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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Rap & Hip Hop: Negra Li

Negra Li
' O Silêncio Que Grita! '

Liliane de Carvalho, mais conhecida como Negra Li, é uma cantora, rapper, compositora e atriz. Formada em música pelo coral da Universidade de São Paulo (USP), é considerada o principal nome feminino do rap nacional. Nascida no bairro da Brasilândia, zona norte de São Paulo, Negra Li começou a se interessar pela música ainda na infância. Nessa época, cantava hinos da igreja evangélica Congregação Cristã no Brasil.

Quando adolescente, imitava foi a partir desse momento que passou a ouvir mais a black music. Aos 16 anos, interessou-se pelo rap. Filha de uma funcionária pública e de um dono de bar, deixou de morar com a mãe na Vila Brasilândia e mudou-se para seguir a carreira como cantora. Pretendia ser uma. Negra Li agradece à mãe, professora do município de São Paulo, que lhe deu a oportunidade de ter um boa formação escolar, assim justifica seu sucesso. 

Foi casada de 2008 até 2019 com o músico Carlos Crésio Júnior, conhecido como Júnior Dread. Juntos, o casal teve dois filhos: Sofia, nascida em 25 de agosto de 2009, e Noah Malik, nascido em 25 de julho de 2017. Seus dois filhos nasceram de cesariana, em São Paulo.

Trajetória artística...
Aos 15 anos se matriculou em aulas de teatro e um ano depois, descobriu a paixão pela música participando de um grupo composto por amigos próximos. Em uma dessas apresentações com eles, teve seu primeiro contato com o RZO. O encontro foi tão enriquecedor que Negra passou por testes e se tornou integrante oficial da banda. Juntos, lançaram a música “PazInterior”, que foi a primeira gravação profissional, lançada em 1999. 

O RZO deu grandes oportunidades profissionais para a cantora. A parceria com Charlie Brown Jr foi uma delas. Com a música “Não é Sério” conseguiu reconhecimento não somente do público que consome RAP, mas a fez ser notada por outros segmentos musicais. Em 2005, Negra optou pela carreira solo, entrando no time da Universal Music. Com contrato, se tornou a primeira rapper brasileira a assinar com uma gravadora multinacional. 

Seu primeiro álbum solo vindo dessa parceria foi “Guerreiro, Guerreira”, lançado no mesmo ano. Tal projeto ganhou o prêmio “Video Music Brasileiro” (VMB) na categoria ‘Melhor Videoclipe de Rap’ e o prêmio “Hutúz” como 'Melhor Grupo ou Artista Solo’. Nos anos seguintes, Negra dividiu seus projetos entre música e dramaturgia, suas maiores paixões.

Em 2006, lançou “Negra Livre”. Já o videoclipe da faixa “Você Vai Estar na Minha” lhe rendeu o "Prêmio Jovem Brasileiro” na categoria ‘Melhor Clipe’ e a disputa novamente ao ‘Video Music Brasil’, na mesma categoria. Ainda em 2006 deu vida a personagem ‘Preta’ no longa “Antonia”, sendo uma das cinco protagonistas que devido ao sucesso, o produto se tornou uma série com duas temporadas produzida pela O2 em parceria com a rede globo, além de ter indicação ao ‘Emmy Internacional’ na categoria ‘Melhor Telefilme/Minissérie". 

Em 2009, recebeu o convite do cantor senegalês Akon para dividir os vocais da música “Beautiful”. Esta parceria ganhou versão em vídeo gravado no México, onde a cantora dividiu cenas dançantes ao lado do astro internacional. Na sequência, participou do filme “400 contra 1”, que retrata a história do Comando Vermelho, com direção de Caco Souza e produção da Globo Filmes. Ainda no mesmo ano, recebeu o prêmio ‘Hutúz’ como ‘Melhor Artista Solo Feminina da Década’. Para 2012, trouxe o álbum “Tudo de Novo” com referências de hip hop, soul e R & B, mostrando que pode transitar do Rap para a MPB e que sua versatilidade é inegável. Investindo nessa mistura, sua coletânea teve a participação de Sérgio Britto, Edgard Scandurra, Leandro Lehart, Gee Rocha e Di Ferrero. 

No teatro, interpretou Maria Madalena no musical “Jesus Cristo Super star”, com direção de Jorge Takla e Vânia Pajares. A montagem de 2014 mostrou os últimos dias de Cristo e sua relação com Judas e Maria Madalena. Para ressaltar a raiz africana, a musical e a da periferia, em 2018 divulgou o álbum “Raízes”, passando pelos estilos de R & B, trap, reggae, pop, rap - ritmos latinos e africanos conectados pela sonoridade brasileira. O álbum trouxe parcerias inéditas como Seu Jorge, Gaab, Cynthia Luz e Rael. Sua versão em videosclipes fala da resistência, luta e força dos negros, desde a época da escravião.

No mesmo ano, Negra Li deu vida à personagem Fátima na série “Z4”, produzida pelo canal Disney Channel em parceria com o SBT. Com direção de Marcio Trigo, a série teen ganhou duas temporadas e os atores Werner Schunemann, Angela Dippe e Manu Gavassi também fizeram parte do elenco. Em 2020, fez uma participação na série humorística “O Dono do Lar", no Multishow. A seguir, integrou o elenco de "O Segundo Homem”, de Thiago Luciano, que conta a história de um Brasil com porte de armas liberado. Negra Li e Cleo dão vida a uma dupla de policiais ao lado de Wolf Maia no papel do General Assis. 

Com a chegada da pandemia da Covid-19, a cantora realizou muitas lives de temas relevantes e diversos, destacando-se a que fez em prol do seu bairro de origem, Brasilândia na Zona Norte de SP. Além disso, vem aproveitando para se dedicar à música - ela divulgará grandes novidades esse ano -, e a produção de conteúdos para suas redes sociais. 

Álbum: O Silêncio Que Grita...
Composto por 11 faixas, o álbum une empoderamento, feminismo, questões raciais e políticas, traduzidos em beats, líricas afiadas e melodias que narram uma jornada de resistência, autoestima e esperança. É uma mistura do clássico com o contemporâneo, explorando sonoridades que vão do rap raiz a elementos da música africana, criando uma obra que conecta gerações.

Cada faixa é um capítulo de uma história maior. A estética moderna do álbum dialoga com suas raízes, trazendo referências culturais e históricas que reforçam sua identidade e importância para a música brasileira. Musicalmente, o projeto abrange tudo o que envolve a música preta de forma plural: reggae, afrobeat, samba, boombap, R&B, blues e gospel.

Com feats de peso como Liniker, Gloria Groove e Djonga, o álbum é carregado de mensagens — muitas delas viscerais, outras leves e subliminares — criando nuances de atmosferas que transportam o ouvinte para um universo diferente a cada faixa.

Um dos destaques é o single que encabeça o álbum, com a participação de um dos maiores nomes do rap nacional: Djonga. A faixa é uma releitura de “Olha o Menino”, lançada originalmente em 2005, que, em sua primeira versão, foi feita em parceria com o rapper Helião. O single ganhou um videoclipe gravado na Brasilândia, bairro onde Negra Li cresceu. A narrativa acompanha a rotina do “menino” e sua correria para encontrar um caminho e uma direção na vida.

O audiovisual foi filmado inteiramente em preto e branco para acentuar o tom dramático da história. Apesar da crítica social presente, o desfecho aponta para a esperança: mostra que, apesar das dificuldades, há luz no fim do túnel — o menino cresceu e encontrou seu final feliz.

“O Silêncio Que Grita” revela uma nova face de Negra Li. É um trabalho que transforma dor em arte, opressão em resistência e silêncio em grito, abordando questões sociais, políticas e emocionais frequentemente ignoradas.

' Artista empoderada e dona de sua carreira, Li é uma referência para inúmeras mulheres negras '