Os Mutantes
' onde as cores tem mais vida, a música é mais autêntica '
A banda é amplamente considerada uma das bandas mais geniais, inovadoras e revolucionárias da história da música brasileira e do rock psicodélico mundial. Misturando rock, tropicália e criatividade sonora única. Usaram microfonia, ruídos de forma inédita, criaram pedais de efeito e amplificadores artesanais, misturaram folk, bossa nova e rock britânico.
Bem vindos ao mundo dos Baurets!
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Grupo musical formado em São Paulo, em 1966, originalmente composto por Rita Lee (1947) e pelos irmãos Arnaldo Baptista (1948) e Sérgio Dias (1951). Antes, Arnaldo atua como baixista da banda Wooden Faces, e Rita divide-se entre o conjunto Teenage Singers e o trio Danny, Chester & Ginny.
Em 1965, com ex-integrantes dos Wooden Faces e das Teenage Singers, Arnaldo, Rita e Sérgio formam o Six Sided Rockers, rebatizado como O’Seis. Especializado em blues e covers, o grupo faz experiências sonoras, apresentando peças de compositores eruditos em versões roqueiras. A carreira de O’Seis dura pouco mais de um ano, período em que frequentam programas de televisão, como o Jovem Guarda (TV Record), e gravam um compacto simples.
Com o fim do conjunto, Arnaldo, Rita e Sérgio criam os Mutantes. Em 1966, o trio participa da estreia de O Pequeno Mundo de Ronnie Von (TV Record) e torna-se atração fixa do programa, interpretando sucessos internacionais e temas eruditos.
O figurino dos jovens é chamativo, e a performance investe no bom humor, sem receio de causar polêmica. Musicalmente, Arnaldo Baptista (baixo, teclados e vocal), Sérgio Dias (guitarra e vocal) e Rita Lee (vocal, flauta e percussões eventuais) mostram um rock moderno e elaborado, sem a ingenuidade do iê-iê-iê.
A capa apresenta uma reprodução de uma gravura do ilustrador francês Gustave Doré para a obra A Divina Comédia, de Dante Alighieri, que representa um morto saindo de sua sepultura. A releitura foi feita no jardim da casa dos irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista, por ideia do irmão mais velho, Cláudio César. Para replicar a gravura, os irmãos cavaram um buraco para imitar a sepultura, onde colocaram uma pequena fogueira. A pedra da lápide foi feita com isopor, que também cobria as laterais do buraco. Arnaldo representou o morto saindo da sepultura, enquanto Sérgio e Rita ficam acima, vestidos em mantos e com folhas de louro nas cabeças, observando-o. A contracapa do álbum mostra o trio (Arnaldo, Rita e Sérgio) em uma cama, aparentando estarem nus, cobertos apenas por um cobertor. O baterista Dinho Leme aparece ao lado, de pé, fantasiado de oficial nazista.
Nas promoções do álbum, Sérgio sempre reafirmou seus novos companheiros de banda e como resposta aos críticos, que questionavam a ausência dos outros membros originais da banda. Na participação que tiveram no programa Fantástico: O Show da Vida, na TV Globo, Sérgio Dias afirmou "Os Mutantes estão de volta e totalmente mudados, como o próprio nome exige".
Em 2013, a formação que gravou o álbum se juntou para fazer uma pequena turnê tocando todo o disco na íntegra e com algumas canções extras que foram gravadas na época. Porém, mesmo diante do enorme sucesso do disco, o destino fez com que em 6 de junho de 1978, a banda fizesse sua última apresentação, em Ribeirão Preto, São Paulo, para uma pausa mais longa da história da banda.
O trio passa a tocar em outras atrações da emissora e, em 1967, recebe o convite para se apresentar no 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, ao lado do compositor Gilberto Gil (1942), que classifica duas canções na disputa, “Bom Dia” e “Domingo no Parque”. Com arranjo do maestro Rogério Duprat (1932-2006), “Domingo no Parque” dá a Gil o segundo lugar na competição e projeta os Mutantes nacionalmente.
O figurino dos jovens é chamativo, e a performance investe no bom humor, sem receio de causar polêmica. Musicalmente, Arnaldo Baptista (baixo, teclados e vocal), Sérgio Dias (guitarra e vocal) e Rita Lee (vocal, flauta e percussões eventuais) mostram um rock moderno e elaborado, sem a ingenuidade do iê-iê-iê.
Cosmopolita e com apelo comercial, o trio torna-se expoente da tropicália, movimento musical encabeçado por Caetano Veloso (1942) e Gilberto Gil que agita a cultura brasileira entre 1967 e 1968. No disco-manifesto Tropicália ou Panis et Circensis (1968), os Mutantes participam de cinco faixas: “Panis et Circenses” (Caetano Veloso, Gilberto Gil), “Miserere Nóbis” (Gilberto Gil, Capinan [1941]), “Parque Industrial” (Tom Zé [1936]), “Bat Macumba” (Gil, Caetano) e “Hino ao Senhor do Bonfim da Bahia” (João Antonio Wanderley [1879-1927]).
Destacam-se como uma das principais atrações do Divino Maravilhoso (TV Tupi, 1968), programa no qual os tropicalistas divulgam ideias e canções. No mesmo ano, o trio lança seu primeiro LP, Os Mutantes, e grava, com Caetano Veloso, o compacto Ao Vivo.
Nos trabalhos iniciais, a presença de Rogério Duprat é marcante. Experiente em música contemporânea e empolgado com a atitude irreverente do grupo, o maestro contribui para organizar e realizar as ideias dos jovens artistas.
O álbum é marcado pelo experimentalismo e pela utilização de várias técnicas de estúdio, como mudanças de ritmo, guitarras distorcidas, uso de ruídos, sonoplastia, e de objetos não convencionais para simular o som dos instrumentos, como uma bomba de inseticida em "Le Premier Bonheur do Jour". Influenciados pela banda inglesa The Beatles e do rock psicodélico, misturavam todos esses elementos com gêneros musicais brasileiros com o samba em "A Minha Menina", o candomblé em "Bat Macumba" e o baião em "Maria Fulô".
Em 1969, os Mutantes transformam-se em quinteto com a chegada do baterista Ronaldo Poliseli Leme (1949), o Dinho, e o baixista Arnolpho Lima Filho (1951), o Liminha. No mesmo ano, lançam o segundo álbum, Mutantes, com maior repertório autoral.
Nesse álbum é construído outra atmosfera de experimentação e colisão musical, o álbum anda numa linha tênue entre a inovação e abusos experimentais. O uso das raízes populares (tanto brasileiras como americanas) pelo grupo, despontam com mais criatividade.
Este disco consolidou o sucesso e a veia experimentalista do grupo, esta calcada, especialmente, nas inovações tecnológicas de Cláudio César Dias Baptista, e o "profissionalismo, humor e inteligência" do grupo os coloca em situação privilegiada no cenário musical brasileiro da época. As apresentações do grupo são verdadeiros happenings: para cantar “Caminhante Noturno” (Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sérgio Dias) no 3º Festival Internacional da Canção, Arnaldo sobe ao palco vestido de arlequim; Sérgio, com a indumentária de toureiro, e Rita, com vestido de noiva, véu e grinalda.
Rapidamente, os Mutantes conquistam outros espaços. No cinema, participam de As Amorosas (1968), filme de Walter Hugo Khouri (1929-2003). Na publicidade, estrelam campanha da marca Shell em comerciais televisivos e anúncios na forma de histórias em quadrinhos e são atração dos desfiles promovidos pela empresa Rhodia, em 1969. No mesmo ano, escrevem e produzem o musical Planeta dos Mutantes, encenado no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro.
Aproveitando a qualidade técnica dos cinco integrantes, no terceiro disco, "A divina comédia, ou ando meio desligado", de 1970, a sonoridade fica mais pesada e com pitadas do que seria o rock progressivo. Com excelentes intervenções entre baixo e órgão, bateria conduzindo arranjos quebrados e muito virtuosismo na guitarra de Sérgio Dias.
O músico Naná Vasconcelos faz uma participação especial no álbum e toca percussão em "Ando Meio Desligado" e "Desculpe, Babe". A faixa "Desculpe, Babe" inclui um efeito de talkbox, feito por Cláudio César, irmão mais velho de Sérgio e Arnaldo, para distorcer a voz de Sérgio. A faixa-título, "Ando Meio Desligado", foi apresentada originalmente no Festival Internacional da Canção de 1969.
A capa apresenta uma reprodução de uma gravura do ilustrador francês Gustave Doré para a obra A Divina Comédia, de Dante Alighieri, que representa um morto saindo de sua sepultura. A releitura foi feita no jardim da casa dos irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista, por ideia do irmão mais velho, Cláudio César. Para replicar a gravura, os irmãos cavaram um buraco para imitar a sepultura, onde colocaram uma pequena fogueira. A pedra da lápide foi feita com isopor, que também cobria as laterais do buraco. Arnaldo representou o morto saindo da sepultura, enquanto Sérgio e Rita ficam acima, vestidos em mantos e com folhas de louro nas cabeças, observando-o. A contracapa do álbum mostra o trio (Arnaldo, Rita e Sérgio) em uma cama, aparentando estarem nus, cobertos apenas por um cobertor. O baterista Dinho Leme aparece ao lado, de pé, fantasiado de oficial nazista.
O quarto álbum "Jardim Elétrico", lançado em 1971 pela Polydor Records, traz cinco músicas que deveriam ser lançadas no disco Tecnicolor, gravado para o mercado externo, mas que acabou sendo cancelado na época e lançado posteriormente em 2000, com arranjos diferentes do disco lançado. Jardim Elétrico está na lista dos 100 melhores discos da música brasileira ocupando a 72ª posição.
Para esse álbum, o desafio era manter a qualidade do álbum anterior e, concomitantemente, inovar, trazer algo de novo para os fãs. E conseguiram. Logo de cara os Mutantes apresentam Top Top, um rock and roll muito bem humorado trazendo uma Rita Lee com a voz alterada, extremamente aguda. No refrão, "sabotagem" e palavras quase initeligíveis são alternadas entre Rita e Arnaldo, uma das duplas mais férteis da música brasileira. Cada vez mais a banda adentrava ao rock progressivo, com direcionamento cada vez maior nas camadas instrumentais. A capa do álbum foi desenhada pelo artista franco-alemão Alain Voss. Um desenho psicodélico de Alain Voss trazendo uma planta gigante e engraçada, para os mais desavisados, um pé de cannabis.
Fundamental na trajetória dos Mutantes é o luthier Claudio César Baptista (1945), irmão mais velho de Arnaldo e Sérgio. Ele é o responsável pelos instrumentos musicais e equipamentos de som do grupo. Sua criação mais famosa é a Guitarra Régulus, usada por Sérgio Dias, e inspirada no design dos violinos Stradivarius. Certas inovações são idealizadas pelos próprios integrantes. Na gravação de “Le Premier Bonheur du Jour” [Jean Renard (1933), Franck Gérald (1928-2015)], o som do chimbal da bateria é substituído por uma bomba de Flit (vaporizador antigo) foi levada ao estúdio por Rita Lee.
Em 1972, lançam "Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets", último disco com Rita Lee no grupo, entrando de cabeça na fase da linha do rock progressivo. As músicas tornam-se mais longas, instrumentais e com muita improvisação. Visto a faixa título, que trabalha no mesmo nível das bandas progressivas da Inglaterra como Yes e Emerson, Lake and Palmer, por exemplo.
Arnaldo traz a musicalidade viajante e Sérgio contribuiu com o virtuosismo técnico no toque da guitarra, sendo acompanhados pelos sensacionais músicos Dinho e Liminha que entregam tudo na mesma pegada. Já Rita acentuou a anarquia com a doçura pop da voz e com o star quality que sempre faltou aos irmãos Baptista.
Ao longo das 10 faixas do álbum, havia ironia na incursão pelo universo musical cubano em Cantor de mambo (Elcio Decário, Arnaldo Baptista e Rita Lee) – faixa-farpa também disparada contra Sergio Mendes, embaixador da bossa nova nos Estados Unidos – e na declaração de amor canino feita em Vida de cachorro (Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias), balada ternamente cantada por Rita Lee.
Também havia devoção ao rock'n'roll básico dos anos 1950, de batida evocada na música que abriu o disco, Posso perder minha mulher, minha mãe, desde que eu tenha o rock'n'roll (Rita Lee, Liminha e Arnaldo Baptista). O espírito do rock também moveu Dune buggy (Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias), A hora e a vez do cabelo nascer – música creditada a Liminha e Mutantes, originalmente intitulada Cabeludo patriota, nome vetado pela censura por identificar gozação com o falso moralismo e nacionalismo exacerbado do Brasil da era militar dos anos 1970 – e Beijo exagerado (Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias).
Ao longo das 10 faixas do álbum, havia ironia na incursão pelo universo musical cubano em Cantor de mambo (Elcio Decário, Arnaldo Baptista e Rita Lee) – faixa-farpa também disparada contra Sergio Mendes, embaixador da bossa nova nos Estados Unidos – e na declaração de amor canino feita em Vida de cachorro (Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias), balada ternamente cantada por Rita Lee.
Também havia devoção ao rock'n'roll básico dos anos 1950, de batida evocada na música que abriu o disco, Posso perder minha mulher, minha mãe, desde que eu tenha o rock'n'roll (Rita Lee, Liminha e Arnaldo Baptista). O espírito do rock também moveu Dune buggy (Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias), A hora e a vez do cabelo nascer – música creditada a Liminha e Mutantes, originalmente intitulada Cabeludo patriota, nome vetado pela censura por identificar gozação com o falso moralismo e nacionalismo exacerbado do Brasil da era militar dos anos 1970 – e Beijo exagerado (Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias).
Em 1973, sem Rita, lançam o álbum "A" e o "Z". O conceito do disco foi criado por Arnaldo Baptista, e teria "um sentido bíblico e baseado no [livro de] Apocalipse" e "redescobriria a figura de Deus como o cara que cuida de tudo". Isso pode ser visto nas faixas como "O A e o Z" e "Uma Pessoa Só". O álbum foi inteiramente composto, gravado e mixado sob efeito de LSD. A capa foi desenhada pelo próprio Arnaldo. Após desentendimentos, e o constante abuso de drogas, Arnaldo Baptista sai do grupo, seguido de Dinho e Liminha.
Sérgio tenta dar sobrevida aos Mutantes, e vários tecladistas passam pelo grupo. Túlio Mourão assume os teclados, Rui Motta a bateria e Antônio Pedro de Medeiros o baixo. Os novos Mutantes assinam com a gravadora Som Livre para o lançamento do álbum "Tudo Foi Feito Pelo Sol".
O álbum foi gravado em apenas um take nos estúdios RCA de Copacabana, no Rio de Janeiro, sem nenhuma pausa. Sérgio afirmou que se tratava de uma versão "ao vivo em estúdio". O álbum foi um sucesso comercial. A turnê do álbum foi a mais longa da história da banda até então, além da maior vendagem de discos.
Nas promoções do álbum, Sérgio sempre reafirmou seus novos companheiros de banda e como resposta aos críticos, que questionavam a ausência dos outros membros originais da banda. Na participação que tiveram no programa Fantástico: O Show da Vida, na TV Globo, Sérgio Dias afirmou "Os Mutantes estão de volta e totalmente mudados, como o próprio nome exige".
Em 2013, a formação que gravou o álbum se juntou para fazer uma pequena turnê tocando todo o disco na íntegra e com algumas canções extras que foram gravadas na época. Porém, mesmo diante do enorme sucesso do disco, o destino fez com que em 6 de junho de 1978, a banda fizesse sua última apresentação, em Ribeirão Preto, São Paulo, para uma pausa mais longa da história da banda.
Reencontro e a nova Era dos Mutantes
Em 2006, motivados por uma homenagem prestada à banda na mostra Tropicália – A Revolution in Brazilian Culture, promovida pelo centro cultural inglês Barbican Hall, em Londres, Arnaldo, Sérgio e Dinho voltam a se reunir – Rita e Liminha declinam do convite. Com a cantora Zélia Duncan (1964) completa a formação, e o grupo apresenta-se na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Brasil. O registro dos concertos londrinos são lançados em CD e DVD, sob o título "Mutantes ao Vivo – Barbican Theatre". Um ano depois, Arnaldo e Zélia deixam a banda.
Sérgio Dias renova a banda e o Mutantes do novo milênio lança em 2009, após 35 anos, um álbum de músicas inéditas chamado "Haih... Or Amortecedor". Em 2013 lança outro disco chamado: "Fool Metal Jack", cujo título parodia o nome do filme Full Metal Jacket (Nascido para matar), do diretor estadunidense Stanley Kubrick (1928-1999).
O último lançamento foi "Zzyzx", em 2020. Lançado em escala planetária através da gravadora Jardim Elétrico, Zzyzx é o alien de toda discografia, a sonoridade do disco não se parece com nada feito anteriormente pela banda. Mas isso é Mutantes, sempre em mutação.
Músicos que participaram de alguma formação da banda em algum momento recente do grupo: Esmeria Bulgari (voz e percussão), Ani Cordero (bateria, percussão e voz), Vinicius Junqueira (baixo), Vítor Trida (guitarra e voz), Amy Crawford (teclado e voz), Claudio Tchernev (bateria), Henrique Peters (teclado) e Camilo Macedo (guitarra).
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