Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Esperanza Spalding

Esperanza Spalding

Spalding conduzindo a banda com seu baixo fretless.

Esperanza Spalding (nascida em 18 de outubro de 1984, Portland, EUA) é uma baixista, cantora e compositora americana cujo talento precoce e espírito aventureiro musical lhe trouxeram considerável sucesso dentro e fora do mundo do jazz.

Spalding cresceu em um lar multilingue e multiétnico sua mãe solteira tinha ascendência galesa, hispânica e indígena americana, e seu pai era afro-americano. Inspirada pelo violoncelista Yo-Yo Ma, a quem viu se apresentar no programa infantil de televisão "Mister Rogers' Neighborhood", ela aprendeu sozinha a tocar violino ainda criança. 
Aos cinco anos, já havia conquistado uma vaga na orquestra comunitária local, a Chamber Music Society of Oregon. 

Spalding se apresentou com o grupo pelos próximos 10 anos, aprendendo também a tocar contrabaixo, que logo se tornou seu instrumento favorito, e explorando outros estilos musicais, incluindo blues, hip-hop e funk.

No baixo acústico.
Depois de abandonar o ensino médio aos 16 anos, obteve o diploma de equivalência ao ensino médio (GED) e frequentou a Portland State University antes de se transferir para o Berklee College of Music em Boston. Lá, ela se formou em música em 2005 e, posteriormente, aos 20 anos, tornou-se a professora mais jovem da instituição. Naquele mesmo ano, ela ganhou uma bolsa de estudos da Boston Jazz Society por seu excelente talento musical.

O primeiro álbum de Spalding, Junjo (2006), exibiu tanto seu talento instrumental quanto vocal. Esperanza, lançado em 2008, demonstrou sua capacidade de fundir jazz com música do mundo todo, como a música folclórica brasileira e argentina, e apresentou letras em inglês, espanhol e português. O disco não só foi aclamado pela crítica, como também alcançou o topo da parada de álbuns de jazz da Billboard, onde permaneceu por mais de 70 semanas. 

Esse sucesso lhe trouxe maior visibilidade, e ela participou de diversos programas de entrevistas na televisão. Spalding tocou para o presidente dos EUA, Barack Obama, três vezes em 2009: duas vezes na Casa Branca e uma vez na cerimônia do Prêmio Nobel da Paz daquele ano, em Oslo. 

Enquanto isso, ela fazia turnês regularmente com sua própria banda e também se apresentava com músicos de jazz como o saxofonista Joe Lovano e os pianistas McCoy Tyner e Herbie Hancock, além de estrelas pop como Prince e Stevie Wonder.

Em 2010, a Spalding lançouEm 2011, Spalding lançou o álbum "Chamber Music Society", no qual combinou elementos de jazz, folk e world music com tradições da música de câmara clássica. O álbum contou com a participação especial do renomado cantor e guitarrista brasileiro Milton Nascimento. 

No início do ano seguinte, Spalding foi homenageada com o Grammy de Melhor Artista Revelação. (O prêmio foi uma grande surpresa; entre os outros indicados estava o ídolo teen Justin Bieber .) Ela foi a primeira artista de jazz a ganhar esse prêmio. Ainda em 2011, Spalding se apresentou no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, bem como nos tradicionais festivais de jazz de Montreal e Newport, Rhode Island. Ela também cantou na cerimônia do Oscar de 2012 .

Para o seu quarto álbum, In Radio Music Society (2012), Spalding seguiu uma direção mais pop. O álbum, que misturava canções de amor (incluindo um cover de Michael Jackson ) com material de cunho social, estreou no top 10 da parada de álbuns da Billboard e rendeu a Spalding um Grammy de melhor álbum vocal de jazz.

Milton e Esperanza ao piano.
Seus trabalhos posteriores incluem Emily's D+Evolution (2016), um álbum conceitual centrado em seu alter ego, e 12 Little Spells (2018), que ganhou outro Grammy de melhor álbum vocal de jazz. Em 2017, Spalding tornou-se professor de prática na Universidade de Harvard.

Seu último trabalho até o momento é o álbum com Milton Nascimento. 
O fascínio de Esperanza Spalding sobre a obra de Milton Nascimento não é de agora. Desde que a cantora, compositora e baixista norte-americana teve contato com o trabalho do músico por conta da parceria com o conterrâneo Wayne Shorter, em Native Dancer (1975), Spalding sempre buscou diferentes maneiras de incorporar as criações do artista de alma mineira, como em 2008, quando deu vida ao segundo álbum de estúdio da carreira, Esperanza, e passou a ter aulas de português para interpretar a canção Ponta de Areia.


quarta-feira, 18 de junho de 2025

DiScOs InCrÍvEiS: Milton Nascimento & Esperanza Spalding

Milton Nascimento & Esperanza Spalding

Jazz: Encontro Épico!

Tiny Desk Home Concert (2024)

Milton Nascimento foi indicado ao Grammy 2025 por conta do novo álbum lançado em 9 de agosto de 2024, Milton & Esperanza – gravado pelo artista com a cantora, compositora e contrabaixista norte-americana de jazz Esperanza Spalding – concorre ao prêmio de Melhor álbum de jazz com vocal.

Em 1998, Milton já ganhou um Grammy na genérica categoria Melhor álbum de world music pelo disco Nascimento (1997), com a ressalva de que, música do mundo aos ouvidos norte-americanos, pode ser todo tipo de música de língua não inglesa que foge do padrão pop dos Estados Unidos.

Capa do álbum
A indicação pelo álbum com Esperanza Spalding flagra Milton já com ar de divindade da música brasileira e mesmo fora do Brasil. Tanto que esse status de entidade da MPB foi recorrente em títulos de reportagens e críticas de Milton + Esperanza.

Embora materialistas rejeitem a tese pela própria natureza, o álbum tem mesmo uma força espiritual que alavanca as novas abordagens de músicas como Morro velho (Milton Nascimento, 1967) e Saci (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1993).

Atualmente com 82 anos, festejados em 26 de outubro, Milton Nascimento tem sido visto como um avatar. Um ser transcendental como a obra que construiu, demolindo barreiras entre gêneros musicais.

Sob o prisma musical, Milton é tanto da toada mineira quanto do jazz, como mostrou já em gravações como a de Portal da cor (Milton Nascimento e Ricardo Silveira), música que abre o álbum Encontros e Despedidas (1985), título que dividiu águas na discografia do artista justamente pela maior proximidade com o jazz.

Enfim, até por esse status de divindade alcançado por Milton Nascimento, mas também pela sonoridade exuberante de faixas Outubro (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), uma vitória do artista no Grammy 2025 pelo álbum Milton + Esperanza está longe de ser improvável. E seria merecida para coroar a trajetória gloriosa, singular e transcendental de Milton Nascimento no mundo da música.

Milton "Voz de Deus" Nascimento e Esperanza Spalding !!