Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

LiTeRaTuRa: Renato Noguera

Filosofia Africana
Trilha de Letras recebe o filósofo e escritor Renato Noguera

Em tempos de tanto ódio, ainda há espaço para os afetos? Esse é o tema da semana do programa #TrilhaDeLetras. E quem conversa sobre o tema com a apresentadora Eliana Alves Cruz é o filósofo, educador e escritor Renato Noguera. Com obras que investigam por que amamos ou o que é luto, ele discute as diferenças culturais na concepção de amor no Ocidente, fala sobre a construção social dos afetos, e, com sua formação de griô, um difusor de conhecimento e tradições nas comunidades africanas, ele explica o papel da ancestralidade na construção da autoestima das crianças, e de que forma isso impacta na relação que elas vão desenvolver com o mundo futuramente.

Livro:
Por que amamos: O que os mitos e a filosofia têm a dizer sobre o amor.

Capa comum – 17 agosto 2020 - Edição Português por Renato Noguera (Autor), Djamila Ribeiro (Prefácio).

Sinopse:
Por que amamos? O que está por trás desse sentimento que, segundo dizem, move montanhas?

É se debruçando sobre a filosofia, a ancestralidade, mitos africanos, indígenas, orientais, ocidentais e até sobre a biologia que Renato Noguera nos leva a refletir sobre os diferentes significados do amor.

Amar é querer aprender, ensinam-nos os gregos. A esse aprendizado, soma-se outro fundamental, desta vez proveniente de culturas afro-indígenas: amar não é uma emoção individual, mas coletiva, e pode envolver duas, três, quatro pessoas, ou mesmo uma comunidade inteira – o que é explicado também pela biologia.

A alquimia de Noguera está em mostrar como os ensinamentos de filósofos e pensadores das mais diversas eras e sociedades não se contradizem, mas complementam-se.

Por que amamos? Não há apenas uma resposta – assim como não há apenas uma forma de amor.


terça-feira, 2 de dezembro de 2025

FiLoSoFiA AfRiCaNa: Ubuntu

Fundamentos da Filosofia Ubuntu

A filosofia Ubuntu é um conceito africano que se traduz como: 

"humanidade para com os outros" e é resumida pela máxima "Eu sou porque você é"

A palavra Ubuntu tem origem nos idiomas zulu e xhosa do sul do continente africano e tem como significado a humanidade para todos. Nesse sentido, a Filosofia Ubuntu fundamenta-se em uma ética da coletividade, representada principalmente pela convivência harmoniosa com o outro e baseada na categoria do “nós”, como membro integrante de um todo social. Dessa forma, esse trabalho tem como objetivo refletir sobre os fundamentos da Filosofia Ubuntu, considerando-a como uma das várias correntes da filosofia africana. Assim, será desenvolvido através de uma pesquisa bibliográfica, requerendo o uso do método explicativo. 

A Filosofia Ubuntu resgata a essência de ser uma pessoa com consciência de que é parte de algo maior e coletivo. Para isso, de acordo com os fundamentos da Filosofia Ubuntu, somos pessoas através de outras pessoas e que não podemos ser plenamente humanos sozinhos, sendo feitos para a interdependência. Nesse contexto, fundamenta-se nas relações entre o divino, a comunidade e a natureza. Porém, a Filosofia Ubuntu procura resgatar o conceito de Comum para alcançar a democracia, ou seja, uma multiplicidade de singularidades. Para tal, tem a igualdade como um princípio fundamental e condicional para a existência do outro.

A ideia de ubuntu inclui respeito pela religiosidade, individualidade e particularidade dos outros.

Ubuntu ressalta a importância do acordo ou consenso. A cultura tradicional africana, ao que parece, tem uma capacidade quase infinita para a busca do consenso e da reconciliação (Teffo, 1994a: 4 – Towards a conceptualization of Ubuntu).

Embora possa haver uma hierarquia de importância entre os oradores, cada pessoa recebe uma chance igual de falar até que algum tipo de acordo, consenso ou coesão do grupo seja atingido. Este objetivo importante é expresso por palavras como Simunye (“nós somos um”, ou seja, “a união faz a força”) e slogans como “uma lesão é uma lesão para todos” (Broodryk, 1997a: 5, 7, 9 – Ubuntu Management and Motivation, de Johann Broodryk). Uso da palavra com a democracia na África do Sul

Após quase cinco décadas de segregação racial apoiada pela legislação, o processo de construção da África do Sul no pós-apartheid exigia igualdade universal, respeito pelos direitos humanos, valores e diferenças. Desta forma, a ideia de ubuntu estava diretamente ligada à história da luta contra o regime que excluía a cidadania e os direitos dos negros.

UBUNTU
| POR UMA FILOSOFIA QUE DESCOLONIZA |
| Prof. Renato Noguera |