Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Hollywood Vampires


HOLLYWOOD VAMPIRES
O clube da bebedeira: amizade, risadas e rock!

Acho que Charles Dickens expressou isso da melhor forma. E embora a evocação de seu nome pareça uma estranha associação com uma irmandade boêmia que continuou a festejar mais de um século depois, pode-se dizer que ele tinha os vampiros de Hollywood firmemente na mira de seus versos imortais. Pois, em uma era de excessos em todos os níveis, era de fato "O melhor dos tempos, era o pior dos tempos, era a era da sabedoria (bem, talvez não essa parte), era a era da insensatez".

Não tenho certeza se é importante citar nomes; eram obviamente homens de talentos variados e com uma união coletiva que se baseava na segurança da união, além de uma predileção por evocar os fantasmas dos hedonistas do passado. Embora seja presunçoso compará-los aos clássicos literários da decadência masculina (estou falando de Rimbaud e Verlaine, e Shelley e Byron), eles são, na verdade, aqueles delinquentes da Londres dos anos 60 (Burton, O'Toole, Ollie Reed e Richard Harris) que têm maior probabilidade de se apresentarem como a quintessência teatral dos vampiros de Hollywood.

A zona de conforto de um clube de bebedeira comunitário é tão antiga quanto o tempo, e de seu pedestal elevado, agora gravado em uma placa de bronze em algum lugar nas entranhas da Sunset Strip, esse grupo heterogêneo de roqueiros americanos e ingleses expatriados se reunia todas as noites em uma série sempre rotativa de cadeiras musicais de celebridades.

Você pode balançar a cabeça e imaginar que não havia muito o que dizer, e em retrospectiva, talvez você tenha razão. Sim, os participantes eram excêntricos e extremamente bem-sucedidos, mas, além das quantidades generosas de álcool consumidas, por que tanto alarde? Qual o problema? Bem, é exatamente isso. Ninguém ali se considerava importante ou buscava causar alvoroço. Bajuladores e acólitos não faziam parte dos critérios de admissão. Era um grupo despretensioso que gravitava em direção a uma zona de conforto onde nada era esperado deles. Quando os Vampiros estavam presentes, o jogo se igualava.

Não estou aqui para defender seus vícios. Exageros de qualquer tipo não contribuem para uma mente e um corpo saudáveis. E embora, à margem da vida desses envolvidos, esposas possam ter ido e vindo, escolhas de carreira possam ter sido consideradas, no mínimo, duvidosas, e decepções amorosas, em alguns casos, tenham assombrado um corredor escuro da minha memória, admito, falha, no covil dos Vampiros de Hollywood, reinavam apenas alegria e risos.

Não tenho certeza absoluta do que constituía mau comportamento naquela época, mas naquele covil ele existia numa bolha, uma cúpula hermeticamente fechada de diversão. Talvez não fosse a mesa redonda do Algonquin, mas aqueles eram caras espirituosos e inteligentes que frequentemente ficavam barulhentos e desordeiros, mas podem ter certeza de que não houve espectadores ou animais feridos durante a produção dos Hollywood Vampires.

Se for preciso recorrer a uma anedota para desvencilhar a imagem deles dos clubes enfumaçados e bares escuros, reflita, incrédulo, sobre a decisão que tomaram de tentar um esporte coletivo. O que levou o Bat Pack a imaginar que conseguiriam organizar um time de softball é um mistério para mim. As lembranças são vagas, mas me lembro que as camisetas eram incríveis e, no fim das contas, inúteis, porque nosso time era dividido entre aqueles que (A) não estariam acordados em nenhum horário de jogo; (B) se estivessem acordados, seu nível de toxicidade certamente prejudicaria o desempenho deles; e (C) tenho quase certeza de que vários membros nem sabiam o que era softball!

Tudo que é bom chega ao fim, e enquanto alguns conseguiram subir na vida e escapar de um inferno alcoólico, outros pagaram o preço e sucumbiram. Há uma tristeza profunda que, a longo prazo, revela muito sobre o talento desperdiçado e as vidas ceifadas precocemente, mas em vez de nos concentrarmos nos aspectos negativos, não seria melhor lembrar o que os mortos nos deram e o que os vivos ainda podem contribuir?

Talvez tenha sido "a era da sabedoria", porque, no fim das contas, foi isso que os sobreviventes herdaram.

Bernie Taupin,
Santa Ynez, Califórnia, julho de 2015

I Got A Line On You

O Hollywood Vampires lançou o vídeo oficial de “I Got A Line On You”, registrado durante sua apresentação no Montreux Jazz Festival, em 2018. A gravação faz parte do álbum ao vivo At Montreux Jazz Festival, que reúne a performance da banda em um dos festivais mais tradicionais da música internacional.


Conhecido pela presença de palco teatral, pela energia explosiva e pelas homenagens a artistas que marcaram a história do rock, o grupo formado por Alice Cooper, Joe Perry, Johnny Depp, Tommy Henriksen, Robert DeLeo, Matt Sorum e Bruce Witkin, apresenta no registro uma combinação de clássicos, irreverência e celebração do legado musical de gerações anteriores.

O nome Hollywood Vampires é uma referência a um círculo de músicos que se reunia em Hollywood, unidos pela amizade, pela diversão e pela paixão pelo rock. A formação atual mantém esse espírito, equilibrando a atitude despojada do gênero com tributos a artistas que influenciaram a trajetória da música.

A banda lançou seu álbum de estreia autointitulado em 2015, reunindo participações especiais e versões de clássicos do rock. Em 2019, com Rise, o grupo ampliou seu repertório com composições próprias.

Com apresentações marcadas pela intensidade e por homenagens a nomes fundamentais do gênero, o Hollywood Vampires conquistou público internacional e mantém viva a tradição do 
rock ‘n’ roll !!


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Alice Cooper

Alice Cooper

' O teatro de horror '

O baixista Chuck Garric, a guitarrista Nita Strauss e Alice Cooper

Os primeiros anos

Em 1964, Vincent Furnier (Alice Cooper), de 16 anos, estava ansioso para participar do show de talentos anual da equipe de atletismo local, então reuniu seus colegas de equipe para formar um grupo para o evento. Eles se chamaram The Earwigs. Como não sabiam tocar nenhum instrumento na época, se vestiram como os Beatles e dublaram suas músicas. Após vencerem o show de talentos e adorarem a experiência de se apresentar no palco, o grupo imediatamente aprendeu a tocar instrumentos que conseguiram em uma loja de penhores local. Logo mudaram o nome para The Spiders, com Furnier nos vocais, Glen Buxton na guitarra solo, John Tatum na guitarra rítmica, Dennis Dunaway no baixo e John Speer na bateria. Musicalmente, o grupo se inspirava em artistas como The Beatles, The Rolling Stones, The Who, The Kinks, The Doors e The Yardbirds. No ano seguinte, a banda se apresentou regularmente na região de Phoenix com uma enorme teia de aranha preta como pano de fundo, o primeiro adereço de palco do grupo.

Em 1965, os Spiders gravaram seu primeiro single, “Why Don't You Love Me” (originalmente interpretada pelos Blackwells), com Furnier aprendendo a tocar gaita para a música. O lado B do single era o sucesso de Marvin Gaye pela Tamla Records, “Hitch Hike”. O single foi lançado pela gravadora local Mascot Records, de propriedade de Jack Curtis, um promotor de shows que também era dono da boate para adolescentes Stage 7, que mais tarde se tornou o VIP Club, onde os Spiders eram a banda residente.

Promoção do álbum Killer, 1971
Em 1966, os Spiders se formaram no ensino médio e, depois que o jogador de futebol americano da North High School, Michael Bruce, substituiu John Tatum na guitarra rítmica, a banda lançou seu segundo single, “Don't Blow Your Mind”, uma composição original que se tornou um sucesso local, alcançando o primeiro lugar nas paradas, com “No Price Tag” no lado B. O single foi gravado no Copper State Recording Studio e lançado pela pequena gravadora local Santa Cruz Records.

Em 1967, a banda começou a fazer viagens regulares a Los Angeles para se apresentar. Logo mudaram o nome para The Nazz e lançaram o single "Wonder Who's Lovin' Her Now", com a futura faixa de Alice Cooper, "Lay Down and Die, Goodbye", no lado B. Nessa época, o baterista John Speer foi substituído por Neal Smith. No final do ano, a banda se mudou para Los Angeles.

A banda foi descoberta por Frank Zappa em 1969 em Los Angeles, que os contratou para sua gravadora. Mas foi com a colaboração do jovem produtor musical Bob Ezrin que levou a banda ao sucesso no terceiro álbum, "Love It to Death", que chegou às paradas em 1971, seguido pelos álbuns "Killer", "School's Out", "Billion Dollar Babies" e "Muscle of Love".

A banda Alice Cooper foi pioneira em um estilo grandioso e teatral de hard rock, concebido para chocar. Inspirando-se igualmente em filmes de terror, vaudeville e garage rock, o grupo criou um espetáculo que incluía cadeiras elétricas, guilhotinas, sangue falso e jiboias.

Cada novo lançamento de álbum era acompanhado por um show de palco cada vez maior e mais elaborado. Em 1974, foi lançado um álbum de "Greatest Hits" e, em 1975, Cooper lançou seu primeiro álbum solo, assumindo o nome Alice Cooper pra si, "Welcome to My Nightmare" veio acompanhado pela lendária e inovadora turnê teatral de mesmo nome. Esse álbum era conceitual e teatral que falava sobre os pesadelos de um jovem garoto chamado Steven.

A carreira solo de Alice decolou no final da década de 1970, com uma sucessão de singles de sucesso, incluindo "You & Me", e álbuns clássicos, como "Lace And Whiskey" e "From The Inside", além de turnês de shows cada vez maiores e mais elaboradas.

Nos anos 80, Cooper explorou diferentes sonoridades, com destaque para o álbum new wave "Flush The Fashion", o heavy metal de "Constrictor" e "Raise Your Fist And Yell", e, em 1989, o álbum de hard rock melódico "Trash", que incluía o grande sucesso "Poison" e se tornou seu álbum e single mais vendido mundialmente. Durante esse período, Alice também participou dos filmes de terror Monster Dog e Prince of Darkness, de John Carpenter, e gravou músicas para as trilhas sonoras de Roadie, Class of 1984, Friday the 13 Part VI: Jason Lives e Shocker, de Wes Craven.

Com uma agenda que inclui seis meses por ano na estrada, Alice Cooper traz sua marca única de psicodrama rock para fãs antigos e novos, curtindo tanto quanto o público. Conhecido como o arquiteto do shock rock, Cooper (tanto na formação original da Alice Cooper Band quanto em carreira solo) tem desafiado e minado a autoridade de gerações de guardiões do status quo, continuando a surpreender os fãs e exalar perigo a cada instante, como um grande filme de terror.

“Alice odeia tecnologia, a discoteca ainda é um pesadelo para ele e trabalhar num cubículo das nove às cinco lhe causaria calafrios”, diz Cooper. “Ao mesmo tempo, isto é um pesadelo, então todas essas coisas normais da vida são jogadas neste mundo louco que só faz sentido quando você está dentro do pesadelo. Você pode ter um elefante na sua garagem e estar no jardim, de tutu rosa, cozinhando cachorros-quentes. E na hora, tudo bem. Mas quando você acorda, pensa: 'Que loucura! De onde veio isso?' Então percebemos que ter Alice num pesadelo do mundo moderno é um ótimo ponto de partida teatral, porque podemos ir aonde quisermos e torná-lo o mais insano possível.”

Associado a esse álbum e turnê estava o inovador especial de TV Alice Cooper: The Nightmare. Outras aparições no cinema e na televisão incluem The Muppet Show, o último filme de Mae West, Sextette, Roadie, Sgt. Pepper's Lonely Hearst Club Band e participações no The Tonight Show com Johnny Carson e no Tomorrow Show de Tom Snyder. A formação original da banda também fez uma participação no filme Diary of a Mad Housewife em 1970, filmou o longa-metragem Good To See You Again Alice Cooper, e Alice apareceu em um episódio de 1974 de The Snoop Sisters.

A participação mais memorável de Cooper no cinema foi como ele mesmo em Wayne's World, em 1991. Ele também interpretou (apropriadamente) o padrasto perverso de Freddy Krueger em Freddy's Dead: The Final Nightmare, e fez participações na série de TV de Gene Wilder, Something Wilder, bem como em That '70s Show. Os anos 90 também viram o lançamento dos álbuns "Hey Stoopid", "The Last Temptation" e "Fistful of Alice", um álbum ao vivo.

Em 2011, os membros remanescentes da formação original da banda Alice Cooper foram finalmente introduzidos no Hall da Fama do Rock and Roll, onde se apresentaram publicamente pela primeira vez em muitos anos. A formação original também contribuiu para o álbum de Alice de 2011, "Welcome 2 My Nightmare", uma continuação do primeiro álbum solo de Alice.

Uma odisseia selvagem e surreal, Welcome 2 My Nightmare proporcionou a Cooper e Ezrin a oportunidade de trabalhar com diversos músicos e experimentar vários estilos musicais. Os três membros remanescentes da banda original, o guitarrista Michael Bruce, o baixista Dennis Dunaway e o baterista Neal Smith, compuseram três músicas juntos e todos tocaram em “When Hell Comes Home”, uma faixa de rock crua ao estilo dos anos 70 sobre o pesadelo da violência doméstica. “Eu queria que a música tivesse a mesma vibe de Love it to Death ou Killer”, diz Cooper. “Mas nunca precisamos falar sobre tocar a música no estilo dos anos 70, eles simplesmente fizeram. Foi ótimo e não havia nada que pudéssemos fazer para deixá-la mais anos 70, porque é assim que esses caras tocam.”

Alice Cooper que está próximo dos 78 anos, continua extremamente ativo na música, rejeitando a aposentadoria e mantendo uma agenda cheia de shows e lançamentos. Ele declarou que pretende continuar se apresentando enquanto estiver em boa forma, mesmo que isso signifique subir aos palcos aos 90 anos.

Cooper acabou de fazer uma reunião histórica em 2025. Reuniu-se com os membros remanescentes de sua banda original (Dennis Dunaway, Neal Smith e Michael Bruce) após mais de 50 anos para lançar o álbum "The Revenge of Alice Cooper". 
Foi atração confirmada no festival Best of Blues and Rock 2025, em São Paulo. Segue em turnê com sua banda solo que inclui a guitarrista Nita Strauss e já anunciou uma nova turnê europeia de 2026, incluindo apresentações com orquestra sinfônica.

Alice Cooper foi incluído no Radio Hall Of Fame. Ele continua sendo considerado o "pai do shock rock", mantendo suas performances teatrais características.

Formação atual:

Alice Cooper – vocal, guitarra, harmônica (1963–presente).
Nita Strauss – guitarra, vocalista de apoio (2014–presente).
Ryan Roxie – guitarra, vocalista de apoio (1996–2006, 2012–presente).
Chuck Garric – baixo, vocalista de apoio (2002–presente).
Glen Sobel – bateria, percussão (2011–presente).
Tommy Henriksen – guitarra, vocalista de apoio (2011–presente).

Página oficial do artista