Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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quinta-feira, 23 de julho de 2026

CREAM


CREAM
' maior power trio da história '

O Cream deixou um legado inestimável como o primeiro supergrupo relevante da história do rock e o pioneiro do formato power trio. A banda fundiu blues, psicodelia e jazz. Essa mistura revolucionou a música pesada e preparou o terreno para o surgimento do hard rock. Com longas improvisações instrumentais nos shows, transformou o blues em apresentações livres e experimentais. Riffs icônicos de faixas como "Sunshine of Your Love" e "White Room" ditaram o peso que influenciou todas as bandas dos anos 1970.

O álbum duplo Wheels of Fire foi o primeiro na história da música a receber o certificado de platina mundial por vendas. Mesmo com apenas dois anos de atividade e quatro álbuns de estúdio lançados, o grupo foi eternizado com a introdução no Rock and Roll Hall of Fame em 1993.
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Os músicos

O baterista Ginger Baker (nascido Peter Edward Baker em 19 de agosto de 1939 em Lewisham, Londres, Inglaterra) já era um músico respeitado no circuito londrino de blues da época. Ele fazia parte de uma das bandas pioneiras do blues britânico, The Graham Bond Organization (GBO), egresso do embrionário grupo The Blues Incorported de Alxis Korner e Cyril Davis. Baker não estava muito satisfeito na banda, os problemas com drogas e a instabilidade do vocalista e saxofonista Graham Bond, frontman do GBO, fazia com que ele tivesse planos de montar um novo grupo, ou, quem sabe, um supergrupo. 

O baixista e vocalista Jack Bruce (nascido John Symon Asher Bruce em 14 de maio de 1943 em Bishopbriggs, East Dunbartonshire, Escócia), também compartilhava do mesmo sonho de um supergrupo, sendo parceiro de Ginger Baker nas duas bandas, The Blues Incorported e GBO, a ideia era descolar um guitarrista virtuoso.

Nos idos de 1966, o guitarrista Eric Clapton (nascido Eric Patrick Clapton em 30 de março de 1945 em Ripley, Surrey, Inglaterra) gozava de uma ótima reputação como músico da cena londrina e tocava com a banda The Bluesbreakers de John Mayall, depois de ter saído dos The Yardbirds no ano anterior. Ele também estava com planos de formar um novo grupo em que pudesse colocar mais peso e dinâmica no blues que estava sendo experimentado naquele momento.

O início

Ginger Baker foi assistir a um show dos Bluesbreakers e ficou muito impressionado com a técnica e virtuosismo de Eric Clapton. Ao final do show, o batera ofereceu uma carona para Clapton até Londres, onde morava, e chamou o guitarrista para formar o novo grupo. Eric não se fez de rogado e aceitou prontamente o convite, já que o interesse e a admiração entre os músicos era recíproca.

Ginger Baker e Jack Bruce tinham a fama de terem tido algumas desavenças nas bandas anteriores, mas em nome do supergrupo essas indiferenças foram colocadas de lado. Imediatamente eles começaram 
a ensaiar e a compor algumas músicas juntos, e o power trio foi batizado de Cream, ou seja, "a nata" dos músicos, pois naquela altura os três eram colocados entre os melhores instrumentistas do blues britânico. Jack Bruce assumiu como vocalista e principal compositor da banda.


A estreia não-oficial do Cream aconteceu no dia 29 de julho de 1966 no clube Twisted Wheel, reduto da Soul Music em Manchester, Inglaterra. Duas noites depois, participaram do 'Jazz & Blues Festival' de Windsor. A resposta do público em ambas  apresentações foi de aprovação e euforia, mesmo porque os músicos já eram figuras conhecidas no circuito londrino de bares e casas de shows. Em outubro daquele ano, o trio fez uma antológica jam session com um então estreante e desconhecido guitarrista chamado, Jimi Hendrix, que também estava formando o seu próprio power trio, a The Jimi Hendrix Experience. Fã declarado de Eric Clapton, Hendrix realizou o sonho de tocar ao lado de seu ídolo.

Os álbuns

Em dezembro de 1966, com muitas ideias fervilhando na linha criativa de composição, rapidamente eles lançam Fresh Cream, o álbum de estréia da banda que é historicamente considerado o inovador, pioneiro e alicerce do estilo que ficou conhecido como: blues-rock. 

Recheado de canções clássicas dos bluseiros Robert Johnson, Skip James, Willie Dixon e Muddy Waters como Spoonful, Four Until Late e I’m So Glad, as músicas próprias também se tornariam clássicos da banda como Toad e I Feel Free, sendo a última uma composição de Jack Bruce em parceria com o letrista Peter Brown, que foi lançada no Reino Unido como single.

Em março de 1967, o Cream fez sua primeira turnê estadunidense, tocando nove noites no RKO Theater, em nova york, NY. Com algumas canções já sendo trabalhadas e ensaiadas, eles aproveitaram a estadia em nova york para iniciar a gravação do segundo álbum, Disraeli Gears, no estúdio da Atlantic Records.

Com a produção deTom Dowd e Felix Pappalardi (músico que fundaria ao lado do guitarrista Leslie West e do baterista Gail Collins outro power trio furioso, o Mountain).

Pappalardi se tornou uma espécie de “Quarto Creamer”. Diferente do primeiro, este disco tem mais composições autorais, destacando-se as clássicas Sunshine of Your Love (Bruce, Brown, Clapton), Strange Brew (Clapton, Pappalardi, Gail Collins) e Tales of Brave Ulysses (Clapton, Martin Sharp). No mesmo ano de 1967, a banda fez um show no legendário festival Fillmore West, em San Francisco, Califórnia, EUA, agradando em cheio à multidão de hippies que assistiam ao evento.

Em agosto de 1968, foi lançado o álbum duplo Wheels of Fire, sendo dividido o primeiro disco com gravações em estúdio e o segundo ao vivo, faixas gravadas durante um show em Winterland, San Francisco, Califórnia, EUA. Neste trabalhao, as características blueseiras começaram a dar espaço em favor de uma levada mais pesada, porém com músicas 
instrumentalmente mais trabalhadas utilizando mais a improvisação. 

Os destaques do álbum ficam por conta de White Room (Bruce, Brown), Born Under a Bad Sign (Booker T. Jones, William Bell), Crossroads (clássico de Robert Johnson, com arranjo de Eric Clapton) e Spoonful (Willie Dixon). Foi o primeiro disco da banda alcançar os mais altos lugares nas paradas norte americanas.

Apesar do êxito que a banda vivia, o cansaço começou a dominar os músicos. Se antes tudo era divertido e novo, após dois anos as coisas começaram a desandar e tudo começou a ficar mais desgastante e estressante. Cada membro estava "grande demais" e com ideias diferentes sobre qual rumo tomar para a banda. Todos se sentiam sem clima pra continuar adiante. Isso sem falar no fim da “trégua” entre Ginger Baker e Jack Bruce, que voltaram ás velhas rusgas, tendo sempre Clapton como pacificador. Decidiram então fazer uma derradeira turnê para depois estacionar de vez o Cream. A gravadora os persuadiu a gravar um último álbum, em meio à turbulenta excursão nos EUA e Reino Unido. Em novembro de 1968, aconteceu o último show do power trio no Royal Albert Hall, em Londres, Inglaterra. Foram convidadas ótimas bandas de abertura que estavam se destacando como o power trio Taste, banda de Rory Gallagher, e os então estreantes Deep Purple e YES.

O álbum Goodbye foi lançado em fevereiro de 1969 e consistiu de gravações ao vivo e em estúdio, com destaque para a faixa Badge, música que contou com a participação especialíssima do Beatle George Harrison na composição e guitarra rítmica, usando o pseudônimo de L’Angelo Misterioso. Naquela altura, George era muito amigo de Clapton, que tinha participado das sessões do Álbum Branco dos Beatles lançado no ano anterior. No mesmo ano, foi lançada a coletânea Best of Cream. Em 1970 e 1972, sairam os álbuns ao vivo da turnê de despedida Live Cream Vol. e Vol. II.

Em 1969, Clapton uniu forças ao amigo multi-instrumentista Stevie Winwood, do Traffic, o 
baixista Ric Grech, do Famíly, e o próprio Ginger Baker para criarem outro supergrupo chamado Blind Faith, projeto de curta duração gravando um só álbum. Clapton e Baker ainda tocaram juntos no projeto de Baker chamado Air Force e o guitarrista ainda fez parte do Delaney & Bonnie & Friends, engatando depois sua notória carreira solo. 

Jack Bruce também partiu para uma bem sucedida carreira solo, trabalhou com a jazz woman Carla Bley e o maestro e arrnjador Michael Gibbs, além de fazer parte da banda West, Bruce and Laing, junto aos membros do Mountain Leslie West e Corky Laing, ao qual gravaram três álbuns. Trabalhou também com Lou Reed e Frank Zappa e nos anos 90 fez parte do Supergrupo Ringo Starr & His All-Starr Band (em 1995 e 1997), além de sua carreira solo e muitas outras parcerias.


A emocionante despedida de honra

O Cream se reuniu em 1993 durante a cerimônia de introdução da banda no Rock and Roll Hall of Fame. Mais de duas décadas sem tocar juntos, o trio provou que tinha ainda muita lenha pra queimar, tocando seus clássicos Sunshine of Your Love, Crossroads e Born Under a Bad Sign (música que nunca tinha sido tocada ao vivo no período áureo do Cream). Cogitou-se de fazerem uma turnê juntos, como nos velhos tempos, mas infelizmente não deu certo. 

A reunião só veio a acontecer, como uma despedida de honra, nos dias 2, 3, 5 e 6 de maio de 2005 no Royal Albert Hall, em Londres, Inglaterra, ironicamente, palco do último show deles em 1968. Estavam na plateia nomes como Paul McCartney, Ringo Starr, Stevie Winwood, Brian May (Queen), Roger Waters (Pink Floyd), Jimmy Page (Led Zeppelin), Bill Wyman e Mick Taylor dos Rolling Stones. O sucesso foi tanto que a banda decidiu fazer um único show nos EUA e o lugar escolhido foi o Madison Square Garden em Nova York, NY. Esses shows são simplesmente espetaculares.

Em 2006, quando o Cream recebeu um Grammy pelo conjunto da obra, houve novamente rumores de uma reunião do trio. Jack Bruce chegou a declarar na imprensa que estava tudo certo, que já havia datas marcadas para a volta deles, mas Clapton e Baker negaram veementemente a notícia, encerrando o assunto. Inclusive Ginger teria dito que temia que fosem reabertas as velhas feridas do desentendimento entre ele e seu colega de cozinha. Jack Bruce faleceu no dia 25 de outubro de 2014, aos 71 anos, enterrando de uma vez por todas a possibilidade de uma nova reunião do Cream.
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sábado, 30 de maio de 2026

Eric Clapton


Eric 'Slowhand' Clapton

Eric Patrick Clapton nasceu em 30 de março de 1945 na casa de seus avós, em One The Green, Ripley, Surrey, Inglaterra. Ele era filho de Patricia Molly Clapton, de 16 anos, e de Edward Walter Fryer, de 24 anos, que estava em serviço militar na Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial. Era extremamente difícil para uma jovem solteira de 16 anos criar um filho sozinha em meados da década de 1940. Os pais de Pat, Rose e Jack Clapp, assumiram o papel de pais substitutos e criaram Eric como se fosse seu próprio filho. Assim, ele cresceu acreditando que sua mãe era sua irmã. Seus avós nunca o adotaram legalmente, mas permaneceram seus tutores legais até 1963. O sobrenome de Eric vem do primeiro marido de Rose e pai de Pat, Reginald Cecil Clapton (falecido em 1933).

Eric cresceu em um lar musical. Sua avó tocava piano e seu tio e sua mãe gostavam de ouvir o som das big bands. Mais tarde, Pat contou ao biógrafo oficial de Eric, Ray Coleman, que seu pai era um músico talentoso, tocando piano em várias bandas de baile na região de Surrey.

Quieto e educado, ele era considerado um aluno acima da média, com aptidão para a arte. Mas, desde os primeiros anos na escola, percebeu que algo estava errado quando escrevia seu nome como "Eric Clapton" e o nome de seus pais como "Sr. e Sra. Clapp". Aos nove anos, descobriu a verdade sobre sua origem quando Pat retornou à Inglaterra com seu meio-irmão de seis anos para uma visita. Esse evento singular o afetou profundamente e foi um momento decisivo em sua vida. Ele se tornou melancólico e distante, e parou de se dedicar aos estudos. Marcado emocionalmente por esse acontecimento, Eric foi reprovado nos importantíssimos exames de admissão ao ensino secundário. Foi então transferido para a St. Bede's Secondary Modern School e, dois anos depois, ingressou no curso de artes da Holyfield Road School.

Em 1958, o rock and roll explodiu no mundo. No seu aniversário de 13 anos, Eric pediu uma guitarra. Achando a guitarra Hoyer, barata e fabricada na Alemanha, difícil de tocar — ela tinha cordas de aço —, ele a deixou de lado. Em 1961, aos 16 anos, Eric começou a estudar no Kingston College of Art em regime de estágio probatório de um ano. Ele foi expulso ao final desse período por falta de progresso, já que não havia entregado trabalhos suficientes. O motivo? Tocar guitarra e ouvir blues dominavam seus momentos de vigília.

“Eric olhou além da superfície e explorou as raízes do rock no blues"

O blues também combinava perfeitamente com a sua autoimagem de ser um forasteiro e de ser "diferente" das outras pessoas. Em algum momento de 1962, ele pediu ajuda aos avós para comprar uma guitarra elétrica Kay de corpo duplo (uma réplica da Gibson ES-335) por 100 libras, depois de ouvir o blues elétrico de Freddie King, BB King, Muddy Waters, Buddy Guy e outros.
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A história artística de Eric Clapton por dez álbuns preferidos.

O começo com os The Yardbirds, 1964.

Eric passou seus primeiros anos na música tocando nas ruas de Richmond e Kingston, e também começou a frequentar Londres e o West End. No início de 1963, aos 17 anos, Eric entrou para sua primeira banda, The Roosters. Após o fim da banda em agosto de 1963, ele passou um mês na banda pop Casey Jones and The Engineers. Antes de se dedicar à música em tempo integral, ele se sustentou como operário em canteiros de obras, trabalhando ao lado de seu avô, um mestre pedreiro e gesseiro.

Em outubro de 1963, Keith Relf e Paul Samwell-Smith o recrutaram para integrar os Yardbirds, pois Clapton era o guitarrista mais comentado no circuito de pubs de R&B. Durante seus 18 meses com os Yardbirds, ele ganhou o apelido de Slowhand (Mão Lenta) e gravou seus primeiros álbuns: Five Live Yardbirds & Sonny Boy Williamson e For Your Love. A banda também gravou o single "Good Morning Little Schoolgirl". Mas Eric não havia abandonado sua profunda pesquisa sobre o blues. Quando os Yardbirds começaram a se direcionar para um som mais comercial com o single "For Your Love", ele saiu da banda. Seu interesse na música era o blues.

Em abril de 1965, John Mayall convidou Eric para se juntar à sua banda, John Mayall's Bluesbreakers. Com esse grupo, Clapton consolidou sua reputação como guitarrista e ganhou uma homenagem escrito num muro de Londres: "Clapton Is God". O apelido surgiu de um grafite de um admirador na parede da estação de metrô Islington, em Londres, que proclamava ousadamente: "Clapton é Deus". A passagem de Eric pela banda foi turbulenta e ele chegou a sair por um tempo para fazer uma turnê pela Grécia com outros amigos músicos. Ao retornar, Eric voltou para os Bluesbreakers. Foi durante esse período que o clássico álbum: "Blues Breakers With Eric Clapton" foi gravado. Enquanto estava com os Bluesbreakers, Eric também gravou uma sessão única de quatro canais com uma banda chamada "The Powerhouse", músicos de estúdio que incluía o futuro multi-instrumentista do Led Zeppelin, John Paul Jones, mais o tecladista Steve Winwood e o baixista Jack Bruce.

Após deixar os Bluesbreakers pela segunda e última vez em julho de 1966, Eric Clapton juntou-se ao próprio Jack Bruce, que também era compositor e vocalista, junto ao baterista Ginger Baker para formarem o famoso power trio de blues-rock: CREAM. Extensas turnês pelos EUA e três álbuns de sucesso — Fresh Cream, Disraeli Gears e Wheels of Fire — trouxeram à banda aclamação mundial. Enquanto membro do Cream, ele consolidou sua reputação como o principal guitarrista do rock e alcançou o status de superestrela. Jimi Hendrix só aceitou a proposta do seu empresário de ir montar sua banda na inglaterra com a condição de poder conhecer seu preferido e admirado guitarrista, 'Eric Clapton'.

Embora o Cream tenha existido por apenas dois anos, é considerado um dos grupos de rock mais influentes da era moderna. Clapton era único porque não se limitava a replicar os riffs de blues que ouvia em gravações. Ele incorporava a emoção das performances originais ao seu próprio estilo, expandindo assim o vocabulário da guitarra blues. O Cream se desfez sob o peso dos egos dos membros e das constantes brigas. A banda se separou após duas apresentações finais no Royal Albert Hall, em Londres, em 26 de novembro de 1968.

Após o fim do Cream, Clapton e Ginger Baker convidam o compositor e tecladista, Steve Winwood, que estava com enorme reputação com a banda Traffic, e o baixista Rick Grech, do Family, para formarem o Blind Faith – o primeiro chamado “supergrupo” do rock. 

A ideia do projeto surgiu em 1969, quando Eric Clapton e Steve Winwood começaram a fazer jams informais. Clapton queria emular na inglaterra a sonoridade da banda canadense, The Band, que havia tocado junto a Bob Dylan. Para isso, ele achava que seria preciso uma "fé cega" por parte de todos para que o projeto desse certo, o que acabou batizando o nome do grupo. A primeira apresentação pública do grupo ocorreu em 7 de junho de 1969, no Hyde Park, em Londres. O show foi um marco, atraindo cerca de 100.000 pessoas. No entanto, a banda sentiu que estava despreparada e que faltavam ensaios, gerando tensões internas desde o início.

O projeto Blind Faith se dissolveu logo após a gravação do aguardadíssimo álbum de estréia, que trouxe faixas históricas e tocadas até hoje como: Can't Find My Way Home e Presence of the Lord. A desastrosa turnê estadunidense, fez com que Eric tentasse se esconder de uma crescente "fama desgovernada", fazendo turnês como mero músico de apoio de uma dupla de compositores chamada: Delaney & Bonnie and Friends. Nessa banda, Eric foi incentivado por Delaney Bramlett a cantar e a compor mais. Um álbum ao vivo dessa turnê com Delaney & Bonnie foi lançado em 1970.

Acompanhado pelos músicos da Delaney & Bonnie, Eric grava o seu álbum solo de estreia autointitulado: 'Clapton', que foi lançado no início do mesmo ano. Principalmente trazendo elementos de blues e rock, as camadas de gospel, r&b, country e pop estavam por todo o disco, e o elemento pop do álbum está bem presente. O álbum alcançou o 13º lugar na Billboard.

No verão de 1970, Eric forma a banda 'Derek and the Dominos' com Jim Gordon (baterista), Carl Radle (baixista) e Bobby Whitlock (teclados), que faziam parte da banda de Delaney & Bonnie. Os Dominos gravaram o álbum seminal do rock, Layla and Other Assorted Love Songs. Um álbum conceitual, seu tema girava em torno do amor não correspondido de Clapton pela esposa de George Harrison, Patti Boyd. O álbum contou ainda com uma parceria fantástica de guitarristas entre Clapton e o guitarista da banda The Allman Brothers Band, Duane Allman, que tocou a maioria dos slide-guitar no disco, principalmente na icônica faixa "Layla". A banda se separaria após uma turnê estadunidense em uma tentativa fracassada de gravar um segundo álbum. 

Duramente abalado pelo fim do The Dominos, pelo fracasso comercial do álbum Layla e por um amor não correspondido, Eric mergulhou em três anos de vício em heroína. Embora raramente saísse de sua propriedade em Surrey, ele enchia caixa após caixa com fitas cassete de músicas. Ele se livrou do vício e relançou sua carreira em janeiro de 1973 com dois shows no Rainbow Theatre de Londres, organizados por seu amigo, Pete Townshend (The Who). Os shows representaram a gravação de um álbum ao vivo e um ponto de virada em sua carreira. 
Eric havia se tornado um vocalista e compositor seguro de si, além de um virtuoso da guitarra.

“Eric havia se tornado um vocalista e compositor seguro de si, além de uma referência na guitarra"

Em 1974, ele ressurgiu com um novo estilo e sonoridade lançando o álbum '461 Ocean Boulevard', um álbum muito influenciado pela filosofia e sonoridade Reggae. Uma das músicas de maior sucesso da carreira de Clapton, I Shot The Sheriff, era uma reeleitura da canção de Bob Marley. Nessa época, vieram excelentes álbuns experimentais como: There's One In Every Crowd (1975), No Reason To Cry (1976), o incrível Slowhand (1977), que trouxe as primeiras parcerias com o compositor JJ Cale, e Backless (1978). Músicas consagradas saíram desses discos como: Swing Low Sweet Chariot, Lay Down Sally, Wonderful Tonight, Cocaine, Tulsa Time e Promisses.

Just One Night é um álbum duplo ao vivo lançado em 1980, que captura a energia vibrante de Eric Clapton e demonstra todo seu repertório dos álbuns lançados durante a década de setenta. Gravado no lendário Budokan Theatre em Tóquio, Japão, o disco celebra o auge da fase serena, blueseira e virtuosa do músico, destacando a parceria lendária com o guitarrista Albert Lee. O álbum foi registrado durante duas noites históricas: 3 e 4 de dezembro de 1979. Naquela época, Clapton estava excursionando para promover seu disco de estúdio Backless (1978) e encontrou no Japão uma recepção calorosa e um público que o adorava. Para esta turnê, Clapton montou uma banda muito afiada e versátil, que deu uma nova roupagem a sucessos antigos e tocou o seu repertório recente com muita fluidez e mostrou todo seu amadurecimento no Blues. A formação incluía Albert Lee na guitarra, teclado e vocais, que serviu como uma "segunda voz" instrumental perfeita para o estilo de Clapton, e Chris Stainton nos teclados, Henry Spinetti na bateria e Dave Markee no baixo.

A cada álbum após 461 Ocean Boulevard, Eric se reinventou musicalmente. Ao longo dos anos 70 e início dos anos 80, álbuns e turnês se sucederam ano após ano. Em 1985, Clapton conquistou um novo público após sua apresentação no concerto beneficente mundial Live Aid. Apresentações anuais no Royal Albert Hall e álbuns de sucesso como August, Journeyman e a caixa Crossroads o mantiveram em evidência. No final dos anos 80, ele iniciou uma segunda carreira como compositor de trilhas sonoras para filmes.

Sua carreira decolou e atingiu novos patamares com o lançamento do álbum Unplugged e o single vencedor do Grammy, "Tears In Heaven". Gravado em 16 de janeiro de 1992 no Bray Studios, o MTV Unplugged de Eric Clapton tornou-se o álbum ao vivo mais vendido da história (mais de 26 milhões de cópias). O show foi marcado por arranjos intimistas e pela emoção crua, em especial devido ao luto do cantor pela trágica morte de seu filho, Conor, o que inspirou a canção "Tears in Heaven".

A gravação consolidou o formato acústico como um fenômeno cultural global e rendeu três prêmios Grammy em 1993, incluindo Álbum do Ano. A apresentação ocorreu diante de uma pequena plateia em Windsor, Inglaterra. Ao invés de uma produção grandiosa, a ideia foi priorizar a vulnerabilidade e a crueza dos arranjos, que transformaram a sonoridade habitual do guitarrista. O repertório mesclou grandes sucessos da carreira do artista (como uma roupagem totalmente nova e acústica para "Layla"), porém muito arranjado nos clássicos do blues que o influenciaram sempre na carreira musical.

Em 1994, Eric retornou às suas raízes no blues com o lançamento de From The Cradle. Apesar de ter construído sua fama tocando blues e rock desde os anos 60 (com bandas como The Yardbirds, Cream e Derek and the Dominos), Clapton nunca havia gravado um álbum dedicado exclusivamente ao gênero. O disco foi gravado ao vivo em estúdio ao longo de apenas duas semanas, sem edições pesadas, para manter uma sonoridade crua e autêntica. São 16 faixas, o disco é composto inteiramente por covers e regravações. Clapton prestou tributo a lendas do blues que moldaram seu estilo de tocar guitarra, incluindo músicas de: Muddy Waters, Willie Dixon, Freddie King, Howlin' Wolf e Robert Johnson.

O álbum alcançou um feito histórico: foi o primeiro trabalho de Clapton a atingir o 1º lugar nas paradas de sucesso do Reino Unido. Nos Estados Unidos, o disco também chegou ao topo da Billboard 200, consolidando ainda mais o status de "Slowhand" como uma lenda viva da guitarra. O sucesso do projeto abriu portas para que Clapton gravasse outros álbuns de blues aclamados posteriormente, como o clássico Riding with the King (com B.B. King) em 2000.

Em 1997, com a incursão da música eletrônica e o lançamento de Retail Therapy, do TDF, Eric se apresentou como X-Sample na "banda" de estúdio TDF. Em 1998, ele lançou mais um álbum: Pilgrim, com influências de soul, seu primeiro álbum com material inédito em nove anos. Em 2000, ele continuou sua paixão pelo blues ao gravar um álbum com a lenda americana do blues, B.B. King. Riding With The King foi lançado em junho e, em apenas três semanas, recebendo o certificado de ouro.

One More Car, One More Rider, foi lançado em novembro de 2002, sendo mais um álbum duplo ao vivo. O álbum contém músicas apresentadas durante a turnê mundial de Clapton em 2001. As gravações deste álbum são de duas noites no Staples Center em Los Angeles, 18 e 19 de agosto de 2001. Acompanhando Clapton neste álbum estão o guitarrista Andy Fairweather-Low, o baterista Steve Gadd, o baixista Nathan East e os tecladistas Billy Preston, Greg Phillinganes e David Sancious (que também toca guitarra e ritmica). Alguns desses músicos já acompanham Clapton por décadas.

Clapton afirmou que esta seria sua última turnê mundial, tornando este álbum inicialmente mais valioso. No entanto, ele já fez várias turnês mundiais desde então. Uma versão deste álbum inclui a música "Will It Go Round in Circles", interpretada por Billy Preston, que interangiu fantasticamente dançando e trazendo o público ao delírio. Infelizmente, Preston faleceu poucos anos depois em 2006.

Logo após o lançamento de Riding With The King , Clapton voltou ao estúdio para gravar seu próximo projeto solo. Reptile foi lançado em março de 2001. No final de 2002, ele começou a gravar um novo álbum de estúdio. O trabalho continuou durante o verão de 2003 e material suficiente foi gravado para dois álbuns. Além do novo material solo, Eric gravou covers de músicas de Robert Johnson durante essas sessões. As músicas de Johnson foram compiladas e, em março de 2004, o álbum tributo de Eric, Me and Mr. Johnson, foi lançado. O material solo gravado durante essas sessões foi lançado em 2005 no álbum Back Home.

Cream: Bruce, Baker e Clapton, reunião em 2005.

Em 2005, Eric, Ginger Baker e Jack Bruce revisitaram o passado ao reformarem o Cream para quatro shows de reunião em maio no Royal Albert Hall, em Londres. Seus shows de despedida haviam acontecido no mesmo local 37 anos antes, em novembro de 1968. Em outubro, o Cream realizou mais três shows no Madison Square Garden, em Nova York. Os shows de Londres foram lançados em CD e DVD, e posteriormente em Blu-ray e formatos digitais.

O próximo projeto de estúdio de Eric seria produzido por um dos arquitetos do "Som de Tulsa", JJ Cale. Eric admirava o trabalho de Cale há muito tempo, tendo gravado versões de "After Midnight", "Cocaine" e "Travelin' Light". O álbum logo se transformou em um trabalho colaborativo. The Road To Escondido foi lançado com aclamação da crítica em novembro de 2007. Em fevereiro do ano seguinte, ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Blues Contemporâneo (Vocal ou Instrumental) na 50ª cerimônia anual de premiação em Los Angeles.

Em setembro de 2009, Eric lançou seu 19º álbum de estúdio, Clapton. "Run Back To Your Side", uma das faixas do álbum, recebeu uma indicação ao Grammy de Melhor Performance Vocal Solo de Rock. Nos anos seguintes, lançou os álbuns solo Old Sock (2013), I Still Do (2016) e Happy Xmas (2018), uma colaboração ao vivo gravada com o grande jazzista Wynton Marsalis e o álbum "Eric Clapton and Friends", uma coletânea de canções em homenagem ao legado de J.J. Cale.

O álbum I Still Do, cujo título é uma homenagem a uma tia de Clapton que morreu há alguns anos – ela dizia para o artista que gostava dele como um menino. “And I still do” (“E eu ainda o faço”, em tradução livre), completou ela. Essa pequena história já demonstra o quão íntimo e pessoal é este trabalho para o guitarrista e é exatamente esse clima de descompromisso que as músicas passam para o ouvinte. Na lista das faixas ao longo do álbum, que traz covers de Robert Johnson, Bob Dylan, Skip James e Leroy Carr, J.J. Cale também é presença obrigatória. 

O resultando em uma sorte de gêneros diferentes de estilos e vertentes que andam de mãos dadas, desde o blues texano até o country, passando pelo blues elétrico, pelo blues tradicional do Mississipi e pelo folk. Tudo aqui soa genuíno e sincero, tanto nas palavras quanto na guitarra. Nada é “inventado” no álbum, apenas o bom e velho blues pode ser ouvido e sentido aqui. Uma das composições próprias para esse disco, a impactante Spiral, tem esse clima das antigas por sua letra ter sido totalmente improvisada no momento da gravação, assim como os grandes blueseiros do início do século XX compunham.

A balada I Will Be There, conta com a participação de um músico que Clapton creditou como “Angelo Misterioso” – alcunha que George Harrison usou quando gravou como convidado com o Cream, na música Badge, nos anos 70. Ao contrário das especulações, Eric já declarou que George Harrison não participou do álbum e não revela (e nem nunca vai revelar) quem é o novo “Angelo Misterioso”.

Blind Faith: Steve Winwood e Eric Clapton -
Live From Madison Square Garden, 2009.

Além disso, Eric participou de mais de 200 gravações e shows ao vivo com artistas que vão de Aretha Franklin a Zucchero. Sua primeira participação em uma gravação foi com Otis Spann, em maio de 1964. Sem dúvida, sua contribuição mais famosa é a participação na música "While My Guitar Gently Weeps", de George Harrison, em setembro de 1968. Mais recentemente, ele participou de "The Watcher", faixa do álbum Road To Utopia (2018) do Hawkwind. Eric também pode ser ouvido em gravações de Gary Brooker, Bob Dylan, Bob Geldof, Elton John, Carole King, Plastic Ono Band (com John Lennon e Yoko Ono), Stephen Stills, Sting, Roger Waters e muitos outros. Ele já foi convidado surpresa para shows de artistas como B.B. King, The Rolling Stones, Jimmie Vaughan, Prince, Tina Turner, Carlos Santana, Sheryl Crow, Willie Nelson, Luciano Pavarotti e Allman Brothers Band, entre outros.

Com mais de 50 anos de carreira, Eric já realizou mais de 3.000 concertos. Apresentou-se em 58 países, em seis continentes, para um público de mais de 2 bilhões de pessoas. Desde 1964, já se apresentou mais de 200 vezes no Royal Albert Hall, em Londres. Entre 1987 e 1996, manteve residências anuais no local, que atingiram o auge em 1991, com 24 noites apresentando cinco formações de banda diferentes, incluindo uma orquestra completa. Do outro lado do Atlântico, já subiu ao palco do Madison Square Garden mais de 50 vezes desde 1968.

Nos anos 2000, ele também colaborou no palco com os velhos amigos Steve Winwood e Jeff Beck em apresentações ao vivo limitadas. Ao completar 70 anos em 2015, Eric anunciou sua "aposentadoria" das longas turnês mundiais, mas enfatizou que continuaria gravando novas músicas e se apresentando em menor escala, pois seu amor por tocar não havia diminuído.

Show comemorativo de setetenta anos, 2015.

Eric comemorou seu 70º aniversário com uma série de shows no Madison Square Garden e no Royal Albert Hall. Um dos shows em Londres foi lançado em formatos de áudio e vídeo como Slowhand at 70. Em 2016, ele se apresentou em algumas datas no Nippon Budokan, em Tóquio, lançadas em DVD/Blu-ray como Planes, Trains and Eric . Em 2017, ele realizou uma série de shows em Nova York, Los Angeles e Londres. A agenda de Eric para 2018 inclui shows na Alemanha, no Hyde Park, em Londres, para um público de 65.000 pessoas, e um retorno ao Madison Square Garden em outubro.

Ao longo de sua carreira, Eric recebeu inúmeros prêmios e reconhecimentos. O primeiro foi o de "Melhor Músico Internacional" na votação pop da Melody Maker. Ele ganhou 18 prêmios Grammy e um BAFTA por seu trabalho na trilha sonora de Edge of Darkness . É o único artista a ser incluído três vezes no Hall da Fama do Rock and Roll: como membro do The Yardbirds, do Cream e como artista solo. Eric também foi incluído no Hall da Fama dos Compositores. Em setembro de 2018, Eric foi homenageado com uma das primeiras estrelas na Calçada da Fama do Royal Albert Hall. Em 1994, a Rainha Elizabeth II nomeou Eric Oficial da Ordem do Império Britânico (OBE) em sua Lista de Honras de Ano Novo por sua "contribuição à vida britânica". Em 2004, ela o homenageou ainda mais, nomeando-o Comandante da Ordem do Império Britânico (CBE).

Vida pessoal e algumas curiosidades.

Após vencer o vício em heroína no início dos anos 70, Eric o substituiu pelo alcoolismo. Durante o restante da década e até os anos 80, sua vida pessoal e profissional sofreram por causa do alcoolismo. Em janeiro de 1982, Eric ingressou no Centro de Tratamento de Dependência Química Hazelden. Ele teve uma recaída, mas entrou em reabilitação pela segunda vez alguns anos depois. Eric está sóbrio desde 1987, graças aos 12 passos dos Alcoólicos Anônimos. Por mais de trinta anos, Eric tem se dedicado a trabalhar com pessoas que sofrem de dependência química.

Em fevereiro de 1998, Eric anunciou a inauguração do Crossroads Centre, um centro de tratamento para dependentes químicos em Antígua, seguindo o modelo dos 12 passos. Um de seus princípios é oferecer tratamento subsidiado para algumas das pessoas mais pobres do Caribe, que não têm condições de arcar com os custos do tratamento por conta própria. Uma fundação foi criada para conceder bolsas de estudo a esses indivíduos. Para arrecadar fundos para a Crossroads Centre Foundation, Eric Clapton realizou uma série de festivais e leilões de guitarras. Em 24 de junho de 1999, Clapton leiloou 100 de suas guitarras, incluindo "Brownie" (a guitarra com a qual gravou "Layla"), na Christie's, em Nova York.

Em outubro de 2007, a autobiografia de Eric foi publicada. "Clapton - A Autobiografia" foi traduzida para doze idiomas e figurou nas listas de mais vendidos em todo o mundo. Um documentário impactante sobre sua vida, " Eric Clapton: Vida em 12 Bars", estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto em setembro de 2017. Está disponível em DVD e Blu-ray, juntamente com uma trilha sonora.

Eric casou-se com Melia McEnery em 1º de janeiro de 2002. O casal tem três filhas: Julie Rose (nascida em junho de 2001), Ella Mae (nascida em janeiro de 2003) e Sophie (nascida em fevereiro de 2005). Ele também tem uma filha mais velha com Yvonne Kelly. Ruth (nascida em janeiro de 1985) é casada e tem dois filhos pequenos.

O filho de Eric, Conor (nascido em agosto de 1986), morreu em 20 de março de 1991, após cair acidentalmente da janela do apartamento de sua mãe, em Nova York. A mãe de Conor é Lori del Santo.

Eric casou-se com sua primeira esposa, Pattie Boyd Harrison, em 27 de março de 1979. Eles não tiveram filhos e se divorciaram em 1989.

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segunda-feira, 25 de maio de 2026

DiScOs InCrÍvEiS: Jimmy Rogers

The Jimmy Rogers All Stars Band
' Blues Blues Blues '
- 1999 -

Jimmy Rogers, nascido em 3 de junho de 1924, em Ruleville, Mississippi, é amplamente reconhecido como um dos grandes pilares do blues. Crescendo em uma família musical, Rogers desenvolveu um profundo amor pela música desde cedo. Seu talento foi aperfeiçoado nas ruas de Chicago, onde o blues estava florescendo e se transformando em um gênero musical icônico.

Rogers começou sua carreira na cena do blues de Chicago nos anos 1940, associando-se a músicos lendários como Muddy Waters e Little Walter. Ele se tornou um membro crucial da banda de Waters, contribuindo com sua guitarra inconfundível e estilo vocal distinto. Durante esse período, Rogers participou da gravação de alguns dos trabalhos mais influentes do blues, incluindo clássicos como "Blow Wind Blow", "Forty Days and Forty Nights" e "I’m Ready".

Além de suas colaborações, Jimmy Rogers também teve uma carreira solo de sucesso. Seu álbum de estreia, "Chicago Bound" (1954), é considerado um marco na história do blues e solidificou sua posição como um dos maiores bluesmen de todos os tempos. Canções como "Walking by Myself" e "Ludella" tornaram-se clássicos instantâneos e continuam a ser celebradas no gênero até hoje.

"Blues Blues Blues", foi seu último trabalho, acabou se tornando um álbum póstumo e um tributo emocionante à sua obra. Lançado em 1999, este álbum se destaca pelas participações de músicos consagrados como: Lowell Fulson, Taj Mahal, Eric Clapton, Mick Jagger, Keith Richards, Robert Plant, Jimmy Page, Stephen Stills e Jeff Healey, que se uniram a Jimmy Rogers em releituras de algumas de suas músicas mais icônicas. 

A "cozinha" da banda é incrivelmente consistente e impecável conduzida pela lenda do piano Johnnie Johnson e os músicos Jimmy D. Lane na guitarra, Freddie Crawford no baixo, Ted Harvey na bateria, junto aos gaitistas Kim Wilson e Carey Bell. O disco alcançou a primeira posição na UK Jazz and Blues Albums Chart, comprovando o respeito e a admiração que Rogers conquistou no mundo da música.

Tracklist:

Blow Wind Blow - (Jeff Healy)
Blues All Day Long - (Eric Clapton)
Trouble No More - (Mick Jagger, Keith Richards)
Bright Lights Big City - (Taj Mahal)
Ev'ry Day I Have the Blues - (Lowell Fulson)
Sweet Home Chicago - (Stephen Stills)
Don't Start Me to Talkin' - (Mick Jagger, Keith Richards)
That's All Right - (Eric Clapton)
Ludella - (Taj Mahal)
Goin' Away Baby - (Mick Jagger, Keith Richards)
Worried Life Blues - (Stephen Stills)
Gonna Shoot You Right Down (Boom Boom) - (Jimmy Page, Robert Plant e Eric Clapton)



segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Rockabilly: Carl Perkins

Carl Perkins 
| Footage (1985) | 
| Johnny Cash, Eric Clapton, Roy Orbison e Jerry Lee Lewis |

Este é um raro vídeo raro, oficial e inédito de Carl Perkins, recém-descoberto dos arquivos de produção de 1985. Apresentando um elenco estrelar com Johnny Cash, Eric Clapton, Roy Orbison, George Harrison, Ringo Starr e Jerry Lee Lewis, cada um compartilhando histórias pessoais e reflexões ao vivo sobre o homem que ajudou a moldar o rockabilly e o rock 'n' roll moderno.


Repertório da Noite:

0:53 - Carl Perkins arrives on set, greets audience 1:47 - Boppin’ the Blues 4:40 - Johnny Cash on “the Carl Perkins sound” and early tours with Elvis 5:47 - Eric Clapton on Carl’s influence and unique “feel” 6:47 - Put Your Cat Clothes On 9:50 - Johnny Cash on the “Black Blues” guitar tone and its impact on A Boy Named Sue 10:40 - Eric Clapton on Carl’s individuality as a guitarist 11:17 - Roy Orbison compliments Carl’s playing 11:57 - Matchbox - Carl Perkins & Ringo Starr introduce Eric Clapton on guitar 15:14 - Jerry Lee Lewis on Carl’s musical talent 15:55 - Johnny Cash reveals the real story behind Blue Suede Shoes 17:03 - Blue Suede Shoes 22:16 - Clapton on songwriting, commercial success, and Carl’s influence on English rock 24:17 - Right String Baby (But the Wrong Yo-Yo) 29:10 - Eric Clapton describes Carl Perkins in one sentence.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Show: Legends - Miller, Clapton e Gadd

Legends 
(Eric Clapton, Steve Gadd, Marcus Miller) 
- Full Concert -
Live North Sea Jazz 
1997


Legends é um dos supergrupos mais talentosos musicalmente de todos os tempos. Com Eric Clapton na guitarra, Joe Sample, do The Crusaders, nos teclados, o saxofonista virtuoso David Sanborn e os super músicos de estúdio Steve Gadd na bateria e Marcus Miller no baixo, ambos com passagens pela banda de Clapton, o pedigree do grupo é extraordinário.

Date & Location: FRIDAY 11 JULY 1997 • 
STATENHAL • The Hague, The Netherlands 

Banda: 
Eric Clapton (guitar) 
Marcus Miller (bass) 
David Sanborn (sax) 
Steve Gadd (drums) 
Joe Sample (keyboards) 

Setlist: 
Full House 
Groovin' 
Ruthie 
Snakes 
Going Down Slow 
The Peeper 
In Case You Haven't Noticed 
3rd Degree 
1. 1st Song, 2. 
Tango Blues 
Put It Where You Want It 
Shreeveport Stomp 
Sentimental Mood 
Layla



domingo, 27 de julho de 2025

DiScOs InCrÍvEiS: Eric Clapton

Eric Clapton

Nothing But the Blues 
Live at the Filmore 
San Francisco, CA 
8 e 9 Novembro de 1994

Em novembro do mesmo ano, a subsequente turnê "Nothing But the Blues", levou Eric Clapton ao lendário Fillmore, em São Francisco. Após muitos anos arquivado, finalmente o show dessa noite veio a luz.

As noites foram filmadas sob a direção de Martin Scorsese e transmitidas na televisão apenas uma vez em 1995, o que lhe rendeu uma indicação ao Grammy.

Eric Patrick Clapton (Surrey, 30 de março de 1945) é um guitarrista, cantor e compositor de rock e blues britânico. É considerado um dos guitarristas mais influentes e bem-sucedidos da história do rock. Clapton ficou em segundo lugar na lista de " 100 maiores guitarristas de todos os tempos" da revista Rolling Stones e em quarto lugar no "Top 50 guitarristas de todos os tempos" da Gibson. Também foi nomeado o número cinco na lista da revista Time dos "10 melhores guitarristas elétricos" em 2009.

Depois de tocar em várias bandas locais diferentes, Clapton se juntou aos The Yardbirds em 1963, substituindo o guitarrista fundador Top Topham. Insatisfeito com a mudança do som dos Yardbirds de blues/rock para um som mais de rádio, Clapton saiu em 1965 para tocar com John Mayall & The Bluesbreakers. Ao deixar Mayall em 1966, após um álbum, ele formou o power trio Cream, com o baterista Ginger Baker e o baixista e vocalista Jack Bruce, no qual Clapton tocou improvisações de blues sustentadas e "pop psicodélico artístico baseado no blues". Depois que o Cream se separou em novembro de 1968, formou a banda Blind Faith com Ginger Baker, Steve Winwood e Ric Grech, gravando um álbum e se apresentando em uma turnê antes de se separarem. Clapton embarcou em uma carreira solo em 1970.

Ao lado de sua carreira solo, ele também se apresentou com Delaney & Bonnie e Derek and the Dominos, com quem gravou o álbum conhecido por "Layla" (1971), uma de suas canções de assinatura. Continuou a gravar vários álbuns solo e canções de sucesso nas décadas seguintes, incluindo a canção reggae "I Shot the Sheriff" (1974), de Bob Marley, o country infundido álbum Slowhand (1977) e August (1986). 

Após a morte de seu filho Conor em 1991, a dor de Clapton foi expressa na música "Tears In Heaven", que apareceu em seu álbum acústico Unplugged (1992) e, em 1996, lançou o hit "Change the World". Em 1998, ele lançou o premiado Grammy "My Fathers Eyes" (1998). Desde 1999, gravou uma série de álbuns tradicionais de blues e blues rock e apresentou o periódico Crossroads Guitar Festival. 

Clapton & Winwood - 2009.
Clapton recebeu 18 prêmios Grammy, bem como o Brit Awards por excelente contribuição para a música. Em 2004, ele foi premiado com um CBE por serviços prestados à música. Recebeu quatro Prêmios Ivor Novello da Academia Britânica de Compositores, Compositores e Autores, incluindo o Lifetime Achievement Award. É o único indicado três vezes ao Rock and Roll Hall of Fame: uma vez como artista solo e separadamente como membro dos Yardbirds e do Cream. Em sua carreira solo, Clapton já vendeu mais de 280 milhões de discos em todo o mundo, tornando-o um dos músicos recordistas de todos os tempos. Em 1998, Clapton fundou o Crossroads Center em Antígua, um centro médico para aqueles que se recuperam do abuso de substâncias. Seu álbum de estúdio mais recente é Meanwhile (2024).

Nothing But the Blues 
Live at the Filmore - 1994

O bootleg da mesa de som dessas noites circulava entre os fãs de Clapton há anos, e o pedido por um lançamento oficial era um tópico frequente de conversa. Agora, quase 26 anos depois, o documentário finalmente está sendo lançado, e o bootleg da mesa de som dessas noites pode ser guardado com segurança.


O lançamento correspondeu às expectativas.

O amor de Eric pelo blues e pelos antigos heróis do blues corre em suas veias, e seu entusiasmo explode nos alto-falantes e na tela. Clapton toca slide, toca outras guitarras além da Strat e se sente completamente em casa. Comparado aos últimos anos, você poderia até chamá-lo de falante.

De Blues All Day Long em diante, é simplesmente um prazer curtir uma banda excelente, que entende perfeitamente que precisa deixar Eric ir quando a inspiração o leva a um solo mais longo do que eles poderiam ter imaginado inicialmente.

Durante os ensaios para a turnê, Clapton comentou com seus companheiros de banda após um solo brilhante: "Se é tão bom assim, não desvalorizem, continuem olhando para mim". Uma mensagem que claramente não caiu em ouvidos moucos, já que os solos passam voando e a adição dos Kickhorns ocasionalmente faz as coisas balançarem descontroladamente.

Esperemos que o lançamento dessas excelentes gravações marque o início de mais preciosidades ao vivo dos arquivos... no entanto, há um ditado que diz que crianças que pedem são ignoradas. Então, silenciosamente, torcemos por mais dessas delícias, e talvez... Algum dia, depois de um tempo.

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Ficha Técnica

Estilo Referência: Blues

Músicos:
Eric Clapton: Guitarra e Voz
Andy Fairweather Low: Guitarra
Dave Bronze: Baixo
Chris Stainton: Piano
Jerry Portnoy: Harmonica
Andy Newmark: Bateria
The Kick Horns: Seção de metais

Faixas:
01. Blues All Day Long
02. Standin’ Round Crying
03. Forty-Four
04. It Hurts Me Too
05. Early In The Morning
06. Five Long Years
07. Crossroads
08. Malted Milk Blues
09. Motherless Child
10. How Long Blues
11. Reconsider Baby
12. Sinner’s Prayer
13. Every Day I Have The Blues
14. Crosscut Saw
15. Someday After A While
16. Have You Ever Loved A Woman
17. I’m Tore Down
18. Groaning The Blues
19. T’ Ain’t Nobody’s Bizness
20. Driftin (Bonus Track)

Lançamento 2022 – Reprise Records
Produção – Martin Scorsese
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