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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Graham Bond

Graham Bond

' O Jazz-Blues de Graham Bond '

Um recém-nascido foi abandonado num orfanato perto de Essex, na Inglaterra. Batizado de Graham, o menino acabou sendo adotado por um casal da região, Edwin e Edith Bond. 

História:

Graham era um prodígio musical. Aos seis anos, tocava piano clássico. Aos 14, havia descoberto o jazz de Charlie Parker e John Coltrane e adotado o saxofone como instrumento preferido. Aos 20, era um dos músicos mais requisitados na cena de jazz de Londres.

O início com o guitarrista John McLaughlin.
Em 1962, depois de alguns anos penando em clubes de jazz, Graham Bond foi convidado para tocar no grupo Blues Incorporated de Alexis Korner. Graham percebeu que o novo hype da cena musical londrina era o rhythm'n'blues de grupos como o John Mayall & The Bluesbreakers, The Yardbirds e The Rolling Stones, e decidiu montar um supergrupo chamado The Graham Bond Organization, com grandes músicos que já conhecia da cena de jazz.

A "cozinha" da The Graham Bond Organization era formada por dois músicos fantásticos, o baterista Ginger Baker e o baixista Jack Bruce; e o guitarrista era o excelente John McLaughlin, que depois tocaria com Miles Davis e formaria a banda experimental de Jazz Fusion Mahavishnu Orchestra. 

J. Bruce, Heckstall-Smith, G. Baker e G. Bond.
Graham Bond cantava e tocava um órgão Hammond. Pouco depois, McLaughlin foi substituído pelo saxofonista Dick Heckstall-Smith. Foi essa formação – Bond, Baker, Bruce e Heckstall-Smith – que fez fama como um dos melhores e mais furiosos grupos do R&B inglês e atraiu a atenção do empresário Robert Stigwood (que, anos depois, mudaria o som dos Bee Gees e os transformaria em astros da discoteca).

Numa época em que grupos como Beatles, Stones e Kinks causavam frenesi entre adolescentes, a Graham Bond Organisation teria concorrência forte para chegar ao sucesso: o som deles era pesado e distorcido, o grupo não tinha guitarrista ou um cantor bonitinho como era o padrão, pelo contrário, o saxofonista era careca e o vocalista era um gordinho com cara de louco. Aliás, ninguém ali batia muito bem: Jack Bruce saiu depois que Ginger Baker o ameaçou com uma faca. Porém, dias depois, os dois debandaram juntos para formar com o guitarrista Eric Clapton a poderosa banda em power trio chamado: Cream.

O fim da GBO, em 1967, veio numa época confusa para Graham, que se viciara em heroína, demonstrava crescentes problemas mentais e estava cada vez mais obcecado com o ocultista inglês Aleister Crowley (1875-1947). Graham tinha certeza que seu verdadeiro pai era Crowley.

Fase de experimentos psicodélicos.
A partir dali, a carreira de Graham degringolou: ele casou com a cantora Diane Stewart, também devota de Crowley, com quem montou a banda Initiation e mergulhou fundo no estudo de magia negra. Uma turnê norte americana levou Graham fazer jams com a banda The Grateful Dead e gravar com Screamin' Jay Hawkins, além de lançar discos esquisitíssimos e geniais em que misturava jazz-rock, experimentações vanguardistas e letras sobre ocultismo.

De volta à Inglaterra, Bond estava falido e com mais problemas mentais, ele ainda gravou dois discos maravilhosos com o amigo Ginger Baker em seu projeto Air Force. Excelentes discos, especialmente o "2", uma obra-prima absoluta e o mais próximo que a Inglaterra chegou de ter seu Sly and the Family Stone.

Infelizmente, o emprego com Ginger Baker não durou muito. Graham continuou usando heroína e ácido, e sua condição psicológica deteriorou a ponto de amigos o internarem em um manicômio. Em 8 de maio de 1974, Graham Bond andou até a estação de metrô de Finsbury Park, em Londres, e se jogou nos trilhos. Ele tinha só 36 anos.

Graham Bond teve uma carreira discográfica de pouco mais de dez anos, tudo é muito bom, excelente. A quem se interessar em saber mais sobre o artista, existe o livro "Unknown Legends of Rock and Roll" (1998), de Richie Unterberger, lançado há alguns meses em e-book, que traz um capítulo bem completo sobre a carreira de Graham Bond.