Procol Harum
' O pré Rock Progressivo '
Procol Harum é, sem dúvida, uma das bandas que deram início ao que viria ser o Rock Progressivo. Em 1967, o single "A Whiter Shade Of Pale" foi um sucesso imediato e com isto, a ideia evoluiu para o estúdio. A música era feita em torno de uma eclética mistura de blues-rock com temas eruditos. Com o pianista/cantor Gary Brooker e o letrista Keith Reid criando todo o repertório da banda, as coisas evoluíram rapidamente. Lançadas as faixas "A Whiter Shade Of Pale" e "Conquistador", eles ficaram populares, pois com esses singles superaram em vendas todos os outros artistas daquele ano.
![]() |
| David Knights, Gary Brooker, Mattew Fisher, Ray Royer e Bobby Harrison. |
As origens do Procol Harum são de uma banda de escola chamada The Paramounts, que contava com os membros o pianista Gary Brooker, o guitarrista Robin Trower, o baixista Chris Copping, o cantor Bob Scott e o baterista Mick Brownlee. Após conseguirem um certo sucesso nos clubes jovens locais tocando covers dos hits de R'n'R, Brooker, então com 17 anos, assumiu a função de vocalista. Por volta de 1962, eles conseguiram fazer uma temporada no Shades Club, em Southend (cidade-natal da banda), Essex, Inglaterra. Brownlee saiu no início de 63 e foi substituído por Barry J. Wilson, que respondeu a um anúncio no semanário Melody Maker. No final de 1963, Copping foi quem resolveu sair para seguir a Leicester University e foi substituído por Diz Derrick.
![]() |
| Gary Brooker e Keith Reid. |
Uma fita demo com uma gravação de "Poison Ivy", cover dos The Coasters, e "Further On Up The Road", cover de Bobby Bland, levou-os a um teste na EMI. O resultado foi um contrato com o selo Parlophone Records e a chance de gravarem com o produtor Ron Richards, famoso por gravações com The Hollies.
O primeiro single dos Paramounts, "Poison Ivy", lançado em jan/64, alcançou o nº. 35 nas paradas britânicas. Eles também conseguiram um importante empurrão dos Rolling Stones, com quem trabalharam no programa de TV "Thank Your Lucky Stars", onde os Stones citaram os Paramounts como sua banda favorita de R&B inglês.
Infelizmente, nenhum dos subsequentes singles pela Parlophone conseguiram sucesso e, em meados de 1966, os Paramounts foram reduzidos a trabalharem como banda de apoio para artistas como Sandy Shaw e Chris Andrews. Em setembro de 1966, a banda se separou: Derrick largou a música, Trower e Wilson passaram a tocar com outras bandas e Gary Brooker decidiu seguir carreira como compositor. Foi quando Brooker firmou parceria com o letrista Keith Reid, que ele conheceu através de um conhecido mútuo, o empresário Guy Stevens.
Na primavera de 1967, eles conseguiram reunir um conjunto de canções prontas e começaram a procurar uma banda para tocá-las. Um anúncio no Melody Maker levou-os a formarem uma banda inicialmente chamada The Pinewoods (com Brooker como pianista/cantor, Matthew Fisher no órgão, Ray Royer na guitarra, Dave Knights no baixo e Bobby Harrison na bateria). A primeira gravação, produzida por Denny Cordell, foi em cima de uma poesia surreal de Reid chamada "A Whiter Shade Of Pale", que Brooker musicou com influência da "Suite nº. 3 em Ré Maior", de Johann Sebastian Bach. Mas foi quando a gravação estava pronta para ser lançada que o Pinewoods foi rebatizado de Procol Harum.
![]() |
| Capa comemorativa do primeiro álbum. |
No início 1967, a banda tocou "A Whiter Shade Of Pale" no Speakeasy Club, em Londres, enquanto Cordell conseguiu o lançamento do single pela Decca inglesa, em seu selo Deram. Denny Cordell, no mesmo selo, tinha a banda The Moody Blues que estavam a procura de um single de sucesso com um par de gravações no mesmo estilo pré-progressivo. Lançaram: "Nights In White Satin" e "Days Of Future Passed".
Exatamente, por causa dos dois grupos e desses três grandes sucessos, a Deram Records seria para sempre lembrada como um selo que abriu as portas para o chamado Rock Progressivo.
Denny Cordell enviou uma cópia de "A Whiter Shade Of Pale" para a Rádio London, lendária transmissora "pirata" da Inglaterra que competia com a estatal BBC, que detinha o monopólio das transmissões. Assim passaram a ser ainda mais ouvidos pelos jovens e demais bandas. Na sequência, o Procol Harum fez seu show de estreia em Londres abrindo para o The Jimi Hendrix Experience no Saville Theater, em junho de 1967.
A canção alcançou o topo das paradas britânicas e lá ficou por seis semanas, fazendo do Procol Harum um dos únicos seis artistas na história da música britânica a alcançar o nº.1 em seu primeiro lançamento, nem mesmo os Beatles conseguiram esta proeza. No mês seguinte, o single alcançou o nº. 5 nas paradas norte-americanas, com vendas ultrapassando mais de um milhão de cópias e seis milhões no mundo inteiro.
Royer e Harrison foram sacados da banda e substituídos pelos companheiros de Paramounts, Robin Trower na guitarra e B.J. Wilson na bateria. A formação clássica agora estava pronta, e um segundo single, "Homburg", foi gravado. A faixa foi bem nas paradas britânicas mas a ideia era um álbum de estreia. Chamado de "Procol Harum", o disco estourou na Inglaterra e nem "A Whiter Shade Of Pale", nem "Homburg" foram incluídas nele. A versão norte-americana, no entanto, abria com "A Whiter Shade Of Pale" para impulsionar as vendas. Em ambas versões, o álbum trouxe ainda a primeira versão para "Conquistador". As composições do disco era uma mistura de rock psicodélico, blues e influências eruditas, preenchidas por letras fantasmagóricas, uma ótima presença do órgão de Matthew Fisher e a refinada guitarra de Robin Trower. Todas as canções foram compostas pela dupla Brooker/Reid exceto "Repent Walpurgis" (de Matthew Fisher).
Royer e Harrison foram sacados da banda e substituídos pelos companheiros de Paramounts, Robin Trower na guitarra e B.J. Wilson na bateria. A formação clássica agora estava pronta, e um segundo single, "Homburg", foi gravado. A faixa foi bem nas paradas britânicas mas a ideia era um álbum de estreia. Chamado de "Procol Harum", o disco estourou na Inglaterra e nem "A Whiter Shade Of Pale", nem "Homburg" foram incluídas nele. A versão norte-americana, no entanto, abria com "A Whiter Shade Of Pale" para impulsionar as vendas. Em ambas versões, o álbum trouxe ainda a primeira versão para "Conquistador". As composições do disco era uma mistura de rock psicodélico, blues e influências eruditas, preenchidas por letras fantasmagóricas, uma ótima presença do órgão de Matthew Fisher e a refinada guitarra de Robin Trower. Todas as canções foram compostas pela dupla Brooker/Reid exceto "Repent Walpurgis" (de Matthew Fisher).
![]() |
| Formação clássica com as entradas de Robin Trower (g) e B.J. Wilson (d). |
O segundo álbum, "Shine On Brightly", foi lançado em setembro de 1968. O destaque era a faixa épica "In Held 'Twas in I" de 18 minutos que transitava no que bandas como The Nice e The Moody Blues estavam produzindo. Esse álbum é hoje considerado um dos primeiros rascunhos do Rock Progressivo. Contendo canções que remetiam ao final de 1967, passagens psicodélicas e muito virtuosismo, serviu para ampliar esse concito de progressivo, moderno. No mês seguinte, eles tocaram no Miami Pop Festival para 100 mil pessoas ao lado Chuck Berry, Canned Heat, Fleetwood Mac e Turtles, entre outros.
No início de 1969, David Knights e Matthew Fisher deixaram a banda após o término da gravação do terceiro álbum, "A Salty Dog". Entretanto, foi aqui onde eles conseguiram mostrar quão seus talentos poderiam varrer espectros musicais: do blues ao R&B, da psicodelia ao erudito. Ao contrário da estreia gravada apressadamente e do segundo disco feito para aproveitar a onda de sucesso, "A Salty Dog" foi gravado com calma e tempo, dando à banda a chance de desenvolver completamente suas ideias. A faixa-título, por exemplo, é uma das melhores canções que o Procol Harum fez e uma das melhores de todo o Rock Progressivo, um exemplo perfeito em cinco minutos de letras e música combinando para formarem juntos uma peça de performance ao mesmo tempo ousada e sútil. "Juicy John Pink" era outra faixa soberba no estilo Country-Blues (antes da 2ª Guerra Mundial), enquanto "Crucifiction Lane" era Soul Music no matador estilo de Otis Redding e "Pilgrim's Progress" trazia um trabalho virtuoso nos teclados. Os temas das letras eram na maioria náuticos, a própria capa era cópia de uma famoso pacote de cigarros. O uso de orquestra, com produção de Matthew Fisher que canta em três faixas e Robin Trower que canta em uma, começaram a se mover para uma direção diferente marcaram também esse trabalho.
Chris Copping (baixista) entrou no lugar de Knights (recriando a line-up dos Paramounts). Outra turnê pelos EUA aconteceu e o Procol Harum foi tornando-se uma popular banda na seara do Progrock, capaz de atingir um tipo de ouvinte que gostava de artistas como Emerson, Lake & Palmer ou King Crimson. O estilo chamativo de Robin Trower passou a dar destaque na banda, tanto quanto o cantor/pianista Gary Brooker. O órgão majestoso era outro componente fundamental do som da banda, junto com a rebuscada guitarra blueseira de Trower e as letras não usuais, estranhas, sombrias de Reid e a voz de Brooker.
![]() |
| Estética psicodélica. |
Em 1971, após o lançamento do seu quinto álbum Broken Barricades, Robin Trower deixa a banda para formar o seu próprio "power trio". Ele foi substituído por Dave Ball, enquanto Alan Cartwright, um antigo colega de banda de Wilson na banda de Freddie Mack, assumiu o baixo de Copping, que permaneceu no órgão.
Foi quando o grupo precisando se inovar embarcou em um ambicioso projeto: um álbum ao vivo, em conjunto com uma orquestra sinfônica de 52 músicos e um coral de 24 vozes. O repertório foi cuidadosamente escolhido, e as músicas tiveram seus arranjos refeitos (com exceção de A Salty Dog, que já tinha orquestra na sua versão de estúdio, e não foi mexida), para um formato mais grandioso, com orquestra e coral, além de alguns itens a mais (como um solo de guitarra em Conquistador, que não existia originalmente). Vale destacar que o guitarrista Dave Ball tocou muito nessa apresentação.
O show ocorreu no Jubille Auditorium, em Edmonton, no Canadá, e contou com a orquestra sinfônica da cidade e um coral chamado Da Câmera Singers. Os arranjos de orquestra foram feitos pelo líder Gary Brooker, auxiliado pelo convidado Jim Parker.
A abertura, com Conquistador, já conquista o ouvinte logo de cara. A bela melodia original se mostra perfeita para abrir o show. A introdução com orquestra, o solo de guitarra no meio, e as várias intervenções de orquestra tornam a música mais grandiosa, e esta acabou se tornando a sua versão definitiva.
Depois, a emocionante A Salty Dog, que enche o teatro de emoção. O show segue com a roqueira All This and More, que ganha força com a orquestra.
Encerrando o espetáculo, uma versão absolutamente fantástica de In Held Twas In I, usando todos os recursos da orquestra e do coral, e criando um arranjo inesquecível neste épico de 19 minutos.
The Concert With the Edmonton Symphony Orquestra mostra uma abordagem pouco comum na união entre grupo e orquestra. Ambos se tornam um só, e a orquestra aumenta e muito o brilho e a grandiosidade das canções, chegando a passar a impressão de que estas já seriam originalmente assim. É um álbum impecável do início ao fim, que merece ser conhecido por qualquer pessoa que goste de música progressiva.
Este álbum fez um sucesso tão grande quando saiu que pegou a banda de surpresa. Não havia uma turnê programada, e a demanda os fez passar quase todo o ano de 1972 promovendo o álbum. Foi, para muitos, o ápice da carreira do Procol Harum.
O show ocorreu no Jubille Auditorium, em Edmonton, no Canadá, e contou com a orquestra sinfônica da cidade e um coral chamado Da Câmera Singers. Os arranjos de orquestra foram feitos pelo líder Gary Brooker, auxiliado pelo convidado Jim Parker.
A abertura, com Conquistador, já conquista o ouvinte logo de cara. A bela melodia original se mostra perfeita para abrir o show. A introdução com orquestra, o solo de guitarra no meio, e as várias intervenções de orquestra tornam a música mais grandiosa, e esta acabou se tornando a sua versão definitiva.
![]() |
| Capa do álbum ao vivo com Orquestra. |
A seqüência se dá com a fantástica Whaling Stories, com suas diversas variações, e alguns momentos apoteóticos, como a passagem de orquestra para o solo de guitarra, e o lindo encerramento, onde Gary Brooker canta acompanhado do coral.
Depois, a emocionante A Salty Dog, que enche o teatro de emoção. O show segue com a roqueira All This and More, que ganha força com a orquestra.
Encerrando o espetáculo, uma versão absolutamente fantástica de In Held Twas In I, usando todos os recursos da orquestra e do coral, e criando um arranjo inesquecível neste épico de 19 minutos.
The Concert With the Edmonton Symphony Orquestra mostra uma abordagem pouco comum na união entre grupo e orquestra. Ambos se tornam um só, e a orquestra aumenta e muito o brilho e a grandiosidade das canções, chegando a passar a impressão de que estas já seriam originalmente assim. É um álbum impecável do início ao fim, que merece ser conhecido por qualquer pessoa que goste de música progressiva.
Este álbum fez um sucesso tão grande quando saiu que pegou a banda de surpresa. Não havia uma turnê programada, e a demanda os fez passar quase todo o ano de 1972 promovendo o álbum. Foi, para muitos, o ápice da carreira do Procol Harum.
Curiosamente, essa formação da banda só ficou junta neste período: Gary Brooker nos vocais e piano, Chris Copping no órgão, Alan Cartwright no baixo, BJ Wilson na bateria com Dave Ball na guitarra, que sairia do grupo logo após a turnê sendo substituído por Mick Grabham.
A banda continuou a lançar excelentes álbuns por décadas, realizaram muitos shows e a gravar grandes eventos ao vivo lançados para o público. Muitas mudanças foram realizadas na formação da banda ao longo dos anos, mas sempre mesclando com muita qualidade o rock, o sinfônico, o progressivo e o blues-rock. A banda só viria a encerrar as atividades no ano de 2022, após a morte do seu único membro constante em todas as formações, Gary Brooker.
A banda continuou a lançar excelentes álbuns por décadas, realizaram muitos shows e a gravar grandes eventos ao vivo lançados para o público. Muitas mudanças foram realizadas na formação da banda ao longo dos anos, mas sempre mesclando com muita qualidade o rock, o sinfônico, o progressivo e o blues-rock. A banda só viria a encerrar as atividades no ano de 2022, após a morte do seu único membro constante em todas as formações, Gary Brooker.





