terça-feira, 13 de outubro de 2026
A Natureza nos (re)Conectando: Indígenas Isolados da Civilização.
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
A Natureza nos (re)Conectando: A Luta das Etnias no Brasil
terça-feira, 15 de setembro de 2026
A Natureza nos (re)Conectando: Kamukuwaká
A Natureza nos (re)Conectando: (Robert Plant)
A interpretação de “Two Coats” — clássico da música tradicional americana eternizado na voz do lendário Ralph Stanley e adotado com paixão por Robert Plant ao lado de seu projeto Saving Grace — revela muito sobre a fase atual da carreira do ex-vocalista do Led Zeppelin. Longe dos palcos grandiosos e dos amplificadores ensurdecedores do rock arenas, Plant tem fincado suas raízes na essência pura da folk music, do bluegrass e da Americana, e “Two Coats” brilha como um dos momentos mais orgânicos dessa jornada.
A Raiz e a Tradição “Two Coats” é uma canção gospel-folk tradicional de profundas raízes nos Apalaches, frequentemente associada ao lendário patriarca do bluegrass Ralph Stanley. A letra emprega uma metáfora cristã e moral muito comum na música folclórica do sul dos Estados Unidos: a dualidade entre o “velho homem” (terreno, falível, desgastado pelo mundo) e o “novo homem” (renovado pela graça e pela salvação).
“Two coats were before me, an old and a new / I asked my sweet Master, ‘What must I do?’” A narrativa evoca a escolha de abandonar velhos fardos e vestir uma “nova veste” de aconchego e proteção contra as tempestades da vida.
A Leitura de Robert Plant com o Saving Grace Robert Plant incorporou “Two Coats” de forma fixa aos repertórios ao vivo do Saving Grace — banda que conta com a voz marcante de Suzi Dian, Tony Kelsey, Matt Worley e Oli Jefferson. A sonoridade construída pelo grupo foge de qualquer artifício comercial: é minimalista, acústica, guiada por violões, banjos e vocais harmoniosos que remetem diretamente às cantorias de varanda do interior norte-americano e britânico.
Para consolidar essa fase, a faixa ganhou um registro de estúdio oficial ao integrar o EP All That Glitters…, lançado pelo Saving Grace. A escolha da música reflete o próprio momento artístico de Plant: um músico lendário que, em vez de inflar o peito para revisitar o passado estrondoso do rock pesado, prefere despir suas canções até a alma, demonstrando respeito reverente pelas tradições que moldaram a música popular moderna.
O Significado Artístico Ouvir Robert Plant cantar “Two Coats” é testemunhar um artista em plena comunhão com suas influências primordiais. Não há pozinho mágico de estúdio ou grandiloquência; é apenas o timbre envelhecido e rico em experiência de Plant fundindo-se a texturas acústicas rústicas. A música soa quase como uma confissão pessoal sobre escolhas, passagens de tempo, renovação espiritual e artística — o som de quem trocou o peso do mundo por uma calmaria reconfortante.
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Cultura do Amor: Mãe Natureza
Daniel Munduruku
Pensamento para um futuro saudável e provedor.
A gente ainda está de certa maneira, muito viciado num modo de sociedade de produção, de extração e exploração. A sociedade indígena trabalha como um modo de colaboração, que difere exatamente dessa sociedade da disputa, da permanete disputa por lugares, por "poder" e por "cargos" e tudo mais, pra poder justificar que uns são melhores do que outros. E essa sociedade, por tanto, vai nos viciando da ideia de consumir, e pra consumir nós precisamos explorar, e o consumo é sempre um pretexto individualista pra gente provar competência.
Nas sociedades indígenas, o consumo ele é coletivo, as coisas são coletivas. A preservação da natureza é o mais impostante, não porque não sabemos explorar, mas sim, por uma questão de sobrevivência, a natureza é o nosso supermercado, não podemos destruir quem nos alimenta. É o lugar onde a gente extrai os meios de sobrevivência, portanto temos que manter o meio ambiente produzindo, vivo e saudável.
Ao mesmo tempo em que a natureza produz pra nós, nós também temos que produzir pra ela, de modo que vire uma cooperação. Costumo lembrar que os humanos são os seres mais frágeis na natureza, pois somos os únicos que necessitamos constituir cultura, precisamos produzir coisas. A natureza ela trabalha em conjunto, ela trabalha de forma sistêmica, portanto todas as coisas são interdependentes entre si. Os indígenas olham para a natureza como parte de si, como parentes. Nós não chamamos a terra de mãe só porque é poético, mas porque a gente acredita nessa cosmovisão, pois a gente acredita que de fato ela é uma "Grande Mãe". Um filho que se prese cuida da mãe, e vai fazer de tudo para proteger essa "Mãe".
sábado, 28 de março de 2026
Meio Ambiente: Só depende de Nós!
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| Noite Estrelada - Van Gogh (1889). |
São muitos , atualmente, que perderam a esperança de que, no quadro atual sinistro, tenhamos ainda algum futuro. Há demasiada maldade, genocídio a céu aberto e vergonhosamente feito por aqueles que o praticam, Israel e os Estados Unidos da América, ainda escandalosamente apoiados por alguns países europeus, nomeadamente pela Alemanha, esquecida do holocausto nazista.
Assistimos, estarrecidos, a uma grande nação, aquela que dispõe de mais meios de destruição em massa e até de aniquilação da vida sobre a Terra, a Rússia, arrasar uma nação vizinha com grandes tradições culturais e os famosos e sábios contos rabínicos, a Ucrânia. Terrível está sendo a guerra dos USA e Israel contra o Irã, destruindo uma das civilizações mais antigas, com uma ferocidade que não escolhe seus alvos, tudo é atacado, incluindo escolas de meninas.
Acresce ainda a absurda acumulação de fortunas em pouquíssimas mãos, pois, oito pessoas possuem, individualmente, a riqueza equivalente ao que possuem 4,7 bilhões de pessoas. Nestes, não se nota nenhuma sensibilidade humana face a seus semelhantes, tratando-os como zeros econômicos, descartáveis e considerados sub-humanos: os milhões que vivem nas periferias das grandes cidades do Norte Global (só nos EUA, vivem 30 milhões de pobres) e enchem, aos milhões, as metrópoles do Sul Global.
Abstenho-me de referir à grave ameaça da Sobrecarga da Terra, com severos limites da produção de bens e serviços que sustentam a vida (precisamos hoje já de 1,7 Terras). Nem mesmo do crescente aquecimento global do planeta que, se até 2030-2035, não for detido no máximo de crescimento de 1,5ºC, com referência à era industrial (1850-1900), causará uma inexorável dizimação de vidas na natureza e na humanidade.
Como ainda ter esperança num drama destas proporções? Entendemos as preocupações de analistas do curso do mundo que dizem: não é impossível que tenha chegado a nossa vez de desaparecer do processo da evolução, como centenas e centenas de espécies já desapareceram.
Por isso, sou pessimista, porque a realidade é péssima. No entanto, me declaro um pessimista esperançoso. Esperançoso porque, se somos Terra que sente, pensa, ama e venera, temos a resiliência que a Terra mostrou nas 15 dizimações de vidas que sofreu ao longo de sua história de 4,5 bilhões de anos. A vida nunca sucumbiu. Depois de cada dizimação, atestam vários historiadores da vida Terra, como Christian de Duve (Poeira Cósmica: A Vida como Imperativo Cósmico, 1995), ela, como que se vingando, produziu uma biodiversidade maior do que aquela que foi ceifada.
Como dizia o poeta alemão Friedrich Hölderin: “Lá onde há perigo, cresce também o que salva” (“wo aber Gefahr ist, wächst auch das Rettende”). O nosso perigo é inegável. Mas, considerando que o ser humano é um projeto infinito, dotado de mil virtualidades, ele saberá face ao grande perigo forjar chances de salvação.
Sabidamente, a história da vida não é linear. Ela dá saltos. O improvável pode se fazer provável. E o inesperado pode acontecer. Era seguramente improvável que um negro, Barack Obama, dada a discriminação que sempre sofreu pelos supremacistas brancos, chegasse à presidência dos EUA. E chegou. Quem poderia imaginar que, numa sociedade machista como a brasileira, uma mulher se tornasse presidenta do Brasil, Dilma Rousseff? E chegou.
Seres cooperativos e sensíveis
Tenho a convicção que animava o paleontólogo e místico Pierre Teilhard de Chardin de que a humanidade, num momento grave de sua história, especialmente sabendo que poderá se autodestruir, cairia em si e se daria conta de seu lugar no conjunto dos seres e de sua responsabilidade pelo futuro da vida. Daria um salto quântico em sua consciência e definiria um outro rumo à sua história. Far-se-ia a guardiã e a cuidadora de sua sagrada herança, a Terra, e de todos os seus ecossistemas com os seres que neles habitam. Perceberia que é parte e parcela da natureza, confraternizada com os demais irmãos e irmãs nela presentes. Amaria e ornaria a Casa Comum na qual todos caberiam com suas diferenças, mas numa profunda unidade.
Isso está dentro das possibilidades humanas. Somos seres naturalmente cooperativos e sensíveis face aos mais vulneráveis. Em nosso profundo, como dado objetivo, atestado pela new science, somos seres espirituais, capazes de identificar aquela Energia de Fundo (Aquele Ser que faz ser todos os seres) que tudo penetra e sustenta. James Watson comprovou que, em nosso DNA, está o amor, a força maior do universo (DNA: O Segredo da Vida, 2005). Com todas estas positividades, vamos ainda fazer uma dolorosa travessia até chegarmos a uma forma amorosa e fraterna de convivência.
Não estamos diante de uma tragédia anunciada, mas no coração de uma crise de nossos fundamentos, que vai nos acrisolar, purificar e permitir um salto, habitando um mundo que, juntos, podemos fazer existir sustentavelmente. Depende de nós impedir que as atuais crises virem tragédias.
Por isso, não tememos a noite sombria de nosso tempo, porque amamos as estrelas, nossas irmãs. Esperamos a aurora que se anuncia.
@Revista Liberta
Escreveu: A Busca da Justa Medida (I e II), Vozes 2023; A Oração de São Francisco: Uma Mensagem de Paz para o Mundo Atual, Vozes 2014; Fundamentalismo, Terrorismo, Religião e Paz, Vozes 2009.




