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Sepultura
Beneth The RemainsGravado entre os dias 15 e 28 de dezembro de 1988 no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, o disco teve a produção assinada pela banda em conjunto com Scott Burns, que já havia trabalhado com bandas de metal extremo na Flórida, como Obituary, Death e Morbid Angel.
Em fevereiro de 1988, o então vocalista e guitarrista do Sepultura, Max Cavalera, viajou para Nova York, onde passou uma semana inteira em negociação com a Roadrunner Records, que assinou um contrato de sete anos com eles sem sequer ter visto o grupo tocar ao vivo. E, assim, ainda lançaram a versão internacional de “Schizophrenia” (1987).
Apesar do contrato assinado, a gravadora não estava tão segura quanto ao potencial do Sepultura em relação à vendas de álbuns. O orçamento inicial para a gravação do disco foi de aproximadamente oito mil dólares, mas o custo final foi quase o dobro do previsto.
O produtor escolhido para a empreitada do quarteto foi Scott Burns, que concordou em trabalhar por uma quantia até modesta para os padrões do mercado fonográfico (dois mil dólares), pois estava curioso para conhecer o Brasil. Embora a quantia de dinheiro investido na produção de “Beneath The Remains” tenha sido modesto, o álbum apresentou um som bem mais “limpo” em relação aos trabalhos anteriores do Sepultura, com o aperfeiçoamento na técnica dos músicos, os impactantes solos de guitarra de Max e Andreas, além da fúria das baquetas de Igor Cavalera. Méritos também para Burns, que trouxera equipamentos de bateria e amplificadores Mesa Boogie para o Brasil, considerado item raro para os padrões de produção na época, e que ajudaram na melhoria na qualidade do som.
O disco colocou o Sepultura em outro patamar, tanto pelas vendas milionárias, que ultrapassaram as 800 mil cópias vendidas pelo mundo afora, como na qualidade do material apresentado pelos brasileiros, a ponto de ser comparado com “Reign In Blood” (1986), clássico do Slayer, e é constantemente considerado um dos melhores álbuns de Thrash Metal de todos os tempos.
Com a sua “internacionalização”, o Sepultura saiu em turnê para fora do Brasil pela primeira vez ao excursionar com os alemães do Sodon pela Áustria, Estados Unidos e México e, consequentemente, aumentando a popularidade por onde passava, despontando atenção da mídia mundial. E nessas andanças “around the world” encontraram uma de suas fontes de inspiração: a lenda Lemmy Kilmister e o Motörhead (nota: o nome do Sepultura foi inspirado na música “Dancing On Your Grave” – “Dançando em sua sepultura” -, faixa do álbum “Another Perfect Day“, de 1983). Os caras ainda cruzaram o muro de Berlim ainda nos tempos da Guerra Fria, até conheceram o Metallica, uma das maiores bandas do mundo na época. E foi nessa época que gravaram “Inner Self“, o primeiro videoclipe do grupo.
A capa do álbum apresenta um trabalho do artista Michael Whelan intitulado “Nightmare In Red“. Originalmente, o Sepultura queria que outro trabalho de Whelan – “Bloodcurding Tales Of Horror And Macabre” – fosse usado para a capa de seu álbum, mas a Roadrunner os convenceu que a arte que foi usada na obra fosse mais adequada. Todavia, Monte Conner, da própria Roadrunner, enviou a arte original que a banda brasileira queria para a capa de seu trabalho para o Obituary, que usou em seu disco “Cause Of Death” (1990), que foi lançado depois de “Beneath Of Remains“. Anos após o episódio, Igor Cavalera ficou chateado com Monte Conner por dar sua capa ao disco da banda da Flórida.
A obra começa pela sua faixa-titulo, uma pedrada na orelha: rápida, com refrão empolgante, solos insanos de Andreas Kisser e as batidas frenéticas de Igor fazem dela um ótimo tema de abertura. Na sequência, uma das melhores músicas da banda: “Inner Self“, que apresenta um desempenho impecável de todos os integrantes: riffs marcantes, baixo pontual, linhas de bateria indefectível e o vocal marcante de Max. Clássico obrigatório até hoje nos shows da banda. Posteriormente, o play segue com outra paulada: “Stronger Than Hate“. Rápida e com um refrão grudento, a faixa tem as participações especiais Kelly Shaefer (Atheist), John Tardy (Obituary), Scott Latour e Francis Howard (Incubus) no backing vocal gritando o título da música juntamente Max Cavalera. Porém, infelizmente, o grupo não a toca por um bom tempo. O quarto tema é “Mass Hypsnosis“, com uma ‘intro’ espetacular com o urro nervoso de Max Cavalera e um ótimo desempenho de Andreas no solo, enquanto a “cozinha” de Igor e Paulo Jr. correspondem de forma excelente o andamento da música. Já em “Sarcastic Existence” começa com a bateria de Igor crescendo aos poucos e seguida de uma excelente letra e ótima música.
Enquanto isso, Max descarrega riffs raivosos e canta de forma esplendorosa a brutal “Slaves Of Pain“, com sua pegada rápida e técnica em que todos se destacam igualmente. A sétima faixa é “Lobotomy“, que começa com uma excelente ‘intro’, um matador riff de Max Cavalera, que uiva feito urso e com Andreas solando muito. O penúltimo tema do lançamento original do álbum é “Hungry“, que traz uma bateria estupendamente veroz de Igor e um riff cortante de Max Cavalera. É uma música bem trabalhada, uma das melhores da obra. A ‘sujona’ “Primitive Futura” encerra de forma brilhante esse clássico. Rápida e brutal, a canção foi escolhida como tema de abertura de muitos shows na turnê de “Beneath The Remains“. Mas o principal trunfo da música é o desempenho de Igor Cavalera no bumbo duplo e o vocal mais agressivo de Max.

O disco foi relançado em 1997 com três faixas bônus: um ótimo cover dos Mutantes – “A Hora e a Vez do Meu Cabelo Nascer” – e as linhas de bateria de “Inner Self” e “Mass Hypnosis“, que agrada a qualquer amante ou postulante a baterista de música pesada.
“Beneath The Remains” foi um marco não apenas na história do Sepultura, mas também do Metal nacional, que passou a ser visto com mais atenção pelos gringos, vide as participações constantes da banda em diversos festivais internacionais mundo afora, inclusive a segunda edição do Rock In Rio, em 1991.
Ficha técnica:
Álbum: Beneath The Remains
Intérprete: Sepultura
Lançamento: 7 de abril de 1989
Gravadora: Roadrunner Records
Produtor: Sepultura e Scott Burns
Max Cavalera: voz e guitarra rítmica
Igor Cavalera: bateria e percussão
Paulo Jr.: baixo
Andreas Kisser: guitarra e baixo
Kelly Shaefer, John Tardy, Francis Howard e Scott Latour: backing vocal em “Stronger Than Hate”
Henrique Portugal: sintetizadores
Faixas:
1. Beneath The Remains (Cavalera / Kisser)
2; Inner Self (Cavalera / Kisser)
3. Stronger Than Hate (Shaefer)
4. Mass Hypnosis (Cavalera / Kisser)
5. Sarcastic Existence (Cavalera / Kisser)
6. Slaves Of Pain (Cavalera / Kisser)
7. Lobotomy (Cavalera / Kisser)
8. Hungry (Cavalera / Kisser)
9. Primitive Future (Cavalera / Kisser)
2; Inner Self (Cavalera / Kisser)
3. Stronger Than Hate (Shaefer)
4. Mass Hypnosis (Cavalera / Kisser)
5. Sarcastic Existence (Cavalera / Kisser)
6. Slaves Of Pain (Cavalera / Kisser)
7. Lobotomy (Cavalera / Kisser)
8. Hungry (Cavalera / Kisser)
9. Primitive Future (Cavalera / Kisser)
Faixas bônus:
10. A Hora e a Vez do Cabelo Nascer (Mutantes / Liminha)
11. Inner Self (Drum Tracks) (Cavalera / Kisser)
12. Mass Hypnosis (Drum Tracks) (Cavalera / Kisser)
11. Inner Self (Drum Tracks) (Cavalera / Kisser)
12. Mass Hypnosis (Drum Tracks) (Cavalera / Kisser)


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