Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Jazz Con Class

Jazz Con Class

Apresentar uma estação de rádio musical tem suas responsabilidades para que ela seja bem-sucedida. Para começar, o apresentador precisa ter uma transmissão de música de alta qualidade e sem interrupções. Tenho orgulho de dizer que na Jazz Con Class a música flui com a mais alta qualidade e raramente é interrompida. 

Em seguida, o apresentador precisa manter um site/blog de fácil navegação, para que os ouvintes da Jazz Con Class Radio, e/ou não ouvintes, tenham a melhor experiência possível ao visitá-lo. Isso é muito importante, é claro, então, para cumprir com isso, estou sempre adicionando novos links úteis e relevantes, escrevendo novas postagens a cada dois ou três dias e atualizando a programação semanalmente. Ter um site informativo, claro e atualizado é muito importante, mas, como se trata de uma estação de rádio online dedicada ao jazz, a música em si deve ser prioridade. Antes de mais nada, é preciso estabelecer a quantidade e a qualidade do acervo musical. Coleciono jazz tradicional/clássico há mais de uma década e, por isso, a turma da Jazz Con nunca se cansa, pois meu acervo é substancial. Isso é essencial, visto que a estação transmite 24 horas por dia, 7 dias por semana.


Sinto que o jazz tradicional/clássico foi deixado de lado e basicamente esquecido. Também acho que os músicos de jazz, em geral, são pouco valorizados, e por um motivo óbvio. Surpreendentemente, e você descobrirá se nunca ouviu jazz, o motivo é que eles são simplesmente talentosos demais. Sim, é isso mesmo que eu disse. A chamada qualidade da música sempre foi baseada em rankings da Billboard e em promoção excessiva, independentemente da qualidade. 

Definitivamente, há algo errado nisso, mas é assim que a indústria da música funciona e, ainda mais irritante, a qualidade dos músicos não é importante. Não podemos esquecer o abandono da improvisação. A improvisação é como os músicos se aprimoram e como a música evolui. Se você tira a capacidade de expansão de um músico, você o está aprisionando e destruindo sua carreira. O jazz dá ao músico a liberdade de se expressar na música e também dá aos não-músicos a capacidade de expandir suas mentes. Todo mundo ganha quando você ouve jazz; é uma forma de arte musical inspiradora à qual todos deveriam ter contato.


A Jazz Con Class Radio está disponível para todos e a apenas um clique ou toque de distância. Os ouvintes podem ser de qualquer origem, de qualquer parte do mundo. O jazz é para jovens, idosos e, especialmente, para aqueles que não o conhecem, mas são curiosos. Todos se beneficiam e, ao dar uma chance aos seus ouvidos, você poderá lidar com os obstáculos da vida de uma maneira mais positiva.

A música nesta rádio online abrange o jazz do final dos anos 40 ( o fim da era do bebop ) até o início dos anos 70 (antes da era do jazz fusion). O método que utilizo, e que considero mais lógico, é a organização e formatação. Para mim, pessoalmente, não faz muita diferença; eu poderia ouvir todos os diferentes estilos e épocas do jazz o dia todo. Mas, com o objetivo de educar (os ouvintes mais jovens/mais velhos que desconhecem ou não estão familiarizados com o gênero) e também para atender às preferências dos ouvintes (aqueles que já conhecem o jazz), as playlists foram criadas.


"NÃO é só Jazz": Existem muitos estilos de jazz e os ouvintes podem gostar ou preferir um estilo a outro. Ao separar os estilos de jazz, eles podem sintonizar e ouvir um em particular. Como todas essas músicas clássicas/tradicionais de jazz têm significados diferentes para cada pessoa, algum tipo de formato ou organização musical deve ser estabelecido para que "todos" possam ser satisfeitos. Muitos fãs de jazz gostam de ouvir essa forma de arte inspiradora de acordo com seu humor e/ou integrá-la à sua rotina diária.

O jazz definitivamente pode ser ouvido o dia todo por causa de sua qualidade, mas infelizmente a maioria de nós não tem esse privilégio. Com essa disponibilidade 24 horas, a transmissão é ouvida globalmente e na internet. A programação (as playlists) é organizada de forma que todos os ouvintes, em todas as partes do mundo, possam ouvir a transmissão em seu respectivo horário nobre . Não é fácil, mas com as informações estatísticas disponíveis, essa tarefa é possível e está funcionando muito bem. A Jazz Con Class Radio é ouvida em uma média de pelo menos 110 países diferentes por mês.

Aprimorar a qualidade da transmissão de acordo com as demandas dos ouvintes é minha responsabilidade solene e minha prioridade número um. Estou muito confiante na maneira como estou conduzindo este "Projeto de Jazz" musical e darei tudo de mim para que funcione de forma consistente. Obrigado e aproveite!

Por: José Reyes


DiScOs InCrÍvEiS: Sonny Red

SONNY RED
' The Mode '
– 1961 –

Red estava na vanguarda do novo som modal produzido no final dos anos 50, mas foi ofuscado por nomes como Dexter Gordon, Jackie McLean e muitos outros. Sonny conseguiu gravar 7 álbuns como líder até 1962. 

Ele fez inúmeros álbuns com outros músicos no final dos anos 50, mas apenas um depois de 1962, retornando com força total em 1967, quando acompanhou Donald Byrd em vários álbuns importantes de jazz-funk (“Mustang!”, “Slow Drag”, “Blackjack” e “The Creeper”). “The Mode” é um ótimo exemplo de sua capacidade de tocar com os melhores. Grant Green se junta a ele na guitarra, tornando a música ainda mais interessante. Ótimo álbum, aproveite!

Sobre o álbum:

No início dos anos 60, a improvisação modal ainda era controversa no mundo do jazz — não tão controversa quanto o free jazz, mas controversa mesmo assim. Alguns músicos de hard bop acharam as inovações modais de John Coltrane, Miles Davis e Yusef Lateef empolgantes e decidiram adotar a técnica modal, enquanto outros detestavam veementemente a modalidade e se recusavam a tocar qualquer coisa além de bebop. 
Sonny Red estava entre aqueles que optaram por explorar a improvisação modal no início dos anos 60, embora o saxofonista alto nunca tenha abandonado o tipo de bebop rápido, baseado em acordes e influenciado por Charlie Parker pelo qual era conhecido. 

Em The Mode, de 1961, Red satisfaz ambas as necessidades: a de investigar a execução modal e a de lidar com as mudanças de acordes rápidas e exigentes do bebop. Red é acompanhado nesse álbum por Grant Green na guitarra, Barry Harris ou Cedar Walton no piano, George Tucker no baixo e Jimmy Cobb na bateria, uma equipe que domina tanto o bebop com acordes quanto o pós-bop modal. Red está em ótima forma em faixas pós-bop como a música que dá título ao álbum.

Faixas e ficha técnica:

1. Moon River – (Mancini, Mercer) - 6:08
2. I Like The Likes Of You – (Harburg, Duke) - 4:19
3. Super 20 – (Sonny Red) - 5:32
4. Bye, Bye Blues – (Lown, Gray, Bennett, Hamm) - 4:30
5. The Mode – (Sonny Red) - 9:48
6. Never, Never Land – (Green, Comden, Styne) - 6:31
7. Ko-Kee – (Sonny Red) - 4:12

Produzido por – Orrin Keepnews
Gravado no Plaza Sound Studios, New York City, no ano de 1961.
As sessões: 29 de maio (2 - 4 - 5 - 7) e 14 de dezembro (1 - 3 - 6).


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Grant Green


GRANT GREEN 
' o groove na guitarra e a abordagem direta do jazz '

Green nasceu em St. Louis em 6 de junho de 1931, aprendeu a tocar seu instrumento na escola primária com seu pai, que tocava guitarra, e já se apresentava profissionalmente aos treze anos com um grupo gospel. Ele fez shows em sua cidade natal e em East St. Louis, Illinois, até se mudar para Nova York em 1960, a convite de Lou Donaldson. 

Green disse a Dan Morgenstern em uma entrevista para a revista Down Beat: 

“A primeira coisa que aprendi a tocar foi boogie-woogie. Depois, tive que tocar muito rock and roll. De qualquer forma, tudo é blues.”

Sua sólida formação em R&B, combinada com o domínio do bebop e a simplicidade, priorizava a expressividade em detrimento da técnica. Green era um intérprete de blues soberbo, e seu material posterior era predominantemente blues e R&B, embora também fosse um solista maravilhoso em baladas e standards. Ele era um admirador particular de Charlie Parker, e seu fraseado frequentemente refletia isso. Green tocou na década de 50 com Jimmy Forrest, Harry Edison e Lou Donaldson.

Ele também colaborou com muitos organistas, entre eles Brother Jack McDuff, Sam Lazar, Baby Face Willette, Gloria Coleman, Big John Patton e Larry Young. No início dos anos 60, tanto sua execução fluida e refinada em formações de órgão, guitarra e bateria quanto suas outras gravações para a Blue Note o consagraram como uma estrela, embora raramente tenha recebido o reconhecimento da crítica concedido a outros músicos. Ele ficou um tempo afastado dos palcos em meados dos anos 60, mas retornou com força total no final da década de 60 e nos anos 70. Green tocou com Stanley Turrentine, Dave Bailey, Yusef Lateef, Joe Henderson, Hank Mobley, Herbie Hancock, McCoy Tyner e Elvin Jones.


Infelizmente, problemas com drogas interromperam sua carreira na década de 60 e, sem dúvida, contribuíram para a doença que o acometeu no final da década de 70. Green foi hospitalizado em 1978 e faleceu um ano depois. Apesar de alguns álbuns irregulares no final de sua carreira, a vasta obra que o compõe representa o melhor do soul-jazz, bebop e blues.

Grant Green, um músico extremamente subestimado em vida, é um dos grandes heróis desconhecidos da guitarra jazz. Assim como Stanley Turrentine, ele tende a ser esquecido. Embora mencione Charlie Christian e Jimmy Raney como influências, Green sempre afirmou que ouvia instrumentistas de sopro (Charlie Parker e Miles Davis) e não outros guitarristas, e isso transparece. Nenhum outro músico possui esse tipo de linearidade em cada nota (ele evita acordes). Há muito pouco de intelectualidade na forma de tocar de Green, e sua técnica está sempre a serviço da música. E é a música, pura e simplesmente, que torna Green único.

O estilo de tocar de Green é imediatamente reconhecível — talvez mais do que o de qualquer outro guitarrista. Green foi quase sistematicamente ignorado pelos aficionados por jazz com uma inclinação para o lado mais cool, e só recentemente começou a ser apreciado por sua incrível musicalidade. Talvez nenhum guitarrista jamais tenha interpretado standards e baladas com o brilhantismo de Grant Green. 

A Mosaic, principal gravadora de relançamentos de jazz nos estados unidos, lançou uma coleção maravilhosa, The Complete Blue Note Recordings with Sonny Clark, apresentando os melhores álbuns de Green do início dos anos 60, além de faixas inéditas. Alguns dos melhores exemplos do trabalho de Green podem ser encontrados lá.


Livros para conhecer o Brasil: Liberdade de Luiz Gama


Liberdade
( Luiz Gama )

» Essa literatura faz parte das Obras Completas de Luiz Gama, advogado negro e abolicionista, a serem lançadas em dez volumes com cerca de 800 escritos de Gama ― 600 inéditos ―, revelando as diversas facetas e estilos empregados pelo escritor para advogar pela grande causa de toda sua vida: a abolição da escravidão e a emancipação negra. 

Grande parte dos textos ficou esquecida por quase dois séculos após suas publicações em jornais da época e foi recuperada pelo pesquisador Bruno Rodrigues de Lima, que passou nove anos localizando-os em arquivos da imprensa e do judiciário de todo o país. Os textos deste volume são fruto da campanha pela abolição radical que também visava à garantia da educação e cidadania para os libertos: o abolicionismo de Gama exigia cidadania e igualdade de fato e de direito.

A importância desta reunião de escritos deve-se também ao fato de que o advogado refletia sobre o processo histórico em curso, e propunha soluções políticas para o tempo presente, revelando sua natureza intelectual até hoje pouco conhecida e quase sempre não reconhecida. 

«Liberdade» registra o surgimento de um tipo de literatura de combate que exigia a imediata abolição da escravidão. 

Compreende o período de 1880 a 1882, último período da vida do escritor. Apesar da recorrente temática abolicionista na obra de Gama presente desde o primeiro volume de suas Obras Completas, é somente em 1880 que a campanha pela liberdade ganha uma dicção específica.

Autor: Luiz Gama » Editora: Editora Hedra


Livros para conhecer o Brasil: Os Sertões

“Os Sertões” 

Uma das obras mais emblemáticas do escritor pré-modernista Euclides da Cunha (1866-1909), publicada em 1902.

A obra regionalista narra os acontecimentos da sangrenta Guerra de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro (1830-1897), que ocorreu no Interior da Bahia, durante 1896 e 1897.

Trata-se de um relato histórico mesclado à literatura, posto que Euclides foi convidado pelo Jornal Estado de São Paulo para cobrir a guerra no Arraial de Canudos e nesse momento, surgiu sua obra.

Por esse motivo, "Os Sertões" representa um marco da literatura e na história do Brasil, sendo, portanto, analisada por outras áreas do conhecimento, tal qual: Antropologia, Sociologia, Geografia e História.

A obra possui um caráter crítico e realista nunca antes abordado por um literato do Brasil, donde Euclides por meio de uma linguagem cientificista recrimina o nacionalismo e ufanismo exacerbado da sociedade brasileira da época, mostrando a face cotidiana e realista do país e das pessoas que o compõem.

De tal modo, trata-se de uma prosa científica e artística, acabando com essa visão idealista do índio herói e do negro trabalhador, abordado com entusiasmo pelos escritores do romantismo.

A Luta

Descrição da Guerra de Canudos que dizimou grande parte da população nordestina. Trata-se de um estudo historiográfico, dividido em 34 capítulos, narra as quatro expedições realizadas pelo exército e ainda sobre o período do pós-guerra: "Os sertões" de Euclides da Cunha é um retrato do Brasil da época. A obra trata da Guerra de Canudos que aconteceu no interior da Bahia. O autor presenciou parte dos acontecimentos na região e os descreveu de forma fiel. Além de desenvolver um romance histórico que mistura uma narrativa literária, sociológica e geográfica. Euclides da Cunha nos deixa uma obra que se baseia em três pilares: a terra, o homem e a luta. Um livro telúrico.


Autor: Euclides da Cunha
Editora: Martin Claret
Ano da publicação: ‎1902