Cazuza
O Poeta
"O poeta não morreu! Cazuza era era uma figura multifacetada: poeta, roqueiro, rebelde e, paradoxalmente, extremamente vulnerável. Essa combinação única permitiu que ele falasse de liberdade, afetos, contradições e o combate à hipocrisia de uma maneira que ainda hoje foca e ressoa com as pessoas"
Nasceu no Rio de Janeiro no dia 4 de abril de 1958, foi batizado com o nome de Agenor Miranda de Araújo Neto, mas ficou nacionalmente conhecido por Cazuza. Teve uma certa dificuldade para descobrir que seu caminho era a música. Antes de fazer sucesso, foi funcionário da Som Livre, fez cursos de fotografia e trabalhou em peças teatrais.
E, foi exatamente em um espetáculo teatral, "Pára-quedas do coração" que se viu fazendo o que queria: cantar.
Em 1981 encontrou-se com as pessoas que viriam a ser companheiros de estrada. Conheceu Roberto Frejat, Dé Palmeira, Maurício Barros e Guto Goffi (guitarra, baixo, teclados e bateria, respectivamente) que estavam procurando um vocalista para a banda Barão Vermelho que, nesta época, ainda não tinham um trabalho próprio. Surgia aí a grande banda Barão Vermelho.
Vida imensa, louca e breve… Como ele não pôde levá-la, ela o levou com apenas 32 anos, vítima de AIDS. Ele, Agenor de Miranda Araújo Neto, conhecido como Cazuza – poeta, cantor, compositor carioquíssimo. Seu pai, João Araújo, foi fundador e presidente, por quase quatro décadas, da importante gravadora Som Livre. Sua casa era frequentada pelos maiores nomes da música brasileira, respirava-se música por todos os cantos. Nascido e criado no seio da burguesia, Cazuza se referia à sua classe com palavras cortantes:
“A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia”
Era um rebelde com causa, boêmio, frequentador do Baixo Leblon, desafiava os padrões, ousava, inventava amores e dores. Não cursou mais do que um mês da faculdade de comunicação. Encontrou seu caminho no curso de teatro que fez com Perfeito Fortuna e a trupe “Asdrúbal Trouxe o Trombone”, no Circo Voador (ainda no Arpoador), onde soltou a voz em público pela primeira vez e não parou mais.
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| Roberto Frejat e Cazuza |
Quebrando diversos tabus, Cazuza foi a primeira personalidade nacional a admitir publicamente a Aids e se tornou um símbolo da luta contra a doença.
A turnê dirigida por Ney Matogrosso resultou no álbum O Tempo Não Para gravado ao vivo no Canecão. Foi seu maior sucesso, que superou a marca de 500 mil cópias vendidas.
Em 1990, Cazuza viu “a cara da morte, ela estava viva”. Faleceu em julho e deixou seu nome profundamente marcado na geração de jovens dos anos 1980 e 1990.
Depois de sua morte, sua mãe Lucinha Araújo criou a Sociedade Viva Cazuza, que atende a crianças e adolescentes portadoras do HIV. Em 2016, ganhou uma homenagem no bairro do Leblon, onde morou grande parte da sua vida, com uma estátua e praça com seu nome.


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