Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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sábado, 28 de março de 2026

Meio Ambiente: Só depende de Nós!

Noite Estrelada - Van Gogh (1889).

Depende de nós impedir que as atuais crises virem tragédias.

"Não tememos a noite sombria de nosso tempo porque amamos as estrelas"

São muitos , atualmente, que perderam a esperança de que, no quadro atual sinistro, tenhamos ainda algum futuro. Há demasiada maldade, genocídio a céu aberto e vergonhosamente feito por aqueles que o praticam, Israel e os Estados Unidos da América, ainda escandalosamente apoiados por alguns países europeus, nomeadamente pela Alemanha, esquecida do holocausto nazista.

Assistimos, estarrecidos, a uma grande nação, aquela que dispõe de mais meios de destruição em massa e até de aniquilação da vida sobre a Terra, a Rússia, arrasar uma nação vizinha com grandes tradições culturais e os famosos e sábios contos rabínicos, a Ucrânia. Terrível está sendo a guerra dos USA e Israel contra o Irã, destruindo uma das civilizações mais antigas, com uma ferocidade que não escolhe seus alvos, tudo é atacado, incluindo escolas de meninas.

Acresce ainda a absurda acumulação de fortunas em pouquíssimas mãos, pois, oito pessoas possuem, individualmente, a riqueza equivalente ao que possuem 4,7 bilhões de pessoas. Nestes, não se nota nenhuma sensibilidade humana face a seus semelhantes, tratando-os como zeros econômicos, descartáveis e considerados sub-humanos: os milhões que vivem nas periferias das grandes cidades do Norte Global (só nos EUA, vivem 30 milhões de pobres) e enchem, aos milhões, as metrópoles do Sul Global.

Abstenho-me de referir à grave ameaça da Sobrecarga da Terra, com severos limites da produção de bens e serviços que sustentam a vida (precisamos hoje já de 1,7 Terras). Nem mesmo do crescente aquecimento global do planeta que, se até 2030-2035, não for detido no máximo de crescimento de 1,5ºC, com referência à era industrial (1850-1900), causará uma inexorável dizimação de vidas na natureza e na humanidade.

Como ainda ter esperança num drama destas proporções? Entendemos as preocupações de analistas do curso do mundo que dizem: não é impossível que tenha chegado a nossa vez de desaparecer do processo da evolução, como centenas e centenas de espécies já desapareceram.

Por isso, sou pessimista, porque a realidade é péssima. No entanto, me declaro um pessimista esperançoso. Esperançoso porque, se somos Terra que sente, pensa, ama e venera, temos a resiliência que a Terra mostrou nas 15 dizimações de vidas que sofreu ao longo de sua história de 4,5 bilhões de anos. A vida nunca sucumbiu. Depois de cada dizimação, atestam vários historiadores da vida Terra, como Christian de Duve (Poeira Cósmica: A Vida como Imperativo Cósmico, 1995), ela, como que se vingando, produziu uma biodiversidade maior do que aquela que foi ceifada.

Como dizia o poeta alemão Friedrich Hölderin: “Lá onde há perigo, cresce também o que salva” (“wo aber Gefahr ist, wächst auch das Rettende”). O nosso perigo é inegável. Mas, considerando que o ser humano é um projeto infinito, dotado de mil virtualidades, ele saberá face ao grande perigo forjar chances de salvação.

Sabidamente, a história da vida não é linear. Ela dá saltos. O improvável pode se fazer provável. E o inesperado pode acontecer. Era seguramente improvável que um negro, Barack Obama, dada a discriminação que sempre sofreu pelos supremacistas brancos, chegasse à presidência dos EUA. E chegou. Quem poderia imaginar que, numa sociedade machista como a brasileira, uma mulher se tornasse presidenta do Brasil, Dilma Rousseff? E chegou.
Seres cooperativos e sensíveis

Tenho a convicção que animava o paleontólogo e místico Pierre Teilhard de Chardin de que a humanidade, num momento grave de sua história, especialmente sabendo que poderá se autodestruir, cairia em si e se daria conta de seu lugar no conjunto dos seres e de sua responsabilidade pelo futuro da vida. Daria um salto quântico em sua consciência e definiria um outro rumo à sua história. Far-se-ia a guardiã e a cuidadora de sua sagrada herança, a Terra, e de todos os seus ecossistemas com os seres que neles habitam. Perceberia que é parte e parcela da natureza, confraternizada com os demais irmãos e irmãs nela presentes. Amaria e ornaria a Casa Comum na qual todos caberiam com suas diferenças, mas numa profunda unidade.

Isso está dentro das possibilidades humanas. Somos seres naturalmente cooperativos e sensíveis face aos mais vulneráveis. Em nosso profundo, como dado objetivo, atestado pela new science, somos seres espirituais, capazes de identificar aquela Energia de Fundo (Aquele Ser que faz ser todos os seres) que tudo penetra e sustenta. James Watson comprovou que, em nosso DNA, está o amor, a força maior do universo (DNA: O Segredo da Vida, 2005). Com todas estas positividades, vamos ainda fazer uma dolorosa travessia até chegarmos a uma forma amorosa e fraterna de convivência.

Não estamos diante de uma tragédia anunciada, mas no coração de uma crise de nossos fundamentos, que vai nos acrisolar, purificar e permitir um salto, habitando um mundo que, juntos, podemos fazer existir sustentavelmente. Depende de nós impedir que as atuais crises virem tragédias.

Por isso, não tememos a noite sombria de nosso tempo, porque amamos as estrelas, nossas irmãs. Esperamos a aurora que se anuncia.

Matéria escrita, 28 março de 2026.
@Revista Liberta

Leonardo Boff
Escreveu: A Busca da Justa Medida (I e II), Vozes 2023; A Oração de São Francisco: Uma Mensagem de Paz para o Mundo Atual, Vozes 2014; Fundamentalismo, Terrorismo, Religião e Paz, Vozes 2009.


quinta-feira, 26 de março de 2026

Meio Ambiente: Como adiar o fim dos seres humanos?




CONTRA O PACTO DO SILÊNCIO E DO NOSSO APAGAMENTO.

' Divindade = Mãe Natureza / Seres Humanos = Espécie '
Cada pessoa é responsável por proteger a única riqueza verdadeira, a Mãe Natureza, (o Divino).

"NÃO PODEMOS DECRETAR NOSSA EXTINÇÃO"

"Escola que não humaniza, desumaniza"

"Em tempos de Inteligência Artificial, eu prefiro a Ancestral!"

"Em briga de marido e mulher, eu meto a colher e salvo a mulher"
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Entrevista:

Conversa sem Curva com Don Ernesto recebe Jennyffer Tupinambá, ativista, estrategista digital e cofundadora da primeira agência de marketing social de mulheres indígenas. Em um diálogo corajoso, ela rompe o silêncio sobre a violência sexual infantil, denuncia o apagamento dos povos originários na Mata Atlântica e nos convoca a despertar do "adormecimento" diante da crise climática.

Jenifer nos lembra que o corpo é território e que a ancestralidade é a força motora para o futuro. Uma aula sobre humanidade, direito à cidade e a urgência de protegermos a vida em todas as suas formas.


domingo, 16 de novembro de 2025

Meio Ambiente: Salvar A Casa Comum

Salvar a Casa Comum

Cuidar da humanidade e garantir um futuro para a vida.

Se faz urgente uma ética do cuidado, da compaixão e da solidariedade.


A COP30 se propõe a diminuir a emissão de gazes de efeito estufa, sustar o desmatamento e reflorestar as áreas degradadas, além de buscar energias alternativas. As grandes pressões exercidas por um número crescente de lobbies do petróleo, do carvão, do gás e do agronegócio – como de outras vezes – impedem o consenso necessário e freiam decisões transformadoras.

Ademais, a questão séria mesmo é verificar se o aquecimento mundial firmou-se acima 1,5ºC – em 2024, chegou a 1,7ºC e, em alguns lugares, a 2ºC. Se isso se confirmar, estaríamos num caminho sem retorno, segundo vários especialistas. O aquecimento cresceria mais e mais. Foi constatado que o limite estabelecido de 1,5ºC até 2030 pelo Acordo de Paris de 2015 já foi antecipado e, assim, ultrapassado. As consequências na natureza e na humanidade podem ser altamente desastrosas.

Crise ecológica

Já em 2003, a Carta da Terra assumida pela ONU (um dos documentos mais fundamentais sobre o estado da Terra) advertia: “A escolha é nossa: ou formar uma aliança global para cuidar da Terra e cuidar uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a destruição da diversidade da vida”. E o Papa Francisco, na Carta Encíclica Fratelli tutti (2020), igualmente, admoestava: ”Estamos no mesmo barco: ou nos salvamos todos ou ninguém se salva” (nº 34).

Portanto, esse tema fundamental não consta na agenda da COP30: salvar a Casa Comum, cuidar da humanidade e garantir um futuro para a vida. Esta é a questão stantis et cadentis: inescapável.

No entanto, apesar de poderosos negacionistas como Donald Trump, cresce a consciência de que só temos uma única Casa Comum, o planeta Terra. Formamos, como espécie, uma única humanidade. Temos um destino comum, Terra, humanidade. Precisamos incorporar a visão que os astronautas nos legaram: vista da Lua ou das naves espaciais, não há diferença entre Terra e humanidade. Formamos uma única entidade complexa. Como humanos, somos aquela porção da Terra que sente, pensa, ama, cuida e venera.

Como sair dessa crise estrutural, planetária e paradigmática?

Uma coisa, para muitos, é indubitável: dentro do sistema capitalista e da cultura de consumo que ele criou, não há solução para a crise ecológica. Ou mudamos de paradigma e de rumo ou, como asseverou Zygmunt Bauman: “Vamos engrossar o cortejo dos que caminham na direção da vala comum”.
Equilíbrio perdido

Em primeiro lugar, devemos abandonar o paradigma da modernidade que afirmava o ser humano fora e acima da natureza, sentindo-se “dono e senhor” (dominus), em direção ao paradigma que sustenta o ser humano como parte da natureza e irmão (frater) de todos os demais seres, especialmente, de seus semelhantes humanos.

Em seguida, importa resgatar a importância do cérebro límbico, surgido com os mamíferos há mais de 100 milhões de anos. Nele, reside o afeto, o amor, a empatia, a cooperação. Nós, seres humanos, somos mamíferos racionais de afetividade, que amam e cuidam dos seres que geram. O cérebro neocortical, da razão instrumental-analítica, irrompeu há cerca de 8-9 milhões de anos.

Ocorre que, na cultura vigente, se recalcou a afetividade e a empatia em favor da dominação quase absoluta da razão intelectual-analítica, operando uma espécie de lobotomia em nós. Importa enriquecer esta razão (neocortex) com a inteligência cordial (cérebro límbico) para refazer o equilíbrio perdido. E estabelecer um laço de amor à Terra.

Depois, importa dar centralidade à vida em função da qual estão a política, a economia e a cultura. Nosso sistema produz morte da natureza e de milhões de seres humanos. Por isso, é imperioso denunciar todos os sistemas que dizimam ecossistemas e produzem miséria.

Insistir no fato de que a paz só será possível se for superada a injustiça social mundial, o que só será possível se houver mais equidade em todas as relações. A paz, além de fruto da justiça socioambiental, resulta do cuidado que a humanidade cultiva de uns para com os outros e com a natureza.

Face à falta de sustentabilidade da sociedade mundial e da natureza, se faz urgente uma ética do cuidado, da compaixão, da responsabilidade e da solidariedade. O cuidado pertence à essência da vida e do humano. Ele é a precondição para que emerja a vida. É o norteador antecipado de todo o comportamento para que seja benfazejo para a vida e para os outros, e não destrutivo. É uma atitude amorosa que dá segurança e proteção à Casa Comum.

Dimensão espiritual

Uma ética sozinha não dá conta dos problemas mundiais. Assim como uma estrela não brilha sem uma aura, assim uma ética não será assumida se não estiver imbuída de espiritualidade.

A espiritualidade não é monopólio das religiões. Como se impõe mais e mais pela new science (cosmogênesis, neurociências, biologia genética), a espiritualidade é natural e pertence à essência de nossa humanidade. Dela nascem as religiões, mas não se identifica com elas. Manifesta-se pelos valores intangíveis, como o amor, a empatia, compaixão e o contentamento.

Esses valores e motivações vão além dos interesses pessoais e coletivos e se ancoram no caráter precioso da realidade, na gratuidade do bem e na abertura ao Todo. Pela espiritualidade se capta aquela energia poderosa e amorosa (Energia de Fundo), que subjaz e sustenta todos os seres. Não a dominamos, mas podemos abrir-nos a ela e tornar nossa existência mais apetecida, feliz e amiga da vida.

A dimensão espiritual é despertada quando resgatamos o princípio feminino, presente no homem e na mulher. Durante séculos, foi recalcado ou tornado invisível socialmente. O princípio feminino é aquela energia que nos faz sensíveis aos valores da interioridade, da gratuidade, do cuidado, da vida e da comunhão, e que nos faz captar as mensagens vindas da realidade, que nos permite entender os símbolos e nos abre para o mistério da vida e do sagrado.

Durante séculos, temos vivido sob a dominação do masculino (presente no homem e na mulher), que responde pela razão analítica, pelo uso do poder e pela conquista do mundo exterior. Hoje, ambos os princípios devem ser integrados, mas a partir do polo que a nossa cultura menos cultivou, que é o feminino. Então, teremos uma experiência mais completa e integral do ser humano, homem e mulher.

Por fim, devemos ser, na bela expressão do ecologista Roberto Malvezzi, “como os peixes da piracema, que só desovam nadando contra a corrente (o atual sistema) e assim reproduzindo a vida”.

Leonardo Boff
Leonardo Boff escreveu: A Busca da Justa Medida (I e II), Vozes 2023; A Oração de São Francisco: Uma Mensagem de Paz para o Mundo Atual, Vozes 2014; Fundamentalismo, Terrorismo, Religião e Paz, Vozes 2009.



segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Meio Ambiente: Wangari Maathai

Wangari Muta Maathai 
Pimeira mulher africana a receber o Nobel da Paz

A ambientalista liderou uma campanha para plantar mais de 50 milhões de árvores no Quênia.

A ambientalista queniana Wangari Maathai é um dos maiores nomes da conservação ambiental do mundo e a primeira mulher africana a receber o prêmio Nobel da Paz, em 2004. Nascida em abril de 1940, ela viveu até os 71 anos e morreu na cidade de Nairobi, capital queniana, em 2011.


Inspiração na infância

Em seu discurso durante o recebimento do Prêmio Nobel, em 2004, ela lembrou da infância nas florestas do centro do Quênia: ela buscava água em um córrego próximo de casa, observando sapos e girinos escaparem do balde. Quando cresceu, viu que o desafio era restaurar o habitat dos girinos e dar de volta às crianças a beleza do mundo.

Carreira

Maathai ganhou uma bolsa de estudos para estudar nos Estados Unidos, onde obteve um mestrado em biologia na Universidade de Pittsburgh. Lá, ficou impressionada com os esforços da cidade para restaurar a qualidade do ar. Ao voltar para o Quênia, obteve um doutorado em anatomia veterinária, a primeira mulher no leste e centro da África com tal título e a primeira a ocupar a diretoria do departamento de veterinária da Universidade de Nairobi. Em viagens a trabalho, percebeu a relação entre desflorestamento e pobreza.

Ativismo

A solução que ela encontrou para o problema ambiental foi muito prática: plantar muitas árvores. O Green Belt Movement fundado por ela pagava mulheres trabalhadoras rurais um pequeno salário para plantar árvores. O ato é pequeno, mas revolucionário, visto que as árvores preservam a água da chuva, fornecem comida e combustível. Quase 1 milhão de pessoas participaram do movimento e mais de 50 milhões de árvores foram plantadas até o momento.

Repressão

Além de ter tido problemas com o ex-marido, Maathai foi fortemente reprimida pelo presidente do Quênia, Daniel arap Moi. Quando ela criticou os planos do governo de construir arranha-céus em um parque de Nairobi, seu nome foi parar em uma lista de "inimigos" do governo, e ela foi presa sob acusações de traição. Chegou a apanhar de policiais, mas não parou de criticar os mandatários quenianos

Vida política

Nos anos 1990, Maathai oficialmente entrou para a política e fundou o Mazingira, um partido político ambientalista, e conseguiu um lugar no Parlamento do Quênia em 2002. Foi ministra do meio ambiente e, em 2004, venceu o Nobel da Paz por “sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, democracia e paz.” Se hoje plantar uma árvore virou quase sinônimo de fazer algo pelo meio-ambiente, é graças a ela: o movimento tem representações em outros 30 países. 

Canal Tempero Drag:

ELA REFLORESTOU UM PAÍS!!! 
Wangari Muta Maathai 
Programa - Mulheres Soda #17