Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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domingo, 13 de julho de 2025

Museu: Itamar Assumpção

EXPOSIÇÃO

"AFRO BRASILEIRO PURO"

Museu Itamar Assumpção:

 https://www.itamarassumpcao.com/

“Sou afro brasileiro puro”, dizia Itamar Assumpção na letra de “Cabelo Duro”, faixa do álbum Isso Vai Dar Repercussão, que gravou em parceria com Naná Vasconcelos em 2003. Afim de afirmar sua pretitude, afirmava também a contradição que contém a ideia de ser afro-hífen-brasileiro e a ideia de pureza. Só quem é fruto de séculos de histórias de trânsitos, viagens e atravessamentos pode carregar em si tamanha complexidade.

Coincidentemente, ou não, Ita é o nome que se dava aos paquetes brasileiros, barcos a vapor que transportavam cargas e pessoas. Itagiba. Itapagé. Itahité. Itajubá. Itamar. Corpo-embarcação navegando pelas veias abertas do Atlântico Negro e seus fluxos sanguíneos, recebendo impulso do hálito marítimo. O Oceano que liga a África às Américas é uma entidade viva e movente. Mais que isso, é local de entrecruzamentos, é o caminho.

“Afro brasileiro puro” é uma exposição de longa duração sobre a trajetória deste músico ímpar, cantor, compositor e poeta. Entretanto, no país do delírio da democracia racial, é preciso dizer ao que se veio: conta-se aqui a trajetória de um artista negro, vindo do interior, que encontrou em São Paulo seu porto. Músico independente, pai, marido, irmão, amigo. Itamar foi Humano, acima de tudo, esse tipo de ser preenchido de dignidade. Sua vida é um espelho de muitas outras e sua obra um caleidoscópio músico-visual. Como dirá Tiganá Santana, “O Nego, além de Dito, é multiplamente traduzível” e ultrapassa as relações “entre agora e a ancestralidade, que são (a)o mesmo tempo”.



Em uma espiral, o discurso expositivo apresenta o material do acervo em relação com importantes narrativas negras, revelando documentos, imagens, vídeos, figurinos, objetos, multiplicando a potência artística de Ita. Ida e volta no tempo em uma busca por novas maneiras de narrar.

Equipe curatorial
Ana Maria Gonçalves, Anelis Assumpção,
Frederico Teixeira e Rosa Couto.