Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Hollywood Vampires


HOLLYWOOD VAMPIRES
O clube da bebedeira: amizade, risadas e rock!

Acho que Charles Dickens expressou isso da melhor forma. E embora a evocação de seu nome pareça uma estranha associação com uma irmandade boêmia que continuou a festejar mais de um século depois, pode-se dizer que ele tinha os vampiros de Hollywood firmemente na mira de seus versos imortais. Pois, em uma era de excessos em todos os níveis, era de fato "O melhor dos tempos, era o pior dos tempos, era a era da sabedoria (bem, talvez não essa parte), era a era da insensatez".

Não tenho certeza se é importante citar nomes; eram obviamente homens de talentos variados e com uma união coletiva que se baseava na segurança da união, além de uma predileção por evocar os fantasmas dos hedonistas do passado. Embora seja presunçoso compará-los aos clássicos literários da decadência masculina (estou falando de Rimbaud e Verlaine, e Shelley e Byron), eles são, na verdade, aqueles delinquentes da Londres dos anos 60 (Burton, O'Toole, Ollie Reed e Richard Harris) que têm maior probabilidade de se apresentarem como a quintessência teatral dos vampiros de Hollywood.

A zona de conforto de um clube de bebedeira comunitário é tão antiga quanto o tempo, e de seu pedestal elevado, agora gravado em uma placa de bronze em algum lugar nas entranhas da Sunset Strip, esse grupo heterogêneo de roqueiros americanos e ingleses expatriados se reunia todas as noites em uma série sempre rotativa de cadeiras musicais de celebridades.

Você pode balançar a cabeça e imaginar que não havia muito o que dizer, e em retrospectiva, talvez você tenha razão. Sim, os participantes eram excêntricos e extremamente bem-sucedidos, mas, além das quantidades generosas de álcool consumidas, por que tanto alarde? Qual o problema? Bem, é exatamente isso. Ninguém ali se considerava importante ou buscava causar alvoroço. Bajuladores e acólitos não faziam parte dos critérios de admissão. Era um grupo despretensioso que gravitava em direção a uma zona de conforto onde nada era esperado deles. Quando os Vampiros estavam presentes, o jogo se igualava.

Não estou aqui para defender seus vícios. Exageros de qualquer tipo não contribuem para uma mente e um corpo saudáveis. E embora, à margem da vida desses envolvidos, esposas possam ter ido e vindo, escolhas de carreira possam ter sido consideradas, no mínimo, duvidosas, e decepções amorosas, em alguns casos, tenham assombrado um corredor escuro da minha memória, admito, falha, no covil dos Vampiros de Hollywood, reinavam apenas alegria e risos.

Não tenho certeza absoluta do que constituía mau comportamento naquela época, mas naquele covil ele existia numa bolha, uma cúpula hermeticamente fechada de diversão. Talvez não fosse a mesa redonda do Algonquin, mas aqueles eram caras espirituosos e inteligentes que frequentemente ficavam barulhentos e desordeiros, mas podem ter certeza de que não houve espectadores ou animais feridos durante a produção dos Hollywood Vampires.

Se for preciso recorrer a uma anedota para desvencilhar a imagem deles dos clubes enfumaçados e bares escuros, reflita, incrédulo, sobre a decisão que tomaram de tentar um esporte coletivo. O que levou o Bat Pack a imaginar que conseguiriam organizar um time de softball é um mistério para mim. As lembranças são vagas, mas me lembro que as camisetas eram incríveis e, no fim das contas, inúteis, porque nosso time era dividido entre aqueles que (A) não estariam acordados em nenhum horário de jogo; (B) se estivessem acordados, seu nível de toxicidade certamente prejudicaria o desempenho deles; e (C) tenho quase certeza de que vários membros nem sabiam o que era softball!

Tudo que é bom chega ao fim, e enquanto alguns conseguiram subir na vida e escapar de um inferno alcoólico, outros pagaram o preço e sucumbiram. Há uma tristeza profunda que, a longo prazo, revela muito sobre o talento desperdiçado e as vidas ceifadas precocemente, mas em vez de nos concentrarmos nos aspectos negativos, não seria melhor lembrar o que os mortos nos deram e o que os vivos ainda podem contribuir?

Talvez tenha sido "a era da sabedoria", porque, no fim das contas, foi isso que os sobreviventes herdaram.

Bernie Taupin,
Santa Ynez, Califórnia, julho de 2015

I Got A Line On You

O Hollywood Vampires lançou o vídeo oficial de “I Got A Line On You”, registrado durante sua apresentação no Montreux Jazz Festival, em 2018. A gravação faz parte do álbum ao vivo At Montreux Jazz Festival, que reúne a performance da banda em um dos festivais mais tradicionais da música internacional.


Conhecido pela presença de palco teatral, pela energia explosiva e pelas homenagens a artistas que marcaram a história do rock, o grupo formado por Alice Cooper, Joe Perry, Johnny Depp, Tommy Henriksen, Robert DeLeo, Matt Sorum e Bruce Witkin, apresenta no registro uma combinação de clássicos, irreverência e celebração do legado musical de gerações anteriores.

O nome Hollywood Vampires é uma referência a um círculo de músicos que se reunia em Hollywood, unidos pela amizade, pela diversão e pela paixão pelo rock. A formação atual mantém esse espírito, equilibrando a atitude despojada do gênero com tributos a artistas que influenciaram a trajetória da música.

A banda lançou seu álbum de estreia autointitulado em 2015, reunindo participações especiais e versões de clássicos do rock. Em 2019, com Rise, o grupo ampliou seu repertório com composições próprias.

Com apresentações marcadas pela intensidade e por homenagens a nomes fundamentais do gênero, o Hollywood Vampires conquistou público internacional e mantém viva a tradição do 
rock ‘n’ roll !!


quarta-feira, 14 de outubro de 2026

The Power of 3: Orianthi, Cindy Blackman e Rhonda Smith


The Power of 3
' power trio inspirado na Band of Gypsys '

O novo supergrupo da guitarrista Orianthi, The Power of 3, anuncia seu álbum de estreia com o produtor de Jimi Hendrix, Eddie Kramer. O trio conta com as excepcionais Cindy Blackman Santana na bateria e a baixista Rhonda Smith.
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O power trio 'The Power of 3', liderado por Orianthi, com a aclamada baterista Cindy Blackman Santana e a baixista Rhonda Smith, anunciou seu álbum de estreia homônimo e o lançamento do primeiro single duplo, " War in the Streets" e "Treat Me Like a Lady". O álbum foi produzido por Eddie Kramer, colaborador lendário de Jimi Hendrix e David Bowie, e conta com a participação especial de Carlos Santana.

Gravado inteiramente em formato analógico, o disco promete capturar “a química pura de três musicistas de classe mundial cujas carreiras coletivas incluem colaborações com Michael Jackson, Prince, Jeff Beck, Alice Cooper, Beyoncé, Lenny Kravitz, Santana e Pharoah Sanders”.

A história de origem do Power of 3 remonta a uma sugestão de Mark Davis, proprietário do Las Vegas Raiders, que incentivou Orianthi a montar um power trio inspirado na banda Band of Gypsys: Jimi Hendrix, Buddy Miles e Billy Cox.

Orianthi entrou em contato com Blackman Santana, conhecida por seu trabalho com Lenny Kravitz e Carlos Santana. As duas então recrutaram Smith, que era o baixista de Prince, Jeff Beck e Beyoncé.

Ao falar sobre o novo grupo, Orianthi diz: “Sei que pessoas do mundo todo querem nos ver, e mal podemos esperar. Vai ser muito divertido sair em turnê. Tocar junto com Cindy e Rhonda é como ter uma força poderosa. Não sou só eu... é uma banda de verdade.”

Em uma entrevista recente à Guitar World, a guitarrista também falou sobre trabalhar com um produtor que tem em seu currículo diversas lendas, incluindo Jimi Hendrix: “Ele definitivamente conseguiu trazer à tona algo que outros produtores não conseguiram apenas com sua energia”, disse ela.

“O Eddie se concentra em posicionar o microfone corretamente e faz a sua mágica... É um método bem tradicional e interessante. Adoro observar o Eddie no estúdio quando ele está fazendo panorâmicas e outras coisas malucas. Fizemos uma jam de 25 minutos, que estará no disco, e ele teve que mixar tudo. Ele estava suando depois!”

Ela continuou: “Como sou uma grande fã do Hendrix, o respeito muito. Ele sugere coisas como: 'Por que você não experimenta este amplificador, esta configuração, este pedal ou esta guitarra?' Eu experimento tudo o que ele sugere, sabe? Meu coração está aberto. Estar no estúdio com Eddie Kramer e Kevin é uma honra.”

O trio já fez sua estreia ao vivo, tendo se apresentado duas vezes no Allegiant Stadium de Las Vegas, e Orianthi confirma que agora estão se preparando para levar o projeto ao público mundial.


Rhonda também falou sobre o projeto: “Sabe, tudo de bom começa com bons amigos e boa música, e este projeto tem tudo isso. Já lançamos dois singles e nosso álbum homônimo. Estamos nos divertindo muito".

“Para mim, tocar em trio sempre foi uma experiência poderosa, porque você precisa prestar atenção no que está tocando e ter consciência do que está fazendo, mas também é bom ter esse espaço. Você tem mais espaço, mas também mais responsabilidade".

"Gravamos tudo ao vivo – nós três juntas – e fizemos o mínimo de overdubs possível. Basicamente, foi assim que fizemos o disco. A Orianthi também cantava os vocais principais ao mesmo tempo, então tudo acontecia com foco total. Íamos resolvendo as coisas até estarmos prontos para gravar as bases".

"Foi mais ou menos isso que fizemos, com a ajuda de Eddie Kramer, que produziu o disco. Ele trouxe muitos sons vintage, equipamentos vintage, equalizadores vintage e todas essas coisas maravilhosas que existem hoje em dia".

"Acho que muitos de nós nos acostumamos com o som digital, principalmente com o streaming. Mas quem curte a velha guarda sabe a diferença. Tem algo especial no som. É mais encorpado, mais profundo e mais
agressivo. Está se tornando uma raridade hoje em dia". 

Som impactante, inspirador para novos músicos. Esse trabalho traz bons exemplos para as mulheres mais jovens, sempre existiram mulheres na música, mas não há ainda muitos grupos como este. Com a experiência que elas possuem em trio, e a energia que demonstram no palco, bora tocar rock 'n' roll!

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Eddie Hazel

Eddie Hazel

"Embora tenha havido guitarristas tecnicamente mais virtuosos nas fileiras do exército de guitarristas do P-Funk, Eddie Hazel é considerado pela maioria o maior guitarrista a ter feito parte do Funk Mob. Por quê? Por causa de sua habilidade única de reinventar uma música funk, sempre tocando padrões belamente emotivos e inesperados que desafiavam qualquer noção de normalidade"
(G. Clinton)


História

Edward Earl Hazel, nascido em 10 de abril de 1950 no Brooklyn, ele cresceu em Plainfield, Nova Jersey, onde cantava na igreja antes de se juntar à banda local de R&B, The Boyce Brothers. Ele aprendeu a tocar sozinho depois que seu irmão lhe deu um violão de presente de Natal, quando sua família ainda morava no Brooklyn.

Sua mãe, Grace Cook, mudou-se com a família para Plainfield (embora continuasse a trabalhar no Brooklyn) porque sentia que o Brooklyn estava se tornando um lugar inseguro para criar seus filhos. Ironicamente, Plainfield também abrigava um emaranhado de conjuntos habitacionais infestados de drogas, dos quais poucos moradores (incluindo Eddie) conseguiram escapar.

Foi em Plainfield que Eddie forjou sua amizade para a vida toda com Billy 'Bass' Nelson, o baixista original do Funkadelic. Nelson diz: “Eddie e eu tínhamos uma sonoridade parecida desde o início. Ele me ensinou tudo o que sei sobre música; tínhamos uma conexão tão forte que transcende as palavras. Não consigo descrever a dor que sinto por ele não estar mais aqui. Toquei com alguns verdadeiros gênios da guitarra ao longo dos anos, mas ninguém se comparava ao Eddie”.

Billy incentivou Eddie a se juntar ao Funkadelic em 1969, eventualmente convencendo o líder do grupo, George Clinton, a persuadir a mãe de Eddie a permitir que ele entrasse para a banda e saísse em turnê. O álbum de estreia autointitulado do Funkadelic foi lançado pela Westbound Records no início de 1970 e contou com a participação de Eddie em músicas como "I'll Bet Ya" e "Qualify & Satisfy". A fusão única de blues, acid rock e funk de Eddie está presente em todo o álbum.

Eddie também tem participação marcante no álbum de 1971 do Funkadelic, Free Your Mind and Your Ass Will Follow . A faixa-título apresenta Eddie em uma forma incrível, que se mantém ao longo de todo o álbum. No entanto, foi o álbum Maggot Brain, também de 1971 , que se provou a obra-prima de Eddie.

Eles tocaram “Maggot Brain” no funeral de Eddie Hazel na véspera de Ano Novo de 1992 em Plainfield, Nova Jersey. Foi uma despedida à altura de um verdadeiro herói da guitarra. Mais do que qualquer outra música do repertório do P-Funk, o comovente hino em tom menor estará para sempre associado a Eddie Hazel.

A música foi criada quando George Clinton pediu a Eddie que pensasse na coisa mais triste que conseguisse imaginar (a morte de sua mãe) e a tocasse em sua guitarra. O resultado foi um solo de guitarra de 10 minutos gravado em uma única tomada, que, na minha opinião, é a melhor peça de guitarra elétrica já gravada. Eddie leva o ouvinte por todas as emoções conhecidas, do medo à luxúria, do prazer à dor, da serenidade à raiva, do amor ao ódio, transformando-as em uma das performances mais comoventes e dilacerantes já gravadas.

A influência de Eddie no Funkadelic começou a diminuir a partir desse ponto devido a problemas excessivos com drogas e álcool e disputas financeiras com Clinton. Ele foi enviado para a prisão de Lampoc após uma agressão com os dentes em um avião, onde supostamente mordeu uma aeromoça enquanto estava sob efeito de Angel Dust. No entanto, ele retornou com força total para o álbum de 1974, Standing on the Verge of Getting it On . Ele coescreveu todas as músicas do álbum (os créditos de composição são dados à sua mãe, Grace Cook) e está em ótima forma na guitarra.

Eddie deixou o P-Funk em 1974 para trabalhar como guitarrista/compositor na Motown, notavelmente tocando nos álbuns dos Temptations ( A Song For You , 1975, e Wings of Love , 1976) e atuando como diretor musical de Bonnie Pointer e Chairmen Of The Board antes de retornar ao P-Funk no início dos anos 80. No entanto, ele lançou um álbum solo, Game, Dames & Guitar Thangs , em 1978 pela Atlantic Records, que contou com a participação de todo o P-Funk Mob. O álbum permanece fora de catálogo e é um item de colecionador muito procurado.

Sem dinheiro e sem teto no último ano de sua vida, Eddie voltou a morar na casa de sua mãe em Plainfield. Ele sofria de problemas estomacais crônicos há anos e, por fim, sucumbiu a uma hemorragia interna e insuficiência hepática em 23 de dezembro de 1992.

Ironicamente, ele havia começado recentemente a planejar vários projetos, incluindo uma apresentação em power trio com os ex-membros do Band of Gypsys, Billy Cox e Buddy Miles, bem como uma reunião da formação original do Funkadelic.

Com seu virtuosismo desafiando a opressão e as convenções, Eddie Hazel estabeleceu um padrão a ser seguido por todos, não apenas pelos guitarristas negros.

Capa do álbum solo de 1977.
Reflexões sobre Eddie.

Frequentemente comparado ao grande Jimi Hendrix, Eddie nunca alcançou o mesmo nível de fama e admiração pública que Jimi, sofrendo por vezes o mesmo estigma que outros grandes guitarristas negros, como Ernie Isley, sendo rotulado como um mero imitador de Hendrix. Como ele disse à revista Guitar Player: “Eu ouvia muito Jimi. Era impressionante como nossos estilos eram parecidos, mas era isso que eu sentia. Eu queria fazer da guitarra uma extensão do meu canto. Meu estilo é realmente como o de um vocalista solo tocando guitarra.”

Apesar do ambiente em que cresceu, acredito que, como muitas pessoas verdadeiramente talentosas, a personalidade de Eddie continha um elemento de autodestruição. Essa história se aplica a muitos artistas brilhantes, como o próprio Jimi Hendrix, Stevie Ray Vaughan, Jim Morrison e tantos outros. É quase como uma negação de seus próprios talentos.

Da mesma forma, a marca do verdadeiro gênio estava impressa na forma de tocar de Eddie por sua inconsistência. Como todos os grandes mestres, o nível de ambição e inventividade em sua maneira de tocar produzia resultados variados. Tocar com esse nível de intensidade gerava momentos de puro gênio inatingível, ao mesmo tempo que alguns perfeccionistas da música às vezes se incomodam com as notas desafinadas de todos os grandes como Jimi Hendrix e Eddie. Talvez o que essas pessoas não percebam é que tocar no limite é o que diferencia esses artistas. Inovação envolve correr riscos. Competência técnica tem pouco a ver com emoção e paixão ao tocar um instrumento. Eddie tocava e cantava com tanta emoção que muitas vezes era ridicularizado por outros membros da banda por chorar durante as gravações em estúdio.


quarta-feira, 3 de setembro de 2025

DiScOs InCrÍvEiS: Big Brother & The Holding Company (Janis Joplin)

Janis Joplin
Big Brother & The Holding Company

Capa do álbum Cheap Trhills (1968)
Cheap Thrills 
Box of Pearls - 1999 -

Em 1968, quando o Big Brother & The Holding Company fez seu segundo álbum, o LP que eles planejavam lançar foi cancelado pela gravadora. O título foi encurtado de Sex, Dope and Cheap Thrills para apenas Cheap Thrills, e as músicas de estúdio que eles gravaram foram mixadas com sons da plateia para dar aos ouvintes a impressão de que era um álbum de concerto – em parte porque as bandas de São Francisco eram conhecidas por seus shows poderosos na época. Além disso, uma música ao vivo foi incluída no disco no final.

Foi uma bagunça, mas Cheap Thrills conseguiu se livrar da maioria desses problemas de bastidores quando foi lançado em agosto de 1968 e disparou para o primeiro lugar, transformando a vocalista e figura central do Big Brother – a ainda desconhecida Janis Joplin – em uma estrela. E mesmo que o resto da banda pudesse ser desleixado em sua abordagem às vezes, Cheap Thrills se tornou um dos maiores álbuns da época e um marco para a eletrizante Janis Joplin.

Inclui algumas conversas de estúdio e tomadas brutas que nos levam para dentro do estúdio enquanto o álbum clássico da banda estava sendo feito. Mas, no fim das contas, esses dois discos não oferecem nada que você não possa obter do LP single. Ainda assim, captura alguns meses de 1968 antes da tempestade chegar e mudar tudo para o grupo e, mais importante, para sua promissora vocalista.

Encarte e ficha técnica
Todas as músicas se destacam, e no bonus uma apresentação de "Piece of My Heart", que inclui uma performance mais marcada e torturada de Joplin, e uma tentativa inicial de "Summertime", que resolve alguns dos problemas em tempo real. 

E a abertura do álbum com "Combination of the Two", se desenrola como o álbum muito original. Ainda assim, a estrela aqui – assim como no LP original – é Joplin, entregando sua performance inovadora com uma confiança que praticamente supera as demais deficiências da banda. Sua voz rouca não é tão suingada quanto martela; há paixão genuína aqui, enquanto suas homenagens aos seus heróis do blues e do R&B transitam da reverência cautelosa à dominação total.

Ela ataca em "Roadblock" e nos emociona em "Farewell Song", duas músicas das sessões que não entraram no álbum final e que meio que resumem a estética do Big Brother and the Holding Company em 1968. Pouco depois do lançamento de Cheap Thrills , Joplin — seu status subiu consideravelmente — e o guitarrista Sam Andrew saíram para formar a Kozmic Blues Band e, efetivamente, plantar as sementes de sua carreira solo.

Big Brother & The Holding Company: 

David Getz - Drums
Peter Albin - Baixo
James Gurley - Guitarra
Sam Andrew - Guitarra
Janis Joplin - Vocalista

Álbum original produzido por John Simon. Box remasterizado e produzido por Bob Irwin, 1999.


Faixas do disco:
1. Combination Of The Two
2. I Need A Man To Love
3. Summertime
4. Peace Of My Heart
5. Turtle Blues
6. Oh, Sweet Mary
7. Ball And Chain

Bonus:
8. Roadblock
9. Flower In The Sun
10. Catch Me Daddy (live)
11. Magic Of Love (live)
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sábado, 12 de julho de 2025

DiScOs InCrÍvEiS: Chicken Shack

Chicken Shack

O mais puro Blues britânico !!

A Chicken Shack foi formada em Birmingham em abril de 1965 mas em seus primeiros dias ela teve uma longa residência no Star Club de Hamburgo. Sua primeira grande oportunidade foi em meados de 1967 quando o produtor Mike Vernon contratou a banda para seu novo selo Blue Horizon, junto com o grupo do sensacional guitarrista Peter Green, a Fleetwood Mac. 

Christine, Webb, Morley e Sylvester - 1968
A banda contava com Christine Perfect (piano, hammond e voz), que entrou para a banda em 1967 — ela era considerada uma das melhores cantoras de blues da Grã Bretanha. Stan Webb (guitarra e voz), reconhecido como um dos melhores guitarristas que  tocava Blues.  Alan Morley (bateria) e Andy Sylvester (baixo). Assim, a banda foi uma das que esteve à frente do segundo momento da invasão do Blues na Inglaterra. A banda lançou seis álbuns fundamentais do Blues-Rock com várias mudanças na formação ao longo do caminho. Christine Perfect, por exemplo, saiu em 1969 para se juntar à própria Fleetwood Mac.

No final de 1973 a banda se separou após uma turnê conflituosa pela Alemanha. Stan Webb reformulou a banda com Dave Wilkinson (piano elétrico),  Rob  Hull (baixo) e Alan Powell (bateria) para cumprir o calendário de concertos. Com essa formação foi gravado o "Goodbye Chicken Shack" ao vivo numa universidade de Londres. É um álbum excelente com performances memoráveis de Webb. Ele fechou com brilho a primeira fase da Chichen Shack.

O.K. Ken?
Álbum - 1968

Capa do Álbum
Big Walter Horton, gaitista de Blues afro-americano, colaborou com esse álbum maravilhoso da banda Chicken Shack. O guitarrista Stan Webb compôs a maioria das músicas e Christine Perfect dividiu o crédito em outras. Christine tinha uma voz perfeita e impactante, nítida de uma cantora de blues, sua voz contribuiu muito e seu jeito de tocar piano não ficava atrás.

Este foi o álbum mais popular do Chicken Shack, chegando ao Top Ten britânico. Uma relíquia do blues britânico que disputava as paradas com excelentes bandas na época como: Fleetwood Mac, John Mayall & The Bluesbreakers, Cream, Free e Ten Years After, para citar algumas. Não é difícil entender como essa banda de "blues rasgado", implacavelmente lento, encontrou tanto sucesso. 

A sonoridade desse álbum nos remete ao boogie de Chicago ... 

Aproveitando o naipe de metais que acompanha a banda nesse disco, as duas primeiras faixas Baby's Got Me Crying e The Right Way Is My Way são as mais honestas representações do blues dinâmico e intenso de New Orleans. Os arranjos de metais conduzem as faixas, e as frases de guitarra de Stan Webb são sensacionais. Get Like You Used To Be composta por Christine Perfect e Pony and Trap de Webb traz o melhor estilo Chicken Shack, melodias de um blues rasgado, sensibilidade e arranjos . A quinta faixa Tell Me é um cover de Howlin'g Wolf, a cozinha da banda (baixo e bateria) consegue trazer a explosão do Lobo do Blues, embora seja impossível reproduzir os vocais de Howli'n Wolf, Stan Webb se esforçou, e o uivo não faltou. Destaque para os solos maravilhosos de guitarra e piano. O lado A termina com a faixa A Woman Is the Blues, mais um blues rasgado composta pela dupla Christine/Webb. Destaque novamente para os arranjos viciantes dos metais. Dá vontade de a música não terminar.

O lado dois do álbum abre com um cover de um dos maiores guitarristas de blues da história, T-Bone Walker. Andamento rápido e contagiante, a guitarra de Webb faz solos frenéticos e a voz rasgada é digna de T-Bone. É pra se mexer! A faixa Remington Ride é um instrumental estilo Freddy King, embora a música tenha sido composta pela dupla Herb Remington e Hank Penny. Fishing In Your River é mais uma da dupla Christine/Webb, dentro do que eles mais gostam de fazer, o momento no disco é de apreciar e viajar nas trocas de frases de guitarra, piano e metais, maravilhoso. O gaitista Big Walter Horton aparece com muita presença em Mean Old World de Little Walter, não podia faltar o melhor do Blues de Chicago, sensacional a performance de Horton. Pra finalizar o álbum, um excelente cover do clássico de B. B. King, Sweet Sixteen. A faixa foi apresentada com toda a maestria do rei, como não poderia ser diferente, destaque para as frases e solos de guitarra de Stan Webb, final fantátisco!

Indicado aos apreciadores do Blues raíz !!

Ficha Técnica

Estilo Referência – Blues e Blues-Rock

Músicos:

Stan Webb - guitarra, vocal
Big Walter "Shakey" Horton - harmônica
Christine Perfect - vocal, piano e hammond
Andy Sylvester - baixo
Drums – Dave Bidwell - bateria
Bud Beadle (Ginger Baker's Air Force) - sax alto e barítono
Don Fey - sax alto
John Almond (John Mayall) - sax alto
Steve Gregory -sax alto
Roderick Lee - trompete
Terry Noonan - trompete

Faixas:

1.  Baby's Got Me Crying
2.  The Right Way Is My Way
3.  Get Like Used To Be
4.  Pony And Trap
5.  Tell Me (Howlin Wolf)
6.  A Woman Is The Blues
7.  I Wanna See My Baby (T-Bone Walker)
8.  Remington Ride
9.  Fishing In Your River
10. Mean Old World (Little Walter)
11. Sweet Sixteen (B.B. King)

Lançamento 1968 – Blue Horizon
Relançamento 2005 – Sony Music
Produção – Mike Vernon

terça-feira, 8 de julho de 2025

Blues Britânico

 Invasão Britânica

do Blues

e o surgimento do Pop/Rock

Conquistando o continente:

No início da década de sessenta era dada a largada para um dos maiores fenômenos da música popular do século XX, a Invasão do Blues na europa. Movimento no qual levou as bandas britânicas de rock tomaram de assalto as rádios e TVs dos estados unidos e espalharem pelo mundo a segunda disseminação global do Rock 'n' Roll. Liderada pelos pioneiros The Beatles, a Invasão Britânica revelou ao mundo bandas famosas que se tornaram lendárias do rock como os The Rolling Stones, The Who e Pink Floyd. 

Os jovens britânicos foram resgatados pelo som cru e visceral advindo do Blues  desenvolvido pelos afro-americanos que atravessaram o oceano atlântico desembarcando na europa no início da década de sessenta. Muddy Waters, John Lee Hooker, Sonny Boy Williamson II e Willie Dixon são alguns dos "bluseiros" que conquistaram a europa através de shows pré-agendados entre 1959 e 1960.

O primeiro momento da invasão:

O mundo não estava esperando, e em 07 de fevereiro de 1964, a banda britânica da cidade de Liverpool, The Beatles, já fazia sucesso na Europa e aportou nos EUA pela primeira vez para uma mini turnê. Sem esperar, os jovens foram virados de cabeça para baixo. Literalmente da noite para o dia, os Beatles se transformaram no maior fenômeno popular de música que aquele país já vira. Milhares de jovens invadiram o Aeroporto Internacional JFK, em Nova York; suas canções monopolizaram as rádios de costa a costa; seus discos atingiram cifras de vendagens jamais vistas; sua primeira aparição na TV norte americana – no programa The Ed Sullivan Show marcou uma audiência recorde com 73 milhões de telespectadores. Foi uma loucura apelidada de "beatlemania"! Além de ser um fenômeno, os The Beatles foram apenas o começo.

Depois do primeiro contato com o quarteto de Liverpool, descobriram que a Grã-Bretanha produzia dezenas de bandas com aquela nova sonoridade, um rock enérgico, levado nas guitarras elétricas e reforçado com vozes fortes e harmônicas. Logo, vários outros grupos ingleses passaram a dividir a atenção do público e da mídia: 
The Rolling Stones, The Animals, The Kinks, The Hollies, The Dave Clark Five e The Yardbirds chegaram logo em seguida. A Invasão Britânica criou não apenas um fenômeno social, musical e cultural, ela criou o rock que conhecemos hoje. Definiu as bases de um gênero musical que, muito mais do que apenas música, virou um estilo de vida e contra-cultura.

As influências do movimento:

O Rock 'n' Roll desenvolvido nos estados unidos na década de 1950 foi se popularizando, cativando um público cada vez maior; e das pequenas gravadoras independentes saltou para as grandes gravadoras, as rádios nacionais, a TV e o sucesso internacional. Artistas como Bill Harley and His Comets, Elvis Presley, Little Richard, Chuck Berry, Buddy Holly, Jerry Lee Lewis fizeram a transição e viraram ídolos do estilo.

Conquistando a mídia a partir de 1954, o rock se torna um fenômeno mundial em 1956. Tudo isso foi fruto de um grande intercâmbio de gêneros musicais “raiz”, ou seja, populares, que se combinaram nos interiores do país e se popularizaram nos grandes centros urbanos. 
A mistura do Jazz, Blues, Rhythm'n Blues, Country and Western e a música Folk se fundiram entre os pretos e os brancos para consagrarem esse gênero. Porém, tão rápido e intenso eles brilharam, tão logo desapareceram. Em 1959, muitos ícones do rock 'n' roll estavam enfrentando problemas pessoais, e por vários motivos eles simplesmente não estavam conseguindo mais manter o mesmo sucesso nas rádios. Seria o fim do Rock?

Do outro lado do atlântico, na Grã-Bretanha, o rock and roll também fez sucesso a partir de 1956. Mas causou um efeito diferente. A Inglaterra diante das consequências da segunda guerra mundial, ainda sofria com racionamento, pobreza e falta de perspectiva para os mais jovens. O rock era o que eles precisavam. Mas a Grã-Bretanha ainda não tinha um grande aparelho de mídia como o que já existia nos EUA. A TV era controlada pela BBC. O rádio também. A programação radiofônica era restrita ao que o governo julgasse “digno” de ser ouvido. Rock era considerado ofensivo. Não tocava no rádio. Só existiam quatro gravadoras de discos e não havia gravadoras independentes. Os jovens não tinham dinheiro para comprar uma guitarra elétrica, por exemplo, pois teria que importar o instrumento. Então o rock, a princípio, foi um movimento totalmente marginal e subversivo.

Na entrada da década de 1960, vai se criando todo um cenário libertador e revolucionário entre os jovens, mas foi preciso chutar a porta para que a música e as artes em geral pudessem ganhar espaço.

Alguns ingleses já extasiados com o recém-descoberto "Blues" afro-americano, com elementos e o swing do Funk de James Brown e a sensualidade da Soul Music de Mavin Gaye e Ray Charles, inicia-se um caldeirão fervilhante de ideias. O estilo estava ficando cada vez mais frenético, pulsante e sensual, era o renascimento do Rock and Roll! Na europa, o rock também bebeu em outras fontes: na música sinfônica europeia; na música popular anglo-saxônica. O Jazz e o Blues já faziam muito sucesso entre os intelectuais; e a combinação do blues rural com sua herança popular deu origem ao Skiffle, um gênero tipicamente inglês: rápido, rústico e rasgante. Essa foi a base fundamental que fez o rock inglês ser diferente do rock americano.


Desbravando o mundo:

Ensaios de roqueiros ingleses como Cliff Richards and the Shadows, por exemplo, no início dos anos 1960, logo vira uma verdadeira cena roqueira capitaneada pelos The Beatles. O quarteto formado em Liverpool, no norte do país, região mais atrasada, provinciana e pobre, precisou de muita insistência e perseverança para romper a barreira imposta pela capital Londres. Mas isso se desfez logo após o retorno da banda na passagem de muito sucesso por Hamburgo, na Alemanha. O lançamento de seu primeiro disco, em 1962, torna-se um grande fenômeno de vendas no país. E não demora para o sucesso escoar pelo resto da europa.

O sucesso dos Beatles chamou a atenção das gravadoras e abriu o caminho para toda uma horda de bandas que estavam esperando para estourar. Num primeiro momento, a própria região de Liverpool providenciou uma enorme gama de artistas, como Garry and the Peacemakers, Billy J. Kramer and the Dakotas, The Fourmost, Cilla Black e The Hollies.

O compacto "I Want to Hold your Hand" chegou ao primeiro lugar das paradas dos EUA e se transformou no maior fenômeno de vendas que o país já vira. Como n.º 1 nas rádios, os Beatles decidiram ir ao país se apresentar. Curiosamente, devido ao pouco tempo, os Beatles agendaram apenas uma mini-turnê, que envolvia apenas dois concertos, no Colliseum de Washington, DC e no Carnegie Hall em Nova York. Três apresentações no programa televisivo de Ed Sullivan também foram agendadas. Um marco histórico.

Em vista o grande sucesso e domínio do rock inglês nas rádios americanas durante o ano de 1964, as gravadoras americanas começaram a investir e bandas de rock começaram a brotar pelo país. Assim, em 1965, surgem bandas como The Beach Boys, The Byrds, Simon & Garfunkel e The Mamas and the Papas acompanhando as tendências.

Até o músico e compositor Bob Dylan, um puritano da música Folk, experimentou o "rock elétrico". Conhecido por suas letras poéticas e politizadas, por canções calmas e acústicas, também foi influenciado por essa invasão e aderiu a guitarra elétrica em certo momento. Criou o chamado "Folk-Rock", que seria a misturas dos dois estilos. Na época, causou um pouco de revolta entre alguns puritanos da música folk, porém ele se transformou mundialmente conhecido.

O Blues domina Londres:

Paralelamente, a capital Londres começara a gestação de uma outra cena musical, mais pautada na influência do Blues e R&B. Figuras muito importantes como os músicos Alexis Korner e Cyril Davies abrem as portas para que artistas "bluseiros" norte americanos entrassem no circuito de bares e festivais na capital londrina. Inclusive, Alexis Korner é considerado o "Pai do Blues Britânico". 

A banda John Mayall & The Bluesbreakers, importantíssima na cena, foi a chamada "Escola de Blues". John Mayall, pouco mais velho que a rapaziada, recrutava jovens músicos e instrumentistas interessados no estilo para tocarem em sua banda. Muitas experimentações foram feitas na banda e muitos músicos ficaram famosos mais tarde como os guitarristas Peter Green, Eric Clapton e Mick Taylor. 

Outras bandas também se formaram, pelo menos no início, para tocar o "Blues Raiz" afro-americano, e, assim, desenvolverem mais profundamente o blues britânico. The Rolling Stones, The Animals, The Yardbirds, The Pretty Things, The Manfred Mann são alguns exemplos de bandas "blues" que estouraram nas paradas entre 1963 - 1965. 

A sonoridade dessas bandas era bastante diferente do rock and roll dos anos cinquenta, e se transformou na principal referência para todo o rock que veio a seguir. Por isso, o rock tal qual o conhecemos hoje – com as bandas que ouvimos atualmente – é  fruto da Invasão Britânica.

O segundo momento da invasão: 

Apesar da qualidade sonora até ali criada, os britânicos continuaram a elevar o Blues-Rock após 1965. Bandas como The Yardbirds, The Who, The Spencer Davis Group, The Small Faces e Jeff Beck Group do virtuoso guitarrista Jeff Beck, fazem uma fusão excelente para o rock mais comercial. Já bandas como: Free, The Graham Bond Organization, Chicken Shack, Peter Green’s Fleetwood Mac e Savoy Brown, elevam a qualidade do "Blues Inglês".

Os The Rolling Stones mostravam uma imagem rebelde, um rock mais sujo no sentido sonoro, muita sensualidade interpretada pelo vocalista Mick Jagger, e emplacou sucessos como The Last Time, I Can’t Get No Satisfaction e Get Off of My Cloud. Os Yardbirds colocavam a guitarra no centro do palco, primeiro com Eric Clapton, depois com seu substituto, Jeff Beck, popularizando os efeitos de distorção e feedback, e depois Jimmy Page, fundador da banda Led Zeppelin mais tarde.

O The Who fazia um som poderoso de guitarra, baixo e bateria. Performance inquieta e intensa, volume no talo e letras provocativas como na música My Generation, "prefiro morrer jovem à envelhecer". A banda foi a primeira a quebrar os instrumentos nos shows, Pete Towshend foi o primeiro músico a destruir sua guitarra no palco, tudo era simbolgia de insatisfação e rebeldia juvenil.

Nos EUA, no berço do blues elétrico, Chicago, a banda The Paul Butterfield Blues Band do gaitista 
Paul Butterfield, assinou contrato com a Elektra Records depois de adicionar o guitarrista Michael Bloomfield. Seu álbum homônimo foi lançado em 1965. Depois de várias mudanças na formação e no estilo musical da banda, Paul iniciou uma carreira solo nos anos setenta.

Outra banda muito importante no blues norte americano, o Canned Heat, de Los Angeles,  inovou na sua criação em 1965, na época era uma das poucas bandas de blues formadas apenas por brancos, muita originalidade tanto em covers de blues quanto nas composições próprias. As músicas são baseadas em artistas clássicos de blues, como Robert Johnson, John Lee Hooker, Skip James, entre muitos outros.

O resultado da combustão musical e a chegada da "Cultura Hippie":

Apesar das diferenças culturais e estéticas, a Invasão Britânica e o estilo americano começaram a se fundir em 1966 para formar o chamado Psicodelismo, a estética marcada pelas cores abundantes, a música experimental, a apologia de liberdade às drogas e o nascimento do movimento hippie. A importância de artistas como Janis Joplin, Jefferson Airplane, Vanilla Fudge, Iron Butterfly e The Doors mostram a qualidade americana nesse estilo. E grandes nomes do Psicodelismo da Grã-Bretanha são Moody Blues, Pink Floyd, Cream e Traffic. Sem falar na adesão de artistas “veteranos” como os Rolling Stones e Beatles.

Algumas bandas como os americanos The Beach Boys com o álbum “Pet Sounds” de 1966 precursor do estilo, The Rolling Stones com “Their Satanic Majesties Request” de 1967 e The Beatles com o álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band de 1967 entraram de cabeça na música psicodélica e demonstram o poder sonoro da lisergia.

A chegada do virtuosismo:

A maior revolução e inovação da guitarra e consequentemente todos os instrumentos e equipamentos da época vieram de um americano chamado Jimi Hendrix. Após emigrar para a Inglaterra em 1966 e formar uma banda britânica, a “The Jimi Hendrix Experience”, vira um fenômeno mundial entre músicos e críticos da indústria. Jimi Hendrix revolucionou a sonoridade e o modo de tocar guitarra, abriu as portas para o som mais pesado que viria na próxima década misturando todos os estilos. Depois dele nada seria a mesma coisa.

O psicodelismo, para alguns músicos e bandas, apontaria para um futuro estilo que chegaria. Encantaria as pessoass com as viagens sonoras, capas coloridas e muita experimentação instrumental misturando várias vertentes. Esse estilo seria conhecido em breve por "Rock Progressivo", que seria representado por bandas pioneiras do estilo como: Pink Floyd, The Soft Machine, Jethro Tull, 
Yes, Atomic Rooster, King Crimson e Emerson, Lake & Palmer.

Importante destacar que todos esses estilos e rumos do rock estavam explodindo por toda a Europa, nos apresentando artistas e bandas fantásticas por inúmeros países.

Os novos rumos:

A década de 1960 foram muito dinâmicos e intensos. Muitas bandas produziram muito e duraram pouco. Outras mudaram ou adaptaram-se em outros estilos. Pioneiros como The Animals, The Yardbirds e The Hollies mal sobreviveram até a ano de 1967, encerrando as atividades ou desaparecendo da grande mídia. Alguns artistas ficaram  muito famosos e conseguiram sucesso em vários projetos diferentes ou tiveram grande sucesso em suas carreiras solos. 

Vale destacar aqui a banda pioneira do estilo chamado Blues-Rock, no formato "Power Trio", (banda de sonoridade pesada com apenas três músicos: guitarra-baixo-bateria), o Cream. Ao final dessa banda em 1969, por exemplo, os três grandes músicos fazem outros projetos e carreiras solos brilhantes. Jack Bruce (vocalista e baixista), Eric Clapton (guitarrista) e Ginger Baker (baterista), formaram depois outras bandas com muito destaque e depois álbuns solos maravilhosos.

Outras bandas sobreviveram à passagem do tempo – Beatles, Stones e The Who por exemplo, já produziam uma sonoridade totalmente diferente, madura e ousada com os álbuns White Album e Abbey Road dos Beatles; Beggars Banquet e Let it Bleed dos Rolling Stones e a primeira "Ópera Rock" lançada pelo The Who, o álbum "Tommy". 

Foi a era dos grandes festivais e que rendeu o lendário festival de Woodstock em 1969, com mais de 400 mil espectadores revelou ao mundo artistas como Joe Cocker, Crosby Stills Nash & Young, Santana além de contar com as apresentações de Jimi Hendrix, Janis Joplin e The Who. A américa continuou a produzir excelentes bandas folks e de rock psicodélico como The Band, Creedene Clearwater Revival e Grateful Dead.

As bandas britânicas mudam o rumo novamente:

O surgimento de uma nova sonoridade blues-rock, com fortes riffs de guitarra e muito mais pesados, chamados depois de Hard Rock, transformaram mais uma vez o rock and roll. Esse novo som já vinha sendo lapidado ao longo dos anos por bandas como Cream, The Jimi Hendrix Experience, Ten Years After e Jeff Beck Group, porém, foi a partir do primeiro e segundo disco da banda Led Zeppelin lançados em 1969 que o novo gênero estava fundado.
A partir de 1970, bandas como Deep Purple, Uriah Heep, Black Sabbath, Wishbone Ash, Budgie e Nazareth consolidam o hard rock. 

A partir desse momento viriam ainda muitas e muitas páginas da história do Rock e da música Pop. Inúmeros estilos, sub gêneros e vertentes surgiram e surgem até hoje. Outras cuturas e artes musicais estão sempre se fundindo e criando novas sonoridades. Rock com Reggae, o Reggae com Jazz, o Jazz com o Samba, o Samba com Erudito ... 

"sem a mistura de raízes culturais, a música não seria magnífica e complexa"

O legado:

A importância da Invasão Britânica sequer pode ser medida, pois ela definiu os caminhos do rock e da música pop na atualidade. É uma referência para muitas bandas e artistas do gênero. David Bowie, Elton John e até Michael Jackson rei da música pop surgiram desse legado. A inversão do polo artístico musical global trouxe uma mudança radical à música do século XX e o surgimento de um dos momentos mais importantes da história da música, com a revelação de artistas que estão entranhados no DNA musical das gerações posteriores. 

E tudo isso explodiu em 1963 após a invasão de um quarteto vindo de Liverpool ... 

Long Live Rock!