Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Heavy Metal: SLAYER


Slayer

As raízes do Slayer surgem no ano de 1981 em Los Angeles, EUA. O guitarrista Kerry King já tinha tocado em várias bandas sem sucesso, e queria formar sua própria banda. Ele conheceu um 
guitarrista chamado Jeff Hanneman e os planos começaram a acontecer. Kerry King conhecia também um baixista da cena chamado Tom Araya, nascido no Chile, que já havia tocado com ele em outras bandas anteriormente e decidiu convidá-lo para sua nova banda. Faltava então um baterista, e King sabia de um cara que tinha trabalho fixo porém tocava bateria nas horas vagas, era Dave Lombardo, que aceitou imediatamente o convite.

Sem nome definido para a banda, eles tocavam nos bares músicas covers das bandas do chamado "New Wave of British Heavy Metal" (NWOBHM), surgida no Reino Unido no final da década de setenta. Bandas como o Judas Priest e UFO, por exemplo, eram  executadas de forma bem mais rápida e pesada no repertório deles.


Passado dois anos os quatro estavam compondo algumas músicas mas ainda se apresentando em pequenos lugares. Em 1983 eles foram convidados a se apresentarem num clube de Los Angeles onde foram vistos por Brian Slagel, presidente da recente gravadora Metal Blade. Ao final do show, Brian se apresentou e ofereceu para a banda gravar uma música para ser incluída no projeto de uma coletânea de bandas chamado "Metal Massacre III", onde a banda Metallica tinha lançado sua primeira música em 1981 no "Metal Massacre I". A banda aceitou, assinou um contrato com a gravadora e gravou a música "Aggressive Perfector" que acabou sendo um dos grandes destaques do "Metal Massacre III".

A banda então mais confiante, decide gravar seu primeiro álbum. O financiamento veio basicamente de uma poupança de Tom Araya e a outra parte emprestada pelo pai de Kerry King. Com isso eles gravam o primeiro álbum que foi finalizado em três semanas e lançado logo em seguida no final de 1983. "Show No Mercy" é considerado o pai do Thrash Metal (junto com "Kill em' All" do Metallica lançado dois anos antes) e é o álbum que mais aborda temas como satanismo e ocultismo entre todos os álbuns do Slayer. As canções foram todas compostas por King e Hanneman com destaque para a faixa de abertura do álbum "Evil Has No Boundaries". O álbum trazia vocais gritados que chegavam a beirar o gutural em certos momentos, riffs rápidos de guitarra, solos ainda mais rápidos e uma bateria com pedal duplo em uma marcação alucinante. O resultado do álbum foi um bom sucesso para um álbum de estreia, vendendo cerca de 40 mil cópias pelo mundo, sendo a metade apenas nos EUA. Após o lançamento do álbum a banda faz sua primeira turnê norte americana que teve todo o luxo do velho camaro de Tom Araya puxando um trailer onde eles ficavam hospedados entre um show e outro.

Conforme crescia a popularidade da banda 
diante da sonoridade tensa e teor ocultista das letras, eles começaram a ser acusados de satanistas. Tom Araya, de família cristã, disse que quando King ou Hanneman faziam algumas música com referências ao demônio, eles não queriam incitar as pessoas ao satanismo, e sim que as pessoas pudessem perceber que a religião sempre que foi usada como alienação ou controle, fomentava injustiça e violência.

Em 1984 eles decidiram lançar o EP "Haunting the Chapel" que era mais obscuro e que contava com apenas três músicas, sendo a principal "Chemical Warfare" que é um dos grandes clássicos do Slayer sendo executada ao vivo nos shows até hoje. Nessa época Kerry King chegou a sair da banda para tocar com o Megadeth, banda de Dave Mustaine (co-fundador do Metallica) que estava subindo muito rápido nas paradas com seu primeiro álbum "Megadeth". King fez cinco apresentações com a banda, mas depois acabou saindo para voltar a se dedicar ao Slayer o que acabou gerando uma famosa rixa entre as duas bandas. 

Ainda em 1984 o Slayer lançou seu primeiro álbum ao vivo, "Live Undead", gravado naquele mesmo ano na turnê que eles faziam junto com as bandas Venom e Exodus.

A banda então ganhando algum destaque na cena underground do metal e conquistando uma parcela de seguidores, voltou para estúdio em 1985 para gravar seu segundo álbum, agora apoiado e financiado por uma gravadora. 

"Hell Awaits" teve uma resultado excelente e a banda deu um salto gigante, entrando de vez no radar da mídia e do público. O álbum ainda continha temas satânicos e obscuros fazendo relativo sucesso entre os fãs e vendendo cerca de 100 mil álbuns pelo mundo. Este álbum deu muita visibilidade e respeito ao Slayer. 

O grande destaque do álbum está na intro dele, com uma recepção de "Join Us" (junte-se a nós) e pouco antes do começo da primeira música "Welcome Back" (bem vindo de volta). O segundo álbum do Slayer, além de ter boas vendas acabou sendo eleito por uma revista inglesa como o melhor álbum de "thrash metal" do ano de 1985.

Após o sucesso do álbum o Slayer foi contatado por algumas gravadoras maiores que quiseram assinar um contrato com a banda. O novo contrato da banda foi assinado com a Def Jam Records, que até então era uma gravadora de Rap e Hip Hop. O produtor do próximo álbum seria Ricky Rubin, muito renomado na cena.

O novo álbum da banda teve uma "remodelagem" com uma mudança de composição para músicas mais longas e complexas, deixando de lado os temas satanistas e passando para reflexões religiosas, nazifacismo e a insanidade humana. A banda foi acusada de apoiar o nazismo, devido às suas músicas que relatavam episódios horrorosos da segunda guerra mundial.

O álbum foi lançado em 1985 sob o nome "Reign in Blood", porém não foi incluído no calendário de lançamentos da gravadora, tendo quase nenhuma divulgação e praticamente não tocando em nenhuma rádio. Mas como a massa de fãs estava crescendo muito, o álbum surpreendeu pelas vendas chegando a ganhar um disco de ouro. O álbum também teve destaque na revista "Kerrang!", como o álbum mais rápido e pesado de todos os tempos e foi o primeiro álbum do Slayer a entrar na Billboard 200, ficando em 94º.

A distribuidora oficial da Def Jam Records na época era a Columbia, mas esta se recusou a distribuir o álbum "Reign in Blood" por ele ser muito pesado, o que levou a gravadora a distribuir o álbum através da Geffen, que também não achava o álbum muito apropriado, mas teve que aceitar o acordo.

Durante a turnê houve um pequeno desentendimento entre a banda e Dave Lombardo que achava que a banda não estava sendo apropriadamente paga. Dave saiu da banda e o Slayer continuou a turnê com Tony Scaglione em seu lugar, mas pouco tempo depois a esposa de Dave o convenceu a voltar para a banda. Com isso Dave Lombardo volta para o Slayer ainda naquela turnê.

O quarto álbum da banda trouxe outro direcionamento musical e uma divisão de opiniões entre os fãs e a crítica. Após o lançamento de "Reign in Blood" os fãs esperavam algo do mesmo calibre, rápido e pesado, mas a banda sabia que dificilmente iria conseguir produzir outra obra prima como aquela e decidiu fazer um álbum com o som mais cadenciado, porém sem perder o peso. 

Nada mais segurava o Slayer, e "South of Heaven" foi lançado em 1988 e atingiu a 57ª posição na Billboard 200, além de ganhar o segundo disco de ouro da banda. 

Já no ano seguinte a banda decidiu voltar para o estúdio e dar início as gravações do próximo álbum. "Seasons in the Abyss" foi lançado em 1990, misturava as músicas rápidas que os fãs tanto esperavam como em "Reign in Blood" e um som mais cadenciado e pesado em outras faixas ao estilo "South of Heaven", isso agradou à todos. 

O disco alcançou a 40ª posição na Billboard ganhando o primeiro disco de platina da banda. As faixas "War Ensemble" e "Dead Skin Mask" são matadoras, consagrando de vez o sucesso mundial e consolidando a banda como um dos pilares do "thrash metal". Ao longo de toda a história do heavy metal, esse álbum é considerado uma referência e um dos melhores álbuns do estilo.

Em 1991 a banda decidiu lançar um álbum duplo gravado ao vivo em comemoração aos 10 anos de banda. O álbum foi batizado de "Decade of Aggression" contendo 21 clássicos da banda e chegando a 55ª na Billboard.

Em 1992 novamente ocorrem problemas da banda com Dave Lombardo que acaba saindo da banda novamente e forma sua própria banda "Grip Inc.". O Slayer então convida o baterista Paul Bostaph da banda Forbidden para comandar as baquetas da banda. Sua estréia pela banda foi em 1993 no Monsters of Rock em Donnington.

O primeiro trabalho da banda com o novo baterista foi lançado em 1994 com o nome "Divine Intervention" que teve a melhor estreia de um disco do Slayer ficando em 8º lugar na Billboard. O álbum trazia temas como o nazismo, serial killers, religião e críticas ao governo. A banda saiu em turnê em 1995 e naquele mesmo ano tocou na nova edição do festival Monsters of Rock.

Em 1996 a banda decidiu lançar um álbum de covers, "Undisputed Attitude", que contava com uma faixa inédita do Slayer, "Gemini", e duas outras de um projeto paralelo, Pap Smear, de Jeff junto com Kerry compostas em 1985. O álbum manteve a média dos álbuns da banda, ficando em 34º lugar da Billboard 200.

Logo após o lançamento do álbum o baterista Paul Bostaph deixou o Slayer para trabalhar em seu projeto paralelo e a banda teve que recrutar o seu substituto as pressas. O escolhido da vez foi John Dette da banda Testament, que fez sua estreia ao vivo com a banda no festival Ozzfest de 1996. Entretanto pouco antes de completar um ano com a banda ele acabou sendo demitido por indiferenças com os outros membros da banda, o que trouxe de volta Paul Bostaph para o Slayer.

Em 1996 a banda foi processada pelos pais de uma garota chamada Elyse Pahler que havia sido sequestrada, violentada e assassinada por três garotos que se diziam fãs da banda. De acordo com os três eles só fizeram isso porque foram incentivados através das músicas do Slayer. O processo só foi terminado em 2001 quando o juiz julgou o caso improcedente por liberdade de expressão e falta de previsibilidade. A família tentou um segundo processo por danos morais, agora contra a banda e contra a gravadora, mas novamente o juiz julgou o caso improcedente e afirmou que a música do Slayer não era motivador de crime, indecente ou prejudicial aos jovens.

A banda voltou a estúdio em 1997 e lançou seu novo álbum em 1998. Intitulado "Diabolus in Musica", é considerado o álbum mais experimental da banda até hoje, mas sem perder todo o peso característico da banda, vendendo 46 mil cópias só na primeira semana, alcançando o 31º lugar nas paradas americanas. Logo após o lançamento do álbum a banda anunciou sua turnê mundial, começando pela Ozzfest no Reino Unido.

A banda entrou num pequeno recesso antes de lançar um novo álbum por indefinições e caminhos artísticos que deveriam seguir. Outros estilos estavam em alta na virada do século, muitas bandas estavam trazendo novas sonoridades no mundo do heavy metal. Mas a banda decidiu continuar fiel ao "thrash metal" e voltar às suas raízes. Definido os caminhos a serem tomados
 e alguns imprevistos na mixagem e edição final, outro álbum finalmente foi lançado em 2001, "God Hates Us All", uma retorno ao som pesado e das origens da banda, sem muitos experimentos como nos últimos álbuns.

Pouco depois de iniciar a turnê, Paul Bostaph machucou o cotovelo e teve que deixar a banda para cuidar da lesão, deixando o Slayer desfalcado no meio da turnê. Foi a chance de Dave Lombardo voltar a tocar com os velhos amigos e os ajudarem finalizar a turnê. Dave não só aceitou o convite como acabou voltando a ser membro efetivo do Slayer no final de 2001.

O título "God Hates Us All" (Deus Odeia a Todos Nós) acabou sendo bastante propriado para a data de lançamento, já que, coincidentemente, o álbum foi lançado no mesmo dia 11 de setembro de 2001, dia do atentado às torres gêmeas do centro financeiro de Nova Yorke.

Durante o ano de 2003 a banda entrou num projeto de tocar o álbum "Reign in Blood" na íntegra em seus shows, com uma turnê chamada "Still Reigning", tendo a apresentação do Maine em 2004 gravada, quando a banda termina a música "Reign in Blood" e toma um banho de sangue falso no palco. O show foi lançado no DVD que leva o mesmo nome da turnê. E ainda em 2004 a banda lançou "War at the Warfield" (um homevideo) e "Soundtrack to the Apocalypse" que era um box com CD e DVD de músicas e apresentações raras da banda.

O novo álbum da banda, muito aguardado por ser o primeiro com Dave Lombardo desde sua saída em 1990, estava planejado para junho de 2006, mas acabou sendo adiado e em seu lugar a banda decidiu dar um gostinho para os fãs com o EP "Eternal Pyre", que trazia a música "Cult" e teve suas cinco mil cópias vendidas em poucas horas no mesmo dia.

Finalmente em agosto do mesmo ano chega o novo álbum da banda, "Christ Illusion", que logo na primeira semana entrou no 5º lugar da Billboard 200, tendo ganhado o Grammy daquele ano com a melhor performance de metal com a música "Eyes of the Insane". A turnê que se seguiu ao álbum foi acompanhada por bandas como Children of Bodom e Lamb of God.

Em 2009, o baixista e vocalista da banda, Tom Araya disse à imprensa que o contrato da banda era de apenas mais um álbum e depois disso ele não sabia se o Slayer continuaria, já que ele não se imaginava tocando com mais idade e estava relevando uma suposta aposentadoria.

Em 2 de novembro de 2009 a banda lançou seu 11º álbum de estúdio, "World Painted Blood", que de acordo com o próprio Tom Araya, era uma mistura de tudo que o Slayer já tinha feito até então, algo como o "Season in the Abyss", de 1990. Com 41 mil cópias vendidas na primeira semana, o álbum alcançou a 12ª colocação na Billboard 200, tendo uma boa recepção dos fãs e da crítica "especializada".

Em maio de 2010 a banda tocou na Bulgária junto com Metallica, Megadeth e Anthrax no concerto chamado de "Big Four", reunindo as consideradas as quatro maiores bandas de Thrash Metal. O Slayer tocou seus maiores clássicos e faixas do novo álbum.

Em 2011 o guitarrista Jeff Hanneman sofre uma picada grave de aranha no braço e vai parar no hospital, e a banda chama o guitarrista Gary Holt, do Exodus, para substituí-lo provisoriamente. Hanneman voltou para a banda um tempo depois aparentemente recuperado das lesões.

O ano de 2013 foi difícil para o Slayer, primeiro com a saída de Dave Lombardo por desentendimentos entre ele e o resto da banda sobre os direitos e royalts, dizendo que os empresários e a gravadora ficam com uma parte muito grande em relação aos músicos. E pouco mais de 2 meses depois, em 2 de maio, vem a notícia do falecimento do guitarrista Jeff Hanneman devido às complicações renais que o levou a uma insuficiência hepática. Mesmo depois de recuperado da fatídica picada de aranha, Jeff ainda lutava contra um suposto necrosamento na região afetada, o que pode ter complicado ainda mais o problema com a segunda doença que o levou a óbito.

A banda em respeito à memória de Jeff Hanneman, cancelou alguns shows e decidiu continuar com Gary Holt como guitarrista definitivo, além de anunciar Paul Bostaph de volta na bateria da banda. 

Produzido por Terry Date, conhecido por trabalhos com Pantera e Soundgarden, "Repentless" foi lançado em 2015 é o único álbum da banda sem Jeff Hanneman e o primeiro com Gary Holt (Exodus) gravando as guitarras. Também marca o retorno do baterista Paul Bostaph em estúdio desde "God Hates Us All". O título já entrega a postura: sem arrependimentos, sem concessões, fiel ao espírito brutal que sempre definiu o grupo. Riffs diretos, agressividade crua, poucas experimentações. É
 um álbum honesto, feito com sangue nos olhos e a convicção de que o Slayer só poderia terminar sendo o Slayer. Sem arrependimentos, sem concessões. Uma despedida brutal dos álbuns de estúdio e digna de uma lenda.

O impacto de Repentless foi imediato: estreou no top 5 da Billboard, ganhou turnês mundiais massivas e consolidou a despedida do Slayer em grande escala. Ao vivo, as faixas novas funcionavam como combustível extra, mantendo o público em chamas. Com o tempo, o disco ganhou contornos de documento histórico: o último capítulo de uma das bandas mais importantes da história do metal.

Tom Araya e Kerry King

O Slayer continua sendo destaque por onde passa, sem dúvida alguma uma das melhores bandas ao vivo participando de shows memoráveis por todo o mundo. Sempre com muita energia em cima dos palcos e mostrando como é que se faz um show de Thrash Metal de verdade. 

O Slayer continua firme e forte mantendo seu legado e fazendo a cabeça dos headbangers !!