Daniel Munduruku
Pensamento para um futuro saudável e provedor.
A gente ainda está de certa maneira, muito viciado num modo de sociedade de produção, de extração e exploração. A sociedade indígena trabalha como um modo de colaboração, que difere exatamente dessa sociedade da disputa, da permanete disputa por lugares, por "poder" e por "cargos" e tudo mais, pra poder justificar que uns são melhores do que outros. E essa sociedade, por tanto, vai nos viciando da ideia de consumir, e pra consumir nós precisamos explorar, e o consumo é sempre um pretexto individualista pra gente provar competência.
Nas sociedades indígenas, o consumo ele é coletivo, as coisas são coletivas. A preservação da natureza é o mais impostante, não porque não sabemos explorar, mas sim, por uma questão de sobrevivência, a natureza é o nosso supermercado, não podemos destruir quem nos alimenta. É o lugar onde a gente extrai os meios de sobrevivência, portanto temos que manter o meio ambiente produzindo, vivo e saudável.
Ao mesmo tempo em que a natureza produz pra nós, nós também temos que produzir pra ela, de modo que vire uma cooperação. Costumo lembrar que os humanos são os seres mais frágeis na natureza, pois somos os únicos que necessitamos constituir cultura, precisamos produzir coisas. A natureza ela trabalha em conjunto, ela trabalha de forma sistêmica, portanto todas as coisas são interdependentes entre si. Os indígenas olham para a natureza como parte de si, como parentes. Nós não chamamos a terra de mãe só porque é poético, mas porque a gente acredita nessa cosmovisão, pois a gente acredita que de fato ela é uma "Grande Mãe". Um filho que se prese cuida da mãe, e vai fazer de tudo para proteger essa "Mãe".

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