Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

The Blues: Série de Martin Scorsese


The Blues
' uma viagem pela história do blues '

The Blues é uma série de documentários de 2003 produzida por Martin Scorsese, dedicada à história da música blues. Em cada um dos sete episódios, um diretor diferente explora uma fase do desenvolvimento do blues. A série foi originalmente exibida na PBS (Public Broadcasting Service) nos Estados Unidos.

O diretor Martin Scorsese presta homenagem ao blues do Delta, traçando as raízes da música ao viajar pelo estado do Mississippi com o músico Corey Harris e, em seguida, para a África Ocidental. Willie King, Taj Mahal, Othar Turner e Ali Farka Touré apresentam performances de canções antigas do blues do Delta, juntamente com imagens raras de arquivo de Son House, Muddy Waters e John Lee Hooker.

The Blues A Musical Journey é um box de CDs que acompanha o documentário, com gravações de 10 de agosto de 1920 a 9 de abril de 2003. São mais de seis horas de blues de todos os tipos. 

Músicas que vão de Othar Turner & the Rising Star Fife & Drum a Bonnie Raitt, passando por Sun House, Jimi Hendrix, Blind Willie McTell, Elvis Presley, Bob Dylan, Robert Johnson e Howlin' Wolf, com dezenas de músicos de blues.

Em 2004, a caixa ganhou dois prêmios Grammy de Melhor Álbum Histórico e Melhores Notas de Álbum. No ano anterior, foi número 2 na parada Top Blues Albums da Billboard. 

Martin Scorsese Presents the Blues: A Musical Journey também é o título de um livro complementar da série, de 2003. Os autores/editores incluem Peter Guralnick, Robert Santelli, Holly George-Warren e Christopher John Farley.

Imperdível!



Tropicalismo


Tropicalismo
' movimento cultural de contracultura '

O tropicalismo foi um movimento cultural brasileiro que surgiu no final da década de 1960. Procurava renovar o cenário cultural brasileiro denunciando a realidade do Brasil.

O tropicalismo foi um movimento cultural de contracultura que surgiu no Brasil na década de 1960. Esse movimento se manifestou principalmente na música mas também teve representantes em outras áreas da cultura, como o teatro, o cinema e as artes plásticas. 

Entre os principais representantes estavam Caetano Veloso, Rita Lee, Gal Costa, Tom Zé, Gilberto Gil e os irmãos Sérgio e Arnaldo Baptista da banda Mutantes.

Os tropicalistas procuravam renovar o cenário cultural brasileiro denunciando a realidade política e social do Brasil. Suas canções alegóricas foram a forma encontrada para evidenciar os problemas do país e fugir da censura existente no período da Ditadura Militar. Esse movimento cultural se encerrou com a prisão e o exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

O que foi o tropicalismo?

O tropicalismo foi um movimento cultural brasileiro que existiu no final da década de 1960. Ficou muito conhecido por sua manifestação na música mas também esteve presente nas artes plásticas, no teatro, no cinema e na poesia. 

O tropicalismo influenciou profundamente o cenário cultural brasileiro, sobretudo entre os anos de 1968 e 1969. Esse movimento também ficou conhecido como tropicália, sendo um movimento de contracultura.

O tropicalismo ficou marcado sobretudo na música por sua estética radical, inspirando-se no rock, no pop e em elementos da cultura brasileira, como o baião e o caipira, para produzir uma nova expressão cultural para o Brasil. Os tropicalistas desejavam se estabelecer como contraponto cultural à bossa-nova e à MPB, estilos tradicionais e consolidados no cenário cultural brasileiro.

Representantes do tropicalismo

Na música, destaca-se: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Chico Buarque, Nara Leão, Tom Zé, e Os Mutantes (banda formada por Rita Lee, Sérgio Dias, Arnaldo Baptista);

Nas artes plásticas, destaca-se Hélio Oiticica;

No cinema, Gláuber Rocha;

No teatro, José Celso Martinez Corrêa.

A grande liberdade criativa dos tropicalistas tornou impossível definir um padrão da arte tropicalista, mas muitos artistas do período não se enquadraram nesse movimento cultural.

Características e objetivo do tropicalismo

O tropicalismo foi fortemente influenciado pelo concretismo, corrente artística e literária do século XX. Os artistas tropicalistas ficaram marcados por usarem roupas coloridas e por atuações performáticas, cantando por meio de alegorias e do deboche. Usavam elementos do cenário cultural exterior, como a guitarra elétrica, adaptando-a para o cenário cultural do Brasil.

O objetivo dos tropicalistas era usar esses elementos chamativos e performáticos para chocar. Queriam renovar o cenário musical e dar vigor ao cenário cultural do Brasil, trazendo novas interpretações do país e novos personagens para o centro de nossa cultura. 

Os dois grandes centros que manifestaram as tendências tropicalistas foram as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, embora muitos dos seus componentes fossem baianos.

Origem do nome e do movimento

O tropicalismo surgiu no final da década de 1960, e alguns pesquisadores apontam que o estopim do movimento se deu com as apresentações de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque em um festival de calouros transmitido pela TV Record — o III Festival de Música Popular da TV Record de 1967. Nesse evento, Caetano Veloso interpretou “Alegria, alegria”; Gilberto Gil, interpretou “Domingo no parque”; e Chico Buarque interpretou “Roda viva”.

A influência desse evento foi tão grande que a edição do festival foi totalmente dominada por cantores tropicalistas. Outros pesquisadores consideram que o lançamento do álbum Tropicália ou Panis et Circensis, em 1968, foi o evento que inaugurou a tropicália enquanto movimento cultural. Esse álbum é entendido como uma espécie de manifesto musical dos integrantes do tropicalismo.

A origem do nome desse movimento cultural é atribuída a uma obra de Hélio Oiticica, Tropicália.

Contexto histórico do tropicalismo

O tropicalismo surgiu em um período histórico de grande agitação política e social, tanto no Brasil quanto no exterior. O Brasil vivia o cenário da Ditadura Militar, estabelecida em 1964. A censura e a repressão ganhavam força e os militares faziam um expurgo na sociedade brasileira, aprisionando ou assassinando os ditos “subversivos”.

A censura utilizada pela ditadura se voltou com grande força contra as artes, e artistas com mensagens políticas e contestatórias eram vítimas desse silenciamento. Até por isso, as canções dos artistas tropicalistas se utilizavam de alegorias, essa foi a forma encontrada para criticar a realidade política do Brasil e fugir da censura.

Além do autoritarismo do cenário político do Brasil, o mundo também passava por questões delicadas. A década de 1960 ficou marcada pelos movimentos de contracultura, que questionavam os valores daquela época, nos quais estão incluídos a sociedade de consumo, o capitalismo e a modernidade em geral.

A efervescência cultural e política resultou em movimentos significativos, como o Woodstock; o período de Maio de 1968; a cultura hippie; a Primavera de Praga, na Checoslováquia, entre outros. Esses movimentos, definidos como contracultura, tiveram forte impacto no cenário artístico brasileiro e o tropicalismo foi uma dessas manifestações culturais.

O autoritarismo, as tradições, o conservadorismo, a guerra, entre outros, passaram a ser criticados pelos movimentos de contracultura. O objetivo era a quebra de paradigmas e a construção de uma sociedade alternativa àquela realidade que estava dada.

Fim do movimento

Os historiadores consideram que o tropicalismo se encerrou em 1969 com o acirramento da repressão no Brasil por causa do Ato Institucional nº 05, decretado pelos militares no final de 1968. Esse foi o ato mais severo executado pelos militares na ditadura, aumentando consideravelmente a repressão política e a censura no Brasil.

Em 1969, Gilberto Gil e Caetano Veloso foram presos pelos agentes da ditadura. Posteriormente eles foram exilados, encerrando o tropicalismo no Brasil. Muitos pesquisadores, no entanto, defendem que, após o exílio de Gilberto Gil e Caetano Veloso foi iniciado um período pós-tropicalismo.

Matéria:
Brasil Escola
Texto por: Daniel Neves Silva

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Provocação Histórica: Amazônia Negra


AMAZÔNIA NEGRA 
- histórias do Brasil atravéz das fotos -

Marcela Bonfim, fotógrafa e economista, nascida em Jaú, no interior de São Paulo, em 1983. Sua trajetória sofreu uma guinada em 2010, quando se mudou para Porto Velho, Rondônia, e teve o primeiro contato com a fotografia. Longe do cenário paulista, Marcela passou a documentar homens, mulheres, crianças, jovens e velhos negros em comunidades quilombolas, terreiros de candomblé, festejos religiosos, penitenciárias e no cotidiano amazônico. Seu aclamado projeto, Amazônia Negra, desafia a visão hegemônica que invisibiliza a presença negra na região, destacando a riqueza das diásporas caribenhas e africanas. Seu trabalho já percorreu o Brasil em exposições como (Re)conhecendo a Amazônia Negra e Encruzilhadas da arte afro-brasileira, consagrando-a como uma das vozes visuais mais potentes na reconstrução da identidade negra brasileira.

PROGRAMA
- PROVOCAÇÃO HISTÓRICA -
MARCELA BONFIM
05/08/26

LiTeRaTuRa: Amazônia Negra

 Amazônia Negra 
( Marcela Bonfim )

Livro revela a Amazônia Negra ao entrelaçar imagem, corpo e memória na busca por identidade, pertencimento e reparação histórica.

Contemplado pelo Edital Funarte Retomada 2023 – Artes Visuais, “Amazônia Negra: as imagens da cor do (in) visível”, 1º livro de Marcela Bonfim, aborda deslocamentos reflexivos, físicos e subjetivos da autora ao migrar para Rondônia e descobrir a presença negra em território amazônico. Marcela, paulista de Jaú, graduada em Economia na capital, chega a Porto Velho em 2010 para trabalhar nesta cidade e nos momentos livres, em caminhadas aleatórias desvendando seu novo lugar, passa a fotografar as comunidades locais de origem caribenha, quilombolas e indígenas da região, vivência que desperta nela um processo de se expressar pelo seu corpo, sobre o seu corpo e outros corpos de identidades análogas e assim se reconhecer como mulher negra.

Na trajetória desta descoberta, sombras se dissipam perante estigmas, trazendo movimentos de uma distinta Amazônia Negra, entre eles uma potente visualidade que passa a estruturar uma árdua tarefa: entender onde o seu e os outros corpos negros residem e se encaixam nos pilares do sistema dominante, com sua profusão de lugares e elementos exploratórios que foram brutalmente criados e impostos pela história, supostamente civilizatória. 

A pesquisa regular de Marcela torna-se um campo de produção de conhecimento sobre a pele escura, provocando uma travessia para uma imagem-corpo-continente impactada no cenário de violações, expropriações e estratégias mercantis que forjaram brutalmente uma inferiorização inexistente para explorá-los comercialmente.

Em um intenso exercício de “pensar por imagens”, Marcela apresenta em seu livro um imaginário de considerações, como ela descreve, sobre corpos escuros – classificados e detidos a partir de uma categorização visual, que foram colocados em uma circunstância imagética propositalmente deformada, onde a existência, física e abstrata, sem mínimo direito a humanidade, foi subjugada com martírios e apagamentos e passou a existir como um mero produto rentável.

Sob uma voraz ótica mercantilista, dirigida ainda hoje pelo patriarcado branco de origem europeia que pilhou esses corpos consolidando alicerces para riquezas, garantias e privilégios duradouros para seus territórios, prática igualmente reproduzida no Brasil, que tem seu patrimônio social e econômico historicamente construído com os frutos de mãos negras.

Com sua estrutura centrada em uma ampla contextualização de um “existir pela imagem”, sendo a “imagem vital”, como não poderia deixar de ser, o livro também é composto por fotografias autorais de Marcela que fazem parte de seu projeto “(Re) conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências na floresta”, plataforma multi artística, que envolve produção fotográfica, musical, audiovisual e, agora, também textual com este livro em que se (re)conhece como parte significativa, agora visível, da potente presença da sua cor.

Marcela Bonfim é fotógrafa, economista formada pela PUC-SP e especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública pela Universidade Federal de Rondônia. Já atuou como fotojornalista, colunista, palestrante, júri em concursos fotográficos e curadora de exposições em todo o país. Paulista da cidade de Jaú, após passar seu período universitário em São Paulo migrou para Porto Velho em 2010 em busca de emprego. Foi nesta cidade que ela deu início a seu processo de se reconhecer mulher negra. Com uma câmera na mão, muitas ideias na cabeça e toda sua história no corpo, passa a fotografar as populações de origem caribenha, negras quilombolas e indígenas da região. 

Marcela dedica-se, entre outras coisas, à realização do projeto (Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências na floresta, uma plataforma multiartística, que envolve produção fotográfica, musical, audiovisual e, agora, também textual com este livro que a leitora e o leitor têm em mãos.

Navegando pela Amazônia !!

Filme: 


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

FLIPEI 2026

FLIPEI 

Festa Literária Pirata das Editoras Independentes

🔥 Livros, cultura e resistência!

A 8ª edição acontece de 5 a 9 de agosto de 2026 no centro de São Paulo, com entrada gratuita. O evento reúne cerca de 200 editoras independentes, debates políticos, lançamentos de livros, shows e competições esportivas como pebolim e boxe popular.

9 ANOS DE NAVEGAÇÃO PIRATA

Desde 2018, a FLIPEI firma-se como um território de resistência cultural e um dos principais eventos literários do país. O que nasceu em Paraty expandiu-se para São Paulo, consolidando-se no combate ao 'fascismo' promovendo o pensamento crítico frente aos avanços dos ataques à cultura por conservadores radicais. 

Com uma trajetória que já impactou milhares de pessoas, nossa missão é a descentralização da cultura, garantindo a distribuição democrática e o acesso gratuito a debates fundamentais sobre sociedade e literatura. Unimos nomes de peso da cena nacional e internacional a uma curadoria que prioriza a diversidade de vozes.

Locais do Evento:

A programação da feira e dos debates está distribuída em vários endereços na região central da capital paulista:

Espaço Cultural Elza Soares (Alameda Eduardo Prado, 460 e 474, Campos Elíseos). Outros espaços são: 
Café Colombiano, Pratododia, Sol y Sombra Bar e Central 1926.

Destaques da Programação.

Convidados nacionais: As mesas de debate contarão com figuras como: Luiza Erundina, Xico Sá, Rita von Hunty, Sâmia Bomfim, Txai Suruí, Marcela Bonfim, entre outros, abordando temas como abolicionismo penal, conjuntura política, tarifa zero e cultura.

Convidados internacionais: Presença da geógrafa Ruth Wilson Gilmore, do ativista britânico Rick Blackman e do jornalista israelense Gideon Levy.
 
Atividades extras, culturais e esportivas.

Lançamentos de livros de selos independentes, festas, shows e campeonatos de boxe popular e pebolim.

Para conferir todos os detalhes e horários das mesas e a agenda completa de cada dia, acesse diretamente o Site Oficial da FLIPEI.