A biografia de um Rebelde
No início dos anos cinquenta, a televisão era símbolo da nova indústria da mídia e do entretenimento. Progressivamente, a padronização dos rádios nos carros possibilitou a difusão cada vez maior das mísicas populares. E de certa forma, esses meios fizeram a cama para a divulgação do chamado "Rock'n' Roll". Em 1955, no filme Sementes da Violência, uma única cena resumiria perfeitamente a ruptura entre gerações. Um professor tenta criar laços com seus alunos fazendo-lhes ouvir músicas de sua coleção de discos. Incapazes de se reconhecerem nessa preferência, eles se irritam e atiram os discos por toda a sala de aula ao som de "Rock Around the Clock", de Bill Haley & His Comets. O rock 'n' roll foi instantaneamente associado à rebelião adolescente.
Nesse contexto, um jovem rapaz rebelde e polêmico vindo de St. Louis, trazia uma mistura de ritmos e performances transgressoras para a época. Chuck Berry era de uma personalidade muito forte. Não se intimidava com as críticas e ameaças que recebia de muitos conservadores apavorados por sua postura desafiadora. A música "Rocket 88" de 1951, escrita por Ike Turner, foi o primeiro grande sucesso do ainda, desconhecido: rock 'n' roll.
Sister Rosetta Tharpe, Charles Christian e T-Bone Walker já haviam transformado a guitarra e suas performances em exibicionismos instrumentais, mas foi Chuck Berry que condensou tudo isso. Em sua bagagem trazia o "Pan American Blues", uma canção de trem orquestrada à maneira do country que anunciava a fusão gradual da música negra com a branca, o martelado de piano de Fats Domino em "The Fat Man"e a sensualidade de Elvis Presley em "Hound Dog". Sua chegada na gravadora Chess Records foi um divisor de águas, Leonard Chess, dono da gravadora, não entendia como um Bluesman cantava uma canção de country branco com um sotaque negro pronunciado num ritmo tão rápido. Era a criação dos então conhecidos, "Riffs" de guitarra do rock 'n' roll.
Seu último álbum foi lançado em 2017 percorrendo todos os ritmos e acordes da sua carreira. Muitas faixas têm as participações dos filhos, Charles Berry Jr. na guitarra, Ingrid Berry nos vocais e gaita e Charles Berry III na guitarra. A faixa "Wonderful Woman" é uma linda homenagem a sua companheira de toda vida, Themetta Berry.
Depois de Chuck Berry, a forma de tocar guitarra nunca foi a mesma !!
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