BLACK PANTERA
'Continental - 2026'
A banda Black Pantera lança "Continental", seu novo álbum que explora a identidade brasileira através de uma fusão de rock, rap, soul e ritmos regionais. O disco conta com participações especiais e aborda temas como geopolítica e ancestralidade.
Formado por Chaene da Gama (baixo e vocal), Charles Gama (vocal e guitarra) e Rodrigo “Pancho” (bateria), o Black Pantera consolida em ‘Continental’ a fase mais madura e expansiva de sua trajetória. O trabalho amplia a estética pesada apresentada em ‘Ascensão’ (2022) e ‘Perpétuo’ (2024), costurando influências de rap, soul, funk oitentista e ritmos regionais ao hardcore e metal.
O conceito do disco é guiado por uma reflexão geopolítica sobre o Brasil e pela ancestralidade, trazendo depoimentos gravados do geógrafo e pensador Milton Santos (1926-2001).
O conceito do disco é guiado por uma reflexão geopolítica sobre o Brasil e pela ancestralidade, trazendo depoimentos gravados do geógrafo e pensador Milton Santos (1926-2001).
Para dar forma a esse mosaico de som e discurso, o trio de Uberaba reuniu um time de participações que conecta diferentes eras e regiões da cultura brasileira e internacional. A diversidade também está nas participações.
Sandra Sá, aparece em ''Quando Canto'', música atravessada pela ancestralidade e pela ideia de cura através da voz.
Duquesa, participa de ''Serotonina'', aproximando o Black Pantera de uma das principais vozes do rap contemporâneo.
Derrick Green, vocalista do Sepultura, surge em ''Obsoleto'', reforçando a conexão do trio com o metal e com uma referência que atravessa sua formação.
Chico César, faz uma participação em ''Banzo'', uma faixa de arrepiar que revela as angústias numa discussão sobre meritocracia.
''É um álbum que fala desses vários gêneros, de vários Brasis'', comenta o baixista e vocalista Chaene da Gama. Ele também destaca a importância da parceria com as cantoras Sandra Sá e Duquesa: ''É especial que as duas convidadas representem gerações distintas, porém complementares, da música brasileira."
Segundo o artista, a presença de Sandra Sá é especialmente simbólica. A banda cresceu ouvindo a cantora, e ''Quando Canto'' pede justamente uma voz que carregue história. A faixa encontra no soul uma extensão natural para o discurso ancestral que atravessa o álbum, sem perder a identidade do trio.
Já a participação de Duquesa, em ''Serotonina'' amplia esse diálogo entre gerações e gêneros. A faixa já fazia referência à rapper antes da parceria acontecer e ganha outro contorno com seu improviso.
O Black Pantera aborda no álbum a imensidão territorial e cultural do país, partindo de vivências pessoais para discutir temas coletivos. Além das colaborações, faixas como “Hórus”, “Negusa Nagast”, “W.P.P.” e “Sic Mundus” mantêm a firmeza da pauta antirracista que marca a trajetória do grupo.
“Continental” (Deck) tem produção de Rafael Ramos, mixagem de Leo Ramos e masterização de Fernando Delgado (à exceção de “Hórus”, masterizada por Chris Gehringer no Sterling Sound). O álbum reforça o papel do Black Pantera como uma das bandas mais expressivas e criativas do rock contemporâneo feito na América Latina.
O Black Pantera nunca pareceu interessado em ficar parado. Em ''Continental'', quinto álbum de estúdio do trio mineiro conhecido pelo crossover thrash, thrash metal e hardcore punk. Essa disposição para avançar aparece em 13 faixas que partem do hard rock e do groove metal para atravessar o rap, o soul, referências latinas e elementos da cultura pop.
“Continental” (Deck) tem produção de Rafael Ramos, mixagem de Leo Ramos e masterização de Fernando Delgado (à exceção de “Hórus”, masterizada por Chris Gehringer no Sterling Sound). O álbum reforça o papel do Black Pantera como uma das bandas mais expressivas e criativas do rock contemporâneo feito na América Latina.
- Chaene da Gama: “O álbum ‘Continental’ olha para nós mesmos como indivíduos. Quando abordamos a questão da diáspora, lembramos que carregamos milhares de etnias em uma única pessoa. Para além da imensidão de um continente ou da escala no mapa, cada pessoa vive o país de uma maneira. O Brasil que eu vivencio no interior de Minas Gerais é diferente do cotidiano de quem está no extremo Norte ou em uma capital gigantesca.
O disco vem desse lugar de traduzir nossas vivências, mas de forma ampla. É um trabalho plural e diverso de maneira magistral: tem groove, rap, soul, rock, blues, metal, hardcore e punk funcionando juntos. É assim que vivemos, ouvimos música e respiramos nossa arte.”
Charles Gama: “Eu não diria que é um meio totalmente fechado. Existe um circuito aberto e a experimentação no Brasil vem de longo tempo — bandas há muito tempo misturam metal com forró, batidas eletrônicas ou ritmos tribais. Às vezes o desafio é que o rock não tem o mesmo espaço na grande mídia, como rádio e TV, ficando restrito ao underground.
Existe uma parcela do público purista que realmente não aceita bem a fusão com outros estilos, mas isso nunca foi barreira para o Black Pantera. Em ‘Perpétuo’ a gente já testava essa linguagem e em ‘Continental’ colocamos isso em primeiro plano sem ter medo de nada. A gente queria o gingado do soul e a pressão do hardcore na mesma medida, experimentando sem amarras.”
Rodrigo “Pancho”: “A gente vem quebrando barreiras desde 2016, quando saímos de Uberaba para tocar em Paris antes mesmo de tocar em qualquer capital brasileira. A cada ano e a cada álbum, a banda vence obstáculos, fura bolhas e diversifica os palcos. Para o futuro, queremos continuar ocupando mais espaços, nos firmando em festivais mainstream e entregando trabalhos criativos.”
O Black Pantera nunca pareceu interessado em ficar parado. Em ''Continental'', quinto álbum de estúdio do trio mineiro conhecido pelo crossover thrash, thrash metal e hardcore punk. Essa disposição para avançar aparece em 13 faixas que partem do hard rock e do groove metal para atravessar o rap, o soul, referências latinas e elementos da cultura pop.
A obra:
A faixa-título dá a medida do que vem pela frente. ''Continental'' começa com uma fala de Milton Santos, geógrafo e pensador baiano, antes de desembocar em uma música que trata do país a partir de suas contradições, da diáspora e da identidade.
O recurso não soa como um adorno intelectual. A voz de Milton funciona como ponto de partida para um álbum que olha para o Brasil a partir de sua dimensão social, histórica e geográfica. Embora seu som tenha raízes no metal, o grupo sempre integrou outros ritmos e artistas de outros estilos em seus projetos. Esse movimento aparece na trajetória da banda e na própria construção do novo álbum.
Na faixa ''Ascensão'' (2022), o grupo havia consolidado a identidade que o levou a grandes festivais e a uma circulação cada vez maior pelo Brasil e pelo exterior. ''Perpétuo'' (2024) ampliou a conversa ao incorporar ritmos latinos e uma reflexão mais voltada à ancestralidade e às próprias experiências. Agora, ''Continental'' (2026) transforma esse percurso em matéria musical, com faixas que alternam confronto, memória, humor e vulnerabilidade.
O groove e os riffs de inspiração noventista aparecem acompanhados por referências aos videogames e à cultura pop, sem suavizar o discurso da banda. O jogo funciona como linguagem, enquanto a crítica social continua no centro.
''Hórus'', outro single, segue por uma direção diferente, aproximando metal, espiritualidade, ancestralidade e resistência. A partir daí, o álbum abre espaço para diferentes atmosferas. ''Velho Jeans Rasgado'' olha para a vida na estrada. ''Negusa Nagast'', ''Punhos Cerrados'', ''Yasuke'', ''Sic Mundus'' e ''W.P.P.'' completam um repertório que não parece interessado em oferecer uma única porta de entrada.
Projeção nacional:
O Black Pantera chega a ''Continental'' em um momento particularmente movimentado. Apenas no primeiro semestre de 2026, o grupo foi anunciado pela terceira vez no Rock in Rio, pela segunda vez no Primavera Sound, abriu o show do Korn, lançou seu primeiro audiovisual e recebeu novamente o Prêmio da Música Brasileira na categoria ''Melhor Artista de Rock''.
O novo disco, porém, não parece interessado apenas em celebrar o tamanho que a banda alcançou. Há uma tentativa clara de entender o que fazer com esse espaço. O Brasil aparece como território, mas também como experiência. A ancestralidade está presente sem transformar o álbum em uma peça de museu. E a cultura pop entra em cena sem tirar o peso das questões sociais.
Essa é talvez a principal característica de ''Continental'': a banda não precisa escolher entre ser agressiva e experimentar. O groove metal, o thrash metal e as influências do hardcore punk continuam no centro, mas deixam de funcionar como fronteira. Em vez de repetir uma fórmula, o Black Pantera amplia a própria linguagem e faz do quinto álbum um retrato sonoro de suas referências, inquietações e vivências.
O novo disco, porém, não parece interessado apenas em celebrar o tamanho que a banda alcançou. Há uma tentativa clara de entender o que fazer com esse espaço. O Brasil aparece como território, mas também como experiência. A ancestralidade está presente sem transformar o álbum em uma peça de museu. E a cultura pop entra em cena sem tirar o peso das questões sociais.
Essa é talvez a principal característica de ''Continental'': a banda não precisa escolher entre ser agressiva e experimentar. O groove metal, o thrash metal e as influências do hardcore punk continuam no centro, mas deixam de funcionar como fronteira. Em vez de repetir uma fórmula, o Black Pantera amplia a própria linguagem e faz do quinto álbum um retrato sonoro de suas referências, inquietações e vivências.











