Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
Mostrando postagens com marcador blues west coast. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador blues west coast. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Histórias do Blues: West Coast Blues

Charles Brown–
Blues Profundo
( A história do West Coast Blues )

Charles Brown
(Texas 1922 – Califórnia 
1999)

Brown foi um dos grandes inovadores do blues urbano do pós-guerra e um dos criadores do blues da costa oeste. Com uma voz sensual e elegante, entre 1945 e 1954 esteve permanentemente nas paradas e, de certa forma, foi o porta-voz da comunidade negra que queria prosperar e se afirmar socialmente.

Como cantor de baladas de blues, saiu de moda no final dos anos 50 e tornou-se pianista de pequenos clubes elegantes. Seu estilo não atraía mais o novo público internacional de White Blues. Ele decidiu se aposentar em uma casa de repouso, até que o guitarrista Dany Caron veio procurá-lo. Juntos gravaram excelentes discos, um deles: All My Life.
Big Mama se aventurando na bateria.

Big Mama Thornton
(Alabama 1926 – Califórnia 1984)

Grande cantora e uma das poucas mulheres do blues nas décadas de 50 e 60. Estreou ainda criança, em corais religiosos. Gravou entre 1951 e 1954 muitos temas brilhantes com a orquestra de Johnny Otis. Destaque para o sucesso de 1952 Hound Dog, posteriormente popularizado por Elvis Presley. A partir de 1957 ela caiu em desgraça e sobreviveu tocando em pequenos clubes da costa oeste.

O renascimento do blues dos anos 1960 com um público branco entusiasmado, a trouxe de volta aos palcos e ela participou do American Folk Blues Festival em 1965. Gravou com Muddy Waters, James Cotton, Luther Allison e Lightinin' Hopkins.

Quando Big Mama estava viajanda pala Europa, Janis Joplin toca Ball and Chain num show em sua homenagem. Ela retorna aos EUA e volta a gravar e fazer shows, conquista o sucesso novamente, porém o abuso de álcool e drogas cobra seu preço.

O BLUES MODERNO DA CALIFÓRNIA

Ao longo dos anos, o blues californiano continuou a ser alimentado por músicos do Texas, por grupos de rock com muitas influências do blues como Creedence Clearwater Revival, Canned Heat ou Hot Tuna durante os anos 60, e por músicos já conhecidos em outros estados que se estabeleceram na costa oeste, como George 'Harmonica' Smith, John Lee Hooker ou Charlie Musselwhite.

Artistas de destaque: George Smith, Charlie Musselwhite, Rod Piazza, William Clarke, James Harman, Mark Hummel, Gary Primich, Rick Estrin, Curtis Salgado, Mark Dufresne e Gary Smith.

George Smith

George Smith
(West Helena 1924 - Los Angeles 1983)

George Smith, especialista em gaita cromática superamplificada, que havia trabalhado em Kansas City tocando jazz, e depois em Chicago com Muddy Waters, chegou a Los Angeles em 1970. Impressionante com seu virtuosismo, criou uma escola entre jovens músicos brancos que começavam jogar naquele momento. 

Muitos ainda seguem seu estilo de salto de gaita, desenvolvendo a técnica da terceira posição.



Charlie Musselwhite



CHARLIE MUSSELWHITE

(Mississippi - 1944)

De cor branca, foi um dos melhores bluesmen na gaita. Ele teve problemas no início dos anos 80 devido a problemas com álcool e um grave acidente de carro, mas se recuperou. Continua aperfeiçoando seu estilo de tocar gaita elegante, refinado e conciso. Ele gravou álbuns de muito boa qualidade. Transmite o sentimento dos grandes músicos que conheceu.

Em Memphis conheceu Big Walter Horton e graças a ele se apresentou com Robert Nighthawk e Jhonny Young nos clubes do South Side de Chicago. Lá ele conheceu Little Walter, Rice Miller e, acima de tudo, Muddy Waters, que era seu apadrinhador. 

Ele fez amizade com outros jovens brancos que frequentavam o gueto para aprender o verdadeiro blues, entre eles: Mike Bloomfield e Paul Butterfield. Na Califórnia, ele se liberta da influência dos dois Walters, Little e Big Horton, continua a aperfeiçoar a técnica e até cria uma escola de gaita que acabará por treinar a maioria dos novos gaitistas da Costa Oeste.

Charlie Musselwhite e George Smith, ambos chegados de Chicago em 1970, foram os pilares desta escola de gaita da Costa Oeste.

WEST COAST BLUES: OS ÚLTIMOS ANOS.

Em outras áreas o blues californiano das últimas décadas produziu grandes artistas, criadores de sonoridades com o calibre de Robert Cray e Joe Louis Walker, mas não havia um estilo tão autêntico da Costa Oeste como o de Albert Collins.

Artistas de destaque: Albert Collins, Omar Shariff, Johnny Heartsman, Hollywood Fats, Frankie Lee, JJ Malone, Guitar Shorty, Hi Tide Harris, Sonny Rhodes, Smokey Wilson, Robert Cray, Joe Louis Walker, Little Charlie Baty, Craig Horton, Sherman Robertson, Ron Thompson, Theodis Ealey, Finis Tasby, Steve Samuels, Isaac Scott, Freddie Robinson, Tommy Castro, Dough McLeod, Coco Montoya, Kenny Blue Ray, Ike Cosse, Brenda Boykin, Elmer Lee Thomas, Rick Holmstrong, Debbie Davies, Jimmy Morello, South Side Slim, Rusty Zinn e Kirk Eli Fletcher.

T-BONE WALKER

T-Bone Walker
(Texas 1910 – Califórnia 1975)

Um dos grandes criadores do blues californiano, do rhythm & blues e um dos grandes inovadores no jeito de tocar guitarra no blues. Quando jovem ele foi assistente do grande bluesman do Texas, Blind Lemon Jefferson. Mais tarde, ele descobriria o mundo do jazz e a partir de 1934 começou a tocar em orquestras de swing em Los Angeles. Ele foi um dos primeiros a usar a guitarra elétrica.

A partir de 1942 ele grava com os novos selos californianos Capitol e Black & White e se tornará uma das estrelas do novo blues urbano da costa oeste. Andamentos lentos, temas sentimentais e atmosfera etérea. Voz velada e cálida com violão claro e fluído, e modais diferenciados, foi influência principal para os futuros guitarristas performáticos. Na década de 1950 gravou uma longa lista de faixas magistrais. 

Nos anos 60 foram mais difíceis. O renascimento do blues americano não estava procurando por músicos de jazz de aparência impecável como ele. John Lee Hooker então o levou para uma turnê pela Europa, e foi um sucesso, graças ao seu extraordinário som de guitarra e sua  performance de palco impactantes. De volta adaptou-se ao som mais funkeado do final dos anos 60 e manteve gravações de discos e apresentações pelo país. Fatalmente, devido ao abuso de álcool, faleceu na califórnia em meados de 1975. 

DE LOUISIANA (OKLAHOMA E TEXAS) PARA LOS ANGELES

O blues texano já foi fortemente influenciado pelas bandas de New Orleans, de western swing ou as de Kansas City; seu encontro com o sol e a doçura da vida californiana o levará a um blues descontraído, urbano e jazzístico que reflete as miragens da costa do Pacífico, os bares de Hollywood, os de Oakland e os subúrbios negros de San Francisco.

Do Delta a Chicago, de Baton Rouge a Hollywood, o blues do pós-guerra constitui um caleidoscópio vivo e colorido de uma riqueza impressionante. Praticamente todas as correntes musicais futuras iriam brotar em seus galhos a ponto da árvore do Blues quase desabar.

O blues da costa oeste é, antes de tudo, a imagem do triunfo dos negros na Califórnia.

T-Bone Walker, Amos Milburn, Charles Brown e muitos outros músicos e cantores alcançaram enorme sucesso entre os negros em toda a América. Este blues-jazz, que dá uma certa "classe" aos seus ouvintes, é menos étnico e bruto que o blues do Delta de Chicago, por isso foi ignorado por muito tempo pelos fãs brancos americanos e europeus. Mas os negros do pós-guerra, aspiravam se ver refletidos nos músicos profissionais dessa época. Impecáveis ​​e de aparência brilhante que, com seus cabelos empoderados, anéis nos dedos e ternos de ouro, personificavam a própria imagem de sucesso.

 







O West Coast Blues estava centrado no estado da Califórnia, nas áreas de Los Angeles e da baía de São Francisco. A atmosfera dos clubes de jazz e blues esquentou na década de 1940 graças à migração oriental - dos estados de Louisiana, Oklahoma e Texas - alimentada pela necessidade de mão de obra na indústria de defesa americana durante a Segunda Guerra Mundial.

A maioria dos músicos de blues mais populares estabelecidos na Califórnia eram originalmente do Texas. O musicólogo francês Gérard Herzhaft e sua enciclopédia de blues estão por trás das histórias dos músicos das páginas anteriores.