Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Educação: A sala de aula e a Lei Antirracista

A sala de aula e a importância de uma educação antirracista.

Lei 10.639/03: um marco para a educação antirracista no Brasil.

Promulgada em 9 de janeiro de 2003, a Lei nº 10.639 instituiu a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana nas escolas brasileiras. Essa diretriz representa um avanço importante ao reconhecer a centralidade da população negra na formação social, cultural, política e econômica do país e ao afirmar a educação como um instrumento fundamental para o enfrentamento do racismo estrutural.

Desde sua promulgação, é possível identificar avanços no debate público e na formulação de políticas educacionais voltadas à promoção da equidade racial. Entre essas iniciativas, destaca-se a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), que busca fortalecer ações institucionais voltadas à consolidação de práticas pedagógicas comprometidas com uma educação antirracista nas redes de ensino. Ainda assim, passadas mais de duas décadas, esses avanços não se traduzem plenamente em sua efetivação no cotidiano das escolas.

Dados do Diagnóstico Equidade, divulgado em 2025 pelo Ministério da Educação, indicam que apenas 42,6% das secretarias municipais de educação possuem normativas próprias voltadas à implementação do ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena. Esse cenário evidencia a persistente distância entre a formulação das políticas públicas e sua aplicação concreta nas redes de ensino. O levantamento também aponta que o Índice Geral de Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) permanece abaixo de 50 pontos, em uma escala de 0 a 100, revelando que a implementação dessas diretrizes ocorre de forma parcial e desigual no país.


Esses dados contribuem para a compreensão de desafios ainda presentes, como o limitado conhecimento sobre o tema por parte de profissionais da educação, a insuficiência de processos formativos contínuos e as dificuldades de integração desses conteúdos aos projetos pedagógicos das instituições escolares. É nesse contexto que se destacam as experiências históricas construídas pelo movimento negro, que antecedem a institucionalização dessas políticas educacionais.

Mais do que um curso pré-vestibular, o Instituto Cultural Steve Biko se constitui, ao longo de sua trajetória, como um quilombo educacional, caracterizado pela produção coletiva de saberes, pelo fortalecimento identitário e pelo enfrentamento das desigualdades raciais. Fundado 11 anos antes da promulgação da Lei nº 10.639, o Instituto já desenvolvia uma prática pedagógica orientada pela justiça social e pela equidade racial, colocando no centro do processo educativo a história, a cultura, a ancestralidade e as experiências da população negra. Ao articular formação acadêmica, consciência política, cidadania e valorização das identidades negras, a Biko construiu, na prática, aquilo que viria a ser reconhecido como um direito educacional: uma formação comprometida com a superação do apagamento histórico, o enfrentamento do racismo estrutural e a afirmação do protagonismo negro como elemento constitutivo da sociedade brasileira.

O trabalho desenvolvido pela instituição dialoga diretamente com essas diretrizes, não apenas por atendê-las, mas por antecedê-las, demonstrando que a educação antirracista emerge das lutas históricas do movimento negro e das experiências coletivas que, há décadas, reivindicam outro projeto de sociedade. Dessa forma, essa conquista não surge de maneira isolada, mas se inscreve em um percurso já construído por iniciativas como a Biko, que compreendem a educação como ferramenta de emancipação, pertencimento e transformação social.

Ao demarcar essa data, o Instituto reafirma seu compromisso histórico com uma educação que reconhece, valoriza e fortalece a população negra, compreendendo o conhecimento como instrumento de transformação social e de ampliação de horizontes para as novas gerações.



Instituto Cultural Steve Biko

INSTITUTO  CULTURAL 
STEVE BIKO

O INSTITUTO CULTURAL STEVE BIKO (ICSB), recebe o nome do líder sul-africano, Steve Biko, grande referência da luta contra o Apartheid na África do Sul. Fundado em 31 de julho de 1992, o ICSB é fruto da ação inovadora de jovens militantes negros e negras que criaram o primeiro curso, no Brasil, destinado a formação política e preparação sistemática de estudantes negros e negras para o acesso às universidades, sendo considerado o primeiro Quilombo Educacional do Brasil.

Ao longo desses 32 anos, o ICSB vem desenvolvendo diversas atividades no campo político e educacional que já resultaram em políticas públicas para o combate às desigualdades raciais, obtendo por isso o reconhecimento das principais Instituições e movimentos sociais em nosso País, valendo destacar dentre outras homenagens a Premiação Nacional de Direitos Humanos, no ano de 1999, concedida pelo Ministério da Justiça e o XXIII Prêmio Nacional Jovem Cientista em referência ao nosso programa de fomento à ciência, tecnologia e inovação para jovens negros e negras o qual foi objeto do artigo vencedor conquistado pela nossa estudante egressa Sheila Regina.

MISSÃO, VISÃO e VALORES.

Promover a ascensão político-social da população negra por meio da educação e valorização da sua ancestralidade.

Até 2026, conceber a Faculdade Steve Biko, uma instituição de ensino superior referência no desenvolvimento de iniciativas que valorizam a diversidade étnico-racial, contemplando os saberes e fazeres da cosmovisão da produção do conhecimento.

Baseiam-se no princípio filosófico Ubuntu que prioriza as conexões humanas, a coletividade, o comprometimento, o respeito, a generosidade, a solidariedade e a empatia.


PROGRAMA INVESTIDOR/A SOCIAL.

Tudo começou em 1992, quando jovens negros ativistas da luta contra o racismo entenderam que a ausência de afrodescendentes na Universidade era uma realidade que poderia e deveria mudar. Um espaço de poder que precisava, à época e ainda hoje, ser ocupado por mentes negrxs que pudessem se impor de forma crítica frente ao conhecimento hegemônico da Academia.

Os recursos eram da iniciativa de cada um; era porque acreditavam na proposta, no resultado que poderia vir do empenho, da confiança e da união em prol do objetivo: levar mais negrxs à Universidade. Assim nasceu o primeiro Pré-vestibular voltado para estudantes afrodescendentes do Brasil, projeto que originou o Instituto Steve Biko e que já beneficiou mais de 1500 estudantes. Daí também vieram os primeiros sócio-contribuintes da Biko, hoje Investidores Sociais.


Além de promover o acesso à Educação, a Biko – com suas ações – vem transformando a política-social e racial na Bahia e no Brasil. Hoje, o Programa Investidor Social busca novos membros, tendo em vista não somente os projetos atuais, como os planos futuros da Biko: a construção da nova sede, no Campo Grande, em Salvador, e a implantação da Faculdade Steve Biko – meta cada vez mais próxima.

"O/A investidor/a social é um/a apoiador/a que possibilita a continuidade dos nossos projetos. É um/a investidora/a na educação da comunidade negra, sem cujo apoio o Instituto talvez não chegasse aos 25 anos. É para além de um valor em dinheiro, é uma contribuição militante em prol da igualdade racial, pois fazer uma doação para o Instituto é fazer parte de uma revolução”, diz a diretora executiva da Biko, Jucy Silva.

INVISTA NA BIKO!

O Investidor/a Social é um indivíduo ou empresa que queira contribuir com doações em qualquer valor de forma contínua, mensalmente. Os recursos doados são destinados - integralmente - ao desenvolvimento dos projetos sócio-educacionais da Biko.

A contribuição pode ser realizada através de cobrança direta, depósito/transferência via Banco do Brasil. Na prestação de contas, o Instituto envia recibos semestralmente, nos meses de janeiro e julho, ou de acordo com a demanda do(a) investidor(a).

Após um ano de contribuição, o Investidor Social já estará apto a ser Sócio Contribuinte da Biko, o que o possibilitará integrar Assembleias e Reuniões de Diretoria, podendo, inclusive, prestar serviços ao Instituto, dentre outros benefícios.


“Apoio e acredito no trabalho desenvolvido pela Biko no campo da Educação pra jovens negrxs. Tenho histórico de militância acadêmica, pessoal e essa é mais uma forma de contribuir com essa área. Acho importante apoiarmos, coletivamente, a Educação que valorize nossa população negra, nossa história e inserção na sociedade. É na Educação que desconstruímos o racismo e nos empoderamos, pois um povo sem história é um povo sem raiz. A Biko faz isso, pois acompanho seu trabalho e sei como seu projeto rompe com esse racismo que nos foi introjetado. Um racismo que, muitas vezes, limita nosso entendimento de que todos os espaços são nossos", - Maria Inês Barbosa, consultora nacional da Organização Panamericana de Saúde/OMS e Investidora Social da Biko.

Onde serão aplicados os recursos financeiros de meu investimento/doação?

Os recursos financeiros vão integralmente para o desenvolvimento dos projetos sociais, que atualmente atende aroximadamente 200 jovens, além de proporcionar políticas de ações afirmativas em nível nacional.

Quer se unir a nós neste investimento? 
Acesse o link DOE ONLINE e faça a sua doação.

Para dúvidas, entre em contato através dos canais: 
adm@stevebiko.org.br