T-Bone Walker
' arranjos do jazz com a alma do blues '
Aaron Thibeaux Walker nasceu em Linden, no Texas, em 28 de maio de 1910. Tinha ascendência Afro-americana com Cherokee. Ainda muito jovem, sua família mudou-se para uma região no sul de Dallas conhecida como Oak Cliff onde ele aprendeu a tocar violão com Blind Lemon Jefferson, outro músico referência de folk blues. A primeira gravação de Walker foi batizada de "Wichita Falls Blues"/"Trinity River Blues", pela gravadora Columbia Records em 1929 com o nome de Oak Cliff T-Bone.
_____________________________________________________
Um vetor de estilos e performático no palco...
Quem pensa que o som do blues moderno foi criado por Mike Bloomfield e Paul Butterfield na década de 1960 ou por John Mayall e Eric Clapton é porque nunca ouviu T-Bone Walker, o real criador. O primeiro músico de blues a usar uma guitarra acústica amplificada, T-Bone Walker é sem dúvida aquele que lançou as bases para o que é conhecido como o moderno blues urbano. Ele foi a ponte entre o jazz e o blues e criou um estilo que influenciou todo guitarrista desde então.
Bem antes de Hendrix e Chuck Berry, Walker tinha um expressão performática arrasadora no palco, tocava com a guitarra nas costas, com os dentes, passava a guitarra entres as pernas, rolava no chão, entre muitos outros "números". A influência de Walker ultrapassou a sua música.
Ele foi o herói de infância de Jimi Hendrix que procurou de alguma forma imitá-lo ao longo de sua vida. BB King também afirmou que T-Bone Walker foi sua principal influência. Seus riffs também ecoaram em Freddie King, Chuck Berry e Jimmy Rogers. T-Bone mudou o mundo do blues, pioneiro da guitarra elétrica a popularizou levando-a ao jazz, ao swing, ao doo-wop, um estilo vocal baseado no rhythm and blues, e foi também de grande importância na construção do soul e do rock’n’roll. Nenhuma quantidade de elogios pode transmitir plenamente a importância monumental do que T-Bone Walker deu ao blues e a sua influência em muitos guitarristas.
T-Bone Walker era um artista completo, igualmente hábil em tocar a sua guitarra como em cantar e dançar. Muitas vezes imitado, tocava a guitarra de uma maneira muito especial e é como guitarrista de blues que lembramos dele, mas a sua voz suave, era tão elegante quanto o som de sua guitarra. Foi um músico que escreveu as suas próprias partituras, a sua canção mais conhecida, ‘Call It Stormy Monday’, foi descoberta por quase todos os músicos de jazz e de blues, assim como por quase todas as bandas de rock dos anos 70.
T-Bone Walker era um artista completo, igualmente hábil em tocar a sua guitarra como em cantar e dançar. Muitas vezes imitado, tocava a guitarra de uma maneira muito especial e é como guitarrista de blues que lembramos dele, mas a sua voz suave, era tão elegante quanto o som de sua guitarra. Foi um músico que escreveu as suas próprias partituras, a sua canção mais conhecida, ‘Call It Stormy Monday’, foi descoberta por quase todos os músicos de jazz e de blues, assim como por quase todas as bandas de rock dos anos 70.

No início da década de 1960, a carreira de T-Bone Walker começou a decrescer, apesar de sua apresentação no ‘American Folk Blues Festival’ em 1962 com Memphis Slim, entre outros. Portanto, ‘T-Bone Blues’ é o último disco realmente indispensável da carreira do guitarrista. Originalmente lançado em 1959 o relançamento em 1994 adicionou quatro faixas bônus, incluindo ‘Why Not’, que Jimmy Rogers surrupiou e mais tarde registrou como ‘Walkin’ by Myself’ e creditou a si mesmo, e uma interpretação comovente de ‘How Long Blues’ do cantor, compositor e pianista Leroy Carr.
O som é simplesmente magnífico, tão nítido que parece que T-Bone está sentado do nosso lado. E é apoiado por Junior Wells na gaita, Jimmy Rogers na guitarra, Ransom Knowling no baixo, Lloyd Glenn no piano e pelos saxofonistas Mack Easton, Goon Gardner, Plas Johnson e Eddie Chamblee. E T-Bone está soberbo em todo álbum, basta ouvir os seus solos inspiradíssimos em ‘Blues For Marili’, ‘Mean Old World’, na clássica ‘T-Bone Blues’, e na versão definitiva para ‘Papa Ain’t Salty’. E é uma delícia ouvi-lo em ‘Play On, Little Girl’, acompanhado pelo gaitista Little Walter, e também em ‘T-Bone Blues Special’.
Há também uma série de instrumentais surpreendentes. Duelos de T-Bone Walker com o seu sobrinho guitarrista R.S. Rankin e com o estimado guitarrista de jazz Barney Kessel na ‘Two Bones And A Pick’. Os destaques são muitos. Realmente, ‘T-Bone Blues’ é um álbum gratificante. Um complemento essencial para qualquer coleção de blues elétrico.
Entre as listas dos guitarristas mais influentes de todos os tempos, T-Bone Walker foi o primeiro blueseiro a ligar sua guitarra num amplificador, ainda no começo dos anos 40 dando origem ao blues elétrico urbano, que revolucionou o gênero e a série o grande pilar da invenção do rock.
Ao tocar em lugares com um público maior que o de um boteco de estrada — ou juke joint, como se chama no Sul dos Estados Unidos — os blueseiros descobriram que sua música não seria ouvida a não ser que fosse tocada num volume mais alto. Mas sim, sempre que você ler que Bob Dylan foi o primeiro cantor de folk a fazer isso, lembre-se que T-Bone Walker fez isso antes (e que o blues, em sua essência, é um gênero de música folk).
Ele é considerado o inventor do solo de guitarra como conhecemos hoje, pensando em termos de construção. Ou seja, muitos solos de rock nasceram ali, nas mãos do texano Chuck Berry. Para se ter uma ideia do quanto Walker estava avançado, basta ouvir a música "T-Bone Jumps Again para perceber que, já nos anos 40, ele estava tocando algo muito mais próximo do rock dos anos 50 que do blues das décadas anteriores. Mas não podemos nunca deixar de lado que Walker era, antes de tudo, um cantor de blues, e as grandes preciosidades de sua carreira estão nas canções mais arrastadas. Boa parte de sua obra tem aquele ar de fim de noite com letras coloridas que, graças ao som doce de sua guitarra, ganham corpo e benefícios ao mesmo tempo.
T-Bone nos deixou aos 64 anos em 16 de março de 1975, na cidade de Los Angeles.
Walker consegue retomar o cotidiano não apenas do blueseiro mas também do homem comum, e com uma genialidade brilhante, deixando claro algo que sempre defende: o blues não é sobre estar triste, e sim sobre querer estar feliz amanhã — mesmo sabendo que as chances disso acontecerem são pequenas.
_____________________________________________________


