Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

DiScOs InCrÍvEiS: Som Nosso De Cada Dia


Som Nosso de Cada Dia
' SNEGS - 1974 '

Nos anos 70, o rock and roll passava por uma metamorfose. Tempos de músicas longas, chamadas “suítes”, muitos sintetizadores, viagens, músicos cabelos, barbudos e muito experimentalismo. Era o rock progressivo.

No Brasil, o prog rock engatinhava. Ao desligarem Rita Lee, Os Mutantes direcionaram seu bem-humorado estilo para beberem na fonte de quem serviu-lhes de inspiração, como Yes, Emerson Lake And Palmer, King Crimson e Premiata Forneria Marconi. O Terço também entrou de cabeça no gênero e surgiram outros grupos, como o Vímana e A Barca do Sol. Mas talvez um dos mais emblemáticos da safra seja o Som Nosso de Cada Dia.


O grupo, que começara batizado Cabala em 1970, lançou quatro anos depois de seu surgimento um disco que é referência na história do rock brasileiro e do gênero progressivo, embora pouco conhecido no mainstream. Entre seus integrantes, o mitológico Manito, o virtuose dos instrumentos, oriundo d’Os Incríveis. Ele, Pedro Baldanza (Pedrinho) e Pedro Batera (Pedrão) fizeram misérias em Snegs.


Manito tocou simplesmente quase todos os instrumentos, exceto bateria e baixo. Os sintetizadores, teclados e pianos que pontuam quase todas faixas são dele, além dos violinos, saxes e flautas. O cara era demais! Mas Pedrinho também faz um ótimo trabalho compondo a cozinha rítmica e nos vocais do álbum.

Gravado em menos de uma semana, Snegs contém verdadeiras pérolas do progressivo nacional, como “Sinal da Paranoia”, “O Som Nosso de Cada Dia”, “Snegs de Biuffrais”, “Massavilha” (um show de Manito nos teclados, aliás), “A Outra Face”, “Direccion de Aquarius”, sem contar o rockão “Bicho do Mato”.


O som do grupo, que lançara seu disco pela Continental, chamou a atenção dos responsáveis por trazer Alice Cooper para uma turnê de shows no Brasil. E o Som Nosso foi convidado para fazer a abertura para o roqueiro estadunidense em cinco apresentações no Rio de Janeiro e São Paulo.

Tocaram para um público estimado em 140 mil pessoas no total e levaram a plateia à loucura. Quando Manito tocava os primeiros acordes de “Massavilha”, a massa roqueira ficava boquiaberta e alucinada com o que via e ouvia. Há quem diga que os shows do Som Nosso fizeram mais sucesso que os de Alice Cooper.

Nessa época, Manito deixou o Som Nosso e foi para Os Mutantes, ocupar o lugar de Arnaldo Baptista – por pouco tempo, diga-se. Ele voltaria ao Som Nosso como músico convidado e a banda teria ainda mais dois integrantes: Egídio Conde, guitarrista egresso do Moto Perpétuo (banda de Guilerme Arantes) e o tecladista Tuca. O grupo lança mais um álbum, Sábado/Domingo, em 1976, pela CBS, com pegada mais funk, onde se destacam as faixas “Pra Swingar” e “Levante a Cabeça!”. Mas a carreira do Som Nosso acabaria ao fim daquele mesmo ao.

Ficha técnica:
Selo: Continental/Phonodisc
Produção: Peninha Schmidt
Gravado em 1973
Tempo: 44’25

Músicas:
1. Sinal da Paranoia (Cimara-Pedro Baldanza)
2. Bicho do Mato (Gastão Lamounier)
3. O Som Nosso de Cada Dia (Paulinho-Pedro Baldanza)
4. Snegs de Biuffrais (Paulinho-Pedrão-Pedro Baldanza)
5. Massavilha (Paulinho-Pedro Baldanza)
6. Direccion de Aquarius (Paulinho-Pedro Baldanza)
7. A Outra Face (Paulinho-Pedro Baldanza)
8. O Guarani (Carlos Gomes) *


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

70's (de)Novo: O Som Nosso De Cada Dia


Som Nosso De Cada Dia
' Sinal da Paranoia '

A banda é uma das maiores do rock e uma referência do progressivo brasileiro, formado em São Paulo em 1971. O grande marco da banda foi o aclamado álbum Snegs (1974), considerado uma obra-prima do gênero no país, trazendo arranjos complexos, peso e forte presença de teclados. A banda destacou-se como atração principal em grandes eventos históricos da contracultura brasileira, como o Festival de Águas Claras.
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Os personagens 

Pedro Augusto Baldanza (Rio Grande do Sul, 6 de março de 1953 - São Paulo, 28 de outubro de 2019), mais conhecido como Pedrão, foi baixista e contrabaixista brasileiro. Participou de diversas bandas importantes no Brasil desde a década de 1970, como as de, Perfume Azul do Sol, Elis Regina, Ney Matogrosso, Sá & Guarabira e Zizi Possi.

Com um baixo Jazz Bass, compôs um conjunto de baile em Ribeirão Pires, chamado Enigma, pedra fundamental para o nascimento dos Novos Baianos. Era um trio. Pedrão, Jean e Odair [Cabeça de Poeta]. Com shows itinerantes para recolher uma grana, foram parar, em um dia abençoado, num boliche em Ubatuba - e aí apareceram três caras mais uma moça: Paulinho [Boca de Cantor], João, Moraes Moreira, o guitarrista Pepeu Gomes e a Baby, quando ainda eram novos só na idade. "A gente fazia umas domingueiras, com muito Cream, Hendrix e Led", recorda Pedrão, revelando um capítulo importante na história do rock brasileiro.

Manito, nome artístico de Antônio Rosas Sanches (Vigo, 3 de abril de 1944 – São Paulo, 9 de setembro de 2011) foi um mult-instrumentista brasileiro. Nascido na Espanha, Manito chegou ao Brasil com nove anos de idade. Aos 24 anos de idade já era músico experiente e participou do movimento da Jovem Guarda na década de 1960. Em 1963, foi um dos fundadores da banda The Clevers. Em 1965, devido a desentendimentos com o empresário da banda, o nome do grupo mudou para ‘Os Incríveis. No ano de 1973, foi convidado por Sérgio Dias Baptista para assumir o posto de tecladista de Os Mutantes, no lugar de Arnaldo Baptista. Após algumas semanas, porém, e da forma mais amigável possível, resolveu abandonar a banda e voltar ao Som Nosso de Cada Dia.

Pedrinho batera participou de inúmeros discos e shows tocando ao lado de várias bandas e músicos por toda história da MPB: Os Condors (1972), Raul Seixas (Há Dez Mil Anos Atrás, 1976), Belchior (Alucinação, 1976), Luiz Melodia e Tim Maia, são alguns artistas diante do enorme expectro da música brasileira e da sua versatilidade como baterista. O cara tocava demais!


História da banda e o álbum Snegs

O SNDCD, foi formado originalmente no ano de 1971, era uma banda diferente das outras que existiam por não contarem com um guitarrista solando, mas apenas um baixista que tocava guitarra eventualmente em algum trecho de alguma música. O grupo era centrado na figura de Manito que já havia feito sucesso com o grupo de rock da Jovem Guarda Os Incríveis. As coisas começaram lentamente até a banda passar a participar de festivais. Em uma dessas apresentações, foram vistos por olheiros da gravadora GEL que recomendaram a contratação da banda para o lançamento de um álbum de estúdio. 

Com a contratação, no ano de 1973, enfrentaram problemas com a gravadora, principalmente tempo escasso de estúdio para realizar as gravações e problemas com os equipamentos do estúdio. Assim, acabaram tendo que realizar as gravações e mixagem de seu álbum de estreia em apenas uma semana em um estúdio que estava com problemas na mesa-de-som.

Após a gravação, passaram a enfrentar outro problema: a gravadora não se animou com o material e colocou o disco na geladeira, adiando o seu lançamento indefinidamente. O grupo continuou fazendo shows e isto rendeu um convite para abrirem os shows que o cantor estadunidense Alice Cooper faria no Rio de Janeiro e em São Paulo. Foram cinco shows em julho que levaram a uma exposição gigante da banda que agradou o público: o maior show no Anhembi, em São Paulo, teve público de mais de 130 mil pessoas (estimativas chegaram até a falar em 158 mil pessoas).

Com a boa repercussão - especialmente dos teclados de Manito na canção "Massavilha", a gravadora resolve lançar o disco e, assim, após quase um ano da sua gravação, Snegs é lançado em 1974. Com o lançamento do disco, o grupo passa a se apresentar como atração principal em diversos festivais, como o primeiro Festival de Águas Claras e o festival Rock da Garoa, ambos em 1975.

Nesta época, gravam um segundo disco contendo uma suíte intitulada "Amazônia", que passam a tocar em apresentações ao vivo. O disco acabaria não sendo lançado pela gravadora e, em novembro de 1975, Manito anuncia sua saída da banda. Os membros remanescentes decidem continuar e a banda passa por diversas formações nos anos seguintes.

Som Nosso
Sábado / Domingo – (1976)


Em 1976, assinam contrato com a gravadora Discos CBS e lançam, no ano seguinte, Som Nosso, contando com: Dino Vicente, Paulinho Esteves e Tuca Camargo (teclados); Egídio Conde (guitarra); Rangel e Marçalzinho (percussão); e Marcinha e Tony Osanah (vocais). Neste disco, a banda também gravou temas influenciados pela música negra e pelo funk de James Brown, com dois lados bem delimitados: um com música dançante; e outro com música progressiva. Após passar por dificuldades para se manter fazendo shows, o grupo acaba em 1978.

Som Nosso, é um disco para sábados e domingos. Ou seja, sábado é funk e domingo é progressivo. Um álbum que mesmo sem a presença do incrível Manito, se manteve com extrema qualidade técnica e agradando os fãs. Infelizmente os caras não investiram na banda e ficaram apenas em dois álbuns de estúdio até o final da década de setenta. No ano de 2011 foi lançado um álbum duplo, Aquarius, com registros ao vivo feitos naquela época, que inclui duas faixas bonus que não fazem parte do álbum original.

Retorno da banda

Em junho de 1993, o grupo volta com a formação original para gravar uma faixa bônus - "O Guarani" - para o relançamento de Snegs, em comemoração aos seus 20 anos de lançamento. Esta volta rende, ainda, duas apresentações em outubro de 1994 - acompanhados por Jean Trad, na guitarra, e Homero Lotito, nos teclados - que resultariam na gravação de um álbum ao vivo, Live '94, lançado pelo selo Progressive Rock Worlwide no mesmo ano. No ano seguinte, morre Pedrinho Batera, levando a banda a novo hiato.

Em 2004, foi lançado mais um registro fonográfico de apresentações da banda. Desta vez, os membros remanescentes escolheram faixas de diversas fitas cassete existentes com apresentações do grupo entre os anos de 1975 e 1976 e lançaram A Procura da Essência – Ao Vivo 1975-1976, pela gravadora Editio Princeps. O disco conta com os músicos Pedrão Baldanza (baixo), Pedrinho Batera (bateria), Egidio Conde (guitarra), Dino Vicente e Tuca Camargo (teclados) e Rangel (percussão).

Em 24 de abril de 2008, o Som Nosso retornou mais uma vez para apresentações na Virada Cultural Paulista. O show ocorreu em um Teatro Municipal lotado e a banda tocou o primeiro álbum na íntegra. Além de Manito e Pedro Baldanza, participaram como músicos de apoio: Thiago Furlan e Jorge Canti (vocais), Marcelo Schevano (guitarra e flauta), Fernando Cardoso (teclados) e Edson Guilardi (bateria).

O sucesso da apresentação levou a banda a realizar novas apresentações, como no festival Psicodália de 2009 e na mesma Virada Cultural Paulista de 2009, desta vez na Praça da República para uma plateia estimada em 35 mil pessoas. Entretanto, O novo regresso é forçado a uma nova pausa em 2010, quando Manito passa a ter problemas de saúde devido a um câncer de laringe, o que o levaria à morte no ano seguinte.

Em 2011, novo registro ao vivo é lançado pela banda, Ao Vivo no Aquarius, pelo selo Museu do Disco. Dessa vez, uma performance realizada em 1976 no Teatro Aquarius (atualmente, Teatro Zaccaro) com os músicos Pedrão Baldanza (baixo e vocais) Egídio Conde (guitarra), Dino Vicente (teclados), Pedrinho Batera (bateria e vocais) e Rangel (percussão e vocais).


Em 2012, a rede globo de televisão usou uma canção funkeada, "Pra Swingar", faixa de abertura do segundo álbum da banda, na abertura da minissérie Suburbia.

A partir de 2017, com novo relançamento do Snegs, a banda retorna e passa a tocar em festivais e shows pelo país.

Em 2019, chegou o álbum tão aguardado, Mais Um Dia, que chegou para quebrar um jejum de 25 anos sem o lançamento de material inédito. O novo álbum traz cinco faixas inéditas, além de uma nova versão de estúdio para o samba funk Black Rio, de 1978, e registra, pela primeira vez, Lixo Per Capita, faixa que esteve presente no repertório da banda desde os anos 1970.

A última formação da banda, e último álbum. 

Pedro Baldanza – Baixo, Vocais.
Mayara Puertas e Rogério Fernandes – Coro (faixas 3, 6).
Edson Ghilard – Bateria.
Pedro Calasso – Vocais, Percussão.
Fernando Cardoso, Roberto Lazzarini – Teclados.
Marcello Schevano – Guitarra, Vocais.
André Knobl – Saxofone, Flauta.
Paulo Pizzulin – Trompete, Flugelhorn. 
Design Gráfico – Galáxia Estúdio.

Discografia

Álbuns de estúdio:
1974 - Snegs (Continental)
1977 - Som Nosso (Sábado / Domingo) (Discos CBS)
2019 - Mais um Dia

Álbuns ao vivo:
1994 - Live '94 (Progressive Rock Worlwide)
2004 - A Procura da Essência – Ao Vivo 1975-1976 (Editio Princeps)
2011 - Ao Vivo no Aquarius (Museu do Disco)

Singles:
1978 - Black Rio / Identificação (Discos CBS)

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