Pensamentos de Simone de Beauvoir
"Simone de Beauvoir foi uma das mais importantes feministas do século XX."
"Simone de Beauvoir, além de romancista, era também filósofa. Seus textos teóricos e literários revelam seus pensamentos feministas em torno da condição da mulher na sociedade, do amor livre e do existencialismo. A autora considerava que os relacionamentos amorosos construídos em uma base tradicional romântica apenas acarretam o sofrimento dos indivíduos envolvidos.
Dessa forma, a mulher, como objeto, não pode ser sujeito de sua existência. Ela é educada para supervalorizar a vida amorosa e para abrir mão do todo. Essa vida baseada no amor leva a mulher a uma frustração diante de homens que nunca poderão corresponder a suas idealizações.
Para a filósofa, o amor verdadeiro deve se fundar “no reconhecimento recíproco de duas liberdades”, sem abdicações ou mutilações. Assim, o amor seria, para ambos, “uma revelação de si mesmo pelo dom de si e o reconhecimento do universo”.|1| Dessa maneira, Simone de Beauvoir se tornou uma das principais representantes do movimento feminista.
Ela questionava os papéis sociais impostos às mulheres e aos homens, e mostrava as desigualdades entre os sexos, a forma como a mulher é considerada, em importância social, o “segundo sexo”:
Um dos mal-entendidos que meu livro [O segundo sexo] suscitou foi que se pensou que nele eu negava qualquer diferença entre homens e mulheres: ao contrário, ao escrevê-lo, medi o que os separa; o que sustentei foi que essas dessemelhanças são de ordem cultural, e não natural. Contei sistematicamente como elas se criam, da infância à velhice; examinei as possibilidades que este mundo oferece às mulheres, as que lhes são recusadas, seus limites, suas oportunidades e faltas de oportunidades, suas evasões, suas realizações.|2|
O feminismo de Simone de Beauvoir é considerado existencialista, como aponta a própria autora:
A perspectiva que adotamos é a da moral existencialista. Todo sujeito coloca-se concretamente através de projetos como uma transcendência; só alcança sua liberdade pela sua constante superação em vista de outras liberdades; não há outra justificação da existência presente senão sua expansão para um futuro indefinidamente aberto. Cada vez que a transcendência cai na imanência, há degradação da existência “em si”, da liberdade em facticidade; essa queda é uma falha moral, se consentida pelo sujeito. Se lhe é infligida, assume o aspecto de frustração ou opressão.|3|
Por fim, vale lembrar que o existencialismo está fundado na reflexão sobre a ação, as escolhas e a liberdade. Ele questiona a própria existência humana e o que é ser um humano. Pensa sobre as formas como o ser humano se relaciona com a realidade e sobre a força do determinismo e do condicionamento. Porém, na teoria existencialista, a existência precede a essência, que deve ser construída por cada um de nós."
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