Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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segunda-feira, 25 de maio de 2026

DiScOs InCrÍvEiS: Jimmy Rogers

The Jimmy Rogers All Stars Band
' Blues Blues Blues '
- 1999 -

Jimmy Rogers, nascido em 3 de junho de 1924, em Ruleville, Mississippi, é amplamente reconhecido como um dos grandes pilares do blues. Crescendo em uma família musical, Rogers desenvolveu um profundo amor pela música desde cedo. Seu talento foi aperfeiçoado nas ruas de Chicago, onde o blues estava florescendo e se transformando em um gênero musical icônico.

Rogers começou sua carreira na cena do blues de Chicago nos anos 1940, associando-se a músicos lendários como Muddy Waters e Little Walter. Ele se tornou um membro crucial da banda de Waters, contribuindo com sua guitarra inconfundível e estilo vocal distinto. Durante esse período, Rogers participou da gravação de alguns dos trabalhos mais influentes do blues, incluindo clássicos como "Blow Wind Blow", "Forty Days and Forty Nights" e "I’m Ready".

Além de suas colaborações, Jimmy Rogers também teve uma carreira solo de sucesso. Seu álbum de estreia, "Chicago Bound" (1954), é considerado um marco na história do blues e solidificou sua posição como um dos maiores bluesmen de todos os tempos. Canções como "Walking by Myself" e "Ludella" tornaram-se clássicos instantâneos e continuam a ser celebradas no gênero até hoje.

"Blues Blues Blues", foi seu último trabalho, acabou se tornando um álbum póstumo e um tributo emocionante à sua obra. Lançado em 1999, este álbum se destaca pelas participações de músicos consagrados como: Lowell Fulson, Taj Mahal, Eric Clapton, Mick Jagger, Keith Richards, Robert Plant, Jimmy Page, Stephen Stills e Jeff Healey, que se uniram a Jimmy Rogers em releituras de algumas de suas músicas mais icônicas. 

A "cozinha" da banda é incrivelmente consistente e impecável conduzida pela lenda do piano Johnnie Johnson e os músicos Jimmy D. Lane na guitarra, Freddie Crawford no baixo, Ted Harvey na bateria, junto aos gaitistas Kim Wilson e Carey Bell. O disco alcançou a primeira posição na UK Jazz and Blues Albums Chart, comprovando o respeito e a admiração que Rogers conquistou no mundo da música.

Tracklist:

Blow Wind Blow - (Jeff Healy)
Blues All Day Long - (Eric Clapton)
Trouble No More - (Mick Jagger, Keith Richards)
Bright Lights Big City - (Taj Mahal)
Ev'ry Day I Have the Blues - (Lowell Fulson)
Sweet Home Chicago - (Stephen Stills)
Don't Start Me to Talkin' - (Mick Jagger, Keith Richards)
That's All Right - (Eric Clapton)
Ludella - (Taj Mahal)
Goin' Away Baby - (Mick Jagger, Keith Richards)
Worried Life Blues - (Stephen Stills)
Gonna Shoot You Right Down (Boom Boom) - (Jimmy Page, Robert Plant e Eric Clapton)



segunda-feira, 27 de outubro de 2025

LED ZEPPELIN

Pesado e impactante como um Zeppelin de Chumbo!

Led Zeppelin

Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra

Falar do Led Zeppelin é como falar da minha própria história na música.


" O Álbum achado"

Lp descoberto na coleção.
As influências musicais na minha infância foram alguns Lp's e fitas cassetes dos meus pais que tinham música popular brasileira, Beatles, Simon & Garfunkel, Procol Harum, Creedence Clearwater Revival e muito RAUL SEIXAS! Porém, em meados da década de oitenta, fuçando na coleção de lp's do meu avô, sendo que a maior parte era de moda de viola, me deparei com um álbum que me chamou muito a atenção. Mesmo que num primeiro momento tenha ficado somente uma vaga lembrança, anos mais tarde tudo faria sentido, e os momentos ouvindo música na vitrola nunca mais seriam os mesmos. Contudo, o álbum "achado" na coleção contrastava completamente dos outros. Pois trazia o nome da banda bem apagado, não continha o encarte e a contra-capa estava totalmente destruída. Visivelmente eram quatro "malucos" estampados na capa. Tive a sensação de se tratar de algo interessante, e despertou a curiosidade. O lp físico estava completamente danificado, mas, diante da curiosidade, coloquei-o para rodar na vitrola. Não era muito possível identificar que tipo de música estava tocando diante de tantos ruídos, mas foi impossível não me impactar com o poderoso grito que surgiu das caixas de som e estremeceu o ambiente logo na primeira faixa - pesado e empolgante.  Aquilo ficaria gravado na minha memória para sempre, e mesmo sem saber o que tinha acabado de escutar, o momento foi mágico! A faixa era: Immigrant Song !!

"O riff de Immigrant Song ficaria registrado em meu subconsciente"

O reencontro com a banda viria anos mais tarde. Passado aquele momento impactante e momentâneamente esquecido daquela música, meu interesse musical estava em torno das bandas contemporâneas de rock do momento. Influenciado pelas rádios e a Mtv, ouvia bandas nacionais como Legião Urbana e Barão Vermelho, além das gringas como Aerosmith, Iron Maiden, Metallica e as bandas do movimento "grunge", como Pearl Jam e Nirvana. Porém, em certo momento e por influência de amigos, comecei a me interessar por bandas do chamado "classic rock". 

Em 1994, os Rolling Stones vieram fazer alguns shows no Brasil na turnê do álbum recém lançado: Voodoo Lounge. O estilo dos integrantes somado à sonoridade crua e visceral, só fez crescer ainda mais o interesse por bandas clássicas de rock 'n' roll.

Os Rolling Stones tiveram forte influência musical para que eu chegasse ao Blues.

Na empreitada de desbravar bandas pioneiras do classic rock, me deparei com um vídeo em fita cassete de um filme-show chamado: "The Song Remains the Same". A princípio, uma banda inglesa de blues/rock chamada Led Zeppelin. Novamente um som alucinante, performance de palco impactante, arranjos de guitarra extremamente criativos com riffs marcantes, um vocalista sensual com voz potente e rasgada com uma "cozinha" de baixo e bateria conduzindo tudo com muita porrada e swing.

O primeiro álbum que consegui adquirir para conhecer mellhor a banda foi o 
Led Zeppelin III, terceiro lançamento de estúdio. Atraído principalmente pela capa chamativa, diferente da versão nacional, era cheia de imagens e desenhos coloridos e aleatórios com o nome da banda também desenhado entre as figuras. Ao ouvir a primeira faixa do disco só Freud poderia explicar a mente tentando buscar aquela lembrança sonora da infância, tentando a qualquer custo fazer a conexão daquela mesma sensação. Aquela sonoridade incrível novamente! O grito arrepiante do vocalista com todos os instrumentos entrando juntos, bateria amassando os pratos com uma marcação potente de bumbo/chimbal e o baixo cavalgando ao lado do pessadíssimo riff de guitarra. Naquele momento tudo fez sentido, e foi o resgate daquilo que estava guardado há muito tempo no meu inconsciente, o som incrível de Immigrant Song !! 

Os Primórdios: The Yardbirds.

Os tesouros buscados por Jimmy Page eram artistas cujo talento e carisma iriam "reluzir como ouro" aos olhos de quem lhes assistisse. Ele queria os melhores músicos possíveis para realizar o sonho de formar a superbada definitiva.

Precisamos mencionar uma banda antes de qualquer coisa. Formada em 1962, a banda The Yardbirds dos músicos - Keith Relf nos vocais, Chris Dreja na guitarra, Paul Samwell-Smith no baixo e Jim McCarty na bateria - ficou famosa na cena de R&B britânica, assumindo o posto de atração principal que pertencia aos The Rolling Stones na conhecida casa noturna Crawdaddy, em Richmond. Eles imprimiam sua marca de grande energia nos blues elétricos de Chicago de músicos consagradados como Howlin' Wolf e Muddy Waters. 

O grande trunfo da banda era um novo integrante e jovem guitarrista obcecado por blues chamado Eric Clapton, que já estava tendo destaque na cena  britânica como  instrumentista. Com essa formação, em 1964 lançam o primeiro álbum da banda e de Eric Clapton: "Five Live Yardbirds". Porém, por conta dos rumos mais pop e menos blues do grupo, Eric Clapton deixa a banda em 1965 para se juntar aos puristas de blues John Mayall & The Bluesbreakers. 

Clapton recomenda aos integrantes um guitarrista de estúdio chamado Jimmy Page, que já era respeitado entre os músicos. Nesse momento Page abdica do convite, pois tinha salário fixo e estava mais interessado nos trabalhos de gravação, mas indica outro guitarrista, o amigo Jeff Beck. Beck aceita o convite e entram numa fase talvez de maior sucesso da banda, e gravam dois álbuns excelentes: "For Your Love" e "Having A Have Up", ambos lançados em 1965.

Em 1966, o baixista Paul Samwell-Smith sai da banda e novamente eles convidam Jimmy Page, que, dessa vez, muito interessado em formar um grupo, aceita.  Primeiramente ele preenche a banda como baixista, porém logo troca de instrumento com o guitarrista Chris Dreja. Assim, a banda vira uma das primeiras superbandas com dois guitarristas virtuosos tocando juntos. Isso rendeu um vídeo e participação do grupo para um filme adolescente, e lançam o álbum "Roger Engineer" com essa formação. Porém o peso das turnês e a pressão em cima de Jeff Beck fez com que ele abandonasse o grupo e arruinasse os planos audaciosos de uma superbanda.

Jimmy Page não desistiria de formar um super grupo, mas os The Yardbirds começam a perder o fôlego na disputa com novas bandas que apareciam com sonoridade mais pesada. Bandas como Cream, Free e The Jimi Hendrix Experience estavam direcionando os caminhos do blues rock. Page, sentindo essa nova direção, lança com os Yardbirds um álbum experimental chamado "Little Games". Não tendo muito sucesso nas rádios, os integrantes já desgastados começam a sair e realizar novos projetos. Mas Page continua buscando novas formações já com o apoio do empresário Peter Grant para formar uma superbanda.

JIMMY PAGE

Em uma participação com o velho amigo Jeff Beck na gravação de uma música chamada "Beck's Bolero", com Nick Hopkins nos teclados, John Paul Jones no baixo e o virtuoso baterista Keith Moon do The Who, Jimmy Page começa a amadurecer a ideia de formar sua banda de peso. O problema era que esses músicos estavam  tocando com outras bandas, exceto, o multi-instrumentista John Paul Jones, que estava trabalhando em estúdio de gravação.

Enquanto os Yardbirds se esforçavam para cumprir shows e compromissos, Page grava um blues-rock lento e pesado chamado "Dazed and Confused", no qual tocaria guitarra com arco de violino para produzir um efeito espacial e dramático. Ao longo do ano de 1968, Page faria algumas experiências sonoras no palco até o limite em que os Yardbirds pudessem apoiar.

Enquanto isso, na região central dea Inglaterra, a Band of Joy tentava se estabelecer. Com um cantor de blues chamado Robert Plant e um baterista chamado John Bonham, a banda já havia conquistado uma reputação local nos shows com luzes psicodélicas e som poderoso, mas, sem contratos de gravação à vista, lutavam para sobreviver.

JOHN BONHAM, JOHN PAUL JONES e ROBERT PLANT

O vocalista Keith Relf e o baterista Jim MacCarty estavam esgotados com a falta de reconhecimento da banda e queriam trilhar outras direções musicais, porém, com muito esforço, terminaram a turnê americana. De volta à Inglaterra no verão de 1968 e após uma apresentação final no Luton Technical College, a banda se desintegrou de vez. 

Com alguns compromissos agendados pela Escandinávia, Jimmy Page precisou correr atrás de músicos para concluir a agenda dos Yardbirds. Convidou o  amigo de estúdio John Paul Jones para assumir o baixo e tentou contato com alguns vocalistas de peso da época como Steve Marriot do The Small Faces e Steve Winwood do Traffic, mas, infelizmente, ambos tinham suas bandas bem sucedidas naquele momento.

O empresário Peter Grant tinha tentado o vocalista solo, Terry Reid, que, desinteressado, indicou que eles fossem à Birmingham assitir à uma banda, "Band of Joy", de um vocalista que vinha se destacando na cena cantando um blues-rock potente e rasgado, seu nome, Robert Plant. Jimmy Page e Peter Grant foram vê-lo cantar e ficaram imediatamente impressionados. Page explicou o projeto e convidou o vocalista para um ensaio em sua casa em Pangbourne, Berkshire, e logo perceberam que tinha algo fantástico acontecendo. Com toda essa potência e qualidade dos músicos, não daria para contratar um baterista qualquer, de mão leve. Jimmy Page já tinha tentado trazer anteriormente Keith Moon do The Who e também B. J. Wilson do Procol Harum, mas ambos seria impossível mediante aos contratos que tinham com suas poderosas bandas. Diante do curto tempo para contratar um baterista, fez o destino que o próprio Robert Plant indicasse seu parceiro de Band of Joy, o conhecido por "Bonzo", de nome John Henry Bonham. Apesar  de naquela época John Bonham ter um salário constante acompanhando o cantor americano Tim Rose, com a promessa de ganhar mais grana e fama ele decide fazer os testes para entrar na superbanda. O primeiro ensaio da banda foi em setembro de 1968, no Soho. Page declarou mais tarde: "Nós quatro nos juntamos numa sala e começamos a tocar. Então percebemos uma química incrível e começamos a rir, talvez por alívio ou por perceber que a banda poderia dar muito certo!" 

E assim, sob o nome de The New Yardbirds, cumprem todos os shows agendados no norte europeu. Após o término da agenda, eles sentem a necessidade de um novo nome para a superbanda. Foi quando lembraram de um episódio ocorrido na gravação de "Beck's Bolero", que, em relação ao nome da banda, seriam chamados de "Lead  Zepelin", uma forma de provocação feita por Keith Moon e John Entwistle com ar sarcástico de brincadeira sugerindo que o projeto de superbanda de Jimmy Page com Jeff Beck afundaria como um zepelin de chumbo em chamas. Dessa forma, modificaram algumas letras e o nome estava posto: LED ZEPPELIN.

Em 1969 , com o lançamento de seus dois primeiros álbuns de estúdio, o Led Zeppelin mudou os rumos do rock'n roll para sempre, foi revolucionário! E, à exemplo de poucos artistas como Mozart, Miles Davis, The Beatles ou Jimi Hendrix, poucos puderam influenciar tanto nos caminhos da música.


terça-feira, 12 de agosto de 2025

LiTeRaTuRa: Biografias do Rock!

Biografias 

do 

Rock!

Charlie Watts, Jimmy Page, Mick Jagger e Pete Townshend

Charlie Watts: Um baterista talentoso - uma história que vai muito além da bateria e dos Rolling Stones, destrincha a evolução do rock'n roll e celebra décadas de agitação cultural. Um dos melhores bateristas do planeta usando como pano de fundo o Blues, Country, Soul, Jazz e R&B. Uma verdadeira aula de música e um guia perfeito para montar a trilha sonora de nossas vidas. Um sujeito que sempre soube comandar as baquetas como ninguém fazendo swingar e pulsar a máquina chamada The Rolling Stones: o absolutamente e insubstituível, Charlie Watts!

Jimmy Page: "Luz & Sombra ilumina o gênio assombrado de Jimmy Page de maneira original e definitiva, A dinâmica da conversação entre entrevistador e entrevistado revela riqueza de informações sobre o homem, a música e a magia." Nunca houve uma banda como o Led Zeppelin, assim como nunca existiu um músico como Jimmy Page. Guitarrista, compositor, produtor e principal força criativa da banda, Page conduziu o Led para o topo do mundo. Nesse livro você saberá pelo próprio artista como foi essa jornada!

Mick Jagger: Dinheiro, música, fama, drogas, genialidade e sexo. - "Obviamente não sou nenhum exemplo de virtude". Audacioso, iconoclasta, provocador e carismático, Mick sempre hipnotizou o público dentro e fora dos palcos. Seus dramas, sofrimentos e controvérsias pessoais fornecem assunto de sobra para a imprensa voraz nas mais de cinco décadas de carreira do vocalista inglês. Muito além da fama de arrogante e obcecado consigo mesmo, este livro revela que, na intimidade, ainda há o que desvendar a respeito da personalidade do roqueiro. Incontáveis conquistas amorosas de mulheres como Carla Bruni, Uma Thurman, Angelina Jolie e homens como David Bowie. Senhoras e senhores, Mick Jagger!

Pete Townshend: Em Woodstock: "Antes que dsesse conta, Roger estava cantando ´Se Me, Feel Me, Touch Me, Heal Me´ para hordas de jovens que, de repente, percebiam que Tommy era uma música inconscientemente projetada para esse tipo de festival, para esse momento específico, para Eles. A certa altura Keith gritou: ´pelo amor de Deus, Pete, chega!´. Entrei em um solo de guitarra demorado, rico em feedback, quando o céu atrás da encosta começou a empalidecer com os primeiros sinais da alvorada. Entusiasmado porém exausto, bati com a guitarra no chão algumas vezes, atirei-a para a plateia, e o The Who voltou para Londres".