Fleetwood Mac
' A história de Peter Green, o guitarrista sutilmente brilhante que criou o Fleetwood Mac. '
' O elo perdido entre a adesão britânica ao blues tradicional e a evolução que este viria a sofrer para o hard rock. '
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A personalidade da banda através do seu primeiro álbum.
O Fleetwood Mac de Peter Green é algo diferente: é o elo perdido entre a adesão britânica ao blues tradicional e a evolução que este viria a sofrer para o hard rock. O Fleetwood Mac evitou completamente as incursões psicodélicas de seus contemporâneos, optando por gravar seu álbum de estreia como um documento minimalista, quase ao vivo, de pura química musical.
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| Álbum de estréia, 1968. |
De fato o DNA de bandas como o Led Zeppelin e Ten Years After, por exemplo, estão por toda parte no Fleetwood Mac de Peter Green, tanto que o hard rock provavelmente teria soado muito diferente se o Fleetwood Mac nunca tivesse entrado em estúdio nos últimos meses de 1967.
Não podemos esquecer que a Londres dos anos sessenta estava no auge criativo quando o Fleetwood Mac gravou seu álbum de estreia. A "Pop Art", as drogas psicodélicas e os novos avanços tecnológicos de estúdio estavam disponíveis para quem quisesse. O Fleetwood Mac virou completamente as costas para a atitude hippie, brilhante e colorida, que dominava a cena musical inglesa.
Para o Fleetwood Mac que aparece em "Peter Green's Fleetwood Mac", o álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" dos Beatles nunca existiu. Isso logo se tornaria irônico, considerando o colapso mental de Peter Green sob efeito de LSD e a viagem de Jeremy Spencer movida a mescalina que o levou ao culto religioso agora conhecido como "A Família Internacional". Mas nada disso está presente no álbum de estréia.
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| John McVie e Mick Fleetwood. |
Em vez disso, são doze clássicos de Blues que exibem a voz inimitável de Peter Green (tanto na guitarra quanto no microfone), a incrível habilidade de Jeremy Spencer no slide guitar (e sua maestria no piano) e a batida sólida e poderosa dos integrantes que dão nome à banda, John McVie e Mick Fleetwood.
Começando com uma versão vibrante de "My Heart Beat Like a Hammer", de Spencer, o álbum segue com 30 minutos do melhor blues britânico que você certamente pode ouvir.
Subvertendo os temas usuais de "mulher que me fez mal", Spencer e Green mostram sua sinceridade em suas primeiras canções. Em "My Heart Beat Like a Hammer", Spencer se desculpa, reconhecendo seus próprios problemas que o afastaram de sua amada. Green entra em cena com "Merry Go Round", uma ode encantadora à fidelidade e ao amor verdadeiro – embora também apresente uma crítica às "mulheres más". A voz de Green em "Merry Go Round" é tão suave e cativante que é possível ouvir legiões de jovens fãs se apaixonando por ele ali mesmo, nos sulcos do vinil.
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| Jeremy Spencer, discípulo direto de Elmore James. |
Além de suas habilidades como cantores e compositores, Green e Spencer também possuem uma interação incomparável entre as guitarras. O estilo de Green é suave e fluido, nunca complicando demais seus solos ou ultrapassando os limites necessários para cada música. Spencer é mais incisivo e afiado, com seus slides infundindo seus arranjos com uma dose extra na pegada e dissonância.
Quase como uma forma de sinalizar seu próximo passo, o Fleetwood Mac também apresentou um rock and roll matador em Peter Green's Fleetwood Mac. "Long Grey Mare" apresenta um ritmo boogie que poderia ter saído diretamente de Chuck Berry, enquanto "Shake Your Moneymaker" é mais turbinada do que Elmore James jamais poderia ter imaginado para sua versão original. Entre essas faixas, está a interpretação assombrosa de Spencer para "Hellhound on My Trail", de Robert Johnson, que ele conduz na voz e piano.
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| Christine Perfect. |
Nos primeiros álbuns era difícil ouvir alguma faixa que não fosse Christine Perfect tocando teclado e piano nas gravações da banda. Ela era integrante de outra excelente banda do blues britânico chamada: "Chicken Shack", e casou-se com o baixista John McVie, se tornando Christine McVie. Com certeza se Jeremy Spencer tivesse permanecido tocando, ele teria sido um excelente pianista de blues para o grupo, porém, talvez nunca tivessem alcançado o mesmo sucesso que alcançaram com o talento e elegância de Christine McVie.
Cada música ganha sua própria sonoridade única, apesar da maior parte do material ser composta por blues simples de doze compassos. "Looking For Somebody" mostra Fleetwood descobrindo seu amor pela bateria tom-tom em tempo real, enquanto "No Place to Go" permite que Green reinterprete o icônico rosnado de Howlin' Wolf. "My Baby's Good to Me" dá destaque a Spencer e seus solos angulares de slide, enquanto "Cold Black Night" apresenta os quatro músicos mantendo-se firmes no ritmo, sem nunca se apressarem para a conclusão lenta e envolvente."I Loved Another Woman" é quase um samba em tom menor que serve como precursora direta da lendária "Black Magic Woman" de Green, lançada como single apenas um mês depois do lançamento do álbum.
Pode ser fácil confundir "The World Keep on Turning" com a música de título semelhante "World Turning", da era Lindsay Buckingham/Stevie Nicks do futuro Fleetwood Mac, mas depois de ouvir o blues acústico cru de Green, você nunca mais confundirá as duas.
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| Com Danny Kirwan, três guitarristas. 1969. |
O álbum encerra com outro clássico de James, "Got to Move", onde a descontração do estúdio transparece de forma clara e evidente, com Spencer entregando-se completamente aos vocais enquanto o resto da banda acompanha com uma alegria contagiante. A versão do Fleetwood Mac produzida por Peter Green, atualmente disponível nos serviços de streaming, inclui bastante conversa e brincadeiras de estúdio, mas, em vez de soar como gravações brutas, esses elementos adicionam um charme despojado ao material da banda. É possível sentir claramente a descontração e a diversão que permeavam a experiência inicial do Fleetwood Mac.
É notável a rapidez com que as coisas desandaram para a formação original da banda. O guitarrista Danny Kirwan foi contratado logo após a gravação do segundo álbum, Mr. Wonderful. Kirwan ajudou a adicionar uma nova dimensão ao Fleetwood Mac, além do blues, compondo, em parceria com Peter Green, o dueto atmosférico "Albatross", que rendeu à banda um single número um no Reino Unido.
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| Último single de Peter Green com a banda, 1970. |
Mas, em 1970, o comportamento cada vez mais errático levou Peter Green a deixar o Fleetwood Mac. Danny Kirwan e Jeremy Spencer tentaram salvar a banda como novos vocalistas, mas Spencer também saiu em 1971.
Christine McVie entra para a banda definitivamente. Ela logo foi contratada como tecladista, cantora e compositora, mas a constante troca de vocalistas e guitarristas tornou o início da década de 1970 um período confuso musicalmente para o Fleetwood Mac.
O álbum de estréia continua sendo um marco para todo o blues rock, servindo como prova de porque Peter Green ainda é considerado uma das referências entre os guitarristas originais do blues britânico. Se você pudesse ouvir apenas um álbum para entender por que o blues era tão fascinante para os jovens britânicos na década de 1960, "Peter Green's Fleetwood Mac" é a melhor representação possível desse fenômeno.
... um pouco sobre Peter Green.
"Obviamente, as cicatrizes ainda estavam lá, disse Sandra Elsdon-Vigon, para ele, o blues é o blues judaico".
O Fleetwood Mac alcançou enorme sucesso na Grã-Bretanha e chegou ao topo das paradas com a melancólica e avançada música instrumental de Peter Green, "Albatross". Os dois primeiros álbuns da banda, lançados no mercado estadunidense como: Fleetwood Mac e English Rose, estão entre os melhores álbuns de blues britânicos de todos os tempos.
Você acha que Hugh Hefner captou a piadinha maliciosa quando a banda tocou "Rattlesnake Shake" em seu programa de televisão, Playboy After Hours?
O Fleetwood Mac possui uma das histórias mais intrigantes da história da música. Com muitas formações, essa mais famosa envolve relações de amor e ódio, brigas, uso de drogas e discos consagrados, como Fleetwood Mac (1975), Tusk (1979) e o recordista Rumours (1977). Essas tensões trouxeram desconfianças, traições e separações entre os casais da banda (Lindsey Buckingham-Stevie Nicks e John Mcvie-Christine McVie) causando a expulsão do guitarrista/vocalista Buckingham. Mas no final tudo ficou em paz e resolvido à partir dos anos dois mil.
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| A famosa Gibson Les Paul, Greeny. |
Quando Green deixou a banda de John Mayall em 1967, seu plano original era se mudar para Chicago e tocar em uma banda de blues. Em vez disso, ele permaneceu em Londres e formou uma banda de blues de Chicago com a sólida seção rítmica de Mick Fleetwood na bateria, John McVie no baixo e Jeremy Spencer guitarra-voz-piano.
Batizar sua nova banda com o nome da seção rítmica não foi um ato de modéstia, mas para evitar o que considerava o virtuosismo autoindulgente do power trio de Eric Clapton, o Cream. Green e Spencer representavam dois lados do Fleetwood Mac: Green, ferozmente disciplinado, e Spencer, definido por seus cabelos cacheados e sua guitarra slide estridente, no estilo de Elmore James. Aqui está o Fleetwood Mac na televisão francesa, com Green cantando uma música de Otis Rush, "Homework".
O Fleetwood Mac alcançou enorme sucesso na Grã-Bretanha e chegou ao topo das paradas com a melancólica e avançada música instrumental de Peter Green, "Albatross". Os dois primeiros álbuns da banda, lançados no mercado estadunidense como: Fleetwood Mac e English Rose, estão entre os melhores álbuns de blues britânicos de todos os tempos.
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| Single gravado por Santana. |
A música mais conhecida do início da carreira do Fleetwood Mac é "Black Magic Woman", famosa na versão de Santana, e é fácil perceber a influência que o estilo descontraído de Peter Green teve sobre Carlos Santana. No terceiro álbum da banda, Then Play On, músicas com uma pegada mais rock começaram a aparecer no repertório. Uma das melhores foi a percussiva jam de guitarra "Oh Well", uma música dividida em duas partes, sendo a segunda composta de um solo intenso e complexo, quase um rock progressivo.
Você acha que Hugh Hefner captou a piadinha maliciosa quando a banda tocou "Rattlesnake Shake" em seu programa de televisão, Playboy After Hours?
A formação original do Fleetwood Mac implodiria em 1970. Peter Green sentia-se culpado pelo sucesso financeiro que a música lhe proporcionava e ficou inquieto quando seus companheiros de banda rejeitaram a ideia de doar a maior parte do dinheiro para a caridade. Finalmente, após uma experiência particularmente ruim com LSD em Munique, na Alemanha, Green anunciou que deixaria o grupo. O estado mental de Green deteriorou-se durante a década de 1970 e ele acabou internado em uma instituição psiquiátrica, onde foi submetido a eletrochoque.
Em meados da década de noventa, músicos e amigos ajudaram Peter Green a retomar sua carreira artística, e ele voltou formando uma banda que batizou de "Peter Green & Splinter Group". E, apesar de algumas limitações e dificuldades físicas, seu talento e sensibilidade para o Blues nunca morreram. Mas isso fica para outra história...
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| A famosa e conturbada formação da banda. |
A Era Pop de maior visibilidade e sucesso da banda.
Enquanto isso, o Fleetwood Mac se transformou numa das bandas de maior sucesso Pop durante a década de setenta. A famosa formação contava com Lindsey Buckingham, Stevie Nicks e Christine McVie, além dos fundadores da banda John McVie e Mick Fleetwood. Eles lançaram vários álbuns de sucesso se tornando uma das maiores bandas do mundo com o disco "Rumours", de 1977.
O Fleetwood Mac possui uma das histórias mais intrigantes da história da música. Com muitas formações, essa mais famosa envolve relações de amor e ódio, brigas, uso de drogas e discos consagrados, como Fleetwood Mac (1975), Tusk (1979) e o recordista Rumours (1977). Essas tensões trouxeram desconfianças, traições e separações entre os casais da banda (Lindsey Buckingham-Stevie Nicks e John Mcvie-Christine McVie) causando a expulsão do guitarrista/vocalista Buckingham. Mas no final tudo ficou em paz e resolvido à partir dos anos dois mil.
Com certeza o Fleetwood Mac, desde seu início, possui uma das histórias mais intrigantes, dramáticas e cinematográficas da história da música.
" Long live Rock'n Roll "










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