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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Pearl Jam

Pearl Jam
' Do Grunge ao Cult '

O Pearl Jam, membros do Hall da Fama do Rock and Roll, venderam mais de 85 milhões de álbuns em todo o mundo. Com mais de trinta anos de apresentações ao vivo, doze álbuns de estúdio e centenas de gravações piratas de shows ao vivo lançadas oficialmente, a banda continua a ser aclamada pela crítica e um sucesso comercial. Seu mais recente álbum, Dark Matter.


Desde sua origem, o som diferenciado do Pearl Jam – menos barulhento e mais melódico, se comparado aos seus contemporâneos como Nirvana, Soundgarden e Alice in Chains, por exemplo – garantiu lugar de destaque entre as bandas que surgiram no cenário grunge na década de 90.

Hoje, mais como uma banda Cult, eles possuem seguidores fiéis, cultuados por um grupo de fãs ávidos. São admiradores e consumidores mesmo após não estar mais a banda em evidência, devido à produção e projetos filantropos. Muitas obras e fundações, como a "Vitalogy Foundation", fazem a banda atingirem status de cult depois que suas "vidas úteis" supostamente expiraram.

História

A banda Pearl Jam nasceu em Seattle, o berço do grunge na década de 90. Foi formada por músicos que já traziam certa bagagem, e eram conhecidos na cena antes de se juntarem para formar a banda. O baixista Jeff Ament e o guitarrista Stone Gossard remanescentes da banda "Mother Love Bone", precurssora do chamado "movimento grunge", foram os responsáveis pela formação original do Pearl Jam.

Depois do fim de várias bandas em que vinham tocando juntos, Jeff e Stone gravaram uma fita demo com três músicas instrumentais, juntamente com o guitarrista Mike McCready que nessa altura já havia adentrado na banda. A fita chegou às mãos de um cantor que morava em San Diego, chamado Eddie Vedder. Eddie gravou seus vocais por cima da base instrumental e mandou a fita de volta, com suas composições. E, assim que ouviram, encontraram a peça que faltava para o nascimento do Pearl Jam.

Rapidamente a banda ganhou reputação e assinou um contrato com a Epic Records, lançando em 1991 o primeiro álbum: “Ten”. O álbum foi um sucesso e emplacou vários hits nas rádios e na televisão, como “Alive”, “Oceans”, “Jeremy” e “Even Flow”. Vale ressaltar que esse foi um dos poucos álbuns da história do rock que foi tocado inteiro nas rádios.

E é nessa época que surge o famoso mascote da banda, chamado de "Stickman", um símbolo criado pelo baixista Jeff Ament no início da década de 90, aparecendo pela primeira vez no encarte do álbum Ten (1991). Segundo o baixista, ele representa a liberdade e energia crua. O boneco de traços simples tornou-se símbolo da atitude grunge da banda, frequentemente associado à música "Alive" e à resistência.

Em 1993 o Pearl Jam já era um sucesso. Participaram de filmes e especiais, e ganharam o MTV Video Music Awards de melhor banda de Hard Rock / Heavy Metal, Melhor Vídeo de Grupo, Melhor Diretor e Vídeo do Ano pelo clipe provocativo e reflexivo de “Jeremy”. No final de desse ano lançaram o segundo álbum “Vs”, álbum que, até recentemente, era dono do recorde de mais rápida vendagem da história – em apenas 24 horas foram vendidas 350 mil cópias.

O álbum seguinte, “Vitalogy”, lançado em 1994, não obteve o sucesso estrondoso do álbum anterior, porém, a banda continuava fazendo muitos shows e mantendo fiel sua legião de fãs. Curiosamente, o álbum foi lançado primeiro em vinil, e apenas duas semanas depois em cassete e CD. O vinil alcançou o número 55 da parada da Billboard, enquanto o CD chegou à primeira posição.

Em 1995 gravam um novo disco: “No Code”. O quinto disco, “Yield”, foi lançado em 1998. Após seis anos sem produzir videoclipes, lançaram o vídeo de “Do the Evolution”, em animação. A turnê nos Estados Unidos desse ano resultou na gravação de um álbum ao vivo, o “Live on Two Legs”. Nesse mesmo ano, o baterista é substituído por Matt Cameron, ex-integrante do Soundgarden, que ficou integrante definitivo da banda até hoje.

Em 2000 o Pearl Jam lança o disco “Binaural”, com um som menos agressivo, que marcou o início da carreira. Em maio desse ano, a turnê pela Europa foi interrompida de forma trágica no Festival de Roskilde, na Dinamarca. Durante o show, nove pessoas morreram pressionadas contra a frente do palco. Em respeito aos fãs e devido ao abalo emocional da banda, eles decidiram cancelar a turnê, mesmo faltando dois shows para finalizá-la. Anunciaram que não participariam mais de festivais.

Dois anos depois, chega o “Riot Act” com o single “I am Mine”. O som mais agressivo e as performances ao vivo estavam de volta, com o vocalista Eddie Vedder criticando duramente o presidente americano George W. Bush e a guerra no Iraque durante suas apresentações.

Os lançamentos do Pearl Jam em 2003 foram a coletânea de b-sides “Lost Dogs” e o DVD “Pearl Jam at the Garden”. Em 2006, um álbum homônimo à banda é lançado. E em 2009, o CD “Backspacer” é lançado e chega ao primeiro lugar da Billboard. Em 2011, lançam mais um álbum ao vivo, “Live On Ten Legs”.

"Lightning Bolt", o décimo álbum da carreira, foi o de maior tempo entre seus lançamentos. Muito antecipado pela ótima recepção dos dois primeiros singles – a acelerada “Mind Your Manners” e a emocional “Sirens” – Lightning Bolt rapidamente se tornou o trabalho mais aguardado do Pearl Jam em muitos anos. Talvez o mais antecipado globalmente desde que Binaural (2000) criou muitas expectativas criadas pelo anterior Yield (1998). Os verdadeiros fãs da banda certamente irão apreciá-lo, pois representa a essência da música honesta e consistente da banda, que não oscila e é concebida de forma singular.

Os fãs do Pearl Jam são únicos e estar em um show da banda é uma experiência incomparável. Os fãs são sérios e 100% devotados à banda. É quase como estar no meio de uma reunião de culto, e a empolgação gerada é tão intensa que chega a ser um pouco alarmante no início. O público fica hipnotizado por cada palavra de Vedder; é um evento imperdível, sem dúvida.

Em 2020, ano da pandemia por covid-19, é lançado o álbum "Gigaton", com essa pegada de processar e atualizar os problemas reais da humanidade. Coesa e competente como sempre, a banda fez um disco alinhado com as preocupações do novo milênio (ou que deveriam realmente ser preocupações).

Da capa com uma geleira derretendo, passando pelas letras que expõem e alertam sobre os riscos da não ação nas questões ambientais e climáticas e criticam a inércia e a má vontade de quem deveria fazer algo, todos os 57 minutos giram no entorno. Até a economia no virtuosismo instrumental serve para deixar a mensagem mais seca e direta, e talvez por isso mesmo, mais impactante. É o rock do século XXI.

O último álbum da banda, "Dark Matter", lançado em 2024, trouxe uma explosão audível nas canções do disco, com letras mais políticas que consagraram a banda; a própria faixa-título usa acordes em tom maior para propor uma reflexão sobre a ignorância, a ausência de empatia e intolerância nos dias atuais, com Eddie Vedder entoando gritos de doer as cordas vocais em alguns momentos do disco. 

O álbum faz um retorno às raízes, enaltecendo o refinamento e a consagração não necessariamente tornando os membros do Pearl Jam intocáveis — mas ainda interessados em agradar velhos fãs e atrair novos com uma roupagem moderna.

O Pearl Jam nos mostra que para continuar andando para a frente é necessário e urgente pensar em como consertar atitudes ruins de um passado não tão distante, e que podem não permitir que tenhamos um futuro.