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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Livros para conhecer o Brasil: Insubmissas Lágrimas de Mulheres

INSUBMISSAS LÁGRIMAS DE MULHERES
( CONCEIÇÃO EVARISTO )

O elo fundido com técnica literária irrepreensível e grande força de sentimentos apresentado em “Insubmissas lágrimas de mulheres”, se revela um retrato de solidariedade e afeição feminina, por tocar no que é essencial, no que move, no que aproxima e une mulheres e, em espacial, mulheres negras. 

Os afetos, reflexões e deslocamentos que os contos de Insubmissas lágrimas de mulheres nos causam, são frutos que só a boa literatura, a que salva, pode nos trazer, reafirmando o lugar de destaque ocupado por Conceição Evaristo na literatura brasileira.

Sobre a autora:
Conceição Evaristo nasceu em Belo Horizonte em 1946. É Mestre em Literatura Brasileira pela PUC-Rio e Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Estreou na ficção nos anos 90, publicando contos e poesia. Em 2003, publicou Ponciá Vicêncio, seu romance de estreia, pela Editora Mazza. Da autora, a Editora Malê já publicou Histórias de Leves Enganos e Parecenças e Insubmissas Lágrimas de Mulheres.

Editora: Malê
Data da publicação: 2011
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Treze contos que os temas de escrita da Conceição são pesados e que precisamos nos preparar para poder fazer a leitura. O que mais é difícil de pensar que, por mais que o livro seja categorizado como ficcional, várias mulheres brasileiras passam por situações similares, quando não piores.

São treze histórias. Treze vidas de mulheres que passam pela nossa mão. Treze vidas brasileiras. Vidas negras e periféricas das quais muitas vezes não são enxergadas dada a classe social e cor da pele. Treze mulheres com suas insubmissas lágrimas que sobrevivem a dura realidade de ser mulher, de ser negra, de ser da periferia do Brasil. Que sobreviveram à violência doméstica, estupro, machismo, falta de reconhecimento e aceitação, ao suicídio, ao racismo e tantas outras coisas que tornam a vida mais difícil de suportar – a injustiça escancarada.

O livro nos traz uma mistura de raiva, afeto e desilusão. Mas a não desistência dessas mulheres é essencial para nos impulsionar a continuar a luta pelos direitos de todas as mulheres. É curioso quando dizem que mulheres são fortes. Parece que é como se elas tivessem escolhido ser assim e não fossem obrigadas pelo meio, por suas condições a serem fortes. Às vezes a pergunta seria se já foi dada a chance de uma mulher poder ser fraca. O “sexo frágil” é na verdade o “sexo forte”. Forte para existir, forte para sobreviver.

Esse livro nos traz também histórias de mulheres inspiradoras que tiveram conquistas de sonhos e de suas vontades relatadas. Há uma mulher artista que se usa de matéria-prima, uma mulher bailarina que enfrenta preconceitos para conseguir viver da dança, uma mulher que ama de uma forma tão única que é impossível não se encantar com sua história… Enfim, Conceição captura vidas e captura também quem lê.

A autora conta as histórias com muita sensibilidade e respeito pelas personagens. Ela se mostra no livro como a observadora e “escutadora” que é e traz traços de certas vivências em outras, o que nos evidencia uma percepção atenta e zelosa. Os treze contos têm como títulos apenas os nomes das mulheres protagonistas das histórias – e de suas vidas. Não sei se haveria jeito melhor de intitular um texto assim – focado numa vida, leve quanto a linguagem, poético, simples e real – do que usando um dos recursos que conhecemos que mais se aproxima – por vezes – da definição de uma pessoa: seu nome.
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