Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

The Spencer Davis Group


The Spencer Davis Group 
' banda extremamente eclética no cenário do blues britânico '

Originário do País de Gales, Spencer fundou o famoso Spencer Davis Group em 1963, produzindo uma dúzia de sucessos que chegaram ao Top 10, incluindo "Gimme Some Lovin'", "Somebody Help Me", "I'm a Man" e "Keep On Runnin'", ajudando a levar o rock 'n' roll britânico para o resto do mundo.

A popularidade de suas canções permanece viva e Spencer recebeu recentemente um prêmio da BMI em Londres por mais de 3 milhões de execuções de "Gimme Some Lovin'" em transmissões. Ao longo das décadas, as canções de Spencer continuaram a marcar presença em filmes como "Tropic Thunder", "The Big Chill", "Mr. Destiny", "Days of Thunder", "Top Gun", "Mr. Holland's Opus", "Notting Hill", "Iron Eagle", "The Blues Brothers" e "Flight of the Phoenix", entre outros.

Com formação inicial em línguas modernas pela Universidade de Birmingham (com fluência em alemão, francês e espanhol), Spencer abandonou a carreira de professor para iniciar sua trajetória musical em Birmingham, recrutando o baterista Pete York e os irmãos Muff e Steve Winwood. Davis tocava guitarra, cantava e tocava gaita.

Com o talento vocal do multi-instrumentista Steve Winwood, a guitarra de Spencer Davis, o baixo de Muff Winwood e a bateria de Pete York, o grupo rapidamente se tornou uma sensação internacional. Embora a banda não tenha alcançado o mesmo sucesso comercial dos Beatles e os Rolling Stones, seus álbuns e músicas foram muito bem recebidos pela crítica, e a qualidade técnica dos músicos era de altíssimo nível. A banda chamou a atenção com sua sonoridade empolgante que trazia sucessos da soul music, regravando artistas da gravadora Motown, e vários clássicos dos músicos de blues.


No final de 1966, o grupo já tinha inúmeros sucessos no rock, incluindo "Gimme Some Lovin'" e "I'm a Man", sendo essas duas canções seus maiores êxitos, especialmente nos Estados Unidos. Spencer Davis recordaria: "fazer turnê com os Rolling Stones e o The Who quando eles ainda tocavam em clubes, tomar uns drinques depois do expediente com os Beatles, fazer jams com John Baldry, Charlie Watts e Long e Jack Bruce foram dias inesquecíveis".

A banda não tinha medo de quebrar barreiras e se destacava pela combinação de instrumentos e estilos. Nesta fase a banda começou a diversificar a sonoridade implementando o uso de instrumentos como, órgão Hammond, guitarra slide, harmônica, saxofone e flauta, além da fusão de gêneros como rock, blues, R&B, soul, folk e psicodélico.

Projetos e posteridade da banda.

Após álbuns essenciais para entender a dinâmica do blues-rock britânico, e a crescente fama individual de cada membro do grupo, a separação da banda seria inevitável. Steve Winwood formou primeiro a banda Traffic, para depois formar o supergrupo Blind Faith, ao lado de Eric Clapton. Fez uma carreira solo de muito sucesso sempre se destacando como vocalista, guitarrista e tecladista expressivo. Muff Winwood também se envolveu na produção musical. Pete York manteve-se ativo com outros projetos de jazz e blues e se juntou ao grupo de rock alemão, The Keef Hartley Band.

Spencer Davis mudou-se para os Estados Unidos em 1970, seguiu carreira solo, formando uma banda de blues acústico, que incluía Richard Landis (ex-produtor/empresário de Juice Newton) e Peter Jameson. Em meados da década de 70, Spencer trabalhou na Island Records (gravadora de seu grupo) como executivo, ajudando pessoalmente a impulsionar a carreira de artistas como Robert Palmer e Bob Marley.

No início dos anos 80, Spencer era chefe de A&R de uma gravadora independente de Hollywood e a vontade de tocar em uma banda voltou a surgir. Foi então que ele gravou seu próximo álbum, "Crossfire", com participações especiais de Dusty Springfield, Flo & Eddie e Booker T. Jones. Em meados dos anos 80, Spencer voltou à estrada com sua própria banda, excursionando pelos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio. Ele tocou com Pete York e outras lendas do rock britânico.

Em 1987, ele já fazia mais de 100 shows por ano, incluindo participações especiais com o Grateful Dead, Levon Helm, a E Street Band de Springsteen, Peter Noone, Downchild e Alvin Lee. No início dos anos 90, o público viu Spencer intensificar sua carreira, percorrendo os Estados Unidos e o Canadá, com incursões pela Europa, incluindo shows de abertura para Hall & Oates e Marshall Tucker Band.

Em 1993, Spencer uniu-se a outros três músicos renomados para formar o Classic Rock All-Stars (Mike Pinera - Iron Butterfly, Jerry Corbetta - Sugarloaf e Pete Rivera - Rare Earth). O grupo lançou um álbum homônimo e fez turnês pelos Estados Unidos, Canadá e Japão. Davis deixou o Classic Rock All-Stars em 1995 e continuou em turnê pela Europa e pelos Estados Unidos até 1997.

A popularidade do Spencer Davis Group na Europa levou Spencer a uma turnê mundial com seus membros europeus. Spencer então assinou um contrato com a gravadora CMC, que lançou o álbum inicialmente na Europa, composto por uma mistura de músicas originais inéditas e sucessos clássicos. Em meados da década de 90, ele também participou de comerciais de TV, documentários e do especial de TV "The History of Rock 'n Roll", além de um papel de coadjuvante na série de sucesso "Married with Children".

No outono de 1996, Spencer juntou-se ao The World Classic Rockers, composto por Carmine Appice (Vanilla Fudge), Bobby Kimball (Toto), Denny Laine (McCartney and Wings), Randy Meisner (The Eagles) e Michael Monarch (Steppenwolf). Spencer também contribuiu para o lançamento do CD duplo do World Classic Rockers e fez diversas turnês com eles.


Ao longo de 2001 e 2002, o Spencer Davis Group continuou a encantar milhões de pessoas com seu repertório clássico em turnês maratonas pelos EUA, Canadá, Reino Unido e Oriente Médio. Em 2003, Spencer fez turnês pela Itália e Alemanha, aproveitando para gravar três novas músicas para seu novo álbum. No início de 2004, Davis voltou à estrada, excursionando pelos EUA e Reino Unido, incluindo shows em sua terra natal, o País de Gales. Ele encerrou a turnê no Royal Festival Hall, em Londres, com seus amigos do The Yardbirds, antes de retornar à Hungria e à Alemanha.

Spencer então se juntou ao Rock and Roll Army, composto por Felix Cavaliere, Mitch Ryder e Rick Derringer. O ano de 2006 começou com uma participação especial no "Rock 'n Roll Fantasy Camp" de David Fishof em Hollywood, seguida por uma Batalha de Bandas no House of Blues e um show com Roger Daltrey.

No verão de 2006, Spencer lançou um novo CD/DVD totalmente original, intitulado SO FAR. Seguiu-se uma rápida passagem pela Holanda, Bélgica, Alemanha, Escandinávia e, por fim, uma extensa turnê pela Austrália. Em 2009, Spencer embarcou em uma extensa turnê pelos EUA e Reino Unido com a lendária banda de rock Animals & Friends.



segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Funkadelic: Eddie Hazel & Michael "Kidd Funkadelic" Hampton


Parliament-Funkadelic 
' Live at Rockpalast - 1985 '

Este é amplamente considerado um dos duelos de guitarra mais lendários, raros e emocionalmente intensos da história do rock! 

Eddie Hazel, e o lendário Michael "Kidd Funkadelic" Hampton dividem o palco para uma performance arrebatadora de guitarra em dupla da obra-prima "Maggot Brain", com o Parliament-Funkadelic. Gravado ao vivo no icônico palco do Rockpalast, na Alemanha, em 1985. 

Originalmente composta por George Clinton e Eddie Hazel em 1971, "Maggot Brain" traz um dos maiores solos de guitarra de todos os tempos. Neste raro registro de arquivo de 1985, a sonoridade crua e emotiva da Stratocaster de Eddie Hazel se encaixa perfeitamente à energia alucinante e explosiva de rock psicodélico de Michael Hampton. Esta faixa é um destaque à parte e o ponto alto de todo o show.



• Song: Maggot Brain (Dual Guitar Solo Feature) • Featured Guitarists: Eddie Hazel & Michael "Kidd Funkadelic" Hampton • Group: Parliament-Funkadelic (P-Funk) • Concert Show: Rockpalast (Germany) • Performance Year: 1985


domingo, 2 de agosto de 2026

DiScOs InCrÍvEiS: Sam Jones

SAM JONES
' Cello & Bass '
- 1960 -

Oscar Pettiford, Ray Brown, Red Mitchell, Ron Carter; esses e outros baixistas de jazz de renome adicionaram o domínio do violoncelo às suas habilidades. Mas poucos trouxeram para o instrumento menor a mesma expressividade do saudoso Sam Jones, o baixista da Flórida que, no final da década de 1950, rapidamente se estabeleceu como um dos melhores do jazz. 

Em The Soul Society, Jones se juntou aos irmãos Nat Adderley (corneta) e Cannonball Adderley (sax alto), Bobby Timmons (piano), Jimmy Heath (sax tenor), Charlie Davis (sax barítono), Blue Mitchell (trompete), Louis Hayes (bateria) e um de seus baixistas favoritos, Keter Betts, demonstrando como tornar um dos instrumentos mais expressivos ainda mais cheio de alma. 

Ao longo das faixas, Sam Jones toca seu violoncelo com sua potência característica.

The Soul Society / The Chant / Down Home
Sam Jones
Fresh Sound Records
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The Soul Society

The Soul Society é o álbum de estreia do baixista e violoncelista, apresentando performances gravadas no início de 1960. As oito seleções são memoráveis ​​neste disco sendo altamente recomendado.

- Gravado no Reeves Sound Studios, Nova Iorque, 8 de março de 1960.

Faixas 1 a 4: Nat Adderley, corneta; Jimmy Heath, saxofone tenor; Charles Davis, saxofone barítono; Bobby Timmons, piano; Keter Betts, baixo; Sam Jones, violoncelo; Louis Hayes, bateria.

- Gravado no Reeves Sound Studios, Nova Iorque, 10 de março de 1960.

Faixas 5 a 8: Blue Mitchell, trompete, substitui Adderley; Keter Betts sai; Sam Jones toca baixo.

The Chant

Segundo álbum de Sam Jones, apresentando performances gravadas no início de 1961 e originalmente lançado pela gravadora Riverside. Todas as oito seleções deste álbum são diretas e muito gratificantes. 

- Gravado no Plaza Sound Studios, Nova Iorque, 13 de janeiro de 1961.

Faixas 9 a 11: Nat Adderley, corneta; Blue Mitchell, trompete; Melba Liston, trombone; Cannonball Adderley, saxofone alto; Jimmy Heath, saxofone tenor; Tate Houston, saxofone barítono; Victor Feldman, vibrafone; Wynton Kelly, piano; Sam Jones, violoncelo; Keter Betts, baixo; Louis Hayes, bateria. Arranjos de Jimmy Heath (faixas 9 e 11) e Victor Feldman (faixas 10 e 12).

- Gravado no Plaza Sound Studios, Nova Iorque, 26 de janeiro de 1961.

Faixa nº 13: Victor Feldman, apenas piano, e Sam Jones, apenas baixo, substituem Kelly e Betts; Les Spann, guitarra, adicionado.

- Gravado no Plaza Sound Studios, Nova Iorque, 13 de janeiro de 1961.

Demais faixas: Nat Adderley, cornetim; Blue Mitchell, trompete; Melba Liston, trombone; Cannonball Adderley, saxofone alto; Jimmy Heath, saxofone tenor; Tate Houston, saxofone barítono; Les Spann, guitarra; Victor Feldman, piano; Sam Jones, baixo; Louis Hayes, bateria. Arranjos de Jimmy Heath (nº 1 e 3) e Victor Feldman (nº 2 e 4).

Down Home

Esse foi o terceiro álbum do conjunto de Sam Jones, gravado em 1962 e lançado pela gravadora Riverside. Uma excelente música baseada no hard bop. Improvisos contra a corrente da orquestra com um efeito notável, uma ótima vitrine para Jones.

-Gravado no Plaza Sound Studios, Nova Iorque, 15 de agosto de 1962.

Faixas 5 a 8: Frank Strozier, flauta; Joe Zawinul, piano; Sam Jones, violoncelo; Ron Carter, baixo; Ben Riley, bateria. Nas faixas 6 a 8: Les Spann, flauta; Israel Crosby, baixo; e Vernel Fournier, bateria, substituem Strozier, Carter e Riley.

- Gravado no Plaza Sound Studios, Nova Iorque, 15 de agosto de 1962.

Faixas 9 a 12: Clark Terry, Blue Mitchell, trompetes; Jimmy Cleveland, trombone; Frank Strozier, saxofone alto; Jimmy Heath, saxofone tenor; Pat Patrick, saxofone barítono, flauta; Wynton Kelly, piano; Sam Jones, Ron Carter, baixo; Ben Riley, bateria. Nas faixas 11 e 12: Snooky Young, trompete, e Joe Zawinul, piano, substituem Terry e Kelly, e Ron Carter sai da banda. Arranjos de Ernie Wilkins, que também rege a orquestra.

O lançamento em box.

CD 1 - Faixas 1 a 8 do álbum “The Soul Society” (Riverside RLP-1172).

CD 1 - Faixas #9-12 e CD 2, faixas #1-4 do álbum “The Chant – Sam Jones Plus 10” (Riverside RLP-9358).

CD 2 - Faixas 5 a 12, do álbum “Down Home” (Riverside RLP-9432).

Lista de faixas:

Disco 1

01. Some Kinda Mean 5:49
02. Just Friends 4:13
03. Deep Blue Cello 4:57
04. There Is No Greater Love 3:41
05. All Members 4:11
06. The Old Country 6:05
07. Home 5:13
08. So Tired 6:17
09. Sonny Boy 4:54
10. Bluebird 4:10
11. Over the Rainbow 6:37
12. The Chant (Feldman) 3:24

Disco 2

01. Four 4:23
02. Blues On Down 5:45
03. Off Color 4:26
04. In Walked Ray 4:04
05. Down Home 4:08
06. 'Round Midnight 5:31
07. “OP” 5:07
08. Falling In Love with Love 7:03
09. Come Rain or Come Shine (Mercer-Arlen) 4:05
10. Strollin' 4:12
11. Unit 7 4:49
12. Thumbstring 4:31

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Sam Jones

Sam Jones
swing e groove impecáveis no baixo

Samuel Jones (12 de novembro de 1924 – 15 de dezembro de 1981) foi um compositor, violoncelista e contrabaixista de jazz americano, com uma técnica impecável, que também sabia tocar com swing e groove como ninguém. Mais conhecido por suas passagens pelas bandas de Cannonball Adderley e, posteriormente, de Oscar Peterson, ele também liderou suas próprias bandas e deixou um legado musical respeitável como líder.

Samuel Jones nasceu em Jacksonville, Flórida, Estados Unidos, em uma família de músicos. Seu pai tocava piano e bateria, e sua tia tocava órgão na igreja. Sam estudou bateria e guitarra durante seus anos escolares. Ele tocou e gravou contrabaixo em Cincinnati com Tiny Bradshaw (1953-5), depois se mudou para Nova York, onde logo passou a ser requisitado pelos líderes de vários grupos de bebop, incluindo Kenny Dorham (1956), Cannonball Adderley (1957), Dizzy Gillespie (1958-9) e Thelonious Monk (1959). Outros nomes de destaque foram Bill Evans, Les Jazz Modes, Illinois Jacquet e Freddie Hubbard.

Em 1960, sua reputação havia crescido consideravelmente e ele começou a gravar em seu próprio nome, tanto no contrabaixo quanto no violoncelo. Foi membro do grupo de Adderly de 1959 a 1965 e contribuiu com muitas composições originais, incluindo "Del Sasser" e "Unit7", para o repertório do grupo. Jones gravou extensivamente para a Riverside Records, tanto como líder quanto como músico acompanhante.

Quando Ray Brown deixou Oscar Peterson em 1966, Jones juntou-se ao trio do pianista, permanecendo até 1970. Posteriormente, trabalhou com Bobby Timmons, Wynton Kelly, Cedar Walton (1972-77), Clifford Jordan, Duke Jordan, Lucky Thompson, Johnny Hodges e Jimmy Heath. 

Na década de 1970, Jones gravou vários álbuns como líder de banda para os selos Xanadu e Steeple Chase. Sua gravação com uma big band de doze músicos em 1979, "Something New", foi relançada e está sendo apreciada novamente. O mesmo ocorre com a excelente gravação para o Muse em 1977, "Something in Common".

Como violoncelista de jazz, Jones deve ser comparado a Oscar Pettiford e Ray Brown, embora sua abordagem à improvisação seja mais voltada para o blues. Suas perambulações expressivas no contrabaixo, mesmo quando restritas a progressões de acordes básicas, eram intrinsecamente musicais, e ele às vezes construía um solo inteiro a partir de padrões de baixo caminhante.

Durante o verão de 1981, Sam Jones adoeceu gravemente, sofrendo de câncer de pulmão. A doença estava tão avançada que ele não pôde mais tocar. Ele morreu da doença na cidade de Nova York em 15 de dezembro de 1981, aos 57 anos.



Louis Hayes


Louis Hayes
' histórias e homenagens do jazz '

Em 1956, o adolescente Louis Hayes viajou de sua cidade natal, Detroit, para Nova York por recomendação do baixista Doug Watkins para tocar bateria com o lendário pianista, compositor e líder de banda de hard bop, Horace Silver. Foi um momento decisivo na carreira de Hayes, pois em novembro daquele ano ele fez sua estreia em gravações no álbum histórico de Silver, 6 Pieces of Silver, lançado pela Blue Note Records, que incluía a inesquecível interpretação do quinteto da clássica composição de Silver, "Señor Blues".

Agora, Hayes faz sua estreia solo pela Blue Note Records como líder com Serenade for Horace, sua esplêndida homenagem ao seu mentor e amigo. Coproduzido pelo presidente da Blue Note Records, Don Was, e pelo baixista Dezron Douglas, com a eminente Maxine Gordon como produtora executiva, o álbum mostra Hayes liderando um conjunto brilhante que inclui Douglas, o vibrafonista Steve Nelson, o pianista David Bryant, o saxofonista tenor Abraham Burton e o trompetista Josh Evans. Hayes lidera esse grupo específico há vários anos e a banda demonstra uma sintonia intuitiva.

Louis Hayes tinha apenas 19 anos quando se juntou à primeira formação do Quinteto de Horace Silver. (The Horace Silver Quintet).

Citando Philly Joe Jones e Papa Joe Jones como duas de suas primeiras influências, Hayes já havia conquistado uma reputação notável como um baterista habilidoso em Detroit, após tocar com músicos renomados como Yusef Lateef e Kenny Burrell. Quando Silver contratou Hayes, o baterista lembra que o pianista nunca lhe deu instruções detalhadas sobre como tocar sua música. 

“Ele apenas me deu alguns discos para ouvir. Mas, na verdade, eu já tinha ouvido esses discos em Detroit”, diz Hayes. “Então, montei minha bateria e comecei a praticar junto com os discos. Quando gravamos o primeiro álbum, eu apenas ouvia Horace tocar piano e o acompanhava.”

Após o álbum 6 Pieces of Silver, Hayes continuou tocando com o quinteto de Silver até 1959, emprestando seu intrincado senso de ritmos dançantes do hard bop a outros LPs preciosos como Further Explorations, The Stylings of Silver, Blowin' the Blues Away e Finger Poppin'. O álbum Live at Newport '58, com o quinteto e Hayes, também foi lançado em 2008, após as gravações terem sido encontradas no arquivo da Biblioteca do Congresso.

Em Serenade for Horace, Hayes revisita três clássicos do hard bop – “Señor Blues”, “Juicy Lucy” e “St. Vitus Dance” – que gravou com Silver. No restante do álbum, Hayes oferece releituras revigorantes de outras joias de Silver, incluindo “Song for My Father” (que conta com a participação de Gregory Porter, também da gravadora Blue Note, em seus vocais cheios de alma), “Ecaroh”, “Lonely Woman”, “Room 608”, “Silver's Serenade”, “Summer in Central Park” e “Strollin'”. 

Hayes também contribui com a deslumbrante composição original “Hastings Street”, cuja melodia cativante e ritmo swingado se encaixam perfeitamente na homenagem a Silver.

Embora a passagem de Hayes pelo Quinteto de Horace Silver tenha durado apenas três anos, ele manteve uma boa amizade com Silver até seu falecimento em junho de 2014, aos 85 anos. Hayes se lembra de visitar Silver em sua casa em New Rochelle, Nova York, durante seus últimos anos. “Horace e eu tínhamos conversas muito sérias”, diz Hayes. “Ele era uma pessoa muito reservada; não queria estar perto de muitas pessoas naquela época. Mas ele queria que eu estivesse em sua companhia naquele momento específico de sua vida, quando ele estava se preparando para essa transição. Ele disse: 'Louis, você faz parte do meu legado'”.

Recentemente, Hayes foi convidado em diversas ocasiões a participar de vários projetos em homenagem a Horace Silver. Mas ele recusou as ofertas por respeito à sua amizade com Silver. "Eu não queria fazer nada apenas para ganhar dinheiro", explica Hayes.

Foi o filho de Silver, Gregory, quem incentivou Hayes a gravar o álbum em homenagem a Rudy Van Gelder. E, após receber a bênção da família, Hayes insistiu que o projeto fosse lançado pela Blue Note Records. "A primeira vez que gravei na vida foi na casa de Rudy Van Gelder", diz Hayes. "Eu não queria gravar isso por nenhuma outra gravadora."

O enorme amor e respeito de Hayes por Silver transparece imediatamente em Serenade for Horace. Ao interpretar “Señor Blues”, “Juicy Lucy” e “St. Vitus Dance”, ele acentua a genialidade melódica de Silver, ao mesmo tempo que altera sutilmente o fluxo rítmico das canções. Por exemplo, “Señor Blues” ganha um tom notavelmente mais blues do que a versão original, vibrante e com toques latinos, enquanto “St. Vitus Dance” segue um ritmo mais acelerado. Uma das diferenças mais marcantes entre as versões mencionadas é a presença do excelente trabalho de Steve Nelson no vibrafone. “Ter Steve Nelson presente foi muito importante, porque eu não queria a mesma formação original do quinteto. Eu precisava mudar isso”, explica Hayes.

Numa jogada estratégica, Serenade for Horace começa com uma interpretação vibrante de “Ecaroh” (Horace ao contrário), uma composição inicial de Silver que foi originalmente gravada com Art Blakey, que co-liderou os Jazz Messengers com Silver por um breve período. Após Blakey e Silver seguirem caminhos separados, foi Hayes quem imediatamente assumiu a bateria. Hayes traz a mesma sagacidade às demais composições de Silver, que abrangem o período do início dos anos 60 até o início dos anos 70, quando Silver flertava com o piano elétrico e o jazz fusion.

Quando Hayes deixou o Quinteto de Horace Silver em 1959, juntou-se a Cannonball Adderley, onde permaneceu até 1965. Nos dois anos seguintes, tocou no trio de Oscar Peterson. Hayes se apresentou e gravou com inúmeros titãs do jazz, incluindo John Coltrane, Dexter Gordon, Freddie Hubbard, Joe Henderson e McCoy Tyner.

Embora Hayes tenha lançado seu álbum solo homônimo em 1960 pela Vee-Jay Records, foi somente no início dos anos 70 que sua carreira como líder de banda começou a ganhar destaque – particularmente com suas bandas com Junior Cook e Woody Shaw. O LP de Hayes de 1974, Breath of Life (Muse), ajudou a impulsionar sua carreira como líder.

Agora um ícone do jazz por mérito próprio, o ainda efervescente Hayes retorna à Blue Note Records, a gravadora que ajudou a lançar sua carreira de renome internacional. E para comemorar seu 80º aniversário, ele celebrará o lançamento de Serenade for Horace com uma apresentação no Dizzy's Club Coca-Cola do Jazz at Lincoln Center. 

“Estou muito feliz com este álbum. Me sinto magnífico porque Don Was e toda a equipe da Blue Note Records cuidaram de tudo de forma maravilhosa.”