O Bruxo da Música
Nasce o Feiticeiro
A saga de um menino albino e estrábico, com problemas de visão e autodidata em música, que nasceu em 1936, em Olho D’Água, pequeno povoado de Lagoa da Canoa, na região de Arapiraca, em Alagoas, para ganhar o mundo com sua música livre e genial.
Célebre por usar, além de instrumentos tradicionais como teclado, flauta e violão, itens inusitados como água, xícaras, sua própria barba e outras bugigangas que inventa e improvisa, Hermeto se comunicava desde criança com o mundo natural, tendo pássaros, peixes e sapos como o primeiro público.
Lugar isolado
“Fui para lá, ainda é um lugar muito ermo”, diz o autor. “Conversei com parentes e pessoas que conheceram Hermeto e a família dele, e as histórias são incríveis. O pai de Hermeto tocava sanfona, mas o menino basicamente aprendeu tudo sozinho. E se Olho D’Água ainda é um lugar isolado hoje em dia, imagina em 1936?”
Nuzzi conta que o sobrenome da família era Da Costa, mas o menino ganhou, no cartório, o nome de Hermeto Pascoal porque o pai se chamava Pascoal da Costa. “Não sei se foi um erro do cartório ou uma confusão com os nomes”, diz Nuzzi, “mas o fato é que o cartório registrou o nome dele como Hermeto Pascoal. O irmão mais velho de Hermeto, Zé Neto, tem o sobrenome Da Costa”.
Aos 14 anos, Hermeto e Zé Neto, também albino, foram tentar a sorte como músicos em Recife e logo atraíram a atenção de outro gênio musical – e também albino –, Sivuca, que disse sobre Hermeto: “Assim que o vi, percebi que ele tinha dentro dele o fogo sagrado da música”.
Lugar isolado“Fui para lá, ainda é um lugar muito ermo”, diz o autor. “Conversei com parentes e pessoas que conheceram Hermeto e a família dele, e as histórias são incríveis. O pai de Hermeto tocava sanfona, mas o menino basicamente aprendeu tudo sozinho. E se Olho D’Água ainda é um lugar isolado hoje em dia, imagina em 1936?”
Nuzzi conta que o sobrenome da família era Da Costa, mas o menino ganhou, no cartório, o nome de Hermeto Pascoal porque o pai se chamava Pascoal da Costa. “Não sei se foi um erro do cartório ou uma confusão com os nomes”, diz Nuzzi, “mas o fato é que o cartório registrou o nome dele como Hermeto Pascoal. O irmão mais velho de Hermeto, Zé Neto, tem o sobrenome Da Costa”.
Aos 14 anos, Hermeto e Zé Neto, também albino, foram tentar a sorte como músicos em Recife e logo atraíram a atenção de outro gênio musical – e também albino –, Sivuca, que disse sobre Hermeto: “Assim que o vi, percebi que ele tinha dentro dele o fogo sagrado da música”.
Do Recife, Hermeto foi para o Sudeste, onde tocou em muitas boates e gravou discos no Rio e em São Paulo. Formou vários grupos, sendo um dos mais famosos o Quarteto Novo, ao lado de Airto Moreira, Heraldo do Monte e Theo de Barros.
“Antes desse período nos Estados Unidos, Hermeto usava cabelo curto, parecia tímido. Lá, ele mergulha no jazz, grava com Miles Davis e outros músicos geniais e retorna transformado. Tanto que, em 1973, de volta ao Brasil, grava um disco absolutamente fundamental, ‘A música livre de Hermeto Pascoal’. Ali o Hermeto se encontra”
Experimentação sonora
No Rio de Janeiro, a família se instalou numa casa no então remoto bairro Jabour, na Grande Bangu, Zona Oeste do Rio. A casa logo se tornou um ponto de encontro para músicos e local de experimentação sonora para Hermeto.
Nuzzi acredita que o grande salto criativo na carreira de Hermeto ocorre na virada dos anos 1960 para os 1970, quando ele passa dois ou três anos nos Estados Unidos, a convite do casal Airto Moreira e Flora Purim e volta com a ideia de libertar cada vez mais a sua música das amarras do comercialismo. “A mudança é nítida”, diz Nuzzi.
“Antes desse período nos Estados Unidos, Hermeto usava cabelo curto, parecia tímido. Lá, ele mergulha no jazz, grava com Miles Davis e outros músicos geniais e retorna transformado. Tanto que, em 1973, de volta ao Brasil, grava um disco absolutamente fundamental, ‘A música livre de Hermeto Pascoal’. Ali o Hermeto se encontra”.
Outros momentos marcantes da carreira do músico no período são, segundo o biógrafo, o show no Festival Internacional de Jazz realizado em 1978, em São Paulo, quando Chick Corea, John McLaughlin e Stan Getz fizeram questão de dar uma “canja”, e o concerto em 1979 no Festival de Montreux, na Suíça, que resultou não só no álbum “Hermeto Pascoal Montreux Ao Vivo”, como numa participação improvisada e antológica com Elis Regina.
Acompanhada apenas por Hermeto ao piano, Elis interpretou três canções clássicas da música brasileira – “Asa Branca”, “Corcovado” e “Garota de Ipanema” – que depois foram incluídas no álbum “Elis Regina: Montreux Jazz Festival”, lançado em março de 1982, logo após a morte da cantora.
“Essa noite com a Elis foi um presente que ganhei da vida”, diz Hermeto. Nuzzi conta que Hermeto foi literalmente empurrado ao palco por Claude Nobs, organizador do Festival de Montreux.
Além de um relato fascinante sobre a criação do universo musical de Hermeto Pascoal, que resultou em seus memoráveis shows e gravações com sons de animais e da natureza, “Quebra tudo!” conta a história de vida de um artista que batalhou muito para poder chegar ao estágio de ter total liberdade criativa sobre sua arte.
“Antes desse período nos Estados Unidos, Hermeto usava cabelo curto, parecia tímido. Lá, ele mergulha no jazz, grava com Miles Davis e outros músicos geniais e retorna transformado. Tanto que, em 1973, de volta ao Brasil, grava um disco absolutamente fundamental, ‘A música livre de Hermeto Pascoal’. Ali o Hermeto se encontra”
Experimentação sonora
No Rio de Janeiro, a família se instalou numa casa no então remoto bairro Jabour, na Grande Bangu, Zona Oeste do Rio. A casa logo se tornou um ponto de encontro para músicos e local de experimentação sonora para Hermeto.
Nuzzi acredita que o grande salto criativo na carreira de Hermeto ocorre na virada dos anos 1960 para os 1970, quando ele passa dois ou três anos nos Estados Unidos, a convite do casal Airto Moreira e Flora Purim e volta com a ideia de libertar cada vez mais a sua música das amarras do comercialismo. “A mudança é nítida”, diz Nuzzi.
“Antes desse período nos Estados Unidos, Hermeto usava cabelo curto, parecia tímido. Lá, ele mergulha no jazz, grava com Miles Davis e outros músicos geniais e retorna transformado. Tanto que, em 1973, de volta ao Brasil, grava um disco absolutamente fundamental, ‘A música livre de Hermeto Pascoal’. Ali o Hermeto se encontra”.
Outros momentos marcantes da carreira do músico no período são, segundo o biógrafo, o show no Festival Internacional de Jazz realizado em 1978, em São Paulo, quando Chick Corea, John McLaughlin e Stan Getz fizeram questão de dar uma “canja”, e o concerto em 1979 no Festival de Montreux, na Suíça, que resultou não só no álbum “Hermeto Pascoal Montreux Ao Vivo”, como numa participação improvisada e antológica com Elis Regina.
Acompanhada apenas por Hermeto ao piano, Elis interpretou três canções clássicas da música brasileira – “Asa Branca”, “Corcovado” e “Garota de Ipanema” – que depois foram incluídas no álbum “Elis Regina: Montreux Jazz Festival”, lançado em março de 1982, logo após a morte da cantora.
“Essa noite com a Elis foi um presente que ganhei da vida”, diz Hermeto. Nuzzi conta que Hermeto foi literalmente empurrado ao palco por Claude Nobs, organizador do Festival de Montreux.
Além de um relato fascinante sobre a criação do universo musical de Hermeto Pascoal, que resultou em seus memoráveis shows e gravações com sons de animais e da natureza, “Quebra tudo!” conta a história de vida de um artista que batalhou muito para poder chegar ao estágio de ter total liberdade criativa sobre sua arte.
O voô do Mestre
Hermeto Pascoal morreu no sábado 13 de setembro de 2025, aos 89 anos. A informação foi divulgada pela família em nota oficial: "Com serenidade e amor, comunicamos que Hermeto Pascoal fez sua passagem para o plano espiritual, cercado pela família e por companheiros de música". O comunicado também destacou que, no instante da morte, o grupo de Hermeto se apresentava no palco, "como ele gostaria: fazendo som e música".
Em 2010 o músico recebeu do governo brasileiro a condecoração à Ordem do Mérito Cultural.
"Hermeto Pascoal foi um dos maiores expoentes da música nacional, com uma trajetória marcada pela inovação e pelo diálogo com diferentes estilos. A música e a cultura brasileira devem muito a Hermeto Pascoal, que nos deixou neste sábado, dia 13, aos 89 anos. O talento e a incansável criatividade deste alagoano de Arapiraca o consagraram internacionalmente, e influenciaram gerações de músicos de todo o mundo”.
A trajetória do artista foi marcada por sua capacidade de transformar a vida em música, fosse com instrumentos clássicos ou objetos improvisados do cotidiano. “Hermeto sempre nos ensinou a não deixar a tristeza dominar. Por isso, convido os brasileiros a celebrarem sua história e sua música. Minha solidariedade à família, aos amigos e a todos que foram inspirados por sua arte. O Brasil se despede com gratidão deste grande artista”, concluiu Luiz Inácio Lula da Silva (Presidente do Brasil).


