Black Pantera
' Orgulho e Resistência! '
O trio de Minas Gerais construiu seu reconhecimento nacional e internacional ao unir thrash, hardcore e groove metal a letras contundentes sobre questões sociais e raciais, transformando seus shows em experiências intensas, políticas e explosivas.
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Trajetória da banda:
O power trio formado por Rodrigo "Pancho" Augusto (bateria) e pelos irmãos Charles Gama (guitarra e vocal) e Chaene da Gama (baixo e vocal) superaram várias bandas e artistas vencendo o Prêmio BTG da Música Brasileira na categoria "Artista de Rock".
Sobre o nome da banda veio em homenagem à Martin Luther King, que repetiu diversas vezes em seu discurso histórico a frase: "Eu tenho um sonho", na Marcha sobre Washington, protesto que exigiu direitos iguais para pessoa negras e brancas nos Estados Unidos. Décadas depois, a frase também fez parte da história do Black Pantera.
O trio, que escolheu usar o nome do grupo político que tinha os mesmos objetivos que Luther King, mas com a possibilidade de autodefesa armada, nasceu de um sonho cultivado por anos no coração do guitarrista.
"Eu já tinha esse sonho na cabeça, realmente era um sonho ter uma banda preta de representatividade ativa para caramba", conta Charles.A questão racial nunca passou despercebida para o músico: seus pais conversavam sobre o tema em casa e, a partir disso, desde cedo o jovem aprendeu a perceber o racismo estrutural (em piadas e em documentários sobre violência contra negros estadunienses) e a reagir quando ele cruzava o seu caminho. "Troquei soco com moleque na escola por conta disso, porque eu realmente não aceitava", lembra.
Crescendo com essa consciência e com gosto pelo rock, Charles curtiu as bandas que fizeram sucesso nos anos 2000, como System Of A Down, Linkin Park e Evanescence, em meio a um incômodo de não se ver representado num cenário musical predominantemente branco:"Eu caçava super-heróis pretos, artistas pretos, mas dentro do rock, que era aquilo que eu amava tanto, era difícil (...) Foi difícil estar na roda da galera, ou nas bandas tocando, era difícil demais ser uma pessoa preta ali, querendo se ver, ver iguais a você fazendo isso e não tinha. Então, quando eu comecei a banda, foi por um desejo que já estava em mim desde muito jovem".
Aos poucos, o jovem foi conhecendo outras figuras do rock e ficou fascinado quando descobriu Jimi Hendrix e Lenny Kravitz: dois homens negros que ostentavam seus cabelos crespos e guitarras potentes nas mãos.
Depois de muitos anos cantando em uma banda cover de heavy metal, o músico passou um ano estudando guitarra e trabalhando nas próprias composições para transformar o sonho, que já considerava Rodrigo e Chaene como futuros parceiros, em realidade. Apesar de não comprarem a ideia de imediato, a dupla foi conquistada depois de ouvir as primeiras gravações de Charles.
De Uberaba (BR) para o mundo.
Black Pantera fez sua estreia nos palcos internacionais antes mesmo de tocar em qualquer capital brasileira. Em 2016, depois de dois anos tocando pelo interior de Minas Gerais, os músicos foram convidados para tocar na edição francesa do festival Afropunk depois de conhecer os organizadores do evento pelas redes sociais.Além de superar as dificuldades financeiras típicas de todo artista iniciante que não conta com patrocínio, a banda também ultrapassou a barreira do idioma. As letras em português não foram um empecilho para que os mineiros conquistassem os palcos da França, por onde passaram outras vezes antes de receberem convites para grandes shows em sua terra natal.
"A gente voltou para o Brasil, fomos para Europa mais uma vez e aí a coisa começou a caminhar para cá, porque, na verdade, quando a gente foi para Europa, a gente nem São Paulo tinha trocado ainda. A gente não tem feito nenhuma capital no Brasil, a gente toca só em Uberaba e algumas pequenas cidades da região aqui", conta Charles.No estúdio.
Depois do ponta pé inicial com o lançamento do "Project Black Pantera" (2015), um álbum que apresenta uma sonoridade agressiva que mistura elementos de Crossover Thrash, Hardcore Punk e Metal. Com 12 faixas, o trabalho aborda temas sociais críticos, como racismo, política e desigualdade.
Depois veio o álbum "Agressão" (2018), o disco consolidou a sonoridade da banda, que mistura elementos de hardcore, metal, punk e thrash.
O terceiro álbum de estúdio da banda mineira, lançado em 11 de março de 2022, último com a gravadora Deckdisc, é considerado um divisor de águas na carreira do trio, consolidando-os como um dos principais nomes do cenário pesado brasileiro contemporâneo.
PERPÉTUO é o quarto álbum de estúdio da banda, lançado em 24 de maio de 2024 pela gravadora Deck. O disco marca uma fase de exploração da sonoridade afro-latina, unindo o tradicional crossover thrash e hardcore do trio com influências musicais descobertas após uma viagem ao Chile.
Destaques do Álbum: Temática Ancestral: O título e as composições resgatam a ancestralidade e celebram a cultura preta e a resistência, mantendo o ativismo lírico característico do grupo. A faixa-título "PERPÉTUO" ganhou um videoclipe dirigido por Carol Borges, lançado em agosto de 2024. Outro single de destaque é "Provérbios", que apresenta refrão em espanhol.
Festivais.
Em 2022, A partir do disco "Ascensão" (2022), que marcou o início de uma nova fase para banda, a banda se consolida no Brasil e mais participações em shows no exterior, o trio fez sua estreia no Rock in Rio e, nos anos seguintes, passou por todos os grandes festivais do país.
Depois de tocar Lollapalooza 2023, Black Pantera celebrou seus 10 anos de história cantando a premiada "Tradução" ao lado de Dona Guiomar, mãe de Charles e Chaene, no palco do Rock In Rio 2024. Uma turnê que passou por 20 cidades brasileiras e shows nos Estados Unidos e México.
O trio gravou o primeiro audiovisual na véspera do Dia Consciência Negra, no Rio de Janeiro. Na estréia no festival The Town, a banda trouxe novidades em seu show carregado de energia num dia perfeito para os fãs de rock.
Dona Guiomar deve ser uma mãe muito orgulhosa com o sucesso dos filhos Charles e Chaene Gama.
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