lee e Michael Kaluta.

Virgin Records, Psygnosis e Tetris exibiram orgulhosamente suas identidades visuais como logotipos de empresas, criados por Roger Dean.
O trabalho de Rogers é instantaneamente reconhecível e influenciou a cultura popular em todo o mundo. Estima-se que mais de cem milhões de pessoas já possuíram uma obra de Dean em algum momento, seja como capa de álbum ou pôster. Seus designs também foram imitados em grafites e grandes filmes.

Uma seleção do trabalho de Roger está em várias coleções particulares e museus, incluindo o Museu V&A em Londres e o Museu MAK em Viena.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Artes Visuais: Dadaismo

Dadaismo

O Dadaísmo foi o movimento cultural que ocorreu depois da Primeira Guerra Mundial na Europa e nos EUA e pregava a “antiarte”.


O Dadaísmo, ou Dada (cavalinho de pau, em francês), foi um movimento e fenômeno cultural que ocorreu de 1916 a 1922 em alguns países da Europa e nos Estados Unidos (EUA). Diferente de outros estilos artísticos que contemplavam a arte e a estética pictórica, o Dadaísmo questionava qual era o objetivo da arte e o seu valor cultural.

Considerado um movimento de vanguarda que propunha a antiarte, o Dadaísmo teve como representantes artistas e intelectuais de diversas nacionalidades, em especial alemães, franceses e romenos. A forma de expressão dos dadaístas era ilógica, destrutiva e, ao mesmo tempo, engraçada e infantil.

Como começou o Dadaísmo?

O Dadaísmo começou no final da Primeira Guerra Mundial, na Europa, como um movimento literário e artístico. Porém, ao longo do tempo, tomou outros rumos, seguindo a linha de arte de protesto.

No pós-guerra, a Europa encontrava-se em um momento delicado, haja vista os acontecimentos repletos de horrores e absurdos que marcaram a guerra. Como forma de crítica e contestação às consequências da Primeira Guerra Mundial, em especial ao que era considerado arte na época, alguns artistas criaram, assim, a ideologia Dada.

Integraram o movimento Dada artistas plásticos, escritores, atores, pintores, músicos, poetas, médicos, entre outros. Em comum, eles tinham sentimentos de raiva, cinismo e decepção com os acontecimentos da época.

O fenômeno Dada começou a tomar forma em Zurique, na Suíça. Depois se espalhou em algumas cidades europeias, como Berlim, Hanover e Colônia, na Alemanha; e Paris, na França. Também teve representatividade em Nova York, nos Estados Unidos, com Marcel Duchamp e Francis Picabia.

Segundo Stephen Farthing, no livro Tudo sobre Arte, durante a Primeira Guerra Mundial, muitos artistas foram para o exílio. Em maio de 1916, o escritor e performer alemão Hugo Ball abriu a casa noturna Cabaret Voltaire, em Zurique. O local passou a abrigar outros artistas expatriados, os quais, cansados de tudo que tinham visto nos últimos tempos, poderiam extravasar seus sentimentos de fúria em relação à guerra, considerada por eles sem sentido.

Eles tinham raiva da sociedade europeia, que, na opinião deles, permitiu que a guerra aflorasse, então, apreciavam desafiar o nacionalismo, o racionalismo, o materialismo e qualquer outro “-ísmo”.

Hugo Ball e o romeno Tristan Tzara são considerados os fundadores do Dadaísmo. Tanto é que Ball leu o primeiro manifesto dadaísta em 14 de junho de 1916. Ambos diziam que Dada era uma nova tendência de arte.

A ideia do alemão e do romeno era convidar artistas e intelectuais para fazer apresentações e leituras diárias no Cabaret Voltaire.

Os dadaístas tinham em comum seus ideais. Eles queriam ir em direção oposta ao que a sociedade pensava na época, inclusive contra as tradições. Para isso, resolveram ir contra as expressões artísticas do momento, criando a “não arte”. Os dadaístas achavam que a arte havia traído a humanidade.

O que significa Dadaísmo?

Segundo especialistas, a intenção do movimento era criar uma nova forma de arte, como se fosse uma criança desenvolvendo as suas primeiras falas. Tendo isso em vista, a palavra Dada também é uma referência ao primeiro balbucio de um bebê. Estudos mostram ainda que a palavra Dada tinha outros significados. 

Veja alguns:

- Francês: “cavalo de pau”.
- Alemão: “não me chateies”; “faz favor”; “adeus”; “até a próxima”.
- Romeno: “certamente”; “claro”; “tem toda razão”; “assim é”; “sim senhor”; “realmente”; “já tratamos disso”.

Conceito de Dadaísmo

Segundo estudos, o Dadaísmo tem como conceito ser um movimento composto por arte caprichosa, colorida, espirituosamente sarcástica e, às vezes, totalmente tola.

Quem seguia a linha do Dada era contra a sociedade e, acima de tudo, contra a arte. Eles queriam destruí-la a partir de uma postura ilógica. No Dadaísmo, celebrava-se a infantilidade. Não havia preocupação com a estética visual, mas com a ideia. A falta de sentido era o próprio significado.

O Dadaísmo tinha como estilo o “Shock Art”, ou seja, arte para chocar as pessoas. Com esse foco, os artistas expressavam-se falando obscenidades, apresentavam humor escatológico, faziam trocadilhos visuais, entre outros.

O objetivo era provocar o público, o qual, por vezes, sentia-se revoltado com as formas de antiarte propostas. A intenção dos dadaístas era causar choque e indignação com as suas expressões.

O Dadaísmo sofreu influências da Abstração e do Expressionismo. Também teve pitadas do Cubismo (técnicas de colagem) e, em menor parte, do Futurismo (autopublicidade).

No Dadaísmo, eram usados materiais como tapeçarias geométricas a vidro, gesso e relevos de madeira. Além disso, são famosas as assemblages (no francês, colagens com materiais) e fotomontagens.

Uma das expressões mais famosas do Dadaísmo eram as fotomontagens. Artistas como Hans Arp, Raoul Hausmann, George Grosz e Hannah Höch foram alguns dos nomes que adotaram a técnica, que consistia em recortar fotografias de jornais e revistas para criar colagens absurdas e satíricas.

Esses artistas colocavam recortes de palavras dentro de um saco, balançavam-no e tiravam-nas uma a uma. Em seguida, escreviam frases aleatórias.

Uma das principais obras do Dadaísmo chama-se “A Fonte”, criada em 1917 por Marcel Duchamp. A obra é um mictório, sem encanamento, de porcelana branco.

Outra obra famosa de Duchamp foi uma cópia da Mona Lisa – mais famosa pintura do italiano Leonardo da Vinci – com um bigode. No quadro, foram rabiscadas obscenidades.

“O crítico de arte”, de Raoul Hausmann, é outra obra importante do Dadaísmo (1919). Ela continha características das fotomontagens do Dadaísmo: crítica contra o sistema, imagem irônica, autorreferência e uso da tipografia.

O Dada influenciou inúmeras revistas literárias, como a Chemarea, editada por Tristan Tzara, e Der Dada, por Hausmann. O movimento também inspirou correntes das artes visuais, como o Construtivismo. O principal movimento artístico influenciado pelo Dadaísmo foi o Surrealismo.

Cabaret Voltaire

O Dadaísmo não é lembrado somente pelas suas obras, mas também pelas apresentações barulhentas e provocativas que foram realizadas no Cabaret Voltaire.

Os artistas subiam no palco do Cabaret e faziam apresentações nonsense (absurdas), tais como bater no piano, dançar, fazer fantasias, declamar poemas sem sentido, entre outros. Os dadaístas eram muito performáticos.

Algumas apresentações faziam críticas ferozes à guerra. Poemas eram lidos em três idiomas, o que, conforme estudos, representavam homens de nacionalidades distintas morrendo ao mesmo tempo, no mesmo lugar.

Uma das apresentações memoráveis foi quando Hugo Ball vestiu-se com um traje de metal brilhante e um chapéu em formato de cone para declamar poesias com sílabas e sons. Alguns consideram Ball o precursor da poesia fonética.

Feira de Berlim

Em Berlim, em 1920, foi realizada a “Erste Internationale Dada Messe”, Primeira Feira Internacional Dadaísta. No total, foram expostas 174 obras. O foco do evento era fazer uma paródia das feiras comerciais.

Um dos destaques da Feira foi um manequim de alfaiataria suspenso no centro da sala e vestido com uniforme de oficial alemão e com uma cabeça de porco feita de papel machê.

Fim do Dadaísmo

Considera-se que o Dadaísmo morreu em 1922, depois que um dos seus precursores, Tristan Tzara, realizou uma palestra dizendo que, como tudo na vida, o Dadaísmo era inútil. Em 1924, o Dadaísmo converteu-se ao Surrealismo com o manifesto de André Breton.

O Dadaísmo não teve representação no Brasil, mas estudos indicam que o livro Macunaíma, de Mario de Andrade, contém características desse movimento.

Principais nomes do Dadaísmo

É importante destacar que o Dadaísmo não é um estilo de arte como o Cubismo, Futurismo e Surrealismo. Além disso, não foi formado apenas por artistas. 

Confira abaixo os principais nomes:

Tristan Tzara (poeta romeno)
Hans Arp (pintor e poeta alemão)
Hugo Ball (poeta, escritor e filósofo alemão)
Francis Picabia (pintor e poeta francês)
Marcel Duchamp (pintor e escultor francês)
Man Ray (pintor, fotógrafo e cineasta americano)
Max Ernst (pintor alemão)
Kurt Schwitters (artista plástico alemão)
Hans Richter (artista plástico alemão)
Richard Huelsenbeck (poeta, músico e médico alemão).