Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

70's (de)Novo: O Som Nosso De Cada Dia


Som Nosso De Cada Dia
' Sinal da Paranoia '

A banda é uma das maiores do rock e uma referência do progressivo brasileiro, formado em São Paulo em 1971. O grande marco da banda foi o aclamado álbum Snegs (1974), considerado uma obra-prima do gênero no país, trazendo arranjos complexos, peso e forte presença de teclados. A banda destacou-se como atração principal em grandes eventos históricos da contracultura brasileira, como o Festival de Águas Claras.
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Os personagens 

Pedro Augusto Baldanza (Rio Grande do Sul, 6 de março de 1953 - São Paulo, 28 de outubro de 2019), mais conhecido como Pedrão, foi baixista e contrabaixista brasileiro. Participou de diversas bandas importantes no Brasil desde a década de 1970, como as de, Perfume Azul do Sol, Elis Regina, Ney Matogrosso, Sá & Guarabira e Zizi Possi.

Com um baixo Jazz Bass, compôs um conjunto de baile em Ribeirão Pires, chamado Enigma, pedra fundamental para o nascimento dos Novos Baianos. Era um trio. Pedrão, Jean e Odair [Cabeça de Poeta]. Com shows itinerantes para recolher uma grana, foram parar, em um dia abençoado, num boliche em Ubatuba - e aí apareceram três caras mais uma moça: Paulinho [Boca de Cantor], João, Moraes Moreira, o guitarrista Pepeu Gomes e a Baby, quando ainda eram novos só na idade. "A gente fazia umas domingueiras, com muito Cream, Hendrix e Led", recorda Pedrão, revelando um capítulo importante na história do rock brasileiro.

Manito, nome artístico de Antônio Rosas Sanches (Vigo, 3 de abril de 1944 – São Paulo, 9 de setembro de 2011) foi um mult-instrumentista brasileiro. Nascido na Espanha, Manito chegou ao Brasil com nove anos de idade. Aos 24 anos de idade já era músico experiente e participou do movimento da Jovem Guarda na década de 1960. Em 1963, foi um dos fundadores da banda The Clevers. Em 1965, devido a desentendimentos com o empresário da banda, o nome do grupo mudou para ‘Os Incríveis. No ano de 1973, foi convidado por Sérgio Dias Baptista para assumir o posto de tecladista de Os Mutantes, no lugar de Arnaldo Baptista. Após algumas semanas, porém, e da forma mais amigável possível, resolveu abandonar a banda e voltar ao Som Nosso de Cada Dia.

Pedrinho batera participou de inúmeros discos e shows tocando ao lado de várias bandas e músicos por toda história da MPB: Os Condors (1972), Raul Seixas (Há Dez Mil Anos Atrás, 1976), Belchior (Alucinação, 1976), Luiz Melodia e Tim Maia, são alguns artistas diante do enorme expectro da música brasileira e da sua versatilidade como baterista. O cara tocava demais!


História da banda e o álbum Snegs

O SNDCD, foi formado originalmente no ano de 1971, era uma banda diferente das outras que existiam por não contarem com um guitarrista solando, mas apenas um baixista que tocava guitarra eventualmente em algum trecho de alguma música. O grupo era centrado na figura de Manito que já havia feito sucesso com o grupo de rock da Jovem Guarda Os Incríveis. As coisas começaram lentamente até a banda passar a participar de festivais. Em uma dessas apresentações, foram vistos por olheiros da gravadora GEL que recomendaram a contratação da banda para o lançamento de um álbum de estúdio. 

Com a contratação, no ano de 1973, enfrentaram problemas com a gravadora, principalmente tempo escasso de estúdio para realizar as gravações e problemas com os equipamentos do estúdio. Assim, acabaram tendo que realizar as gravações e mixagem de seu álbum de estreia em apenas uma semana em um estúdio que estava com problemas na mesa-de-som.

Após a gravação, passaram a enfrentar outro problema: a gravadora não se animou com o material e colocou o disco na geladeira, adiando o seu lançamento indefinidamente. O grupo continuou fazendo shows e isto rendeu um convite para abrirem os shows que o cantor estadunidense Alice Cooper faria no Rio de Janeiro e em São Paulo. Foram cinco shows em julho que levaram a uma exposição gigante da banda que agradou o público: o maior show no Anhembi, em São Paulo, teve público de mais de 130 mil pessoas (estimativas chegaram até a falar em 158 mil pessoas).

Com a boa repercussão - especialmente dos teclados de Manito na canção "Massavilha", a gravadora resolve lançar o disco e, assim, após quase um ano da sua gravação, Snegs é lançado em 1974. Com o lançamento do disco, o grupo passa a se apresentar como atração principal em diversos festivais, como o primeiro Festival de Águas Claras e o festival Rock da Garoa, ambos em 1975.

Nesta época, gravam um segundo disco contendo uma suíte intitulada "Amazônia", que passam a tocar em apresentações ao vivo. O disco acabaria não sendo lançado pela gravadora e, em novembro de 1975, Manito anuncia sua saída da banda. Os membros remanescentes decidem continuar e a banda passa por diversas formações nos anos seguintes.

Som Nosso
Sábado / Domingo – (1976)


Em 1976, assinam contrato com a gravadora Discos CBS e lançam, no ano seguinte, Som Nosso, contando com: Dino Vicente, Paulinho Esteves e Tuca Camargo (teclados); Egídio Conde (guitarra); Rangel e Marçalzinho (percussão); e Marcinha e Tony Osanah (vocais). Neste disco, a banda também gravou temas influenciados pela música negra e pelo funk de James Brown, com dois lados bem delimitados: um com música dançante; e outro com música progressiva. Após passar por dificuldades para se manter fazendo shows, o grupo acaba em 1978.

Som Nosso, é um disco para sábados e domingos. Ou seja, sábado é funk e domingo é progressivo. Um álbum que mesmo sem a presença do incrível Manito, se manteve com extrema qualidade técnica e agradando os fãs. Infelizmente os caras não investiram na banda e ficaram apenas em dois álbuns de estúdio até o final da década de setenta. No ano de 2011 foi lançado um álbum duplo, Aquarius, com registros ao vivo feitos naquela época, que inclui duas faixas bonus que não fazem parte do álbum original.

Retorno da banda

Em junho de 1993, o grupo volta com a formação original para gravar uma faixa bônus - "O Guarani" - para o relançamento de Snegs, em comemoração aos seus 20 anos de lançamento. Esta volta rende, ainda, duas apresentações em outubro de 1994 - acompanhados por Jean Trad, na guitarra, e Homero Lotito, nos teclados - que resultariam na gravação de um álbum ao vivo, Live '94, lançado pelo selo Progressive Rock Worlwide no mesmo ano. No ano seguinte, morre Pedrinho Batera, levando a banda a novo hiato.

Em 2004, foi lançado mais um registro fonográfico de apresentações da banda. Desta vez, os membros remanescentes escolheram faixas de diversas fitas cassete existentes com apresentações do grupo entre os anos de 1975 e 1976 e lançaram A Procura da Essência – Ao Vivo 1975-1976, pela gravadora Editio Princeps. O disco conta com os músicos Pedrão Baldanza (baixo), Pedrinho Batera (bateria), Egidio Conde (guitarra), Dino Vicente e Tuca Camargo (teclados) e Rangel (percussão).

Em 24 de abril de 2008, o Som Nosso retornou mais uma vez para apresentações na Virada Cultural Paulista. O show ocorreu em um Teatro Municipal lotado e a banda tocou o primeiro álbum na íntegra. Além de Manito e Pedro Baldanza, participaram como músicos de apoio: Thiago Furlan e Jorge Canti (vocais), Marcelo Schevano (guitarra e flauta), Fernando Cardoso (teclados) e Edson Guilardi (bateria).

O sucesso da apresentação levou a banda a realizar novas apresentações, como no festival Psicodália de 2009 e na mesma Virada Cultural Paulista de 2009, desta vez na Praça da República para uma plateia estimada em 35 mil pessoas. Entretanto, O novo regresso é forçado a uma nova pausa em 2010, quando Manito passa a ter problemas de saúde devido a um câncer de laringe, o que o levaria à morte no ano seguinte.

Em 2011, novo registro ao vivo é lançado pela banda, Ao Vivo no Aquarius, pelo selo Museu do Disco. Dessa vez, uma performance realizada em 1976 no Teatro Aquarius (atualmente, Teatro Zaccaro) com os músicos Pedrão Baldanza (baixo e vocais) Egídio Conde (guitarra), Dino Vicente (teclados), Pedrinho Batera (bateria e vocais) e Rangel (percussão e vocais).


Em 2012, a rede globo de televisão usou uma canção funkeada, "Pra Swingar", faixa de abertura do segundo álbum da banda, na abertura da minissérie Suburbia.

A partir de 2017, com novo relançamento do Snegs, a banda retorna e passa a tocar em festivais e shows pelo país.

Em 2019, chegou o álbum tão aguardado, Mais Um Dia, que chegou para quebrar um jejum de 25 anos sem o lançamento de material inédito. O novo álbum traz cinco faixas inéditas, além de uma nova versão de estúdio para o samba funk Black Rio, de 1978, e registra, pela primeira vez, Lixo Per Capita, faixa que esteve presente no repertório da banda desde os anos 1970.

A última formação da banda, e último álbum. 

Pedro Baldanza – Baixo, Vocais.
Mayara Puertas e Rogério Fernandes – Coro (faixas 3, 6).
Edson Ghilard – Bateria.
Pedro Calasso – Vocais, Percussão.
Fernando Cardoso, Roberto Lazzarini – Teclados.
Marcello Schevano – Guitarra, Vocais.
André Knobl – Saxofone, Flauta.
Paulo Pizzulin – Trompete, Flugelhorn. 
Design Gráfico – Galáxia Estúdio.

Discografia

Álbuns de estúdio:
1974 - Snegs (Continental)
1977 - Som Nosso (Sábado / Domingo) (Discos CBS)
2019 - Mais um Dia

Álbuns ao vivo:
1994 - Live '94 (Progressive Rock Worlwide)
2004 - A Procura da Essência – Ao Vivo 1975-1976 (Editio Princeps)
2011 - Ao Vivo no Aquarius (Museu do Disco)

Singles:
1978 - Black Rio / Identificação (Discos CBS)

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

P.P. Arnold


P.P. Arnold 
' O swinging da soul music com a dinâmica do rock'

PP é a personificação da história do rock britânico

Raízes.

Nascida Patrician Ann Cole em Los Angeles, Califórnia, em uma família de cantores gospel, ela era a segunda de seis filhos de Theora e Mary Cole, que haviam migrado recentemente de Tyler, Texas, para Los Angeles. Ela cresceu cantando música gospel com sua família e irmãos na Igreja Batista Full Gospel em Watts, Los Angeles, e nunca sonhou com uma carreira profissional como cantora. O destino, porém, tinha outros planos para ela.

Aos 17 anos, ela se viu em um casamento abusivo e era mãe de duas crianças pequenas. Após uma fervorosa oração em uma manhã de domingo, pedindo a Deus que lhe mostrasse uma saída para o inferno em que vivia, ela recebeu um telefonema desesperado de duas amigas, Maxine Smith e Gloria Scott, implorando que ela as acompanhasse em uma audição com Ike e Tina Turner, pois a garota que deveria ir com eles havia deixado na mão. Recusando-se a aceitar um não como resposta, elas desligaram o telefone e logo depois chegaram ao seu apartamento. Convenceram-na a mentir para o marido e pedir que ele cuidasse das crianças por um curto período enquanto ela fazia compras com elas. Surpreendentemente, a mentira funcionou e seu marido, normalmente muito rigoroso, concordou em cuidar dos filhos.

Ike e Tina Turner.

A manhã se transformou em um conto de fadas, onde ela se viu na sala de estar de Ike e Tina Turner cantando "Dancing In The Streets" e, em seguida, recebeu uma proposta para acompanhá-los em turnê como uma de suas backing vocals, as "Ikettes". Ela explicou que estava lá apenas para ajudar os amigos, mas ficou hipnotizada pela beleza de Tina Turner e decidiu viajar com eles para um show que fariam naquela noite, a cerca de quatro horas ao norte de Los Angeles, para pelo menos assistir à apresentação. Essa decisão de ir com eles lhe causou grandes problemas quando chegou em casa às 6 da manhã seguinte. O dia havia tomado proporções inesperadas, então ela concordou em ir sem ligar para casa. Acabou sendo o dia que mudou sua vida completamente. Com o apoio dos pais, ela conseguiu se libertar de sua vida difícil e seguir carreira como cantora profissional.

Ela saiu em turnê com a Ike and Tina Turner Revue e se tornou uma de suas backing vocals, as "Ikettes", recebendo seu treinamento profissional inicial da incrivelmente bela e talentosa Tina Turner - simplesmente a melhor artista feminina de Soul/Funk/Rock de nossa época. Ela excursionou com a Revue no infame circuito Soul Chit'lin e isso foi apenas o começo.

Carreira solo – 'First Lady Of Immediate' e 'Kafunta'.

Ao chegar à Inglaterra em 1966 como uma Ikette da Ike & Tina Revue, no auge do sucesso da dupla com "River Deep Mountain High" no Reino Unido, ela definitivamente estava no lugar certo na hora certa. Durante uma turnê com os Rolling Stones, Pat foi descoberta por Mick Jagger, que imediatamente convenceu Andrew Loog Oldham a contratá-la para sua gravadora "Immediate". Gered Mankowitz, que fotografou a maioria de suas imagens "clássicas", a batizou de PP Arnold.

Seu primeiro álbum, 'The First Lady Of Immediate', produzido por Andrew Oldham (cujo primeiro single, 'Everything's Gonna Be Alright', foi lançado), tornou-se um clássico do Northern Soul e do gênero Mod. Mick Jagger produziu as faixas de sua autoria, 'Though It Hurts Me Badly' e 'Treat Me Like A Lady'. Steve Marriott e Ronnie Lane, do The Small Faces, escreveram e produziram o sucesso '(If You Think You're) Groovy', e a faixa mais conhecida e de maior sucesso do álbum é sua versão definitiva do clássico de Cat Stevens, 'The First Cut Is The Deepest', produzida por Mike Hurst.

Seu segundo álbum, 'Kafunta', produzido por Andrew Loog Oldham, é uma coleção de covers 'clássicos' de Jagger/Richards, como 'As Tears Go By' e 'God Only Knows', belas interpretações dos clássicos de Lennon/McCartney, 'Yesterday' e 'Eleanor Rigby', e do maravilhoso clássico dos Bee Gees, 'To Love Somebody'. Sua versão do clássico de Chip Taylor, 'Angel Of The Morning', e o grande sucesso do álbum, foi descrita como "interpretada com tamanha profundidade de saudade que nenhuma outra versão no mundo jamais soará tão majestosa".

A Londres dos anos 60, com sua atmosfera vibrante.

Pat colaborou, gravou, trabalhou e fez turnês ao lado de luminárias como The Rolling Stones, The Small Faces, com sua própria banda ' The Nice', liderada por Keith Emerson, Jimi Hendrix, Rod Stewart, Barry Gibb, Eric Clapton, Humble Pie, Nick Drake, Roger Waters, Ocean Color Scene, The Primal Scream, The Manfred's e a lista continua. Seus créditos como musicista de estúdio são como uma lista de estrelas que abrange mais de quatro décadas da história do Rock & Roll e do Pop.

Ela fez turnê com os Small Faces durante 1967-68, fez várias aparições na TV com eles e participou como vocalista de apoio em dois dos maiores sucessos do grupo, "Itchy Coo Park" e "Tin Soldier". Outros trabalhos nesse período incluem seu dueto com Rod  Stewart no single "Come Home Baby" (produzido por Mick Jagger na Immediate Records) com Ron Wood na guitarra, Keith Richards no baixo, Nicky Hopkins no piano elétrico e Keith Emerson no órgão Hammond e a Georgie Fame Brass Section, bem como a versão de Chris Farlowe do clássico da Motown "Reach Out (I'll Be There)", com Albert Lee na guitarra e Carl Palmer na bateria.

Após o colapso da Immediate no final da década de 1960, Arnold assinou um contrato de produção com a Robert Stigwood Organization e lançou dois singles pela gravadora Polydor, produzidos por Barry Gibb, mas o álbum planejado com Gibb nunca foi concluído. Entre 1969 e 1970, ela gravou onze músicas, produzidas pelo próprio Gibb, mas apenas duas delas, "Bury Me Down By The River" e "Give a Hand, Take A Hand", foram lançadas na época. Foram necessários mais 50 anos para que todas as gravações fossem finalmente lançadas em seu álbum "The Turning Tide". Em fevereiro de 1970, ela fez os vocais de apoio na música "Born" (da qual também havia gravado uma versão solo), que foi incluída no álbum de estreia solo de Gibb , "The Kid's No Good".

"PP foi um dos rostos icônicos da Swinging London dos anos 60"


Os anos 70 - Tempos de mudança.

Na década de 70, ela formou uma nova banda de apoio que incluía os membros do Ashton, Gardner e Dyke, além de Steve Howe, que logo se juntaria ao Yes, e excursionou com Eric Clapton como ato de abertura da turnê "Eric Clapton, Delaney and Bonnie", com George Harrison e Billy Preston. Após a turnê, ela entrou em estúdio para mais gravações com a Orquestra Sinfônica de Richmond (RSO), com Eric produzindo diversas sessões inéditas com ela, utilizando a banda Delaney, Bonnie and Friends, que mais tarde se tornaria a Eric's Dominoes, juntamente com Rita Coolidge e Doris Troy.

Em seguida, ela migrou para os palcos dos musicais, atuando ao lado de PJ Proby e Lance LeGault no musical de rock de Jack Good, 'Catch My Soul'.

Durante esse período, ela também retomou sua parceria com Steve Marriott, cantando vocais de apoio no álbum "Rock On" do Humble Pie. Ela também contribuiu com vocais de apoio para muitas gravações notáveis ​​no Reino Unido e nos Estados Unidos, incluindo a gravação original de 1970 do álbum do musical de rock Jesus Christ Superstar, "Poor Boy" de Nick Drake, e gravações de Dr. John, Graham Nash, Gary Wright, Manassas, Nektar, Jimmy Witherspoon, Nils Lofgren, Eric Burdon e Freddie King, para citar apenas alguns.

Tragédia.

Em 1977, sua filha faleceu tragicamente em um acidente de carro. Após a morte da filha, Arnold se afastou da vida pública por um tempo, retornando apenas em 1978. Nessa época, ela se reencontrou com Barry Gibb, que queria concluir o álbum solo inacabado que ela havia lançado. Eles chegaram a produzir um dueto entre ela e seu irmão mais novo, Andy, da clássica canção de Goffin/King, "Will You Still Love Me Tomorrow?". Infelizmente, PP Arnold só conseguiu lançar essas gravações em 2017.

Retomando o Caminho nos Anos 80 - Starlight.

Ela retornou às paradas musicais tanto no Reino Unido quanto na Austrália com o sucesso de 1983, em sua versão cover de "Respect Yourself", dos Staple Singers, gravada com o grupo britânico de electro pop Kane Gang, que alcançou a 21ª posição no Reino Unido e a 19ª na Austrália.

Em 1984, ela retornou aos palcos no elenco do musical de Andrew Lloyd Webber, Starlight Express, como Belle, a vagão-leito, ao lado de Ray Shell, Stephanie Lawrence e Jeffrey Daniels, e um elenco repleto de estrelas na produção original. Ela também gravou o álbum original do elenco do espetáculo.

Em 1986, ela retornou à cena do rock, destacando-se como backing vocal de Peter Gabriel em seu sucesso mundial, "Sledge Hammer". Ela também fez turnê pelos EUA e Japão com Billy Ocean, apesar de um trágico acidente de carro que a deixou com as duas pernas feridas. Força de vontade, determinação e fé em Deus a ajudaram a superar esse período.

Cena da dança e a retomada como vocalista.

Isso foi seguido por uma colaboração bem-sucedida com os Beatmasters no hit retrô de Acid House "Burn It Up", que alcançou o 14º lugar na Grã-Bretanha em outubro de 1988 e se tornou seu terceiro sucesso a permanecer 10 semanas ou mais na parada de singles do Reino Unido. "Burn It Up" foi incluída no álbum Anywayyawanna dos Beatmasters. No final dos anos 1980 e durante os anos 1990, Arnold retomou sua carreira ativa como vocalista de estúdio, e seus créditos nesse período incluem "What Time Is Love?" do The KLF, com sua participação vocal no refrão de "3 AM Eternal", seu sucesso mundial, Nina Hagen, Roger Waters (Amused To Death) e Graham Parker. Em 1989, ela se reuniu com seu velho amigo Steve Marriott para gravar seu álbum solo "30 Seconds to Midnight", que acabou sendo a última colaboração entre os dois antes da morte de Marriott em um incêndio em sua casa em 1991.


Além de ter excursionado pelo mundo com Roger Waters nos anos, de 1999 a 2008, em três turnês "In The Flesh" e três turnês "Dark Side Of The Moon", onde encantou o público ao redor do mundo com sua incrível voz em "Perfect Sense", do álbum conceitual "Amused To Death". A música é cantada em parte por Roger Waters, mas principalmente por PP Arnold, tanto no álbum original quanto nos shows ao vivo.

Ela também passou um breve período trabalhando com Chip Taylor, que escreveu "Wild Thing", originalmente gravada pelos Troggs, mas internacionalmente conhecida na voz de Jimi Hendrix, e a belíssima "Angel Of The Morning", seu segundo maior sucesso pela Immediate Records. Eles gravaram um dueto juntos chamado "Temptation", lançado na Holanda em 2001 pela Train Wreck Records.
Seguindo em frente. A antologia Immediate, o novo álbum de duetos e as turnês mundiais.

West End, trilhas sonoras e TV.

Seus trabalhos no West End incluem "Catch My Soul", um Otelo do rock, "Starlight Express" de Andrew Lloyd Webber, bem como a premiada produção "Once On This Island". Suas trilhas sonoras para filmes incluem "The Inside Man", "Electric Dreams", "Super Grass" e, mais recentemente, "Seven Psychopaths". Na televisão, participou de programas como "Ready Steady Go", "Top Of The Pops", "Pop Quiz", "Rock Family Trees", "Absolutely Fabulous", "Jools Holland", "TFI Friday" e muitos outros na Inglaterra e em toda a Europa. 

Suas performances clássicas no "Beat Club", onde todos os artistas de rock e pop do Reino Unido se apresentavam, podem ser vistas em vídeos, assim como sua performance icônica com o Small Faces no sucesso "Tin Soldier", eleito o 10º melhor single de todos os tempos. Seus vocais de apoio cheios de alma, juntamente com a voz vibrante de Steve Marriott, fazem deles uma dupla imbatível.

Anos emocionantes.

Em 2015 foi um ano muito especial e emocionante para PP Arnold! Ela fez sua primeira turnê solo na Cidade do Cabo, África do Sul, após o sucesso de seu segundo álbum, “Kafunta” , na década de 1970. “Eu não tinha ideia de que o disco tinha feito tanto sucesso lá até ir com Roger Waters em 2002. Foi a primeira vez que me apresentei lá como artista solo.”

Além disso, ela encantou o público como parte da turnê de 30º aniversário do álbum "Solid Silver 60's", onde se apresentou ao lado de Billy J. Kramer, Mike Pender (The Searchers), Chris Farlowe e The Merseybeats, todos acompanhados pela banda New Amen Corner. O ano terminou com concertos esgotados no Isle of Wight Scooter Festival e uma apresentação com casa cheia na celebração do 25º aniversário do 'The Jazz Café', em Camden Town.

Em 2016 continuou sendo um ano emocionante, com muitos momentos marcantes, incluindo sua apresentação na noite de gala do musical "All or Nothing", do grupo Small Faces, no Vault Theatre Waterloo, onde seu romance com Steve Marriott foi lindamente retratado. Além de shows com ingressos esgotados no The Classic Grand Glasgow e no The Venue, em Rhosygilwen, no oeste do País de Gales, em julho houve ainda mais destaques no Burton Agnes Jazz and Blues Festival e no Windsor Festival of Jazz, Folk and Blues, que comemorou seu 50º aniversário. Ela foi novamente convidada especial da banda The Manfreds em sua turnê de 2016, juntamente com a incrível Zoot Money, e foi recebida com entusiasmo pelos fãs em todas as apresentações.

O álbum de gravações inéditas do passado.

Em 2017, PP Arnold finalmente lançou suas gravações da Heritage em um álbum. 'The Turning Tide' é uma coletânea de músicas gravadas entre 1968 e 1970. Produzido por Barry Gibb e Eric Clapton, o álbum foi abortado e permaneceu inacabado. Incapaz de descansar até conseguir a licença para lançar as faixas, PP foi apresentada a Bill Levenson por Dick Ashby, amigo e empresário de Barry Gibb, e felizmente as fitas master foram finalmente encontradas.

Com a ajuda de Jeff Allen e Jon Moon da Sensible Music, Steve e Sally Cradock, e Paul Weller, as faixas foram mixadas por Charles Reese, engenheiro de som no Black Barn Studios de Paul, e o álbum foi lançado 47 anos depois, recebendo aclamação da crítica e conquistando popularidade entre a mídia e os fãs. Suas versões eletrizantes de "Medicated Goo" do Traffic e "You Can't Always Get What You Want" dos Rolling Stones garantem o sucesso nas pistas de dança, e baladas delicadas como a canção gospel "Bury Me Down By the River", "Give A Hand Take A Hand" e "Turning Tide" (a faixa-título), todas escritas e produzidas por Barry Gibb, fazem deste álbum um item indispensável na coleção de qualquer pessoa.

Em novembro e dezembro de 2018, PP Arnold fez a turnê "O Retorno de PP Arnold à Austrália"! Ele se apresentou novamente com "You Am I", acompanhado por James Black & The Wolfgramm Sisters, além de ter participado de alguns shows com a Rockwiz Orchestra .

O álbum de PP Arnold, 'The New Adventures Of… PP Arnold', foi lançado pela earMUSIC em 9 de agosto de 2019, trata-se de um álbum duplo com material inédito e impressionante, que conta com a participação de artistas como Paul Weller, Steve Cradock (do Ocean Colour Scene), The Specials e Kodzo, filho de PP e também compositor. O lançamento veio acompanhado de novas apresentações ao vivo.

PP Arnold é uma verdadeira sobrevivente da alma, firme e forte!

PP Arnold é uma lenda! Desde que se tornou a primeira dama do soul em Londres, nos anos 60, ela continuou em plena atividade!


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

DiScOs InCrÍvEiS: BB King (Completely Well)


BB King
' Completely Well - 1969 '

BB dispensa apresentações como guitarrista de blues. Sua música moldou não apenas o blues, mas também uma grande parte do rock até os dias de hoje. Ele foi até citado pelos Beatles em uma letra do álbum Let It Be. E nesse ambiente do final dos anos sessenta, vamos entrar de cabeça neste álbum que é considerado um dos seus melhores trabalhos de toda sua carreira.

Começamos com "So Excited ", uma ode ao amor/luxúria e ao desejo que o acompanha. A guitarra de B.B. King é maravilhosamente precisa, assim como a intenção desta canção. Há também uma ótima seção de trompete, juntamente com um wah-wah ao estilo de Jimi Hendrix. É uma excelente introdução à música em questão e também conta com um bom solo de órgão. Uma peça de blues inteligentemente executada. A letra também é excelente. Sem dúvida, a música aqui foi extremamente influente; soa muito legal. A execução nesta faixa é fantástica. Um ótimo começo para esta gravação.

A próxima faixa é "No Good", que começa como uma espécie de jam lenta, com a incrível guitarra de BB King. BB King quase grita vocalmente neste disco, provando que não só dominava a guitarra, como também mandava bem no canto/grito. É uma ótima música, com um som consistentemente bom do início ao fim. Sua execução é repleta de bends e vibratos precisos, envergonhando alguns dos guitarristas de metal dos anos 80. É uma experiência auditiva excelente, com um piano sutil ao fundo. Uma faixa magnífica.

"You're Losin' Me" começa com riffs de guitarra limpos, incrivelmente simples e com grande musicalidade. Uma composição magistralmente executada e criada. BB King retorna com seu vocal rouco, cantando sobre problemas de relacionamento. Definitivamente uma ótima música, com belas partes de guitarra limpas. BB King conseguia fazer a guitarra gritar enquanto ele mesmo quase gritava. Não é heavy metal, é um grande bluesman tocando com toda a sua alma. Um trabalho brilhante. Os órgãos e o baixo soam incríveis, um ótimo trabalho da banda de apoio.

"What Happened" começa com um arranjo vibrante que soa realmente incrível. Em seguida, a música se transforma em uma balada lenta e elegante. É uma história sobre a dor de um coração partido ao longo do tempo, interpretada de forma magnífica por B.B. King e sua banda. Não há um momento ruim neste disco, e felizmente podemos ouvi-lo décadas depois. O solo de guitarra é contido, sem exageros, e executado com perfeição. É uma ótima audição do começo ao fim, uma bela e excelente canção sobre desilusão amorosa. Uma ótima música.

A próxima faixa é "Confessin' The Blues", que começa com uma vibe relaxada e envolvente. É uma ótima música para ouvir, e na verdade trata de ideais baseados no amor, e não de confissões religiosas. Dito isso, se é BB King confessando seu blues, é uma confissão e tanto. Uma experiência auditiva alegre e excelente, BB King e sua banda soam como se estivessem em chamas aqui. Outra ótima música de blues lá dos anos 60. Excelente para ouvir. Os solos de guitarra são incríveis e magníficos. Tudo é simplesmente perfeito em termos musicais, sem automação ou qualquer coisa do tipo. Música simplesmente brilhante.

A seguir, temos "Key To My Kingdom", que possui uma introdução interessante antes de se transformar em uma bela balada sobre o amor, em contraste com bens materiais e ideais semelhantes. É mais uma experiência auditiva magnífica, com um solo de guitarra potente e marcante, porém limpo. É um pouco peculiar, mas simplesmente fantástica. Sua guitarra, Lucille, demonstra isso de forma perfeita e emocionante. Uma ótima música.

"Cryin' Won't Help You Now" é uma música com uma sonoridade bluesy que soa como uma lição moral sobre um amor não correspondido. É uma música matadora, simples, melódica, original e com a essência do blues. O solo de guitarra soa limpo, puro e incrível. Os Beatles provavelmente admiravam B.B. King tanto quanto outras lendas do rock, e de certa forma, dá para entender o porquê. Música excelente, assim como o resto do álbum. É uma faixa com uma letra ácida, mas uma audição soberba do nosso B.B. King. Esta é uma peça musical bem longa, mas em nenhum momento soa tediosa. Há um grande senso da tradição do blues aqui, vindo de B.B. King. Uma ótima audição do começo ao fim. A segunda metade tem uma pegada predominantemente instrumental, inegavelmente boa, que faz a transição para a próxima música.

"You're Mean" resume tudo e continua nossa jornada bluesy em perfeita sintonia musical. Há alguns solos de blues realmente incríveis de B.B. King aqui. A música se transforma em uma espécie de jam estendida, com guitarras em diálogo. É realmente ótimo de ouvir, seja pela primeira vez ou não. As guitarras soam como algo que os Beatles e o Led Zeppelin exploravam bastante nesse tipo de música. O baixo e o solo são tão bem executados que B.B. King e sua banda merecem elogios só por isso, além do resto desta brilhante obra musical. Os riffs e solos de guitarra soam realmente incríveis. Em resumo, é música muito boa. Uma excelente experiência auditiva que continua surpreendendo e encantando. Há uma sensação de improvisação inteligente neste álbum; a banda parece saber exatamente o que está fazendo. Há também um feedback de guitarra muito bom. Uma autêntica jam, sensacional.

Por fim, temos "The Thrill Is Gone", uma ótima maneira de encerrar este álbum, que soa bastante contido. É realmente agradável de ouvir, com uma bela seção de cordas ao fundo. BB King parece estar em uma missão aqui, entregando uma música ótima e inesquecível. A letra fala sobre a perda de um amor verdadeiro. Uma bela faixa para finalizar o álbum. Com um tom melancólico, cumpre bem o seu propósito. Uma ótima escolha para encerrar o álbum, e que se tornaria um clássico absoluto da música.

Se você nunca ouviu falar de blues ou qualquer coisa relacionada ao gênero, este é definitivamente um ótimo ponto de partida. B.B. King está em ótima forma aqui, e a música é soberba. Um álbum muito bem produzido. Blues essencial! 


Bobby King

Bobby King
' Direto dos botecos esfumaçados de Chicago '

Robert L. King (29 de janeiro de 1941 – 22 de julho de 1983) foi um guitarrista, cantor e compositor de blues americano de Chicago. King trabalhou com Hank Ballard and The Midnighters, Bobby Bland, Lee "Shot" Williams, Eddy Clearwater, Freddie King, Lonnie Johnson, The Aces e Sonny Thompson. 

Embora ele possa ser mais lembrado como músico de estúdio, entre 1962 e 1975, King gravou quatro singles e um álbum.

Infelizmente, após uma discussão em uma boate de Chicago, Bobby entrou em um violento confronto físico e morreu em decorrência dos ferimentos. Ele só tinha 42 anos de idade.

Embora seu estilo musical e modo de tocar tenham as características dos mestres de blues, ele trazia muito da escola dos guitarristas de jazz, cru com forte presença de guitarra rítmica, notas sustentadas e vocais expressivos e marcantes.

Sonoridade crua e vocais expressivos.

Bobby King nasceu no Condado de Jefferson, Arkansas, Estados Unidos. Ele foi inspirado pelo trabalho de Fenton Robinson e Larry Davis, antes de se mudar para Chicago, Illinois, após um breve período em 1959 em St. Louis, Missouri. Ele se tornou um favorito local, atuando principalmente nos clubes de blues do West Side de Chicago, antes de seu segundo single, "What a Day, What a Night" (1964), levá-lo a um público maior.

O estilo jazzístico do trabalho de King com a guitarra o levou a ser utilizado como músico de estúdio, gravando com músicos de blues como Lee "Shot" Williams, Eddy Clearwater e Freddie King. Ele também fez turnês, acompanhando Bobby Bland e Hank Ballard. Seu single de estreia, "Thanks Mr. Postman", uma resposta à música "Please Mr. Postman", foi lançado pela Federal Records em 1962. Dois outros singles se seguiram por meio de pequenas gravadoras locais, mas nenhum obteve vendas significativas.

"Chaser" é um álbum ao vivo gravado pelo guitarrista. Foi gravado em 9 de outubro de 1975 no clube "Queen Bee's" (na 7401 South Chicago Ave., em Chicago) e lançado originalmente pelo selo Storyville Records. King escreveu duas das músicas, incluindo a faixa-título. O disco captura a atmosfera crua, autêntica e intimista de uma apresentação de blues tradicional de Chicago. A produção ficou inicialmente divulgado por entusiastas do blues como Marcelle Morgantini na França, tornando-se uma obra cultuada por fãs de blues.

King planejou realizar uma turnê pela Europa e Japão, mas uma briga violenta ocorreu no Louise's, um clube de Chicago, que deixou King gravemente ferido e incapaz de tocar guitarra. Ele morreu posteriormente devido aos ferimentos em 22 de julho de 1983. Um obituário apareceu na revista Living Blues (edição nº 58) ainda naquele ano.

O trabalho de King apareceu em vários álbuns de compilação. Estes incluem King New Breed Rhythm & Blues (2002) que incorporou "Thanks Mr. Postman", R&B Hipshakers Vol. 3: Just a Little Bit of the Jumpin' Bean (2012), e The R & B Singles Collection Volume 2 (2013).


Janis Joplin


Janis Joplin

"A rainha oficial do Rock 'n' Roll"

Essa voz – aguda, rouca, terrena, explosiva – permanece entre as mais distintas e eletrizantes da história do pop. Mas Janis Joplin não possuía apenas um grande instrumento; ela se entregava a cada sílaba, testemunhando do âmago do seu ser.

Ela reivindicou o blues, o soul, o gospel, o country e o rock com autoridade e verve inquestionáveis, incorporando destemidamente jams psicodélicos de guitarra, roots back-porch e tudo o mais. Suas performances vulcânicas deixaram o público atordoado e sem palavras, enquanto seu magnetismo sexual, seu jeito antenado e seu estilo extravagante destruíram todos os estereótipos sobre artistas femininas – e essencialmente inventaram o paradigma da "mãe do rock". Chocou a sociedade dos anos 1960 e 1970 com seu comportamento visceral, quebrando padrões femininos ao consumir álcool e drogas publicamente, assumir sua bissexualidade e adotar uma postura rebelde e explosiva nos palcos e bastidores. Seu estilo de vida excessivo, conhecida por beber muito e usar drogas, era comum vê-la com uma garrafa de sula/cachaça ou álcool em todas as ocasiões. Durante sua vinda ao Brasil, gerou tumultos por ter sido expulsa do Copacabana Palace após nadar nua na piscina. Seu conhecido temperamento explosivo, brigava com produtores, desafiava a segurança de shows dizendo "eu sou o show" e se envolveu em brigas físicas com outros músicos. 

"Quebrou paradigmas, foi símbolo de liberdade sexual feminino, rejeitava o papel submisso imposto às mulheres da época, vivendo relacionamentos livres tanto com homens quanto com mulheres"

Nascida em Port Arthur, Texas, em 1943, Joplin caiu sob a influência de Leadbelly, Bessie Smith, Etta James e Big Mama Thornton na adolescência, e a autenticidade dessas vozes influenciou fortemente sua decisão de se tornar cantora. Autointitulada "desajustada" no ensino médio, sofreu praticamente ostracismo, mas se interessou por música folk com os amigos e pintou. 

Frequentou brevemente a faculdade em Beaumont e Austin, mas sentiu-se mais atraída pelas lendas do blues e pela poesia beat do que pelos estudos; logo abandonou os estudos e, em 1963, rumou para São Francisco, acabando por se encontrar no bairro de Haight Ashbury, notoriamente dominado pelas drogas. Encontrou-se com o guitarrista Jorma Kaukonen (que mais tarde integraria a lendária banda de rock de São Francisco, Jefferson Airplane) e a dupla gravou uma série de canções com a esposa dele, Margareta, que fazia a batida em sua máquina de escrever. Essas faixas — incluindo padrões de blues como "Trouble in Mind" e "Nobody Knows You When You're Down and Out" — mais tarde surgiriam como o infame bootleg "Typewriter Tapes".

Ela retornou ao Texas para escapar dos excessos de Haight, matriculando-se como estudante de sociologia na Universidade Lamar, adotando um penteado estilo colmeia e vivendo uma vida geralmente "hétero", apesar de incursões ocasionais para se apresentar em Austin. Mas a Califórnia a atraiu de volta ao seu brilhante abraço em 1966, quando se juntou à banda de rock psicodélico Big Brother and the Holding Company, de Haight. Sua adoção de um estilo de vestuário ousado – com óculos de vovó, cabelos crespos e trajes extravagantes que lembravam, ao estilo hippie, a era do burlesco – impulsionou ainda mais sua crescente reputação.

O inovador Monterey International Pop Festival – de 16 a 18 de junho de 1967 – transformou a carreira de Janis Joplin e plantou a semente para festivais como Woodstock. Janis chegou ao bucólico Monterey County Fairgrounds como membro do Big Brother e da Holding Company, amplamente desconhecidos fora de São Francisco.

Símbolo de empoderamento feminino.
No final do fim de semana, ela era o assunto da atenção da mídia global e seria procurada pelo presidente da Columbia Records, Clive Davis, e pelo empresário de Bob Dylan, Albert Grossman. A caminho do estrelato, "a verdadeira rainha do festival" – como a apelidou um repórter – seria o destaque do aclamado documentário de 1968 do DA Pennebaker, Monterey Pop.

Anunciado como “três dias de paz e música”, Woodstock 1969 foi o ápice das mudanças culturais que ocorreram ao longo da década. Tudo, desde música, literatura e moda até atitudes em relação ao sexo e às drogas, foi afetado pela agitação social. Enquanto a guerra no Vietnã continuava, quase meio milhão de pessoas compareceram para demonstrar que a paz e o amor eram possíveis.

Janis tinha uma verdadeira urgência em transformar seus trabalhos, gravou três álbuns em vida e estava terminando seu quarto disco quando, precocemente, aos 27 anos, faleceu em um quarto de hotel vítima de um colapso de drogas e álcool no dia 04 de outubro de 1970. O álbum foi finalizado e lançado póstumamente em 1971.

Janis trabalhou com a banda 'The Holding Company' de 1967 à 1968, e gravou com eles dois álbuns: Big Brother and the Holding Company (1967) e Cheap Thrills (1968). Depois formou a 'Kozmic Blues Band' em 1969 e gravou o disco: I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama! (1969). Por fim, seu último projeto se chamou 'Full Tilt Boogie Band', onde estava finalizando o álbum Pearl (1971) — lançado postumamente.

Além dos discos de estúdio, destacam-se álbuns ao vivo e coletâneas essenciais como: In Concert (1972), Janis Joplin's Greatest Hits (1973), Farewell Song (1982), Live In Winterland '68 (1998), Sex, Dope & Cheap Thrills (2018).