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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Otis Spann


Otis Spann
' O piano refinado e virtuoso do Chicago-Blues '

Dueto com o gaitista James Cotton.
Não é exagero chamar Otis Spann de o maior pianista de Chicago. Talvez seu único rival tenha sido Little Johnny Jones, que, assim como Spann, não passou dos quarenta anos. Spann nasceu em Belzoni, Mississippi, e foi inspirado pelos pianistas locais Friday Ford e Tolley Montgomery, irmão de Little Brother Montgomery. Ele venceu um concurso de talentos aos oito anos e começou a tocar em apresentações de vaudeville locais.

Após a morte de sua mãe em meados da década de 1940, mudou-se para Chicago, onde moravam seu pai e sua tia. Depois de tocar com Morris Pejoe e outros, soube por Jimmy Rogers que Muddy Waters precisava de um pianista e foi prontamente contratado em 1951. Entre 1953 e 1969, tocou na maior parte das gravações de Waters para a Chess Records. Também se tornou um pianista de estúdio fundamental, acompanhando Little Walter, Sonny Boy Williamson II, Howlin' Wolf, Buddy Guy, Lowell Fulson, Junior Wells, Chuck Berry e muitos outros.

A partir de 1960, ele lançou uma carreira solo paralela ao seu trabalho com Muddy Waters. Apesar de ser presença quase diária nos estúdios da Chess, gravou apenas duas sessões como líder. Sua produção solo pela Chess se limitou a um single de 1954, "It Must Have Been the Devil", com B.B. King na guitarra, e a gravações de 1954 e 1956 que permaneceram inéditas por décadas. A Chess pode não ter ficado impressionada na época, mas as gravações resistiram muito bem ao tempo. 

Otis Spann gravou álbuns para diversos selos, incluindo Candid, Prestige, Bluesway, Storyville, Testament, Spivey e Vanguard, entre outros. Spann raramente soava menos do que inspirado, mas ocasionalmente era mal servido por suas gravadoras e seus músicos de apoio. Entre seus sucessos inquestionáveis, destacam-se as gravações para a Candid com Robert Lockwood (lançadas na íntegra, com faixas bônus, mas atualmente fora de catálogo, como Complete Candid Recordings: Otis Spann/Lightnin' Hopkins Sessions), bem como as gravações para a Storyville e dois álbuns para a Bluesway (lançados juntos em Down To Earth: The Bluesway Recordings), com o acompanhamento da banda de Muddy Waters.

Otis e Fleetwood Mac.
Também são essenciais The Blues of Otis Spann, aclamado como um dos melhores álbuns de blues já feitos na Grã-Bretanha, e The Biggest Thing Since Colossus (relançado com várias faixas bônus pelo nome de The Complete Blue Horizon Sessions), no qual Spann é acompanhado por três integrantes da banda de blues britânica: The Fleetwood Mac. 

Não menos bem-sucedidos são as gravações feitas para a Vanguard, Prestige e os dois álbuns para a Spivey, porém nunca foram lançados em CD. Foram feitas diversas gravações pela Storyville Records em 1963 em Copenhagen. Um repertório foi feita para o selo Decca Records do Reino Unido. No ano seguinte ele acompanhou Muddy Waters e Eric Clapton e gravou o álbum dividindo os vocais com James Cotton.

No final da década de 60, ele participou de álbuns de Buddy Guy, Big Mama Thornton, Peter Green e Fleetwood Mac. Alguns vídeos de Spann tocando com esses artistas estão disponíveis, incluindo sua apresentação no "Newport Folk Festival" de 1960 e o "American Folk Blues Festival" de 1963.

Infelizmente, Otis Spann faleceu precocemente aos 40 anos de idade na cidade de Chicago no ano de 1970, vítima de câncer no fígado. Ele foi enterrado no "Burr Oak Cemetery" em Alsip, Illinois. Foi induzido ao Blues Hall of Fame em 1980.